terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Azul diz ao Cade que atraso na saída do Chapter 11 pode ameaçar continuidade dos negócios

 

A Azul disse ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que o atraso na saída do Chapter 11 traz “graves riscos” à saúde financeira e à própria continuidade operacional da companhia. Na quarta-feira, 11, o plenário do Cade vai analisar o recurso apresentado contra a operação da empresa com a United Airlines. Tal operação é citada como parte do Chapter 11 – procedimento previsto na legislação norte-americana de falências voltado à reestruturação financeira de empresas, com o objetivo de reduzir o endividamento da Azul.

Nos últimos dias, decisões postergaram a análise do caso pelo órgão antitruste, após recurso apresentado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo).

O conselheiro-relator do caso, Diogo Thomson, habilitou o instituto como terceiro interessado na operação, para aprofundamento da instrução. Ele citou a complexidade do caso e a existência de “questões estruturais ainda abertas, especialmente relacionadas à governança e aos incentivos concorrenciais decorrentes da operação”.

Na visão de Thomson, o pedido do instituto “não se limita a meras afirmações”, e possui elementos probatórios que fundamentam o pleito e que serão “objeto de apreciação pormenorizada em eventual exame de mérito”.

Azul diz que prorrogação da análise foi injustificada

Em petição apresentada ao Cade na segunda-feira, 9, a Azul disse que o IPSConsumo criou atrasos e obstáculos artificiais à implementação da operação, “que representam um risco concreto de prejuízo, e não de benefício, aos consumidores”.

“A operação é extremamente relevante para que a Azul permaneça uma concorrente agressiva e efetiva, sendo, portanto, claramente pró-competitiva em relação ao seu cenário contrafactual”, continuou a companhia. “Além de riscos jurídicos associados a possíveis questionamentos do plano do Chapter 11 por credores, a Azul tem incorrido em altos custos mensais para conclusão de seu processo de reestruturação. Tais custos poderão ser majorados por eventual atraso para além de fevereiro/2026″, completou.

A empresa aérea sustentou que, com a saída do Chapter 11, estará financeira e operacionalmente mais forte para retomar capacidade e expandir a sua oferta nos mercados doméstico e internacional, podendo competir de maneira mais efetiva e gerar benefícios aos consumidores.

O plano do Chapter 11 – iniciado em maio de 2025 e em fase de implementação – estabelece, como condição precedente à saída da Azul do procedimento, que a empresa deve realizar a captação de, pelo menos, US$ 850 milhões, que será implementada via Oferta Pública de Ações, por meio da qual serão concretizados, pelo menos, US$ 850 milhões em novos recursos, dos quais: (i) US$ 750 milhões serão portados por um grupo de credores; e (ii) US$ 100 milhões serão aportados pela United.

Em 30 de dezembro, a Superintendência-Geral (SG) do Cade chegou a aprovar o negócio, sem restrições, ao concluir pela ausência de riscos concorrenciais decorrentes da operação. O IPSConsumo entrou com recurso alegando que operação apresentada ao Cade deveria ter incluído também o negócio com a American Airlines, “dado o forte entrelaçamento estratégico da UA no âmbito do Chapter 11 e a existência de relações de influência irrefutáveis das duas empresas americanas em aéreas latino-americanas”.

O instituto também tem criticado o “uso excessivo de tarjas de confidencialidade” e a “omissão de informações centrais para o contraditório” por parte das duas empresas, além de citar participações cruzadas envolvendo United, American e o grupo Abra/Gol. Ainda disse ao órgão antitruste que eventual aprofundamento na análise da operação pelo Cade “de modo algum inviabilizaria a injeção de capital da United na Azul”.

Sobre a operação com a American Airlines, a Azul disse que aquela empresa pretende realizar um investimento minoritário independente, do qual a United não é parte e que, consequentemente, não integra a presente operação. “Trata-se de iniciativa ainda sujeita a negociações entre as partes e que, uma vez formalizada, será oportunamente submetida à apreciação desse Cade”.

Nesta quarta, a partir das 10 horas, o tribunal do Cade vai analisar o recurso interposto pelo IPSConsumo, o que poderá manter o processo vivo no tribunal. O relator votou pela admissibilidade do recurso que, caso aceito pelos demais conselheiros, levará a uma avaliação mais detalhada da operação, adiando, portanto, a decisão final.

A operação

A operação consiste no aumento da participação minoritária detida pela United na Azul, no âmbito do processo de reorganização judicial da companhia nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11. Com a operação, a participação da United no capital social da Azul passará de atuais 2,02% para aproximadamente 8%.

As empresas aéreas alegam que a operação não cria ou modifica os direitos da United sobre a Azul, tampouco altera os termos da relação comercial entre elas. Também sustentam que não serão geradas sobreposições de voos diretos entre aeroportos dos dois países.

A Azul coloca que “a prorrogação injustificada da análise” pode vir a pôr em risco a própria continuidade operacional dos serviços da empresa. “Diante deste cenário, e na ausência de qualquer justificativa para a reabertura da fase instrutória ou para a prorrogação do prazo de análise, deve a decisão da d. SG/CADE ser mantida sem qualquer modificação”, conclui.

Moncler e Brasil nas Olimpíadas: entenda por que os uniformes dos jogos de inverno chamaram a atenção do mundo

 

Mesmo em um país conhecido mundialmente pelo calor tropical, festas vibrantes e futebol, foi um elemento completamente diferente que chamou atenção em conversas sobre o Brasil nos últimos dias: o destaque dado ao uniforme da delegação brasileira nas Olimpíadas de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, confeccionado pela Moncler.

O que chamou atenção não foi apenas o design mais frio e menos colorido, mas o fato de a a grife italiana de luxo especializada em roupas de frio e ícone global de moda e performance ter escolhido se vincular ao Brasil nas Olimpíadas, competição a qual a Moncler não estava vinculada há mais de 50 anos.

A companhia não patrocinava um país nos Jogos de Inverno desde 1968, quando a marca forneceu uniformes para a equipe francesa de esqui nos Jogos de Grenoble. Retornar ao cenário olímpico, quase seis décadas depois, representa uma estratégia tanto de marketing quanto de reforço de imagem global para a grife, destacando sua conexão histórica com esportes de neve e performance técnica.

 

 


 

 

A empresa é patrocinadora oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e patrocinadora técnica da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.

Se a escolha da Moncler para vestir o Brasil chamou atenção, parte da explicação está em um atleta: Lucas Pinheiro Braathen.

O esquiador alpino nascido na Noruega, mas com mãe brasileira, já vinha conquistando espaço no circuito internacional antes de vestir o uniforme verde e amarelo. Em 2025, ele alcançou a vice-liderança no slalom gigante da Copa do Mundo e acumulou medalhas importantes, consolidando-se como uma das maiores esperanças brasileiras no esporte de inverno.

Pinheiro Braathen havia se afastado das competições em 2023 por desentendimentos com a federação norueguesa, mas seu retorno – agora representando oficialmente o Brasil – foi um dos enredos esportivos mais comentados das últimas semanas.

A Moncler, além de patrocinadora institucional, é parceira pessoal do atleta há alguns anos, o que ajudou a viabilizar a colaboração.

Uniforme do Brasil reforça estética característica da Moncler

O uniforme que chamou atenção do público – e das redes sociais – não é o típico colorido e festivo que se associa ao Brasil em grandes eventos. Em vez disso, ele reflete tanto a tradição técnica da Moncler quanto um olhar contemporâneo sobre moda e funcionalidade.

A Moncler se inspirou na lendária jaqueta Karakorum, um modelo icônico criado décadas atrás para alpinistas italianos e reconhecido por sua capacidade de isolamento térmico e resistência extrema. Essa peça histórica tem espaço garantido na narrativa visual da grife e serviu de base para o desenvolvimento dos novos uniformes.

Algumas das características visuais mais marcantes incluem:

  • Cores sóbrias e sofisticadas, com predominância de branco e tons neutros que remetem à neve e à paisagem alpina
  • Detalhes da bandeira brasileira inseridos de forma sutil, como no forro interno das capas usadas pelos porta-bandeiras
  • Elementos técnicos de performance, como cortes e materiais pensados para proteção contra temperaturas abaixo de zero, influência direta da experiência da Moncler em roupas de montanha

Esses uniformes, especialmente as peças destinadas à cerimônia de abertura, não estão sendo comercializados ao público em geral, pelo menos por enquanto.

A Moncler vende suas coleções nas lojas próprias em cidades como São Paulo, como nos shoppings JK Iguatemi e Iguatemi Faria Lima, e em marketplaces como a Farfetch.

O papel de Oskar Metsavaht e a colaboração criativa com a Osklen

Um elemento adicional no tema foi a participação do brasileiro Oskar Metsavaht, fundador e diretor criativo da Osklen. A presença de Metsavaht no processo de criação reforça um aspecto cultural e expressivo da coleção, com o dedo de um brasileiro no design nas peças.

A revelação da collab, entretanto, só foi revelada cerca de 12 horas antes de os uniformes do Brasil nos Jogos de Inverno serem expostos ao mundo na abertura da competição.

Metsavaht tem uma trajetória marcada pela fusão entre design, performance e sustentabilidade, além de uma conexão pessoal com esportes de neve, tendo competido como snowboarder no início de sua carreira.

A Moncler de 1952 e a Moncler de hoje

Atualmente a grife é italiana, mas nem sempre foi assim.

Fundada em 1952, em Monestier-de-Clermont, nos alpes franceses, a empresa começou produzindo roupas e equipamentos para ambientes de frio extremo, desde sacos de dormir até casacos técnicos. A associação com esportes de inverno aconteceu de forma natural, e a marca rapidamente ganhou reputação por sua funcionalidade.

Nos anos 1990, a Moncler enfrentou dificuldades financeiras até ser adquirida, em 2003, pelo empresário Remo Ruffini, que transferiu a sede para Milão e reposicionou a marca como um ícone de luxo global. Atualmente listada na bolsa de valores italiana e com faturamento anual superior a 3 bilhões de euros, a empresa é um dos principais nomes do segmento premium de moda e performance.

 

 https://istoedinheiro.com.br/moncler-brasil-uniforme-inverno

Mais de 90 mil credores do Master ainda não pediram reembolso ao FGC

 

Cerca de 92 mil credores ainda não iniciaram junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) o processo para pedir o reembolso referente aos investimentos feitos no Banco Master e que ficaram bloqueados após a liquidação feita pelo Banco Central em novembro de 2025. O montante representa 54% do total de credores que ainda não foram pagos pelo FGC.

Na última sexta-feira, 6, o FGC informou que mais de 170 mil credores ainda foram não reembolsados, mas, a maioria dos investidores já foi devidamente paga. Dos cerca de 800 mil credores existentes, 628 mil já receberam os recursos investidos no banco de Daniel Vorcaro, ou seja, 81% do total. Em volume, foram pagos R$ 36 bilhões em garantias, o que representa 89% do total de R$ 40 bilhões que devem deixar o caixa do FGC.

Os pagamentos foram iniciados em 19 de janeiro. Segundo Fundo Garantidor, estão sendo processados cerca de 3,9 mil pedidos por hora. “É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo”, diz o FGC.

No final de janeiro, o FGC informou que requisitos de segurança e procedimentos adotados para prevenção a fraudes, podem estender o tempo para a conclusão do processo de reembolso aos credores do Banco Master.

O FGC destacou, na época, que a validação de identidade e a liberação dos pagamentos de um percentual dos credores passarão por etapas adicionais de verificação, e essa checagem extra pode exigir mais tempo.  Os pagamentos tiveram início na tarde do dia 19 de janeiro de 2026, dois meses após a decretação de liquidação do Master pelo Banco Central.

De acordo com o Fundo Garantidor, não existe prazo legal definido para pagamento das garantias, “mas que empenha os melhores esforços para que ocorram na maior brevidade possível”.

Apesar de a seção de Perguntas Frequentes informar sobre o prazo médio estimado de dois dias úteis, contados a partir da conclusão da solicitação pelo credor, esses prazos são estimativas operacionais, baseadas na experiência do FGC em liquidações anteriores.

“O FGC reforça que essas medidas têm como objetivo proteger os credores e evitar que tentativas de golpes possam afetar negativamente o patrimônio do FGC, em detrimento do bem comum provido à coletividade pelo mecanismo de proteção”, diz a nota.

Em relação ao Will Bank, o FGC estima que serão pagos R$ 6,3 bilhões em garantias. O início dos pagamentos acontecerá após o recebimento da base de credores, que será consolidada pelo liquidante, com apoio do FGC.

Como pedir o pagamento

O procedimento para solicitar o valor investido inclui o download do aplicativo do FGC, a realização do cadastro e o acompanhamento das notificações com as orientações da entidade. Algumas corretoras de investimentos, como a XP, já enviaram avisos aos investidores informando que a solicitação de garantia dos ativos emitidos pelo Banco Master estavam disponíveis, diretamente pelo app do FGC.

Após manifestar interesse no recebimento e assinar digitalmente o termo de solicitação, o valor a que o investidor tem direito será depositado na conta indicada em até dois dias úteis. No caso de pessoas jurídicas, o pedido de garantia deve ser feito exclusivamente pelo site do FGC. Todas as etapas necessárias para solicitação foram disponibilizadas no site da FGC.

Para empresas credoras, o representante da empresa deve solicitar a garantia do FGC pelo Portal do Investidor. Depois do preenchimento das informações, enviaremos um e-mail com os passos necessários. O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa.

De acordo com o FGC, o volume total de pagamentos soma R$ 40,6 bilhões, diferente da estimativa de R$ 41 bilhões. Ao todo, cerca de 800 mil investidores serão atendidos, número consideravelmente menor que a previsão anterior de 1,6 milhão. A cobertura do fundo tem um limite de até R$ 250 mil por investidor e por instituição financeira. O FGC possui liquidez de R$ 125 bilhões.

Petrobras: produção de óleo e gás sobe 18,6% no 4º tri, a 3,081 milhões de boed

 

A Petrobras fechou o quarto trimestre do ano com produção média de 3,081 milhões de barris diários (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural), uma alta de 18,6% na comparação com igual período do ano passado. No ano, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, 11,1% maior.

Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o período de outubro a dezembro apresentou queda de 1,1% na produção. As informações constam no relatório de produção da companhia, divulgado nesta terça-feira, 10.

No documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal coloca entre os principais fatores para o aumento da produção o aumento da capacidade de produção dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias e a maior eficiência operacional, de 3,6 ponto percentual (p.p) acima do resultado de 2024, principalmente em plataformas da Bacia de Santos.

“Em 2025, a Petrobras alcançou o melhor resultado dos últimos dez anos ao adicionar 1,7 bilhão de boe em reservas, atingindo um índice de reposição de reservas (IRR) de 175%, mesmo diante de uma produção recorde”, destaca o documento.

A produção comercial de óleo e gás foi de 2,737 milhões de boe/d no quarto trimestre de 2025, alta de 19,6% ante o quarto trimestre de 2024, e queda de 1,1% contra a média dos três meses imediatamente anteriores.

A produção de petróleo foi de 2,504 milhões de barris por dia (bpd) de outubro a dezembro do ano passado, 19,8%% maior do que no quarto trimestre de 2024. Já em relação ao trimestre até setembro, a queda foi de 0,6%.

A produção de gás natural totalizou 577 mil boe/d, alta de 13,8% na comparação com um ano antes, e queda de 2,9% relação ao terceiro trimestre de 2025.

No pré-sal, foram produzidos 2,114 milhões de barris diários (boed) no quarto trimestre, alta de 20,1% ante o quarto trimestre de 2024 e variação negativa de 0,1% contra o terceiro trimestre do ano.

Presidente e diretor financeiro da Smartfit renunciam

 

O conselho de administração da Smartfit aprovou nesta terça-feira substituição do presidente-executivo e do diretor financeiro da companhia, que apresentaram pedidos de renúncia, segundo ata de reunião do colegiado enviada ao mercado.

Para o lugar de Edgard Corona na presidência-executiva, o conselho da rede de academias de ginásticas aprovou a indicação de Diogo Corona, e, para o posto de André Pezeta, a companhia aprovou José Rizzardo Pereira.

BB Seguridade tem lucro líquido recorrente de R$ 2,3 bi no 4º trimestre de 2025

 

A BB Seguridade registrou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, uma alta de 5,1% em relação a igual período do ano anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, por outro lado, houve queda de 10,8%.

Em balanço, a companhia afirmou que o crescimento foi sustentado pelo forte resultado financeiro das empresas do grupo, diante da expansão do saldo médio, alta da taxa Selic e redução do custo de passivo de planos previdência de benefício definido, diante da queda do IGP-M com 1 mês de defasagem.

Também contribuiu o resultado positivo de marcação a mercado, enquanto no quarto trimestre de 2024 houve marcação negativa, de acordo com a BB Seguridade.

Em 2025, o lucro líquido foi de R$ 9 bilhões, avanço de 11,4% ante 2024.

Ipea: impacto do fim da escala 6×1 para empresas é inferior a 1% do custo operacional

 

Em meio ao início dos trabalhos legislativos de 2026 e os preparativos para a disputa eleitoral deste ano, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calculou o tamanho do impacto econômico que o fim da escala 6×1 teria no Brasil. Por meio de uma nota técnica publicada nesta terça-feira, 10, o Ipea calculou que os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho.

Considerando os grandes setores, como indústria e comércio, nos quais estão mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional. Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica.

Nos cálculos do Ipea, a redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio de um trabalhador contratado sob a CLT em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais. Porém, ponderando os resultados pelo peso do trabalho no custo total de cada setor, as estimativas indicam efeitos reduzidos nos custos totais. Nos grandes setores com forte geração de empregos, como a indústria e o comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional total, o que indica maior capacidade de absorção de eventuais mudanças na jornada.

Já empresas de serviços como vigilância e limpeza tendem a ser mais diretamente afetadas, devido à elevada participação da mão de obra em seus custos. O maior impacto em termos de custo operacional é de 6,6% para o setor de vigilância, segurança e investigação.

A análise do Ipea levou em consideração o aumento do custo da hora trabalhada. Na avaliação dos técnicos da entidade, mantida a remuneração nominal, a redução da jornada eleva o custo da hora de trabalho na mesma proporção do aumento do salário-hora, calculado pela divisão do salário semanal pelo número de horas trabalhadas na semana.

A limitação da carga horária do trabalhador é entendida como um aumento do custo da hora de trabalho. Os empresários podem reagir de diversas formas a esse aumento, reduzir a produção é uma delas, mas eles podem também buscar aumentos na produtividade ou contratar mais trabalhadores para suprir a carga horária que cada um dos empregados anteriores deixou de disponibilizar”, explica Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa na diretoria de estudos e políticas sociais do Ipea.

Em nota, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) manifestou preocupação com a forma como o debate acerca da escala 6×1 vem sendo conduzido, defendendo que qualquer alteração deve respeitar a soberania das negociações coletivas, conforme previsto na Constituição Federal. “O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Impactos setoriais

O estudo do Ipea ressalta, no entanto, que alguns segmentos do setor de serviços se destacam pela combinação entre forte uso de mão de obra e impacto relativamente maior nos custos, como serviços para edifícios, vigilância e seleção e agenciamento de trabalhadores. Nesses casos, o efeito mais direto da redução da jornada indica a importância da realização de estudos para avaliar a necessidade de medidas governamentais para mitigar eventuais impactos.

Contudo, grandes empregadores da indústria de alimentos, comércio atacadista e de veículos, registrariam impacto inferior a 1% nos custos. Somados, esses setores concentram cerca de 6,5 milhões de vínculos de trabalho. Cerca de 10 milhões de vínculos estão em setores nos quais o aumento do custo da mão de obra supera 3% do custo total da atividade, e aproximadamente 3 milhões em setores com impacto superior a 5%.

Para a Fiesp, uma transição da escala 6×1 para outro modelo sem o correspondente aumento de produtividade ou redução do “Custo Brasil” pode resultar, inevitavelmente, em pressões inflacionárias e perda de competitividade. “Tais medidas impactam severamente a sustentabilidade de pequenas e médias empresas, devendo gerar retração econômica, fechamento de postos de trabalho formais e o avanço da informalidade – o que contraria diretamente o propósito original da Emenda proposta”, disse a entidade em nota.

 

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