segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Anvisa cogita usar sandbox para regular funcionamento de hospitais inteligentes, diz diretora

 


Em entrevista ao JOTA, Daniela Cerqueira também defendeu o uso de avaliação de risco para toda a agência, entre outros pontos

Daniela Cerqueira Anvisa
Daniela Cerqueira, diretora da Anvisa. / Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

 

A diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Daniela Marreco Cerqueira defendeu, em entrevista ao JOTA, a adoção de avaliação de risco nos pedidos que são enviados à autarquia. “Este é um modelo que a agência vai precisar adotar para conseguir sobreviver aos próximos anos”, avalia.

Ela argumenta que o número de solicitações de análise aumenta de forma muito mais rápida do que o de servidores. Como exemplo, ela cita a área de dispositivos médicos. O ritmo anual de crescimento de pedidos é de 6%. “Não há como fazer frente.”

Na avaliação de risco, o tratamento para análise varia de acordo com as características do produto e, ainda, do histórico da fabricante em relação ao cumprimento das regras da Anvisa. A partir disso, cada pedido receberia uma classificação: verde, amarelo ou vermelho, sendo esse último reservado aos produtos que demandam uma análise mais detalhada.

A ideia é que esta classificação seja dinâmica, incentivando, assim, empresas a cumprirem as demandas feitas pela agência.

Um projeto piloto para o uso deste método na área de cosméticos deverá ser feito nos próximos meses. “A proposta vai passar por consulta pública, há necessidade de ampla discussão. Mas este é um modelo que depois deve ser expandido para outras áreas da agência”, acredita.

Nesta entrevista, Cerqueira fala também sobre a expansão do uso do sandbox regulatório, um ambiente controlado para testar regras inovadoras, que, ao lado da análise de risco, pode ajudar a agência a acelerar as respostas, avaliar novos formatos e oferecer um ambiente propício para novas tecnologias. “As normas da Anvisa não podem inviabilizar a inovação”, defende.

Na diretoria sob sua responsabilidade, a aposta é de que o sandbox seja usado em diferentes frentes, incluindo normas para serviços de saúde. O uso da ferramenta também é cogitado para regular o funcionamento de hospitais inteligentes, uma das ações prioritárias do governo federal. Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), anunciaram a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão. A iniciativa, que contará com financiamento do Banco do Brics,  busca o uso de infraestrutura de saúde integrada a tecnologias digitais e inteligência artificial para otimizar processos e aprimorar os resultados clínicos dos pacientes.

A ideia de hospitais inteligentes também é levada em consideração quando se discute a revisão da Resolução 50, que traz as regras para estruturas físicas de serviços de saúde, o que inclui tamanho das salas, instalações hidráulicas e elétricas.

Na entrevista, a diretora fala ainda sobre mudanças nas regras da resolução 978/2025, que trata de exames de análises clínicas, sobre dispositivos médicos, agrotóxicos e dispositivos eletrônicos de fumar. Ela estima que a revisão ocorra em março.

Leia abaixo os destaques da conversa.

O que podemos esperar da revisão da resolução sobre exames de análises clínicas, a 978/2025?

A 978 veio para mudar de forma importante a regulamentação dos exames de análises clínicas. Ela trouxe uma nova figura para o cenário nacional de exames de análises clínicas: a possibilidade de execução de testes simples em caráter de triagem nos serviços tipo 1, que são as farmácias, drogarias e os consultórios isolados. Durante a implementação, porém, o que se percebeu é que algumas estruturas se inviabilizaram com a norma.

Talvez pela forma como as Vigilâncias Sanitárias interpretam a resolução, talvez pelo próprio texto, que trouxe critérios que não conversam com o que vinha acontecendo no país. Mas nossa intenção não é inviabilizar um serviço que já está atuando. O que queremos é trazer qualidade e segurança para os serviços realizados.

Qual será a solução?

Ajustes pontuais. Neste momento, não identifico necessidade de uma revisão ampla. A norma precisa ser implementada efetivamente. Se não dermos um tempo, a norma nunca vai ser implementada. Todos precisamos nos adaptar a essa normativa.

As vigilâncias sanitárias precisam se adaptar e fazer fiscalização com base nessa resolução. Ela é uma regra muito densa, técnica. Vamos continuar fazendo vídeos educativos, materiais com perguntas e respostas, o roteiro objetivo de inspeção. A equipe da 3ª Diretoria (liderada por Cerqueira) mantém reuniões com setores, fazendo visitas para identificar estruturas que ficaram inviabilizadas com a norma.

Serviços já foram fechados por não cumprir as exigências?

Temos relatos de que sim, isso ocorreu.

Quais são os pontos passíveis de mudanças?

Existem no Brasil estruturas conhecidas como entrepostos: locais que recebem amostras biológicas coletadas nos exames, que ali ficam até serem transportadas para a central de distribuição ou para o laboratório.

A nossa resolução determina a existência de um responsável técnico na central de distribuição. As vigilâncias têm aplicado essas mesmas exigências para entrepostos, o que dificulta o funcionamento destes estabelecimentos. Este é um exemplo do texto que, na prática, está inviabilizando uma atividade que há anos já é feita. Nós visitamos um entreposto para conhecer o funcionamento. Já há informações bem detalhadas sobre a trajetória do material recebido. Acredito, então, que este trecho da norma carece de um ajuste na redação.

Outros ajustes serão necessários?

Estou recebendo as associações para identificar outras necessidades, conversando com Vigilâncias Sanitárias e fazendo as visitas para ver como o sistema funciona na prática. Precisamos garantir a segurança, mas ver também a vida como ela é.

Outro item apontado está relacionado aos serviços de tipo 2, à coleta domiciliar. A norma trouxe uma exigência que não existia antes, relacionada aos postos de coleta. Por essa interpretação, somente poderia fazer a coleta serviços tipo 3, que são os laboratórios de análises clínicas. Mas o posto de coleta, o serviço tipo 2, já é vinculado necessariamente a um serviço tipo três… Talvez isso precise de um ajuste redacional.

Há mais algum ponto?

Sim, os testes realizados nas farmácias e drogarias, os serviços tipo 1. A norma determina que estes serviços tenham controle externo de qualidade in loco. Isso significa que, cada unidade, cada drogaria interessada em fazer o teste precisaria deste controle externo. Os relatos recebidos, no entanto, são de que não existe provedor de ensaio no Brasil capaz de atender essa demanda. Além disso, o custo seria muito alto, diante das milhares de filiais vinculadas às drogarias. Precisamos balancear e analisar os dados recebidos. Precisamos de qualidade para garantir a execução desses testes com o custo operacional. Este é um serviço relevante, haja visto o que ocorreu na pandemia: quantas pessoas fizeram teste de Covid nas farmácias e ficavam já em casa, diante do resultado positivo. Estes exames têm capacidade de atuar como porta de entrada, de direcionar o paciente, seja para fazer o exame confirmatório num laboratório, seja para uma unidade de atendimento.

Quando a revisão será feita?

Estamos preparando um quadro comparativo entre as últimas três resoluções sobre o assunto. Não será feita uma análise de mérito da resolução, apenas aspectos pontuais. A ideia é trabalhar em janeiro este tema. Fazer visitas técnicas. E levar a proposta para revisão em março.

Qual o cronograma sobre a revisão da resolução das regras de estrutura dos serviços de saúde, a RDC 50? Ela está há tempos em análise…

A RDC 50 passou por um processo de consulta pública, teve a consolidação da consulta pública. O diretor relator, Romison Mota, antes do término do seu mandato na Anvisa, preparou um novo texto e o encaminhou a uma consulta dirigida aos setores afetos. Estamos agora consolidando as respostas encaminhadas.

A senhora pretende fazer novas mudanças?

Esta é uma norma estruturante. Num país tão grande como o Brasil e com tanta diversidade, precisamos contemplar com regras serviços públicos, serviços privados, sem falar também no hospital inteligente. Como é que a nossa norma vai conversar com o hospital inteligente? Será que este novo formato precisa estar já previsto nesta resolução? O certo é que nossa norma vai precisar trazer flexibilidade suficiente para não inviabilizar a construção deste hospital, que é um dos grandes projetos do nosso governo. Talvez por ser uma norma tão complexa, tão estruturante, seu processo de revisão tenha demorado tanto.

Mais: a Anvisa precisa de uma formação muito específica para trabalhar com esse processo, tem que ser um servidor com conhecimento de arquitetura, de engenharia. Este é um perfil não muito frequente aqui.

Como será a regulação dos hospitais inteligentes?

Participei da comitiva do ministro Alexandre Padilha na viagem à China. Agora, vamos nos reunir com a equipe do ministério que está cuidando do tema para ver se é o caso de fazermos adaptações na resolução.

Há também possibilidade de o tema ser tratado num sandbox regulatório. Temos de conhecer as especificidades do projeto para saber como recepcioná-lo na agência. Estou convicta, porém, de que a norma da Anvisa não pode inviabilizar o projeto. Pelo contrário. A inovação precisa encontrar na Anvisa um caminho para ela acontecer. Isso vale tanto para hospital inteligente quanto para funcionamento de farmácias. Precisamos encontrar, sempre, o meio do caminho.

A senhora pretende sugerir o uso frequente de sandbox regulatório?

Estou acompanhando o uso de sandbox regulatório para cosméticos personalizados. O retorno do setor é extremamente positivo, uma vez que a ferramenta traz previsibilidade e segurança jurídica. São poucos os projetos, mas o setor está muito receptivo a essa possibilidade de adotar uma nova estratégia regulatória num ambiente controlado.

Acho que o sandbox pode ser usado em diversas iniciativas da agência. Acho que aqui na terceira diretoria, cosméticos e saneantes, como são produtos de menor risco, são muito propensos ao uso desse tipo de ferramenta. Serviços de saúde também, por ser uma área que precisa conciliar serviços muito diferentes.

Seria então uma área candidata?

Acredito que sim. Veja a norma referente à odontologia, aprovada recentemente. Como faço a mesma exigência para o serviço de odontologia público que às vezes funciona em estruturas móveis itinerantes com um consultório padrão de cirurgião dentista? Outro exemplo, a RDC 44, que é a bíblia da farmácia. Esta RDC também está em processo de revisão. As farmácias mudaram muito nos últimos anos, percebemos isso na rotina. Será que há algo que possamos experimentar no serviço farmacêutico? Eu posso fazer isso no formato de sandbox e acompanhar esse resultado só com algumas farmácias. De forma cautelosa, para verificar o resultado e, dependendo, avançar para uma regulamentação de forma mais ampla.

Estou citando um exemplo. Mas a área de serviços de saúde tem muitas possibilidades. Ela é muito diversa. Retornando ao exemplo dos dentistas. Hoje muitos têm consultórios apenas para procedimentos estéticos. Precisamos olhar para esta realidade.

Em 2025, diretores apresentaram um plano para reduzir as filas. A senhora tem algum resultado setorial? E este continua sendo um dos temas prioritários para 2026?

Nossa prioridade é a dos dispositivos médicos. Este é um dos pontos centrais para 2026. Apresentamos um plano de ação, com 10 ações centrais e já começamos a ver resultados importantes. Entre novembro e dezembro, o número de petições finalizadas na área de dispositivos mais do que dobrou.

Vamos continuar a estratégia, de forma a atingir o prazo previsto, que é de 90 dias para primeira manifestação da agência. É algo bem desafiador. Nesta área, também precisamos falar de inovação. Começamos a receber pedidos de registro de produtos combinados, um dispositivo médico combinado com medicamento, um dispositivo médico combinado com cosmético. Como é que eu vou tratar esses produtos aqui na agência? A gente ainda não tem regras de produtos combinados. Daí a inclusão deste tema na agenda regulatória. Queremos trazer a discussão para criar uma resolução sobre registro de produtos combinados.

Há uma discussão sobre adoção da matriz de risco para redução de filas. Qual sua avaliação sobre o tema?

Temos essa discussão na área de cosméticos. Penso que esta iniciativa vai ser um pilar para toda a Anvisa. Ter canais: verde, vermelho, amarelo. Para isso, precisamos de critérios para fazer a matriz: analiso a empresa, a composição do produto, o risco que ele implica. Vários parâmetros para chegar à matriz. Aqueles classificados de verde serão notificados e imediatamente regularizados. Os produtos do canal amarelo, fazemos uma análise mais parcial e os produtos do canal vermelho, faremos uma análise mais detalhada.

Acho que é um modelo que a agência vai precisar adotar para conseguir sobreviver nos próximos anos. A gente nunca vai dar conta da entrada que a gente tem, que é crescente. Em dispositivos médicos, a demanda cresce 6% ao ano, pelo menos. E a minha força de trabalho não cresce 6% ao ano.

Se eu não tiver uma nova forma de analisar esses processos, aí eu estou falando de todas as áreas, de medicamento, de cosmético, de saneante, não damos conta.

Qual será o cronograma?

Para cosméticos, queremos fazer um piloto neste ano. Apresentar uma proposta, encaminhá-la para consulta pública. A área já fez uma análise dos dados da base de cosméticos. Cruzaram as informações: a composição desses produtos, com informação da empresa. Por exemplo, qual é o índice de indeferimento que ela tem? Qual é o índice de emissão de exigências? Algum dos produtos tem na fórmula substâncias proibidas em outros países? A partir dos dados, serão estabelecidos os critérios da matriz.

A matriz será dinâmica, de forma que a empresa sempre tenha de estar adequada às regras. Desta forma, ela pode, a qualquer momento, ter o risco de estar no canal vermelho. Isto é o melhor: a empresa buscará, sempre, ficar no verde. É algo semelhante ao que a área de aeroportos e fronteiras utiliza atualmente.

Você tem em mente um prazo para resolução ser publicada?

A ideia é ter a resolução até o fim do ano. A consulta pública, análise de impacto regulatório, a IR junto com a consulta pública, eu quero entregar isso no primeiro semestre de 2026.

Sobre agrotóxicos, há uma queixa constante da demora na reavaliação de produtos, o que acaba fazendo com que o país sempre seja destino de substâncias proibidas em outros países.

A norma de reavaliação é de 2018. Atualmente, temos quatro produtos em reavaliação e mais outros dois prioritários estabelecidos. Aguardamos agora a regulamentação da lei de agrotóxicos, que é de 2023. A partir do decreto, vamos definir como ficará o processo. A partir daí, poderemos lançar as reavaliações que estão sendo conduzidas na agência. Este é realmente um processo lento. Porque ele é robusto tecnicamente.

É preciso considerar o risco à saúde. Além disso, muitas vezes não se pode tirar o agrotóxico do mercado do dia para a noite, é preciso um tempo até que um substituto esteja disponível. Precisamos lembrar que o Brasil é um país com uma essência agronômica muito forte, né? Então, qualquer mudança nas regras de uso dos agrotóxicos pode trazer um impacto importante no fornecimento de produtos. E aí por isso que tem esse processo que é muito cuidadoso, mas as reavaliações continuam sendo conduzidas pela Anvisa.

Qual conduta será usada para os dispositivos eletrônicos de fumar?

A resolução que manteve a proibição do registro destes dispositivos previu que a Anvisa receberia periodicamente evidências científicas relacionadas a esses produtos. Vamos abrir uma nova janela de recebimento dessas evidências para que a gente possa fazer a avaliação e ver se o cenário permanece.

Vocês receberam algum documento da indústria que poderia embasar, com base em evidências científicas, uma eventual mudança nos critérios?

Essa janela começa agora. Desde que cheguei à diretoria, recebemos documentos sobre sachês de nicotina, outro tema da agenda regulatória. Estes sachês trazem nicotina e são usados com fins recreativos. Um ou dois países classificaram o produto como medicamentos. Estamos agora fazendo uma análise de impacto regulatório sobre o tema, estudando todas as evidências. Terminada, o tema irá para consulta pública.logo-jota

BRB pede acesso à investigação contra o Banco Master

 

O Banco Regional de Brasília (BRB) pediu à Justiça acesso à investigação contra o Banco Master, que tramita sob sigilo padrão – o segundo maior grau de sigilo – por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Apenas o Ministério Público, advogados, pessoas do gabinete autorizadas pelo ministro ou servidores do tribunal com acesso a esse nível de sigilo podem acompanhar o processo.

O BRB afirmou, em nota enviada ao Estadão, que solicitou, “por meio do escritório contratado para a condução de auditoria forense, habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos, no âmbito da Operação Compliance Zero”.

“O Banco BRB destaca que aguarda a decisão da Justiça sobre as solicitações realizadas”, disse a instituição.

O BRB tentou comprar uma parcela do Master, mas a operação foi reprovada pelo Banco Central (BC) em setembro, após pouco mais de cinco meses de análise. Dois meses depois, em 18 de novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Master, e o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).

No mês passado, o BRB anunciou, em fato relevante, a contratação do escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, para conduzir uma investigação independente com o objetivo de apurar fatos mencionados na operação que possam envolver a companhia.

Segundo o comunicado, os reportes serão feitos “a um Comitê Independente de Investigação, instaurado em 28 de novembro de 2025 por meio da Portaria Presi nº 2025/016, formado por executivos que não possuíam qualquer função no BRB – Banco de Brasília S.A. durante o período avaliado.”

A investigação da PF apontou uma série de falhas e omissões do BRB nas operações com o Master. Pouco após a liquidação extrajudicial do banco, o Conselho de Administração do BRB decidiu pedir à Justiça Federal de Brasília para ingressar como assistente de acusação na ação movida contra o Master.

BNDES aprova R$ 950 mi para construção de nova usina de etanol da Inpasa na Bahia

 

Rio, 12 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter aprovado um financiamento de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial S/A. Os recursos serão destinados à construção da sexta biorrefinaria da companhia no País.

A planta industrial será voltada à produção de etanol anidro e hidratado a partir da moagem de milho, sorgo e de outros grãos, no município de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O montante aprovado inclui R$ 350 milhões provenientes do Fundo Clima e R$ 600 milhões da linha FINEM.

O projeto prevê que a nova unidade tenha capacidade para processar anualmente até um milhão de toneladas de milho, 498 milhões de litros de etanol, 248,9 mil toneladas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis, da sigla em inglês) e 24.862 toneladas de óleo vegetal e 185 GWh de energia elétrica.

“A usina de etanol terá um impacto significativo na economia local, além de contribuir para que a Bahia deixe de ser importadora para se tornar exportadora de biocombustíveis”, declarou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota distribuída à imprensa.

A expectativa é que a usina atinja sua capacidade máxima de produção a partir de 2027.

China e UE acordam necessidade de normas de preços para exportação de carros elétricos chineses

 

 

 UE e China fecham acordo sobre investimentos | Monitor Mercantil

 

 

A China e a União Europeia (UE) concordaram que é necessário fornecer orientações gerais sobre compromissos de preços aos exportadores chineses de veículos elétricos para o bloco europeu, em esforços para que os exportadores chineses possam abordar suas preocupações de maneira mais “prática e direcionada”, seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), informou uma nota do Ministério do Comércio chinês nesta segunda-feira, 12.

A nota informa que, para isso, a UE emitirá um “Documento de Orientação sobre a Apresentação de Aplicações de Compromisso de Preço”. É explicado que esse documento confirmará que o bloco irá aderir ao princípio da “não discriminação”.

“Isso demonstra plenamente o espírito de diálogo e os resultados das consultas entre a China e a UE. Ambas as partes têm a capacidade e a disposição de resolver adequadamente as diferenças por meio de diálogo e consulta dentro do quadro das regras da OMC”, reforça a pasta, que defendeu a importância de manter a estabilidade da cadeia da indústria automotiva e da cadeia de suprimentos na China, na UE e globalmente.

Na avaliação de Pequim, o ponto de acordo entre as partes não é apenas “favorável ao desenvolvimento saudável das relações econômicas e comerciais” China-UE, mas também à “manutenção de uma ordem de comércio internacional” com base em regras.

UE aprova acordo comercial com o Mercosul, que ganha novo fôlego em 2026

 


Além do acordo, intervenções de Trump na Venezuela devem trazer ainda mais atratividade para o bloco econômico



acordo mercosul união europeia
Anúncio da conclusão do acordo com a participação dos líderes de Argentina, Uruguai, União Europeia, Brasil e Paraguai. Crédito: Ricardo Stuckert/PR

 

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9/1) o acordo comercial com o Mercosul, após 25 anos de negociações entre os dois blocos econômicos. Apesar da crise vivida pela América do Sul após o ataque militar e as intervenções políticas e econômicas na Venezuela por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, a aprovação do acordo comercial deve trazer ainda mais atratividade para o Mercosul, na avaliação de fontes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há a possibilidade de o acordo ser assinado na próxima segunda-feira (12/1).

Na véspera de Bruxelas anunciar finalmente sua chancela ao entendimento, a despeito das críticas da França, que votou contra, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, já havia telefonando para o presidente Lula, confirmando sua vinda ao Brasil em abril para acelerar as negociações com o Mercosul.

O mesmo interesse já foi manifestado pelo Reino Unido, que, com o Brexit, ficou fora do entendimento com os países europeus, e com o Japão. Na avaliação de pelos menos três fontes de alto escalão do governo brasileiro, o entendimento que cria o maior mercado de livre comércio do mundo aumenta o "rating" do Mercosul e dará nova tração às negociações em curso.

A assinatura ocorreu depois de a Comissão Europeia acenar com benefícios a produtores rurais. A decisão de chancelar o acordo representou, na avaliação de diplomatas europeus, um gesto político importante diante da política externa dos EUA. Os países envolvidos poderão, agora, firmar o acordo a partir da próxima segunda-feira (12/1), a depender das agendas.

Oposição da França

Uma dia antes, na quinta-feira (8/1), sob pressão de manifestações de produtores com seus tratores em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que votaria contra o entendimento negociado. Dito e feito. A França e a Polônia foram até aqui os maiores críticos do acordo. No entanto, respaldo da Itália, esses países ficam sem os votos suficientes para impedi-lo. Para que fosse aprovado, era necessária uma maioria qualificada de 15 dos 27 países da UE, representando 65% da população do bloco.

Entre diplomatas experientes que acompanharam a construção do acordo, a França admite a portas fechadas que o entendimento é de seu interesse. Mas criou, nos últimos tempos, uma narrativa tão antagônica que se tornou difícil contorná-la diante da opinião pública sem prejuízo à própria imagem. O país vive uma crise política, já com foco na eleição presidencial de 2027, para a qual a direita aparece em vantagem.

Na terça-feira (6/1), para viabilizar o entendimento e convencer os reticentes sobre a importância da criação do maior mercado de livre comércio do mundo, a Comissão Europeia anunciou o desbloqueio de fundos para o setor. Macron reconheceu o que chamou de “inquestionável avanço”, mas ainda assim afirmou que votaria contra o acordo.logo-jota

Expectativa do mercado para inflação de 2026 cai a 4,05%; veja as projeções do Focus

 

A expectativa dos especialistas consultados pelo Banco Central para a alta da inflação medida pelo IPCA em 2026 caiu 0,01 ponto percentual, a 4,05%, mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 12.

Para 2027, a projeção do mercado para a inflação permanece em 3,80% ao final do ano, ainda longe do centro da meta. O centro da meta oficial a ser perseguida pelo Banco Central é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A inflação no Brasil acelerou em dezembro a 0,33%, mas ainda encerrou 2025 abaixo do teto da meta, com uma taxa de 4,26%, consolidando um processo de desinflação no país apesar da pressão do setor de serviços.

Projeções atualizadas do Boletim Focus do Banco Central. Foto: Reprodução/Instagram (Crédito:Reprodução/Instagram)

Selic e PIB

Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027.

Dólar

Para o câmbio, a projeção para o final de 2026 e 2027 foi mantida em R$ 5,50.

Com informações da Reuters

 


CEO da Heineken renuncia em meio a vendas fracas e investidores insatisfeitos

 

O presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, renunciou inesperadamente nesta segunda-feira, 12, após seis anos liderando a cervejaria holandesa e apenas alguns meses depois de definir sua nova estratégia, enquanto o setor luta para fazer com que os consumidores comprem mais cerveja.

Van den Brink assumiu o comando da segunda maior fabricante de cerveja do mundo em meio à pandemia da Covid-19, em junho de 2020, e presidiu um período turbulento desde então, marcado por uma enorme inflação de custos e queda nas vendas que prejudicaram as margens e as ações.

Ao anunciar sua saída surpresa, o conselho disse que lançará uma busca por um sucessor para liderar a fabricante da cerveja Heineken, bem como marcas como Tiger e Amstel.

Van den Brink, que deixará o cargo em 31 de maio, concordou em permanecer disponível como consultor por oito meses a partir de junho.

Ele e o presidente do conselho de supervisão, Peter Wennink, disseram que agora é o momento certo para a Heineken nomear uma nova liderança. A empresa definiu uma nova estratégia que abrange os anos até 2030 em outubro.

A Heineken “chegou a um estágio em que uma transição na liderança servirá melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo”, disse van den Brink no comunicado, acrescentando que continua totalmente focado na execução dessa estratégia até sua saída.

Van den Brink é o mais recente de uma série de CEOs de empresas de consumo a deixar a empresa após alguns anos difíceis para o setor, uma vez que o alto custo de vida pressionou o orçamento dos consumidores.

As cervejarias têm lutado para vender mais cerveja, com as esperanças de uma recuperação das vendas repetidamente derrubadas por tudo, desde o mau tempo até a incerteza política. A Heineken ficou atrás de seus pares em áreas como eficiência de custos e retorno para os investidores.

Quem quer que assuma o comando enfrenta o desafio de cumprir as promessas da Heineken para 2030 em meio à volatilidade política e econômica global.

As preocupações com o surgimento de novos concorrentes, o aparecimento de medicamentos para perda de peso que podem pesar sobre as vendas de alimentos e bebidas e a mudança de atitudes em relação ao consumo de álcool, especialmente entre os jovens, também causam preocupações sobre o futuro do setor.