
Na segunda-feira, 11 de maio, a bolsa de valores deverá ter o início das negociações das ações da empresa de gás e energia Compass, controlada pelo grupo Cosan, então encerrando um jejum de quase cinco anos completos de ofertas públicas iniciais (IPOs) na bolsa de valores brasileira.
A oferta será 100% secundária – ou seja, não serão emitidas novas ações da Compass, mas os atuais acionistas irão se desfazer das suas participações societárias na companhia.
O IPO da Compass prevê uma saída parcial da Cosan, holding de Rubens Ometto que detém atuais 88% do capital da companhia. Enquanto a Cosan poderá vender até 15% do capital na oferta, os demais minoritários poderão se desfazer de até 5,4% do total de ações.
Os acionistas, além da companhia de Ometto, incluem a gestora Atmos e uma unidade do Bradesco.
A faixa de preço foi definida entre R$ 28 e R$ 35 por ação. Se a oferta for precificada no topo desse intervalo, a Compass chega ao mercado com valor de mercado próximo a R$ 25 bilhões.
Não é a primeira vez que a companhia tenta o IPO, dado que em meados de 2020, a oferta chegou a ser estruturada, mas foi cancelada com a deterioração do mercado durante a pandemia.
A tentativa de listagem acontece em um contexto de reestruturação financeira do grupo controlador. A Cosan tem buscado vender ativos e reduzir a alavancagem após uma série de investimentos que não geraram o retorno esperado, pressionados também pelo ciclo de juros altos no Brasil.
No ano passado, o grupo fechou acordo para captar até R$ 10 bilhões com investidores como o BTG Pactual Holding. A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell no setor de açúcar e etanol, está em processo de recuperação extrajudicial.
O BTG Pactual lidera a operação como coordenador global do IPO da Compass. Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP Investimentos, BNP Paribas e UBS BB atuam como coordenadores.
A oferta está registrada sob o regime automático da CVM, com revisão prévia da ANBIMA, e inclui esforços de colocação internacional nos termos da Regra 144A e do Regulation S.
Cronograma do IPO da Compass
- Lançamento da oferta: 27 de abril de 2026
- Precificação: 7 de maio de 2026
- Início das negociações na B3: 11 de maio de 2026
Fim do jejum de IPOs
Se a operação se concretizar, vai encerrar um período de quase cinco anos sem estreias na bolsa brasileira. O último ciclo de IPOs na B3 foi em 2021, quando mais de 40 empresas abriram capital – incluindo a própria Raízen, outra empresa do grupo Cosan.
Desde então, companhias brasileiras que queriam acessar o mercado mostraram tendência a listar ações nos Estados Unidos, ou realizar dupla listagem.
Os últimos IPOs da B3, de 2021, contemplam empresas como Intelbras, Smart Fit, Méliuz, Enjoei.
O último IPO da bolsa de valores, de fato, foi a Vittia, que abriu capital em setembro de 2021.
Como a empresa está financeiramente
Os números do primeiro trimestre de 2026, ainda preliminares e não auditados, apontam lucro líquido entre R$ 328,5 milhões e R$ 401,5 milhões, abaixo dos R$ 420,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.
A queda é atribuída, em parte, a despesas financeiras e de depreciação mais elevadas.
Nos últimos anos a empresa anotou EBITDA estável em torno de R$ 5 bilhões e forte distribuição de capital aos acionistas, com R$ 5,5 bilhões em dividendos pagos de 2023 até então.
Vale notar que a queda no lucro líquido de 2025 em relação a 2024 acompanha o aumento da alavancagem, dado que a dívida quase dobrou no período, o que pressiona as despesas financeiras.

O que faz a Compass
A Compass é a maior distribuidora de gás natural do Brasil. A companhia tem participação em sete distribuidoras, com destaque para a Comgás, que atende 96 cidades no estado de São Paulo e tem 2,8 milhões de clientes conectados.
Além da distribuição, a empresa atua na comercialização de gás por meio da EDGE – plataforma que opera um terminal de regaseificação em São Paulo (TRSP), distribui GNL para clientes industriais e opera a maior usina de biometano do país, com capacidade de 225 mil m³ por dia.
Na prática, a empresa funciona como o braço estratégico da Cosan para capturar o crescimento do consumo de gás no Brasil, especialmente com a gradual liberalização do setor, que veio na esteira de mudanças regulatórias como a Nova Lei do Gás e o Programa Gás do Gás para Crescer.
Nos últimos anos, a Compass também avançou na consolidação do setor ao adquirir participações em outras distribuidoras estaduais, como a Sulgás, e buscar ativos em diferentes regiões do país.





