O
Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, inicia nesta
terça-feira, 28, mais uma reunião do Federal Open Market Committee
(FOMC), com a decisão sobre a taxa básica de juros prevista para
quarta-feira, 29, às 15h (horário de Brasília). O encontro é acompanhado
de perto pelos mercados globais por definir os rumos da política
monetária da maior economia do mundo.
O que aconteceu
- O
Federal Reserve (Fed) se reúne para definir a taxa de juros, com
expectativa de manutenção, mas cresce a probabilidade de alta.
- Fatores como tensões geopolíticas no Oriente Médio e inflação doméstica nos EUA aumentam as incertezas sobre a decisão.
- O
novo presidente do Fed, Kevin Warsh, adota um discurso mais rígido
contra a inflação, o que pode influenciar a volatilidade dos mercados.
A
expectativa predominante entre economistas é de que o Fed mantenha a
taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, repetindo o
resultado das últimas quatro reuniões. Caso o cenário se confirme, será o
quinto encontro consecutivo sem mudanças na política monetária.
Apesar
do consenso, o mercado passou a enxergar um risco maior de uma
surpresa. Os contratos futuros de Fed funds indicam entre 36% e 38% de
probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual, movimento que
ganhou força nas últimas semanas.
Por que aumentaram as dúvidas sobre a decisão?
Até
a primeira quinzena de julho, os dados de inflação dos Estados Unidos
indicavam uma desaceleração dos preços, reduzindo significativamente as
apostas em uma nova alta dos juros. No entanto, o cenário mudou após uma
combinação de fatores externos e domésticos.
A
escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã elevou os preços
internacionais do petróleo. Os contratos futuros do Brent voltaram a
superar os US$ 100 por barril, reacendendo preocupações com uma nova
onda de inflação provocada pelo aumento dos custos da energia.
Ao
mesmo tempo, a ameaça de rebeldes houthis de interromper rotas
comerciais no Mar Vermelho ampliou as incertezas sobre a cadeia global
de abastecimento.
No
ambiente doméstico americano, a inflação segue acima da meta de 2%
estabelecida pelo Fed. Além dos impactos da energia, analistas apontam
que a forte demanda por investimentos em Inteligência Artificial e as
novas tarifas comerciais impostas pela administração de Donald Trump
continuam pressionando os preços.
O papel de Kevin Warsh na política monetária
Esta será a segunda decisão de política monetária comandada por Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve.
Desde
que assumiu o cargo, Warsh tem adotado um discurso considerado mais
rígido no combate à inflação. O dirigente também anunciou a intenção de
reduzir o uso do chamado forward guidance, estratégia utilizada pelos
bancos centrais para antecipar ao mercado os possíveis próximos passos
da política monetária.
Na prática, a mudança aumenta a imprevisibilidade das decisões e amplia a volatilidade dos mercados financeiros.
O que a decisão do Fed pode provocar no Brasil?
As decisões do banco central americano costumam ter reflexos diretos sobre os ativos brasileiros.
Caso
o Fed surpreenda com uma alta dos juros ou adote um discurso mais duro
na coletiva após a reunião, investidores podem direcionar recursos para
os títulos públicos americanos, considerados mais seguros.
Esse
movimento tende a fortalecer o dólar em relação a outras moedas,
incluindo o real, além de aumentar a pressão sobre mercados emergentes.
Uma moeda americana mais forte também pode influenciar expectativas de inflação e os custos de financiamento no Brasil.
Superquarta tem outros indicadores importantes na agenda
Além da decisão do Fed, os investidores acompanharão uma agenda intensa de indicadores econômicos.
Na terça-feira, 28, será divulgado o IPCA-15 de julho, considerado a prévia da inflação oficial brasileira.
Já
na quinta-feira, 30, estão previstos os números do Caged, que mede a
geração de empregos formais, e da Pnad Contínua, principal pesquisa
sobre o mercado de trabalho brasileiro.
O conjunto desses dados
ajudará a definir o comportamento dos mercados nos próximos dias e
poderá influenciar as expectativas para os próximos passos da política
monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
https://istoedinheiro.com.br/fed-decide-juros-nesta-quarta-e-mercado-enxerga-risco-de-alta-veja-o-que-esperar