sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TCU fará inspeção de documentos para analisar liquidação do Master pelo BC

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu nesta sexta-feira uma inspeção para analisar os documentos relativos à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, afirmou o presidente da corte de contas, Vital do Rêgo.

A decisão ocorre após o ministro do TCU Jhonatan de Jesus pedir na semana passada explicações ao BC sobre a liquidação do Master, o que levou a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) a defenderem a atuação do BC na condução do processo.

“O procedimento agora é conhecer dos documentos e por isso é inspeção… conhecer da documentação que levou o BC a liquidar, saber o calendário que o BC teve em relação a essa liquidação e embasar um procedimento da unidade técnica”, disse Rêgo à Reuters.

Procurado, o Banco Central não respondeu de imediato a pedido de comentário sobre a inspeção do TCU.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro por “graves violações” às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional e problemas de liquidez. No mesmo dia, a Polícia Federal prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no âmbito de uma operação para investigar suspeitas de crimes bilionários contra o SFN.

Além da prisão de Vorcaro, que foi detido no aeroporto antes de embarcar para uma viagem internacional, a Justiça também determinou na ocasião o afastamento do presidente do banco estatal de Brasília BRB, Paulo Henrique Costa, por 60 dias, como parte da operação Compliance Zero.

Na terça-feira, a Polícia Federal conduziu uma acareação entre Vorcaro e Costa no âmbito de investigação sobre o Banco Master que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Inicialmente, a PF ouviu os dois executivos separadamente, assim como o diretor de fiscalização do Banco Central.

A colocação dos executivos frente a frente teve como objetivo esclarecer diferenças nos depoimentos prévios dos dois. A defesa do ex-presidente do BRB disse em nota que não houve contradições, “apenas percepções distintas sobre os mesmos fatos”. Procurada pela Reuters, a defesa de Vorcaro não se manifestou.

Antes da liquidação do Banco Master, o BRB chegou a negociar a compra do controle da instituição, mas o negócio foi rejeitado pelo BC.

Ano de ouro do Ibovespa: 32 recordes históricos, maior alta em quase uma década e 28% mais investidores

 

Ao longo de 2025, o Ibovespa fechou o ano com uma sequência de máximas históricas. Foram 32 recordes de encerramento no período, resultado que levou o índice a acumular avanço de 34% em doze meses.

Trata-se do maior ganho anual do Ibovespa desde 2016, quando a alta chegou a 39%. A pontuação mais elevada foi registrada em 4 de dezembro, aos 164.455,61 pontos. No último pregão do ano, realizado na terça-feira (30), o índice subiu 0,40% e terminou aos 161.125,37 pontos.

Segundo a B3, o movimento observado em 2025 refletiu mudanças no ambiente macroeconômico e uma recuperação da participação de investidores do Brasil e do exterior.

Henio Scheidt, gerente de Produtos da B3, afirma que o acesso ao mercado ficou mais simples nos últimos anos.

“O desempenho do Ibovespa em 2025 é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a melhora nas expectativas macroeconômicas e a retomada gradual da confiança de investidores locais e estrangeiros. É importante destacar que o acesso está cada vez mais simples. O investidor pode alocar capital diretamente em ações ou optar por instrumentos como os ETFs, que permitem ‘comprar’ o índice de forma ágil, eficiente e democrática”, destaca.

A composição atual do Ibovespa reúne 85 ativos de 79 companhias listadas, conforme a carteira divulgada pela B3. Entre os papéis incluídos estão empresas dos setores financeiro, de alimentos e bebidas, varejo, infraestrutura, bens de consumo, mineração e outras áreas ligadas a commodities.

Na prática, o índice funciona como um retrato das ações com maior volume de negociação na bolsa brasileira. Ele também serve como base para diferentes produtos financeiros, como ETFs atrelados ao Ibovespa, contratos futuros e opções que têm o índice como referência.

Para que uma ação faça parte da carteira, o critério central é a liquidez. Isso significa avaliar se o papel pode ser negociado com facilidade, permitindo compra e venda frequentes no mercado.

A existência de índices como o Ibovespa possibilita ao investidor acompanhar o desempenho de conjuntos de ações de vários segmentos da economia. Além disso, esses indicadores viabilizam estratégias de diversificação por meio de produtos financeiros que replicam suas variações.

Crescimento da renda variável e mudança no perfil do investidor

Os dados de 2025 indicam um avanço da participação de pessoas físicas na renda variável. O total de investidores individuais com aplicações nesse segmento alcançou 5,4 milhões de CPFs, crescimento de 28,5% em relação a 2021. No mesmo intervalo, o valor sob custódia subiu de R$ 500,1 bilhões para R$ 601,6 bilhões, alta de 20%.

As ações seguem como principal porta de entrada para esse público. Ao fim do ano, havia 4,1 milhões de investidores nesse mercado, cerca de um milhão a mais do que em 2021, com R$ 387,7 bilhões em recursos custodiados.

Outros instrumentos também passaram a integrar as estratégias de diversificação. Os ETFs encerraram 2025 com 668,4 mil investidores e R$ 24,1 bilhões aplicados. A participação de pessoas físicas nesse produto chegou a 35% do total custodiado, acima dos números registrados em 2021, quando havia cerca de 500 mil investidores e R$ 10,9 bilhões investidos.

No mercado de BDRs, que permite acesso a ativos internacionais, a B3 contabilizou 980,9 mil investidores, com R$ 14,8 bilhões sob custódia. O conjunto desses dados mostra um investidor mais presente no mercado, utilizando instrumentos ligados ao mercado local e ao exterior para compor suas carteiras.


Milei promulga lei para que argentinos regularizem economias em dólares

 

O presidente argentino, Javier Milei, promulgou a chamada “lei do princípio de inocência fiscal”, que eleva os limites mínimos para acusar cidadãos por evasão, com o objetivo de estimular a regularização de poupanças em um contexto de reservas baixas e vencimentos de dívida iminentes.

A lei, aprovada pelo Congresso em dezembro, busca que os argentinos depositem no sistema bancário os “dólares debaixo do colchão”, como são conhecidas as economias não declaradas, que segundo estimativas oficiais somam 251 bilhões de dólares (1,35 bilhão de reais).

O montante multiplica por seis as reservas brutas do Banco Central, que em 30 de dezembro eram de 41 bilhões de dólares (222 bilhões de reais), em um ano em que a Argentina deve pagar vencimentos de dívida de mais de 19 bilhões (103 bilhões de reais), segundo a secretaria de orçamento do Congresso.

Em dezembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual a Argentina mantém um programa de crédito de 20 bilhões de dólares (108 bilhões de reais) desde abril, pediu que o governo empregue “esforços” para reconstruir as reservas internacionais.

A lei publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial aumenta significativamente os valores a partir dos quais se investiga a evasão (cerca de 70 mil dólares por ano fiscal ou 380 mil reais), reduz os prazos de prescrição para crimes financeiros e cria um novo regime tributário no qual os inscritos ficam isentos de informar variações patrimoniais.

O ministro da Economia, Luis Caputo, instou os bancos a aceitarem imediatamente as poupanças dos inscritos no novo regime e solicitou aos cidadãos que recorram ao estatal Banco Nación caso os bancos privados “façam muitas exigências”.

“Depositem seus dólares no banco e poderão dispor deles imediatamente, para realizar o consumo que quiserem ou para poupar ganhando juros, como em qualquer lugar do mundo”, escreveu no X.

Líderes da oposição criticaram a medida por considerarem que pode fomentar a lavagem de dinheiro.

“Nos transforma em um paraíso da lavagem de dinheiro sujo e da regularização para narcotraficantes”, afirmou no X Jorge Taiana, deputado pelo peronismo (centro-esquerda, oposição).

Milei havia lançado um programa de regularização em 2024, com o qual conseguiu trazer para o sistema bancário mais de 20 bilhões de dólares que permaneceram em contas especiais até esta sexta-feira, quando foram disponibilizados.

Os argentinos, marcados por sucessivas crises econômicas, desconfiam do sistema bancário e costumam poupar dólares em espécie devido à inflação.


AXIA Energia investe R$ 446 milhões no sistema elétrico de Santa Catarina

 


Nova subestação reforçará infraestrutura na região Oeste 
 
 
Para 2026, os investimentos previstos para Santa Catarina são da ordem de R$ 110,1 milhões 
 
 

A AXIA Energia, antiga Eletrosul, iniciou as obras de implantação da Subestação Chapecoense, no município de Chapecó (SC). O projeto faz parte do lote 9, arrematado pela empresa no leilão de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e receberá investimento de R$ 190,6 milhões. Além do novo empreendimento, está em execução um pacote de obras para ampliar a robustez do sistema de transmissão catarinense. Estão contempladas as modernizações de subestações estratégicas, como Palhoça, Biguaçu, Joinville, Blumenau, Itajaí, Campos Novos, Xanxerê, Itá, Jorge Lacerda A, Siderópolis e Canoinhas. Em 2025, foram destinados R$ 145,2 milhões a projetos de reforços e melhorias em Santa Catarina. Para 2026, os investimentos previstos para Santa Catarina são da ordem de R$ 110,1 milhões.

"Os aportes que totalizam R$ 446 milhões em Santa Catarina refletem a prioridade global da AXIA Energia de garantir previsibilidade e crescimento dos investimentos, com esforços concentrados em melhorias, modernização de ativos e novos empreendimentos resultantes de leilões, como a nova Subestação Chapecoense", ressalta Cleicio Poleto Martins, diretor-presidente da AXIA Energia na região Sul.

Com área de 46 mil metros quadrados, a nova subestação terá tensão de 230/138 kV, dois transformadores e capacidade instalada de 150 MVA cada, resultando em acréscimo ao sistema de 300 MVA de capacidade de transformação. Também estão previstos pontos de seccionamento em dois circuitos da Linha de Transmissão 230 kV Foz do Chapecó – Xanxerê e da LT 138kV Chapecó II – Chapecó Santo Antônio totalizando 10 quilômetros de extensão. O início da operação comercial do empreendimento está previsto para o final do primeiro semestre do próximo ano. Durante o período de obras, estima-se a criação de aproximadamente 540 empregos temporários.

 

 https://amanha.com.br/negocios-do-sul/axia-energia-investe-r-446-milhoes-no-sistema-eletrico-de-santa-catarina?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=AXIA+Energia+investe+R%24+446+milh%C3%B5es+no+sistema+el%C3%A9trico+de+Santa+Catarina+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+02_01_2026

Itaú Unibanco ultrapassa Petrobras e fecha 2025 como a empresa de maior valor de mercado da bolsa

 

Em 2025, a liderança do valor de mercado na bolsa brasileira mudou de mãos: o Itaú Unibanco encerrou o ano no topo da B3, superando a Petrobras. Os dados foram levantados pela consultoria Elos Ayta.

Há registro anterior desse movimento. Em março de 2020, durante a crise sanitária, o Itaú chegou a ocupar a primeira posição por um período curto, em meio a oscilações amplas de preços. A diferença agora está na duração: ao longo de 2025, a troca de posições se manteve por vários meses.

Os dados do ano mostram essa alternância com frequência. Em 17 pregões, o Itaú ficou à frente da Petrobras em valor de mercado. Nos quatro últimos dias de negociação do calendário, o banco fechou como a empresa mais avaliada da bolsa, o que confirmou a virada no fechamento de dezembro.

 

A evolução ao longo do ano ajuda a entender o desfecho. Entre janeiro e dezembro, o Itaú Unibanco somou R$ 135,1 bilhões ao seu valor de mercado. No mesmo intervalo, a Petrobras teve redução de R$ 80,1 bilhões. As trajetórias seguiram caminhos distintos, influenciadas por fatores próprios de cada negócio, como variação do petróleo, decisões sobre dividendos e questões institucionais no caso da estatal.

Os pontos de máximo também ocorreram em momentos diferentes. O Itaú alcançou seu maior valor em 4 de dezembro, com R$ 443,2 bilhões. Até o encerramento do ano, houve redução de R$ 26,8 bilhões. A Petrobras atingiu o pico em 20 de fevereiro, ao chegar a R$ 526,0 bilhões, e perdeu R$ 115,7 bilhões a partir daí até o fim de dezembro.

Além da disputa pelo primeiro lugar, o ranking da B3 teve outras mudanças relevantes. O BTG Pactual avançou da sétima posição no fim de 2024 para o terceiro lugar em 2025. O banco fechou o ano avaliado em R$ 322,7 bilhões, após acrescentar R$ 189,1 bilhões em doze meses.

A Vale permaneceu entre as principais empresas da bolsa, mas terminou 2025 na quarta colocação, com valor de mercado de R$ 307,2 bilhões. Em relação ao ranking anterior, houve perda de uma posição, em um período de recuperação parcial das commodities metálicas e ajustes nas decisões dos investidores.

Entre as dez empresas com maior valor de mercado ao final de 2025, apenas duas apresentaram queda no ano. Além da Petrobras, a WEG também registrou recuo. A empresa industrial saiu da quarta posição em 2024 para a sexta em 2025, após redução de R$ 17,8 bilhões em valor de mercado, em um contexto de revisão de expectativas.

O grupo das dez maiores também passou a contar com a Axia Energia, antiga Eletrobras. A companhia encerrou 2025 na oitava posição, avaliada em R$ 144,1 bilhões. Em comparação com o fim de 2024, o aumento foi de R$ 66,3 bilhões, movimento que retirou o Banco do Brasil do grupo.

O Banco do Brasil fechou o ano na 11ª colocação, com valor de mercado de R$ 123,1 bilhões, após queda de R$ 12,8 bilhões em 2025. O resultado reflete a disputa no setor financeiro e a forma como o mercado diferencia estratégias, retorno e perspectivas.

Ao final de 2025, o ranking das maiores empresas da B3 mostra uma bolsa com menor concentração em estatais e maior presença de instituições financeiras privadas. Itaú Unibanco, Petrobras e BTG Pactual lideram um conjunto que reúne bancos, mineração, consumo e energia, o que evidencia a variedade de setores representados no mercado de capitais do país.

Ao deixar cargo de CEO, Warren Buffett diz que Berkshire Hathaway tem mais chances de durar um século

 

Warren Buffett afirmou que a Berkshire Hathaway está mais bem posicionada do que qualquer outra empresa para perdurar no próximo século, ao passar as rédeas de CEO para seu sucessor, Greg Abel, a quem endossou fortemente.

“Acho que (a Berkshire Hathaway) tem mais chances de estar aqui daqui a 100 anos do que qualquer empresa que eu possa imaginar”, disse Buffett em entrevista à CNBC, trechos da qual foram exibidos nesta sexta-feira, 2.

Buffett entregou oficialmente o cargo de CEO a Abel na quinta-feira, dia 1º, encerrando uma trajetória de seis décadas no comando, período em que transformou uma fábrica têxtil em dificuldades em um conglomerado trilionário.

Carne bovina: adoção de salvaguarda foi ‘decisão difícil’ para a China, avalia especialista

 

A adoção de cotas e tarifas adicionais pela China sobre a importação de carne bovina, que passou a vigorar em 1º de janeiro, foi uma decisão difícil, tomada sob forte pressão interna de produtores e governos provinciais, e não deve ser interpretada como uma ação direcionada especificamente contra o Brasil.

A avaliação é da sócia-diretora da Vallya Agro, Larissa Wachholz, especialista em China, em entrevista ao Broadcast Agro. Segundo ela, a medida reflete um processo complexo de acomodação de interesses dentro do próprio país asiático, diante do avanço das importações e da insatisfação de segmentos da cadeia produtiva local.

O governo chinês anunciou no último dia de 2025 a adoção de medidas de salvaguarda contra a carne bovina importada, com cotas por país e tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem esses limites. As regras valerão até 31 de dezembro de 2028. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao mercado chinês, terá uma cota inicial de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa extra em 2026, volume inferior ao já exportado em 2025, quando os embarques somaram 1,499 milhão de toneladas até novembro. Outros grandes exportadores, como Argentina, Uruguai, Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia, também foram atingidos pelas restrições.

Na avaliação de Larissa, a salvaguarda não é uma resposta ao Brasil especificamente, mas aos efeitos do crescimento das importações sobre os produtores chineses, sobretudo em províncias mais dependentes da produção local. “Os principais exportadores de carne bovina do mundo estão sendo afetados de forma conjunta. Isso é, na minha visão, uma reação à demanda dos produtores chineses, especialmente das províncias, com apoio das autoridades locais”, afirmou.

Ela destaca que o fato de o Brasil ser hoje o maior exportador mundial de carne bovina evidencia a competitividade do País, mas também amplia sua exposição a esse tipo de instrumento comercial. “Somos extremamente competitivos. Pensando no médio e longo prazo, a questão é como lidar com esse tipo de situação”, disse.

Para a especialista, uma das principais respostas estratégicas passa pelo adensamento da relação bilateral, indo além da simples troca comercial. Larissa defende o aumento de investimentos cruzados, com empresas brasileiras ampliando sua presença na China e companhias chinesas investindo mais no Brasil, sobretudo em projetos voltados à agregação de valor. “Parcerias com investimento direto podem permitir o desenvolvimento de produtos que cheguem à China com maior valor agregado, dentro do padrão de gosto e preferência do consumidor chinês”, afirmou.

Segundo ela, esse processo tende a ser mais eficiente quando há participação direta de parceiros chineses nos negócios. “Ter sócios chineses inseridos no negócio facilita muito a adaptação ao mercado local e à sua complexidade”, disse.

A executiva também ressaltou que, apesar de 2025 ter sido um ano marcado por pressões tarifárias no comércio global – intensificadas por mudanças na política comercial dos Estados Unidos -, a China não parecia inclinada, inicialmente, a adotar medidas protecionistas. “Não era um bom momento para isso. Por isso, tudo indica que foi um processo interno difícil, de tentativa de atender diferentes grupos de interesse”, avaliou.

Ela lembrou que, mesmo com a investigação de salvaguarda em curso, as importações chinesas de carne bovina continuaram crescendo ao longo do ano. Para a especialista, esse movimento demonstra a força da demanda interna e o interesse dos importadores em manter o abastecimento. “Essas importações atendem cortes e segmentos que os produtores chineses não conseguem suprir plenamente e respondem a uma necessidade real dos consumidores”, explicou.

Na visão da sócia-diretora da Vallya Agro, o Brasil tem condições de lidar com o novo cenário e a medida não deve comprometer de forma estrutural a relação bilateral. “O Brasil é altamente competitivo, e os demais exportadores também estarão sujeitos às mesmas regras. Não vejo isso como algo que vá prejudicar enormemente nossa relação com a China”, disse.

Ela destacou ainda a importância da presença institucional brasileira no país asiático, citando a abertura de escritórios da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na China. “É fundamental estar presente localmente para entender o consumidor, o mercado e as complexidades das negociações internas chinesas. Isso ajuda a amenizar os potenciais efeitos de medidas como essa sobre as exportações”, concluiu.