sexta-feira, 17 de abril de 2026

R$ 80 bilhões incinerados e conselho mais caro da bolsa: entenda o imbróglio da Hapvida e o que está em jogo

 

Há cerca de seis anos a Squadra Investimentos, de Guilherme Aché, publicou uma carta detalhando uma série de problemas e irregularidades nos balanços contábeis do IRB, em um dos episódios mais conhecidos do mercado financeiro em um passado recente. Neste mês de abril, novamente, a gestora publicou uma carta – mas desta vez não para falar de fraudes, mas do aparente descompasso entre a administração da Hapvida e a realidade que a companhia vivencia.

No documento de cerca de 15 páginas a Squadra levanta os mais diversos problemas da empresa no momento atual e pleiteia mudanças na gestão. Mudanças no Conselho de Administração da Hapvida, mais especificamente.

O colegiado de nove pessoas – dos quais três são membros da família fundadora, os Pinheiro Koren de Lima – recebe uma remuneração de R$ 57 milhões. É o terceiro conselho mais caro do país, ficando apenas atrás de Bradesco (R$ 65 milhões) e Rede D’Or (R$ 62 milhões).

O ponto, entretanto, é que proporcionalmente se trata do conselho mais caro com bastante folga. Isso, dado que Bradesco e Rede D’Or são companhias com valor de mercado de R$ 190 bilhões e R$ 89 bilhões, respectivamente. A Hapvida vale R$ 6,2 bilhões atualmente, e valia cerca de R$ 5 bilhões há dias atrás.

Com isso, a razão entre a remuneração do conselho e o valor de mercado da Hapvida é de 114 basis-points (bps). No caso do Bradesco são 3bps.

O Conselho do Itaú, uma das empresas mais valiosas do Ibovespa, com R$ 476 bilhões de valor de mercado, custa os mesmos R$ 57 milhões. A razão é de 1bps.

Na prática, a esmagadora maioria das companhias tem uma razão que não chega a 10bps ou 20bps.

“De acordo com seu Formulário de Referência, a Companhia mantém para o Conselho de Administração remuneração variável significativa e atrelada a métricas centrais na remuneração da Diretoria Executiva – o que compromete a independência do órgão e seu papel de supervisão da gestão. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, apesar de toda destruição de valor para os acionistas, o bônus recebido pelo Conselho de Administração correspondeu a 94% do ‘valor previsto no plano de remuneração, caso as metas estabelecidas fossem atingidas'”, observa a Squadra.


 

A remuneração do conselho também representa 20% do lucro previsto para a companhia neste ano, conforme o consenso dos analistas de sell-side – lucro este que é 86% menor do que o previsto anteriormente.

Para além dessa questão, a Squadra também fez apontamentos sobre a remuneração do CEO da Hapvida. Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima foi apontado como um dos CEOs mais bem pagos do país nos últimos anos.

“Pacote de remuneração portentoso para o CEO da Companhia, membro da família controladora, por ocasião da combinação de negócios com a NDI. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, devido ao reconhecimento desse pacote, a remuneração total do executivo mais bem recompensado foi de aproximadamente R$ 110 milhões, cifra que lhe valeu menções, em múltiplas reportagens, como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil”, diz a carta.

Aliás, sobre a integração com a NotreDame Intermédica – um dos maiores M&As da bolsa de valores nos últimos anos – a gestora também destaca que foi um negócio que não só ficou aquém do esperado mas que destruiu valor.

“Desde a concretização da combinação de negócios com a Notre Dame Intermédica (NDI) há 4 anos, o valor de mercado acumula queda de R$ 80 bilhões, não tendo sido capturadas, nem de perto, as sinergias anunciadas ao mercado à época da transação”, diz a casa.

Nesse panorama, e com uma série de outros apontamentos, em praticamente um dossiê, a gestora de Guilherme Aché considera que a Hapvida promoveu ‘uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro’ desde o seu IPO, em 2018.

O descolamento das ações da Hapvida do Ibovespa – e do seu setor

Desde o seu IPO em meados de 2018, a Hapvida viu suas ações derreterem mais de 85%. Nessa mesma janela o Ibovespa saltou mais de 120%.

Dados da Bloomberg mostram que em meados de 2023 eram 15 analistas do sell-side que recomendavam a compra dos papéis. Atualmente uma única casa recomenda compra das ações da Hapvida.

Negociados a atuais R$ 12, os papéis HAPV3 mostram que foram mais de R$ 80 bilhões de destruição de valor de mercado. Para além do comparativo com o principal índice da bolsa de valores, o setor de saúde em si vive um momento positivo.

No ano de 2025, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos de saúde registraram o maior lucro da série histórica, em um ano marcado por reajustes acima dos custos. O setor somou receitas de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões no ano passado.

No ano em questão a Hapvida somou receitas de R$ 30,8 bilhões, alta de 6% ante o exercício anterior. O lucro foi de R$ 1,2 bilhão (queda de 32%) e o Ebitda foi de R$ 3,37 bilhões (queda de 11%).

A Rede D’Or, na mesma janela, lucrou R$ 3,9 bilhões com R$ 51 bilhões de receita, representando crescimentos de 81% e 9%, respectivamente. A Fleury teve um salto de 32% no seu lucro líquido, para R$ 616 milhões, com R$ 7,7 bilhões de receita líquida, registrando alta de 18%.

Na prática, a Hapvida nadou de braçada – mas na direção contrária do setor, com encolhimento de dois dígitos percentuais em linhas do bottom line do balanço. Isso, fruto de uma operação que também encolheu.

Segundo dados da própria empresa, foram 238 mil beneficiários perdidos nas regiões Sudeste e Sul, enquanto a ANS mostrou um incremento de 792 mil beneficiários nas regiões em questão (já incluindo neste número as perdas registradas pela empresa).

O que quer a Squadra Investimentos

Os levantamentos sobre a situação da companhia, vale destacar, não vieram à toa. A Squadra é dona de 7% das ações votantes da companhia e 5% do capital social total.

A PPAR Pinheiro Participações S.A. – que contempla a PPAR Participações, pessoas físicas do controle da empresa e a família Pinheiro – detém 40%, ao passo que 48,5% das ações da Hapvida estão em circulação, o chamado free float.

Neste contexto, há alguma queda de braço sobre o futuro da empresa.

Enquanto a proposta da administração atual é pela renovação automática do Conselho, a Squadra quer uma renovação do colegiado. A proposta da administração, aliás, será submetida à votação em uma Assembleia Geral Ordinária a ser realizada no dia 30 de abril.

“A Squadra requer que a eleição de membros do Conselho de Administração na próxima Assembleia Geral Ordinária se dê com a adoção do processo de voto múltiplo na forma do art. 141 da Lei 6.404/76 e indica, por meio desta carta, três candidatos que acredita terem a experiência e complementariedade essenciais para a correção de rota que a Companhia necessita”, pede a gestora, ao fim do documento.

Com isso, a casa sugere três nomes para o conselho:

  • Tania Sztamfater Chocolat
  • Bruno Magalhães e Silva
  • Eduardo Parente Menezes

Tania Sztamfater Chocolat é engenheira de produção pela Escola Politécnica da USP com carreira construída inteiramente no mercado financeiro. Atualmente integra os conselhos de administração da Equatorial Energia, Totvs e EMAE, além dos conselhos consultivos da Fundação OSESP e da WCD Brasil. Sua trajetória mais recente foi no CPP Investments, um dos maiores fundos de pensão do mundo, onde entre 2017 e março de 2026 liderou o escritório de São Paulo e a área de Active Equities para a América Latina. Antes disso, passou pela Capital Group liderando investimentos de Private Equity no Brasil e por quase uma década no Itaú Unibanco em posições seniores de Investment Banking, Research e Private Banking.

Bruno Magalhães e Silva é administrador de empresas pelo IBMEC com pós-graduação em Direito Empresarial pela FGV-RJ. Sua trajetória é marcada pela atuação na própria Squadra Investimentos, da qual foi sócio fundador e Senior Partner, atuando como analista de investimentos de 2008 a 2025 com foco nos setores de saúde, commodities e facilities. Antes da Squadra, trabalhou como analista de ações na JGP Asset Management.

Por fim, Eduardo Parente Menezes é engenheiro de produção pela UFRJ e mestre em administração pela Universidade de Nova Iorque. Atualmente é Chairman da Equatorial, conselheiro da Sabesp e assessor do conselho da UTP no Peru. Entre 2018 e 2025, presidiu o Grupo Yduqs. Antes disso, comandou a Companhia Siderúrgica do Pecém, o Porto do Açu e a MRS Logística, foi diretor da Vale e passou nove anos na McKinsey & Company, onde chegou a sócio responsável pelo escritório do Rio de Janeiro.

A dança das cadeiras na diretoria

Afora eventuais mudanças no Conselho, a administração da empresa passa por mudanças severas.

Em menos de três anos, dos sete executivos-chave escalados no Investor Day da empresa para apresentar a estratégia e gestão, apenas dois permanecem na empresa – sendo que um deles é o CEO e membro da família fundadora e o outro renunciou oficialmente, sendo recontratado 20 dias depois para assumir outra função.

Jorge Pinheiro, o CEO, irá deixar o cargo. Depois de quase três décadas à frente da empresa, ele seguirá apenas como Conselho de Administração. O empresário ainda segue no posto, mas está em período de transição.

Ele passará o bastão para Luccas Adib, até então CFO e CTO da companhia. Adib ingressou no C-level como CFO em dezembro de 2023 e assumiu também a função de tecnologia em abril de 2025.

“Reconheço, no entanto, que os resultados financeiros recentes ficaram aquém do que somos capazes de entregar. Poderíamos ter feito mais e melhor. Essa consciência nos move”, disse o executivo, em uma carta enviada aos acionistas no início deste mês.

A Squadra também vê uma questão a ser resolvida por aí – a gestora pede que o Conselho a ser eleito no fim deste mês reavalie esta transição antes de aprová-la.

A Hapvida também consolidou o anúncio de mudanças nas lideranças na semana passada, cujas nomeações ainda serão submetidas ao Conselho de Administração na assembleia do dia 30 de abril:

  • Lucas Garrido — Vice-presidente de Finanças (CFO)
  • Fabiane Reschke — Vice-presidente Jurídica (CLO)
  • Felipe Nobre — Vice-presidente de Estratégia, M&A e Relações com Investidores
  • Felipe Araújo — Vice-presidente de Pessoas
  • Gianfranco Lucchesi — Vice-presidente de Planos Premium
  • Bruno Pinto — Vice-presidente de Relacionamento Médico e Sinistro (Chief Medical Officer)
  • Daniel Vidotti — Vice-presidente de Tecnologia (CIO)
  • Nicolau Camargo — Vice-presidente de Clientes

Essa dança das cadeiras ocorre enquanto a família Pinheiro concentrou ainda mais poder ao comprar 47 milhões de ações por meio de um derivativo com o BTG Pactual – movimento que elevou sua participação no capital total. Com isso, a família se tornou formalmente a acionista majoritária.

A IstoÉ Dinheiro entrou em contato com a Hapvida, que não respondeu pedidos de comentário. O espaço segue aberto.

Casa alugada é a principal opção de moradia para o brasileiro, mostra IBGE

 

 

De 2025 para 2026, o número de pessoas vivendo em casa própria quitada reduziu ao passo que o número de pessoas vivendo em casa alugada e pagando pelo domicílio expandiu. No recorte de tempo de 2016 para 2025, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), divulgada nesta sexta-feira, dia 17.

O IBGE  revela um crescimento de 2,6% no número de domicílios no Brasil, um aumento de 2 milhões de unidades, de 2024 para 2025, totalizando 79,3 milhões de domicílios (2025) contra 77,3 milhões (2024).

De 2024 para 2025, o número total de domicílios próprios e quitados apresentou redução de 61,6% para 60,2%, o que corresponde a 47,8 milhões de domicílios. A comparação mostra uma queda de 1,4% entre os períodos.

.divulgação/IBGE. PNAD Contínua 2025 -recorte domicílios e

Com relação ao percentual de domicílios próprios ainda em pagamento, a pesquisa mostra que houve um aumento de 6% para 6,8% (5,4 milhões), de 2024 para 2025. Com relação ao aluguel, a expansão foi de 23% para 23,8% na mesma base de comparação.

Por tipo de unidade domiciliar, as casas correspondem a 82,7% (65,6 milhões) do total de domicílios no país, enquanto que os apartamentos totalizam 17,1% (13,6 milhões).

Num recorte de tempo mais amplo, de 2016 para 2025, o número de apartamentos expandiu 48,7%, enquanto o de casas cresceu 14,2%, contribuindo para o declínio na participação de casas e aumento na de apartamentos, dentre o total de domicílios no país.

De 2016 para 2025

Em 2025, o número de domicílios particulares permanentes aumentou 18,9%, de 66,7 milhões para 79,3 milhões, em comparação com 2016. Neste período, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Já os domicílios próprios ainda pagando tiveram elevação de 31,2%, enquanto os já pagos subiram 7,3%. As informações são da Pnad Contínua: Características dos domicílios e moradores, divulgada hoje (17) pelo IBGE.

O aumento das unidades domiciliares alugadas foi um dos destaques, de acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill. “Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016”.

Bens de consumo

Entre os bens mais consumidos nos domicílios no país no período, a pesquisa mostra que a máquina de lavar roupa foi o item mais adquirido, com expansão de 70,4% (2024)  para 72,1% (2025). Em segundo lugar foi a motocicleta, que registou expansão de 25,7% (2024) para 26,2% (2025), seguido do item carro, que expandiu de 48,8 (2024) para 49,1% (2025), de acordo com o levantamento do IBGE.

(com Agência Brasil)

Petróleo desaba mais de 10% após Irã anunciar reabertura do Estreito de Ormuz durante cessar-fogo

 

 

Os preços do petróleo desabam mais de 10% nesta sexta-feira, 17, após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz.

Abbas Araghchi, o atual ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou que a reabertura do Estreiro de Ormuz seguirá durante o restante do período de cessar-fogo do conflito, de 10 dias – em linha com o cessar-fogo do Líbano.

A passagem das embarcações seguirá uma rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do país.

Nesse contexto, o petróleo Brent cai 12,81% a US$ 86,66 por volta das 12h (horário de Brasília). Os contratos para maio do West-Texas Intermediate (WTI) recuam 13,92% a US$ 81,51.

A incursão militar dos EUA e Israel no Irã, no fim de fevereiro, foi o gatilho para o fechamento do estreito – passagem por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito de todo o mundo.

O fechamento do estreito foi descrito por especialistas como um evento que poderia ocasionar o pior choque de oferta do petróleo da história global.

No início deste mês o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, classificou a atual crise de petróleo como a mais grave da história moderna, superando os impactos combinados dos choques petrolíferos de 1973, 1979 e 2022.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já revisou sus projeções e, nesta semana, reduziu as expectativas para o crescimento econômico global, alertando que a possibilidade de recessão é concreta na eventualidade de o conflito se prolongar.

Navios iranianos retomam escoamento de barris de petróleo

Segundo informações da AFP, três navios petroleiros iranianos deixaram na quarta-feira, 15, o Golfo pelo Estreito de Ormuz com cinco milhões de barris de petróleo, os primeiros desde o início do bloqueio dos Estados Unidos aos portos do Irã.

A Kpler, empresa de dados marítimos, aponta que as embarcações Deep Sea’, Sonia I e Diona – então alvos de sanções dos EUA – atravessaram a passagem.

Enquanto o Deep Sea e o Diona transportam dois milhões de barris cada um, o Sonia I carrega um milhão de barris de petróleo.

Os EUA sustentavam, desde segunda-feira 13, um bloqueio aos portos iranianos.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

‘Prévia do PIB’ do BC aponta crescimento de 0,6% em fevereiro, acima do esperado

 

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo BC nesta quinta-feira, 16.

O resultado veio acima do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de fevereiro era de avanço de 0,47%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior o IBC-Br teve queda de 0,3%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,9%, de acordo com números não dessazonalizados.

O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, aumentou 0,61% em fevereiro, após uma alta de 0,96% no mês anterior (revisado, de 0,86%). O indicador próprio da agropecuária subiu 0,23%, após queda de 1,32% em janeiro (revisado, de -1,49%).

O índice de serviços cresceu 0,29%, após subir 0,87% no mês anterior (revisado de 0,81%); o da indústria aumentou 1,18%, após aumentar de 0,40% em janeiro (revisado, de 0,37%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 0,75%, após alta de 0,78% em janeiro (revisado de 0,47%).

Expectativas

Analistas acreditam que a economia brasileira deve continuar mantendo alguma força em 2026, em meio a um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, que favorecem o consumo.

No entanto, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano.

No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à frente devido à guerra no Oriente Médio.

O mercado projeta atualmente para o PIB (Produto Interno Bruto) uma alta de 1,85% em 2026 e de 1,80% em 2027. Ainda assim, o desempenho previsto segue abaixo do avanço de 2,3% do PIB que o Brasil registrou em 2025, que foi o pior desde 2020, segundo dados do IBGE.

 

OCDE: taxa de desemprego se mantém em 5% em fevereiro, perto de mínima histórica

 

A taxa de desemprego da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ficou estável em 5% em fevereiro, bem próxima da mínima recorde de 4,8% atingida em junho de 2023, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira, 16. Na comparação mensal, o desemprego permaneceu inalterado em 19 países da OCDE em fevereiro, subiu em outros 11 e recuou em três.

 

O conselho de administração da Oncoclínicas aprovou nesta quinta-feira proposta de operação de fomento à companhia e à distribuidora de produtos hospitalares e oncológicos apresentada pela MAK Capital e pela Lumina, conforme fato relevante da empresa enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A proposta, a ser financiada pela Lumina, no valor entre R$100 milhões e R$150 milhões, a depender do valor das garantias disponíveis, tem objetivo de “viabilizar a aquisição de medicamentos pela companhia junto à OncoProd e, assim, preservar a geração de receitas de ambas as companhias e a continuidade de sua cadeia de fornecimento essencial”, afirmou a Oncoclínicas.

De acordo com o fato relevante, a operação contará com a constituição de garantia fiduciária de recebíveis oriundos de contratos celebrados pela rede credenciada da Oncoclínicas com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras, e sua implementação estará sujeita à celebração dos documentos definitivos e ao cumprimento de condições precedentes usuais.

A operação também depende de condições precedentes específicas, incluindo a formalização dos instrumentos aplicáveis entre a Oncoclínicas e a OncoProd, bem como a definição do montante de recebíveis a serem cedidos fiduciariamente em valor compatível com a operação e a obtenção das anuências necessárias de operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras para a vinculação e direcionamento desses recebíveis.

Na mesma divulgação, a Oncoclínicas disse que, em cumprimento às condições apresentadas pela MAK Capital e Lumina para confirmação da proposta, o conselho de administração recebeu a renúncia de Bruno Lemos Ferrari aos cargos de membro e vice-presidente do colegiado, com efeitos imediatos.

Para preencher os dois cargos vagos em função das renúncias de Marcelo Gasparino e Bruno Lemos Ferrari, Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK Capital, e Carlos Gil Ferreira, diretor-presidente da companhia, foram nomeados como membros do conselho, com mandato até a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da empresa convocada para o próximo dia 30.

Quem são os 2 cientistas brasileiros na lista de mais influentes da Times junto com Wagner Moura

 

 

A revista Time divulgou nesta quarta-feira, 15, a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Três brasileiros entraram na lista, dos quais o mais famoso é o ator Wagner Moura. Os outros dois são cientistas, com contribuições importantes para a alimentação e saúde no mundo: Mariangela Hungria e Luciano Moreira. Veja aqui a lista da Time.

Mariangela é agrônoma e microbiologista, trabalha para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e em 2025 foi laureada com o World Food Prize, a condecoração mais importante da agricultura mundial, conhecida como o “Nobel” da Alimentação e Agricultura. Ela dedicou sua carreira à pesquisa de insumos biológicos como alternativa para substituir os fertilizantes químicos.

Luciano, por sua vez, é biólogo e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ele criou uma versão do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, com uma bactéria chamada Wolbachia (comum em muitos insetos). Com a presença da bactéria, o vírus não consegue se reproduzir no mosquito, fazendo com que ele não transmita a doença para os seres humanos. Em 2025, foi reconhecido como uma das dez pessoas que moldaram a ciência naquele ano, segundo a prestigiosa revista científica Nature.

Mariangela Hungria e os fertilizantes naturais

O texto de Mariangela para a Time foi escrito por Kyla Mandel, editora-sênior da revista. Mandel destaca que a pesquisadora brasileira desenvolveu micróbios do solo que permitem que as culturas absorvam nitrogênio do ar de forma mais natural, sem os lados negativos do uso de fertilizantes sintéticos, como a contaminação de rios.

A Time informa que, graças a Mariangela, 85% da soja brasileira é cultivada usando esses micróbios, e que as inovações ajudaram os agricultores brasileiros a economizar, no total, cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono.

Em entrevista concedida ao Estadão em 2025, Mariangela contou que desde os oito anos de idade ela já sabia que queria ser uma microbiologista. Graduou-se em Engenharia Agronômica na USP, na época “uma profissão bem masculina e machista”, conta. Depois, fez mestrado e doutorado, ambos com teses em fixação biológica do nitrogênio. Entrou na Embrapa em 1982.

“Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando, num país onde o financiamento para pesquisa é muito irregular, e tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época que era só de químicos. Além de ser mulher, mãe, eram tantas improbabilidades na minha vida toda, numa carreira que era essencialmente masculina, que tudo isso era muito difícil de acreditar. Mas, deu certo desse jeito”, contou Mariangela ao Estadão em 2025.

A cientista afirmou que, se pudesse deixar um legado, seria uma homenagem às mulheres. “Se não fossem as mulheres, a gente teria um número ainda maior de pessoas passando fome, relatou. O combate à fome é uma das prioridades dela, e considera que a tecnologia é fundamental para isso, mas sabe que o problema é multidisciplinar.

Luciano Moreira e o Aedes Aegypti que não transmite dengue

O cientista brasileiro Luciano Moreira lidera a maior fábrica de mosquitos do mundo (foto: Peter Ilicciev_WMP Brasil_Fiocruz)
O cientista brasileiro Luciano Moreira lidera a maior fábrica de mosquitos do mundo (foto: Peter Ilicciev_WMP Brasil_Fiocruz)

Luciano Moreira é um entomologista (biólogo especializado em insetos), e teve o texto escrito por Scott O’Neill, CEO do World Mosquito Program (Programa Mundial dos Mosquitos), ONG que busca proteger o mundo de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika.

O’Neill relatou a importância de Moreira na criação e implementação do método Wolbachia de combate à dengue. A bactéria Wolbachia impede que o vírus se reproduza dentro dos mosquitos e, portanto, que os mosquitos transmitam a dengue para os seres humanos.

A fêmea do mosquito infectada com a Wolbachia passa a bactéria para os ovos. Dessa forma, as novas gerações de mosquitos já nascem infectadas, reduzindo a circulação do vírus. A bactéria é inofensiva para os mosquitos, tornando o método sustentável.

A Time também mencionou a expansão nacional constante do método desde a primeira implantação, em 2012, com o trabalho de Moreira conseguindo a construção de evidências da eficácia, o fortalecimento de parcerias comunitárias e a conquista da confiança do público.

Dessa forma, o cientista da Fiocruz logrou em 2025 o lançamento da Wolbito do Brasil – a maior biofábrica do mundo dedicada à criação de mosquitos Wolbachia.

Assim como Mariangela, Luciano contou ao Estadão que o interesse pela ciência começou ainda na infância. “Acho que remete lá atrás quando era criança”, afirmou, em 2025. “Eu sempre gostei de mexer, de testar coisas. Eu achava insetos em casa, misturava produto de limpeza da minha mãe, injetava neles e observava o que acontecia. Era sempre curioso, buscando coisas. Tinha essa vontade de tentar achar soluções, de entender o que acontecia quando experimentava algo”.

Para Moreira, os resultados alcançados pelo método dele não eliminam os desafios nem dispensam cautela, mas ajudam a sustentar o caminho escolhido. “Quando nós vemos resultados positivos, sabemos que estamos contribuindo”.