sexta-feira, 20 de março de 2026

Os homens serão extintos? A verdade sobre o cromossomo Y

 

Cromossomo que determina o sexo masculino vem perdendo genes há 180 milhões de anos e desaparece das células dos mais velhos. Mas, entre manchetes apocalípticas e dados reais, a ciência revela um quadro mais complexo.Diminuto em comparação ao cromossomo X e com apenas cerca de cinquenta genes funcionais, o cromossomo Y vem há décadas ganhando manchetes, muitas vezes em tom apocalíptico. Muito se especula até sobre um eventual “fim dos homens”.

Por trás da discussão, está o amplo consenso de que o cromossomo Y sofreu uma degradação histórica considerável, colocando em debate o seu destino a longuíssimo prazo. Ao mesmo tempo, acumulam-se evidências que vinculam a sua perda em algumas células a implicações para a saúde masculina.

Mas, na comunidade científica, não é consenso que o cromossomo Y poderia desaparecer, muito menos os homens. Os pesquisadores ainda desvendam os mistérios da genética, com um longo caminho adiante e uma história que já se prolonga há dezenas de milhões de anos.

A origem evolutiva do cromossomo Y

Há aproximadamente 180 milhões de anos, os cromossomos sexuais dos mamíferos formavam um par praticamente idêntico. Com o tempo, esse par ancestral se diferenciou até dar origem aos cromossomos X e Y atuais.

Nos seres humanos e outros mamíferos, o sexo é determinado cromossomicamente: as mulheres normalmente têm dois cromossomos X, e os homens, um X e um Y. Embora esse par represente apenas cerca de 4% do DNA total, seu papel biológico vai muito além de determinar o desenvolvimento de testículos ou ovários.

O cromossomo Y, em particular, se destaca pelo reduzido conteúdo genético. Enquanto o cromossomo X contém entre 900 e 1,4 mil genes, segundo diferentes estimativas, o Y conserva entre 45 e 51 genes codificadores de proteínas, dependendo do critério utilizado para contá-los.

Um deles, o gene SRY, atua como desencadeador do desenvolvimento masculino. Alguns outros participam da produção de esperma. As funções dos restantes seguem sendo objeto de estudo e debate, o que contribui para a percepção do Y como um cromossomo atípico do ponto de vista evolutivo.

A bióloga evolutiva australiana Jenny Graves estuda esse processo de degradação há décadas. Em um artigo publicado no The Conversation em 2014, ela estimou que, se a perda de genes continuasse no ritmo observado – quase dez genes a cada um milhão de anos desde há 166 milhões de anos –, o cromossomo Y poderia desaparecer em cerca de 4,5 milhões de anos.

A afirmação, incluída quase de passagem em um artigo técnico de 2004, provocou uma reação desproporcional. “Surpreende-me muito que alguém se preocupe com a extinção dos homens dentro de cinco ou seis milhões de anos”, declarou Graves ao Science Alert, lembrando que a espécie humana sequer existe há 100 mil anos.

Por que o cromossomo Y se degrada?

De acordo com Graves, há duas razões principais. Como ela explicou à BBC Science Focus em 2024, a primeira é o contexto biológico. O cromossomo Y é transmitido exclusivamente pela linhagem masculina e, a cada geração, passa pelos testículos, que constituem um ambiente geneticamente exigente.

A produção de esperma requer numerosas divisões celulares, e cada uma delas implica uma nova oportunidade para que mutações se acumulem.

A segunda, e talvez mais determinante, é seu isolamento. Ao contrário dos demais cromossomos, o Y não dispõe de um homólogo com o qual possa trocar segmentos de DNA para corrigir erros.

Na maioria dos casos, os cromossomos “se apoiam” em seu par durante a recombinação para compensar danos. O Y carece desse respaldo estrutural, de modo que as alterações acumuladas se tornam muito mais difíceis de eliminar.

O cromossomo Y está condenado?

Nem toda a comunidade científica compartilha do diagnóstico. Como publicou a Vice no final do ano passado, a bióloga evolutiva Jenn Hughes, do Instituto Whitehead do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sustenta há anos a visão contrária: os genes essenciais do cromossomo Y humano têm se mantido estáveis por 25 milhões de anos. A conclusão seria reforçada por estudos posteriores em primatas.

Seu argumento é que os genes remanescentes cumprem funções cruciais em todo o organismo, o que gera forte pressão evolutiva para preservá-los. Dessa perspectiva, o cromossomo Y não estaria desaparecendo, mas se estabilizando.

Jenny Graves não nega a estabilidade, mas introduz uma nuance: o fato de algo permanecer estável hoje não significa que vá perdurar indefinidamente. O cromossomo Y contém abundantes sequências repetidas, suscetíveis a degradação geração após geração. Os genes que hoje parecem firmes poderiam ser substituídos, se as condições evolutivas mudassem.

Ela resume, segundo a Vice, o horizonte temporal do Y como “qualquer coisa entre agora e nunca”. Quando ambas as cientistas debateram publicamente em 2011, o público ficou dividido em partes iguais. A discussão permanece aberta.

O que se sabe com certeza é que, em outros animais, surgiram sistemas alternativos de determinação sexual. Segundo a BBC Science Focus, algumas ratas-toupeira da Europa Oriental e ratos-espinhosos do Japão perderam completamente o cromossomo Y e redistribuíram ou substituíram suas funções em outros cromossomos – e continuam sendo populações viáveis. As moscas-da-fruta, por sua vez, perderam quase todos os genes do cromossomo Y.

Graves sustenta que, se surgisse um gene determinante do sexo mais eficiente em uma população humana pequena e isolada, onde acidentes genéticos são mais prováveis, ele poderia se espalhar sem eliminar características masculinas visíveis. “Talvez isso já tenha acontecido em alguma população humana em algum lugar”, afirmou ao Science Alert.

Doenças em homens mais velhos

O debate evolutivo em escala de milhões de anos convive com uma preocupação muito mais imediata: a perda do cromossomo Y em células do corpo à medida que os homens envelhecem.

Em artigo recente no The Conversation, Graves explica que as novas técnicas de detecção genômica mostram que esse fenômeno é frequente em tecidos de homens idosos. Com o passar do tempo, o cromossomo Y desaparece de algumas células, e suas descendentes já não o recuperam.

O tecido acaba se tornando uma mistura heterogênea: coexistem células que mantêm o Y e outras que o perderam. Segundo dados compilados pela pesquisadora, 40% dos homens de 60 anos já apresentam essa perda, proporção que sobe para 57% aos 90 anos. Fatores ambientais como tabagismo ou exposição a cancerígenos também influenciam.

Durante anos, presumiu-se que essa perda fosse irrelevante. Se o cromossomo Y contém poucos genes e as células podem sobreviver sem ele, parecia lógico pensar que sua ausência não teria grandes consequências.

Contudo, segundo Graves, dados recentes apontam para outra direção. Diversos estudos encontraram associações entre a perda do Y e doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e diferentes tipos de câncer.

Um estudo alemão em larga escala observou que homens acima de 60 anos com alta frequência de perda do Y tinham maior risco de sofrer ataques cardíacos. Também foi detectada uma frequência dez vezes maior dessa perda em pacientes com Alzheimer, além de uma associação com maior mortalidade por covid-19.

O desafio da causalidade

Estabelecer uma relação causal é complexo: as doenças poderiam provocar a perda do Y, ou um terceiro fator poderia estar por trás de ambos os fenômenos.

No entanto, um experimento com camundongos sugere um possível efeito direto. Ao transplantar células sanguíneas sem cromossomo Y em camundongos irradiados, os animais desenvolveram mais patologias associadas ao envelhecimento, incluindo alterações na função cardíaca e casos de insuficiência cardíaca.

Como um cromossomo com tão poucos genes pode ter impacto tão amplo? Parte da resposta está no fato de que vários desses genes se expressam em todo o organismo, não apenas nos testículos, e alguns atuam como supressores de tumores.

Além disso, o cromossomo Y abriga genes não codificantes que parecem regular a atividade de outros genes em cromossomos distintos. Sua perda pode, portanto, alterar mecanismos que vão muito além da determinação sexual.

Então, os homens vão desaparecer?

Não da noite para o dia. Humanos não podem se reproduzir por partenogênese, ou seja, sem a contribuição genética masculina, e existem pelo menos 30 genes com impressão genômica que devem vir do esperma.

Se o cromossomo Y desaparecesse, a alternativa não seria a extinção imediata, mas a evolução de um novo sistema de determinação sexual. Em teoria, esse processo poderia inclusive levar, a muito longo prazo, a uma diferenciação entre espécies, como sugere Graves.

Por ora, não há evidências de uma emergência evolutiva iminente. O cromossomo Y pode se manter por milhões de anos ou transformar-se em outra coisa. Sua trajetória futura segue incerta, mas está longe de um desfecho imediato.

Além disso, o sequenciamento completo do DNA do cromossomo Y humano foi alcançado há apenas alguns anos, de modo que nosso conhecimento detalhado sobre seu funcionamento ainda é relativamente recente.

Mais do que o obituário de um cromossomo em decadência, essa nova etapa pode permitir uma compreensão mais aprofundada de seu papel na biologia e na evolução humanas.

 

 https://istoedinheiro.com.br/os-homens-serao-extintos-a-verdade-sobre-o-cromossomo-y

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/07/11/quem-era-a-divindade-asherah-a-esposa-de-deus.ghtml

 

STF tem maioria para confirmar desestatização da Corsan

 

 

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O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira, 20, para validar a desestatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). O julgamento foi retomado no plenário virtual que vai até a próxima sexta-feira, 27. Até o momento, há seis votos para declarar a constitucionalidade da lei de 2021 que autoriza a desestatização.

A ação foi movida pelo PT, que argumentou que a autorização para a desestatização da Corsan foi genérica e sem critérios objetivos.

 Para a legenda, a medida contraria a jurisprudência da Corte que estabelece que o Legislativo não pode abrir mão de definir os termos e balizas da alienação. Ou seja, não poderia delegar essas definições ao Executivo.

O relator, Kássio Nunes Marques, rejeitou o argumento do PT. Ele afirmou foram cumpridos ambos os requisitos para a desestatização de empresas públicas e sociedades de economia mista – a prévia autorização legislativa e a realização de licitação pública.

 “Há lei formal autorizando a alienação do controle acionário da Corsan, bem como essa autorização não eximiu o administrador público de cumprir os limites e condicionantes estabelecidos em lei, inclusive a obrigatoriedade de realização de licitação”, afirmou Nunes Marques.

Ele foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, André Mendonça, Dias Toffoli e Flávio Dino.

Com guerra, Petrobras tem maior valorização dentre petroleiras do mundo e chega a recorde de R$ 640 bi

 

A Petrobras acumula valorização expressiva desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Desde a virada do mês, que coincidiu com a ofensiva bancada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, contra o regime iraniano, o petróleo Brent saltou 49,2%.

Levantamento feito pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostra que, nesse período, a estatal brasileira viu seu valor de mercado crescer para US$ 127,5 bilhões, elevação de 18,9%, o maior aumento entre as dez maiores companhias mundiais do setor.

Os números levam em conta o valor de mercado das empresas em dólares, calculado pelo site Companies Market Cap.

Também pela régua da moeda norte-americana, a cifra da Petrobras está longe do pico de US$ 310 bilhões, alcançado em junho de 2008. Em reais, a estatal bateu seis recordes de market cap em março, alcançando o pico de R$ 640 bilhões na quarta-feira, um ganho mensal de R$ 108 bilhões.

O movimento altista da estatal brasileira reflete, sobretudo, a exposição direta à forte subida do petróleo diante da escalada nos conflitos no Oriente Médio e a distância geográfica da guerra.

Apesar disso, o desconto da Petrobras em relação às concorrentes globais permanece. Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, isso decorre principalmente de fatores domésticos, que podem se sobrepor à commodity a qualquer momento, como risco de intervenção governamental, incertezas na política de preços de combustíveis e custo de capital elevado associado ao Brasil.

Medidas recentes, como tributação sobre exportações e manutenção da defasagem nos preços, também reforçam essa percepção.

Lemos lembra que a Petrobras concentra, em uma única ação, três vetores que, no caso dos concorrentes no exterior, são diluídos: exposição ao preço do petróleo, integração com refino e o prêmio (ou desconto) típico de mercados emergentes. “Com a alta do Brent, o mercado passou a precificar simultaneamente esses fatores”, afirma.

Além disso, a Petrobras parte de um valuation comprimido em relação aos pares internacionais, o que intensifica a reprecificação em cenários positivos para o Brent, como é o caso agora.

Esse desconto, por outro lado, também aumenta a sensibilidade do papel às variações do petróleo: em ciclos de alta, a valorização tende a ser mais intensa, mas o efeito se inverte em momentos de queda, especialmente se houver defasagem nos preços domésticos.

Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, leva em conta ainda que parte do desempenho recente da estatal também é explicada por uma correção de desempenho anterior. “Havia um gap relevante em relação às grandes petroleiras, e esse movimento ajudou a fechar parte dessa diferença”, diz.

Emergente

Ainda segundo Queiroz, o ambiente de país emergente também pesa nos fundamentos da companhia, com desafios estruturais como custos mais elevados, questões regulatórias e dificuldade de financiamento.

“Mas o principal fator segue sendo político. Qualquer interferência na Petrobras, seja em investimentos ou na política de preços, pode comprometer a eficiência e a geração de valor do ponto de vista especialmente do investidor estrangeiro”, pondera.

Na prática, isso limita o quanto o mercado está disposto a pagar pela ação, mesmo em um cenário favorável para o petróleo. Para investidores estrangeiros, a empresa continua sendo vista prioritariamente como uma tese de petróleo, com “opcionalidade de Brasil”: o fluxo externo acompanha o preço do Brent, enquanto uma eventual melhora no ambiente doméstico poderia destravar valor adicional.

Tanto a Petrobras como o governo federal vêm se movimentando para dar uma resposta à alta do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional. Na sexta-feira passada, a estatal anunciou um reajuste de 11,6% no diesel. O aumento aconteceu após 312 dias de preço congelado. A gasolina ainda segue sem alteração.

Nesta semana, o governo federal propôs que os Estados zerem o ICMS sobre a importação de diesel por dois meses, o que pode abrir espaço para que a Petrobras realize novos aumentos do combustível.

Na visão do Citi, a medida, se implementada, permitiria à petroleira reduzir a grande defasagem entre os preços domésticos e os de paridade de importação.

A questão dos dividendos também segue como um dos principais atrativos na demanda pelo papel da Petrobras, com retornos acima da média global, mas já em níveis mais próximos aos de outras petroleiras maduras. Segundo Queiroz, da L4, só voltariam a impulsionar fortemente as ações da estatal em um cenário de distribuição extraordinária, como ocorreu entre 2020 e 2022.

 

 https://istoedinheiro.com.br/petrobras-valoriza-guerra

Anvisa prevê decisão sobre primeiros genéricos do Ozempic até o fim de abril

 

A Anvisa informou que sua área técnica deverá ter até o final de abril uma posição a respeito de alguns pedidos de registro de semaglutida feitos por empresas farmacêuticas. Trata-se da substância presente no Ozempic e no Wegovy, cuja patente caiu nesta sexta-feira, 20.

A resposta do órgão regulador poderá ser uma aprovação, reprovação ou apresentação de exigência técnica. Neste terceiro caso, as farmacêuticas recebem um novo prazo para entregar informações adicionais ou ajustes no pedido.

Ainda que sejam aprovados, os medicamentos devem demorar mais algum tempo para chegar às farmácias, já que dependerão também da fabricação e logística das empresas responsáveis.

A Anvisa destaca que atualmente analisa oito pedidos de registro de medicamentos com o mesmo princípio ativo do Ozempic. Três deles já estão na fase de exigência, ou seja, receberam prazo até junho para apresentarem novos dados necessários para que a avaliação siga adiante.

Há ainda nove pedidos que aguardam o início da análise pelas áreas técnicas. No total, são assim 17 tentativas de comercializar novos medicamentos com semaglutida no país.

Análogos sintéticos x biológicos

Segundo o órgão regulador, cinco dos sete pedidos analisados atualmente são de semaglutida sintética. O oitavo, de semaglutida biológica, está entre os que aguardam resposta da empresa para exigência técnica.

Os medicamentos da Novo Nordisk atualmente disponíveis no Brasil contém semaglutida biológica. Em nota, a Anvisa diz que “a avaliação dos análogos sintéticos de semaglutida tem sido tratada como um desafio técnico para as agências reguladoras em todo o mundo. Até o momento nenhuma das principais agências de medicamentos do mundo como as do Japão, Europa e EUA registrou análogos sintéticos da semaglutida”.

A dificuldade na aprovação está em que é necessário analisar nestes produtos preocupações tanto típicas de medicamentos sintéticos (como risco de resíduos) quanto de biológicos (como possibilidade de produção de uma resposta imune capaz de reduzir os efeitos).

Semaglutida no SUS

A queda da patente e o surgimento de novos competidores no mercado abre a possibilidade de queda nos preços e de uma consequente implementação do medicamento no SUS (Sistema Unificado de Saúde) em breve. No ano passado, o governo federal analisou a inclusão do Ozempic na rede pública e chegou a uma resposta negativa pois o impacto orçamentário foi avaliado em mais de R$ 8 bilhões anuais.

Por ora, o Ozempic iniciou um projeto piloto apenas na rede municipal do Rio de Janeiro, realizada a partir de uma parceria entre a prefeitura e a fabricante, a dinamarquesa Novo Nordisk. Em nota, o Ministério da Saúde destaca que “o SUS é gerido de forma tripartite, por União, estados e municípios, que possuem autonomia para ofertar, inclusive com recursos próprios, medicamentos, vacinas e demais tratamentos, de acordo com as necessidades da população”.

Na capital fluminense, serão atendidas inicialmente 320 pessoas com IMC acima de 40 e comorbidades associadas, selecionadas pelo Centro Especializado em Obesidade e Metabolismo. Após três meses, o atendimento será estendido às clínicas da família da cidade, alcançando 10 mil pessoas.

Ozempic e os agonistas do GLP-1

A semaglutida compõe uma classe de medicamentos chamada de agonistas do GLP-1. Inicialmente desenvolvidos para tratamento do diabetes, estes fármacos simulam um hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano durante a digestão. Como consequência, diminuem os níveis de glicose no sangue e aumentam a sensação de saciedade após as refeições.

Além do Ozempic e Wegovy, remédios de semaglutida fabricados pela Novo Nordisk, outras opções populares no país são o Saxenda e Victoza (também da Novo Nordisk) e Olire e Lirux (da EMS), cuja substância ativa é a liraglutida; e o Mounjaro (da Eli Lilly), feito a partir de tirzepatida, o agonista do GLP-1 mais potente disponível atualmente no mercado.

 

 https://istoedinheiro.com.br/ozempic-generico-anvisa-preve-abril-20326

quinta-feira, 19 de março de 2026

Senado aprova uso imediato de tornozeleira por agressor de mulher

 

Senado Federal — Portal Institucional do Senado Federal


O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (17), o Projeto de Lei (PL) nº 2942/2024 que permite à Justiça determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica pelo agressor de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, se for verificado o alto risco à vida delas. O objetivo é ampliar a proteção às vítimas.

 De autoria dos deputados Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Marcos Tavares (PDT-RJ), o projeto aprovado sem mudanças pelo Senado foi relatado pela senadora Leila Barros (PDT-DF). A proposta segue, agora, para a sanção da Presidência da República.

A senadora pelo Distrito Federal disse que o projeto aperfeiçoa a legislação ao garantir a aplicação imediata do monitoramento eletrônico como medida protetiva de urgência.

“Somada ao afastamento do agressor do convívio com a vítima, a tornozeleira amplia a proteção às mulheres, permitindo inclusive o acompanhamento em tempo real do agressor por um dispositivo que emite um alerta, em caso de aproximação”, explicou a parlamentar Leila Barros.

O texto também torna permanente o programa de monitoramento eletrônico e de acompanhamento de mulheres em situação de violência.

Vira regra

Pelo projeto de lei, a imposição imediata do uso da tornozeleira passa a ser regra em casos de alto risco de agressões graves às mulheres. O risco a ser avaliado deve ser atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes.

A exigência da terminação de medida protetiva de urgência fortalece a proteção prevista na Lei Maria da Penha nº 11.340/2006, aplicável em conjunto com outras.

Até a aprovação deste projeto de lei, a Lei Maria da Penha autoriza a aplicação do monitoramento, mas como algo opcional, e não o inclui no rol das medidas protetivas de urgência.

Além dos casos em que for verificado o risco iminente à integridade física ou psicológica da vítima, a imposição da tornozeleira será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

 

Se o juiz decidir que a tornozeleira não deve ser mais usada como medida protetiva, o magistrado deverá justificar expressamente os motivos que o levaram a tomar a decisão.

Saiba mais sobre a medida no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Rastreamento pela vítima e pela polícia

O texto do projeto determina que, nas situações de uso da tornozeleira pelo agressor, deve ser entregue à mulher vítima um dispositivo portátil de rastreamento que alerte sobre eventual aproximação do agressor.

O aparelho de segurança vai emitir um alerta automático e simultâneo para vítima e para polícia, logo que o agressor romper a área de trânsito proibido, fixada judicialmente.

A iniciativa tem o objetivo de permitir o monitoramento ativo do cumprimento das restrições impostas.

Rigor para quem descumprir a lei

A imposição da tornozeleira também será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

O texto aprovado aumenta a punição caso o agressor se aproxime da vítima ou se remover ou violar a tornozeleira sem autorização judicial.

Hoje, a pena de reclusão varia de 2 a 5 anos, mais multa. Com a proposta, os agravantes aumentam a pena de um terço à metade do tempo de reclusão.

Cidades pequenas

Em municípios em que não existe uma comarca, portanto, localidades sem um juiz de plantão, o uso da tornozeleira poderá ser determinada pelo delegado de polícia local.

Atualmente, o afastamento imediato do lar é a única medida protetiva que o delegado pode adotar nas localidades sem um representante do poder Judiciário.

O delegado deverá comunicar, em até 24 horas, à Justiça sobre determinação de monitoramento eletrônico. O juiz deverá decidir sobre a sua manutenção e comunicar a decisão ao Ministério Público.  

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em 2024, 50% dos feminicídios ocorreram em cidades com até 100 mil habitantes. Naquele ano, apenas 5% das cidades possuíam delegacias da mulher e somente 3% dos municípios tinham acesso a uma casa abrigo.

Mais dinheiro e campanhas

O projeto também aumenta de 5% para 6% a cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) que deve ser destinada ao combate à violência contra a mulher.

O dinheiro deverá ser empregado, prioritariamente, na compra e manutenção das tornozeleiras eletrônicas e de dispositivos de alerta para as vítimas.

Segundo o projeto, as campanhas de enfrentamento da violência contra a mulher deverão contemplar informações sobre procedimentos e abordagens policiais, prevenção à revitimização, funcionamento das medidas protetivas de urgência e mecanismos de monitoração eletrônica.

Violência em números

A senadora Leila Barros classifica a violência doméstica como “uma verdadeira epidemia” e apresentou dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): em 2024, 966.785 novos casos de violência doméstica contra as mulheres foram analisados pela Justiça  e foram concedidas 582.105 medidas protetivas.

Dados do levantamento Retrato dos Feminicídios no Brasil 2006-2026 produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam que, em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em relação a 2021, o aumento é 14,5%.

O relatório mostra também que, em 2024, 13,1% das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil foram assassinadas mesmo tendo uma medida protetiva de urgência em vigor.

Desde que a Lei do Feminicídio (nº 13.104/2015) tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, 13.703 mulheres foram vítimas do feminicídio, entre 2015 e 2025.

Como denunciar

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser usado por mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar uma situação de violência contra a mulher.

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam), em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira. Saiba onde encontrar.

Ainda é possível pedir ajuda por meio do Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e pelo 190, número da Polícia Militar.

 

 


Para ONS, armazenamento é fundamental para estabilizar preços e garantir fluxo de energia

 





 ONS apresenta plano emergencial de cortes e fala em segundo ...

O diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) Christiano Vieira reiterou nesta quinta-feira, 19, que a confiabilidade da operação do setor elétrico passa pelo debate de questões estruturantes, entre elas, o controle da entrada de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), a redução da volatilidade da matriz energética e uma estrutura tarifária moderna. Em sua avaliação, dada a nova conjuntura de variáveis do setor elétrico, o patamar elevado do preço de curto prazo da energia (PLD) (a R$ 941,26 por MWh) não chega a surpreender.

Quem é Dario Durigan, confirmado como sucessor de Haddad no Ministério da Fazenda

 

O governo federal confirmou nesta quinta-feira, 19, a indicação do advogado Dario Durigan como substituto de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Anteriormente secretário executivo no Ministério e segundo no comando da pasta, ele já era ventilado no meio político como sucessor mais provável, especialmente após Haddad confirmar que havia sugerido seu nome.

Como uma espécie de teste público, Durigan foi escolhido para apresentar na véspera uma proposta do governo federal para que os estados zerem temporariamente a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ) sobre importação do diesel. Ainda como secretário executivo, ele anunciou o plano e respondeu às perguntas da imprensa. A IstoÉ Dinheiro publicou um trecho da apresentação:

 

 


 

   

A confirmação do nome de Durigan ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa em São Paulo, evento promovido pelo governo federal com objetivo de aproximar os ministérios da sociedade. “O companheiro Durigan será o substituto do Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Olhem bem para a cara dele, porque é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse o presidente Lula durante o evento.

Homem de confiança de Haddad com perfil negociador

Dario Durigan trabalhou com Haddad quando o petista foi prefeito de São Paulo. Naquela ocasião, atuou como Conselheiro de Administração da empresa pública SPUrbanismo e no assessoramento direto do prefeito, coordenando as secretarias e auxiliando na interlocução com a Câmara Municipal.

Assumiu o cargo de secretário executivo da Pasta em 2023, substituindo Gabriel Galípolo no cargo. Desde então, manteve uma atuação discreta, com poucas falas públicas. Em suas declarações, manteve um discurso alinhado com Haddad, de defesa de ajustes fiscais através de expansão de receitas. “A gente faz esse ajuste fiscal diferente do que fez a Argentina, por exemplo, botando mais da metade da população na pobreza”, disse em junho do ano passado.

Especialistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro apontam que Durigan não tem uma agenda política própria. Espera-se que ele dê continuidade ao trabalho como já ocorre no Ministério. “O desempenho à frente do ministério dependerá de sua capacidade de manter o diálogo com o Congresso, com o mercado e com outras áreas do governo”, afirma o economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação.

Durigan também passou por cargos públicos em dois momentos na Advocacia-Geral da União. Primeiro, no Departamento de Gestão Estratégica entre 2010 e 2011. Depois, como consultor jurídico da União entre 2017 e 2019, período no qual foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da AGU.

No setor privado, foi diretor de políticas públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023. Também atuou como presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil. Atualmente, é ainda membro Conselheiro do Conselho Fiscal da Vale.

Em relação a sua formação, Durigan é advogado graduado na Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), com uma dissertação sobre “Desobediência Democrática no Brasil”. Ter profissionais de fora da economia no comando da Fazenda não é inédito. O exemplo mais notório da Nova República é o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que liderou a pasta sob Itamar Franco e coordenou a implementação do Plano Real.

Os desafios de Dario Durigan

Ao assumir o cargo, o novo ministro herdará desafios já enfrentados por Haddad para manter uma ampla gama de auxílios e incentivos em meio a uma forte crise fiscal. A dívida pública sobre o PIB chegou a 78,7% em janeiro. Com a instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio, a complexidade de gerir as contas públicas aumenta ainda mais.

“Ele vai continuar com os mesmos desafios que o ministro [Fernando Haddad] já enfrentava esse ano. Pressão por aumento de gastos, um arcabouço fiscal que não consegue entregar suas metas, pressão do mercado a respeito de um horizonte de longo prazo”, afirma o diretor nacional do Ibmec, Reginaldo Nogueira.

Mas, no que diz respeito a indicação em si, trata-se de uma medida já esperada pelo mercado financeiro.

Estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz afirma que “antes de entrar no governo, o que Durigan escreveu e falou é muito mais tranquilo para o mercado financeiro do ponto de vista da ortodoxia econômica. O próprio Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tinha escrito alguns artigos com o ministro Haddad bem mais heterodoxos, e hoje ele é unanimidade”.

 

 https://istoedinheiro.com.br/quem-e-dario-durigan-fazenda-19326