quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Turismo no Brasil: atividades crescem 2,7% em julho de 2026

 

As atividades turísticas no Brasil registraram crescimento de 2,7% em julho de 2026, recuperando parcialmente a queda de 4,0% observada entre maio e junho do mesmo ano. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicam que o setor ainda busca o patamar de seu ápice histórico, alcançado em dezembro de 2024.

O que aconteceu

  • As atividades turísticas no Brasil registraram crescimento de 2,7% em julho de 2026, conforme dados do IBGE.
  • O setor encontra-se 9,4% acima do nível de fevereiro de 2020, mas 3,8% abaixo do pico histórico de dezembro de 2024.
  • Na comparação anual, o volume de atividades turísticas recuou 2,6% em julho, marcando o quinto resultado negativo consecutivo.

Apesar da alta mensal, o segmento de turismo opera 3,8% abaixo do ápice de sua série histórica, registrado em dezembro de 2024. Contudo, o patamar atual se mantém 9,4% acima dos níveis pré-pandemia, em fevereiro de 2020, sinalizando uma recuperação que ainda não se consolidou plenamente.

Como o turismo se comportou nas regiões?

Regionalmente, o movimento de expansão mensal foi acompanhado por 11 dos 17 locais pesquisados pelo IBGE. São Paulo liderou as contribuições positivas, com um avanço de 3,5%, seguido por Bahia (8,6%), Paraná (6,7%) e Minas Gerais (2,8%).

Em contrapartida, alguns estados registraram resultados negativos no período. O Ceará apresentou retração de 1,8%, enquanto Pernambuco apontou uma queda de 1,1%, figurando entre os principais recuos no mês de julho de 2026.

Setor turístico piora em comparação anual?

Na comparação com julho do ano anterior, o volume de atividades turísticas no Brasil registrou uma retração de 2,6%, configurando o quinto resultado negativo consecutivo para o setor. Essa queda foi impulsionada, principalmente, pela redução na receita de empresas de transporte aéreo de passageiros e do segmento hoteleiro.

Analisando os dados regionais, dez das dezessete unidades da federação investigadas mostraram declínio nos serviços voltados ao turismo. Os destaques negativos foram São Paulo (-3,5%), Pernambuco (-13,7%), Ceará (-13,7%), Paraná (-5,3%), Pará (-15,1%) e Distrito Federal (-6,5%). Em contrapartida, Bahia (18,6%), Rio de Janeiro (2,8%) e Minas Gerais (1,8%) exerceram os principais impactos positivos na comparação anual.

Qual o balanço do acumulado no ano?

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o conjunto de atividades turísticas no país apresentou uma retração de 1,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa queda foi predominantemente influenciada pela menor receita de empresas de transporte aéreo de passageiros e de hotéis, setores-chave para o desempenho turístico.

Regionalmente, 11 dos 17 locais investigados também registraram taxas negativas no acumulado do ano. As maiores perdas foram observadas em São Paulo (-1,3%), Minas Gerais (-4,0%), Pernambuco (-7,9%), Paraná (-5,3%) e Ceará (-8,6%). Em contraste, o Rio de Janeiro (5,0%) liderou os ganhos no turismo, seguido por  Bahia (5,9%), Espírito Santo (2,3%) e Rio Grande do Sul (0,7%), demonstrando resiliência em algumas regiões.

BCE eleva taxas de juros em meio à “guerra no Oriente Médio” e revisa projeções de inflação

 

O Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela segunda vez neste ano nesta quinta-feira, 10 de setembro, em Frankfurt, com o objetivo de frear o avanço da inflação. A escalada inflacionária é impulsionada principalmente pelos preços da energia, agravados pela guerra no Oriente Médio.

A decisão afeta diretamente os 21 países da zona do euro e ocorre em meio a temores de uma onda de aumentos de preços, especialmente com a alta do petróleo.

O que aconteceu

  • O BCE eleva taxas de juros para conter a inflação impulsionada pela guerra e preços de energia.
  • A guerra no Oriente Médio, com ataques entre EUA e Irã, elevou os preços do petróleo acima de US$100.
  • O BCE reviu para cima as projeções de inflação e crescimento, esperando que a inflação permaneça acima da meta de 2% até 2028.

Desde o final de agosto, ataques de ambos os lados na guerra no Oriente Médio interromperam um período de relativa calma. Estados Unidos e Irã atingiram alvos militares, de transporte marítimo e do setor energético. Este cenário impulsionou os preços do petróleo de volta a patamares acima de US$100 o barril, reacendendo preocupações com uma nova onda de aumentos de preços na zona do euro, região que é grande importadora de combustíveis. A expectativa do mercado é de que a inflação continue acima da meta por um período prolongado.

Em resposta, o BCE elevou sua taxa de depósito de 2,25% para 2,50%, reiterando que a inflação deve se manter acima de sua meta de 2% por um tempo. Anteriormente, o banco já havia se pronunciado sobre como a guerra no Irã afeta a manutenção das taxas de juros.

Por que o BCE revisou suas projeções?

O banco central dos 21 países que compartilham o euro também revisou para cima algumas de suas projeções de crescimento e inflação. Essa atualização reflete tanto a resiliência inesperada da economia europeia quanto o impacto dos custos elevados dos combustíveis sobre outros preços. A nova previsão do BCE aponta para uma inflação de 3,0% neste ano, 2,5% no próximo ano e 2,1% em 2028.

Contudo, é provável que as projeções divulgadas nesta quinta-feira não contemplem plenamente o mais recente aumento nos preços da energia, especialmente do gás natural. Muitos países europeus dependem do gás para aquecimento, e o choque em seus preços tende a ter um impacto mais lento, mas também mais significativo e duradouro sobre a inflação, excluindo a energia, conforme observado pelo Barclays em uma nota.

O que os mercados esperam do BCE?

Os mercados financeiros precificam que haverá mais um aumento das taxas de juros ainda este ano, seguido por uma ou duas elevações adicionais no próximo ano. Por outro lado, economistas veem a decisão desta quinta-feira como possivelmente a última do BCE por enquanto, embora um número crescente deles considere o risco de ser necessário um aperto monetário adicional.

O BCE não forneceu indícios sobre futuras medidas, limitando-se a repetir sua postura padrão de que as decisões serão baseadas nos dados econômicos que forem surgindo.

 

https://istoedinheiro.com.br/bce-eleva-taxas-juros-guerra-oriente-medio-inflacao

Caixa Federal lança Pix parcelado para clientes

 

A Caixa Econômica Federal lança uma nova funcionalidade que permite aos clientes pessoa física parcelar transferências e pagamentos realizados via Pix. A novidade, anunciada nesta quinta-feira (3), está disponível diretamente no aplicativo do banco para as transações.

A medida é implementada por meio de contratação de crédito no momento da operação. Além desta, a Caixa já oferece outras facilidades como o Agendamento Pix, Pix Automático e Pix por Aproximação via Google Pay.

O que aconteceu

  • O Pix parcelado é a mais recente funcionalidade lançada pela Caixa Econômica Federal para seus clientes pessoa física.
  • Os valores para contratação variam de R$ 300 a R$ 50 mil, com prazo de pagamento de até 12 meses e taxas de juros personalizadas.
  • A nova opção visa ampliar o acesso a soluções financeiras digitais, combinando conveniência e uso consciente do crédito.

O banco público informa que, para os clientes com limite disponível, os valores para contratação podem variar entre R$ 300 e R$ 50 mil. O prazo máximo para pagamento é de 12 meses, e as taxas de juros são definidas conforme o relacionamento de cada cliente com a instituição.

Como funciona o parcelamento do Pix?

As condições detalhadas da operação podem ser consultadas no aplicativo da Caixa. Para concluir a transação e realizar o Pix com parcelamento, o cliente precisa apenas de uma autenticação, mas é essencial que o App CAIXA esteja atualizado para a versão mais recente.

Antes de confirmar qualquer operação, a Caixa garante transparência total. O cliente tem acesso a informações cruciais como taxa de juros, valor das parcelas, Custo Efetivo Total (CET) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Isso permite uma avaliação consciente do impacto da operação no orçamento.

A liberação da linha de crédito para o parcelamento está sujeita à análise de risco realizada pela CAIXA e depende da disponibilidade de limite para contratação. Esta é uma prática padrão em operações de crédito bancárias.

Crédito consciente e transparência

Para clientes que ainda não possuem a opção habilitada, a Caixa orienta manter os dados cadastrais atualizados e utilizar regularmente os produtos e serviços do banco. Isso pode ampliar o relacionamento e, em futuras avaliações de crédito, destravar a funcionalidade, seguindo os critérios de análise de risco da instituição.

A Caixa destaca que o “Parcelar Pix” visa expandir o acesso a soluções financeiras digitais integradas, promovendo conveniência, transparência e um uso consciente do crédito. Com essa modalidade, o recebedor do Pix tem acesso ao valor integral da transação instantaneamente, enquanto o pagador pode parcelar o desembolso de acordo com sua capacidade financeira, oferecendo maior flexibilidade e controle.

 

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Lar Cooperativa inaugura unidade operacional em Missal

 

Nova indústria de peixes e outros investimentos somam R$ 150 milhões 
 
 
A unidade de Recepção Boa Esperança recebeu investimento de R$ 17 milhões

A Lar Cooperativa Agroindustrial deu mais um importante passo em sua estratégia de expansão e fortalecimento regional. No último dia 2 foi inaugurada a Unidade Operacional Boa Esperança, em Missal (PR). Na ocasião foi feita a apresentação oficial do projeto de implantação da nova Unidade Industrial de Peixes (UIP). "A cooperativa se desenvolveu buscando atender melhor o associado e descobriu que era através das carnes que iríamos agregar valor aos grãos. Temos uma avicultura e suinocultura sólidas e agora chegou a hora do peixe. Esses investimentos representam mais renda nas pequenas propriedades, muito mais emprego direto e indireto. É um círculo virtuoso que será impulsionado ainda mais a partir deste momento", destacou o diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues.

Localizada na Linha Boa Esperança, no interior do município de Missal (PR), a Unidade de Recepção Boa Esperança recebeu investimento de R$ 17 milhões e foi projetada para garantir maior eficiência no suporte aos associados da região. O complexo conta com um silo pulmão para 1.315 toneladas, além de dois tombadores: um Pili de 26 metros e um Saur de 21 metros, entre outros equipamentos e sistemas avançados.

Com início da terraplanagem previsto para setembro de 2026 e das obras civis para março de 2027, a nova UIP (Unidade Industrial de Peixes) ocupará uma área construída de 10.800 metros quadrados. O investimento na primeira etapa soma R$ 100 milhões, com início da operação projetado para outubro de 2028. A planta começará com capacidade de abate de 35 mil peixes por dia, evoluindo progressivamente até atingir 90 mil peixes por dia em 2031, o que representará 622 toneladas de produto final por mês em 2032. O empreendimento prevê a criação de 120 empregos diretos em 2028, chegando a 250 postos de trabalho até 2030.

O projeto soma-se ao suporte da Unidade Industrial de Rações em Marechal Cândido Rondon, que está preparada para atender a demanda de até 150 mil peixes/dia, e aos aportes na Unidade Industrial de Peixes de São Miguel do Iguaçu, com R$ 18 milhões destinados para otimização do segundo turno. Esse investimento, permitirá encerrar 2027 com abate de 40 mil peixes por dia e 2028 com 50 mil peixes por dia, atingindo uma produção de 330 toneladas ao mês de produto acabado até o final de 2028. Essa expansão demandará mais 165 funcionários, 30 novos integrados e a adição de 44 hectares de lâmina d'água.

Entre 2026 e 2030, os investimentos totais da Lar nas plantas industriais da atividade somam R$ 118 milhões, somados a cerca de R$ 150 milhões projetados em lâmina d'água por parte dos associados integrados. A meta da cooperativa é saltar dos atuais 40 integrados (100 ha de lâmina d'água) para 170 integrados (400 ha) até 2032, elevando a produção total para 950 toneladas/mês e gerando 550 empregos diretos na cadeia produtiva da piscicultura.

 

 https://amanha.com.br/categoria/negocios-do-sul1/lar-cooperativa-inaugura-unidade-operacional-em-missal?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=Lar+Cooperativa+inaugura+unidade+operacional+em+Missal+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+09_09_2026


Pesquisador da Anthropic alerta sobre “brincadeira com vidas” por IA sem segurança

 

Jacob Coxon, um proeminente pesquisador de inteligência artificial, abandonou a indústria após três anos trabalhando com pré-treinamento de modelos na OpenAI e, posteriormente, na Anthropic. Ele alega que as empresas avançam em direção à superinteligência sem segurança suficiente, acusando-as de “brincar com as nossas vidas”. Sua saída ocorre em um momento de crescente debate sobre os riscos existenciais da IA.

O que aconteceu

  • O ex-pesquisador Jacob Coxon alertou sobre os riscos de a indústria de IA buscar superinteligência sem segurança adequada.
  • Ele acusa as companhias OpenAI e Anthropic de “brincar com as nossas vidas” ao acelerar o desenvolvimento de modelos.
  • Coxon e outros especialistas internos manifestam temor pelo potencial letal da IA, inclusive com estimativas de riscos à vida humana.

Coxon publicou sua posição na rede social X, afirmando: “Me demiti hoje da Anthropic. Passei os últimos três anos fazendo pesquisa de pré-treinamento tanto na OpenAI quanto na Anthropic. Nenhuma das duas empresas está agindo com responsabilidade. Elas estão correndo a passos largos para a superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas.”

O pesquisador alertou para o perigo do desenvolvimento acelerado em direção a sistemas capazes de realizar o chamado autoaperfeiçoamento recursivo, processo no qual a inteligência artificial projeta e treina a geração seguinte com pouca ou nenhuma intervenção humana.

Por que a preocupação com a segurança da IA aumenta?

Segundo o ex-pesquisador, o temor sobre os riscos da tecnologia não é restrito ao público externo: “As pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela poderá nos matar a todos até o final da década. Isso não é uma jogada de marketing. Aliás, muitos executivos e pesquisadores renomados costumam usar uma linguagem mais sensata na imprensa, mas ouço essas mesmas pessoas expressarem medo.”

Coxon acrescentou que, embora os líderes da Anthropic compreendam o que está em jogo, eles se sentem presos a uma corrida comercial para chegar primeiro, por não confiarem que seus concorrentes adotarão uma postura responsável.

Evan Hubinger, diretor de segurança da Anthropic, manifestou-se no X em caráter pessoal em concordância parcial com as preocupações levantadas por Coxon, estimando em mais de 10% a chance de a IA provocar mortes humanas na próxima década. “Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos”, afirmou Hubinger.

Mudanças em compromissos de segurança e o futuro da IA

A saída de Coxon ocorre em um momento em que a Anthropic se prepara para abrir capital na Bolsa (IPO). Em fevereiro, a empresa alterou sua carta de compromissos de segurança, retirando uma cláusula que previa a suspensão do desenvolvimento de novos modelos caso os riscos associados não pudessem ser controlados de forma eficaz.

Procuradas pela agência AFP, OpenAI e Anthropic não responderam imediatamente às declarações até a publicação da matéria. Da IstoÉ.

 

 

https://istoedinheiro.com.br/pesquisador-alerta-brincadeira-com-vidas-ia-sem-seguranca


Drones no Nepal: Exército usa tecnologia contra enchentes

 

Após as devastadoras inundações no Nepal, que superam a marca de mil mortos e cinco mil desaparecidos, o Exército do Nepal tem utilizado drones para entregar ajuda humanitária vital. Com estradas e pontes destruídas, a tecnologia se mostra essencial para alcançar as comunidades isoladas desde o desprendimento de uma geleira do Himalaia no final de agosto.

O que aconteceu

  • Drones no Nepal são a principal ferramenta do Exército para levar suprimentos e medicamentos a áreas isoladas após enchentes.
  • Mais de 1.300 pessoas morreram e 5.000 estão desaparecidas desde o desprendimento de uma geleira no Himalaia no final de agosto.
  • A frota de drones DJI FlyCart 100, doada pela China, realiza até 16 entregas diárias, transportando até 60 kg por vez.

Pelo menos 1.367 pessoas morreram e mais de 5.000 estão desaparecidas no Nepal desde que uma geleira do Himalaia se desprendeu perto da fronteira entre o Nepal e a China no final de agosto, causando devastação ao longo dos rios abaixo. A situação calamitosa levou o Exército do Nepal a buscar soluções inovadoras para as operações de busca e resgate.

“A maioria dos nossos helicópteros está ocupada com operações de resgate. Não há outra maneira de enviar alimentos, itens essenciais, medicamentos e combustível, a não ser por meio de drones, que são a melhor opção disponível, e devemos dar mais prioridade a eles”, afirmou Santosh Budhathoki, piloto contratado de drones pelo Exército do Nepal.

Como os drones auxiliam nas operações?

Os drones são empregados em distâncias de até 3 a 4 quilômetros e podem transportar até 60 quilogramas por vez. Eles já estão gerando um impacto positivo nas comunidades afetadas, que necessitam urgentemente de assistência, conforme relatado por Budhathoki.

O Exército realiza atualmente entre 10 e 16 entregas de ajuda por dia com uma frota de quatro drones DJI FlyCart 100. Todos os equipamentos foram doados pela China, como parte de um pacote de assistência recente para o país.

Além da ajuda humanitária, qual o uso dos drones?

Além da entrega de ajuda humanitária, os drones também têm sido utilizados para transportar os corpos das vítimas das enchentes em algumas áreas afetadas. Drones de reconhecimento têm sido amplamente empregados em operações de busca e resgate, complementando os esforços terrestres e aéreos.

“Temos feito viagens de ida e volta desde o início da manhã. Então, sim, é bastante agitado, porque precisamos fazer isso agora mesmo”, disse Milan Pandey, da empresa operadora de drones Airlift Technology. Ele enfatizou que “o Nepal tem essa geografia, esse terreno em que os drones seriam realmente mais rápidos, ágeis e baratos”. A complexidade das inundações e os desafios logísticos no Nepal e na China tornam a tecnologia de drones uma ferramenta indispensável.

 

 

IA resolve problema de matemática do milênio, afirma OpenAI

 

OpenAI afirma ter resolvido um dos Problemas do Milênio com IA, o que divide a comunidade matemática entre entusiasmo e preocupação com o futuro da ciência.

 

 

A OpenAI, empresa líder em inteligência artificial, anunciou nesta terça-feira ter resolvido um dos prestigiados “Problemas do Milênio”, um desafio matemático de grande complexidade que intriga cientistas há décadas. A companhia afirma que sua mais recente tecnologia de inteligência artificial solucionou o chamado “problema da existência e suavidade das equações de Navier-Stokes”, evidenciando a profunda transformação que a IA promove no campo da matemática avançada.

O que aconteceu

  • A inteligência artificial da OpenAI resolveu o “problema da existência e suavidade das equações de Navier-Stokes”, um dos sete “Problemas do Milênio”.
  • A solução foi alcançada por um modelo ainda não público em apenas 88 horas, com a colaboração de grandes equipes de agentes de IA.
  • O feito divide a comunidade científica, gerando entusiasmo pela capacidade da IA, mas também preocupações sobre a compreensão humana da matemática.

O anúncio é mais um sinal de que a IA está transformando profundamente os níveis mais avançados da matemática, há muito considerados uma das maiores expressões da capacidade intelectual humana. A mudança tem entusiasmado parte da comunidade acadêmica, mas também gerado preocupações entre alguns pesquisadores.

Ao longo do último ano, sistemas de inteligência artificial conseguiram resolver uma ampla variedade de problemas que desafiaram matemáticos por décadas. No entanto, essas questões não eram tão complexas nem tão acompanhadas pela comunidade científica quanto a que a tecnologia da OpenAI afirma ter solucionado nos últimos dias. Os Problemas do Milênio estão entre os temas mais pesquisados da matemática contemporânea.

IA e os desafios da matemática

“Este é um desfecho espetacular para a trajetória que observamos nos últimos 12 meses”, afirmou Sebastian Bubeck, pesquisador da OpenAI, sobre a nova solução apresentada pela empresa.

A companhia afirmou que um de seus modelos mais recentes, ainda não disponibilizado ao público, precisou de apenas 88 horas para resolver o chamado “problema da existência e suavidade das equações de Navier-Stokes”. Trata-se de um conjunto de equações frequentemente utilizado para prever o clima.

Essas equações descrevem o movimento da água e de outros fluidos. O problema de Navier-Stokes, que não possui uma aplicação prática direta evidente, busca responder se essas equações podem falhar completamente em determinadas circunstâncias. A demonstração apresentada pela OpenAI afirma ter identificado justamente uma dessas situações. Isso implicaria, ao menos teoricamente, que as próprias leis da física poderiam falhar sob determinadas condições. Em tese, por exemplo, a água poderia sofrer uma explosão espontânea. Matemáticos e físicos, porém, não acreditam que essa falha matemática necessariamente resulte em algo semelhante no mundo real.

O problema de Navier-Stokes é um dos sete Problemas do Milênio selecionados pelo Clay Mathematics Institute em 2000 como uma forma de acompanhar o progresso da matemática ao longo do novo milênio. O instituto, fundado pelo empresário americano Landon T. Clay, prometeu um prêmio de US$ 1 milhão para a primeira solução correta de cada problema. Antes do anúncio da OpenAI, apenas um deles havia sido resolvido.

O que pensam os especialistas sobre IA e matemática?

“Essas questões são como faróis”, disse Terence Tao, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e considerado por muitos o maior matemático de sua geração. “Elas funcionam como grandes pontos de referência que atraem os esforços dos cientistas.”

Tao está entre os matemáticos que vêm alertando publicamente que os sistemas de IA mais avançados podem acabar causando impactos negativos para a matemática. Segundo ele, se as máquinas resolverem os problemas mais difíceis com pouca participação humana, isso poderá enfraquecer a compreensão humana da disciplina.

“O esforço necessário para resolver problemas costuma ser extremamente instrutivo. Você aprende algo durante o processo. É como ir à academia com o objetivo de levantar um peso cem vezes”, explicou. “Agora, a IA pode resolver questões sem realmente extrair valor desse processo. É como ter máquinas que levantam os pesos por você na academia.”

Ao mesmo tempo, Tao e outros pesquisadores destacam que os matemáticos ainda desempenham um papel importante no trabalho realizado pelos sistemas de IA. A OpenAI informou que utilizou grandes equipes de agentes de IA para resolver o problema de Navier-Stokes e que seus pesquisadores transferiam ideias importantes entre esses grupos.

“Nosso papel foi semelhante ao de uma abelha realizando polinização cruzada entre diferentes grupos e levando informações de um para outro”, afirmou Dan Roberts, pesquisador da OpenAI.

Os sistemas de IA também podem se apoiar em avanços anteriores feitos por matemáticos ou até reproduzir de forma independente descobertas já alcançadas por humanos. Na noite anterior ao anúncio da OpenAI, Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York (NYU), escreveu em uma rede social que vinha explorando pesquisas semelhantes com outro matemático que trabalha para a Anthropic, principal rival da OpenAI.

Em publicação no blog da empresa, a OpenAI reconheceu que decidiu concentrar esforços no problema de Navier-Stokes após tomar conhecimento de que outros matemáticos investigavam questões semelhantes. A companhia, porém, afirmou que “não teve acesso aos trabalhos desses pesquisadores por nenhum meio”.

Como a OpenAI resolveu o problema?

Empresas como a OpenAI desenvolvem suas tecnologias de IA usando o que os cientistas chamam de redes neurais, sistemas que aprendem analisando enormes quantidades de dados digitais. Há cerca de dois anos, essas empresas passaram a aperfeiçoar os sistemas por meio de uma técnica conhecida como aprendizado por reforço. Nesse processo, os modelos aprendem novos comportamentos por tentativa e erro.

Ao resolver milhares de problemas matemáticos, por exemplo, os sistemas aprendem quais métodos levam às respostas corretas e quais não funcionam. Pesquisadores criam mecanismos complexos de feedback para indicar quando a IA está certa ou errada.

(O New York Times processa OpenAI e Microsoft por suposta violação de direitos autorais relacionada ao uso de conteúdo jornalístico no treinamento de sistemas de IA. As duas empresas negam as acusações.)

O aprendizado por reforço é difícil de aplicar em áreas como escrita criativa, filosofia e ética, onde é mais difícil determinar objetivamente o que está certo ou errado. Já na matemática, a técnica se mostra especialmente eficaz.

Por meio desse processo, os sistemas conseguem aprender a demonstrar teoremas matemáticos usando uma linguagem de programação chamada Lean. Originalmente desenvolvida para matemáticos humanos, a linguagem agora também pode ser utilizada por modelos de IA para produzir suas próprias demonstrações matemáticas.

Em janeiro, a OpenAI e outra startup chamada Harmonic anunciaram que duas de suas tecnologias haviam resolvido em conjunto um dos chamados “Problemas de Erdős”, uma coleção de desafios matemáticos proposta pelo matemático Paul Erdős.

Na época, alguns matemáticos argumentaram que a solução gerada pela IA não era muito diferente de trabalhos anteriores produzidos sem a ajuda dessas ferramentas.

“Para mim, parece um aluno muito inteligente que decorou tudo para a prova, mas não possui uma compreensão profunda do conceito”, disse Tao ao New York Times.

Nos meses seguintes, porém, tecnologias desenvolvidas pela OpenAI e por outras empresas continuaram resolvendo novos problemas matemáticos, em alguns casos de forma ainda mais impressionante.

A OpenAI afirmou que resolveu o problema de Navier-Stokes utilizando até 10 mil agentes de IA trabalhando simultaneamente. Operar um número tão elevado de sistemas provavelmente custou milhões de dólares, devido ao enorme consumo de energia dos chips especializados utilizados no processamento dessas tecnologias.

Noam Brown, cientista da OpenAI, classificou o processo como “muito caro”, mas observou que os custos tendem a cair à medida que as empresas aumentam sua eficiência.

Nesta terça-feira, a OpenAI publicou um artigo descrevendo a solução proposta, incluindo uma demonstração em Lean, permitindo que matemáticos independentes analisem como os agentes resolveram o problema.

Mesmo assim, para Tao, esse avanço ainda não substitui o processo humano de resolução de problemas. Ele comparou a OpenAI a um guia que encontra um caminho para uma cachoeira escondida.

“Isso tem valor”, disse. “Mas, depois que alguém mostra um caminho específico para chegar à cachoeira, as pessoas simplesmente seguem aquele caminho. Elas deixam de gastar tempo procurando outras rotas.”

 

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