segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Executiva argentina assume o comando da Merck no Brasil

 

A Merck Brasil anunciou nesta segunda-feira, 12, María Sol Quibel como a nova líder da empresa no país. Com mais de 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, a executiva ingressou na empresa em 2015 e recentemente ocupou os cargos de Vice-Presidente Global de Excelência e Inovação Empresarial e Chefe do Escritório do CEO de Healthcare na sede da empresa em Darmstadt, Alemanha. No Brasil ela atuará como Gerente-Geral do grupo e Diretora Executiva da divisão de Healthcare.

A mudança organizacional integra a reorganização da liderança regional. Arnaud Coelho, no cargo de presidente do Brasil desde 2021, passa a ocupar a vice-presidência regional de Healthcare da América Latina, enquanto Rogier Janssens, que liderava a região desde 2022, assume como vice-presidente da divisão de Life Science na China. A movimentação reforça o compromisso da Merck Brasil em desenvolver e promover talentos internos, com o propósito de ajudar a criar, melhorar e prolongar vidas.

A executiva tem formação em Administração pela Universidade de Buenos Aires, e MBA em Administração de empresas, na Universidade de San Andrés. Antes de ocupar seu último posto na Alemanha, a executiva já foi Gerente-Geral da Merck Argentina e Diretora Executiva de Healthcare para o Cone Sul.

Banco Master: 55 dias após liquidação, FGC ainda não tem data para pagar CDBs; entenda o que falta

 

A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, e, passados 55 dias desde então, os credores do banco ainda não sabem quando vão receber o pagamento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo informações disponibilizadas pelo FGC, o maior intervalo entre a liquidação de uma instituição e os pagamentos foi de 3 anos, oito meses e três dias, do BFI (Banco de Financiamento Internacional), com liquidação decretada em 17 de abril de 1996 e pagamentos feitos no final de dezembro de 1999.

 

Banco Master
(fonte: FGC)

 

Os reembolsos começam somente após o administrador nomeado pelo Banco Central para assumir a gestão da instituição durante o período de liquidação elaborar e fechar uma lista detalhada de credores e respectivos valores a receber.

Essa lista é enviada ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Assim que o FGC recebe os dados, o credor é habilitado no aplicativo (ver mais abaixo) para finalizar a solicitação, assinar o termo, e o pagamento costuma ocorrer em até dois dias úteis após essa etapa.

O BC nomeou a empresa EFB Regimes Especiais e Empresas como a liquidante do Banco Master. O responsável técnico da empresa é Eduardo Felix Bianchini.

TCU cobra Banco Central

Ao decretar a liquidação do Master, o Banco Central alegou a grave “crise de liquidez e o comprometimento” significativo da situação econômico-financeira do banco, dentre outros achados.

Em dezembro, uma mês pós a decretação, o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), entrou com um pedido para que o BC justificasse a liquidação do banco, que classificou como “medida extrema”, em até 72 horas. Em 29 de dezembro passado, o Tribunal confirmou que o BC entregou uma resposta, conforme despacho.

Já neste mês de janeiro, Jhonatan de Jesus determinou uma inspeção in loco no BC “com a máxima urgência”. Após repercussão, ele voltou atrás e encaminhou a discussão para o plenário da Corte de Contas, que terá a primeira sessão colegiada geral, marcada para 21 de janeiro.

Nesta segunda-feira, 12, após se reunir com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a diretoria da autarquia, o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, disse que a inspeção pelo TCU será feita com interlocução entre os dois órgãos.

“A inspeção vai ser feita porque o Banco Central pediu essa inspeção, para lhe dar garantias jurídicas, segurança jurídica”, disse. “O Banco Central quer o selo de qualidade do TCU.”

Vital do Rêgo, afirmou ter sido informado pelo Banco Central em reunião nesta segunda-feira, 12, que a autarquia considera “muito importante” que o órgão faça inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do Banco Master.

FGC cobre até R$ 250 mil

O Fundo Garantidor de Créditos reembolsará os investidores até o limite segurado, que é de R$ 250 mil por CPF investidor. Valores acima desse limite entram na massa falida e são pagos após processo judicial, que pode se arrastar por anos.

Os pagamentos a serem feitos pelo FGC incluem os CDB (Certificado de Depósito Bancário) do Master, um dos principais pontos sensíveis do banco, que emitia esses títulos de crédito com promessa de retorno bem acima das taxas praticadas no mercado, consideradas até mesmo ‘irreais’ pelos analistas.

Em comunicado, o FGC, cuja principal fonte de recursos são as contribuições periódicas das instituições financeiras associadas, disse que o pagamento da garantia será feito após o envio da base pelo liquidante indicado pelo Banco Central.

“Todos os créditos enquadrados em nosso regulamento terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado ao FGC”, diz o comunicado do Fundo Garantidor.

FGC estima pagar R$ 41 bi a 1,6 milhão de clientes

A liquidação do Master deve levar à maior operação de resgate do FGC, que precisará honrar mais de R$ 40 bilhões em depósitos.

O FGC estimou nesta terça-feira em R$ 41 bilhões o valor das garantias a serem pagas aos credores do Banco Master. Esse será o maior resgate feito pelo Fundo. Até então, o posto era ocupado pelo Banco Bamerindus, que levou a um total de R$ 3,7 bilhões em resgate em 1997, o equivalente a R$ 19,6 bilhões se corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo).

Em número de clientes, o maior resgate segue sendo para o Bamerindus, com mais de 3,9 milhões de clientes pagos na época. No caso do Master, o FGC estima que são 1,6 milhão de clientes a serem reembolsados. Em seguida está o Banorte, com 146,5 mil clientes na época da insolvência, em maio de 1996.

O FGC disse ainda ter, até setembro, patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões eram recursos líquidos em caixa para o exercício de sua atividade.

+ Entenda como será calculado o valor e rendimentos do resgate no FGC

Solicitação de pagamento ao FGC

O FGC possui um aplicativo para quando ocorre a liquidação de uma instituição financeira associada e o pedido deve ser feito por meio do app, que está disponível nas versões iOS e Android. Após o processo de solicitação, o valor é recebido em conta bancária de mesma titularidade.

No aplicativo do FGC, é possível conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido.

Etapa 1 – Baixe o app e faça seu cadastro

Etapa 2 – Solicite o pagamento de garantia

Após o FGC receber a base da instituição liquidada com informações dos valores da garantia, o credor recebe uma notificação para seguir com as demais etapas pelo aplicativo.

Pagamento a Pessoas Jurídicas (PJ)

Para empresas credoras, o representante da empresa deve solicitar a garantia do FGC pelo Portal do Investidor. Depois do preenchimento das informações, enviaremos um e-mail com os passos necessários. O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa.

Clique aqui para acessar o documento do FGC com perguntas e respostas sobre as garantias e os reembolsos.

São garantidos pelo FGC os seguintes créditos:

  • Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio, que compreendem os valores depositados em conta corrente;
  • Depósitos de poupança;
  • Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, que também podem ser conhecidos como CDB (Certificado de Depósito Bancário) ou RDB (Recibo de Depósito Bancário);
  • Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  • Letras de Câmbio e Letras Hipotecárias, também chamadas de LCs e LHs;
  • Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, conhecidas como LCIs e LCAs;
  • Letras de Crédito do Desenvolvimento, conhecidas como LCDs;
  • Operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.

Intervenção e liquidação

A intervenção e a liquidação extrajudicial são determinadas pelo BC para interromper o funcionamento de um banco, corretora ou fintech e promover a retirada daquela empresa, de forma organizada, do sistema financeiro nacional. Essa decisão costuma ser tomada quando o BC constata que não é possível recuperar a saúde financeira de uma instituição – no jargão de mercado, uma insolvência irrecuperável – ou quando forem cometidas graves infrações às leis.

Também foram liquidadas a corretora e o banco de investimentos que pertenciam à instituição. Somente o Will Bank, uma fintech pertencente ao grupo, não foi alvo da autoridade monetária, diante do interesse de investidores estrangeiros em comprar a empresa.

Presidente do TCU diz que BC concordou com inspeção em caso Master para ter ‘selo de qualidade’

 

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou ter sido informado pelo Banco Central em reunião nesta segunda-feira, 12, que a autarquia considera “muito importante” que o órgão faça inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do Banco Master.

Em entrevista a jornalistas após se reunir com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a diretoria da autarquia, Rêgo disse que a inspeção pelo TCU será feita com interlocução entre os dois órgãos.

“A inspeção vai ser feita porque o Banco Central pediu essa inspeção, para lhe dar garantias jurídicas, segurança jurídica”, disse. “O Banco Central quer o selo de qualidade do TCU.”

“É um processo normal, eu não vejo nada de anormal em uma fiscalização que o TCU faça.”

Na semana passada, o ministro do TCU Jhonatan de Jesus aceitou um recurso do BC e suspendeu a inspeção que havia determinado na autarquia para examinar documentação relacionada à liquidação do Master.

Na ocasião, o relator do processo no TCU decidiu remeter a decisão ao plenário do tribunal, que tem sessão plenária marcada para 21 de janeiro.

Após a agenda desta segunda com o BC, Rêgo disse que o TCU fará uma reunião de plenário na próxima semana, mas ponderou que o andamento do tema até lá poderá afastar a necessidade de uma decisão colegiada sobre o caso.

O presidente da corte de contas acrescentou que a fiscalização incluirá o acesso do TCU a documentos do Master, mas respeitando os limites impostos pelas regras de sigilo.

Na entrevista, ele reafirmou que o TCU não tem competência para decidir por uma reversão da liquidação bancária.

‘Mulher deveria ser proibido’: delegada de SP é alvo de ataques machistas após comemorar posse

 Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, assinando termo de posse como delegada da Polícia Civil em SP. — Foto: Reprodução/X

Uma foto publicada para comemorar a posse de Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, como delegada da Polícia Civil de São Paulo desencadeou uma onda de ataques misóginos nas redes sociais. A delegada passou a ser alvo de discriminação e injúrias após compartilhar a conquista profissional, alcançada depois de quatro anos e meio de preparação para concursos públicos. A Polícia Civil do Estado investiga o caso.

“O que era pra ser a celebração começou a ter uma repercussão muito diferente e inesperada”, afirmou Raphaela em um vídeo divulgado em suas redes.

As ofensas foram publicadas por perfis ainda não identificados pelas autoridades e incluíam mensagens de cunho ofensivo e sexista. Entre os comentários, estavam frases como “Delegado, juiz e qualquer cargo de justiça: mulher deveria ser proibido” e “Seria mais relevante se estivesse parindo menino”.

Houve ainda ataques de caráter pessoal, com insinuações sobre a vida privada e a saúde mental da delegada. “Ai é complicado, imagina o tanto de dilemas mentais essa mulher deve ter” dizia um dos comentários, outro afirmou “Pra chegar solteira aos 30, espero que ela aprenda a lidar com o PCC melhor do que lidou com homens”.

Segundo o boletim de ocorrência, os comentários foram classificados como discriminatórios. O caso foi registrado por meio da Delegacia Eletrônica como prática de discriminação e injúria e encaminhado ao 51º Distrito Policial (Rio Pequeno), responsável pela apuração.

“Esse tipo de coisa tem nome: misoginia. Essas pessoas têm aversão à mulher. Tudo o que as mulheres fazem ou os espaços que ocupam é tratado como um absurdo”, declarou Raphaela. Ela afirmou ainda que ataques não irão desencorajar mulheres que desejam ocupar posições de poder no setor público.

“Esse discurso faz exatamente o efeito reverso, a gente vai ocupar espaços, posições de poder porque a gente quer e porque a gente pode. Nós mulheres somos competentes e capazes, tal qual os homens, isso é inquestionável”, disse.

Com a repercussão do caso, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) lançou a campanha #LugarDeMulherÉOndeElaQuiser em defesa das mulheres em cargos de poder.

O deputado federal delegado Bruno Lima (PP) informou, em publicação na rede social X, que protocolou um requerimento de Moção de Repúdio contra os ataques direcionados à Raphaela. “Não é 1opinião1. É violência e tentativa de deslegitimar mulheres que ocupam, com competência e preparo, espaços de decisão na Segurança Pública e em todo o sistema de Justiça”, disse.

Anvisa cogita usar sandbox para regular funcionamento de hospitais inteligentes, diz diretora

 


Em entrevista ao JOTA, Daniela Cerqueira também defendeu o uso de avaliação de risco para toda a agência, entre outros pontos

Daniela Cerqueira Anvisa
Daniela Cerqueira, diretora da Anvisa. / Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

 

A diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Daniela Marreco Cerqueira defendeu, em entrevista ao JOTA, a adoção de avaliação de risco nos pedidos que são enviados à autarquia. “Este é um modelo que a agência vai precisar adotar para conseguir sobreviver aos próximos anos”, avalia.

Ela argumenta que o número de solicitações de análise aumenta de forma muito mais rápida do que o de servidores. Como exemplo, ela cita a área de dispositivos médicos. O ritmo anual de crescimento de pedidos é de 6%. “Não há como fazer frente.”

Na avaliação de risco, o tratamento para análise varia de acordo com as características do produto e, ainda, do histórico da fabricante em relação ao cumprimento das regras da Anvisa. A partir disso, cada pedido receberia uma classificação: verde, amarelo ou vermelho, sendo esse último reservado aos produtos que demandam uma análise mais detalhada.

A ideia é que esta classificação seja dinâmica, incentivando, assim, empresas a cumprirem as demandas feitas pela agência.

Um projeto piloto para o uso deste método na área de cosméticos deverá ser feito nos próximos meses. “A proposta vai passar por consulta pública, há necessidade de ampla discussão. Mas este é um modelo que depois deve ser expandido para outras áreas da agência”, acredita.

Nesta entrevista, Cerqueira fala também sobre a expansão do uso do sandbox regulatório, um ambiente controlado para testar regras inovadoras, que, ao lado da análise de risco, pode ajudar a agência a acelerar as respostas, avaliar novos formatos e oferecer um ambiente propício para novas tecnologias. “As normas da Anvisa não podem inviabilizar a inovação”, defende.

Na diretoria sob sua responsabilidade, a aposta é de que o sandbox seja usado em diferentes frentes, incluindo normas para serviços de saúde. O uso da ferramenta também é cogitado para regular o funcionamento de hospitais inteligentes, uma das ações prioritárias do governo federal. Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), anunciaram a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão. A iniciativa, que contará com financiamento do Banco do Brics,  busca o uso de infraestrutura de saúde integrada a tecnologias digitais e inteligência artificial para otimizar processos e aprimorar os resultados clínicos dos pacientes.

A ideia de hospitais inteligentes também é levada em consideração quando se discute a revisão da Resolução 50, que traz as regras para estruturas físicas de serviços de saúde, o que inclui tamanho das salas, instalações hidráulicas e elétricas.

Na entrevista, a diretora fala ainda sobre mudanças nas regras da resolução 978/2025, que trata de exames de análises clínicas, sobre dispositivos médicos, agrotóxicos e dispositivos eletrônicos de fumar. Ela estima que a revisão ocorra em março.

Leia abaixo os destaques da conversa.

O que podemos esperar da revisão da resolução sobre exames de análises clínicas, a 978/2025?

A 978 veio para mudar de forma importante a regulamentação dos exames de análises clínicas. Ela trouxe uma nova figura para o cenário nacional de exames de análises clínicas: a possibilidade de execução de testes simples em caráter de triagem nos serviços tipo 1, que são as farmácias, drogarias e os consultórios isolados. Durante a implementação, porém, o que se percebeu é que algumas estruturas se inviabilizaram com a norma.

Talvez pela forma como as Vigilâncias Sanitárias interpretam a resolução, talvez pelo próprio texto, que trouxe critérios que não conversam com o que vinha acontecendo no país. Mas nossa intenção não é inviabilizar um serviço que já está atuando. O que queremos é trazer qualidade e segurança para os serviços realizados.

Qual será a solução?

Ajustes pontuais. Neste momento, não identifico necessidade de uma revisão ampla. A norma precisa ser implementada efetivamente. Se não dermos um tempo, a norma nunca vai ser implementada. Todos precisamos nos adaptar a essa normativa.

As vigilâncias sanitárias precisam se adaptar e fazer fiscalização com base nessa resolução. Ela é uma regra muito densa, técnica. Vamos continuar fazendo vídeos educativos, materiais com perguntas e respostas, o roteiro objetivo de inspeção. A equipe da 3ª Diretoria (liderada por Cerqueira) mantém reuniões com setores, fazendo visitas para identificar estruturas que ficaram inviabilizadas com a norma.

Serviços já foram fechados por não cumprir as exigências?

Temos relatos de que sim, isso ocorreu.

Quais são os pontos passíveis de mudanças?

Existem no Brasil estruturas conhecidas como entrepostos: locais que recebem amostras biológicas coletadas nos exames, que ali ficam até serem transportadas para a central de distribuição ou para o laboratório.

A nossa resolução determina a existência de um responsável técnico na central de distribuição. As vigilâncias têm aplicado essas mesmas exigências para entrepostos, o que dificulta o funcionamento destes estabelecimentos. Este é um exemplo do texto que, na prática, está inviabilizando uma atividade que há anos já é feita. Nós visitamos um entreposto para conhecer o funcionamento. Já há informações bem detalhadas sobre a trajetória do material recebido. Acredito, então, que este trecho da norma carece de um ajuste na redação.

Outros ajustes serão necessários?

Estou recebendo as associações para identificar outras necessidades, conversando com Vigilâncias Sanitárias e fazendo as visitas para ver como o sistema funciona na prática. Precisamos garantir a segurança, mas ver também a vida como ela é.

Outro item apontado está relacionado aos serviços de tipo 2, à coleta domiciliar. A norma trouxe uma exigência que não existia antes, relacionada aos postos de coleta. Por essa interpretação, somente poderia fazer a coleta serviços tipo 3, que são os laboratórios de análises clínicas. Mas o posto de coleta, o serviço tipo 2, já é vinculado necessariamente a um serviço tipo três… Talvez isso precise de um ajuste redacional.

Há mais algum ponto?

Sim, os testes realizados nas farmácias e drogarias, os serviços tipo 1. A norma determina que estes serviços tenham controle externo de qualidade in loco. Isso significa que, cada unidade, cada drogaria interessada em fazer o teste precisaria deste controle externo. Os relatos recebidos, no entanto, são de que não existe provedor de ensaio no Brasil capaz de atender essa demanda. Além disso, o custo seria muito alto, diante das milhares de filiais vinculadas às drogarias. Precisamos balancear e analisar os dados recebidos. Precisamos de qualidade para garantir a execução desses testes com o custo operacional. Este é um serviço relevante, haja visto o que ocorreu na pandemia: quantas pessoas fizeram teste de Covid nas farmácias e ficavam já em casa, diante do resultado positivo. Estes exames têm capacidade de atuar como porta de entrada, de direcionar o paciente, seja para fazer o exame confirmatório num laboratório, seja para uma unidade de atendimento.

Quando a revisão será feita?

Estamos preparando um quadro comparativo entre as últimas três resoluções sobre o assunto. Não será feita uma análise de mérito da resolução, apenas aspectos pontuais. A ideia é trabalhar em janeiro este tema. Fazer visitas técnicas. E levar a proposta para revisão em março.

Qual o cronograma sobre a revisão da resolução das regras de estrutura dos serviços de saúde, a RDC 50? Ela está há tempos em análise…

A RDC 50 passou por um processo de consulta pública, teve a consolidação da consulta pública. O diretor relator, Romison Mota, antes do término do seu mandato na Anvisa, preparou um novo texto e o encaminhou a uma consulta dirigida aos setores afetos. Estamos agora consolidando as respostas encaminhadas.

A senhora pretende fazer novas mudanças?

Esta é uma norma estruturante. Num país tão grande como o Brasil e com tanta diversidade, precisamos contemplar com regras serviços públicos, serviços privados, sem falar também no hospital inteligente. Como é que a nossa norma vai conversar com o hospital inteligente? Será que este novo formato precisa estar já previsto nesta resolução? O certo é que nossa norma vai precisar trazer flexibilidade suficiente para não inviabilizar a construção deste hospital, que é um dos grandes projetos do nosso governo. Talvez por ser uma norma tão complexa, tão estruturante, seu processo de revisão tenha demorado tanto.

Mais: a Anvisa precisa de uma formação muito específica para trabalhar com esse processo, tem que ser um servidor com conhecimento de arquitetura, de engenharia. Este é um perfil não muito frequente aqui.

Como será a regulação dos hospitais inteligentes?

Participei da comitiva do ministro Alexandre Padilha na viagem à China. Agora, vamos nos reunir com a equipe do ministério que está cuidando do tema para ver se é o caso de fazermos adaptações na resolução.

Há também possibilidade de o tema ser tratado num sandbox regulatório. Temos de conhecer as especificidades do projeto para saber como recepcioná-lo na agência. Estou convicta, porém, de que a norma da Anvisa não pode inviabilizar o projeto. Pelo contrário. A inovação precisa encontrar na Anvisa um caminho para ela acontecer. Isso vale tanto para hospital inteligente quanto para funcionamento de farmácias. Precisamos encontrar, sempre, o meio do caminho.

A senhora pretende sugerir o uso frequente de sandbox regulatório?

Estou acompanhando o uso de sandbox regulatório para cosméticos personalizados. O retorno do setor é extremamente positivo, uma vez que a ferramenta traz previsibilidade e segurança jurídica. São poucos os projetos, mas o setor está muito receptivo a essa possibilidade de adotar uma nova estratégia regulatória num ambiente controlado.

Acho que o sandbox pode ser usado em diversas iniciativas da agência. Acho que aqui na terceira diretoria, cosméticos e saneantes, como são produtos de menor risco, são muito propensos ao uso desse tipo de ferramenta. Serviços de saúde também, por ser uma área que precisa conciliar serviços muito diferentes.

Seria então uma área candidata?

Acredito que sim. Veja a norma referente à odontologia, aprovada recentemente. Como faço a mesma exigência para o serviço de odontologia público que às vezes funciona em estruturas móveis itinerantes com um consultório padrão de cirurgião dentista? Outro exemplo, a RDC 44, que é a bíblia da farmácia. Esta RDC também está em processo de revisão. As farmácias mudaram muito nos últimos anos, percebemos isso na rotina. Será que há algo que possamos experimentar no serviço farmacêutico? Eu posso fazer isso no formato de sandbox e acompanhar esse resultado só com algumas farmácias. De forma cautelosa, para verificar o resultado e, dependendo, avançar para uma regulamentação de forma mais ampla.

Estou citando um exemplo. Mas a área de serviços de saúde tem muitas possibilidades. Ela é muito diversa. Retornando ao exemplo dos dentistas. Hoje muitos têm consultórios apenas para procedimentos estéticos. Precisamos olhar para esta realidade.

Em 2025, diretores apresentaram um plano para reduzir as filas. A senhora tem algum resultado setorial? E este continua sendo um dos temas prioritários para 2026?

Nossa prioridade é a dos dispositivos médicos. Este é um dos pontos centrais para 2026. Apresentamos um plano de ação, com 10 ações centrais e já começamos a ver resultados importantes. Entre novembro e dezembro, o número de petições finalizadas na área de dispositivos mais do que dobrou.

Vamos continuar a estratégia, de forma a atingir o prazo previsto, que é de 90 dias para primeira manifestação da agência. É algo bem desafiador. Nesta área, também precisamos falar de inovação. Começamos a receber pedidos de registro de produtos combinados, um dispositivo médico combinado com medicamento, um dispositivo médico combinado com cosmético. Como é que eu vou tratar esses produtos aqui na agência? A gente ainda não tem regras de produtos combinados. Daí a inclusão deste tema na agenda regulatória. Queremos trazer a discussão para criar uma resolução sobre registro de produtos combinados.

Há uma discussão sobre adoção da matriz de risco para redução de filas. Qual sua avaliação sobre o tema?

Temos essa discussão na área de cosméticos. Penso que esta iniciativa vai ser um pilar para toda a Anvisa. Ter canais: verde, vermelho, amarelo. Para isso, precisamos de critérios para fazer a matriz: analiso a empresa, a composição do produto, o risco que ele implica. Vários parâmetros para chegar à matriz. Aqueles classificados de verde serão notificados e imediatamente regularizados. Os produtos do canal amarelo, fazemos uma análise mais parcial e os produtos do canal vermelho, faremos uma análise mais detalhada.

Acho que é um modelo que a agência vai precisar adotar para conseguir sobreviver nos próximos anos. A gente nunca vai dar conta da entrada que a gente tem, que é crescente. Em dispositivos médicos, a demanda cresce 6% ao ano, pelo menos. E a minha força de trabalho não cresce 6% ao ano.

Se eu não tiver uma nova forma de analisar esses processos, aí eu estou falando de todas as áreas, de medicamento, de cosmético, de saneante, não damos conta.

Qual será o cronograma?

Para cosméticos, queremos fazer um piloto neste ano. Apresentar uma proposta, encaminhá-la para consulta pública. A área já fez uma análise dos dados da base de cosméticos. Cruzaram as informações: a composição desses produtos, com informação da empresa. Por exemplo, qual é o índice de indeferimento que ela tem? Qual é o índice de emissão de exigências? Algum dos produtos tem na fórmula substâncias proibidas em outros países? A partir dos dados, serão estabelecidos os critérios da matriz.

A matriz será dinâmica, de forma que a empresa sempre tenha de estar adequada às regras. Desta forma, ela pode, a qualquer momento, ter o risco de estar no canal vermelho. Isto é o melhor: a empresa buscará, sempre, ficar no verde. É algo semelhante ao que a área de aeroportos e fronteiras utiliza atualmente.

Você tem em mente um prazo para resolução ser publicada?

A ideia é ter a resolução até o fim do ano. A consulta pública, análise de impacto regulatório, a IR junto com a consulta pública, eu quero entregar isso no primeiro semestre de 2026.

Sobre agrotóxicos, há uma queixa constante da demora na reavaliação de produtos, o que acaba fazendo com que o país sempre seja destino de substâncias proibidas em outros países.

A norma de reavaliação é de 2018. Atualmente, temos quatro produtos em reavaliação e mais outros dois prioritários estabelecidos. Aguardamos agora a regulamentação da lei de agrotóxicos, que é de 2023. A partir do decreto, vamos definir como ficará o processo. A partir daí, poderemos lançar as reavaliações que estão sendo conduzidas na agência. Este é realmente um processo lento. Porque ele é robusto tecnicamente.

É preciso considerar o risco à saúde. Além disso, muitas vezes não se pode tirar o agrotóxico do mercado do dia para a noite, é preciso um tempo até que um substituto esteja disponível. Precisamos lembrar que o Brasil é um país com uma essência agronômica muito forte, né? Então, qualquer mudança nas regras de uso dos agrotóxicos pode trazer um impacto importante no fornecimento de produtos. E aí por isso que tem esse processo que é muito cuidadoso, mas as reavaliações continuam sendo conduzidas pela Anvisa.

Qual conduta será usada para os dispositivos eletrônicos de fumar?

A resolução que manteve a proibição do registro destes dispositivos previu que a Anvisa receberia periodicamente evidências científicas relacionadas a esses produtos. Vamos abrir uma nova janela de recebimento dessas evidências para que a gente possa fazer a avaliação e ver se o cenário permanece.

Vocês receberam algum documento da indústria que poderia embasar, com base em evidências científicas, uma eventual mudança nos critérios?

Essa janela começa agora. Desde que cheguei à diretoria, recebemos documentos sobre sachês de nicotina, outro tema da agenda regulatória. Estes sachês trazem nicotina e são usados com fins recreativos. Um ou dois países classificaram o produto como medicamentos. Estamos agora fazendo uma análise de impacto regulatório sobre o tema, estudando todas as evidências. Terminada, o tema irá para consulta pública.logo-jota

BRB pede acesso à investigação contra o Banco Master

 

O Banco Regional de Brasília (BRB) pediu à Justiça acesso à investigação contra o Banco Master, que tramita sob sigilo padrão – o segundo maior grau de sigilo – por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Apenas o Ministério Público, advogados, pessoas do gabinete autorizadas pelo ministro ou servidores do tribunal com acesso a esse nível de sigilo podem acompanhar o processo.

O BRB afirmou, em nota enviada ao Estadão, que solicitou, “por meio do escritório contratado para a condução de auditoria forense, habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos, no âmbito da Operação Compliance Zero”.

“O Banco BRB destaca que aguarda a decisão da Justiça sobre as solicitações realizadas”, disse a instituição.

O BRB tentou comprar uma parcela do Master, mas a operação foi reprovada pelo Banco Central (BC) em setembro, após pouco mais de cinco meses de análise. Dois meses depois, em 18 de novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Master, e o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).

No mês passado, o BRB anunciou, em fato relevante, a contratação do escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, para conduzir uma investigação independente com o objetivo de apurar fatos mencionados na operação que possam envolver a companhia.

Segundo o comunicado, os reportes serão feitos “a um Comitê Independente de Investigação, instaurado em 28 de novembro de 2025 por meio da Portaria Presi nº 2025/016, formado por executivos que não possuíam qualquer função no BRB – Banco de Brasília S.A. durante o período avaliado.”

A investigação da PF apontou uma série de falhas e omissões do BRB nas operações com o Master. Pouco após a liquidação extrajudicial do banco, o Conselho de Administração do BRB decidiu pedir à Justiça Federal de Brasília para ingressar como assistente de acusação na ação movida contra o Master.

BNDES aprova R$ 950 mi para construção de nova usina de etanol da Inpasa na Bahia

 

Rio, 12 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter aprovado um financiamento de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial S/A. Os recursos serão destinados à construção da sexta biorrefinaria da companhia no País.

A planta industrial será voltada à produção de etanol anidro e hidratado a partir da moagem de milho, sorgo e de outros grãos, no município de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O montante aprovado inclui R$ 350 milhões provenientes do Fundo Clima e R$ 600 milhões da linha FINEM.

O projeto prevê que a nova unidade tenha capacidade para processar anualmente até um milhão de toneladas de milho, 498 milhões de litros de etanol, 248,9 mil toneladas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis, da sigla em inglês) e 24.862 toneladas de óleo vegetal e 185 GWh de energia elétrica.

“A usina de etanol terá um impacto significativo na economia local, além de contribuir para que a Bahia deixe de ser importadora para se tornar exportadora de biocombustíveis”, declarou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota distribuída à imprensa.

A expectativa é que a usina atinja sua capacidade máxima de produção a partir de 2027.