sábado, 18 de abril de 2026

Lula e Merz se encontram em momento delicado para seus governos

 

Presidente vai a Hannover com agenda econômica e de reforço de laços políticos, mas encontrará um governo alemão que sofre com impopularidade. Já líder brasileiro tem se deparado com reeleição cada vez mais desafiadora.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na Alemanha neste fim de semana para cumprir uma agenda que combina encontros políticos e reuniões empresariais para reforçar a relação bilateral entre Brasília e Berlim.

Na agenda está a participação de Lula na Feira Industrial de Hannover, que neste ano terá o Brasil como país homenageado, e a terceira rodada das chamadas consultas intergovernamentais de alto nível Alemanha-Brasil, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros internacionais e que prevê reuniões regulares entre os países.

Como parte da agenda, Lula terá reuniões com o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Esse será o terceiro encontro entre Lula e Merz, mas o primeiro que não ocorre à margem de uma cúpula internacional. Os dois já se encontraram no ano passado na COP30, em Belém, e na reunião do G20, na África do Sul.

Embora os dois governos tenham propagandeado o encontro como uma reafirmação dos laços econômicos e políticos, a cúpula ocorre em meio a crescentes desafios internos para Lula e Merz em seus respectivos países.

O cenário não é inédito e já tem virado uma espécie de “tradição” do mecanismo de consultas intergovernamentais, que pela terceira vez têm ocorrido em uma conjuntura de dificuldades para pelo menos um dos governos participantes.

Em 2015, a primeira edição das consultas intergovernamentais ocorreu em um cenário de crescente crise econômica e política no Brasil, que poucos meses depois acabaria por sepultar o governo Dilma. Já o segundo encontro, em 2023, ocorreu em um momento de reaproximação entre o Brasil e Alemanha após a era Bolsonaro, mas também em meio à erosão do governo do então chanceler federal Olaf Sholz, cuja coalizão desmoronaria menos de um ano depois.

Merz: economia e popularidade em baixa

Sem ainda completar um ano à frente do governo alemão, o chanceler federal Friedrich Merz, da conservadora União Democrata Cristã (CDU), nunca foi tão impopular.

Uma pesquisa divulgada na primeira quinzena de abril apontou que 70% dos eleitores alemães estão insatisfeitos com a atuação pessoal do chefe de governo. Só 21% se mostram satisfeitos. Já os números da coalizão de governo, que conta com o bloco conservador CDU/CSU de Merz e o Partido Social-Democrata (SPD), são ainda piores, com 73% dos eleitores se mostrando insatisfeitos.

Sob Merz, a Alemanha continua a patinar economicamente. Após dois anos de recessão, relacionados principalmente à invasão da Ucrânia pela Rússia e o consequente aumento dos preços da energia, a maior economia europeia teve um crescimento pífio de 0,2% em 2025. E as previsões inicialmente mais otimistas para 2026 vêm sendo agora reduzidas por causa dos efeitos da guerra no Irã, com a projeção de crescimento de 1,3% caindo para 0,6%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em março, o país também registrou mais de 3 milhões de desempregados, com a taxa chegando a 6,4% e com a série mostrando poucos sinais de mudança. Nos últimos meses, o noticiário do país também passou a ficar repleto de anúncios de planos de demissão em massa em grandes empresas, incluindo gigantes como a montadora Volkswagen.

A insatisfação dos alemães com o governo Merz também se refletido no fato de que 66% dos eleitores se sentem sobrecarregados por impostos e contribuições para a previdência social. A mesma pesquisa mostrou que 70% dos alemães não acreditam que o governo será capaz de implementar medidas para melhorar a situação econômica.

Merz ascendeu ao governo alemão em maio do ano passado prometendo uma série de reformas estruturais, que incluíram estímulos bilionários para os setores de infraestrutura e de defesa, numa tentativa de reposicionar a Alemanha econômica e politicamente. Mas até agora os efeitos têm sido modestos, enquanto projetos envolvendo saúde e previdência ainda nem saíram do papel.

Dentro da coalizão de governo, também há sinais de disputas internas, com cada pacote de reformas sendo encarado mais como um teste de estresse para a coalizão entre o bloco CDU/CSU e o SPD do que demonstrações de unidade.

Em fevereiro, numa rara autocrítica, Merz admitiu algumas das dificuldades. “Talvez não tenhamos deixado claro com rapidez suficiente, após a mudança de governo, que não seríamos capazes de realizar esse enorme esforço de reforma da noite para o dia”.

A má avaliação do governo tem se refletido em pesquisas eleitorais. No momento, o bloco CDU/CSU, que ficou em primeiro lugar na última eleição federal, tem perdido e apoio e aparecido regularmente tecnicamente empatado na preferência do eleitorado com o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que também tem crescido em eleições estaduais.

Já o parceiro SPD tem visto sua preferência continuar a diminuir, ficando abaixo até mesmo do histórico mau resultado da eleição de 2025. Embora as próximas eleições só estejam previstas para 2029, no atual cenário, a soma de preferências do bloco CDU/CSU e SPD indica que os partidos não seriam capazes de assegurar uma maioria no Parlamento alemão.

O cenário externo também tem se revelado desafiador para Merz, com a continuidade da guerra da Ucrânia, a nova turbulência do conflito no Irã e a dificuldade de lidar com o governo do americano Donald Trump, que tem ameaçado retirar os EUA da Otan, o principal pilar da segurança alemã.

Lula: busca pela reeleição tem se mostrado mais desafiadora

Embora a situação de Lula seja menos turbulenta que a de Merz, o presidente brasileiro também se vê em um momento de crescentes desafios.

Candidato declarado a reeleição em outubro, Lula, que deve disputar sua sétima eleição presidencial, tem visto nos últimos meses o que parecia ser um cenário bastante favorável a uma nova vitória ser pouco a pouco ameaçado pela pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisas tem mostrado que a pré-candidatura de Flávio, que inicialmente foi encarada no fim do ano passado como um artifício para servir de moeda de troca política, tem se mostrado cada vez mais viável, pressionando as chances de Lula.

Nesta semana, uma pesquisa Genial/Quaest apontou que Lula ainda tem vantagem num primeiro turno, mas que Flávio já aparece tecnicamente empatado com o presidente numa eventual segunda rodada.

A menos de seis meses do primeiro turno, uma pesquisa Datafolha também indicou na semana passada que a avaliação negativa do governo Lula permanece em 40%, enquanto a positiva caiu de 32% para 29% frente a um levantamento de março, enquanto 29% classificam a gestão como regular.

Mesmo com o desemprego atingindo mínimas históricas e inflação dentro da meta, especialistas em opinião pública apontam que persiste entre parte do eleitorado a percepção de dificuldade econômica, alimentada pela precarização de certas categorias de trabalho e forte endividamento.

No Congresso, o governo também tem acumulado dificuldades, com o governo tendo que pagar preços altos para conseguir a aprovação de projetos e tendo que lidar regularmente com “pautas-bomba” apresentadas nas duas Casas.

Alguns aliados têm reconhecido as dificuldades, apontando para problemas de comunicação. No fim de março, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, mandou indiretas para o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, dando a entender que o governo não está sabendo propagandear suas realizações.

Apesar das dificuldades, especialistas destacam o fato de a campanha eleitoral ainda não ter efetivamente começado, apontando que o governo ainda tem a possibilidade de reagir mostrando realizações de forma mais sistemática e atuar mais abertamente para desconstruir candidaturas rivais.


Presidente da Iberdrola se encontra com Lula em meio a renovação de concessões no Brasil

 

   

 Ignácio Galán - Neoenergia

 

   

O presidente da Iberdrola, Ignacio Galán, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula bilateral Espanha-Brasil, em Barcelona, na sexta-feira, 17, informou a companhia.

No encontro, Galán destacou a importância estratégica do País para o futuro das suas atividades. O executivo também transmitiu a Lula o compromisso do grupo com o País, tendo realizado investimentos de quase R$ 40 bilhões nos últimos quatro anos.

A Iberdrola é a empresa espanhola que controla a Neoenergia, maior companhia do Brasil em distribuição elétrica, com mais de 17 milhões de clientes e concessões nos Estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além da capital federal, Brasília.

Neste momento, a companhia está em processo de renovação das concessões de distribuição no Brasil, incluindo aí a Neoenergia Coelba (BA), a Neoenergia Cosern (RN) e a Neoenergia Elektro (SP e MS).

O presidente da Iberdrola disse a Lula que, uma vez confirmada a renovação das concessões, a companhia tem a intenção de seguir investindo de maneira expressiva nos próximos anos, segundo nota da empresa.

O foco é continuar expandindo e modernizando as redes de todas as suas distribuidoras e eletrificando áreas como o oeste da Bahia, a fim de dar acesso a uma “energia segura, competitiva e limpa a residências e indústrias, como o agronegócio”, segundo a nota.

Incluindo os ativos de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, a Neoenergia está presente em 18 Estados brasileiros e no Distrito Federal e conta com mais de 725 mil quilômetros de linhas de distribuição elétrica e 8 mil quilômetros de linhas de transmissão, além de 3.600 MW de geração renovável, principalmente hidrelétrica.

Como a Nomad faz a gestão de 500 funcionários sem exigir volta total ao escritório

 

 

Segundo o CEO da Nomad, Lucas Vargas, as regras para o modelo de trabalho não são escritas em pedra e, no fim do dia, algum nível de flexibilidade segue sendo atrativa e gerando valor para a companhia – embora fintechs e gigantes de tecnologia tenham voltado ao 100% presencial em um passado recente.

O executivo conta ao Dinheiro Entrevista que essa cultura acabou estando no DNA da Nomad, visto que a companhia nasceu em meio à pandemia e obrigatoriamente teve vários dias em trabalho 100% remoto.

“A gente tem certeza de que o modelo 100% presencial não é o melhor, mas também que o 100% remoto não é. E mais: nenhum modelo único funciona para todas as pessoas ou todas as funções”, afirma Lucas Vargas.

“Se existe algum benefício de ter nascido na pandemia, foi essa origem distribuída. Isso nos permitiu criar processos, cerimônias e rotinas já pensadas para um ambiente remoto desde o primeiro dia”, complementa.

 

  

 


 

fintech tem atualmente mais de 500 funcionários e, com isso, não possui uma regra única para toda a empresa. O modelo híbrido é adaptado de acordo com cada time, cada função e até o nível de senioridade.

“Estagiários, por exemplo, estão mais presentes no escritório porque precisam de aprendizado mais próximo. Algumas funções também exigem mais interação presencial, então ajustamos conforme a necessidade”, diz Vargas, que relata estar quase sempre no escritório da companhia, na capital paulista, ou viajando à trabalho.

Dado o caráter internacional da empresa e os produtos cross border, a empresa também vê vantagens e adotar flexibilidade.

“Negociamos com parceiros nos Estados Unidos, Europa e Ásia, então o trabalho remoto não é só cultural, ele é estrutural para o negócio.”

‘Multiplicar 10x é algo crível’

Na esteira de crescimento de dois dígitos percentuais do seu braço de investimentos, a Nomad prevê faturar R$ 1 bilhão em 2026, com a companhia tendo chego ao breakeven no ano passado – jargão do mercado para se referir ao momento em que a receita total de uma empresa se iguala aos custos e despesas totais.

A empresa nasceu em meados de 2018 e soma mais de 3,8 milhões de clientes atualmente, com mais de R$ 8 bilhões em ativos sob custódia no exterior.

Vargas destaca que, com isso, dobrar e depois multiplicar até mesmo em dez vezes é algo ‘crível’.

“A expectativa é de continuidade da geração de caixa nos próximos anos, e com isso poderemos reinvestir e acelerar o crescimento, fazendo essa manutenção do breakeven

Segmento da Nomad ainda é visto como oceano azul

Apesar do ganho de tração de players que oferecem conta global e produtos similares, a gestão da companhia ainda enxerga um mercado endereçável com grande volume.

“O principal concorrente hoje ainda é o cartão de crédito brasileiro. Mesmo com custos elevados, ele continua sendo o produto mais utilizado por brasileiros no exterior, o que mostra o quanto esse mercado ainda tem espaço para evolução”, observa o CEO da Nomad.

Sobre a guerra de taxas no setor, destaca que a gestão tem focado na retenção dos clientes e não prevê cortes agressivos em um futuro breve.

“A retenção do cliente não vem do preço, mas da experiência. Se o cliente viaja e o cartão não funciona, isso gera uma frustração enorme e aumenta a propensão de ele buscar alternativas – e é aí que o foco no uso internacional faz diferença. Existe uma tendência de comoditização com a entrada de novos players, mas a nossa estratégia é focar em profundidade no produto internacional. A satisfação do cliente no uso lá fora, seja em pagamentos ou investimentos, é o principal diferencial que buscamos construir.”

 

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O que está em jogo no leilão de 700 Mhz da Anatel e o desafio do 5.5G

 

 

Marcado para 30 de abril, o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o processo de concessão da faixa de radiofrequência de 700 MHz é um passo decisivo para a consolidação da tecnologia 5G país afora.

A tecnologia é implementada desde 2020 pelas gigantes de telecomunicações. Mas esta faixa vai permitir o alcance de quase um milhão de pessoas em locais onde há menos antenas. Diferentemente da faixa de 3,5 GHz, leiloada em 2021 e focada em altíssima capacidade de dados, o espectro de 700 MHz é uma frequência baixa que se destaca pelo seu impressionante alcance geográfico.

Por permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos físicos com facilidade, a faixa a ser leiloada em 2026 é considerada essencial para garantir que a conectividade funcione com qualidade dentro de residências, escolas, hospitais e edifícios, além de reduzir drasticamente os custos de implantação em áreas de baixa densidade demográfica.

As companhias interessadas entregaram propostas nesta quarta-feira, 15 de abril. O processo recebeu o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o avanço da TV digital permitiu uma reorganização eficiente das frequências, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis.

Para a Anatel, esta licitação é fundamental para aumentar competitividade setorial e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao consumidor final, atacando diretamente os vazios de conectividade que ainda persistem fora dos grandes centros urbanos. A expectativa do governo federal é de que o certame beneficie diretamente pelo menos 800 mil pessoas em 864 pequenas localidades.

O plano do governo federal com o novo leilão, realizado em conjunto com o Ministério das Comunicações, é levar sinal de qualidade para rodovias e cidades distantes e, assim, buscar reduzir a desigualdade digital. Ao permitir que áreas rurais e estradas sejam atendidas com um número menor de torres, o leilão assegura que mais brasileiros tenham acesso a serviços digitais essenciais e às oportunidades econômicas oferecidas via rede mundial de computadores.

O desafio do 5.5G

Enquanto mais faixas são leiloadas, e a implementação do 5G segue, a indústria de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o posicionamento das gigantes do setor — Vivo, Claro e TIM — diante da evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G, além de outras características que melhor atendem à evolução da inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.

Após investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão.

Desde que começou a ser implementado em 2020, o 5G brasileiro cobre cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se torne uma necessidade comercial imperativa.

Por sua vez, o 5.5G — tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) — já está disponível por meio de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e voltadas a nichos específicos.

Um dos principais gargalos é a barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às classes de maior renda. Apesar da resistência comercial imediata, o potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5 gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.

Além da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026 para as operadoras não é apenas técnico, mas de gestão: equilibrar o apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está pagando a conta da revolução anterior.

Rio terá lei contra abuso a mulheres no transporte coletivo

 

A nova política aplica-se, exclusivamente, aos condutores de transporte coletivo de passageiros, transporte por aplicativo e táxi. Inclui ações como protocolos de atuação para condutores e demais profissionais do transporte coletivo de passageiros diante de situações de violência contra mulheres no interior dos veículos, priorizando a assistência à vítima e o acionamento imediato das autoridades policiais.

A deputada Lilian Behring (PCdoB), autora do projeto, destacou que a iniciativa nasce da necessidade de enfrentar uma realidade ainda presente no cotidiano de muitas mulheres.

“Essa lei nasce da escuta de mulheres que sentem medo ao usar o transporte público. Não é aceitável que um espaço de deslocamento se transforme em um ambiente de violência e insegurança”.

Entre as medidas previstas está a possibilidade de capacitação dos profissionais do setor para que saibam identificar situações de risco e agir de forma adequada, contribuindo para a proteção das passageiras.

“Nosso objetivo é orientar e preparar esses profissionais para que saibam como agir. Muitas vezes, uma atitude rápida pode interromper uma situação de violência e garantir proteção à vítima”, explicou Lilian.

A lei também determina que o Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro) disponibilize um canal de orientação e encaminhamento de denúncias às autoridades.

Para a parlamentar, a medida fortalece a rede de proteção e amplia o acesso das mulheres a mecanismos de denúncia.

“Criar um canal dentro do próprio sistema de transporte é facilitar o caminho para que essas mulheres sejam ouvidas e acolhidas. É transformar estrutura em proteção real”, acrescentou.

Fim da escala 6×1: entenda a discussão no Congresso e os argumentos a favor e contra

 

O fim da escala 6×1 está no centro do debate não só no ambiente produtivo como político. O projeto, que prevê o redução da jornada semanal sem redução de salário, e dois dias de descanso na semana, tem sido a bandeira do governo atual desde que foi aprovada a reforma do imposto de renda que isentou o pagamento do imposto para rendas de até R$ 5 mil na média por mês.

Na terça-feira, 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei (PL) que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais. O PL foi publicado em edição extra do Diário Oficial.

Segundo o texto, os repousos semanais remunerados “deverão coincidir, preferencialmente, com o sábado e o domingo, ressalvadas quanto à escolha dos dias as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho”. A medida vale tanto para contratos em vigor como contratos futuros. A proibição da redução salarial se aplica a todos os regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes especiais.

A medida entraria em vigor após a aprovação da lei. Como foi enviado com urgência constitucional, a Câmara teria até 45 dias para apreciar a proposta, sob risco de travar a pauta. O Senado teria o mesmo prazo.

– (Crédito:Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Além do PL enviado por Lula, outras duas PECs (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1 estão em tramitação no Congresso. As duas propostas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Uma é da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a PEC 8/2025, e outra, a PEC 221/2019,  do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ambas defendem jornadas de trabalho de 36 horas semanais, mas a de Erika Hilton aponta um período de adaptação para o mercado de um ano, e a de Lopes um período de transição de 10 anos.

  • PEC 221/2019 – Reginaldo Lopes (PT-MG)

Foi apresentada em 2019 e prevê “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.

  • PEC 8/2025 – Erika Hilton (PSOL-SP)

Apresentada em 2026 , também prevê um teto de oito horas diárias e 36 semanais, mas com diferenças. O dispositivo adiciona “jornada de trabalho de quatro dias por semana”, o que transformaria a escala 6×1 em escala 4×3. Além disso, o texto define que a emenda constitucional entra em vigor um ano após a data da publicação.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou que é possível discutir um período de transição para o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso. Contudo, rejeitou a desoneração de empresas como forma de compensação para a implantação da medida. “Não tem que ter mais desoneração. Pelo contrário, o país não suporta isso. Não tem país que sobreviva economicamente, com o governo renunciando a quase um trilhão de reais”.

De um lado, associações, entidades e empresários

As associações representativas dos setores produtivos, em geral, destacam os impactos negativos do fim da escala 6×1, apontando aumento de custos, que serão repassados ao consumidor, redução de lucro e inflação. Os setores mais afetados seriam Transporte Aéreo (53,2%), Alojamento (52%) e Alimentação (47,1%). As micro e pequenas empresas possuem a maior proporção de trabalhadores nesta escala.

Um levantamento divulgado nessa semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o PIB do país sofrerá uma queda de 0,7% se a jornada de trabalho for reduzida de 44 para 40 horas semanais. Isso equivale a uma perda de R$ 76,9 bilhões para a economia brasileira.

Anteriormente, a CNI já havia divulgado que o custo da redução de jornada de trabalho até 40 horas poderia ser de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano. Isso significaria um impacto de 7% na folha de pagamentos. A projeção considerou dois cenários: compensando a redução com horas extras ou com contratações novas. Segundo a projeção da CNI, os impactos serão sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais.

A entidade destaca que a indústria é o setor que mais será impactado, caso o Congresso Nacional aprove a medida. “O segmento enfrentará a maior queda no PIB em termos relativos, de 1,2%, o equivalente a R$ 25,4 bilhões. Além da redução nas horas trabalhadas, o aumento generalizado dos preços da economia em razão da alta do custo do trabalho impactará em perda de competitividade para a indústria nacional, ampliando os efeitos negativos da redução da jornada sobre o setor”, diz a CNI.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que representa um dos setores mais impactados, alega que, mais do que uma questão de custo, há o desafio da escassez de mão-de-obra, em uma economia que já está em seus patamares históricos mínimos de desemprego.

A Abrasel argumenta ainda que, tanto os menores negócios, como as cidades menores, ambos com menos poder de barganha, sairiam perdendo, assim como o consumidor, que vai pagar parte dessa conta e não vai gostar. “O que está faltando nessa discussão é conversar com o consumidor. Que o consumidor é o verdadeiro pagador dessa conta”, aponta Paulo Solmucci, presidente da Abrasel Nacional. A solução, afirma, estaria no contrato de trabalho no modelo intermitente.

“Muitas entidades patronais sustentam que o assunto não deveria ser regulado por lei, mas sim pela negociação coletiva de trabalho, que permitiria a adoção das medidas em conformidade com as peculiaridades de cada setor de atividades econômica e observadas as possibilidades de cada empresa”, destaca Otávio Pinto, sócio do Granadeiro Advogados.

A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) é uma delas. De acordo com a associação, a imposição de uma regra única, sem considerar diferenças setoriais, pode gerar impactos severos no emprego e no consumo. Segundo estudo desenvolvido em parceria com a Tendências Consultoria, o setor de shopping centers pode registrar uma perda de R$ 14,8 bilhões em faturamento e retração de até 12,2% no emprego formal, o que representa 130 mil postos de trabalho — nível semelhante aos registrados na pandemia.

Já a CNC (Confederação Nacional do Comércio) calcula cerca de 31,5 milhões de brasileiros diretamente impactados pela mudança, a maioria nos setores de serviços e comércio. Nesses segmentos econômicos, o percentual de empregados com contratos superiores a 40 horas semanais chega a 90%.

De outro lado, governo, sindicatos e trabalhadores

Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1 atualmente — incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Além disso, 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica jornadas frequentemente mais longas na prática.

O argumento é que ao ampliar o tempo livre, o projeto busca melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Segundo a Previdência, em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz da proposta também uma medida de redução de desigualdades no mercado de trabalho.

No final de fevereiro, a Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrando que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas teria potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

O Sebrae, que atua no suporte às MPEs, endossa o lado do governo e diz que está pronto para apoiar os empreendedores na adequação à nova jornada, caso se confirme a proposta. Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, o presidente do Sebrae nacional, Décio Lima, considera que a redução da jornada é uma modernização do mercado de trabalho brasileiro, e não deve ser vista apenas pelo ponto de vista do “custo momentâneo na planilha”.

Lima reforça o argumento da qualidade de vida dos trabalhadores – 90% dos empregados formais estão em pequenas empresas – e no ganho de produtividade e bem-estar com a mudança no mercado de trabalho. “Quanto mais abelha, mais mel, a economia cresce”, diz. Para ele, uma economia humanizada, que permita uma distribuição de renda melhor, “naturalmente vai gerar um processo de um crescimento econômico”.

Outro argumento por parte dos que defendem a mudança está em experiências em outros países. “Experiências internacionais mostram que, quando implementada com planejamento e diálogo, a redução da jornada contribui para melhor organização do trabalho e ganhos de produtividade”, afirma o governo federal.

O Chile aprovou a redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029, enquanto a Colômbia está em transição de 48 para 42 horas até 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos é predominante: a França adota 35 horas semanais desde os anos 2000, e países como Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias inferiores a 40 horas.

Contudo, a advogada do TGA Advogados, Marilia Mayumi Miyamoto, diz que essa comparação exige cautela. “Países que adotam jornadas menores, em especial na Europa, apresentam níveis de produtividade significativamente superiores aos do Brasil, o que lhes permite manter altos níveis de renda e competitividade mesmo com menos horas trabalhadas. No Brasil, por outro lado, a produtividade média ainda é substancialmente inferior, o que torna arriscada a simples importação desses modelos sem as devidas adaptações”.

Segundo um estudo da consultoria 4Intelligente, No Brasil, a produtividade do trabalho está estagnada há mais de uma década devido ao baixo investimento e à complexidade tributária e reduzir a jornada para 40 horas exigiria um aumento imediato de 1,4% na produtividade para não prejudicar o crescimento do PIB.

Um embate de 40 anos

A ideia de reservar dois dias na semana para a folga dos trabalhadores brasileiros não é nova. Na verdade, a proposta de reduzir a jornada para 40 horas na semana chegou a ser aprovada em uma comissão, no Congresso, em 1987, durante a elaboração da Constituição Federal de 1988. Ou seja, há quase 40 anos.

À época, milhões de trabalhadores enfrentavam uma realidade ainda mais pesada que a atual, de 48 horas semanais, regulamentadas em 1943, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante o primeiro governo Getulio Vargas.

No cálculo atual, as 44 horas preveem cinco dias de oito horas de trabalho, um com quatro e outro de folga remunerada. Na maior parte das vezes, isso significa, para os empregados, apenas um dia e meio de folga no fim de semana.

Até 5 de outubro de 1988, quando a Constituição atual entrou em vigor, os trabalhadores submetidos ao regime geral da CLT tinham, na prática, apenas um dia de descanso remunerado, já que as 48 horas determinavam o trabalho integral de segunda a sábado – com uma hora de intervalo para o almoço.

Durante a tramitação do anteprojeto da proposta pela Comissão de Sistematização, última etapa antes da redação da Constituição, os deputados acabaram encontrando um meio-termo: a jornada de 44 horas semanais. A demanda pelas 40 horas continuou, com novas emendas apresentadas, mas no fim o Plenário aprovou a Constituinte com a redação atual.

*Com informações de Agência Brasil, Deutsche Welle, Estadão Conteúdo e Reuters

sexta-feira, 17 de abril de 2026

R$ 80 bilhões incinerados e conselho mais caro da bolsa: entenda o imbróglio da Hapvida e o que está em jogo

 

Há cerca de seis anos a Squadra Investimentos, de Guilherme Aché, publicou uma carta detalhando uma série de problemas e irregularidades nos balanços contábeis do IRB, em um dos episódios mais conhecidos do mercado financeiro em um passado recente. Neste mês de abril, novamente, a gestora publicou uma carta – mas desta vez não para falar de fraudes, mas do aparente descompasso entre a administração da Hapvida e a realidade que a companhia vivencia.

No documento de cerca de 15 páginas a Squadra levanta os mais diversos problemas da empresa no momento atual e pleiteia mudanças na gestão. Mudanças no Conselho de Administração da Hapvida, mais especificamente.

O colegiado de nove pessoas – dos quais três são membros da família fundadora, os Pinheiro Koren de Lima – recebe uma remuneração de R$ 57 milhões. É o terceiro conselho mais caro do país, ficando apenas atrás de Bradesco (R$ 65 milhões) e Rede D’Or (R$ 62 milhões).

O ponto, entretanto, é que proporcionalmente se trata do conselho mais caro com bastante folga. Isso, dado que Bradesco e Rede D’Or são companhias com valor de mercado de R$ 190 bilhões e R$ 89 bilhões, respectivamente. A Hapvida vale R$ 6,2 bilhões atualmente, e valia cerca de R$ 5 bilhões há dias atrás.

Com isso, a razão entre a remuneração do conselho e o valor de mercado da Hapvida é de 114 basis-points (bps). No caso do Bradesco são 3bps.

O Conselho do Itaú, uma das empresas mais valiosas do Ibovespa, com R$ 476 bilhões de valor de mercado, custa os mesmos R$ 57 milhões. A razão é de 1bps.

Na prática, a esmagadora maioria das companhias tem uma razão que não chega a 10bps ou 20bps.

“De acordo com seu Formulário de Referência, a Companhia mantém para o Conselho de Administração remuneração variável significativa e atrelada a métricas centrais na remuneração da Diretoria Executiva – o que compromete a independência do órgão e seu papel de supervisão da gestão. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, apesar de toda destruição de valor para os acionistas, o bônus recebido pelo Conselho de Administração correspondeu a 94% do ‘valor previsto no plano de remuneração, caso as metas estabelecidas fossem atingidas'”, observa a Squadra.


 

A remuneração do conselho também representa 20% do lucro previsto para a companhia neste ano, conforme o consenso dos analistas de sell-side – lucro este que é 86% menor do que o previsto anteriormente.

Para além dessa questão, a Squadra também fez apontamentos sobre a remuneração do CEO da Hapvida. Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima foi apontado como um dos CEOs mais bem pagos do país nos últimos anos.

“Pacote de remuneração portentoso para o CEO da Companhia, membro da família controladora, por ocasião da combinação de negócios com a NDI. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, devido ao reconhecimento desse pacote, a remuneração total do executivo mais bem recompensado foi de aproximadamente R$ 110 milhões, cifra que lhe valeu menções, em múltiplas reportagens, como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil”, diz a carta.

Aliás, sobre a integração com a NotreDame Intermédica – um dos maiores M&As da bolsa de valores nos últimos anos – a gestora também destaca que foi um negócio que não só ficou aquém do esperado mas que destruiu valor.

“Desde a concretização da combinação de negócios com a Notre Dame Intermédica (NDI) há 4 anos, o valor de mercado acumula queda de R$ 80 bilhões, não tendo sido capturadas, nem de perto, as sinergias anunciadas ao mercado à época da transação”, diz a casa.

Nesse panorama, e com uma série de outros apontamentos, em praticamente um dossiê, a gestora de Guilherme Aché considera que a Hapvida promoveu ‘uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro’ desde o seu IPO, em 2018.

O descolamento das ações da Hapvida do Ibovespa – e do seu setor

Desde o seu IPO em meados de 2018, a Hapvida viu suas ações derreterem mais de 85%. Nessa mesma janela o Ibovespa saltou mais de 120%.

Dados da Bloomberg mostram que em meados de 2023 eram 15 analistas do sell-side que recomendavam a compra dos papéis. Atualmente uma única casa recomenda compra das ações da Hapvida.

Negociados a atuais R$ 12, os papéis HAPV3 mostram que foram mais de R$ 80 bilhões de destruição de valor de mercado. Para além do comparativo com o principal índice da bolsa de valores, o setor de saúde em si vive um momento positivo.

No ano de 2025, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos de saúde registraram o maior lucro da série histórica, em um ano marcado por reajustes acima dos custos. O setor somou receitas de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões no ano passado.

No ano em questão a Hapvida somou receitas de R$ 30,8 bilhões, alta de 6% ante o exercício anterior. O lucro foi de R$ 1,2 bilhão (queda de 32%) e o Ebitda foi de R$ 3,37 bilhões (queda de 11%).

A Rede D’Or, na mesma janela, lucrou R$ 3,9 bilhões com R$ 51 bilhões de receita, representando crescimentos de 81% e 9%, respectivamente. A Fleury teve um salto de 32% no seu lucro líquido, para R$ 616 milhões, com R$ 7,7 bilhões de receita líquida, registrando alta de 18%.

Na prática, a Hapvida nadou de braçada – mas na direção contrária do setor, com encolhimento de dois dígitos percentuais em linhas do bottom line do balanço. Isso, fruto de uma operação que também encolheu.

Segundo dados da própria empresa, foram 238 mil beneficiários perdidos nas regiões Sudeste e Sul, enquanto a ANS mostrou um incremento de 792 mil beneficiários nas regiões em questão (já incluindo neste número as perdas registradas pela empresa).

O que quer a Squadra Investimentos

Os levantamentos sobre a situação da companhia, vale destacar, não vieram à toa. A Squadra é dona de 7% das ações votantes da companhia e 5% do capital social total.

A PPAR Pinheiro Participações S.A. – que contempla a PPAR Participações, pessoas físicas do controle da empresa e a família Pinheiro – detém 40%, ao passo que 48,5% das ações da Hapvida estão em circulação, o chamado free float.

Neste contexto, há alguma queda de braço sobre o futuro da empresa.

Enquanto a proposta da administração atual é pela renovação automática do Conselho, a Squadra quer uma renovação do colegiado. A proposta da administração, aliás, será submetida à votação em uma Assembleia Geral Ordinária a ser realizada no dia 30 de abril.

“A Squadra requer que a eleição de membros do Conselho de Administração na próxima Assembleia Geral Ordinária se dê com a adoção do processo de voto múltiplo na forma do art. 141 da Lei 6.404/76 e indica, por meio desta carta, três candidatos que acredita terem a experiência e complementariedade essenciais para a correção de rota que a Companhia necessita”, pede a gestora, ao fim do documento.

Com isso, a casa sugere três nomes para o conselho:

  • Tania Sztamfater Chocolat
  • Bruno Magalhães e Silva
  • Eduardo Parente Menezes

Tania Sztamfater Chocolat é engenheira de produção pela Escola Politécnica da USP com carreira construída inteiramente no mercado financeiro. Atualmente integra os conselhos de administração da Equatorial Energia, Totvs e EMAE, além dos conselhos consultivos da Fundação OSESP e da WCD Brasil. Sua trajetória mais recente foi no CPP Investments, um dos maiores fundos de pensão do mundo, onde entre 2017 e março de 2026 liderou o escritório de São Paulo e a área de Active Equities para a América Latina. Antes disso, passou pela Capital Group liderando investimentos de Private Equity no Brasil e por quase uma década no Itaú Unibanco em posições seniores de Investment Banking, Research e Private Banking.

Bruno Magalhães e Silva é administrador de empresas pelo IBMEC com pós-graduação em Direito Empresarial pela FGV-RJ. Sua trajetória é marcada pela atuação na própria Squadra Investimentos, da qual foi sócio fundador e Senior Partner, atuando como analista de investimentos de 2008 a 2025 com foco nos setores de saúde, commodities e facilities. Antes da Squadra, trabalhou como analista de ações na JGP Asset Management.

Por fim, Eduardo Parente Menezes é engenheiro de produção pela UFRJ e mestre em administração pela Universidade de Nova Iorque. Atualmente é Chairman da Equatorial, conselheiro da Sabesp e assessor do conselho da UTP no Peru. Entre 2018 e 2025, presidiu o Grupo Yduqs. Antes disso, comandou a Companhia Siderúrgica do Pecém, o Porto do Açu e a MRS Logística, foi diretor da Vale e passou nove anos na McKinsey & Company, onde chegou a sócio responsável pelo escritório do Rio de Janeiro.

A dança das cadeiras na diretoria

Afora eventuais mudanças no Conselho, a administração da empresa passa por mudanças severas.

Em menos de três anos, dos sete executivos-chave escalados no Investor Day da empresa para apresentar a estratégia e gestão, apenas dois permanecem na empresa – sendo que um deles é o CEO e membro da família fundadora e o outro renunciou oficialmente, sendo recontratado 20 dias depois para assumir outra função.

Jorge Pinheiro, o CEO, irá deixar o cargo. Depois de quase três décadas à frente da empresa, ele seguirá apenas como Conselho de Administração. O empresário ainda segue no posto, mas está em período de transição.

Ele passará o bastão para Luccas Adib, até então CFO e CTO da companhia. Adib ingressou no C-level como CFO em dezembro de 2023 e assumiu também a função de tecnologia em abril de 2025.

“Reconheço, no entanto, que os resultados financeiros recentes ficaram aquém do que somos capazes de entregar. Poderíamos ter feito mais e melhor. Essa consciência nos move”, disse o executivo, em uma carta enviada aos acionistas no início deste mês.

A Squadra também vê uma questão a ser resolvida por aí – a gestora pede que o Conselho a ser eleito no fim deste mês reavalie esta transição antes de aprová-la.

A Hapvida também consolidou o anúncio de mudanças nas lideranças na semana passada, cujas nomeações ainda serão submetidas ao Conselho de Administração na assembleia do dia 30 de abril:

  • Lucas Garrido — Vice-presidente de Finanças (CFO)
  • Fabiane Reschke — Vice-presidente Jurídica (CLO)
  • Felipe Nobre — Vice-presidente de Estratégia, M&A e Relações com Investidores
  • Felipe Araújo — Vice-presidente de Pessoas
  • Gianfranco Lucchesi — Vice-presidente de Planos Premium
  • Bruno Pinto — Vice-presidente de Relacionamento Médico e Sinistro (Chief Medical Officer)
  • Daniel Vidotti — Vice-presidente de Tecnologia (CIO)
  • Nicolau Camargo — Vice-presidente de Clientes

Essa dança das cadeiras ocorre enquanto a família Pinheiro concentrou ainda mais poder ao comprar 47 milhões de ações por meio de um derivativo com o BTG Pactual – movimento que elevou sua participação no capital total. Com isso, a família se tornou formalmente a acionista majoritária.

A IstoÉ Dinheiro entrou em contato com a Hapvida, que não respondeu pedidos de comentário. O espaço segue aberto.