terça-feira, 12 de maio de 2026

Desaprender e não reprimir erros são chaves para sucesso com IA, diz CEO do WhatsApp no Brasil

 

Inteligência Artificial é a expressão da moda em diversos setores, mas será que as companhias brasileiras estão prontas para a implantação de automação via IA em suas práticas do dia a dia?

O CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, usou o seu conhecimento na área para escrever o livro ‘Mindset de IA‘ (Ed. Gente). Na obra, ele aponta que, mais do que mudanças operacionais, as empresas precisam mudar de mentalidade para não ficarem para trás e ter sucesso quando o assunto é automação e o uso das IAs generativas. Para ele,  as empresas precisam se permitir errar com a IA.

“Os profissionais precisarão desaprender muitas das práticas que utilizaram até hoje e reaprender a extrair o verdadeiro potencial da tecnologia, entendendo como pode gerar valor contínuo para os processos e para o conhecimento da organização. A IA pensa, mas a decisão final e a responsabilidade continuam sendo humanas. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa”, afrima Horn.

Principais pontos da entrevista com Guilherme Horn

O que o seu livro traz de diferente do que vem sendo debatido sobre IA nas empresas?

O grande diferencial está em focar no modelo mental (mindset) necessário para a implementação da IA, ao invés de tratar o tema apenas como a adoção de uma nova ferramenta técnica. Em vez de se concentrar na simples operação de plataformas, o debate deve ser o que os líderes, executivos e empreendedores precisam desaprender de suas vivências passadas e o que devem reaprender para lidar com essa inovação.

O principal objetivo do livro é ensinar como compreender o verdadeiro potencial da tecnologia para gerar valor real para o negócio, para os processos internos e para o conhecimento acumulado da organização.

O sucesso com a IA não se resume a implementar ou adotar um sistema tecnológico, mas sim a uma necessidade profunda de transformar todo o negócio por meio da adoção de uma mentalidade adequada para usufruir de verdade de tudo o que essa tecnologia tem a oferecer.

Muitos empresários ainda temem o uso de IA em processos mais elaborados nas empresas. O que você diria para esse executivo?

Os executivos e empresários devem encarar o erro nessa implementação como uma parte absolutamente essencial do processo de experimentação com a Inteligência Artificial, não devem ter medo de estimular ao máximo que as equipes experimentem a tecnologia. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa.

O próprio Elon Musk comemorou a explosão de um de seus foguetes justamente pelo conhecimento valioso extraído daquele evento. À medida que a empresa treina e aprende com os próprios erros, ela adquire um ganho muito grande de maturidade.

Os líderes precisam aceitar esse trade-off e entender que é natural testar diversas abordagens que talvez não tragam retorno financeiro imediato ou que acabem sendo descartadas mais tarde, mas apenas passando por essa fase prática é possível descobrir se realmente vale a pena usar a IA em determinados processos. Cultivar essa tolerância à falha e a experimentação contínua é o conselho central para criar o modelo mental adequado e bem-sucedido na adoção dessa tecnologia.

Mas claro que o elemento humano vai continuar sendo muito importante, porque a IA pensa, mas é o ser humano que decide. Assim como uma pessoa não deve seguir um aplicativo de rotas cegamente para dentro de uma área perigosa da cidade, as empresas precisam manter o controle final e a responsabilidade de avaliar as decisões da máquina. Essa habilidade é muito mais permanente do que as ferramentas em si.

Estudos apontam que a IA vai acabar com empregos no futuro. Como você olha para isso?

Sem dúvida, algumas profissões realmente deixarão de fazer sentido porque a IA passará a executar quase a totalidade desses trabalhos. No entanto, esse não é um fenômeno exclusivo dessa tecnologia.

Historicamente, toda tecnologia nova substitui antigas ocupações ao mesmo tempo em que cria novas. Com a invenção da geladeira, por exemplo, os empregos na indústria do gelo acabaram; com a chegada dos carros, o mercado de charretes e cavalos diminuiu.

Mas há uma grande diferença dessa revolução tecnológica para as anteriores, porque a natureza do trabalho é afetada. Enquanto as tecnologias do passado automatizavam predominantemente o trabalho físico e braçal, a IA substitui o trabalho intelectual e mental.

O desenvolvedor, que usa a mente para criar um código ou sistema, agora pode ter parte de sua função substituída pela máquina. Mas, apesar disso, a perspectiva é otimista e, no saldo geral, a criação de novos empregos costuma ser positiva.

A implantação de IA nos processos das empresas é cara. Como você vê esse cenário?

Embora venha diminuindo, o custo de implementação da Inteligência Artificial ainda é alto. Por conta disso, muitas empresas limitam o acesso à tecnologia, disponibilizando apenas um determinado número de “tokens” de uso para cada área ou funcionário.

Isso acontece porque, na prática, assim que o colaborador começa a usar a IA, ele percebe rapidamente inúmeras possibilidades de realizar seu trabalho de forma mais rápida e eficiente, o que o leva a querer utilizar a ferramenta cada vez mais.

As empresas precisam gerenciar um importante trade-off: decidir o quanto investir e liberar o uso, tendo a consciência de que permitir uma fase inicial de experimentação é absolutamente necessária, mesmo que não haja um retorno financeiro imediato.

Anos atrás nós vimos a chamada revolução tecnológica, onde empresas foram obrigadas a parar de funcionar em um modo analógico. O que difere aquela transformação da proposta pela IA?

Em ambas as revoluções tecnológicas, as empresas se deparam com dois caminhos distintos de adoção e profundidade. Na transformação digital, as organizações podiam apenas ir para o mundo digital, como uma loja de varejo que cria um site de e-commerce, mas mantendo sua logística inteiramente dependente e amarrada à estrutura física, ou podiam mudar toda a sua estratégia para se tornarem nativamente digitais, é o caso da Magalu, por exemplo.

Com a IA, ocorre uma bifurcação muito parecida: a empresa pode escolher apenas implementar algumas ferramentas pontuais para ganhar eficiência ou pode usufruir de todo o potencial estratégico da tecnologia.

As que escolhem esse segundo caminho adotam um modelo mental em que a escala deixa de ser uma restrição e a IA passa a ser utilizada para aprender o tempo todo com as interações internas e externas, podendo tornar a companhia muito mais poderosa que as concorrentes.

O cliente final já enxerga as empresas adotando IA em processos de atendimento ao consumidor, pré e pós-venda. Onde você vê que as companhias já estão adotando ferramentas de IA?

A adoção da Inteligência Artificial vai muito além do atendimento ao cliente e já afeta profundamente a gestão, os processos internos e o trabalho intelectual das empresas.

Diferenças já podem ser sentidas em rotinas administrativas, financeiras e jurídicas, quando um advogado que usa a tecnologia para ler uma petição inicial, compará-la com ações anteriores e rascunhar uma resposta, ou a modernização de controles financeiros como o fluxo de caixa; na comunicação interna e gestão do conhecimento, pois a IA aprende com absolutamente todas as interações da companhia.

Isso abrange não apenas o contato externo com os consumidores, mas também as interações diárias entre os próprios funcionários, transformando o conhecimento acumulado da organização. 

Como convencer um empresário de que uma determinada ferramenta de IA vai se tratar de uma mudança significativa e não de uma moda passageira?

As ferramentas de Inteligência Artificial evoluem de forma extremamente rápida, de modo que uma plataforma que hoje é considerada a melhor para criar fotos ou vídeos pode ser facilmente superada por outra em questão de meses.

Por conta dessa rápida obsolescência, focar apenas na adoção da tecnologia em si é insuficiente. Por isso a verdadeira diferença está no modelo mental que embasa essa adoção, pois ele é muito mais permanente e perene do que a própria ferramenta.

Caso a liderança da empresa adote o mindset adequado e compreenda claramente o propósito estratégico de utilizar a tecnologia, as constantes mudanças nas plataformas não conseguirão impactar o plano de longo prazo da organização.

Panorama da IA nas empresas

De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, a adoção de IA pelas empresas brasileiras ainda engatinha, apesar do grande conhecimento sobre as ferramentas.

  • 99% dos dirigentes de médias e grandes empresas afirmam conhecer ou já ter tido contato com ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, mas apenas 35% relatam utilizá-las de forma recorrente.
  • “Uso pouco” + “com frequência” chega a 83% nas médias e grandes, 70% nas MPEs e 48% dos MEIs.
  • Em 63% das médias e grandes, 46% das MPEs e 42% dos MEIs, há uso de IA generativa para apoiar as atividades do negócio.

Dona dos fogões Atlas e Dako foca em preço e inovação para ser líder também no Nordeste

 

A Atlas Eletrodomésticos, dona das marcas de fogão Atlas e Dako, planeja ampliar sua participação de mercado no país por meio de expansão nas regiões Norte e Nordeste. Atualmente, a companhia tem 37% do mercado nacional, sendo o Norte e o Nordeste responsáveis por 28% do todo. Os planos da companhia incluem renovação de linhas de produtos, o que já demandou investimentos de R$ 30 milhões.

Segundo o CEO da Atlas, Márcio Veiga, o Nordeste é a única região em que a empresa não tem a liderança de mercado de fogões. “O custo logístico inviabilizava nossa competitividade no Nordeste. E o custo do transporte no Brasil subiu muito desde a pandemia”, diz Veiga. 

Para amenizar esse gargalo e acelerar os planos, a Atlas inaugurou uma unidade de produção na cidade pernambucana de Escada, a 60 quilômetros da capital Recife, em 2024, dando um salto na capacidade produtiva.

Também está no horizonte próximo a ampliação da unidade de Pato Branco (PR), com foco em automação. Hoje, a capacidade instalada é de 3 milhões de unidades por ano, que atendem a 15 mil pontos de venda pelo país. 

Foco em economia no consumo de gás

A renovação do portfólio Atlas focou em eficiência energética. “As donas de casa dão muito valor para para eficiência, porque o consumo no final do mês do gás impacta no orçamento das famílias. Então, a gente não quis trazer simplesmente um produto novo, mas sim um produto que tivesse um impacto positivo”, conta Veiga.

Foi feita a inclusão de queimadores com projeto italiano que reduziram o consumo de gás em 10% em relação à plataforma anterior. “Conseguimos uma equação de custo e isso trouxe uma performance melhor no produto, em relação à plataforma que a gente tinha anterior. Melhoramos a performance em 10%”.

Fornos mais largos e com visor maior

Três outras melhorias, baseadas nas avaliações e demandas dos consumidores, foram: mudança nas grades (das bocas do fogão) com seis pontos de apoio para dar maior estabilidade, fornos mais largos e fornos com visor maior, para não precisar abrir a porta do forno para checar o assado, o que reduz  o consumo de gás.

"Por ser um produto de entrada, trazer um design diferente é um desafio. Fazer algo diferente e manter a competitividade e o custo é difícil, mas conseguimos, inclusive, soluções relevantes para o consumidor de hoje”, relata.

O executivo diz o projeto de remodelação de linhas foi um processo de quase três anos que se deu justamente em “um novo momento de elevação dos custos”.

A Dako se posiciona como uma marca premium, focada em segmentos de maior valor agregado, e a Atlas está direcionada para mercado de entrada e produtos de volume, com foco em custo-benefício.

 Atlas

Modelo Coliseum, da Atlas (Crédito:Divulgação/Atlas)

Nos planos da Atlas também está o reforço de categorias menores em seu portfolio, como cooktops a gás e por indução (segmento em que também declara liderança), fornos de embutir e eletroportáteis.

Empresas de 76 anos

Veiga diz que os patamares elevados dos juros deixam o mercado mais desafiador, mas que os investimentos têm sempre um olhar de longo prazo e se apoiam em linhas de crédito de fomento à inovação, como da Finep. 

“Mas são ciclos. O Brasil sempre passou por esses altos e baixos e é nesses momentos que você tem que ter resiliência. E uma empresa de 76 anos, ela tem resiliência para suportar esses momentos. Não olhar só o momento de curto prazo. Somos muito cautelosos em investimentos, no uso do recurso. Então, é é avaliar como buscar recurso fora e com parceiros que tragam uma condição interessante”.

A Atlas também responde por 40% das exportações brasileiras de fogões, que tem como destino países na América do Sul, com destaque para operações na Argentina, portanto, não sofre os impactos tarifários dos Estados Unidos.

Fundada como fabricante de fogões à lenha, na cidade de Pato Branco (PR), a companhia se anuncia como líder no mercado brasileiro de fogões a gás, sendo 27% com a marca Atlas e 10% com a Dako. A liderança não pode ser confirmada pela Eletros, que representa as principais indústrias de eletroeletrônicos do Brasil, pois, por questões concorrenciais e de compliance, disse não poder divulgar dados de fabricantes.

Indústria de fundos tem resgates líquidos de R$ 18,1 bilhões em abril, mostra Anbima

 

Os fundos de investimentos registraram saída líquida de R$ 18,1 bilhões em abril, ou seja, o movimento de resgates (investidores retirando dinheiro) superou o total de aportes (investidores colocando dinheiro) no quarto mês do ano. Com o resultado, o volume líquido acumulado ficou em R$ 159 bilhões, informa a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Na outra ponta, a maior entrada líquida mensal foi do FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) que registrou entrada líquida de R$ 4,5 bilhões, seguidos dos ETFs com R$ 4,0 bilhões, o que reforça o interesse do investidor por produtos passivos.

Também fecharam o mês no positivo os fundos cambiais (R$ 711,2 milhões), os FIPs (R$ 377,2 milhões), os Fiagros (R$ 210,7 milhões) e os fundos de ações, que registraram R$ 187,3 milhões de captação líquida positiva após três meses no vermelho.

“A cautela do investidor em relação ao crédito privado continuou em abril e isso pode ter se refletido nos fundos. Como a renda fixa vem de um trimestre muito forte, é natural que aconteça algum ajuste no curto prazo. Vamos monitorar para avaliar se esse foi um movimento pontual ou uma tendência” afirma Pedro Rudge, diretor da associação.

Renda fixa

A renda fixa concentra a maior parte das saídas, com captação líquida negativa de R$ 19,3 bilhões. O fundo de renda fixa do tipo ‘Duração Livre Crédito Livre’ apresentou resgate líquido de R$ 14,2 bilhões, a maior perda líquida de todos os tipos da indústria em abril, com volume captado de R$ 18,6 bilhões no ano.

Em seguida veio o tipo de fundo ‘Duração Livre Grau de Investimento’, com resgate líquido de R$ 10,2 bilhões no mês, e de R$ 7,5 bilhões no ano. O tipo de fundo ‘Duração Baixa Grau de Investimento’, o de maior patrimônio líquido da classe de fundos, também registrou resgates somados de R$ 6,3 bilhões, em abril, e de R$ 8,4 bilhões, em 2026

Multimercados

Na classe de fundos multimercados houve saída de R$ 5,4 bilhões, em abril, estabelecendo um volume acumulado no ano de R$ 4,8 bilhões. A maior saída foi do tipo Livre, que registrou volume de R$ 1,74 bilhão e perda de R$ 2,17 bilhões no mês e ano respectivamente. Já o tipo Investimentos no Exterior e o Macro apresentaram saídas de R$ 1,67 bilhão e R$ 1,21 bilhão respectivamente.

Ações

Na classe de ações, houve entrada líquida de R$ 187,3 milhões em abril, com saída de R$ 5,4 bilhões no ano. O tipo ‘Ações Livre’, apresentou captação líquida positiva de R$ 602,6 milhões com perda acumulada no ano de R$ 4,9 bilhões. O tipo ‘Ações no Exterior’, o mais representativo, registrou resgates de R$ 74,7 milhões no mês, e entrada líquida de R$ 8,1 bilhões no ano.

Estruturados

Entre os fundos estruturados, os FIDCs registraram captação positiva de R$ 4,5 bilhões enquanto os FIPs registraram entrada líquida de R$ R$ 377,2 milhões. No ano, os FIDCs acumulam ganho de R$ 12,1 bilhões enquanto os FIPs registram um volume acumulado de R$ 18,7 bilhões no ano.

Rentabilidade

Em relação às rentabilidades em abril, na classe Renda Fixa, o tipo Duração Baixa Grau de Investimento registrou retorno de 1,07%, acumulando variação de 4,47% no ano. O tipo Duração Livre Crédito Livre cresceu 0,48% e registra rentabilidade acumulada de 3,38%. Entre os multimercados, o tipo Livre avançou 1,28% no mês e acumula 3,54% no ano, enquanto o tipo Investimentos no Exterior registrou ganho de 0,85% e ganho acumulado de 1,87%, no mês e no ano respectivamente. Na classe de ações o tipo livre avançou 1,01% em abril e acumula 7,43% no ano, enquanto o tipo ações no exterior registrou variação de 3,37% no mês e ganho de 4,91% no ano.

No caso de ações, fundos do tipo investimento no exterior (que possuem mais de 40% de sua carteira alocada em ativos no exterior) apresentaram rentabilidade positiva de 3,37% no mês; enquanto os fundos multimercados com investimento no exterior tiveram ganhos de 0,85%. Já na renda fixa, o tipo duração baixa grau de investimento, que investe no mínimo 80% da carteira em títulos públicos de curto prazo, rendeu 1,07% no mês.

Entenda o que é FDIC e ETF

O fundo do tipo FIDC é um investimento que compra recebíveis de empresas (cheques, duplicatas, faturas de cartão) com deságio, funcionando como antecipação de fluxo de caixa. É uma forma de renda fixa estruturada, regulada pela CVM, que capta recursos de investidores para financiar o capital de giro corporativo. Já o ETF são fundos de investimentos que replicam indicadores.

‘Ter fábrica no Brasil é obrigatório’, diz CEO da Omoda & Jaecoo

 

Shawn Xu foi presidente da Chery do Brasil por três anos e meio. Agora, ocupa a principal cadeira da Omoda & Jaecoo, como CEO global. Em uma entrevista para a Motor Show e IstoÉ Dinheiro, além de um restrito grupo de jornalistas brasileiros na chinesa Wuhu, onde fica a sede da Chery Automobile, dona da marca, o executivo falou sobre os planos para o Brasil.

Por ora, Xu ainda não confirmou se o local da operação da fábrica de sua parceira na China, a Jaguar Land Rover — de quem acaba de adquirir a marca Freelander –, será em Itatiaia, no Rio de Janeiro.

A unidade está subutilizada há anos e deve ser o destino da produção nacional da Omoda & Jaecoo. Poderia também abrigar a Lepas, outra marca confirmada para o mercado brasileiro (e, por que não?, talvez a própria Freelander).

Apesar de não confirmar a localização da fábrica brasileira, e nem a eventual presença de outras marcas do grupo na linha de produção, ele revelou que a produção no Brasil começa no início de 2027. O mercado brasileiro é “grande e difícil”, mas para a marca ter uma fábrica aqui é “obrigatório”. Ademais, a unidade também servirá de hub de exportação para o mercado argentino.

Em meio à conversa, o executivo indicou, ainda, que vai priorizar os modelos HEV e PHEV, ou seja, que têm motor a combustão e baterias (embora funcionem de forma distinta). Omoda 5 e Jaecoo 5 devem ser as prioridades de fabricação local.

Xu destacou que, como o Omoda 5 está indo muito bem, a produção deve se iniciar justamente com o modelo, somado ao Jaecoo 5. Este segundo une características de ter um estilo Land Rover e ser “pet-friendly” (Xu destaca que muitos brasileiros não querem filhos, e gostam de cachorros). Confira:

Sobre os rumores da Omoda & Jaecoo assumir a fábrica da Land Rover, no Rio de Janeiro, o sr. pode dizer se as conversas ocorrem e qual será o primeiro modelo?

Eu entendo bem as necessidades do mercado brasileiro, pois trabalhei nele por três anos e meio. É um mercado grande e difícil, por causa do trabalho de engenharia para adaptação dos carros serem flex e para fazer uma fábrica. E consideramos que ter uma unidade produtiva no Brasil é obrigatório. Quando pensamos na Omoda Jaecoo no Brasil, estudamos diferentes opções: construída por nós ou comprada. Consideramos todas as opções, incluindo a que você mencionou. Escolhemos uma, e não posso dizer exatamente agora por questões de confidencialidade, mas vai acontecer em breve. Quando finalizado o acordo, avisarei a vocês primeiro.

O Omoda 4 será o modelo de entrada da marca. Globalmente, ele terá versões elétricas, híbridas e a combustão, mas cada mercado tem especificidades. Como o senhor enxerga qual seria o produto correto para o Brasil?

O Omoda 5, já comercializado no Brasil, está vendendo bem, e pode chegar a duas mil unidades neste mês. Pode ser o modelo número um entre os HEV. Esse é um SUV compacto, como os brasileiros gostam. Ele tem uma personalidade única, ao vê-lo todos sabem que é da Omoda. Nós chamamos o HEV de super-híbrido porque, em muitos híbridos, o consumo é bom, mas falta potência em altas velocidades. Acima de 100 km/h, o motor fica barulhento. E os jovens querem potência. Eles querem chegar antes dos outros, querem baixo consumo e potência. Precisamos de ambos e queremos dar a melhor experiência para o público ao volante. Por isso as pessoas gostam dos HEVs. Mas nosso BEV [modelos a bateria] também é muito potente e está vendendo muito bem em mercados como Tailândia, Indonésia e na Europa, no Reino Unido. Então também podemos ter um elétrico para o Brasil, pois há uma grande demanda. [vale lembrar que o Omoda 4 foi lançado no Salão de Pequim há poucos dias]

O Jaecoo 5 tem gerado muito interesse no Brasil. Ele seria uma opção mais interessante para começar a produção local, já que o preço é mais alto e entrega maior margem de lucro?

Assim que a nossa fábrica estiver disponível, vamos considerar os produtos de alto volume, eles serão nossa primeira prioridade para fabricação nacional. Isso inclui o Omoda 5 e o Jaecoo 5. O Jaecoo 5 chamou muita atenção no Brasil, e em outros mercados, onde já é um grande sucesso, e acredito que também gostarão muito dele no mercado brasileiro. Ele é um carro com design estilo Range Rover, é compacto e tem boas características, como ser pet friendly. Eu morei no Brasil por mais de três anos e sei que muitas pessoas não precisam de filhos, só de pets. Por isso criamos um SUV que tem essa conexão melhor com os clientes.

O mercado brasileiro está acostumado a motores pequenos, 1.0 flex, tecnologias não tão avançadas quanto os HEV ou PHEV. A Omoda Jaecoo é uma empresa high-tech no Brasil. Podemos dizer que os produtos da Omoda Jaecoo sempre terão eletrificação no Brasil e veremos produtos 1.0 flex eletrificados?

Os híbridos e elétricos são o primeiro passo. O motor é importante, mas não é tudo. Vamos lançar motor a combustão no futuro próximo se os jovens gostarem, mas agora o híbrido, HEV e PHEV, é nosso foco. Temos motor especial, transmissão e bateria especiais para os híbridos. Não se trata de uma adaptação do motor tradicional para virar híbrido.

Mesmo que no futuro tenhamos motor a combustão, os híbridos serão essenciais em nosso portfólio. Sobre o motor 1.0 TGDI, nós temos esse motor na Chery, mas vamos comparar o que é mais econômico para o mercado brasileiro e ver a resposta local. Temos muitas opções, e veremos o que vamos escolher para os consumidores.

Quais características vocês consideram mais importantes para uma cidade sediar a fábrica e quando a decisão será tomada?

A Chery tem 24 fábricas no exterior. Temos fábricas em muitos mercados, incluindo o Brasil. Não é um problema fazê-las, é apenas um caminho; quando o mercado precisa, nós construímos. E rápido. Quando o mercado precisa, construímos uma fábrica em poucos meses. Somos rápidos. Não posso falar ainda, assinamos contrato de confidencialidade, mas ela estará pronta muito em breve.

Falaremos muito em breve sobre nossa decisão [relacionada ao Brasil]. Esperamos começar a produção no começo do ano que vem, então estamos nos apressando. É questão de sobrevivência. Normalmente leva-se dois anos para fazer uma unidade, mas queremos finalizar este ano e começar a produção no início do ano que vem. Estamos vendendo bem e queremos crescer.

Vocês pretendem entrar em outros segmentos no Brasil?

Já debatemos isso. Somos muito jovens. Três anos de China e um ano de Brasil. Para Omoda, teremos crossovers. Na Jaecoo, SUVs com pegada off-road. Hoje, é isso. Se no futuro o cliente precisar de algo diferente, podemos considerar, mas não agora. Provavelmente nos próximos dois anos não consideraremos outros segmentos até termos uma base sólida.

Quais são os planos para a América do Norte [Estados Unidos e Canadá]?

Eu acabo de vir da cerimônia de assinatura do acordo com o Canadá. Então, sim, teremos uma subsidiária naquele país ainda neste ano.

Em quantos países a Omoda Jaecoo quer estar presente até o fim de 2026?

Hoje temos 69 mercados em operação. Diferente da Chery, que usa muitos distribuidores, a Omoda & Jaecoo opera com subsidiárias próprias em grandes países, como Brasil, Austrália e Tailândia, Malásia… e também na Europa, na Espanha, na Itália, etc. Estamos crescendo rápido. Queremos chegar a cerca de cem mercados até o fim do ano que vem. Algumas subsidiárias chegarão em breve, como Alemanha e Argentina.

Sobre os modelos menores, como o Omoda 2 e o Jaecoo 3, quais são as possibilidades de chegarem ao Brasil, e com quais motores?

O Omoda 2 já estamos analisando com nossos parceiros [os concessionários viram estes dias]. A mídia ainda não verá porque está em um estágio inicial. Ele tem cerca de 4,2 metros. O Omoda 5 tem 4,5 metros e, o Omoda 4, tem 4,4 metros. Teremos versões elétricas (BEV), híbridas (HEV) e também a combustão. É um carro pequeno que cabe bem no mercado brasileiro. Teremos mais detalhes sobre ele em aproximadamente seis meses, e vocês poderão nos dizer se os brasileiros gostarão.

A fábrica brasileira será um hub de exportação para a Argentina?

Eu é que deveria dizer isso. Então a resposta é sim. Por isso preciso de uma fábrica nossa [localmente].

O Brasil é um país continental, mas tem poucos carregadores. Qual é o carro ideal para o Brasil, HEV ou PHEV? E vocês vão investir em estrutura de carregadores?

Vocês são quase tão grandes quanto a China, mas com menor população. E podem viver em grande parte dele. Eu morei perto de São Paulo. Em termos de infraestrutura, em cidades pequenas pode-se carregar o carro em casa. Não dá para comparar [os dois países nesse aspecto]: a China tem carregadores em qualquer lugar, mas no Brasil até dá para carregar bem [o veículo] em casa ou na rua.

Não planejamos investir em carregamento, não podemos comprar terras para fazer estações. Nosso negócio é automotivo. Mas as vendas de BEV vão bem, e o governo deve cuidar disso para as pessoas carregarem em casa. Além disso, os HEVs vão bem, e nossos PHEVs não precisam ser carregados. Eles estão uma geração à frente, e por isso não chamamos nossos carros de PHEV, mas de super-híbridos. Nos PHEVs convencionais a bateria ‘morre’ e o consumo [de combustível] fica pior do que em um carro a combustão, já que a bateria é pesada. Nos nossos super-híbridos, pode-se andar sem carregar o carro.

Telefônica tem grande foco em elevar indicador de receita por CPF, diz presidente da empresa

 Telefonica Vector Logo - Download Free SVG Icon ...

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, está focada em aumentar a receita média por cliente por meio da maximização das vendas combinadas de internet móvel, internet fixa, serviços digitais e aparelhos. “Temos como grande foco aumentar o indicador de receita por CPF”, ressaltou o presidente da companhia, Christian Gebara, durante entrevista coletiva à imprensa nesta segunda-feira, 11.

A operadora passou a divulgar a receita média por CPF em seus balanços. Até pouco tempo atrás, esse dado era segmentado, com dados abertos no segmento móvel e no fixo, mas sem um resultado consolidado.

O último balanço mostrou que a receita média por CPF subiu de R$ 62,9 por mês no início do ano passado para R$ 67,2 por mês no começo deste ano, crescimento de 6,8% no período, superando a inflação.

“O importante aqui é mostrar a efetividade de vendermos mais serviços e produtos para o mesmo cliente”, explicou Gebara. “Além de atrair mais clientes e garantir que haja retenção, nós temos que ser mais efetivos nas habilidade de vender mais serviços para os meses clientes”, ressaltou.

Exemplo disso é o pacote chamado internamente de Vivo Total, que combina internet móvel e fixa. Ele já representa 44,7% de todos os acessos de banda larga, uma alta de 7,1 pontos porcentuais (p.p.) na comparação anual. Segundo Gebara, há um potencial significativo para expansão futura. Isso ajuda a aumentar a ‘fidelidade’ dos clientes e reduzir os desligamentos (churn).

Outro foco é a expansão dos serviços digitais para os consumidores, com ofertas que vão de financiamento bancário a streaming de vídeo (OTTs, no jargão). Ao todo, esses serviços geraram faturamento de R$ 1,9 bilhão no acumulado dos últimos 12 meses até março, alta de 31,5% na comparação com os 12 meses anteriores.

O grosso desses serviços digitais está nos streaming de vídeo e música, gerando receita de R$ 834 milhões nesse período, alta de 25%. Entram aí serviços como Netflix e Globoplay, por exemplo.

Há um ano, a Vivo passou a oferecer a ferramenta de IA Perplexity em alguns planos pós-pagos. Agora, a empresa avalia outras opções, disse Gebara, citando a variedade e a popularização dessas ferramentas.

Outro pilar da estratégia de ampliação da receita média por CPF é a vertical de aparelhos, com vendas de celular e eletrônicos. Aqui, a receita da Telefônica cresceu 26,6% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano passado, chegando a R$ 1,152 bilhão.

“O cliente poderia ter só a internet móvel, mas estimulamos as vendas de internet fixa, OTTs, aparelhos e seguro. Queremos mostrar para o mercado a grande oportunidade que temos”, disse o CEO.

Governo de SP aplica multa recorde de R$ 1 bilhão contra Fast Shop

 

 Fast Shop Logo – PNG e Vetor – Download de Logo

 

 

 

A Fast Shop, rede varejista especializada em eletrônicos, foi multada pelo governo do estado de São Paulo em R$ 1.040.278.141  após a Controladoria Geral do Estado (CGE-SP) apurar que a empresa ofereceu vantagens indevidas a agente público, obteve benefícios tributários indevidos e interferiu em atividades de fiscalização e investigação da administração tributária estadual.

 A multa de mais de R$ 1,04 bilhões aplicada, que corresponde aos valores obtidos ilicitamente pela empresa, foi a maior registrada no país com base na Lei Anticorrupção.

 

Corrupção

Segundo as apurações da CGE-SP, a Fast Shop contratou a empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., operada pelo ex-auditor fiscal da Receita Estadual Artur Gomes da Silva Neto para prestação de serviços relacionados à recuperação de créditos tributários de ICMS decorrentes do regime de substituição tributária.

A empresa sabia que as informações privilegiadas estavam sendo utilizadas indevidamente e o esquema contava com uso do certificado digital da própria empresa processada.

“A atuação envolvia promessa de facilitação de processos tributários, blindagem contra fiscalizações e intermediação de operações de monetização de créditos tributários. Também ficou comprovado que a Fast Shop obteve créditos tributários indevidos de R$ 1,04 bilhão. O valor é decorrente da prática conhecida como mineração de dados fiscais, mediante prospecção e homologação irregular de créditos tributários com uso de informações às quais a empresa não teria acesso”, diz o governo estadual.

De acordo com a apuração, os créditos totais analisados alcançaram aproximadamente R$ 1,59 bilhão. A parcela superior a R$ 1,04 bilhão teria sido calculada e inserida por Silva Neto a partir de dados obtidos de forma ilícita, gerando vantagem indevida e prejuízo ao Tesouro do Estado. A multa foi equiparada ao valor total da fraude.


Com receita recorde, lucro do BTG Pactual salta 42% e soma R$ 4,8 bi no 1º trimestre

 

O BTG Pactual encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 4,808 bilhões, o que representa um crescimento de 42% ante o registrado no mesmo trimestre do ano passado.

As receitas totais do maior banco de investimento da América Latina avançaram 34% na mesma base de comparação, para R$ 9,968 bilhões, em mais um trimestre recorde.

Segundo o banco, os resultados recordes em Corporate Lending e Wealth Management, aliados à performance consistente das demais áreas de negócio, sustentaram o forte desempenho do período e impulsionaram a expansão das receitas.

O retorno ajustado sobre o patrimônio líquido (ROAE) subiu 3,4 pontos porcentuais, para 26,6%, entre janeiro e março. O índice de Basileia ficou em 15,9% nos primeiros três meses do ano, ante 15,4% de um ano antes.

Em 31 de março de 2026, os ativos totais do BTG Pactual somaram R$ 845,6 bilhões, um crescimento de 4,9% em comparação com o quarto trimestre.

A área de crédito corporativo e negócio bancário registrou um aumento de 21% nas receitas, para R$ 2,33 bilhões, enquanto a carteira de crédito do banco alcançou R$ 274,2 bilhões no final de março, de R$ 253,5 bilhões um ano antes.

“Mesmo em um trimestre tipicamente impactado pela sazonalidade e diante de um ambiente macroeconômico e geopolítico desafiador, seguimos nos beneficiando da escala e diversificação da nossa plataforma, sustentando elevados níveis de rentabilidade”, destaca o banco em seu release de resultados.

O BTG destaca que continuou ampliando a base de clientes, o que resultou em R$ 83 bilhões de captação líquida total e R$ 2,6 trilhões de ativos sob gestão e administração combinados entre Asset e Wealth Management.