terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ipea: impacto do fim da escala 6×1 para empresas é inferior a 1% do custo operacional

 

Em meio ao início dos trabalhos legislativos de 2026 e os preparativos para a disputa eleitoral deste ano, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calculou o tamanho do impacto econômico que o fim da escala 6×1 teria no Brasil. Por meio de uma nota técnica publicada nesta terça-feira, 10, o Ipea calculou que os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho.

Considerando os grandes setores, como indústria e comércio, nos quais estão mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional. Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica.

Nos cálculos do Ipea, a redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio de um trabalhador contratado sob a CLT em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais. Porém, ponderando os resultados pelo peso do trabalho no custo total de cada setor, as estimativas indicam efeitos reduzidos nos custos totais. Nos grandes setores com forte geração de empregos, como a indústria e o comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional total, o que indica maior capacidade de absorção de eventuais mudanças na jornada.

Já empresas de serviços como vigilância e limpeza tendem a ser mais diretamente afetadas, devido à elevada participação da mão de obra em seus custos. O maior impacto em termos de custo operacional é de 6,6% para o setor de vigilância, segurança e investigação.

A análise do Ipea levou em consideração o aumento do custo da hora trabalhada. Na avaliação dos técnicos da entidade, mantida a remuneração nominal, a redução da jornada eleva o custo da hora de trabalho na mesma proporção do aumento do salário-hora, calculado pela divisão do salário semanal pelo número de horas trabalhadas na semana.

A limitação da carga horária do trabalhador é entendida como um aumento do custo da hora de trabalho. Os empresários podem reagir de diversas formas a esse aumento, reduzir a produção é uma delas, mas eles podem também buscar aumentos na produtividade ou contratar mais trabalhadores para suprir a carga horária que cada um dos empregados anteriores deixou de disponibilizar”, explica Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa na diretoria de estudos e políticas sociais do Ipea.

Em nota, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) manifestou preocupação com a forma como o debate acerca da escala 6×1 vem sendo conduzido, defendendo que qualquer alteração deve respeitar a soberania das negociações coletivas, conforme previsto na Constituição Federal. “O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Impactos setoriais

O estudo do Ipea ressalta, no entanto, que alguns segmentos do setor de serviços se destacam pela combinação entre forte uso de mão de obra e impacto relativamente maior nos custos, como serviços para edifícios, vigilância e seleção e agenciamento de trabalhadores. Nesses casos, o efeito mais direto da redução da jornada indica a importância da realização de estudos para avaliar a necessidade de medidas governamentais para mitigar eventuais impactos.

Contudo, grandes empregadores da indústria de alimentos, comércio atacadista e de veículos, registrariam impacto inferior a 1% nos custos. Somados, esses setores concentram cerca de 6,5 milhões de vínculos de trabalho. Cerca de 10 milhões de vínculos estão em setores nos quais o aumento do custo da mão de obra supera 3% do custo total da atividade, e aproximadamente 3 milhões em setores com impacto superior a 5%.

Para a Fiesp, uma transição da escala 6×1 para outro modelo sem o correspondente aumento de produtividade ou redução do “Custo Brasil” pode resultar, inevitavelmente, em pressões inflacionárias e perda de competitividade. “Tais medidas impactam severamente a sustentabilidade de pequenas e médias empresas, devendo gerar retração econômica, fechamento de postos de trabalho formais e o avanço da informalidade – o que contraria diretamente o propósito original da Emenda proposta”, disse a entidade em nota.

 

 https://istoedinheiro.com.br/ipea-impacto-escala-6x1-empresas

Como o efeito Ozempic impacta custos e futuro dos hospitais, segundo CEO da Rede Américas

 

 

Na esteira do ‘efeito Ozempic‘, a indústria de saúde deve ver impactos no longo prazo que vão da redução de próteses de joelho e quadril até redução de doenças cardiovasculares.

 A avaliação é de Lício Cintra, CEO da Rede Américas, companhia que controla uma rede de 26 hospitais, fruto da consolidação entre Amil (anteriormente sob controle da UnitedHealth Group) e da Dasa. A rede tem faturamento acima de R$ 13 bilhões e opera cerca de 4,7 mil leitos.

 

“As canetas emagrecedoras impactam todos os setores. Quando olhamos a indústria de alimentação, está mudando, até a indústria de aviação está mudando. Acho que é um pouco prematuro falarmos sobre o real impacto, calibrar isso, mas no setor de saúde, óbvio que ter pessoas mais ativas e mais saudáveis torna a equação mais fácil de fechar”, diz o executivo.

Cintra frisa que, em um primeiro momento, as evidências mais visíveis serão as relativas a redução do percentual da população que possui sobrepeso.

“O sobrepeso traz com ele doenças cardiovasculares, problemas cardíacos, cirurgias ortopédicas. Se você tem uma massa mais ativa e mais saudável, naturalmente você vai ter uma redução nesses desses procedimentos.”


Apesar do produto já estar há alguns anos no mercado, a estimativa é de que o impacto aumente nos próximos meses e anos, dado que a queda da patente deve tornar o produto mais acessível para a população.

 

“Com isso, e com várias indústrias entrando nisso, vai ocorrer uma democratização, e aí sim vem uma grande transformação”, diz Cintra.

O impacto global citado pelo executivo, que vai até as companhias aéreas, é analisado desde meados de 2023.

 Um relatório da Jefferies Financial estimou que a United Airlines teria uma economia da ordem de US$ 80 milhões ao ano em combustível se o peso médio dos passageiros diminuísse 4,5 quilos.

O fenômeno, apelidado de “Economia GLP-1“, fez com que o ramo de alimentação e de supermercados também redesenhasse algumas estratégias de negócio.

Uma pesquisa da consultoria KAM Insight aponta que 30% dos usuários de canetas como Mounjaro e Ozempic diminuíram a frequência com que saem para comer e beber.

Um relatório do Itaú BBA, de 2024, aponta que em um panorama de grande adesão a medicamentos do tipo (podendo chegar a 15 milhões de usuários até 2030), empresas de alimentos com mais carboidratos e produtos focados em indulgência teriam queda de lucro líquido. No parecer, o time de research do banco projetou uma retração de até 2% no lucro líquido para M. Dias Branco (líder em massas e biscoitos) e Camil (líder em arroz e grãos).

O Morgan Stanley elaborou um estudo sobre o tema e concluiu que os usuários das canetas apresentam uma queda de 20% a 30% na ingestão calórica diária. Nesse contexto, o banco vê uma queda substancial nas compras de alimentos com alto teor de açúcar e gordura (salgadinhos, doces e biscoitos), com alguns subgrupos apresentando redução de gastos domiciliares acima de 10% nessas categorias.

Canetas emagrecedoras movimentam R$ 10 bilhões

O Itaú BBA também avalia que, no acumulado do ano de 2025, foram aproximadamente R$ 10 bilhões movimentados pelo mercado de agonistas do GLP-1. Essa cifra representa 4% do faturamento do varejo farmacêutico brasileiro.

A XP chegou em número semelhante – de R$ 9 bilhões a R$ 10 bilhões – e apontou ainda que o crescimento ante o ano anterior foi de 77% nas importações.

O mercado é, em grande medida, de duas companhias:

  • Novo Nordisk, da Dinamarca, fabricante do Ozempic
  • Eli Lilly, dos EUA, fabricante do Mounjaro

Até meados de abril do ano de 2025, a semaglutida, princípio ativo do Wegovy e Ozempic, dominava mais de 96% do mercado.

Entretanto, em maio o Mounjaro chegou ao mercado, proporcionando resultados ainda mais expressivos com a tirzepatida. O market share da Eli Lilly, assim, passou a beirar os 50%.

Queda de patente abre portas para Ozempic genérico

Em março de 2026 se encerra a vigência da patente da semaglutida, molécula que está no Ozempic e Wegovy – e com isso, os medicamentos genéricos passam a chegar no mercado,

A expectativa dos especialistas é que até o fim de 2026 novos produtos cheguem na prateleira das farmácias.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram 13 pedidos de registro de medicamentos contendo semaglutida, além de outros nove pedidos em análise relacionados a medicamentos com liraglutida.

Nos últimos meses, os representantes legais da Novo Nordisk foram aos tribunais algumas vezes para tentar barrar o fim da patente – alegando que a companhia foi prejudicada por uma demora de quase 13 anos da Anvisa para liberar o uso do Ozempic.

Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime que o prazo de 20 anos para vencimento da patente conta a partir do momento da submissão para análise da Anvisa – ou seja, a queda da patente do Ozempic deve se concretizar em março de 2026.


https://istoedinheiro.com.br/ozempic-canetas-rede-americas

Inflação fica em 0,33% em janeiro e acelera para 4,44% no acumulado em 12 meses

 

O Índice de Preços ao Consumidor-Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficou em 0,33% em janeiro, repetindo a mesma variação registrada em dezembro, informou nesta terça-feira, 10, o IBGE. Em janeiro de 2025, a variação havia sido de 0,16%

Com o resultado, a inflação em 12 meses atingiu 4,44%, acima dos 4,26% dos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda dentro do teto da meta.

O centro da meta oficial para o IPCA é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O resultado veio ligeiramente acima do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,32% em janeiro, acumulando em 12 meses alta de 4,43%.

+ ‘Calibragem’ é a palavra-chave para este momento do ciclo da taxa de juros, diz Galípolo

O que puxou a alta

A alta em janeiro foi puxada pelo aumento da gasolina (2,06%), e limitada pela queda no preço da energia elétrica residencial (2-,73%).

Dentre os nove grupos, Transportes (0,60%) foi o responsável pelo maior impacto no índice de janeiro (0,12 ponto percentual), com a alta de 2,14% nos combustíveis, em especial na gasolina (2,06%), principal impacto individual no resultado do mês (0,10 p.p.). A variação dos demais combustíveis foi: etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).

“Na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador”, explicou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

Na energia elétrica a queda veio, principalmente, por conta da mudança na bandeira tarifária de amarela para verde em janeiro. Na gasolina houve reajuste no ICMS na virada do ano, impactando o preço final para o consumidor.

Ainda em Transportes, o ônibus urbano variou 5,14% em janeiro, especialmente por conta de reajustes tarifários em diversas capitais.

O grupo Alimentação e bebidas desacelerou na passagem de dezembro (0,27%) para janeiro (0,23%). No lado das altas, os destaques foram o tomate (20,52%) e as carnes (0,84%), principalmente o contrafilé (1,86%) e a alcatra (1,61%). Entre as quedas, ficaram mais baratos o leite longa vida (-5,59%) e o ovo de galinha (-4,48%).

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em janeiro alta a 64%, de 60% no mês anterior.

Expectativas para 2026

O último boletim Focus, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano agora é de 3,97%, contra 3,99% na semana anterior. Para 2027, a conta segue em 3,80%

“Apesar da surpresa altista tanto no índice geral quanto nos núcleos, o número de hoje não muda a dinâmica esperada para os próximos meses, que é de desinflação consistente”, avaliou Lucas Barbosa, economista da AZ Quest. “Os próximos meses deverão exibir uma figura bastante benigna, com o índice cheio atingindo um vale de 3,3% em julho”.

A projeção para a taxa básica de juros continua sendo estimada em 12,25% ao final deste ano e em 10,50% no próximo. Com a Selic atualmente em 15%, a perspectiva para o primeiro corte segue sendo março, de 0,5 ponto percentual. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 17 e 18 de março.

Na véspera, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, disse que o atual momento da política monetária não deve ser lido como uma “volta da vitória”.

“Dada a sinalização do Copom em iniciar o ciclo de cortes em março, não vemos o resultado como um fator que altere a decisão do Copom. Esperamos um corte de 50 pontos-base na reunião de março, mas um Copom mais cauteloso ao longo de 2026, com a Selic alcançando 12,50% em dezembro”, disse André Valério, economista sênior do Inter.

Com informações da Reuters

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

MP-MG e Estado de Minas Gerais propõem ação civil pública contra a Vale

 

O Ministério Público de Minas Gerais (MP- MG) e o Estado de Minas Gerais ajuizaram, nesta quinta-feira, 5, uma Ação Civil Pública contra a mineradora Vale, com requerimento para que a companhia paralise, preventivamente, as atividades no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto. No local, um reservatório extravasou água e sedimentos, em 25 de janeiro, atingindo propriedades vizinhas e cursos dágua importantes.

A ação demanda também a implementação imediata de medidas de contenção e mitigação e o bloqueio cautelar de R$ 846,6 milhões. O montante visa cobrir os danos materiais já apurados, estimados em R$ 282,2 milhões, e garantir a antecipação parcial da reparação por danos morais coletivos.

Apurações técnicas apontam que o desastre ambiental foi provocado por falhas no sistema de drenagem e no manejo hídrico, aponta o MPMG em comunicado. “As investigações também revelaram que a Vale comunicou o ocorrido tardiamente às autoridades, dificultando a pronta resposta dos órgãos ambientais e da Defesa Civil.”

A Vale, em comunicado ao mercado, informou que identificou três medidas judiciais relacionadas aos extravasamentos registrados nas unidades operacionais de Fábrica e Viga, em Congonhas, que sofreu extravasamento de efluentes em 26 de janeiro. Uma das medidas é o bloqueio de R$ 846 milhões pedido nesta quinta-feira pelo MPMG, relativo ao acidente em Fábrica.

Outro, de R$ 200 milhões, foi pedido pelo Ministério Público Federal e é referente ao extravasamento na unidade de Viga. O terceiro foi feito pelo Estado de Minas Gerais, em relação aos extravasamentos na unidade Viga, com o requerimento de bloqueio patrimonial de R$ 1 bilhão.

No comunicado ao mercado, a Vale esclarece que os extravasamentos “não têm qualquer relação com as barragens da Vale na região, as quais permanecem com condições de segurança inalteradas e sob monitoramento contínuo, 24 horas por dia, 7 dias por semana”.

A companhia destacou que coopera com as autoridades e afirmou que apresentará suas manifestações dentro dos prazos legais. “As causas dos eventos continuam sendo apuradas de forma técnica e estruturada, com transparência.”

Pesquisa do BCE mostra expectativas de inflação estáveis e leve melhora no PIB em 2026

 

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 6, pelo Banco Central Europeu (BCE) indica que os profissionais de mercado mantiveram estáveis as expectativas de inflação na zona do euro, ao mesmo tempo em que passaram a projetar um crescimento econômico ligeiramente maior no curto prazo.

Segundo o levantamento, a expectativa para a inflação cheia medida pelo índice harmonizado de preços ao consumidor (HICP) permaneceu inalterada em 1,8% para 2026 e 2% para 2027, enquanto a projeção para 2028 foi estimada em 2,1%. Já a inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, seguiu em 2% em todos os horizontes analisados, inclusive no longo prazo, em 2030.

No campo da atividade, os participantes da pesquisa revisaram marginalmente para cima a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,1% para 1,2%, refletindo principalmente um efeito positivo de dados mais fortes do terceiro trimestre de 2025. As estimativas para 2027 e 2028 foram mantidas em 1,4% e 1,3%, respectivamente, assim como a projeção de crescimento potencial de longo prazo.

Já no mercado de trabalho, as expectativas para a taxa de desemprego permaneceram estáveis em 6,3% para 2026 e 6,2% para 2027. Nos horizontes mais longos, houve leve revisão para baixo, com a projeção para 2028 e 2030 passando de 6,2% para 6,1%.

Houve uma espécie de ‘estupro’ das contas públicas no governo Bolsonaro, diz Haddad

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar nesta sexta-feira, 6, a condução econômica do governo de Jair Bolsonaro (PL) e disse que houve “um estupro” das contas públicas durante a gestão do ex-presidente da República.

“O que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada que aconteceu. Qual é a narrativa da oposição? Nós entregamos em 2022 um superávit primário, e o governo Lula inaugurou uma fase de enormes déficits primários que estão acabando com as finanças do País. Essa é a narrativa”, declarou.

Durante evento de celebração do aniversário de 46 anos do PT em Salvador, Haddad citou a aprovação da PEC dos Precatórios e ressaltou que o antigo governo vendeu a narrativa de contas públicas em ordem, mas que, diante do fracasso eleitoral iminente, aprovou medidas prejudiciais.

“Ele, governo Bolsonaro, imaginou que fosse comprar voto nos últimos dois meses, agosto e setembro, para ganhar a eleição, e ele dizia isso. … E obviamente que botou a Polícia Rodoviária Federal para não deixar os petistas votarem, como vocês sabem. Tudo isso não deu certo, destacou o ministro.

Ele afirmou que a “ciência política não consegue explicar o fenômeno Lula”, que saiu da prisão e conseguiu vencer a eleição presidencial. Disse, porém, que a comunicação do governo petista virou uma “coisa complexa demais”, porque atualmente há contestação de fatos, como dados de órgãos oficiais.

‘Haddad é o Haddad’

Segundo o ministro, ele foi ao evento do PT como militante, em licença do Ministério de um dia. Em tom eleitoral, falou que sabe para onde vai. “Haddad é neoliberal? O Haddad é comunista? O Haddad é o Haddad. Vocês me conhecem há uns 40 anos. Então posso ter errado, posso ter acertado, mas eu sei o lugar que eu ocupo, sei de onde eu vim, sei para onde eu vou. Então está tudo em ordem comigo”, falou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a admitir a possibilidade de lançar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao Senado por São Paulo.

Haddad disse na semana passada que sua saída do ministério deve ocorrer em fevereiro e evitou cravar o nome do secretário-executivo da Pasta, Dario Durigan, como seu sucessor.

Ele disse que cabe a Lula fazer o anúncio. “O mês de fevereiro, com certeza”, declarou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Exportações aos EUA caem 25,5% em janeiro, mas vendas à China sobem

 

Pelo sexto mês seguido desde o tarifaço do governo de Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos acumularam queda. As vendas para a China, no entanto, continuaram a subir, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5), em Brasília, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Em janeiro, as vendas para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,4 bilhões, recuo de 25,5% em relação aos US$ 3,22 bilhões no mesmo mês de 2025. As importações de produtos norte-americanos também caíram 10,9% para US$ 3,07 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 670 milhões na balança comercial bilateral em desfavor do Brasil.

Esta foi a sexta retração consecutiva nas vendas brasileiras aos EUA desde a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo de Donald Trump a produtos do Brasil, em meados de 2025. Apesar de a tarifa ter sido parcialmente revista no fim do ano passado, o Mdic estima que 22% das exportações brasileiras ainda estejam sujeitas às alíquotas extras, que variam entre 40% e 50%.

China

Na contramão do desempenho com os Estados Unidos, o comércio com a China apresentou resultado positivo. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro, somando US$ 6,47 bilhões, contra US$ 5,51 bilhões um ano antes. As importações caíram 4,9% para US$ 5,75 bilhões, o que garantiu ao Brasil um superávit de US$ 720 milhões no mês.

Entre os principais parceiros comerciais, a corrente de comércio – soma de importações e exportações – com a China alcançou US$ 12,23 bilhões, alta de 5,7%. Já o intercâmbio com os Estados Unidos somou US$ 5,47 bilhões, queda de 18%, refletindo a redução tanto nas exportações quanto nas importações.

Outros mercados

O comércio com a União Europeia gerou superávit de US$ 310 milhões para o Brasil, embora a corrente comercial tenha recuado 8,8% em relação a janeiro de 2025. As exportações para o bloco caíram 6,2%, enquanto as importações diminuíram 11,5%.

Com a Argentina, o Brasil registrou superávit de US$ 150 milhões, mesmo com a forte retração de 19,9% no comércio bilateral. As exportações brasileiras ao país vizinho caíram 24,5% e as importações recuaram 13,6% na comparação anual.