segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Petrobras e Transpetro assinam na terça-feira contratos de R$ 2,8 bi para ampliar frota

 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desembarca na terça-feira, 20, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, para oficializar a contratação de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores dentro do Programa Mar Aberto, plano de renovação e expansão da frota do Sistema Petrobras.

O pacote, orçado em R$ 2,8 bilhões, envolve três estaleiros – Rio Grande (RS), Bertolini, em Manaus (AM), e Indústria Naval Catarinense (SC) – e prevê a geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.

Todas as embarcações serão operadas pela Transpetro, o que reduzirá a dependência de afretamentos e dará maior flexibilidade à logística de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e outros produtos. Só o Estaleiro Rio Grande receberá R$ 2,2 bilhões para entregar cinco gaseiros pressurizados: três com capacidade para 7 mil m3 e dois de 14 mil m3.

Após a entrega, a frota de gaseiros saltará de seis para 14 unidades, mais que duplicando a atual capacidade de transporte da subsidiária. Os novos navios vão consumir 20% menos energia e emitir 30% menos gases de efeito estufa, com a primeira entrega prevista para até 33 meses após o início das obras, informou a Petrobras. As próximas entregas serão a cada seis meses.

Além de Lula, estarão no evento o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

“O Sistema Petrobras está sempre pronto para apoiar o desenvolvimento do Brasil. Com essas contratações, estamos deixando a Petrobras preparada para o crescimento da nossa produção nos próximos anos e alavancando a retomada da indústria naval nacional. Para nós, quando a Petrobras está mais forte, o Brasil também está mais forte”, disse Magda em nota.

Segundo a Petrobras, ao reforçar a frota própria, a empresa e a Transpetro também se preparam para o avanço da produção de gás natural previsto para os próximos anos – tanto no litoral quanto nas vias fluviais, caso da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e da Amazônia.

Faturamento real da indústria de transformação sobe 1,2% em novembro ante outubro, diz CNI

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou, nesta segunda-feira, 19, que o faturamento real da indústria de transformação aumentou 1,2% em novembro na comparação com outubro de 2025, interrompendo uma sequência de três quedas consecutivas. No acumulado no ano, o indicador cresceu apenas 0,3% frente ao mesmo período do ano anterior.

“Esse crescimento acumulado do faturamento se tornou menor a cada mês do ano passado, reforçando as projeções de perda de ritmo da indústria, principalmente no segundo semestre de 2025”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

O emprego no setor, entretanto, caiu 0,2%. Foi a terceira queda consecutiva do índice. Desde setembro, quando a CNI avalia que começou a perda de ritmo do mercado de trabalho industrial, a queda já foi de 0,6%.

“Em resposta à melhora da atividade industrial, que se iniciou em 2023 e que teve o seu melhor momento em 2024, o emprego industrial cresceu. Essa alta até se manteve no início de 2025, embora a atividade industrial já apresentasse sinais de que enfrentaria problemas, sobretudo com o aumento da Selic, cuja trajetória de alta teve início ainda em 2024. Mas com a crescente perda de ritmo de atividade industrial, o emprego industrial perdeu força”, explica Azevedo.

Após quatro quedas consecutivas, acumulando retração de 1,4%, a massa salarial cresceu 1,5% em novembro. Apesar disso, o indicador acumula queda de 2,3% nos 11 primeiros meses de 2025 em relação ao mesmo período de 2024.

Já o rendimento médio dos trabalhadores industriais também vinha histórico de quedas, mas voltou a aumentar em novembro. O índice subiu 1,6% em relação a outubro. O indicador acumula tombo de 4% entre janeiro e novembro do ano passado na comparação com os 11 primeiros meses de 2024.

O número de horas trabalhadas na produção caiu 0,7% entre outubro e novembro. Nos 11 primeiros meses do ano passado, o indicador subiu 0,9% na comparação com o mesmo período de 2024.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,6 ponto porcentual, passando de 78,1% para 77,5%. A UCI de novembro de 2025 estava 2,4 pontos porcentuais abaixo da UCI de novembro de 2024. Além disso, a UCI média nos 11 primeiros meses do ano passado foi 1 ponto porcentual inferior à observada no mesmo período de 2024.

Problema da dívida tem a ver com juro real, não com déficit, diz Haddad

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a gestão fiscal do governo federal e afirmou que o problema da dívida pública neste momento decorre dos juros reais da economia, e não do excesso de gastos públicos. A declaração ocorre na semana seguinte à sanção do Orçamento de 2026, aprovado, com meta de superávit de R$ 34,2 bilhões.

“Nós reduzimos em dois anos em 80% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo. Inclusive a meta para esse ano é uma meta de resultado primário ainda mais exigente do que foi o ano passado, do que foi o ano retrasado e do que foi o primeiro ano de governo”, disse Haddad durante entrevista ao Uol nesta segunda-feira, 19.

A declaração ecoa críticas a política monetária feitas em outros momentos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até pelo próprio Fernando Haddad. A taxa básica de juros, a Selic, chegou a 15% ao ano em maio do ano passado e se mantém nesta porcentagem desde então. É o maior patamar registrado desde 2006.

Haddad defende Galípolo

Apesar das críticas ao patamar de juros, o ministro buscou isentar de responsabilidade o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “É uma pessoa em quem eu confio”, disse, acrescentando que Galípolo teria herdado “um problema que só vai ser conhecido depois”.

“É a primeira vez que a gente tem que conviver por dois anos com um presidente nomeado pelo governo anterior, que queria sabotar esse governo. Trabalhou para sabotar o tempo inteiro o governo”, disse Haddad. Durante os dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, o BC era comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro ao cargo.

Em sua fala, o ministro afirmou ainda que a crise do Banco Master seria um problema herdado de uma gestão problemática anterior.

Reformulação das atribuições do BC

Ainda sobre o caso do Banco Master, Haddad afirmou que há discussões dentro do governo para que o BC fique responsável assuma atribuições que atualmente estão com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na fiscalização de instituições financeiras.

“Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos”, disse Haddad. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, seguiu.

O ministro frisou que se trata de sua opinião, porém afirmou que há conversas sobre o tema travadas dentro do governo, com a participação de Gabriel Galípolo e de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União e indicado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF).


Bolsa brasileira ganha 205,9 mil novos investidores em 2025; veja número por estado

 

A B3, a bolsa do Brasil, registrou 205.949 novos investidores em produtos de renda variável em 2025. Isso representa um crescimento de 4% entre os meses de dezembro de 2024 e de 2025.

Atualmente, a B3 conta com quase 5,5 milhões de investidores em renda variável e um valor de custódia de R$ 635 bilhões neste tipo de ativo, um aumento de 20% em relação aos quase R$ 528 bilhões do final de 2024. Deste total de CPFs, 1,9 milhão de investidores são do estado de São Paulo, a maior presença na bolsa. Em seguida, estão os estados de Minas Gerais (554 mil) e Rio de Janeiro (550 mil).

Apesar da ampla representação da região Sudeste entre os investidores em renda variável, o estado que apresentou maior crescimento percentual no último ano foi Piauí, com um aumento de 7,73% no número de pessoas investidoras. Além dele, os estados de Amazonas, Pará, Paraíba, Ceará, Maranhão, Amapá, Pernambuco, Alagoas, Roraima, Rio Grande do Norte, Acre, Rondônia, Bahia e Sergipe também tiveram altas acimas de 5%.

Os dados mostram que o mercado de capitais avança para além dos grandes centros e chega cada vez mais aos demais polos do país, explicitando o potencial enorme destas regiões. O crescimento no número de investidores em todos os estados reforça o compromisso da B3 com a democratização do acesso ao mercado de capitais, ampliando oportunidades de investimento, educação financeira e participação de toda a população brasileira no desenvolvimento econômico do Brasil”, afirma Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

Veja o número de investidores na renda variável por estado

ESTADOINVESTIDORES EM 2024INVESTIDORES EM 2025AUMENTO PERCENTUAL
Piauí32.03734.5147,73%
Amazonas47.72051.2027,30%
Pará84.22190.1347,02%
Paraíba52.98756.6886,98%
Ceara126.126134.7516,84%
Maranhão56.77360.5986,74%
Amapá8.4929.0376,42%
Pernambuco134.819143.4336,39%
Alagoas35.79138.0736,38%
Roraima8.5489.0866,29%
Rio Grande do Norte51.54754.7366,19%
Acre8.7649.3026,14%
Rondônia30.85032.6995,99%
Bahia194.793205.2155,35%
Sergipe31.76433.4445,29%
Espírito Santo109.090114.3554,83%
Tocantins20.72821.6614,50%
Minas Gerais530.178553.7644,45%
Rio de Janeiro527.072549.6034,27%
Mato Grosso70.41773.3484,16%
Mato Grosso Do Sul58.41760.5153,59%
Distrito Federal143.141148.0053,40%
Goiás146.137151.0713,38%
São Paulo1.861.3511.919.9263,15%
Paraná338.527348.5302,95%
Santa Catarina255.909262.9662,76%
Rio Grande Do Sul292.979298.4711,87%
TOTAL5.259.1785.465.1273,92%



https://istoedinheiro.com.br/bolsa-brasileira-b3-novos-investidores-2025

Expectativa para inflação em 2026 cai pela segunda semana seguida para 4,02%

 

A expectativa dos especialistas consultados pelo Banco Central para a alta da inflação medida pelo IPCA em 2026 caiu 0,03 ponto percentual, a 4,02%, mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 19.

Para 2027, a projeção do mercado para a inflação permanece em 3,80% ao final do ano, ainda longe do centro da meta. O centro da meta oficial a ser perseguida pelo Banco Central é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.


Focus

Selic e PIB

Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027.

Dólar

Para o câmbio, a projeção para o final de 2026 e 2027 foi mantida em R$ 5,50.

 

 https://istoedinheiro.com.br/expectativa-para-inflacao-em-2026-cai-pela-segunda-semana-seguida-para-402


FMI reduz crescimento do Brasil para 1,6% em 2026

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento do Brasil em 2026, mas melhorou ligeiramente as contas para 2025 e 2027, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 19.

A atualização do relatório Perspectiva Econômica Global mostrou uma redução de 0,3 ponto na projeção para a expansão do Produto Interno Bruto este ano, a 1,6%.

Autoridades do FMI disseram que o corte na perspectiva para este ano ocorreu principalmente pela política monetária restritiva para conter a inflação elevada no ano passado.

Projeções para o PIB do próximo ano cresce

Por outro lado, houve um aumento de 0,1 ponto percentual na perspectiva de expansão em 2027, a 2,3%. Para 2025, a estimativa é de 2,5%, contra 2,4% no relatório de outubro.

O Banco Central elevou a taxa básica de juros Selic para 15% em junho do ano passado e vem mantendo-a nesse nível desde então. A autoridade monetária volta a se reunir no final deste mês, com amplas expectativas de nova manutenção.

Analistas buscam agora indicações sobre quando o BC iniciará um ciclo de cortes. O IBGE divulgará os dados do PIB do quarto trimestre e de 2025 em 3 de março.

Governo projeta resultados superiores ao do FMI

No final do ano passado, o Ministério da Fazenda previu uma expansão de 2,2% para o PIB de 2025, com alta de 2,4% em 2026. Já o BC vê expansão em 2025 de 2,3%, indo a 1,6% em 2026.

As perspectivas para o Brasil neste ano e no próximo ficaram bem abaixo das projeções para a América Latina e Caribe, cujas expectativas de crescimento são de respectivamente 2,2% e 2,7%.

Já para as Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, das quais o Brasil faz parte, o FMI passou a ver expansão de 4,2% este ano, 0,2 ponto a mais que em outubro. Para 2027 houve redução de 0,1 ponto, a 4,1%.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Em cenário de governo reformista em 2027, Selic pode ir a 9%, diz economista-chefe da XP

 

Em 2026, ano de eleição – e de tradicionalmente maior gastança pelos governos – a meta de resultado primário deve ser cumprida, todavia os problemas devem ser rolados para 2027 à medida que o arcabouço fiscal se mostra uma estrutura insuficiente para sanar os problemas das contas públicas. A visão é de Caio Megale, economista-chefe da XP, que enxerga em 2026 um ano de relativa previsibilidade nos indicadores macroeconômicos, mas alguns riscos vindo de Brasília.

O especialista avalia que, a na eventualidade de uma postura reformista do Governo Federal durante o ano de 2027, a Selic pode voltar a ficar em um dígito percentual.

Para este ano, a visão é de que dificilmente a taxa básica de juros ficará longe de 12%. A projeção da XP é de 12,50%, com cinco cortes de 0,50 ponto percentual (p.p.).

Em termos de contas públicas, o economista-chefe da XP espera R$ 45 bilhões de déficit primário – em uma meta que não considera ‘excessivamente ousada’ por conta da exclusão de certas despesas, como uma fatia dos precatórios e gastos parafiscais.

“Para este ano, fazendo a conta na ponta do lápis, talvez precisemos de um contingenciamento de despesas na ordem de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões, que o governo consegue fazer tranquilamente”, diz.

A expectativa é de que, em 2027, os problemas fiscais se intensifiquem e fiquem mais evidentes, demandando ajustes. O ano de 2025 foi de recorde de arrecadação, com aumento de receitas via impostos e tributos, e o cenário deve se repetir em 2026.

Assim, o Governo deve ter de fazer movimentos que não necessariamente sejam cortes intensos nos gastos, mas medidas que ‘aumentem o fôlego’ e garantam uma maior margem de manobra – como a discussão dos mínimos constitucionais e a indexação de algumas despesas.

A IstoÉ Dinheiro falou com Caio Megale a respeito dos rumos da macroeconomia e da política fiscal em 2026 e 2027. Confia abaixo as projeções da XP e os principais trechos da entrevista.

 

 

O cenário fiscal ganha relevância adicional por 2026 ser ano de eleições presidenciais, período em que, tradicionalmente, os gastos públicos se aceleram. Qual é a sua visão sobre o cumprimento das metas e qual é o caminho que o governo deve tomar? A meta de superavit é considerada inalcançável?

Projetamos hoje um déficit de R$ 45 bilhões. O modelo de equilíbrio fiscal do governo tem se baseado na aceleração das despesas [estruturais, de forma contínua, para incentivar a economia] acompanhada de uma busca constante por maior arrecadação.

É um esforço que tem dado certo. O Congresso tem apoiado medidas de aumento de receita, como as mudanças nos gastos tributários, a exemplo do projeto de lei que elevou os juros sobre capital próprio (JCP), que foram aprovadas na virada do ano, e somaram cerca de R$ 20 bilhões.

Acreditamos que o governo cumprirá a meta fiscal de 2026 com certa tranquilidade, mas há uma ressalva importante: essa meta não é excessivamente ousada porque se beneficia da exclusão de certas despesas, como parte dos precatórios e gastos parafiscais via fundos públicos.

Então o risco fiscal imediato é baixo?

Para o curto prazo, sim. O tema fiscal não deve ser o principal foco de instabilidade agora, pois as metas estão equacionadas. O resumo é que teremos um ano de metas atingidas, mas com um déficit primário ainda relevante e uma dívida pública que cresce de dois a três pontos percentuais por ano.

O verdadeiro desafio migra para 2027. Com o fim do mandato presidencial se aproximando, a dúvida é se persistiremos nesse modelo de elevar arrecadação para pagar gastos – o que tem limite – ou se haverá reformas estruturais nas despesas.

Existe alguma expectativa de que o governo realize cortes de gastos ou ajustes no próprio arcabouço fiscal ainda este ano?

Praticamente zero. Não haverá ajustes no arcabouço agora porque não será preciso. Nossos cálculos indicam que, se for necessário algum ajuste “na ponta do lápis”, um bloqueio de despesas entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões seria suficiente, algo que o governo faz tranquilamente na gestão de caixa [para alcançar a meta do ano].

O mercado está relativamente calmo com 2026. O debate sobre a insustentabilidade do modelo, que gera déficits e depende de recordes sucessivos de receita, ficará para o primeiro ano do próximo mandato.

Pensando em médio prazo, o que pode ser feito para evitar problemas fiscais crônicos caso essa mesma dinâmica continue?

O gargalo não está na receita. O Brasil baterá recorde histórico de arrecadação em 2026, impulsionado pelas medidas aprovadas e por um Produto Interno Bruto (PIB) que ainda demonstra resiliência.

Mesmo com maior arrecadação em caixa, o governo tem pouca margem de manobra. O problema reside nas despesas, que são altamente indexadas e rígidas. As reformas necessárias envolvem os valores mínimos definidos pela Constituição Federal que vão para a saúde e educação, que voltaram a pressionar o orçamento, e a indexação de benefícios previdenciários ao valor do salário mínimo. Sem reduzir esse grau de vinculação, a dívida continuará crescendo de forma insustentável.

Para os juros básicos, a projeção de vocês é de Selic em 12,50% ao final de 2026. Como o Banco Central deve calibrar esse corte diante da desaceleração da inflação?

O Banco Central tem espaço para retirar o “extra aperto” que foi necessário anteriormente. Vemos uma possibilidade de corte total na ordem de 2,5 a 3 pontos percentuais ao longo do ano. O ritmo de 12,50% ainda é um juro real alto para uma inflação que corre perto de 4,5%.

Se o governo sinalizar reformas profundas no segundo semestre [administrativa e desvinculação do orçamento citadas anteriormente], existe espaço para cair até 11% ou 9,5% [próximo ano]. Caso contrário, se o cenário for de “ajustes insuficientes”, o BC deve ser mais cauteloso e estacionar nos 12,50%.

O fato de o fiscal de 2026 estar “pacificado” garante uma trajetória suave para o Copom?

Para o curto prazo, sim. As medidas anunciadas e a receita prevista no Orçamento estão bem equacionadas. O Banco Central tem sinalizado que só cortará com convicção total. O risco de mudarmos a projeção de 12% para 12,50% ocorreu justamente da percepção de que o espaço está ficando mais apertado. Há riscos na inflação de alimentos, que é volátil, e na dinâmica do câmbio caso as commodities voltem a subir.

Como será o ritmo da mudança na Selic, vocês esperam cinco cortes de 50 pontos base para este ano?

Sim, essa é a nossa base. O BC deve levar a taxa dos atuais níveis para 12,50%. A partir daí, a evolução dependerá muito do cenário internacional, especialmente da situação política nos Estados Unidos e das decisões do Fed [Federal Reserve, o Banco Central americano], que influenciam a nossa margem de manobra por aqui.

Sobre a inflação, vocês reduziram a projeção de 4,2% para 4% em 2026. O que sustenta esse otimismo?

A alimentação tem vindo com uma dinâmica muito positiva e os bens duráveis estão sendo beneficiados por importações baratas da China. Trouxemos a inflação de volta para o intervalo de tolerância, o que é uma vitória para o Banco Central, embora ainda estejamos longe da meta de 3%. No entanto, somos cautelosos: não está claro se o mundo será tão desinflacionário em 2026 quanto foi em 2025. Alimentos e industrializados podem voltar a pressionar no segundo semestre.

E quanto ao PIB? A estimativa de 1,7% com viés de alta parece conservadora diante das medidas de estímulo do governo.

Já colocamos no cálculo o impacto do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda e outros estímulos diretos. O viés de alta existe caso medidas adicionais, como o crédito consignado privado e novos apoios ao mercado imobiliário, ganhem tração. Por outro lado, o endividamento das famílias ainda é um detrator. O consumo em 2026 será mais sustentado pela renda corrente [transferências do governo] do que pelo crédito, que demora a reagir aos cortes de juros.

O câmbio teve um ano anterior volátil. Com o BC iniciando o ciclo de cortes, o diferencial de juros pode elevar o dólar?

O mercado já precificou esses cortes. Se o BC corta juros com respaldo técnico e a economia se reequilibra, isso pode até atrair capital e diminuir prêmios de risco. Não vemos o dólar fazendo movimentos bruscos de desvalorização global como vimos no passado. Nossa projeção é de um câmbio entre R$ 5,60 e R$ 5,70. Achamos que o patamar de R$ 5,50 é o ponto de equilíbrio atual.

Como o cenário político de Brasília e as eleições devem afetar o dólar no segundo semestre? Vimos muita volatilidade em anúncios recentes de candidaturas.

As eleições trazem volatilidade, mas não necessariamente mudam a tendência estrutural. O câmbio pode “chacoalhar” com as notícias de Brasília, mas o que dirá se ele volta para R$ 5 ou deprecia mais são as perspectivas de reformas para 2027. Por enquanto, vemos o câmbio andando de lado, acompanhando o comportamento do dólar no exterior. O ruído político é passageiro. A sustentabilidade fiscal é o que define o preço em longo prazo.

Qual é o balanço final para o investidor que olha para 2026?

É um ano de “so far, so good” [“até aqui, tudo bem”]. Até onde conseguimos enxergar, os riscos estão controlados. A inflação está no intervalo, o PIB cresce moderadamente e o fiscal está garantido por receitas extraordinárias. O investidor deve aproveitar a clareza do curto prazo, mas manter os olhos atentos ao “molho” de variáveis que entrará na conta a partir do segundo semestre: Fed, China e, principalmente, a agenda de reformas do próximo ciclo presidencial.