quinta-feira, 19 de março de 2026

Senado aprova uso imediato de tornozeleira por agressor de mulher

 

Senado Federal — Portal Institucional do Senado Federal


O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (17), o Projeto de Lei (PL) nº 2942/2024 que permite à Justiça determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica pelo agressor de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, se for verificado o alto risco à vida delas. O objetivo é ampliar a proteção às vítimas.

 De autoria dos deputados Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Marcos Tavares (PDT-RJ), o projeto aprovado sem mudanças pelo Senado foi relatado pela senadora Leila Barros (PDT-DF). A proposta segue, agora, para a sanção da Presidência da República.

A senadora pelo Distrito Federal disse que o projeto aperfeiçoa a legislação ao garantir a aplicação imediata do monitoramento eletrônico como medida protetiva de urgência.

“Somada ao afastamento do agressor do convívio com a vítima, a tornozeleira amplia a proteção às mulheres, permitindo inclusive o acompanhamento em tempo real do agressor por um dispositivo que emite um alerta, em caso de aproximação”, explicou a parlamentar Leila Barros.

O texto também torna permanente o programa de monitoramento eletrônico e de acompanhamento de mulheres em situação de violência.

Vira regra

Pelo projeto de lei, a imposição imediata do uso da tornozeleira passa a ser regra em casos de alto risco de agressões graves às mulheres. O risco a ser avaliado deve ser atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes.

A exigência da terminação de medida protetiva de urgência fortalece a proteção prevista na Lei Maria da Penha nº 11.340/2006, aplicável em conjunto com outras.

Até a aprovação deste projeto de lei, a Lei Maria da Penha autoriza a aplicação do monitoramento, mas como algo opcional, e não o inclui no rol das medidas protetivas de urgência.

Além dos casos em que for verificado o risco iminente à integridade física ou psicológica da vítima, a imposição da tornozeleira será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

 

Se o juiz decidir que a tornozeleira não deve ser mais usada como medida protetiva, o magistrado deverá justificar expressamente os motivos que o levaram a tomar a decisão.

Saiba mais sobre a medida no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Rastreamento pela vítima e pela polícia

O texto do projeto determina que, nas situações de uso da tornozeleira pelo agressor, deve ser entregue à mulher vítima um dispositivo portátil de rastreamento que alerte sobre eventual aproximação do agressor.

O aparelho de segurança vai emitir um alerta automático e simultâneo para vítima e para polícia, logo que o agressor romper a área de trânsito proibido, fixada judicialmente.

A iniciativa tem o objetivo de permitir o monitoramento ativo do cumprimento das restrições impostas.

Rigor para quem descumprir a lei

A imposição da tornozeleira também será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

O texto aprovado aumenta a punição caso o agressor se aproxime da vítima ou se remover ou violar a tornozeleira sem autorização judicial.

Hoje, a pena de reclusão varia de 2 a 5 anos, mais multa. Com a proposta, os agravantes aumentam a pena de um terço à metade do tempo de reclusão.

Cidades pequenas

Em municípios em que não existe uma comarca, portanto, localidades sem um juiz de plantão, o uso da tornozeleira poderá ser determinada pelo delegado de polícia local.

Atualmente, o afastamento imediato do lar é a única medida protetiva que o delegado pode adotar nas localidades sem um representante do poder Judiciário.

O delegado deverá comunicar, em até 24 horas, à Justiça sobre determinação de monitoramento eletrônico. O juiz deverá decidir sobre a sua manutenção e comunicar a decisão ao Ministério Público.  

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em 2024, 50% dos feminicídios ocorreram em cidades com até 100 mil habitantes. Naquele ano, apenas 5% das cidades possuíam delegacias da mulher e somente 3% dos municípios tinham acesso a uma casa abrigo.

Mais dinheiro e campanhas

O projeto também aumenta de 5% para 6% a cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) que deve ser destinada ao combate à violência contra a mulher.

O dinheiro deverá ser empregado, prioritariamente, na compra e manutenção das tornozeleiras eletrônicas e de dispositivos de alerta para as vítimas.

Segundo o projeto, as campanhas de enfrentamento da violência contra a mulher deverão contemplar informações sobre procedimentos e abordagens policiais, prevenção à revitimização, funcionamento das medidas protetivas de urgência e mecanismos de monitoração eletrônica.

Violência em números

A senadora Leila Barros classifica a violência doméstica como “uma verdadeira epidemia” e apresentou dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): em 2024, 966.785 novos casos de violência doméstica contra as mulheres foram analisados pela Justiça  e foram concedidas 582.105 medidas protetivas.

Dados do levantamento Retrato dos Feminicídios no Brasil 2006-2026 produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam que, em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em relação a 2021, o aumento é 14,5%.

O relatório mostra também que, em 2024, 13,1% das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil foram assassinadas mesmo tendo uma medida protetiva de urgência em vigor.

Desde que a Lei do Feminicídio (nº 13.104/2015) tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, 13.703 mulheres foram vítimas do feminicídio, entre 2015 e 2025.

Como denunciar

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser usado por mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar uma situação de violência contra a mulher.

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam), em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira. Saiba onde encontrar.

Ainda é possível pedir ajuda por meio do Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e pelo 190, número da Polícia Militar.

 

 


Para ONS, armazenamento é fundamental para estabilizar preços e garantir fluxo de energia

 





 ONS apresenta plano emergencial de cortes e fala em segundo ...

O diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) Christiano Vieira reiterou nesta quinta-feira, 19, que a confiabilidade da operação do setor elétrico passa pelo debate de questões estruturantes, entre elas, o controle da entrada de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), a redução da volatilidade da matriz energética e uma estrutura tarifária moderna. Em sua avaliação, dada a nova conjuntura de variáveis do setor elétrico, o patamar elevado do preço de curto prazo da energia (PLD) (a R$ 941,26 por MWh) não chega a surpreender.

Quem é Dario Durigan, confirmado como sucessor de Haddad no Ministério da Fazenda

 

O governo federal confirmou nesta quinta-feira, 19, a indicação do advogado Dario Durigan como substituto de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Anteriormente secretário executivo no Ministério e segundo no comando da pasta, ele já era ventilado no meio político como sucessor mais provável, especialmente após Haddad confirmar que havia sugerido seu nome.

Como uma espécie de teste público, Durigan foi escolhido para apresentar na véspera uma proposta do governo federal para que os estados zerem temporariamente a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ) sobre importação do diesel. Ainda como secretário executivo, ele anunciou o plano e respondeu às perguntas da imprensa. A IstoÉ Dinheiro publicou um trecho da apresentação:

 

 


 

   

A confirmação do nome de Durigan ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa em São Paulo, evento promovido pelo governo federal com objetivo de aproximar os ministérios da sociedade. “O companheiro Durigan será o substituto do Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Olhem bem para a cara dele, porque é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse o presidente Lula durante o evento.

Homem de confiança de Haddad com perfil negociador

Dario Durigan trabalhou com Haddad quando o petista foi prefeito de São Paulo. Naquela ocasião, atuou como Conselheiro de Administração da empresa pública SPUrbanismo e no assessoramento direto do prefeito, coordenando as secretarias e auxiliando na interlocução com a Câmara Municipal.

Assumiu o cargo de secretário executivo da Pasta em 2023, substituindo Gabriel Galípolo no cargo. Desde então, manteve uma atuação discreta, com poucas falas públicas. Em suas declarações, manteve um discurso alinhado com Haddad, de defesa de ajustes fiscais através de expansão de receitas. “A gente faz esse ajuste fiscal diferente do que fez a Argentina, por exemplo, botando mais da metade da população na pobreza”, disse em junho do ano passado.

Especialistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro apontam que Durigan não tem uma agenda política própria. Espera-se que ele dê continuidade ao trabalho como já ocorre no Ministério. “O desempenho à frente do ministério dependerá de sua capacidade de manter o diálogo com o Congresso, com o mercado e com outras áreas do governo”, afirma o economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação.

Durigan também passou por cargos públicos em dois momentos na Advocacia-Geral da União. Primeiro, no Departamento de Gestão Estratégica entre 2010 e 2011. Depois, como consultor jurídico da União entre 2017 e 2019, período no qual foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da AGU.

No setor privado, foi diretor de políticas públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023. Também atuou como presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil. Atualmente, é ainda membro Conselheiro do Conselho Fiscal da Vale.

Em relação a sua formação, Durigan é advogado graduado na Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), com uma dissertação sobre “Desobediência Democrática no Brasil”. Ter profissionais de fora da economia no comando da Fazenda não é inédito. O exemplo mais notório da Nova República é o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que liderou a pasta sob Itamar Franco e coordenou a implementação do Plano Real.

Os desafios de Dario Durigan

Ao assumir o cargo, o novo ministro herdará desafios já enfrentados por Haddad para manter uma ampla gama de auxílios e incentivos em meio a uma forte crise fiscal. A dívida pública sobre o PIB chegou a 78,7% em janeiro. Com a instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio, a complexidade de gerir as contas públicas aumenta ainda mais.

“Ele vai continuar com os mesmos desafios que o ministro [Fernando Haddad] já enfrentava esse ano. Pressão por aumento de gastos, um arcabouço fiscal que não consegue entregar suas metas, pressão do mercado a respeito de um horizonte de longo prazo”, afirma o diretor nacional do Ibmec, Reginaldo Nogueira.

Mas, no que diz respeito a indicação em si, trata-se de uma medida já esperada pelo mercado financeiro.

Estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz afirma que “antes de entrar no governo, o que Durigan escreveu e falou é muito mais tranquilo para o mercado financeiro do ponto de vista da ortodoxia econômica. O próprio Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tinha escrito alguns artigos com o ministro Haddad bem mais heterodoxos, e hoje ele é unanimidade”.

 

 https://istoedinheiro.com.br/quem-e-dario-durigan-fazenda-19326

ANP notificou no DF seis distribuidoras e autuou Raízen, Ipiranga e Masut

 

A Força-Tarefa criada pelo governo integrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon/MJSP) e a Polícia Federal, realizou na quarta-feira, 18, uma operação conjunta que fiscalizou seis distribuidoras de combustíveis no Distrito Federal. A ANP notificou as seis distribuidoras e, até o final da tarde, já havia autuado três delas – Raízen, Ipiranga e Masut – por questões relativas à abusividade de preços.

Desta vez, a operação focou na cadeia acima dos postos de combustíveis, afirmou a ANP, que na terça-feira, 17, também foram fiscalizados.

Já a Senacon, com base no Código de Defesa do Consumidor, notificou as distribuidoras Vibra (antiga BR), Raízen e Ipiranga que, juntas, concentram cerca de 70% do mercado nacional.

A operação, de acordo com as autoridades, ganhou amplitude após denúncias e informações enviadas por postos e por órgãos de defesa do consumidor, como Procons, com indícios de práticas abusivas.

Entre as suspeitas estão a venda de combustíveis comprados a preços anteriores com valores já reajustados e a retenção de produtos para aguardar novas altas.

“Nunca a ANP, o Ministério de Minas e Energia (MME), a Receita Federal (RF), a Polícia Federal, a Senacon, o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) atuaram de forma tão integrada”, afirmou em nota o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

Itaú BBA vê ‘guerra temporária’, queda no preço do petróleo e aumento de cautela nos BCs

 

Apesar da escalada do conflito e de um petróleo que já opera acima dos US$ 110, o Itaú BBA vê um horizonte com algum nível de otimismo. A tese é de que já na primeira quinzena de abril o Estreito de Ormuz seja reaberto e, com isso, o preço do petróleo sofra uma correção.

Assim, a visão é de que o conflito atual tenha uma semelhança com a Guerra do Golfo e não perdure por tanto tempo. Em entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira, 19, o economista do Itaú Pedro Schneider frisou que, em um cenário de alívio das tensões geopolíticas, o preço poderá voltar para menos de US$ 100 o barril.

“O fechamento [do estreito] deve durar pelo menos até metade de abril. Se não tiver nenhuma novidade, se seguir fechado, o preço seguirá subindo. A assimetria versus o preços atuais é de preços mais altos e não mais baixos, olhando para a frente. Para voltar abaixo de US$ 100 precisa ter solução para guerra e não existe expectativa de curto prazo, mas não existe expectativa de guerra o ano todo – justamente porque a relevância do local ali é gigantesca”, diz Pedro Schneider.

Isso, considerando que o custo econômico do estreito fechado é altíssimo – o que funciona como um incentivo para que os EUA não escalem violência, a fim de evitar choques inflacionário e um cenário que chegaria a afetar o governo Trump nas eleições de meio de mandato (midterms) que ocorrerão em novembro.

Ainda que com uma ‘guerra temporária’, o choque de petróleo deve durar mais de um mês.

No momento, as expectativas de inflação seguem comportadas nas projeções da casa, mas o conflito aumenta os riscos altistas e pode mudar uma das principais variáveis do Banco Central (BC).

Caso o petróleo se mantenha permanentemente acima do nível visto no pré-guerra, a postura do BC – assim como outras autoridades monetárias globais – deve ser de mais austeridade.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana o BC já havia reiterado a postura cautelosa durante o ciclo de flexibilização, e um petróleo mais próximo de US$ 200 pode fazer a autoridade monetária recalibrar a rota.

“Quando petróleo sobe e fica, BCs sobem juros também. No embargo da Opec na década de 1970 o Federal Reserve vinha subindo juros, tentou cortar, mas veio do choque do petróleo. Quando isso ocorreu, o Fed inclusive voltou a subir os juros novamente”, exemplifica Schneider.

“No Fed, por exemplo, se você atualizar esse gráfico para hoje, até ontem, já não tem mais expectativa do mercado de corte de juros neste ano. Claro que depende de outras coisas, depende não só de inflação, do tamanho do choque de petróleo, também depende da atividade e a gente vê a atividade nos Estados Unidos como forte. Então acho que tem aumentado a chance chance do Fed não conseguir cortar juros neste ano porque a inflação está alta. Ela está rodando em 3% e o risco agora ela é ser mais que 3% e não menos que 3%”, completa.

A projeção da casa é de um petróleo entre US$ 70 e US$ 75 ao fim deste ano, com os preços incorporando o risco geopolítico que deve seguir no radar – cenário que a casa vê como ‘mais provável’.

Olhando para juros e inflação, o Itaú projeta 12,25% de Selic terminal para 2026 e 11,25% para 2027, ao passo que a expectativa da casa para o IPCA fica em 3,8% para este ano e 3,9% para o próximo.

Projeções macroeconômicas do Itaú BBA; petróleo; ipca; selic; inflação
Divulgação/Itaú BBA

Inflação ainda ‘comportada’ mesmo com choque do petróleo

Julia Gottlieb, também economista do banco, comenta que a casa segue enxergando uma ‘inflação corrente ainda comportada’, embora as surpresas altistas na leitura do IPCA-15 e do IPCA de fevereiro, com alguns itens voláteis apresentando altas acima do esperado – incluindo passagens aéreas, seguro de automóveis e outros itens.

“O que acontece agora é que os riscos de inflação ficaram maiores, especialmente por conta de combustível, que está ligado à guerra e ao seu efeito no preço do petróleo”, analisa.

A especialista frisa que cada vez que a Petrobras aumenta 10% no preço da gasolina no repasse às refinarias, há um impacto direto de cerca de 20 pontos-base (bps) na inflação.

No caso do diesel, são os mesmos 10% para 20bps, entretanto o efeito é indireto, dado que o combustível em questão tem um peso baixo no índice de inflação, porém impacta a cadeia econômica como um todo, aumentando custos de frete.

“Tem risco de alta tanto na gasolina quanto no quanto no diesel, e isso é o efeito direto e principal, o maior risco altista para a inflação. Tem ainda um outro risco adicional do conflito para inflação, que é caso o conflito se prolongue. Isso pode gerar um aumento no preço de fertilizante e, quanto mais alto o preço de fertilizante, maior o preço de soja, do trigo. A nossa dependência de fertilizante é bem grande. Então a gente acha que esse efeito tende a ser mais para 2027 do que para 2026”, detalha.

Sobre o ciclo de política monetária, destaca que o mercado apresenta um nível relevante de dissenso sobre a magnitude dos cortes, exemplificando que o mercado se mantinha dividido sobre projeções para o último Copom, com players projetando cortes de 0,25%, 0,5% e até mesmo uma manutenção.

“O BC começou o ciclo de flexibilização de juros com corte de 25bps. O Copom começou de forma cautelosa, e está calibrando o grau de restrição. Vai continuar cortando, mas a magnitude vai depender de como vai evoluir a guerra e o impacto disso nos preços de petróleo e consequentemente nas expectativas de inflação em um horizonte relevante.”

petróleo; bcs; inflação; IPCA
Divulgação/Itaú BBA
 
 
https://istoedinheiro.com.br/itau-petroleo-selic-guerra 

 

A Philip Morris, fabricante de algumas das mais famosas marcas de cigarro do mundo como a Marlboro, vendeu sua participação na Swedish Match do Brasil (que integra a Swedish Match Lights). O comprador foi o fundo de participações Ignis FIP. O valor da operação não foi divulgado.

A empresa vendida fabrica como carros-chefes os fósforos Fiat Lux e os isqueiros Cricket. Atua também com outros dispositivos de uso geral como aparelhos e lâminas de barbear, lâmpadas, pilhas, palitos, plásticos PVC e folha de alumínio.

O fundo comprador, Ignis FIP, fica sob responsabilidade do empresário Marcos Fernando Garms, empresário que também está à frente do grupo familiar Arruda Garms, com atuação nos setores de açúcar e etanol, agronegócio e distribuição automotiva.

A venda precisa ainda da aprovação dos órgãos reguladores. Até lá, a operação da Swedish Match do Brasil segue sob controle da Philip Morris.

Philip Morris foca consumo de tabaco e nicotina ‘sem fumaça’

Em nota, a dona da Marlboro afirma que a decisão de venda está alinhada a sua visão “de um futuro sem cigarros”. A empresa tem investido em expandir o consumo de tabaco e nicotina sem fumaça, através de dispositivos eletrônicos de tabaco aquecido, e-vapor (popularmente chamados de “vape”) e nicotina mastigável.

Segundo o último balanço financeiro divulgado pela empresa, sua receita chegou a US$ 40,6 bilhões no ano passado, um crescimento de 7,3% em relação aos US$ 37,8 bilhões do ano anterior.

Os itens “sem fumaça” apresentaram crescimento mais acelerado e já correspondem a 41,5% da receita total. A empresa busca que 2/3 de seu faturamento venha do segmento até 2030.

 

 https://istoedinheiro.com.br/philip-morris-vende-fiat-lux-cricket-19326

Haddad confirma que deixa Ministério da Fazenda nesta quinta

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que está deixando o cargo nesta quinta-feira, 19, durante discurso na Caravana Federativa, em São Paulo, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais tarde nesta quinta, em entrevista coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Haddad deve anunciar sua pré-candidatura ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de outubro deste ano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa nesta quinta-feira o comando da pasta após mais de três anos de uma gestão que promoveu mudanças em regras fiscais, combateu benefícios tributários e aumentou impostos com uma defesa de maior taxação aos mais ricos e alívio aos mais pobres, deixando agora o posto para seu atual secretário-executivo.

Haddad deixa o cargo para concorrer nas eleições ao governo de São Paulo após afirmar repetidas vezes que não tinha vontade de se candidatar a um cargo público e enfatizar que desejava colaborar com a campanha pela reeleição de Lula. Essa será sua segunda candidatura ao governo do Estado, após ter sido derrotado em 2022 por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.

Haddad também perdeu a eleição à Presidência, em 2018, e não conseguiu se reeleger à prefeitura de São Paulo, em 2016, após ter sido eleito para o cargo quatro anos antes, na primeira vez que disputou um cargo eletivo.

À frente da equipe econômica do governo do presidente petista, Haddad iniciou a articulação de medidas ainda durante a transição de governo, no fim de 2022, quando conseguiu aprovar uma emenda constitucional que liberou gastos sociais e investimentos por fora das normas fiscais.

Já na cadeira de ministro, em 2023, ele propôs a substituição da regra do teto de gastos públicos, que vigorava desde o governo do presidente Michel Temer, por um novo arcabouço baseado em metas fiscais e que permite um crescimento real dos gastos, desde que em ritmo menor que o das receitas.

Tributos

Diante da alta dependência de medidas arrecadatórias para que o regramento se sustentasse, característica criticada por agentes de mercado, o ministro colocou o combate a benefícios tributários como prioridade de sua gestão, propondo também uma série de elevações de impostos.

Nos mais de três anos de atuação, ele conseguiu aprovar cortes da desoneração da folha salarial de setores da economia e de benefícios ao setor de eventos criados durante a pandemia e, mais recentemente, uma redução linear de incentivos tributários não constitucionais.

Sob seu comando, ainda foram criadas ou elevadas taxações sobre combustíveis, apostas esportivas, compras internacionais, fundos exclusivos e offshore, veículos elétricos, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP), entre outros.

Em uma agenda mais modesta de corte de gastos, foram revisados critérios de benefícios sociais e do abono salarial. Também foi criada uma trava para o crescimento real do salário-mínimo, que havia sido turbinado anteriormente pelo próprio governo de Lula.

Haddad também esteve à frente das negociações da reforma tributária sobre o consumo, aprovada após décadas de discussão, e da reforma do Imposto de Renda, que isentou quem ganha até R$5 mil mensais — uma promessa de campanha de Lula — e estabeleceu uma taxação mínima de até 10% sobre pessoas com renda mais elevada.

Na gestão do ministro, a dívida pública do país cresceu — de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% do PIB em janeiro deste ano — e, segundo projeções do Tesouro Nacional, continuará em trajetória de alta nos próximos anos. Haddad, no entanto, mantém a defesa do arcabouço para as contas públicas e atribui o movimento principalmente ao nível de juros no país, que eleva o custo de rolagem da dívida, e também à herança fiscal que recebeu do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.