terça-feira, 14 de julho de 2026

Sul contrata seis em cada dez trabalhadores estrangeiros no Brasil

 

Mais da metade são venezuelanos, enquanto 40% vêm de Cuba, Argentina, Paraguai e Haiti 
 
 
Quatro em cada dez imigrantes admitidos no semestre trabalham no setor industrial

 

O Sul é região que mais emprega imigrantes no Brasil. Até junho, mais de 37 mil pessoas estrangeiras foram contratadas no país. Destes, 65,8% nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No país, também foram registrados mais de 30 mil desligamentos, e o saldo positivo ficou em 6,7 mil empregos. A região Sul concentra 4,2 mil empregos do saldo positivo. Os dados estão disponíveis no painel de informações do novo Caged.

O resultado acompanha o do mesmo período do ano passado, quando a região Sul contratou mais de 128 mil imigrantes, 65% do total nacional. No acumulado do ano, em 2025, foram 63%. Santa Catarina foi o estado que mais contratou, com 37% das admissões a nível nacional. O Paraná vem logo a seguir, com 34%. O Rio Grande do Sul foi responsável por 28% das contratações de imigrantes no mesmo período.

O levantamento do Caged, do Ministério do Trabalho, apontou que a maior parte foi admitida na produção industrial (45,3%), seguido pelo setor de serviços (28,3%), principalmente no comércio. Além disso, um a cada dez trabalhadores estrangeiros contratados no período tem o ensino médio completo. Nove em cada dez estrangeiros que encontram oportunidades no Brasil vem de cinco países: Venezuela, Cuba, Argentina, Paraguai e Haiti. Mais da metade dos imigrantes contratados veio da Venezuela (51,9%).


https://amanha.com.br/categoria/brasil/sul-contrata-seis-em-cada-dez-trabalhadores-estrangeiros-no-brasil?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=Sul+contrata+seis+em+cada+dez+trabalhadores+estrangeiros+no+Brasil+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+14_07_2026

Plataforma do Senai de inovação para a indústria disponibiliza R$ 190 milhões para projetos

 

Recursos serão destinados para impulsionar o desenvolvimento de novos projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no país 
 
 

 

 

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) lançou na quarta-feira (1) o ciclo 2026 da plataforma Inovação para a Indústria. A plataforma vai contar com cerca de R$ 190 milhões para impulsionar o desenvolvimento de novos projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no país. Consolidada como instrumento de fomento mais perene das últimas duas décadas, a plataforma completa 22 anos em 2026. Desde 2004, a iniciativa já movimentou mais de R$ 1,6 bilhão entre recursos do Senai e contrapartidas da iniciativa privada, viabilizando mais de 1.600 projetos para 2.500 empresas de 19 setores econômicos.

Entre os destaques do lançamento estão a "Chamada Regional", focada em viabilizar operações coordenadas pelos Departamentos Regionais; os "Habitats de Inovação", que permitem que indústrias usufruam da infraestrutura física e de pesquisadores dos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia; e ações estratégicas como a "Agenda.Tech" e o "Projeto Semente", desenhados para estruturar alianças e roadmaps tecnológicos visando resolver desafios de grande impacto para o Brasil. "A nossa plataforma promove a redução de riscos para a empresa em projetos de P&D e inovação, por meio do compartilhamento de desafios com outros parceiros de peso, como os nossos institutos, sempre mantendo o foco em gerar resultados reais e práticos para a indústria", destaca Roberto de Medeiros Junior, superintendente de inovação e tecnologia do Senai. 

As regras e cronogramas variam de acordo com o edital de cada categoria. Para participar, é necessário realizar a inscrição e apresentar detalhes da ideia para cada projeto. Os departamentos regionais do Senai possuem interlocutores de inovação que são responsáveis por multiplicar o conhecimento localmente, com o papel de ponto focal de comunicação com a equipe nacional da plataforma, para auxiliar os empresários em todo o processo de submissão, avaliação e contratação de projetos aprovados na plataforma.

 

 https://amanha.com.br/categoria/industria/plataforma-do-senai-de-inovacao-para-a-industria-2026contara-com-r-190-milhoes?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=Plataforma+do+Senai+de+inova%C3%A7%C3%A3o+para+a+ind%C3%BAstria+disponibiliza+R%24+190+milh%C3%B5es+para+projetos+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+14_07_2026

Banco Central amplia acesso a contas em moeda estrangeira

 

Medida busca reduzir custos, simplificar operações e dar mais eficiência aos negócios internacionais

A norma entra em vigor em 1º de outubro deste ano

 

O Banco Central (BC) anunciou novo passo no processo de modernização do mercado de câmbio brasileiro. A Resolução BCB 575 ampliou as possibilidades de abertura e movimentação de contas de depósito em moeda estrangeira no país, permitindo que novos perfis de pessoas jurídicas passem a utilizar esse instrumento em operações ligadas ao comércio exterior, ao crédito externo e ao investimento estrangeiro. A medida tem como objetivo aumentar a eficiência das operações internacionais. "Estamos aprimorando a regulação cambial para refletir melhor a inserção internacional da economia brasileira, com mais eficiência operacional e menor custo para as empresas", destaca Ricardo Franco Moura, chefe do departamento de regulação prudencial e cambial do BC.

A regulamentação atual já permite a utilização dessas contas por determinados agentes econômicos, como instituições financeiras, embaixadas, seguradoras e empresas de setores específicos. A medida amplia esse rol, incluindo novas categorias de titulares. Com a nova regra, poderão ser titulares dessas contas pessoas jurídicas exportadoras de bens, empresas residentes de direito privado com dívidas contratadas no exterior, sociedades sediadas no país com participação direta de não residentes em seu capital social e pessoas jurídicas não residentes credoras de crédito externo ou com participação direta em empresas brasileiras.

A norma mantém as atuais restrições ao uso de moeda estrangeira para pagamentos no território nacional e não interfere na formação da taxa de câmbio. Também foram preservadas as exigências de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, em linha com padrões internacionais. Além disso, as novas contas estarão sujeitas a condições específicas, como a vedação a saques e depósitos em espécie e a necessidade de comprovação da origem dos recursos. A norma entra em vigor em 1º de outubro de 2026, prazo definido para que as instituições autorizadas adaptem seus sistemas e processos.

 

 https://amanha.com.br/categoria/brasil/banco-central-amplia-acesso-a-contas-em-moeda-estrangeira?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=Banco+Central+amplia+acesso+a+contas+em+moeda+estrangeira+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+14_07_2026

Casan vence licitação para concessão de serviços em Timbó

 


Companhia apresentou proposta de R$ 60 milhões 
 
 
Com prazo de concessão de 35 anos, o projeto contempla a prestação plena dos serviços de água e esgoto

 

A prefeitura de Timbó (SC) realizou na sexta-feira (10), na B3, em São Paulo (SP) o leilão para a concessão dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário do município. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) foi a vencedora da licitação ao apresentar proposta de R$ 60 milhões. Com prazo de concessão de 35 anos, o projeto contempla a prestação plena dos serviços de água e esgoto, incluindo a operação, manutenção, ampliação dos sistemas e a execução dos investimentos necessários para a modernização da infraestrutura de saneamento da cidade. 

A concessão também prevê o cumprimento das metas de expansão, universalização e qualidade dos serviços estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, contribuindo para a ampliação do acesso da população ao saneamento básico, a melhoria dos indicadores de saúde pública, a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável de Timbó.

 

 

 https://amanha.com.br/categoria/negocios-do-sul1/casan-vence-licitacao-para-concessao-de-servicos-em-timbo

 

O paradoxo da escolha infinita

 


Por que, quanto mais opções existem, mais valiosas se tornam as marcas que simplificam decisões 
 
 

Esse conteúdo é parte integrante da edição 352 de AMANHÃ. Acesse a publicação completa gratuitamente.

 

Durante décadas, o avanço do consumo foi guiado por uma ideia simples e sedutora: quanto mais opções, melhor. A lógica parecia inquestionável. Mais concorrência gera melhores produtos, mais alternativas ampliam a liberdade e, consequentemente, consumidores ficam mais satisfeitos. Foi assim que o mercado evoluiu, saindo de um cenário de escassez para um ambiente de abundância radical. O problema é que essa promessa ignorava um fator central: o funcionamento do cérebro humano. Porque, na prática, a abundância não libertou, ela sobrecarregou.

 

Hoje vivemos um paradoxo silencioso e profundamente estratégico: nunca tivemos tantas opções e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil escolher. A neurociência e a psicologia comportamental já demonstram com consistência que, diante de muitas alternativas, o cérebro não melhora sua capacidade de decisão. Ele colapsa. O resultado não é uma escolha mais racional, mas sim paralisia, ansiedade e arrependimento antecipado. O consumidor contemporâneo não sofre pela falta de opções, mas pelo excesso delas.

A realidade psicológica aponta em uma direção clara. E a neurociência tem acumulado evidências suficientes para afirmar com segurança: o excesso de opções não gera liberdade. Gera paralisia. Quanto mais opções surgem, mais difícil se torna decidir e mais o cérebro recorre a atalhos de familiaridade e confiança. No século XX, as marcas competiam por espaço físico, posição na gôndola, tamanho do display, visibilidade no ponto de venda. Era uma disputa por atenção passiva em um ambiente de escassez de opções. Hoje, essa lógica foi completamente invertida. O espaço digital é infinito, a oferta é praticamente ilimitada e a concorrência é permanente.

 

Um paradoxo silencioso e profundamente estratégico: nunca tivemos tantas opções e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil escolher

A disputa agora acontece na palma da mão. Um consumidor médio é exposto a mais de 4 mil mensagens publicitárias por dia — a maioria invisível, filtrada automaticamente pelo cérebro antes de chegar à consciência. O TikTok acumula mais de 1 bilhão de visualizações por dia e recebe 34 milhões de novos vídeos nas mesmas 24 horas. O Instagram Reels compete pelo mesmo segundo de atenção. Nesse ambiente, não é o melhor produto que vence, é o mais facilmente reconhecível. O que se tornou escasso não é somente a atenção, é a clareza. E é justamente aí que reside o novo campo de batalha das marcas: não a prateleira, mas a mente. E nela, o recurso mais precioso não é apenas a atenção, mas a capacidade de processamento.

Diante desse excesso, o cérebro faz o que sempre fez para sobreviver: simplifica. Não por estratégia, mas por necessidade. Em ambientes de alta complexidade, o sistema cognitivo ativa atalhos mentais, conhecidos como heurísticas. O consumidor passa a escolher o que já conhece, o que já viu antes, o que parece familiar e o que exige menos esforço. É nesse momento que ocorre uma mudança estrutural no comportamento: o consumidor deixa de decidir ativamente e passa a reagir automaticamente.

 

Paradoxo da escolha


O psicólogo Barry Schwartz foi quem mais sistematicamente documentou esse fenômeno, batizado como paradoxo da escolha. Em seu trabalho seminal de 2004, Schwartz demonstrou que o aumento no número de alternativas disponíveis não eleva a satisfação do consumidor, pelo contrário, frequentemente a reduz. O mecanismo é duplo. Primeiro, há a sobrecarga cognitiva: o cérebro é forçado a processar e comparar um volume de informações para o qual simplesmente não foi evolutivamente preparado. Segundo, e de forma mais insidiosa, emerge o que Schwartz chamou de "custo de oportunidade maximizado" — a certeza crescente de que, qualquer que seja a escolha feita, algo melhor ficou para trás. A abundância gera arrependimento antecipado.

O ambiente que se tornou o novo campo de batalha das marcas: o TikTok acumula mais de 1 bilhão de visualizações por dia e recebe 34 milhões de novos vídeos nas mesmas 24 horas

 

O experimento de referência foi conduzido pelas psicólogas Sheena Iyengar e Mark Lepper em 2000, em uma mercearia de alto padrão em Menlo Park, na Califórnia. Quando expostos a 24 variedades de geleia, os consumidores paravam mais para olhar, mas compravam menos. Quando a mesa exibia apenas seis opções, a taxa de conversão saltava em proporção de dez para um. Décadas depois, o mesmo fenômeno se repete em escala digital: pesquisas de usuários e seus comportamentos revelam que páginas de e-commerce com mais de 12 produtos na tela inicial têm taxa de rejeição 35% superior às que apresentam curadoria reduzida. O algoritmo que entrega "mais relevância" frequentemente entrega mais paralisia.

Esse movimento também demonstra um custo invisível da abundância: quanto mais opções existem, menor tende a ser a satisfação com a escolha feita. A decisão deixa de ser um ponto final e passa a carregar um ruído constante de dúvida. Mais escolha, portanto, não gera mais segurança. Gera mais insegurança. E para compreender por que marcas fortes se tornam tão valiosas nesse contexto, é necessário recuar à arquitetura da tomada de decisão humana. Nos anos 1970, os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky demonstraram que o cérebro opera fundamentalmente por meio de heurísticas — atalhos mentais que permitem decisões rápidas sem esgotar recursos cognitivos.

O trabalho de Kahneman, premiado com o Nobel de Economia em 2002, formalizou essa divisão no que ficou conhecido como Sistema 1 e Sistema 2. O Sistema 1 opera de forma rápida, automática e associativa. É ele que reconhece rostos, interpreta tons emocionais e, crucialmente, identifica marcas familiares como "seguras". O Sistema 2, lento e deliberativo, entra em ação apenas quando o Sistema 1 sinaliza insuficiência ou risco. Em ambientes de sobrecarga de escolha, o Sistema 2 rapidamente satura. O consumidor não abandona a decisão, pois ele delega ao Sistema 1 que favorece o familiar, o reconhecível, o que já foi experimentado sem decepção. É aqui que reside a verdadeira força das marcas: elas não entram na disputa, elas a encerram.

 

Sistema 1 e Sistema 2: Kahneman demonstrou que a mente opera por atalhos que permitem decisões rápidas sem esgotar recursos cognitivos

 

A neurociência do consumo foi além da psicologia comportamental ao oferecer evidências biológicas desse processo. Estudos com ressonância magnética funcional (fMRI) têm revelado padrões consistentes na forma como o cérebro processa marcas conhecidas versus desconhecidas. Uma pesquisa conduzida pelo neurocientista Read Montague na Baylor College of Medicine tornou-se referência: em testes cegos, as preferências por Coca-Cola e Pepsi eram praticamente equivalentes. Mas quando a identidade das marcas era revelada, o córtex pré-frontal medial, região associada ao pensamento de ordem superior e à memória afetiva, ativava-se de forma significativamente mais intensa para a Coca-Cola. A marca não está no produto. Está na memória. E a memória, no cérebro, tem peso físico e são sinapses reforçadas por repetição e emoção.


Com sobrecarga de escolha, o Sistema 2 rapidamente satura. O consumidor não abandona a decisão, pois ele delega ao Sistema 1 que favorece o familiar, o reconhecível, o que já foi experimentado sem decepção

 

Disputa pelo atalho mental


E é justamente esse princípio que explica por que o famoso case do urso polar da Coca-Cola escolhendo Pepsi transcende a provocação criativa. Lançada no Super Bowl LX, agora em 2026, um dos palcos mais caros e estratégicos da publicidade global, a campanha "The Choice" é, na prática, uma aula sobre como disputar não um produto, mas um atalho mental. A Coca-Cola construiu ao longo de décadas um dos maiores ativos da história do marketing: associação emocional. O urso polar não vende refrigerante, ele ativa memória, afeto, tradição, Natal, pertencimento. Ele é puro Sistema 1. O que a Pepsi faz ao "roubar" esse ícone não é criar um novo símbolo do zero, o que exigiria anos de repetição e investimento.

Ela faz algo muito mais inteligente: se apropria do atalho cognitivo já existente e o ressignifica. A campanha opera em três camadas simultâneas. A primeira é a apropriação cultural inteligente: a trilha I Want to Break Free, da Queen, reforça simbolicamente a ideia de libertação, transformando uma simples escolha de refrigerante em metáfora de ruptura com o óbvio, com o esperado, com o "sempre foi assim". A segunda é o uso de repertório coletivo recente: a referência ao kiss cam do show do Coldplay ancora a campanha no presente, reduzindo o esforço cognitivo. O público não precisa entender a piada, pois ele já a viveu. A terceira é a estratégia de tensão emocional: o conceito de "amor proibido" entre o urso e a Pepsi cria narrativa. E narrativa gera retenção.

Quando o urso, que simboliza tudo que é Coca-Cola, escolhe Pepsi, acontece um curto-circuito cognitivo. O cérebro é forçado a reprocessar uma verdade que parecia estável. E esse momento de quebra é poderoso porque chama atenção em um ambiente saturado, gera compartilhamento espontâneo e insere a Pepsi dentro de um território mental que antes não era dela. O ponto mais sofisticado do case está aqui: a Pepsi não tenta destruir a Coca-Cola. Ela tenta humanizá-la e, ao mesmo tempo, ridicularizar sua previsibilidade. Porque o que está sendo questionado não é o sabor, e sim o comportamento automático do consumidor. Quando esse hábito é exposto, ironizado e colocado em dúvida, abre-se uma janela raríssima no marketing: o consumidor volta a pensar. E quando ele faz isso, a liderança deixa de ser garantida.

Por isso, "The Choice" não disputa market share diretamente, mas sim o momento da decisão. E em um mundo onde existem opções demais, quem consegue interferir nesse microssegundo não só entra na escolha, pode redefini-la. Esse mesmo princípio explica a repercussão desproporcional da polêmica envolvendo a nova camisa da Seleção Brasileira com o estampado "Vai Brasa". A camisa amarela da Seleção não é uma peça de vestuário, é um repositório de memórias coletivas, de Pelé a Ronaldo, de 1970 a 2002. Quando esse repositório é alterado, o que se rompe não é um detalhe estético. É um contrato emocional firmado ao longo de gerações. O fenômeno tem nome na neurociência: violação de expectativa de esquema. O cérebro, ao encontrar algo familiar que se comporta de forma inesperada, gera uma resposta de alerta.

 

Um curto-circuito cognitivo: quando o urso, ícone da Coca-Cola, escolhe Pepsi, o cérebro é forçado a reprocessar uma verdade que parecia estável

 

Não é crítica racional, é desconforto neurológico. Em um ambiente saturado de referências, inputs e possibilidades criativas, decisões que deveriam ser simples passam a se perder em camadas de interpretação e tentativa de agradar múltiplos públicos ao mesmo tempo. Quando tudo é possível, a clareza precisa ser construída e, principalmente, protegida, para que assim se consiga captar a atenção do consumidor. Um dos fenômenos mais bem documentados na psicologia cognitiva que subjaz a tudo isso é o efeito de mera exposição, descrito pelo psicólogo Robert Zajonc em 1968. A descoberta, replicada em centenas de experimentos, é desconcertantemente simples: pessoas tendem a preferir estímulos aos quais foram expostas com maior frequência, independentemente de qualquer avaliação racional de qualidade. O mecanismo está na fluidez de processamento. Quando o cérebro encontra um estímulo familiar, o esforço cognitivo necessário é menor. Esse menor atrito é interpretado pelo sistema límbico como um sinal positivo, algo como "já vi isso antes, sobrevivi, é seguro". A familiaridade é convertida, subconscientemente, em preferência afetiva. Para as marcas, a implicação é direta: consistência de presença ao longo do tempo não é apenas estratégia de marketing, é engenharia de memória.

A neurociência comportamental tem um conceito preciso para o estado em que o cérebro se encontra diante de excessivas alternativas: esgotamento do ego — termo cunhado pelo psicólogo Roy Baumeister na década de 1990. A premissa é que a capacidade de tomar decisões é um recurso finito, análogo à energia muscular: quanto mais é exercido, mais se esgota. O presidente Barack Obama articulou intuitivamente esse princípio ao explicar por que usava apenas ternos azuis ou cinza: "Preciso reduzir a fadiga de decisão. Tenho decisões demais a tomar." Esse comportamento se popularizou com o conceito de uniform dressing — a adoção de um guarda-roupa cápsula padronizado. A lógica é idêntica à das marcas: a clareza libera capacidade cognitiva para o que realmente importa.

A Apple, sob Steve Jobs, reduziu radicalmente o portfólio de produtos ao retornar à empresa em 1997 — de mais de 350 itens para menos de uma dezena. A decisão foi considerada suicida por analistas na época. Em retrospecto, foi o fundamento sobre o qual uma das marcas mais valiosas da história foi reconstruída. A Netflix introduziu sistemas de curadoria progressiva que reduziram o tempo médio de busca por conteúdo. Menos escolha visível, mais satisfação percebida. A empresa entendeu antes de muitos que o produto não é o catálogo — é a facilidade de decidir o que assistir. O erro estratégico de muitas empresas hoje é continuar operando com a lógica da abundância como vantagem competitiva.

Querem oferecer mais portfólio, mais mensagens, mais atributos, mais caminhos. Mas, ao fazer isso, criam confusão. E confusão não gera decisão. Gera adiamento. Em um ambiente saturado, ser mais uma opção é, na prática, desaparecer. Além de tudo isso, um capítulo inédito do paradoxo da escolha está sendo escrito agora com a popularização dos sistemas de inteligência artificial generativa. O ChatGPT, o Gemini, o Claude, o Copilot e dezenas de outros assistentes passaram a tomar decisões por consumidores — curadoria de conteúdo, sugestão de compra, personalização de feed, somente para citar alguns exemplos — em uma escala sem precedentes históricos.

 

Escala sem precedentes históricos: sistemas de IA generativa tomam decisões pelos consumidores

 

A promessa é a resolução definitiva do paradoxo: se o algoritmo conhece suas preferências melhor do que você mesmo, por que enfrentar a paralisia da escolha? A IA simplesmente escolhe por você. Relatórios da McKinsey apontavam que 71% dos consumidores esperavam que as empresas entregassem interações personalizadas e que 76% ficavam frustrados quando isso não acontecia. Mas esse aparente paraíso cognitivo esconde um novo paradoxo: a escolha delegada ao algoritmo é, ainda, uma escolha: a alternativa de confiar no algoritmo. E essa fidúcia é, ela própria, uma questão de marca. Os consumidores que confiam no Spotify para curar sua playlist, na Netflix para recomendar o próximo filme ou no iFood para sugerir o restaurante estão, na prática, terceirizando seu Sistema 2 para plataformas que se tornaram suas marcas de confiança.

A implicação estratégica é clara: no futuro próximo, as marcas não competirão apenas pela preferência do consumidor, mas pela preferência dos algoritmos que recomendam às pessoas. O paradoxo da escolha migra de nível: não é mais só o humano que paralisa diante das opções, mas o algoritmo que precisa ser convencido de qual marca recomendar. Quem não for citado, sugerido ou reconhecido pelos sistemas de IA simplesmente não existirá no momento da decisão, da mesma forma que não existia a marca que ficava fora da gôndola no século XX. Isso significa que construir autoridade para ser citado por sistemas de IA — o que já se chama de Generative Engine Optimization (GEO)— tornou-se uma frente estratégica real. As grifes que dominarem esse terreno nos próximos anos estarão, literalmente, se tornando o atalho cognitivo dos algoritmos. E, por consequência, dos consumidores que os seguem.

A neurociência do consumo oferece, assim, uma perspectiva que transcende o marketing convencional: construir uma marca forte não é um exercício de comunicação, mas de arquitetura cognitiva. É, literalmente, esculpir caminhos no cérebro do consumidor, caminhos que serão percorridos automaticamente, antes que a consciência tenha a chance de intervir. Seja na polêmica de uma camisa de futebol, na provocação de um urso que troca de time, na recomendação de uma IA ou em uma refeição entregue em minutos, o princípio é o mesmo: em um mundo de ruído infinito, o que o cérebro busca — compulsivamente, evolutivamente — é o familiar, o confiável, o que já processou antes sem decepção.

 

Marcas que simplificam


A ideia de que "menos é mais" deixou de ser apenas um conceito criativo para se transformar em uma necessidade estratégica. Reduzir não significa perder valor, mas organizá-lo e priorizá-lo. Em resumo, assumir um posicionamento claro. E, acima de tudo, respeitar o limite cognitivo de quem precisa decidir. As marcas mais relevantes do futuro não serão aquelas que oferecem mais. Serão aquelas que eliminam fricção, orientam escolhas, geram confiança instantânea e simplificam o mundo ao redor. Porque, no fundo, o consumidor não quer mais opções. Ele quer menos esforço e segurança de fazer as escolhas certas.

E, no fim, a escolha não é um processo puramente racional. É um ato emocional, seguido de uma justificativa racional. E, em um mundo de excesso, a emoção dominante não é entusiasmo, é a exaustão. Por isso, a marca que vence não é a que impressiona, é a que alivia. A confiança não é construída somente em campanhas, mas em seguidas experiências positivas. Cada entrega no prazo, cada embalagem correta, cada reembolso sem burocracia é um depósito na conta corrente cognitiva que o consumidor mantém com a marca. No paradoxo da escolha infinita, a clareza tornou-se o ativo mais raro e mais valioso. As marcas que compreendem essa necessidade neurológica não apenas vendem produtos ou serviços. Elas oferecem algo muito mais precioso, e muito mais escasso: a paz de uma decisão tomada e sem arrependimentos.


https://amanha.com.br/categoria/comportamento/o-paradoxo-da-escolha-infinita

El Niño pode impulsionar produtividade agrícola no Sul, mas também pressionar preços dos alimentos

 


Levantamento feito pelo Santander mostra que o fenômeno climático tende a favorecer as safras de soja e milho no PR, SC e RS 
 
 
O exercício econométrico sugere que um El Niño forte ou muito forte poderia pressionar os preços dos alimentos em 2026 e 2027

 

No Brasil, os episódios de El Niño tendem a gerar efeitos regionais distintos: a região Sul registra, tipicamente, chuvas acima da média, enquanto a região Norte tende a apresentar condições mais secas. Um estudo do Santander mostra que a formação de um El Niño nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte a muito forte, deve trazer chuvas acima da média para o Sul do país, o que tende a favorecer a produtividade das safras de soja e milho na região. 

De acordo com a análise, que cruza dados de rendimento agrícola desde 1962 com o Índice Oceânico Niño (ONI), episódios de El Niño historicamente elevam as chuvas no Sul do Brasil durante o ciclo de verão, período crítico para o desenvolvimento das lavouras. O resultado são produtividades de soja e milho consistentemente acima da tendência histórica nessas regiões. Esse é um padrão observado, inclusive, nos eventos mais fortes já registrados, como o de 2015/16. Por outro lado, na região Centro-Oeste do Brasil, as chuvas podem ser mais irregulares — o que, durante episódios anteriores de El Niño, levou a uma queda na produtividade da soja para níveis abaixo da média histórica.

"O mesmo evento climático pode ao mesmo tempo beneficiar produtores do Sul do Brasil e pressionar o Centro-Oeste, onde as condições tendem a ficar mais secas. O que o El Niño realmente eleva é a volatilidade, e é justamente aí que uma leitura mais precisa do cenário se torna mais relevante", afirma Adriano Valladão, economista do Santander e autor do levantamento. O estudo reforça que o fenômeno não deve ser lido como um choque necessariamente negativo para a agropecuária brasileira, mas como um vetor que redistribui ganhos e riscos entre regiões.

 

Impacto climático pode pressionar inflação dos alimentos


O estudo também analisa os efeitos sobre a inflação de alimentos no Brasil. Para avaliar o impacto potencial do El Niño sobre o IPCA, a instituição analisou o comportamento da inflação de energia elétrica e de alimentação no domicílio durante episódios anteriores, agrupando os eventos de acordo com sua intensidade.

A pressão mais relevante tende a se concentrar nos itens in natura — frutas, verduras e legumes —, mais sensíveis a choques climáticos de curto prazo, enquanto alimentos industrializados e semiprocessados devem seguir padrão parecido ao observado em períodos de neutralidade climática. No cenário do banco, a inflação de alimentos no domicílio deve atingir o pico em fevereiro de 2027, cerca de 5 pontos percentuais acima do patamar de agosto de 2026, equivalente a 75 pontos-base no IPCA, com reversão gradual ao longo de 2027 e 2028. No que diz respeito à eletricidade, as evidências históricas não sugerem uma relação clara entre os episódios de El Niño e os níveis dos reservatórios.

Na visão do Santander, o cenário já embute esse componente de pressão nas projeções, o que reduz a incerteza sobre a direção do fenômeno e concentra a atenção na sua intensidade e duração. "Para o produtor do Sul e para quem acompanha a cadeia de grãos na região, é importante considerar que esse é um ambiente potencialmente favorável em 2026/27, desde que se monitore o ritmo e padrão das chuvas ao longo do ciclo", conclui Valladão.

 

 https://amanha.com.br/categoria/economia/el-nino-pode-impulsionar-produtividade-no-sul-mas-tambem-pressionar-precos-dos-alimentos?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=El+Ni%C3%B1o+pode+impulsionar+produtividade+agr%C3%ADcola+no+Sul%2C+mas+tamb%C3%A9m+pressionar+pre%C3%A7os+dos+alimentos+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+14_07_2026

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Mais de 4 mil produtos exportados aos EUA podem ter tarifas adicionais

 


Medidas devem atingir US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras 
 
 
Se as duas novas propostas forem adotadas, a taxação contra o Brasil chegaria em 37,5%

 

 

Uma projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, caso o governo dos Estados Unidos adote as novas propostas de taxação contra o Brasil – de 25% e 12,5% – cerca de 4.187 produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. Todos esses produtos estão hoje submetidos à tarifa adicional temporária de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial norte-americana, vigente até dia 24 de julho. Entre os principais produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos que podem ser afetados pela tarifa acumulada de 37,5%, o Brasil atua como o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 11. "O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países", explica o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Nesta semana acontecem as audiências públicas para tratar de possíveis duas novas tarifas que produtos brasileiros podem sofrer: uma investigação especificamente sobre o Brasil que sugere sobretaxa de 25% e outra investigação sobre trabalho forçado onde o Brasil também está incluído e pode sofrer uma taxa de 12,5%. Se as duas novas propostas forem adotadas, haverá um acréscimo de 27,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% são bens intermediários, utilizados como insumos em processos produtivos. Neste caso, a taxação contra o Brasil chegaria em 37,5%.

O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública nesta terça-feira (7), em Washington (EUA), sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Dos 80 inscritos para falar na audiência, 66 devem se posicionar contra a medida. A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O USTR concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos. A expectativa é que haja uma decisão final até 15 de julho.

 

 https://amanha.com.br/categoria/sul-for-export/mais-de-4-mil-produtos-exportados-aos-eua-podem-ter-tarifas-adicionais