
Fachada do prédio do Nubank (Crédito: Divulgação)
Em meio à crise que levou à liquidação extrajudicial da Will Financeira, surgiram rumores pelas redes sociais de que outros bancos digitais seguiriam o mesmo caminho. As preocupações foram levantadas sobretudo em relação ao Nubank, já que ele possui uma ampla base de mais de 112 milhões de clientes.
Especialistas consultados pela IstoÉ Dinheiro, no entanto, explicam que a situação do Nu é bastante diferente, e que sua operação oferece transparência e garantia muito maiores do que o banco digital amarelinho. “Os dois casos são incomparáveis”, declara o advogado Rafael Mortari, sócio do Mortari Bolico Advogados.
Em nota publicada em seu site o roxinho afirma que é “a notícia de que o Nubank estaria falindo é falsa”. “Somos a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes e uma das instituições com o menor número de reclamações”, declara.
O que aconteceu com o Will?
As diferenças entre os casos do Nubank e do Will iniciam pelo próprio entendimento do que ocasionou a mais recente liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC).
O Will integrava a holding Master, que em novembro foi envolvida por uma investigação da Polícia Federal com suspeitas de gestão fraudulenta. Em um mesmo dia, seu CEO foi preso e o Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada, com o BC apontando “uma grave crise de liquidez”.
Naquela altura, o BC permitiu que o Will seguisse em funcionamento sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo que permite ao banco funcionar enquanto uma nova equipe tenta consertar a casa. Segundo o advogado Rafael Mortari, o indicado pelo BC para liquidação do Master buscava encontrar um comprador para o Will, até que o banco amarelo ficasse inadimplente com a Mastercard na última segunda-feira, 19, e perdesse sua operação de cartões. “Sem operação e sem interessados na aquisição dos ativos, o Banco Central seguiu o rito para proteger o que restava do patrimônio dos credores”, diz.
O Nubank, pelo contrário, não está sob nenhum conglomerado. ” Nubank é topo e negócio principal da sua estrutura, não possui uma holding em crise que possa puxá-lo para baixo como no caso do Will com o Master”, segue Mortari.
Nubank cumpre exigências mais rigorosas de transparência
Além de não integrar nenhum conglomerado, o Nubank é uma empresa de capital aberto com ações negociadas na Bolsa de Nova York. Assim, necessita cumprir rigorosos padrões de transparência sobre sua governança, como relatórios periódicos com detalhes de sua situação financeira. No terceiro trimestre de 2025, seu balanço mais recentee reportou receita de US$ 4,2 bilhões, com lucro líquido de US$ 783 milhões.
“Não é porque é uma fintech que se deve cravar que vai pelo mesmo caminho”, afirma o especialista em mercado financeiro André Franco, CEO da Boost Research. “O Nubank tem uma estrutura muito mais saudável e, obviamente, é um dos maiores bancos do Brasil, com listagem lá fora. Então, quando olhamos para essa solidez, não faz muito sentido pensar dessa forma.”
“O Nubank mantém um colchão de liquidez acima do exigido pelo Banco Central, o que garante que ele tenha capital próprio suficiente para absorver perdas”, adiciona Rafael Mortari.
No final do ano passado, o Nubank anunciou ainda que irá buscar junto ao Banco Central a licença para operar de fato como um banco, deixando para trás sua classificação de fintech. A mudança trará ainda mais exigências de segurança para a instituição.
Além disso, a própria operação para os clientes do Nubank oferece uma segurança maior. “No caso do Will Bank, houve sinais objetivos de fragilidade, como insolvência e problemas operacionais em meios de pagamento, algo que não se observa no Nubank”, recorda o advogado Luis Castelo, sócio da Lopes & Castelo Sociedade de Advogados.
E as outras fintechs e bancos digitais?
Em um cenário de grande quantidade de empresas operando no sistema financeiro, os especialistas destacam que não há uma lista das confiáveis e das mais arriscadas. Cabe aos potenciais clientes pesquisar e ficarem atentos aos sinais de risco nas empresas e escolher instituições seguras.
O economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação, destaca que fintechs menores costumam enfrentar desafios maiores, especialmente aquelas “com modelo de negócio focado em crédito de alto risco sem colchão de capital; que dependem de poucos investidores ou pouca diversificação de receitas; ou que estão ligadas a instituições maiores que enfrentam problemas”.
Já nas escolhas de investimentos, rentabilidade muito acima do padrão de mercado deve sempre acender um alerta. “Juros excessivos costumam ser um “prêmio de risco” que a instituição paga por estar com dificuldade de captar dinheiro em outros canais”, diz Mortari.
“O mais importante é se informar, se manter atualizado com informações consistentes dos bancos e fintechs em que cada pessoa opera”, conclui Luis Castelo, destacando crescimento acelerado sem transparência e dependência excessiva de capital de curto prazo como sinais de alerta.





