
Sessão da CCJ do Senado — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Em meio ao início dos trabalhos legislativos de 2026 e os preparativos para a disputa eleitoral deste ano, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calculou o tamanho do impacto econômico que o fim da escala 6×1 teria no Brasil. Por meio de uma nota técnica publicada nesta terça-feira, 10, o Ipea calculou que os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho.
Considerando os grandes setores, como indústria e comércio, nos quais estão mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional. Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica.
Nos cálculos do Ipea, a redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio de um trabalhador contratado sob a CLT em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais. Porém, ponderando os resultados pelo peso do trabalho no custo total de cada setor, as estimativas indicam efeitos reduzidos nos custos totais. Nos grandes setores com forte geração de empregos, como a indústria e o comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional total, o que indica maior capacidade de absorção de eventuais mudanças na jornada.
Já empresas de serviços como vigilância e limpeza tendem a ser mais diretamente afetadas, devido à elevada participação da mão de obra em seus custos. O maior impacto em termos de custo operacional é de 6,6% para o setor de vigilância, segurança e investigação.
A análise do Ipea levou em consideração o aumento do custo da hora trabalhada. Na avaliação dos técnicos da entidade, mantida a remuneração nominal, a redução da jornada eleva o custo da hora de trabalho na mesma proporção do aumento do salário-hora, calculado pela divisão do salário semanal pelo número de horas trabalhadas na semana.
A limitação da carga horária do trabalhador é entendida como um aumento do custo da hora de trabalho. Os empresários podem reagir de diversas formas a esse aumento, reduzir a produção é uma delas, mas eles podem também buscar aumentos na produtividade ou contratar mais trabalhadores para suprir a carga horária que cada um dos empregados anteriores deixou de disponibilizar”, explica Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa na diretoria de estudos e políticas sociais do Ipea.
Em nota, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) manifestou preocupação com a forma como o debate acerca da escala 6×1 vem sendo conduzido, defendendo que qualquer alteração deve respeitar a soberania das negociações coletivas, conforme previsto na Constituição Federal. “O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Impactos setoriais
O estudo do Ipea ressalta, no entanto, que alguns segmentos do setor de serviços se destacam pela combinação entre forte uso de mão de obra e impacto relativamente maior nos custos, como serviços para edifícios, vigilância e seleção e agenciamento de trabalhadores. Nesses casos, o efeito mais direto da redução da jornada indica a importância da realização de estudos para avaliar a necessidade de medidas governamentais para mitigar eventuais impactos.
Contudo, grandes empregadores da indústria de alimentos, comércio atacadista e de veículos, registrariam impacto inferior a 1% nos custos. Somados, esses setores concentram cerca de 6,5 milhões de vínculos de trabalho. Cerca de 10 milhões de vínculos estão em setores nos quais o aumento do custo da mão de obra supera 3% do custo total da atividade, e aproximadamente 3 milhões em setores com impacto superior a 5%.
Para a Fiesp, uma transição da escala 6×1 para outro modelo sem o correspondente aumento de produtividade ou redução do “Custo Brasil” pode resultar, inevitavelmente, em pressões inflacionárias e perda de competitividade. “Tais medidas impactam severamente a sustentabilidade de pequenas e médias empresas, devendo gerar retração econômica, fechamento de postos de trabalho formais e o avanço da informalidade – o que contraria diretamente o propósito original da Emenda proposta”, disse a entidade em nota.
https://istoedinheiro.com.br/ipea-impacto-escala-6x1-empresas


O que puxou a alta
