sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Haddad e Tebet destacam benefícios para Brasil com acordo UE-Mercosul

 

Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (9) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul. 

Brasília – 14/10/2025 – Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Nas redes sociais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de “pluralidade e oportunidade”.

“Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, disse Haddad.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou que o acordo irá proporcionar a chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país

Brasília (DF), 19/08/2025 -Ministra Simone Tebet. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

“Um marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra, em nota oficial. 

Acordo Mercosul-UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a aprovação, por ampla maioria dos países que integram a União Europeia (UE), do acordo de livre comércio com o Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.

Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Repercussões 

Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser “uma vitória do diálogo”.

“Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou o presidente.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é “uma sinalização em favor do comércio internacional”. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

Líderes europeus comemoram aprovação do acordo.

Segundo a agência de notícias Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE indicaram as posições de seus governos na manhã desta sexta-feira, mas cada país deve confirmar seu voto por escrito até as 17h (13h, em Brasília) de hoje.

Ainda de acordo com a Reuters, ao menos 15 países, que juntos representam pelo menos 65% da população total do bloco europeu, votaram a favor da assinatura, conforme exigido.

Se o resultado for confirmado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acerto com os os países-membros do Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigo

Fazenda comemora IPCA de 4,26% e projeta menor inflação do Plano Real

 Reforma Tributária: Portaria do Ministério da Fazenda ...

O Ministério da Fazenda comemorou nesta sexta-feira (9) o resultado da inflação oficial de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano em 4,26%, dentro do sistema de metas e com a quinta menor taxa registrada desde 1995, início do Plano Real.

A avaliação é do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, que ocupa interinamente o cargo de ministro da Fazenda durante as férias de Fernando Haddad. Segundo ele, o resultado consolida um cenário de maior estabilidade econômica e reforça a meta do governo de entregar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial desde a criação do real.

“Os 4,26% são o menor IPCA desde 2018. Mas, em 2018, o desemprego estava em 11,6%. Agora está em 5,2%. Estamos entregando inflação e desemprego baixos”, afirmou Durigan, em publicação nas redes sociais.

O ministro interino destacou ainda que o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro ao longo de boa parte do ano. No primeiro semestre de 2025, o boletim Focus chegou a apontar projeções de inflação próximas de 5,6%.

 Dario Durigan ressaltou que o resultado do IPCA ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Foto: José Cruz/Arquivo Agência Brasil

Outro ponto ressaltado por Durigan foi o comportamento mais moderado dos preços dos alimentos, que tiveram alta de 1,43% no ano, contribuindo para a desaceleração do índice geral. No grupo alimentação e bebidas, a inflação ficou em 2,95%, bem abaixo dos 7,69% registrados em 2024.

“Com a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do trabalho e quedas da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não tenham dúvidas: em 2026 não será diferente!”, declarou.

Em 2025, a inflação oficial ficou abaixo do teto da meta, de 4,5%, em um contexto de política monetária contracionista, com a taxa básica de juros em 15% ao ano, no maior nível desde 2006. Em nota, o secretário de Políticas Econômicas da Fazenda, Guilherme Mello, ressaltou que a coordenação entre a política fiscal e monetária ajudou a reduzir as pressões inflacionárias.

Planejamento

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também comemorou o resultado. Em publicação nas redes sociais, ela destacou o impacto positivo da desaceleração dos preços sobre o custo de vida da população.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também comemorou o resultado do IPCA. Foto: Lula Marques/Arquivo Agência Brasil

 “Fechamos bem o ano: IPCA de 2025 ficou em 4,26%, dentro do intervalo da meta para inflação, e 0,57 ponto percentual abaixo dos 4,83% registrados em 2024. Os preços dos alimentos subiram menos: 2,95% em 2025 contra 7,69% em 2024”, escreveu Tebet.

A ministra acrescentou que a combinação de inflação mais baixa, mercado de trabalho aquecido e aumento da renda melhora diretamente a vida dos brasileiros. Tebet ressaltou a contribuição dos alimentos para a redução do índice de preços.

“Tão importante quanto fechar dentro da meta é a inflação baixa para o item que mais importa: alimentos. Menos da metade de 2024. Mais comida na mesa dos brasileiros, que tiveram aumento real do salário mínimo”, acrescentou.

Acordo Mercosul-UE deve favorecer agro que opera com sustentabilidade, dizem especialistas

 

O acordo comercial com o Mercosul confirmado pela maioria dos países europeus nesta sexta-feira tem potencial de beneficiar o agronegócio brasileiro, com a eliminação ou redução de tarifas, mas deverá favorecer mais aquelas empresas e setores que já operam com elevados padrões de sustentabilidade, avaliaram especialistas.

“O ponto central: na prática, o acordo não beneficia ‘o agro brasileiro’ como um bloco único. Ele favorece quem já opera em padrão internacional e consegue atender às exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade”, disse o consultor de Estratégia e M&A da StoneX, José Luiz Mendes, nesta sexta-feira.

 

Ele ressaltou que a questão da sustentabilidade seguirá norteando os processos.

“É bom para o Brasil e amplia o acesso a um dos mercados mais relevantes do mundo. Mas ele também deixa claro que competitividade no agro, daqui para frente, não será apenas produzir mais ou mais barato, e sim produzir com eficiência, governança e estratégia”, acrescentou ele, em nota.

A União Europeia é conhecida pelas suas exigências ambientais, mas tem adiado a implementação de uma lei antidesmatamento, que proibiria a importação de mercadorias como carne bovina, cacau, café, óleo de palma e soja produzidas em áreas desmatadas após 2020.

O adiamento da vigência da lei de 2025 para o final de 2026 frustrou muitas empresas brasileiras que se prepararam e investiram para capturar prêmios pelo cumprimento da legislação, segundo análise anterior do Rabobank.

O Brasil é o maior exportador global de soja, açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e de frango, sendo player de destaque na produção de diversas outras mercadorias agrícolas.

De acordo com Mendes, da StoneX, estudos variados indicam que o acordo Mercosul-UE pode gerar, no longo prazo, um aumento próximo de 2% na produção do agronegócio brasileiro, com ganhos concentrados em cadeias como pecuária, aves, suínos, óleos e gorduras vegetais.

“É um efeito relevante, mas que acontece de forma gradual, ao longo de vários anos, e depende muito da capacidade de execução das empresas”, declarou.

Gustavo Menon, especialista em Relações Internacionais e Direito Internacional da American Global Tech University (AGTU), concorda, mas alertou em nota que o acordo também incorpora temas considerados estratégicos, como compromissos ambientais, compras públicas e regras preferenciais para setores específicos.

Segundo ele, essa formatação refletirá em uma tendência de alinhar comércio internacional e sustentabilidade.

“Ao mesmo tempo, esse enfoque impõe desafios adicionais aos países do Mercosul, que precisarão conciliar competitividade, sustentabilidade e adaptação regulatória.”

Beneficiados

O potencial para ampliar negócios, entretanto, é considerável, já que grande parte das exportações agrícolas do Mercosul para a União Europeia terão algum nível de liberalização, sendo uma parcela relevante com tarifa zero, conforme avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) citada pela StoneX.

A consultoria também aponta entre os mais beneficiados os setores de café solúvel, suco de laranja, frutas frescas e pescados e crustáceos. “Esses produtos tendem a se beneficiar de forma mais direta, porque a retirada de tarifas vira ganho de margem, aumento de competitividade e maior previsibilidade de acesso ao mercado europeu, onde o Brasil já é fornecedor relevante”, disse Mendes.

Ele também destacou as indústrias de carne bovina, aves e suínos, açúcar e etanol entre aquelas que podem também ter benefício, mas observou que o acordo prevê cotas para cortes bovinos e etanol, por exemplo, e não a isenção de tarifas ilimitada para tais produtos.

“Aqui, o ganho existe, mas é limitado por cotas. Quem deve capturar esse benefício são empresas maiores, organizadas, com rastreabilidade, controle ambiental e capacidade de atender às exigências do mercado europeu.”

Atualmente, as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentam barreiras tarifárias, observou nesta semana a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a mesma situação registrada para o café verde.

Contudo, disse a Anec, “o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados”.

A Anec também destacou que as importações do bloco europeu também deverão seguir orientadas pelas questões da lei antidesmatamento, quando ela começar a vigorar, além de fatores como preços, sazonalidade de oferta e logística.

Preço do café recua pelo 6º mês seguido, mas acumula alta de 90% em 2 anos

 

O preço do café ao consumidor brasileiro encerrou 2025 com alta de 35,65%, de acordo com o indicador de inflação IPCA, após problemas de oferta no Brasil e no exterior iniciados em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira, 9.

Apesar da forte valorização, o produto ficou menos caro na segunda parte de 2025 no país que é segundo consumidor global atrás dos Estados Unidos, com a chegada da safra brasileira e mesmo com fatores como o tarifaço de Donald Trump, que interferiu no fluxo comercial.

No biênio 2024/2025, contudo, o café ao consumidor acumulou avanço de 89,37%, após ter registrado alta de 39,60% em 2024.

“O café diminuiu a pressão sobre os preços ao consumidor, mas tem um longo caminho pela frente diante da forte alta entre 2024 e o começo de 2025”, disse a jornalistas Fernando Gonçalves, gerente do IBGE.

No primeiro semestre de 2025, a variação do café chegou a superar 80% em 12 meses, mas os preços perderam força a partir de julho, com a entrada da safra brasileira e menores preocupações relacionadas à oferta de países como o Vietnã, cujas exportações saltaram no ano passado.

Segundo Gonçalves, o alívio ocorreu com maior oferta global, condições climáticas mais favoráveis e também por influência do câmbio no Brasil. “A oferta maior já começou a aparecer para o consumidor final”, afirmou.

A inflação oficial do país fechou 2025 com alta de 4,26%, dentro do teto da meta de 4,50%. O café contribuiu com 0,18 ponto percentual para a taxa final, ante 0,15 ponto em 2024.

Café tem 6ª queda mensal

Em dezembro, o café registrou a sexta queda seguida no IPCA, com recuo de 0,26%, acumulando baixa de 5,08% no período de seis meses.

Por outro lado, os alimentos subiram menos de 3% em 2025, oitava menor variação desde o início do Plano Real, ajudando a conter a inflação.

“A safra de grãos ajudou muito a colocar a inflação na meta e pesar menos no bolso dos consumidores. O dólar menor também influenciou, assim como a cotação das commodities. Mas a oferta muito grande de produtos foi o que mais ajudou”, completou Gonçalves.

Shell obtém licença para operar como Empresa Brasileira de Navegação

 

A Shell informou nesta sexta-feira, 09, que obteve a licença para operar como Empresa Brasileira de Navegação (EBN), o que a torna a primeira empresa internacional de óleo e gás a receber a autorização.

A companhia já iniciou a operação do navio tanque aliviador DP Ametista Brasil, embarcação operada por uma tripulação 100% brasileira, formada por 48 profissionais.

Segundo o comunicado, o navio será utilizado no transporte de óleo por cabotagem ao longo da costa brasileira, com foco em operações ligadas aos ativos do pré-sal na Bacia de Santos, ampliando a eficiência logística e operacional das atividades da Shell no país.

“A nova operação gera ganhos de eficiência e otimizações financeiras para o grupo, alinhados às boas práticas de gestão e governança, enquanto fomentamos a geração de emprego e renda para profissionais brasileiros”, destaca o gerente Comercial da Shell Brasil, Vinicius Mazzei, por meio de nota.

A Shell acrescenta que a autorização também contribui para a redução de deslocamentos logísticos recorrentes, o que resulta em menor consumo de combustível e, consequentemente, na redução das emissões associadas às operações.

O navio foi originalmente construído na Coreia do Sul para a Knutsen NYK Offshore Tankers (KNOT) e integrou a frota afretada (alugada) da Shell por cerca de oito anos.

O que muda com o acordo comercial UE-Mercosul e por que ele é controverso?

 

Os países da União Europeia deram aprovação provisória nesta sexta-feira, 9, a um acordo de livre comércio com o Mercosul. Este é o maior acordo comercial já firmado pela UE. Para ser formalmente concluído e assinado, o acordo precisa ainda ter o consentimento do Parlamento Europeu.

O Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% das exportações da UE, incluindo automóveis, dos atuais 35%, ao longo de um período de 15 anos. A UE eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até dez anos.

O Mercosul também eliminará as tarifas sobre produtos agrícolas da UE, como os 27% sobre vinhos e os 35% sobre destilados.

Para produtos agrícolas mais sensíveis, a UE oferecerá quotas maiores, incluindo mais 99 mil toneladas métricas de carne bovina, enquanto o Mercosul concederá à UE uma quota isenta de impostos de 30 mil toneladas para queijos.

Existem também quotas da UE para aves, carne de porco, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e milho doce, e para o Mercosul, para leite em pó e fórmulas infantis.

As importações adicionais representam 1,6% do consumo de carne bovina na UE e 1,4% do consumo de aves. Os defensores do acordo apontam para as importações existentes como prova de que o Mercosul cumpre os padrões da UE.

O acordo reconhece cerca de 350 indicações geográficas para impedir a imitação de certos produtos alimentares tradicionais da UE, de modo que, por exemplo, o termo “Parmigiano Reggiano” seria reservado para queijos específicos da Itália.

A cerimônia de assinatura deverá ocorrer em data e local ainda a serem acordados em conjunto entre as partes.

“A aprovação pelas instâncias comunitárias europeias permitirá que o Acordo de Parceria seja assinado após mais de 26 anos do início das negociações. O Acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões de dólares. Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em nota.

O que dizem os defensores do acordo UE-Mercosul

A Comissão Europeia e seus apoiadores, como a Alemanha e a Espanha, afirmam que o acordo oferece uma alternativa à dependência da China, especialmente no que diz respeito a minerais críticos como o lítio, metal essencial para baterias. Ele garantirá a isenção de impostos sobre a exportação da maioria desses materiais.

Os defensores também afirmam que a medida oferece alívio do impacto das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

A Comissão Europeia afirma que o acordo de livre comércio é o maior que já firmou em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões) em impostos sobre as exportações da UE anualmente. Além disso, é uma parte necessária do esforço da UE para diversificar suas relações comerciais.

O texto acrescenta que, dado o conjunto modesto de acordos comerciais do Mercosul, a UE teria uma vantagem inicial. Ele observa ainda que as empresas da UE poderão concorrer a contratos públicos no Mercosul nos mesmos termos que os fornecedores locais — algo que o Mercosul não ofereceu anteriormente em acordos comerciais.

Existem também potenciais medidas de salvaguarda para lidar com possíveis perturbações de mercado.

O que dizem os críticos

Os agricultores europeus protestam, alegando que um acordo levaria à importação barata de produtos sul-americanos, principalmente carne bovina, que não atendem aos padrões ambientais e de segurança alimentar da UE. A Comissão Europeia afirma que os padrões da UE não serão flexibilizados.

O acordo inclui compromissos ambientais, incluindo a prevenção de novos desmatamentos após 2030. No entanto, grupos ambientalistas afirmam que ele carece de medidas que possam ser aplicadas.

A organização Amigos da Terra classificou o acordo como “devastador para o clima” e afirma que ele levará ao aumento do desmatamento, já que os países do Mercosul venderão mais produtos agrícolas e matérias-primas, muitas vezes provenientes de áreas florestais, incluindo a Amazônia.

A França, maior produtora de carne bovina da UE, havia afirmado que assinaria o acordo de livre comércio somente se este “salvaguardasse os interesses” da agricultura francesa e da UE. Agora, o país rejeita o acordo.

Itália, Hungria e Polônia também manifestaram oposição. Juntos, os quatro países poderiam ter bloqueado o acordo, mas a posição da Itália acabou mudando.

Como a União Europeia tentou conquistar os céticos?

Quando a Comissão apresentou o acordo para aprovação em setembro, estabeleceu um mecanismo pelo qual o acesso preferencial do Mercosul para produtos agrícolas sensíveis, como a carne bovina, poderia ser suspenso.

O gatilho para a Comissão avaliar a necessidade de tais salvaguardas seria o aumento do volume de importações ou a queda dos preços em um determinado percentual em um ou mais países da UE. A UE havia concordado anteriormente com um limite de 8%, mas os embaixadores concordaram em reduzi-lo para 5% após um pedido da Itália.

O executivo da UE afirmou que estudará a possibilidade de harmonização das normas de produção entre produtos nacionais e importados, principalmente no que diz respeito a pesticidas e bem-estar animal. O objetivo é reforçar os controles de importação de alimentos, produtos de origem animal e vegetal que entram na UE, aumentando o número de auditorias e verificações em países terceiros.

O próximo orçamento da UE oferecerá um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros para os agricultores da UE, que poderá cobrir o “evento improvável” de o acordo prejudicar os mercados agrícolas da UE. Serão também antecipados cerca de 45 bilhões de euros em apoio aos agricultores.

Por fim, a Comissão anunciou que irá reduzir as taxas de importação de certos fertilizantes, cujos custos aumentaram em até 60%.

Países da UE concordam em aprovar acordo com o Mercosul, dizem fontes

 

Uma maioria qualificada de países da UE aprovou nesta sexta-feira, 9, o acordo de livre-comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos e criticado pelo setor agropecuário europeu e pela França, indicaram à AFP fontes diplomáticas.

Com esse sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar a Assunção para assinar na segunda-feira o acordo comercial que vinculará o bloco a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

O acordo de livre comércio seria o maior da União Europeia em termos de redução tarifária, eliminando 4 bilhões de euros em impostos sobre suas exportações. Os países do Mercosul têm tarifas altas, como 35% sobre peças automotivas, 28% sobre laticínios e 27% sobre vinhos.

Disputas dentro da União Europeia

A Comissão Europeia, que concluiu as negociações há um ano, e países como a Alemanha e a Espanha argumentam que o acordo é uma parte vital do esforço da UE para abrir novos mercados, a fim de compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos EUA e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais essenciais.

Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da União Europeia, afirmam que o acordo aumentará as importações de produtos alimentares baratos, incluindo carne bovina, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais. Os agricultores iniciaram protestos em toda a UE, bloqueando estradas francesas na quinta-feira.

Um trator com o slogan “Organismos geneticamente modificados e hormônios: você não os quer, mas os come. Mercosul” durante um protesto de agricultores contra o acordo comercial UE-Mercosul, em 19 de dezembro de 2025, em Alençon, norte da França – AFP/Arquivos

Embaixadores dos 27 estados-membros do bloco europeu devem indicar as posições de seus governos na sexta-feira, sendo que 15 países, que representam 65% da população total do bloco, são necessários para a aprovação. As capitais da UE confirmariam por escrito a decisão ainda na sexta-feira ou na segunda-feira.

Isso abrirá caminho para que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo antes que ele possa entrar em vigor.

França é maior opositora de acordo com o Mercosul

A UE e o Mercosul esperam expandir o comércio de mercadorias divididas igualmente no valor de 111 bilhões de euros em 2024. As exportações da UE são dominadas por maquinário, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto as do Mercosul se concentram em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.

Para convencer os céticos em relação ao acordo, a Comissão Europeia implementou instrumentos de salvaguardas que permitem suspender as importações de produtos agrícolas sensíveis. Reforçou os controles de importação, principalmente no que diz respeito aos resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou o apoio aos agricultores e comprometeu-se a reduzir os direitos de importação sobre os fertilizantes.

As concessões não foram suficientes para conquistar a Polônia ou a França, mas a Itália parece ter mudado de um “não” em dezembro para um “sim” na sexta-feira.

Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo enquanto agricultores franceses protestam em Paris, França, em 8 de janeiro de 2026.
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo enquanto agricultores franceses protestam em Paris, França, em 8 de janeiro de 2026. (Crédito:REUTERS/Sarah Meyssonnier)

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, disse que a batalha ainda não terminou e prometeu lutar pela rejeição na assembleia da UE, onde a votação poderá ser apertada. Grupos ambientalistas europeus também se opõem ao acordo.

O social-democrata alemão Bernd Lange, presidente do comitê de comércio do Parlamento, expressou confiança de que o acordo seria aprovado, com uma votação final provavelmente em abril ou maio.