terça-feira, 10 de março de 2026

Eve se une às australianas Alt Air e Skyports para criar infraestrutura para eVTOL na Austrália

 

A Eve Air Mobility, empresa da Embraer que desenvolve soluções de decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOL), firmou um acordo com a australiana Alt Air, uma nova empresa de Mobilidade Aérea Avançada, e com a Skyports Infrastructure (Skyports) para o desenvolvimento de infraestrutura para as operações do eVTOL em Nova Gales do Sul e Queensland, Austrália.

Segundo o diretor executivo da Eve Air Mobility, Johann Bordais, a parceria vai criar um bases para um ecossistema de eVTOL de classe mundial na Austrália. “Nova Gales do Sul e Queensland representam uma oportunidade incrível para oferecer soluções de mobilidade aérea urbana sustentáveis, silenciosas e eficientes que beneficiarão moradores, empresas e visitantes internacionais, especialmente considerando a proximidade da inauguração do Aeroporto Internacional de Western Sydney e o cenário global dos Jogos de Brisbane 2032”, disse o executivo em comunicado.

De acordo com a Eve, além dessas parcerias, a Alt Air aproveitará os aeroportos existentes e outros ativos de infraestrutura aeroportuária exclusivos em Sydney, incluindo bases operacionais no Porto de Sydney e em Palm Beach. Com a Skyports, a Alt Air explorará novas localizações de vertiportos para expandir a rede de futuros serviços comerciais de eVTOL em Queensland. Este consórcio reúne os principais componentes necessários para estabelecer um ecossistema de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) seguro, eficiente e sustentável.

Em conjunto, a Eve, a Alt Air e a Skyports desenvolverão um plano operacional integrado que abrange elementos críticos do mercado emergente de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) na Austrália. Isso inclui infraestrutura de vertiportos, planejamento de rotas, integração do espaço aéreo, operações em solo e experiência do cliente. Segundo a Eve, a colaboração desempenhará um papel significativo no apoio aos futuros serviços comerciais de eVTOL em ambas as regiões, incluindo um roteiro que estabeleça operações de grande visibilidade a tempo para os Jogos Olímpicos de Brisbane em 2032.

“Nosso trabalho com a Eve Air Mobility e a Skyports reforça nosso compromisso compartilhado em construir inovações significativas na aviação australiana. Juntos, estamos projetando uma rede de eVTOL que melhorará significativamente a conectividade e estabelecerá um padrão para a mobilidade aérea avançada em todo o mundo”, disse Aaron Shaw, diretor administrativo da Alt Air.

A Eve, a Alt Air e a Skyports irão avaliar rotas prioritárias que liguem os principais centros populacionais, distritos comerciais e polos turísticos em Sydney, no sudeste de Queensland e regiões adjacentes. Os primeiros conceitos incluem corredores de alta demanda, como o Aeroporto Internacional de Western Sydney até o centro de Sydney.

“Consideramos a Austrália um mercado-chave para o futuro da Mobilidade Aérea Australiana (AAM) e temos desfrutado de um forte envolvimento e entusiasmo por parte das partes interessadas em todo o país. O sudeste de Queensland é um dos mercados mais atrativos para o lançamento da AAM na Austrália, e os Jogos Olímpicos de Brisbane 2032 serão um forte catalisador para viabilizar uma rede segura, eficiente e com legado, que se estenderá muito além dos Jogos”, disse Yun-Yuan Tay, chefe da Skyports Infrastructure para a região Ásia-Pacífico.

GPA entra em recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas

 

O GPA, dono das redes Extra e Pão de Açúcar, anunciou um acordo de recuperação extrajudicial para renegociar um montante de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida anunciada através de um fato relevante publicado nesta terça-feira, 10, inaugura um prazo de 90 dias para formalizar um acordo definitivo com os credores.

A empresa afirma que o processo não envolve fornecedores, clientes ou funcionários. As operações de todas as lojas abertas atualmente seguirá normalmente. De forma geral, o débito contraído foi com credores financeiros não operacionais, como instituições financeiras.

A aprovação do plano contou com 46% do total de créditos sujeitos ao plano, equivalente a R$ 2,1 bilhões. Trata-se de um percentual superior a quórum mínimo legal de 1/3 estabelecido para acordos do tipo.

“A Companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo”, afirma a empresa no fato relevante.

Crise no GPA

No seu mais recente balanço financeiro, o GPA já incluiu um alerta sobre “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”. Na teleconferência sobre os resultados, o presidente-executivo afirmou que uma mudança estrutural e cultural era necessária, e destacou que tratava com prioridade a questão do endividamento da companhia.

No quarto trimestre do ano passado, o GPA registrou um prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões. O valor representou uma redução de 48,2% em relação ao prejuízo de R$ 1,1 bilhão apurado em igual período de 2024.

“Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período”, informou no balanço.

Prejuízos recorrentes nos últimos anos provocaram uma série de mudanças no comando da empresa, com o Grupo Coelho Diniz assumindo em agosto do ano passado como principal acionista (24,6%). Outrora controlador, o francês Casino ainda detém uma fatia de 22,5%.

Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Na sequência, o presidente-executivo, Marcelo Pimentel, que estava no cargo desde 2022, renunciou. No começo de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como diretor-presidente da companhia.

 

Saudi Aramco anuncia recompra de ações de US$ 3 bi e eleva dividendo, mesmo com lucro menor

 Aramco Logo on a Green and Blue Background Editorial ...

 

A companhia nacional de petróleo da Arábia Saudita anunciou que recomprará até US$ 3 bilhões em ações e elevou o dividendo base do quarto trimestre, mesmo com a queda nos preços do petróleo.

A Saudi Arabian Oil Co., conhecida como Aramco divulgou nesta terça-feira (10) que o lucro líquido do quarto trimestre recuou para US$ 17,77 bilhões, ante US$ 22,34 bilhões no mesmo período do ano anterior. A retração ocorreu porque o preço médio do barril de petróleo bruto caiu para US$ 64,1, de US$ 73,1.

Apesar da redução no lucro, a Aramco aumentou em 3,5% o dividendo trimestral, que somará US$ 21,89 bilhões. A empresa também anunciou um dividendo atrelado ao desempenho de cerca de US$ 220 milhões.

A Aramco acrescentou que pretende recomprar até US$ 3 bilhões em ações nos próximos 18 meses.


Embraer afirma já ter gasto US$ 80 milhões em tarifas de exportação aos EUA

 

A Embraer já pagou US$ 80 milhões em tarifas de exportação aos EUA. Segundo o diretor financeiro da companhia, Antonio Carlos Garcia, as cobranças tiveram início em abril de 2025 e foram interrompidas no mês passado.

Do montante total, cerca de 85% estão relacionados ao segmento de aviação executiva. A parcela restante foi referente à área de serviços e suportes da Embraer.

Na área de aviação executiva, as tarifas de importação totalizaram US$ 27 milhões durante o quarto trimestre de 2025, e, no acumulado do ano, chegaram a US$ 54 milhões, informou a empresa em seu balanço.

Apesar da interrupção das cobranças no fim de fevereiro, Garcia ressaltou que a situação tarifária ainda gera incertezas. “Voltamos a zero, mas o que vai acontecer daqui para frente está muito nebuloso”, disse ele, em teleconferência na sexta-feira, 6.

Reembolso

Sobre a possibilidade de reaver as tarifas já pagas, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que a companhia ainda estuda o próximo passo. “Estamos acompanhando a situação para entender o que os nossos pares vão fazer e que resultado eles vão conseguir disso para, então, definirmos o nosso movimento.”

O executivo confirmou ainda que todos os motores e peças de aeronaves estão isentos da tarifa de 10% imposta pelos EUA. “Vemos com bons olhos a igualdade de condições em nosso setor, já que a Embraer era a única fabricante a pagar tarifas sobre exportações de aeronaves”, disse.

 

https://istoedinheiro.com.br/embraer-afirma-ja-ter-gasto-us-80-milhoes-em-tarifas-nos-eua-2

Frota de carros elétricos e híbridos no Brasil salta 60% em 2025 e chega a 613 mil unidades

 

Embora o Brasil não tenha benefícios para a compra de carros elétricos e híbridos, o furor da novidade e a ideia de reduzir as visitas aos postos de abastecimento são pontos que têm atraído a clientela para esse tipo de veículo. Sem contar que, em São Paulo, modelos híbridos ou movidos a baterias ficam isentos do rodízio municipal. Desse modo, dá para notar – até pelo trânsito, cada vez mais absurdo – que a chegada desse tipo de carro às ruas passa por crescimento avassalador.


Dolphin Mini raio-x – Foto: BYD/divulgação

Com base em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a empresa NeoCharge, que apresenta soluções de infraestrutura para recarga de veículos elétricos, realizou um levantamento que revela alta de 63,86% da frota de veículos eletrificados (carros elétricos e híbridos de diferentes tipos) em circulação no Brasil. Os dados comparam dezembro de 2024 com dezembro de 2025. Em números, o salto foi de 374.333 unidades para 613.389 no período.

Toyota Yaris Cross Hybrid – Foto: divulgação

Híbridos são maioria

Do total registrado em 2025, aponta a NeoCharge, 154.085 são carros elétricos (EV), 200.244 são híbridos plug-in (PHEV) e, por fim, 259.060 correspondem aos híbridos convencionais (HEV).

Honda CR-V Advanced Hybrid – Foto: Lucca Mendonça

O levantamento também mostra a consolidação das montadoras que lideram no território brasileiro. A BYD – que tem o carro mais vendido do Brasil no varejo – aparece na primeira posição, com 203.651 veículos eletrificados em circulação. Na sequência vêm Toyota, com 130.724 unidades, e GWM, com 72.643 veículos circulando no Brasil.

E a evidente aceleração da eletrificação da mobilidade no País só tende a crescer. Afinal, só nos últimos meses, diversas marcas chegaram por aqui, como Geely, Leapmotor, Jetour, Foton e tantas outras. Aliás, ainda têm mais para chegar no futuro próximo.

Leapmotor C10 REEV – Foto: Lucca Mendonça

Regiões e modelos

A maior cidade do Brasil tem, também, a maior frota de carros elétricos e híbridos. São Paulo lidera o número de exemplares em circulação, com 86.681 unidades, e tem 44,15% do total do Estado – que também é o que mais tem carros elétricos: 196.344.

BYD Yuan Pro – Foto: Lucca Mendonça

Em relação aos modelos, o estudo aponta que o topo do ranking fica com o Toyota Corolla Cross. O SUV que tem versões híbridas, conta com 63.557 unidades em circulação. É seguido, no entanto, pelo irmão Corolla – lançado há seis anos -, com 45.408 emplacamentos. Quem fecha o pódio é o híbrido plug-in BYD Song Plus, com 42.221 unidades. Os elétricos Dolphin Mini (35.212) e Dolphin (29.699) aparecem, na sequência, completando o top five.

Toyota Corolla GLI Hybrid
Toyota Corolla GLI Hybrid – Foto: Toyota/divulgação
 
 
 https://motorshow.com.br/aumento-da-frota-de-carros-eletricos-e-hibridos

Com disparada do petróleo, reajuste de gasolina e diesel no Brasil é inevitável? O que esperar

 

Pouco mais de uma semana após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, as cotações do petróleo do mercado internacional chegaram a ultrapassar a barreira dos US$ 100. A escala foi mais rápida do que alguns analistas previam, mas existe quase um consenso de que os consumidores brasileiros sentirão em breve os efeitos dessa alta.

Os contratos futuros de petróleo passaram a ser negociados em queda na segunda-feira, 9, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que considera que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída, mas se mantinham acima de US$ 90. Desde que os EUA e Israel bombardearam o Irã em 28 de fevereiro, o Brent subiu até 65% e o WTI 78%.

Cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que com o barril do petróleo a US$ 108 e o dólar a R$ 5,39 já haveria espaço para que a Petrobras fizesse um reajuste de R$ 1,22 na gasolina e de R$ 2,74 no diesel.

Estimativas indicam que os preços da gasolina no mercado interno estejam cerca de 40% defasados em relação aos praticados no mercado internacional. No caso do diesel, a defasagem já estaria na casa dos 85%.

“Desde que o petróleo chegou a US$ 80, eu acho que a Petrobras já deveria ter reajustado os preços da gasolina e do diesel. Não faz sentido ficar com uma defasagem, porque você inviabiliza a importação por parte de agentes privados e, ao mesmo tempo, corre o risco de desabastecimento em função de o Brasil ser importador”, disse à IstoÉ Dinheiro Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).

A demora da Petrobras em reajustar os preços dos combustíveis no Brasil tem um motivo claro: o controle da inflação. Um eventual reajuste nessa magnitude nos preços do diesel e da gasolina cairia como uma bomba nos planos de controle inflacionário do governo e na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda mais em se tratando de um ano eleitoral.

“Pelo bom senso, seria inevitável um reajuste, mas em se tratando de Petrobras e do atual governo, acho que bom senso é uma palavra que não está no dicionário”, afirma Pires.

A expectativa é que a defasagem nos preços dos combustíveis não seja resolvida de uma única vez. Para Roberto Padovani, economista do banco BV, um reajuste nos preços dos combustíveis deve acontecer no curto prazo para reduzir a diferença entre os preços praticados no mercado internacional e no mercado doméstico.

Para ele, um repasse mais rápido nos valores do diesel é algo mais claro, até mesmo para evitar um desabastecimento do combustível. Contudo, ele acredita que o atual nível de defasagem da gasolina também já justificaria um reajuste.

“Algum reajuste vem rápido, considerando reduzir essa defasagem. Por mais que a Petrobras se beneficie com a alta do preço do petróleo e tenha caixa, tem também uma mensagem de gestão da companhia, que é aberta”, afirma Padovani.

A Petrobras historicamente evita repassar imediatamente a volatilidade global aos preços locais, segundo reiterou na semana passada a presidente da petroleira, Magda Chambriard. Na ocasião, fontes da companhia também disseram que a Petrobras monitorava de perto os desdobramentos do conflito e previa uma semana de observação no mercado de petróleo antes de uma eventual decisão sobre reajuste.

Em nota, a Petrobras disse que reafirma seu compromisso com a mitigação dos efeitos da volatilidade dos preços em um cenário de guerras e tensões geopolíticas.

“Isso é possível porque passamos a considerar em nossa estratégia comercial as nossas melhores condições de refino e logística, o que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país”, diz a nota da empresa.

Risco de desabastecimento

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que recebeu informações sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. De acordo com a agência, no entanto, a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras.

A Abicom, no entanto, informou que a escalada das tensões no Oriente Médio paralisou o mercado de diesel importado no Brasil. Diante do temor de que a Petrobras não repasse os preços internacionais dos derivados para o mercado interno, os importadores privados suspenderam as compras – uma vez que o preço a ser vendido no Brasil ficaria inviável.

Em nota, a ANP informou que a agência “mantém o monitoramento contínuo do mercado regulado e, até o momento, não identifica restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país”. A nota diz ainda que “com relação às importações, até o momento, não há registro de dificuldades nas operações de nacionalização nem de restrições de acesso às fontes de suprimento”.

Diante da conjuntura, o quadro que se desenha para o Brasil é de um mercado doméstico com dois valores. O primeiro, o mercado privado, onde as refinarias que operam no país já repassaram pelo menos parte da recente alta do petróleo e tendem a seguir os preços internacionais. E o segundo, o mercado da Petrobras, onde o governo pode subsidiar o consumo da gasolina e do diesel.

“Não vejo risco de desabastecimento, porque a Petrobras, no limite, vai ser usada para comprar mais caro lá fora e vender mais barato aqui dentro. Agora, você vai ter uma confusão também no mercado interno, porque uma empresa privada não pode segurar os preços como a Petrobras segura, senão ela quebra”, afirma Pires.

Cotas adicionais

Para tentar minimizar o impacto da defasagem de preços, as distribuidoras estão pedindo à Petrobras volumes adicionais de venda de diesel. O objetivo da medida é fazer estoque a preços baixos para tentar preservar as margens.

Fontes ouvidas pela Reuters, no entanto, disseram que a estatal estaria recusando os pedidos por volumes adicionais e mantendo as cotas previstas em contrato. “Agora (com preços altos) não dá para dar cota adicional para o distribuidor comprar nosso diesel barato, se encher de volume, para depois vender… vão fazer estoque e ganhar dinheiro em cima da Petrobras”, disse a fonte à Reuters.

Procurados, o Ministério de Minas e Energia, não retornou ao pedido de comentários da reportagem. O espaço permanece aberto.

 

 https://istoedinheiro.com.br/petroleo-us-100-reajuste-gasolina-diesel

segunda-feira, 9 de março de 2026

Ódio contra mulheres nas redes é tema do Caminhos da Reportagem

 odio contra mulheres nas redes

Memes, ameaças, dados vazados, deepfakes pornográficos – as estratégias são muitas para transformar mulheres em alvos digitais. O que acontece no ambiente virtual é reflexo da sociedade fora da internet. E vice-versa. Mas com um agravante: o discurso de ódio gera engajamento, vende e rende lucros para misóginos e plataformas digitais.

O episódio A nova roupa do machismo, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta a discussão sobre monetização e estímulo ao discurso de ódio contra mulheres na internet. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (9), às 23h. 

Em 2025, o Brasil bateu recordes em casos de feminicídio, com 4 mulheres mortas por dia, segundo levantamento do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Embora ainda não seja possível fazer uma correlação com o aumento do discurso de ódio na internet, é possível afirmar que a violência de gênero tem aumentado – dentro e fora das telas. 

Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), monitorou 85 comunidades virtuais de redes de ódio. Os pesquisadores verificaram que, de 2019 a 2025, houve um crescimento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino. Para a pesquisadora Julie Ricard, o diagnóstico é que há homens que se sentem atacados pelo poder conquistado pelas mulheres. “Eles estão quase numa missão de se proteger”, analisa. 

A musicista Bruna Volpi é uma das entrevistadas do Caminhos da Reportagem – TV Brasil

A musicista Bruna Volpi foi um desses alvos, por ironizar o comportamento masculino nas redes sociais. Em uma das mensagens que recebeu, um executivo de uma empresa da qual Bruna era cliente, disse que tinha os dados dela e a ameaçou. “Um homem que se ofende porque eu estou falando que nós merecemos viver, esse homem é um potencial perigo para a sociedade”, afirma. 

A Safernet, ONG referência de proteção de direitos digitais no país, percebeu um aumento de 220% no número de denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025.

“As mulheres não aceitam mais o destino que o patriarcado tinha relegado a elas e isso é compreendido pelos homens como um ataque à masculinidade deles”, acredita a escritora Márcia Tiburi. 

Lola Aronovich é vítima há mais de 15 anos, sofrendo ataques por seu blog feminista. Até mesmo um site foi criado para difamá-la e vazar seus dados. Dois homens foram condenados; um reincidiu e tornou-se o primeiro preso no país por terrorismo digital, hoje cumprindo 41 anos de prisão. O caso impulsionou a criação da Lei 13.642/2018 (Lei Lola), que atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

Segundo o delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio, da Polícia Federal, são crimes de “discursos e postagens que normalizam a violência e fomentam práticas extremas, como homicídios e estupro, contra a mulher”. 

Avanços e recuos 

Em janeiro, a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, passou a permitir acusações de “anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual”. “É um retorno ao tal conceito de ‘liberdade de expressão’ inicial quando a empresa foi criada para justificar uma menor moderação de temas que eles consideram de minorias”, analisa Julie Ricard.

“A gente sabe que ódio gera engajamento e que essa é a máquina deles, de manter as pessoas conectadas o máximo possível”, conclui. 

Luciana Zogaib, narradora esportiva da Rádio Nacional e TV Brasil – TV Brasil

No Brasil, não há ainda uma lei que criminalize a misoginia. Mulheres, como a comentarista e analista de games Layze Pinto Brandão, conhecida nas redes como Lahgolas, e a jornalista esportiva e narradora Luciana Zogaib sofrem com o discurso de ódio, principalmente por estarem em áreas predominantemente masculinas.  “Ter uma legislação coibiria um pouco mais, a pessoa passa a pensar duas vezes antes de fazer aquele tipo de coisa, principalmente por conta de valentões que se acham acima da lei”, afirma a gamer. 

Ficha técnica: 

Reportagem: Ana Graziela Aguiar 

Produção: Acácio Barros 

Reportagem cinematográfica: JM Barboza 

Auxílio técnico: Rafael Carvalho 

Apoio produção: Hiago Rocha (TV Ufal) 

Apoio imagens: Jefferson Pastori (SP), Eduardo Domingues (SP), Gilson Machado (RJ), Eusébio Gomes (RJ), Rodolpho Rodrigues (RJ), Eduardo Guimarães (RJ), André Rodrigo Pacheco (DF), Sigmar Gonçalves (DF) e Deco Monteiro (Ufal) 

Apoio auxílio técnico: Caio Araujo (RJ) e Dailton Matos (DF)  

Edição de texto: Carina Dourado 

Montagem e finalização: Rivaldo Martins 

Arte: Aleixo Leite