terça-feira, 17 de março de 2026

CNJ já oficia União e Estados para moverem processos de perda de cargo de juízes

 


Logotipos e Marcas - Portal CNJ



O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já tem um procedimento que permite a cassação dos cargos de magistrados punidos com aposentadoria compulsória. Na prática, cabe à União e aos Estados decidirem se movem uma ação pedindo a perda de cargo dos juízes que cometeram infrações graves. A palavra final é da Justiça comum, mas, conforme a decisão desta segunda-feira (16) do ministro Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal (STF) passa a concentrar a análise desses processos. A perda de cargo implica na perda da aposentadoria.

 Segundo apurou o Estadão/Broadcast, toda vez que o CNJ decide aplicar a aposentadoria compulsória como punição máxima, o conselho aciona a Advocacia-Geral da União (AGU), no caso de juízes federais, ou as Procuradorias-Gerais Estaduais (PGEs), no caso de juízes estaduais. Isso acontece ao menos desde 2024.

 Um conselheiro do CNJ ouvido pela reportagem avalia que a decisão de Dino é “inusual” e deveria ser julgada pelo plenário, já que sugere uma tese de ampla repercussão. Para esse conselheiro, a decisão monocrática proferida pelo ministro tem efeitos apenas no caso concreto, que atinge um magistrado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

O mesmo conselheiro pontua, porém, que a decisão impulsiona uma mudança positiva que não poderia ter sido feita de forma administrativa, no âmbito do CNJ. Isso porque o órgão não tem a competência de interpretar a Constituição.

Na decisão desta segunda, Dino determinou que a aposentadoria compulsória como punição disciplinar a magistrados não pode mais ser aplicada. Ele considerou que esse tipo de punição é incompatível com as alterações na Constituição feitas na Reforma da Previdência, de 2019.

 A partir desse entendimento, o ministro pediu ao presidente do Supremo e do CNJ, Edson Fachin, que reveja, se considerar cabível, o sistema de responsabilidade disciplinar no âmbito do Poder Judiciário. A decisão não será submetida ao referendo do plenário, mas pode ser avaliada pela Primeira Turma caso haja recurso.

Diesel S-10 subiu 19% nos postos do Brasil desde início da guerra, aponta levantamento

 

O preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subiu 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, impactando os mercados de petróleo e combustíveis, apontou nesta terça-feira o painel online ValeCard.

A ferramenta gratuita da ValeCard, anunciada nesta terça-feira, acompanha ainda variações de hora em hora nos preços do diesel comum, gasolina e etanol hidratado, com base em dados de abastecimentos de veículos realizados em 25 mil postos credenciados pela empresa de meios de pagamento em todo o Brasil.

O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%.

O CEO da ValeCard, Alan Neto de Ávila, disse que a iniciativa busca ampliar o acesso a dados em um momento de maior volatilidade no mercado.

“O aumento das tensões internacionais trouxe um cenário de muita incerteza, não apenas sobre o comportamento dos preços, mas também sobre a disponibilidade de combustível em algumas regiões”, afirmou o CEo da ValeCard. “Nosso objetivo é dar mais visibilidade a esses movimentos e oferecer suporte tanto ao mercado quanto à nossa rede de clientes, com informações atualizadas que ajudem empresas e consumidores a tomar decisões em um momento de volatilidade”, acrescentou.

A plataforma tem duas versões: a versão aberta ao público, com informações sobre os preços médios e dados regionais; e outra exclusiva para os clientes corporativos da empresa, que oferece um nível maior de detalhamento, permitindo que empresas acompanhem a dinâmica de abastecimento em suas redes, identifiquem postos com preços mais competitivos e monitorem registros recentes de abastecimento, o que pode ajudar a indicar possíveis sinais de disponibilidade de combustível em determinadas localidades.

“Em cenários de tensão no abastecimento, a capacidade de acompanhar preços e disponibilidade em uma rede ampla de postos pode ajudar empresas a redirecionar operações e reduzir riscos logísticos”, destacou o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga.

Segundo comunicado da ValeCard, além da alta nos valores, o mercado também observa com cautela a possibilidade de restrições pontuais de abastecimento em algumas regiões.

“Especialistas apontam que a evolução dos preços nas próximas semanas dependerá principalmente da dinâmica internacional do petróleo, da reação do mercado de distribuição no Brasil e das medidas adotadas pelo governo para conter repasses excessivos ao consumidor”, afirmou a ValeCard.

Na última quinta-feira, o governo anunciou medidas para tentar reduzir o preço do diesel, como a isenção do PIS/Cofins, subvenção ao diesel para produtores e distribuidores, além de imposto sobre a exportação de petróleo.

No dia seguinte, a Petrobras anunciou alta de 11,6% no preço do diesel A (puro) em suas refinarias.

Mais empregos foram criados do que perdidos com tecnologias como a IA, diz membro do BCE

 

 Independência é o 'DNA dos bancos centrais', diz Nagel, do ...

 

 

 

O integrante do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Joachim Nagel, afirmou nesta terça-feira (17) que a inteligência artificial (IA) é um verdadeiro divisor de águas, e que a “história das transformações tecnológicas nos ensina que, em regra, mais empregos foram criados do que perdidos. Em discurso na DHBW Karlsruhe, o também presidente do Bundesbank indicou que análises deste fenômeno também apontam para essa conclusão.

“O trabalho intelectual padronizado está perdendo seu valor intrínseco. Grande parte disso pode ser superado por meio da IA.Hoje em dia já conseguimos fazer as coisas mais rápido e mais barato. Isso significa que haverá menos trabalho para as pessoas em geral? Não é algo garantido”, apontou.

“Como resultado, os perfis profissionais mudarão: menos rotina, mais escrutínio, classificação e questionamento crítico. O discernimento se tornará uma competência essencial”, concluiu

Produção de etanol deve amortecer impacto da alta do petróleo, dizem entidades

 

São Paulo, 17 – O setor bioenergético brasileiro deve iniciar a safra 2026/27 com produção recorde de etanol, adicionando quase 4 bilhões de litros ao mercado doméstico, volume próximo ao total de gasolina importado pelo País em 2025. A avaliação consta em nota conjunta de Bioenergia Brasil, União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

Segundo as entidades, a expansão da oferta ocorre em um momento de forte volatilidade no mercado internacional de energia e reforça o papel do biocombustível como alternativa doméstica.

“O setor bioenergético inicia a safra 2026/2027 com projeção de produção recorde de etanol, acrescentando quase 4 bilhões de litros ao mercado”, diz a nota.

As associações afirmam que a ampliação da produção ajuda a proteger o consumidor brasileiro diante de oscilações do petróleo, sem necessidade de subsídios. “O anúncio ocorre em momento de crescente volatilidade nos preços internacionais do petróleo e reafirma a capacidade do etanol de proteger o consumidor brasileiro sem subsídios e sem impacto sobre as contas públicas”, afirmam.

De acordo com as entidades, o etanol, considerando o hidratado e o anidro misturado à gasolina, já representa mais de 30 bilhões de litros de gasolina equivalente na matriz de combustíveis do País. Além disso, o biocombustível tem mantido competitividade em relação à gasolina na maior parte do mercado consumidor.

Segundo a nota, o preço do etanol permaneceu nos últimos anos abaixo da paridade de 73% frente à gasolina, patamar considerado competitivo para o motorista. Esse diferencial teria gerado economia de R$ 5 bilhões em 2025 e mais de R$ 140 bilhões desde a introdução dos veículos flex no Brasil, com ganhos maiores em períodos de petróleo elevado.

As entidades ressaltam que o atual nível de oferta é resultado de políticas públicas de longo prazo. “O etanol não é uma resposta de emergência, mas uma estrutura que o Brasil levou décadas para construir – e que hoje oferece ao consumidor uma alternativa real ao petróleo, com competitividade de mercado e produção 100% nacional”, afirma o documento.

Entre os marcos citados estão o Proálcool, nos anos 1970, a criação dos veículos flex e programas mais recentes voltados à transição energética, como o RenovaBio, o Programa Combustível do Futuro e o Mover. As entidades também destacam a ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%.

Segundo a nota, esse ambiente regulatório permitiu crescimento de cerca de 30% na capacidade produtiva do setor nos últimos anos, com mais de 20 novas plantas com comunicado de construção registrado na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para as associações, a expansão da produção fortalece a segurança energética do País em um cenário internacional incerto. “Esse ambiente de previsibilidade regulatória permitiu crescimento de 30% na capacidade produtiva do setor nos últimos anos”, afirmam.

Moody’s alerta que ‘será difícil evitar uma recessão’ nos EUA com preços do petróleo nas alturas

 

O economista-chefe da Moody’s, Mark Zandi, alertou que os EUA podem entrar em recessão nos próximos 12 meses, visto que os altos preços da energia, resultantes da guerra no Oriente Médio, têm o potencial de pressionar ainda mais um mercado de trabalho já fragilizado.

Os preços do barril de petróleo seguiam acima de US$ 100 nesta terça-feira, 17. Por volta das 9h, os contratos futuros do Brent subiam 2,79%, a US$ 103,01 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA tinha alta de 2,92%, a US$ 96,20.

“Se os preços do petróleo permanecerem elevados por muito mais tempo (semanas, e não meses), será difícil evitar uma recessão”, afirmou Zandi em postagem na rede social X.

Segundo o especialista, mesmo antes do início do conflito, o modelo econômico da agência de risco mostrava uma probabilidade “alarmantemente alta” de 49% de início de recessão nos próximos 12 meses na maior potência econômica do mundo.

Na avaliação de Zandi, por trás desse risco maior de recessão estão, principalmente, os números fracos do mercado de trabalho, mas quase todos os indicadores econômicos têm apresentado sinais de fragilidade desde o fim do ano passado.

“Não é exagero esperar que o indicador de recessão ultrapasse o importante patamar de 50% em meio ao conflito e à consequente alta nos preços do petróleo”, escreveu, observando que todas as recessões – definidas como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB) – desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção da pandemia de covid-19, foram precedidas por um aumento nos preços do petróleo.

Café com pipoca: 3corações compra operações da General Mills, incluindo Kitano e Yoki

 

O Grupo 3corações acertou a compra das operações da General Mills no Brasil, em um movimento que amplia sua presença no setor de alimentos. A compra foi feita por R$ 800 milhões e inclui marcas conhecidas do mercado nacional.

Entram no pacote as marcas Yoki e Kitano, além de estruturas de abastecimento localizadas em Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT).

A conclusão ainda depende de aval de órgãos reguladores e de outras etapas previstas nesse tipo de operação.

Com a transação, a 3corações passa a incorporar novas categorias ao portfólio, que hoje tem foco maior em café. A entrada de itens como farofas, pipocas, batata palha e temperos amplia a oferta de produtos e permite à companhia atuar em diferentes momentos de consumo ao longo do dia.

A operação também faz parte de um plano de expansão por meio da inclusão de novas linhas de produtos. A empresa informou que pretende manter as marcas adquiridas e trabalhar na integração das operações após o fechamento do negócio.

“Este é um passo fundamental em nosso propósito de estar cada vez mais próximos da família brasileira, fazendo-nos presentes em diferentes ocasiões de consumo”, afirma Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações.

General Mills prevê conclusão da venda até o fim de 2026

Em comunicado, a General Mills afirmou que a venda está alinhada à reorganização de seus ativos, com foco em mercados e categorias considerados prioritários fora do Brasil. Segundo a empresa, a unidade brasileira respondeu por cerca de US$ 350 milhões em receita líquida no ano fiscal de 2025.

A multinacional indicou ainda que a transação deve contribuir para ajustes em indicadores operacionais e direcionar esforços para plataformas globais. A expectativa é de que o processo seja concluído até o fim de 2026, após as aprovações necessárias.

O negócio contou com assessoria financeira do Deutsche Bank e suporte jurídico do Miguel Neto Advogados.

 

 https://istoedinheiro.com.br/3coracoes-general-mills-compra

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Risco de estagflação nos EUA é ‘bastante alto’, diz à AFP Stiglitz, Nobel de Economia

 

A guerra no Oriente Médio coloca os Estados Unidos em alto risco de cair na estagflação, uma combinação de inflação alta e estagnação econômica, declarou à AFP Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, nesta segunda-feira (16).

“O risco de estagflação parece bastante alto para os Estados Unidos”, afirmou Stiglitz em uma entrevista.

Segundo o economista, antes mesmo do início da guerra, em 28 de fevereiro, a economia americana já estava “perto da estagflação” e o conflito atual “nos empurra para o abismo”.

A guerra no Oriente Médio praticamente paralisou a atividade no Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do abastecimento mundial de petróleo.

Os preços do barril subiram entre 40% e 50% depois que o Irã bloqueou esta via marítima e atacou alvos da indústria energética e naval nos países do Golfo, em resposta ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra seu território.

Stiglitz, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2001 por sua análise dos mercados com informação assimétrica, acredita que o presidente americano, Donald Trump, “destruiu a confiança nos Estados Unidos e no dólar”.

A isto se soma, agora, a inflação resultante da guerra, assim como uma incerteza maior para as famílias e as empresas.

“Não sabem quais vão ser as tarifas aduaneiras, nem quanto tempo esta guerra vai durar. Não sabem quais vão ser os preços da energia”, disse Stiglitz.