sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

MP-MG e Estado de Minas Gerais propõem ação civil pública contra a Vale

 

O Ministério Público de Minas Gerais (MP- MG) e o Estado de Minas Gerais ajuizaram, nesta quinta-feira, 5, uma Ação Civil Pública contra a mineradora Vale, com requerimento para que a companhia paralise, preventivamente, as atividades no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto. No local, um reservatório extravasou água e sedimentos, em 25 de janeiro, atingindo propriedades vizinhas e cursos dágua importantes.

A ação demanda também a implementação imediata de medidas de contenção e mitigação e o bloqueio cautelar de R$ 846,6 milhões. O montante visa cobrir os danos materiais já apurados, estimados em R$ 282,2 milhões, e garantir a antecipação parcial da reparação por danos morais coletivos.

Apurações técnicas apontam que o desastre ambiental foi provocado por falhas no sistema de drenagem e no manejo hídrico, aponta o MPMG em comunicado. “As investigações também revelaram que a Vale comunicou o ocorrido tardiamente às autoridades, dificultando a pronta resposta dos órgãos ambientais e da Defesa Civil.”

A Vale, em comunicado ao mercado, informou que identificou três medidas judiciais relacionadas aos extravasamentos registrados nas unidades operacionais de Fábrica e Viga, em Congonhas, que sofreu extravasamento de efluentes em 26 de janeiro. Uma das medidas é o bloqueio de R$ 846 milhões pedido nesta quinta-feira pelo MPMG, relativo ao acidente em Fábrica.

Outro, de R$ 200 milhões, foi pedido pelo Ministério Público Federal e é referente ao extravasamento na unidade de Viga. O terceiro foi feito pelo Estado de Minas Gerais, em relação aos extravasamentos na unidade Viga, com o requerimento de bloqueio patrimonial de R$ 1 bilhão.

No comunicado ao mercado, a Vale esclarece que os extravasamentos “não têm qualquer relação com as barragens da Vale na região, as quais permanecem com condições de segurança inalteradas e sob monitoramento contínuo, 24 horas por dia, 7 dias por semana”.

A companhia destacou que coopera com as autoridades e afirmou que apresentará suas manifestações dentro dos prazos legais. “As causas dos eventos continuam sendo apuradas de forma técnica e estruturada, com transparência.”

Pesquisa do BCE mostra expectativas de inflação estáveis e leve melhora no PIB em 2026

 

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 6, pelo Banco Central Europeu (BCE) indica que os profissionais de mercado mantiveram estáveis as expectativas de inflação na zona do euro, ao mesmo tempo em que passaram a projetar um crescimento econômico ligeiramente maior no curto prazo.

Segundo o levantamento, a expectativa para a inflação cheia medida pelo índice harmonizado de preços ao consumidor (HICP) permaneceu inalterada em 1,8% para 2026 e 2% para 2027, enquanto a projeção para 2028 foi estimada em 2,1%. Já a inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, seguiu em 2% em todos os horizontes analisados, inclusive no longo prazo, em 2030.

No campo da atividade, os participantes da pesquisa revisaram marginalmente para cima a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,1% para 1,2%, refletindo principalmente um efeito positivo de dados mais fortes do terceiro trimestre de 2025. As estimativas para 2027 e 2028 foram mantidas em 1,4% e 1,3%, respectivamente, assim como a projeção de crescimento potencial de longo prazo.

Já no mercado de trabalho, as expectativas para a taxa de desemprego permaneceram estáveis em 6,3% para 2026 e 6,2% para 2027. Nos horizontes mais longos, houve leve revisão para baixo, com a projeção para 2028 e 2030 passando de 6,2% para 6,1%.

Houve uma espécie de ‘estupro’ das contas públicas no governo Bolsonaro, diz Haddad

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar nesta sexta-feira, 6, a condução econômica do governo de Jair Bolsonaro (PL) e disse que houve “um estupro” das contas públicas durante a gestão do ex-presidente da República.

“O que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada que aconteceu. Qual é a narrativa da oposição? Nós entregamos em 2022 um superávit primário, e o governo Lula inaugurou uma fase de enormes déficits primários que estão acabando com as finanças do País. Essa é a narrativa”, declarou.

Durante evento de celebração do aniversário de 46 anos do PT em Salvador, Haddad citou a aprovação da PEC dos Precatórios e ressaltou que o antigo governo vendeu a narrativa de contas públicas em ordem, mas que, diante do fracasso eleitoral iminente, aprovou medidas prejudiciais.

“Ele, governo Bolsonaro, imaginou que fosse comprar voto nos últimos dois meses, agosto e setembro, para ganhar a eleição, e ele dizia isso. … E obviamente que botou a Polícia Rodoviária Federal para não deixar os petistas votarem, como vocês sabem. Tudo isso não deu certo, destacou o ministro.

Ele afirmou que a “ciência política não consegue explicar o fenômeno Lula”, que saiu da prisão e conseguiu vencer a eleição presidencial. Disse, porém, que a comunicação do governo petista virou uma “coisa complexa demais”, porque atualmente há contestação de fatos, como dados de órgãos oficiais.

‘Haddad é o Haddad’

Segundo o ministro, ele foi ao evento do PT como militante, em licença do Ministério de um dia. Em tom eleitoral, falou que sabe para onde vai. “Haddad é neoliberal? O Haddad é comunista? O Haddad é o Haddad. Vocês me conhecem há uns 40 anos. Então posso ter errado, posso ter acertado, mas eu sei o lugar que eu ocupo, sei de onde eu vim, sei para onde eu vou. Então está tudo em ordem comigo”, falou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a admitir a possibilidade de lançar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao Senado por São Paulo.

Haddad disse na semana passada que sua saída do ministério deve ocorrer em fevereiro e evitou cravar o nome do secretário-executivo da Pasta, Dario Durigan, como seu sucessor.

Ele disse que cabe a Lula fazer o anúncio. “O mês de fevereiro, com certeza”, declarou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Exportações aos EUA caem 25,5% em janeiro, mas vendas à China sobem

 

Pelo sexto mês seguido desde o tarifaço do governo de Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos acumularam queda. As vendas para a China, no entanto, continuaram a subir, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5), em Brasília, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Em janeiro, as vendas para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,4 bilhões, recuo de 25,5% em relação aos US$ 3,22 bilhões no mesmo mês de 2025. As importações de produtos norte-americanos também caíram 10,9% para US$ 3,07 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 670 milhões na balança comercial bilateral em desfavor do Brasil.

Esta foi a sexta retração consecutiva nas vendas brasileiras aos EUA desde a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo de Donald Trump a produtos do Brasil, em meados de 2025. Apesar de a tarifa ter sido parcialmente revista no fim do ano passado, o Mdic estima que 22% das exportações brasileiras ainda estejam sujeitas às alíquotas extras, que variam entre 40% e 50%.

China

Na contramão do desempenho com os Estados Unidos, o comércio com a China apresentou resultado positivo. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro, somando US$ 6,47 bilhões, contra US$ 5,51 bilhões um ano antes. As importações caíram 4,9% para US$ 5,75 bilhões, o que garantiu ao Brasil um superávit de US$ 720 milhões no mês.

Entre os principais parceiros comerciais, a corrente de comércio – soma de importações e exportações – com a China alcançou US$ 12,23 bilhões, alta de 5,7%. Já o intercâmbio com os Estados Unidos somou US$ 5,47 bilhões, queda de 18%, refletindo a redução tanto nas exportações quanto nas importações.

Outros mercados

O comércio com a União Europeia gerou superávit de US$ 310 milhões para o Brasil, embora a corrente comercial tenha recuado 8,8% em relação a janeiro de 2025. As exportações para o bloco caíram 6,2%, enquanto as importações diminuíram 11,5%.

Com a Argentina, o Brasil registrou superávit de US$ 150 milhões, mesmo com a forte retração de 19,9% no comércio bilateral. As exportações brasileiras ao país vizinho caíram 24,5% e as importações recuaram 13,6% na comparação anual.

Ações de saúde receberam quase R$ 1 bilhão do Fundo Rio Doce em 2025

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta quinta-feira (5) que repassou, em 2025, R$ 985,03 milhões do Fundo Rio Doce para ações de saúde no Espírito Santo e em Minas Gerais, estados afetados pelo crime ambiental que culminou no rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

As ações de saúde estão previstas no Novo Acordo do Rio Doce, instrumento de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem, que integrava um complexo da Samarco, mineradora controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton.

O incidente aconteceu em 5 de novembro daquele ano, quando cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram por 633 quilômetros pela Bacia do Rio Doce, até a foz, no Espírito Santo, contaminando o abastecimento de água e dizimando ecossistemas pelo caminho.

O desastre provocou a morte de 19 pessoas e impactos diversos às populações de 49 municípios mineiros e capixabas.

Detalhes do acordo

Segundo o BNDES, os recursos viabilizam a construção de novas unidades de saúde e hospitais, entre outras ações

O Novo Acordo foi homologado em novembro de 2024, prevendo programas a serem implementados em municípios da região afetada. Para ações de saúde, o Novo Acordo reservou um total de R$ 12 bilhões.

Desse total, R$ 11,32 bilhões serão geridos pelo BNDES, no âmbito do Fundo Rio Doce, e custearão o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, sob coordenação do Ministério da Saúde. Os R$ 684 milhões restantes são de responsabilidade dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Entre as iniciativas anunciadas, estão as construções do Hospital-Dia de Santana do Paraíso e do Hospital Universitário de Mariana, vinculado à Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

Outras medidas confirmadas envolvem a estruturação do Centro de Referência das Águas e do Centro de Referência em Exposição à Substâncias Químicas.

Ações de saúde

Os R$ 11,32 bilhões do programa contemplam ações em 38 municípios mineiros e 11 capixabas. Desse total, R$ 815,8 milhões englobam projetos realizados diretamente pelo Ministério da Saúde.

Também foi garantido R$ 1,8 bilhão para custear os planos municipais de saúde elaborados por cada município. Outros R$ 300,2 milhões custearão pesquisas e análises que serão conduzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Os R$ 8,4 bilhões restantes deverão constituir um fundo patrimonial que viabilizará as ações para fortalecimento e melhoria das condições de saúde dos municípios contemplados.

Em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, diz que as iniciativas impulsionadas pelo Fundo Rio Doce, “além de viabilizar a recuperação das áreas degradadas e impulsionar a economia local, contribuem de forma decisiva para a reestruturação da rede pública de saúde e para o fortalecimento das comunidades da Bacia do Rio Doce”.

Já o gestor do Programa Especial de Saúde do Rio Doce do Ministério da Saúde, Sergio Rossi, acredita que os investimentos “fortalecerão a rede assistencial, a vigilância em saúde e a capacidade de resposta, assegurando soluções mais qualificadas às necessidades da população da Bacia do Rio Doce”. 

 Novo Acordo

O Novo Acordo foi assinado pela União, pelos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, pela Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton, e por instituições de Justiça, como o Ministério Público e a Defensoria Pública.

O instrumento repactua as ações que vinham sendo executadas desde 2016 e que não asseguraram, à época, a reparação integral dos danos.

O valor total do acordo é de R$ 170 bilhões, sendo R$ 32 bilhões em indenizações individuais e obrigações de fazer da Samarco e de suas acionistas, Vale e BHP Billiton, além de R$ 38 bilhões já executados anteriormente.

Os outros R$ 100 bilhões, a serem desembolsados pelas empresas ao longo de 20 anos, são destinados aos poderes públicos. As parcelas que englobam ações de responsabilidade da União somam R$ 49,1 bilhões e são aportadas no Fundo Rio Doce, gerido pelo BNDES.

Superávit brasileiro cresce 85,8% em janeiro com forte queda das importações

 

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026, valor 85,8% maior do que os US$ 2,337 bilhões somados no mesmo período do ano passado. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 5, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O saldo positivo foi puxado sobretudo por uma queda acentuada de 9,8% nas importações, que foram de 23,06 bilhões para US$ 20,81 bilhões. As exportações também caíram, porém, em uma proporção bem menor, de 1,0%, somando US$ 25,153 bilhões contra US$ 25,4 bilhões no ano anterior.

A corrente comercial (número que registra a soma de todas as transações comerciais, seja importações ou exportações) foi de US$ 46 bilhões, volume 5,1% inferior aos US$ 48,5 bilhões alcançados em 2025.

Desaceleração econômica impacta importações

Diretor de Planejamento e Inteligência Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão explicou que a queda nas importações está relacionada a uma menor demanda interna. “Na medida em que se espere que a economia cresça menos em relação ao aumento que foi observado no ano passado, é natural que tenha uma menor demanda por bens importados”, disse.

Ao mesmo tempo, o técnico do MDIC afirma que há impactos de questões sazonais, como compras menores de insumos agrícolas ocasionadas por mudanças na safra.

As reduções mais significativas nas importações foram observadas na categoria de bens intermediários, ou seja, produtos semiacabados usados na produção de outros bens. A queda no grupo foi de 15%, com destaque para a redução de 21,5% em combustíveis.

Ao mesmo tempo, houve um crescimento de 1,1% no valor importado de bens de capital (categoria de bens usados na produção de outros, como maquinário) e de 11,9% no de bens de consumo (produtos finais adquiridos pelos consumidores).

Exportações caem, porém somam terceiro maior valor da história

As exportações brasileiras caíram 1,0% em janeiro de 2026. Apesar do recuo nas exportações, Herlon Brandão destacou que a comparação se dá sobre uma base elevada. A soma de exportações em janeiro de 2026 foi a terceira maior para o mês na história, atrás apenas do ano passado e do recorde registrado em 2024, de US$ 27,016 bilhões. A série histórica tem início em 1989.

A queda neste ano foi mais expressiva nos embarcamentos para a América do Norte (-18,2%). Em meio a taxas criadas pelo governo Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25,5%. Houve recuo também nos envios para a Europa (-1%).

Ao mesmo tempo, as vendas brasileiras para o Oriente Médio dispararam 31,6%. Os Emirados Árabes Unidos foram o maior destaque individual, com um aumento impressionante de 110,1%, passando de US$ 290 milhões para US$ 600 milhões. O crescimento para o Iêmen foi de 330,2%, gerando um aumento de US$ 100 milhões nas vendas. Já para o Irã, a alta foi de 21,4% (US$ 100 milhões).

Também houve crescimentos expressivos nos envios para a China (17,4% com aumento de US$ 1 bilhão) e Índia (14,4%, com aumento de US$ 100 milhões).

 

 https://istoedinheiro.com.br/superavit-balanca-exportacoes-importacoes-126

BoE corta projeções de crescimento e inflação do Reino Unido em 2026 e vê desemprego a 5,3%

 

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) projeta que a economia do Reino Unido crescerá 0,9% em 2026, ante previsão anterior de 1,2%, com aceleração gradual para 1,5% em 2027, abaixo do 1,6% esperado anteriormente. Para 2028, a inflação foi revisada para cima, de 1,8% para 1,9%.

Segundo o relatório de política monetária de fevereiro, a projeção da inflação foi reduzida significativamente, passando de 2,8% para 2,1%.

Para o primeiro trimestre de 2027, a expectativa é de que a inflação fique em 1,7% e acelere a 1,8% no mesmo período de 2028. Sobre o mercado de trabalho, o BOE espera que a taxa de desemprego suba a 5,3% até meados de 2026 no Reino Unido.

Segundo o BoE, “o risco de maior persistência inflacionária tornou-se menos pronunciado recentemente”.

O Comitê de Política Monetária (MPC) reiterou que novos cortes dependerão da evolução das perspectivas para a inflação e que é necessário analisar novos dados. O BoE manteve a taxa inalterada em 3,75% hoje, em decisão que contou com placar apertado (5-4).