quinta-feira, 5 de março de 2026

STF forma maioria para manter Bolsonaro preso na Papudinha

 

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para confirmar a decisão de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. Em plenário virtual, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam o relator, Alexandre de Moraes.

Na última segunda-feira, 2, Moraes negou um pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Bolsonaro pediu a prisão domiciliar alegando que a Papudinha não tem estrutura suficiente para os atendimentos médicos necessários.

Moraes sustentou que a prisão “atende integralmente, às necessidades do condenado” O ministro afirma que na prisão, Bolsonaro “tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, comprovando a intensa atividade política, o que corrobora os atestados médicos no sentido de sua boa condição de saúde física e mental”

O magistrado especificou ainda que a Papudinha possui a estrutura adequada para atender às necessidades do ex-presidente. “Com a possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, com múltiplos atendimentos diários, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, assistência religiosa, além de garantir ao réu, em absoluta garantia do princípio da dignidade da pessoa humana, o recebimento de numerosas visitas de familiares, amigos, parentes, amigos e aliados políticos.”

Em seu voto, Moraes reforçou o que havia exposto em sua decisão, afirmando que Bolsonaro só está detido na Papudinha porque tentou romper a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar.

“A conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva antes do trânsito em julgado da ação penal foi derivada única e exclusivamente pela conduta ilícita de Jair Messias Bolsonaro que, no intuito de fugir, violou seu equipamento de monitoramento eletrônico, às 0h08min do dia 22/11/2025”, escreveu Moraes.

O julgamento está aberto em sessão virtual extraordinária e a ministra Cármen Lúcia, que ainda não se manifestou, pode votar até as 23h59 desta quinta-feira. No entanto, a decisão já está confirmada pela maioria.

IA deve evitar reproduzir erros das redes sociais, avalia Character.AI

 

As empresas de inteligência artificial (IA) devem se inspirar na experiência das redes sociais para proteger seus usuários, disse à AFP o diretor-executivo da Character.AI, que proibiu o acesso de menores após ser associada a casos de suicídio de adolescentes.

“Eu me sinto muito melhor ao ver que todos na indústria – reguladores, técnicos, líderes políticos, o mundo acadêmico — estamos falando da segurança na IA muito antes do que fizemos com as redes sociais”, afirmou Karandeep Anand, diretor-executivo da Character.AI, no Congresso Mundial da Telefonia Móvel (MWC), realizado em Barcelona.

Lançada em maio de 2023, a jovem empresa californiana ficou conhecida por seus robôs de IA personalizados, que reproduzem a personalidade de uma celebridade ou de um personagem de ficção.

Nesta plataforma é possível estabelecer uma conversa com Bob Dylan ou com um personagem da série “Bridgerton”, assim como interpretar o papel de um membro da máfia.

Na direção da empresa desde o verão de 2025, Karandeep Anand assegurou que “a Character.AI ha avançou muito nos últimos nove meses”, após ter sido associada em alguns casos de suicídio de adolescentes.

“Reforçamos ainda mais nossos padrões de segurança”, afirmou, com medidas como a decisão de impedir o acesso de menores a suas ferramentas desde outubro.

“Temos o luxo de aprender com tudo de bom e de mau que aconteceu nas redes sociais e aplicá-lo à IA agora mesmo”, argumentou o diretor, cuja empresa diz contar com quase 20 milhões de usuários ativos a cada mês.

Embora ainda seja muito cedo para determinar quais usos são perigosos, “é mais simples e preferível que pequemos pelo excesso de prudência” para proteger os menores, opinou Anand.

– Um “entretenimento” caro –

Igualmente, seu grupo decidiu se distanciar da criação de modelos de inteligência artificial para se concentrar em seus robôs conversacionais de personagens.

“Meu objetivo foi construir uma empresa que se torne completamente uma companhia de entretenimento baseada em IA”, assegurou.

“Agora somos claramente uma companhia de aplicativos de consumo, centrada em levar ao limite o que poderia chegar a ser o entretenimento impulsionado pela IA”, acrescentou.

Também pretendem se diferenciar de outros integrantes do setor da IA, que oferecem aos usuários a possibilidade de estabelecer conversas similares às que poderiam ter com um ser humano.

“Os usuários chegam com necessidades distintas”, explicou, e menos de 10% deles consideram a plataforma um companheiro.

“A maioria vem pela ficção, a redação de histórias, a narração de contos, as tutorias e o coaching”, relatou.

Em um setor que precisa de máquinas potentes para fazer funcionar seus programas, a questão do custo dos serviços e sua rentabilidade também é muito importante.

Como já fez a gigante OpenAI – que no começo de 2026 começou a introduzir publicidade no ChatGPT -, a Character.AI também quer garantir mais receita.

Para isso, a empresa introduziu três fontes de financiamento, através da publicidade, de compras integradas na plataforma e das assinaturas.

“Antes da minha chegada, a monetização não era um objetivo”, lembrou Anand.

Mas o modelo econômico das empresas de tecnologia está evoluindo. Diferentemente da geração anterior, a das grandes plataformas que buscavam ter o maior número de usuários, com a IA “cada novo usuário que se incorpora é bastante caro para atender”, assinalou.

Apesar dos desafios, ele se mantém otimista. “Acredito que a tecnologia realmente pode fazer muito bem à sociedade”, insistiu.

Taxa de desemprego sobe para 5,4% em janeiro, mas renda média atinge recorde

 

A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, ante o patamar de 5,1% registrado no trimestre encerrado em dezembro, informou nesta quinta-feira, 5, o IBGE.

O resultado veio dentro do esperado pelo mercado e repetiu a mesma taxa registrada de agosto a outubro de 2025 (5,4%), o menor da série considerada comparável pelo IBGE, iniciada em 2012. Em relação ao trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 (6,5%), houve queda de 1,1 ponto percentual.

A população ocupada somou 102,7 milhões, ficando estável no trimestre, mas marcando uma alta de 1,7% (mais 1,7 milhões de pessoas) no ano. O número de desempregos somou 5,9 milhões, o que representa uma estabilidade na comparação com o trimestre de agosto a outubro de 2025. No confronto com igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões), houve queda de 17,1% (menos 1,2 milhão de pessoas). Veja aqui o detalhamento.

Evolução da taxa de desemprego no país
Evolução da taxa de desemprego no país (Crédito:Divulgação/IBGE)

Renda do trabalhador atinge recorde

Os dados são da PNAD Contínua Mensal mostram também que o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com aumento de 2,8% no trimestre e de 5,4% no ano. A massa de rendimento do trabalho alcançou o valor recorde de R$ 370,3 bilhões, com crescimento de 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) no ano.

A taxa de informalidade (proporção de trabalhadores informais na população ocupada) ficou em em 37,5%, a mais baixa da série histórica, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores.

De acordo com a coordenadora de pesquisa domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os resultados apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. “Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, afirmou.

Perspectivas para o ano

Na visão dos analistas, o resultado aponta para uma estabilização do desemprego em um mercado de trabalho ainda resiliente.

O dado divulgado nesta quinta-feira abrange dois meses do final de 2025, mas tradicionalmente a taxa de desemprego sobe no início do ano devido à dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano. Analistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar forte em 2026, mas que a taxa de desemprego pode apresentar leves altas ao longo do ano em movimentos de correção diante dos níveis baixos atuais.

“Não vemos espaço para uma melhora continuada do mercado de trabalho. Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

O desemprego baixo com renda elevada é um dos indicadores que são foco de atenção do Banco Central, já que dificulta o controle da inflação. O BC volta a se reunir neste mês para decidir sobre a taxa básica de juros, com expectativa de corte na Selic, embora tenha entrado no radar agora a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.


https://istoedinheiro.com.br/taxa-de-desemprego-sobe-para-54-em-janeiro-mas-rendimento-medio-atinge-recorde

quarta-feira, 4 de março de 2026

Dólar acompanha exterior e fecha em baixa de 0,86%, a R$ 5,21

 

Depois de subir quase 2% na véspera, o dólar fechou a quarta-feira em queda ante o real, em sintonia com o sinal negativo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior em dia de maior apetite global por ativos de risco, ainda que um desfecho para a guerra no Oriente Médio pareça distante.

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,86%, aos R$5,2184. No ano, a divisa acumula agora queda de 4,92%.

+Veja cotações na íntegra

Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,18% na B3, aos R$5,2560.

A quarta-feira foi marcada pela queda firme do dólar ante divisas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real.

O movimento ocorreu em paralelo ao avanço dos principais índices de ações na Europa e nos Estados Unidos, com os ativos de risco recuperando parte das perdas recentes. O petróleo, que disparou nas últimas sessões, oscilava perto da estabilidade no fim da tarde.

“A estabilização dos preços do petróleo, depois da forte alta provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, ajudou a aliviar parte da pressão sobre o dólar”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

“Com isso, investidores passaram a devolver prêmios incorporados na divisa americana em um dia típico (de) ajuste técnico.”

Nesta quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o país está vencendo a guerra e que pode lutar pelo tempo que for necessário.

Do lado iraniano, reportagem da Reuters informou que a Guarda Revolucionária reforçou seu controle sobre as decisões no cenário de guerra, impulsionando a estratégia linha-dura que está por trás da campanha de drones e mísseis de Teerã em toda a região.

Apesar de as operações militares de EUA e Israel contra o Irã seguirem em curso, os investidores também se apegaram à notícia de que agentes iranianos entraram em contato secretamente com os norte-americanos para buscar negociações para encerrar o conflito — mas as autoridades norte-americanas seguiram céticas quanto à possibilidade de o governo Trump ou o Irã estarem preparados para uma redução do conflito no curto prazo.

Às 17h12, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,32%, a 98,766.

No noticiário brasileiro, sem efeitos sobre o câmbio, o destaque foi a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e também teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira eletrônica.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril. À tarde, a instituição informou que o Brasil teve fluxo cambial total positivo de US$5,429 bilhões em fevereiro — antes do início da guerra no Oriente Médio.

Entidades de imprensa repudiam ameaças de Vorcaro contra Lauro Jardim

 

A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o grupo Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgaram nesta quarta-feira, 4, notas de repúdio contra as ameaças feitas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Em troca de mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF), Vorcaro teria solicitado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas, que o jornalista fosse agredido em um assalto forjado.

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse o banqueiro.

Em nota, a ANJ manifestou solidariedade ao veículo e ao jornalista e classificou o episódio como um ataque à liberdade de expressão. A entidade afirmou que a tentativa de intimidar um profissional da imprensa por meio de violência é incompatível com o estado de direito e comparou o método a práticas mafiosas.

A associação também elogiou a atuação da Polícia Federal pela descoberta das ameaças e destacou as providências adotadas pelo ministro André Mendonça para garantir o livre exercício da atividade jornalística.

A Fenaj, em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), afirmou que ameaças e tentativas de intimidação contra jornalistas fazem parte de um ambiente de hostilidade constante contra a imprensa no país.

A entidade classificou o caso como um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares da democracia.

A Fenaj também cobrou a apuração rigorosa das denúncias e a responsabilização dos envolvidos, além da adoção de medidas efetivas para proteger profissionais da comunicação. Segundo a entidade, atacar um jornalista significa atingir toda a sociedade, que depende de uma imprensa livre, crítica e independente.

Já o grupo Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que trata-se de tentativa de intimidar e calar o jornalismo. Para a entidade, o episódio é pedagógico sobre como comportamentos tipicamente mafiosos operam quando pessoas influentes e poderosas são confrontadas pelo jornalismo de interesse público.

O RSF pediu o esclarecimento completo do alcance desse planejamento e a responsabilização de todos os envolvidos e disse que jornalistas no Brasil convivem regularmente com tentativas de intimidação e silenciamento. (Leia todas as íntegras abaixo.)

Prisão de Vorcaro

A PF prendeu Vorcaro nesta quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master.

Ele foi preso em sua residência em São Paulo no início da manhã e encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista. Também foram cumpridos outros três mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão.

A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro colaborou “de forma transparente com as investigações desde o início e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

Mourão, destinatário das mensagens com as ameaças, também foi preso, além do policial aposentado Marilson Silva.

A Polícia Federal afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro faz parte de uma “organização criminosa” formada por ‘profissionais do crime”, chamada de “A Turma”, que utilizaria violência e coação como uma espécie de “milícia privada”.

Segundo as investigações, o esquema criminoso ligado ao Banco Master tinha quatro núcleos de atuação.

Havia um “núcleo financeiro”, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; um “núcleo de corrupção institucional’, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; um ‘núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro”, com utilização de empresas interpostas; e um ‘núcleo de intimidação e obstrução de Justiça’, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Esta foi a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, depois que assumiu a relatoria do caso.

O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações no dia 12 deste mês após uma reunião dos dez ministros da Corte.

O encontro ocorreu após a PF enviar ao tribunal um documento em que lista menções ao ministro no celular de Daniel Vorcaro e também conversas entre o banqueiro e o magistrado, que depois assumiu ter recebido dinheiro de fundo ligado ao Master, mas negou relações com Vorcaro.

Não houve declaração de impedimento ou suspeição do ministro. Como Mendonça integra a Segunda Turma do STF, assim como Toffoli, ele continua apto a votar no processo em caso de julgamento.

Leia as notas na íntegra

ANJ

“A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista.

A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.

A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística.”

Fenaj

“A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) manifestam seu mais veemente repúdio às gravíssimas denúncias reveladas pelas investigações da Polícia Federal, que apontam a existência de um plano criminoso para intimidar e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da Rádio CBN.

Segundo as apurações, o banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado ações de monitoramento, perseguição e violência física com o objetivo explícito de calar um jornalista em razão do exercício de sua atividade profissional. Trata-se de um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia.

A FENAJ e o Sindicato reafirmam que qualquer tentativa de intimidação, ameaça ou violência contra jornalistas não é um fato isolado, mas parte de um ambiente de constante hostilidade contra a imprensa no Brasil. Atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente.

Exigimos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização exemplar de todos os envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais da comunicação. A FENAJ e o SJPMRJ se solidarizam com Lauro Jardim e com todos os jornalistas que, diariamente, seguem exercendo seu trabalho sob risco e pressão.

Não aceitaremos o silenciamento da imprensa. Sem jornalismo livre, não há democracia.”

RSF

“As conversas reveladas hoje [quarta-feira, 4], no âmbito das investigações sobre o caso do Banco Master, evidenciam que o empresário Daniel Vorcaro planejou uma agressão contra o colunista do O Globo, Lauro Jardim, um dos jornalistas mais reconhecidos do país, por se sentir incomodado com a cobertura da imprensa.

É uma clara tentativa de intimidar e calar o jornalismo. Para a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o episódio é pedagógico sobre como comportamentos tipicamente mafiosos operam quando pessoas influentes e poderosas são confrontadas pelo jornalismo de interesse público.

Felizmente, o caso veio à tona. Pedimos que a resposta da Justiça seja exemplar, com o esclarecimento completo do alcance desse planejamento, em que medida ele chegou a ser colocado em prática, e com a responsabilização de todos os envolvidos. Infelizmente, apesar das características que tornam este caso singular, ele não é um episódio isolado. Jornalistas no Brasil convivem regularmente com tentativas de intimidação e silenciamento por parte daqueles que querem manter atividades espúrias longe do escrutínio público.”

 

 

Projeto obriga criação de canal para denunciar violência contra mulher em universidades de SP

 

Um projeto aprovado pela Assembleia Legislativa obriga as universidades públicas e privadas do Estado de São Paulo a adotar um protocolo conjunto de combate à violência contra a mulher. Entre as medidas estão a criação de um canal específico para recebimento de denúncias, rede protetiva com o afastamento do agressor do convívio com a vítima, além de direitos acadêmicos, como abono de faltas. A proposta mira inclusive a violência virtual, com uso de redes sociais.

O projeto foi enviado ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que tem até o próximo dia 15 para sancionar ou vetar a medida. Se for sancionada, as universidades terão 90 dias para implementar as regras – há previsão de penalidades em caso de descumprimento.

As principais universidades estaduais dizem já possuir mecanismos para receber e apurar denúncias de violência de gênero. A reportagem entrou em contato com a entidade que representa as instituições particulares e ainda aguardava um retorno até a publicação deste texto.

Violência física, psicológica e sexual

O PL 196/25 estabelece regras para prevenção, acolhimento e punição de casos de violência no ambiente acadêmico. O projeto define a violência contra a mulher como toda e qualquer conduta, presencial ou virtual, que configure violência física, moral, patrimonial, psicológica ou sexual.

O novo PL amplia o alcance da Lei n.o 17.431/2021 que consolida a legislação estadual sobre proteção e defesa da mulher. O texto determina que o protocolo seja aplicado em espaços físicos e virtuais das instituições e alcance toda a comunidade universitária – gestores, professores, estudantes e funcionários, inclusive terceirizados.

O canal específico para recebimento de denúncias deve ter equipe capacitada e atuação imparcial, além da garantia de atendimento psicológico, jurídico e de saúde às vítimas. É obrigatória a inclusão de representante do centro acadêmico. O projeto também prevê medidas para evitar a revitimização e assegurar celeridade na apuração dos casos.

As universidades deverão ainda promover capacitações anuais, campanhas educativas e ampla divulgação dos canais de denúncia através da afixação de aviso, sob a forma de cartaz físico ou eletrônico, que informe os contatos dos órgãos de recepção.

As novas regras preveem medidas protetivas, como o afastamento do agressor do convívio com a vítima, além de direitos acadêmicos como abono de faltas e possibilidade de realização de atividades alternativas.

“Recentemente, vimos que um aluno foi afastado de uma universidade em Santos após mensagens com ameaça de estupro contra uma colega”, diz o deputado Thiago Auricchio (PL). “Os dados mais recentes revelam que estudantes, professoras e funcionárias têm sido vítimas de constrangimentos e agressões em universidades de todo o Brasil.”

Segundo ele, o protocolo passa a ser um instrumento que garante acolhimento qualificado às vítimas, apuração isenta dos fatos, adoção de medidas protetivas e desenvolvimento de ações informativas, enfrentando a questão de maneira direta.

Em caso de descumprimento, as universidades poderão sofrer penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor, sem prejuízo de outras sanções administrativas, civis e penais.

Principais universidades já adotam medidas

As principais universidades públicas estaduais ouvidas pelo Estadão dizem já ter políticas consistentes de combate à violência de gênero.

USP

A Universidade de São Paulo (USP) informou ter criado em 2025 o Sistema USP de Acolhimento, Registro e Responsabilização para Situações de Assédio, Violência, Discriminações e Outras Violações de Direitos Humanos (SUA), com foco especial na violência de gênero.

O serviço foi criado no âmbito da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP). “O sistema vai além da escuta, que já é realizada por diversos canais existentes na Universidade, e cria uma estrutura para a formação de multiplicadores, orientação às vítimas, registro de denúncias e instauração e acompanhamento de procedimentos disciplinares”, diz, em nota.

Unicamp

A Unicamp diz possuir normas e estruturas institucionais voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência de gênero e sexual no ambiente universitário. Desde 2020, a universidade conta com resolução que estabelece diretrizes e procedimentos para prevenção, acolhimento e encaminhamento de queixas de violência baseada em gênero e sexualidade.

A norma prevê fluxo institucional para recebimento e apuração de denúncias, acolhimento das vítimas e encaminhamento para medidas administrativas cabíveis.

Os diferentes tipos de violência levaram à criação de comissões assessoras (Gênero e Sexualidade, Acessibilidade, Diversidade Étnico-Racial, Povos Indígenas, Justiça Ambiental, além de um Observatório de Direitos Humanos), encarregadas de lidar com questões específicas que afetam diferentes segmentos da universidade.

A Unicamp mantém o Serviço de Atenção à Violência Sexual, responsável pelo acolhimento, orientação e encaminhamento de casos, funcionando como porta de entrada da rede de atenção.

O atendimento envolve uma rede institucional que inclui apoio psicológico, médico e acadêmico. “A Universidade reitera, por meio das ações implementadas e dos processos de aprimoramento em curso, o compromisso institucional com a prevenção, o cuidado e a responsabilização, bem como com a promoção de ambientes acadêmicos seguros e respeitosos”, diz em nota.

Unesp

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolve ações educativas e informativas, possuindo normativa interna e grupo de trabalho focado na prevenção de casos de violência contra a mulher, segundo Ana Maria Klein, assessora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade. Tem ainda em curso o Programa Unesp sem Assédio, voltado ao enfretamento de todos os tipos de violência, em especial as sofridas por mulheres.

O programa “Unesp Sem Assédio – sem medo, sem impunidade” é uma iniciativa institucional que percorre as 34 unidades da Unesp para combater o assédio moral e sexual, promovendo um ambiente acadêmico seguro, inclusivo e ético. Lançado em maio de 2025, o programa foca em prevenção, denúncia e acolhimento através de ações educativas e comissões locais.

No contexto dessa política, foi criada a Comissão Central de Acolhimento às Pessoas Vítimas de Violências na Unesp (Acolhe Unesp), vinculada à Ouvidoria da Unesp. A comissão é composta exclusivamente por mulheres que representam diferentes setores da comunidade universitária, incluindo docentes, estudantes de graduação e pós-graduação, assistente social, profissionais da saúde e técnicas administrativas.

Além disso, a Unesp é signatária do Pacto Ninguém se Cala, iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Ministério Público do Trabalho, criada em 2023 para fortalecer ações de enfrentamento à cultura do estupro e a diferentes formas de violência de gênero.

Semesp

A reportagem entrou em contato com o Semesp, entidade que representa as instituições de ensino superior privadas no Brasil, inclusive São Paulo, e ainda aguardava retorno até a publicação deste texto.

O que explica a desaceleração do PIB do Brasil em 2025 e o que esperar para 2026

 

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, no ritmo mais fraco em cinco anos, e a expectativa é que a economia brasileira deve desacelerar ainda mais em 2026, em meio às incertezas geopolíticas provocadas pela guerra no Irã e pelo cenário de eleição presidencial polarizada.

Em meio ao freio provocado pela elevada taxa básica de juros, a economia perdeu fôlego e o resultado do PIB de 2025 só não foi ainda mais fraco em razão do crescimento robusto do agronegócio (11,7%), indústria de extração (8,6%) e nas exportações de bens e serviços (6,2%). Já o consumo das famílias, principal motor do PIB brasileiro há anos, cresceu 1,3% no ano passado, ante 2,1% em 2024.

O Ministério da Fazenda projeta para 2026 um crescimento também de 2,3% para o PIB, e prevê uma “aceleração acentuada” no primeiro trimestre de 2026, em ritmo próximo a 1%, sob efeito, em especial, do aumento da renda disponível com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda a trabalhadores.

A expectativa de analistas é que a atividade mostre de novo um ritmo mais forte no primeiro semestre, impulsionada pela agropecuária e medidas de incentivo do governo, e esmoreça na segunda metade do ano.

O Itaú manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,9% no ano, mas com viés de alta, “dada a possibilidade de adoção de medidas fiscais e desempenho mais robusto do crédito”.

A avaliação é que, embora o Brasil ainda possa se favorecer de certo modo das incertezas geopolíticas geradas pela escalada recente do conflito no Oriente Médio e pelo impacto da alta do petróleo na balança comercial, consumidores, governo e o próprio Banco Central devem se tornar mais cautelosos.

“Vale destacar a surpresa negativa do consumo das famílias no último trimestre de 2025, que fechou o ano com crescimento aquém do esperado, apesar de um mercado de trabalho ainda resiliente”, destacou o Itaú.

O foco agora está sobre os impactos dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que vêm causando preocupações com uma interrupção do fluxo de petróleo e do gás, nos preços globais e na inflação.

O que esperar para a Selic

Com a disparada dos preços do petróleo e do dólar no Brasil, investidores passaram a elevar as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base este mês, e não mais em 50 pontos-base. A Selic está atualmente em 15% ao ano.

A expectativa de economistas e investidores é de que o Banco Central comece a reduzir os juros na reunião dos próximos dias 17 e 18 de março. Embora o conflito no Oriente Médio de forma geral não tenha mudado essa visão, a avaliação é que ele impõe cautela e pode afetar o ritmo e a magnitude do afrouxamento.

Andrés Abadía, economista-chefe de América Latina da Pantheon Macroeconomics, destaca que uma escalada adicional do conflito no Oriente Médio ofuscaria as perspectivas, adicionando pressão inflacionária de curto prazo justamente no início do ciclo de afrouxamento. “Embora preços mais altos do petróleo beneficiem a Petrobras e as receitas fiscais, o efeito líquido provavelmente levaria a uma postura de maior cautela e a cortes de juros mais lentos”, avaliou.

“A maior incerteza internacional tende a desestimular investimentos produtivos. Assim, embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo”, avalia Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike.

Ano eleitoral

Depois de um início de ano com expectativa de crescimento forte do agro e estímulos do governo que tendem a impulsionar o consumo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil mensais, a economia deve enfraquecer no segundo semestre, que terá como ponto focal a eleição presidencial.

“Como é ano eleitoral, os estímulos do governo devem ficar concentrados no primeiro semestre. E no segundo semestre tem desaceleração, …porque no último trimestre tem efeito espera dos agentes econômicos, esperando para ver o cenário eleitoral”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research, que calcula um avanço do PIB este ano de 1,8%.

Pesquisas de intenção de voto recentes mostram um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno.

Mesmo com a perspectiva de cortes na Selic, a avaliação geral é que o efeito tende a ser mais de impedir uma queda maior do que impulsionar a economia.

“Mesmo com o provável início do ciclo de cortes da Selic em março, os juros permanecerão em patamar elevado, o que deve continuar contribuindo para frear a atividade. Mas não esperamos uma desaceleração forte, uma vez que os estímulos promovidos pelo governo (como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda) e o mercado de trabalho aquecido devem manter a economia brasileira em expansão”, diz Claudia Moreno, economista do C6, que projeta alta de 1,7% do PIB em 2026.

Com informações da Reuters

 

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