sábado, 25 de abril de 2026

Brasil adere a programa de pesquisa para agricultura sustentável da OCDE

 

O governo brasileiro formalizou a adesão ao Programa de Pesquisa Cooperativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para Agricultura e Sistemas Alimentares Sustentáveis, informou o Ministério da Agricultura em nota.

A carta de adesão foi entregue durante reunião na sede da organização, em Paris, ocorrida nesta sexta-feira, 24, com a participação do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, e do representante do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas em Paris, o embaixador Sarquis J. B. Sarquis. Pela OCDE, participaram o secretário-geral adjunto, Yasushi Masaki, e a diretora de Comércio e Agricultura, Marion Jansen.

Segundo a pasta, a entrada do Brasil no programa reforça a contribuição do País em pesquisa agropecuária, especialmente em agricultura tropical. “O Brasil conta com uma rede de instituições de pesquisa, universidades e centros de excelência, com destaque para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cuja atuação tem sido parte central dos ganhos de produtividade e sustentabilidade da agricultura nacional. A participação no programa permitirá ao Brasil ampliar sua presença nas discussões da OCDE sobre agricultura, segurança alimentar, sustentabilidade e inovação”, disse o ministério na nota.

Há expectativa de que a adesão gere redução de custos de cooperação internacional, com acesso à rede de intercâmbio científico, bolsas de pesquisa, conferências, workshops e simpósios apoiados pelo programa.

 

 

Alemanha investiga ataque hacker que atingiu ministros

 

Parlamentares e membros do governo foram alvos de golpes cibernéticos por meio do aplicativo de mensagens Signal. Autoridades investigam se conversas privadas foram vazadas.A Procuradoria-Geral da Alemanha investiga um possível caso de espionagem relacionado a um ataque cibernético que atingiu ministros e parlamentares alemães por meio do aplicativo de mensagens Signal.

A revista alemã Der Spiegel informou nesta semana que membros do Parlamento de praticamente todas as bancadas teriam sido atingidos pelos ataques cibernéticos, incluindo a presidente do Bundestag, Julia Klöckner.

O veículo ainda identificou que a ministra da Educação, Karien Prien (CDU), e a ministra da Construção, Verena Hubertz (SPD), tiveram suas contas hackeadas. Autoridades da Otan também foram alvos da campanha.

O Signal tem sido amplamente utilizado como meio de comunicação devido aos seus altos níveis de criptografia e segurança. No entanto, os hackers enganam os usuários para obter acesso aos seus dados, sem atacar o aplicativo em si.

Como funciona o phishing

Para isso, os agentes primeiro enviam uma mensagem pedindo que o usuário informe um PIN, clique em links ou em um código QR. Isso permite que os hackers circulem por grupos internos de conversa assumindo uma identidade falsa.

Quando o golpe é bem-sucedido, os hackers passam a ter acesso também a fotos e arquivos compartilhados no Signal. Ainda podem se passar pela pessoa cuja conta foi comprometida.

Não está claro a que informações os hackers tiveram acesso, mas os ministros do gabinete mantêm um grupo no Signal que inclui o chanceler federal alemão Friedrich Merz, embora o aparelho dele aparentemente não tenha sido comprometido.

O Departamento Federal de Proteção da Constituição da Alemanha (BfV) enviou um alerta aos parlamentares nesta semana. “É de se supor que vários grupos do Signal no espaço parlamentar estejam atualmente sendo interceptados pelos atacantes quase que despercebidos”, diz o texto.

Órgão investiga casos desde fevereiro

Uma porta-voz do órgão confirmou nesta sexta-feira (25/04) que a autoridade investiga o caso desde meados de fevereiro. Na ocasião, o BfV e o Escritório Federal para a Segurança da Informação alertaram sobre uma onda de ataques direcionados a contas do Signal. As tentativas tinham como alvo figuras do alto escalão da política, das forças armadas, bem como jornalistas investigativos, afirmou Elena Singer, porta-voz do Ministério Federal do Interior.

Na semana passada, os dois órgãos divulgaram um novo aviso de segurança com instruções específicas, após constatarem que jornalistas, militares e políticos alemães haviam sido afetados.

O comunicado afirmou que a campanha “provavelmente está sendo conduzida por um ator cibernético patrocinado por um Estado”. As apurações atuais indicam que a ofensiva permanece ativa e vem ganhando impulso.

A Procuradoria-Geral da Alemanha ainda não apontou responsáveis, mas membros do governo alemão atribuem o caso à Rússia.

“O governo federal está partindo do pressuposto de que a campanha de phishing direcionada ao serviço de mensagens Signal foi presumivelmente conduzida a partir da Rússia”, disse à agência de notícias AFP uma fonte do governo.

O presidente da Comissão de Controle Parlamentar do Bundestag, Marc Henrichmann, responsável por fiscalizar os serviços de inteligência, também acusou a Rússia de estar por trás da campanha.

Ataques semelhantes via Signal também foram detectados no Reino Unido e na Holanda desde 2025.

gq (AFP, DPA, OTS)

Entenda o que são apostas preditivas e o que está proibido e permitido no Brasil

 

O governo federal anunciou a proibição dos mercados preditivos no Brasil, onde apostadores negociam palpites sobre eventos futuros, apontando a ilegalidade desse tipo de operação no país.

O anúncio feito nesta sexta-feira, dia 24, segue a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que detalha aspectos irregulares do mercado de previsão que oferta de contratos derivativos vinculados a eventos aleatórios, como desfecho de eventos reais, decisões políticas, indicadores econômicos, eventos esportivos e premiações culturais.

+ Veja a lista das 27 plataformas de mercados preditivos bloqueadas pelo governo

Ao negociar palpites sobre eventos futuros com prêmios predefinidos, essas plataformas passam a ser submetidas a rigor regulatório e fiscalização aplicadas ao mercado ilegal de apostas.

Em razão disso, 27 plataformas de mercados preditivos, consideradas irregulares por estarem fora dos parâmetros legais, já foram bloqueadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“O mercado preditivo viola a legislação nacional. Existe uma abertura demasiada que viola a lei no Brasil”, diz o ministro.

Com relação às bets, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo estuda medidas para ‘apertar’ ainda mais essa modalidade de apostas online. “Vamos endurecer a fiscalização e vamos seguir avaliando outras medidas para as bets”. Atualmente, existem 73 operadoras de bets  autorizadas a atuar no país.  “Mesmo esse universo está sendo analisado”, disse o ministro.

O que a resolução do CMN fez foi esclarecer os ativos subjacentes que estão sendo oferecidos no mercado de previsão. Com isso, foi adquirida a segurança jurídica para aplicar essa determinação anunciada nesta sexta, informou a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, que participou do anúncio ao lado do ministro Durigan.

Ao negociar palpites sobre eventos futuros com prêmios predefinidos, essas plataformas passam a ser submetidas ao mesmo rigor regulatório e fiscalização. Embora muitas vezes sejam comercializadas como modalidades de investimento ou acordos entre usuários, essas plataformas operam à margem do sistema financeiro.

Este acordo com o Ministério da Fazenda, essas plataformas são usadas para contornar a legislação. A medida alinha o Brasil às melhores práticas internacionais, uma vez que diversos países já restringiram ou proibiram tais mercados por funcionarem como apostas não autorizadas.

O anúncio do governo vem na sequência da publicação da resolução nº 5.298 do Conselho Monetário Nacional (CMN), feito nesta sexta-feira, dia 14, que veda a oferta e a negociação, no país, de contratos derivativos cujos ativos subjacentes estejam relacionados em eventos de entretenimento, política ou esportes.

A regulamentação permite apenas contratos vinculados a indicadores econômicos e financeiros como índices de preços, taxas de juros e taxas de câmbio, o que na prática veda outros tipos de apostas oferecidas por empresas estrangeiras como Kalshi e Polymarket.

Veja a lista de plataformas bloqueadas

B3

Técnicos do governo ressaltaram a especificidade do mercado de previsão cujo objeto da aposta está relacionado a eventos aleatórios ligados a entretenimento, política ou esportes. Atuação diferente da proposta da anunciada anteriormente pela B3 (Bolsa do Brasil), que previu lançamento para o dia 27 , próxima segunda-feira, de oferta de seis novos ‘Contratos de Eventos’. Os produtos ampliam a oferta de derivativos listados referenciados no Ibovespa B3, Dólar e Bitcoin.

De acordo com a B3, os novos produtos foram autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) inicialmente para negociação exclusiva por investidores profissionais (com mais de R$ 10 milhões alocados em ativos financeiros ou certificação técnica emitida pela autarquia).

 

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guerra no Irã faz preço de matérias-primas disparar ao maior nível desde a pandemia, diz CNI

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta sexta-feira que a alta do petróleo e de outros insumos por conta da guerra no Oriente Médio levou o índice de evolução do preço médio das matérias-primas a disparar, de acordo com a Sondagem Industrial. O indicador saltou 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos.

 A Sondagem Industrial ouviu 1.406 empresas – 588 pequenas, 477 médias e 341 grandes – entre 1º e 13 de abril 2026.

 O levantamento mostra que o índice que mede a variação do preço das matérias-primas não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia.

Os industriais demonstraram insatisfação com as condições financeiras das empresas, cujo índice caiu de 50,1 pontos no 4º trimestre de 2025 para 47,2 pontos no 1º trimestre de 2026.

 Já o índice de satisfação com o lucro operacional caiu 2,6 pontos, para 41,9 pontos. Com isso, o indicador atingiu seu menor valor desde o 2º trimestre de 2020, quando registrou 37 pontos. À época, a indústria sofria os efeitos da pandemia.

 

O índice de acesso ao crédito, por sua vez, caiu 1,9 ponto, passando de 40,9 pontos, no 4º trimestre de 2025, para 39 pontos, no 1º trimestre de 2026, pior marca em três anos. O indicador permanece muito abaixo da linha de 50 pontos, revelando grande dificuldade de acesso ao crédito pelas empresas.

A elevada carga tributária continua liderando o ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria. No 1º trimestre de 2026, o entrave foi apontado por 34,8% dos empresários, queda de 6,3 pontos porcentuais em relação ao 4º trimestre do ano passado.

“A maior preocupação dos empresários com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem aumentando os custos com petróleo e outros insumos importantes. Isso e os juros altos estão afetando o fôlego financeiro das empresas”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Resultados positivos para a produção e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) em março ajudaram a melhorar as expectativas dos empresários para o setor nos próximos meses. Todos os índices de expectativas subiram em abril, exceto em relação ao número de empregados.

Na prática, os industriais esperam aumento da demanda por bens industriais, da compra de insumos e matérias-primas e das exportações, mas preveem estabilidade dos postos de trabalho.

O cenário externo incerto e os juros altos continuam segurando a intenção de investimento do setor, que caiu pelo quarto mês consecutivo. Em abril, o índice de intenção de investimento caiu 1,1 ponto, passando de 54,8 pontos para 53,7 pontos.


Brasil precisa ter uma política clara de atração de data centers, afirma ministro

 

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse nesta sexta-feira, 24, que o Brasil precisa ter uma política clara de atração de data centers. A declaração foi realizada em participação no programa Bom dia, ministro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“Eu, pessoalmente, no dia em que assumi, disse que vou dialogar com o presidente do Senado, pedindo a ele que priorize a tramitação, porque o Brasil precisa ter, exemplo dos minerais críticos que nós falávamos há pouco, o Brasil precisa ter uma política clara de atração de data center”, afirmou o ministro.

Ele disse ainda que é preciso ter cuidado ao fazer uma política de incentivo aos data centers para evitar que esses equipamentos comprometam a questão ambiental.

“Só precisamos tomar cuidado ao fazer política de incentivo à atração de data center com a necessidade de compatibilizar com a questão ambiental. Porque o data center consome muita energia e consome também muito recurso hídrico, a água para o sistema de refrigeração”, completou o ministro.

Fim da escala 6×1? Veja o que dizem as empresas que já adotam jornadas reduzidas

 

A rotina de trabalho no comércio, especialmente em bares e restaurantes, sempre esteve associada a jornadas longas e poucos dias de descanso. Esse modelo, conhecido como escala 6×1, ainda predomina em setores de atendimento contínuo, mas começa a ser revisto por empresários que testam formatos alternativos.

A mudança ganha força em meio ao debate no Congresso sobre a redução da jornada e após o adiamento da proposta de emenda à Constituição que trata do tema. Passado o recesso do feriado de Tiradentes, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira, 22, a PEC que propõe o fim dessa escala no país.

Com a aprovação, a proposta segue para discussão numa comissão especial, que tem entre 10 e 40 sessões para aprovar ou rejeitar um parecer com uma regra de transição antes de a proposta ser finalmente votada no plenário.

Modelos alternativos

À frente de uma hamburgueria com duas unidades em São Paulo e uma no litoral paulista, Fernando Russell, de 50 anos, decidiu alterar a escala da equipe após anos operando num modelo híbrido, que alternava semanas de 6×1 e 5×2. “Até 2025, todas as unidades trabalhavam numa escala em que domingos abria meio período e nas segundas não abria. Dessa forma, metade da equipe folgava aos domingos”, diz. Na prática, os funcionários trabalhavam numa semana 6×1 e na outra semana 5×2.

Em junho de 2025, a hamburgueria iniciou um teste em uma das lojas, reduzindo a carga de trabalho. “Para compensar a contratação, passamos a abrir também às segundas-feiras. Deu certo e a unidade passou a ter um resultado financeiro melhor”, afirma.

Segundo ele, a mudança não reduziu a lucratividade e ainda contribuiu para diminuir faltas e trocas de equipe. “Eu mesmo sou professor universitário há 21 anos. Por esse background, sei o quão importante é ter condições de trabalho saudáveis.”

O modelo foi expandido para as demais unidades neste mês e segue em avaliação. Sobre o fim do atual modelo de escala, ele acredita que terá mais pontos positivos do que negativos. “Acredito que o grande empresário não vai quebrar, não vai ser prejudicado. Na pior das hipóteses, vai operar com uma margem um pouco menor”, opina. Nos pequenos empreendimentos, diz Fernando, os efeitos tendem a ser diferentes de acordo com o setor e o nível de organização. “Talvez eles sejam mais impactados por não terem uma gestão profissional e, até por isso, o Governo precisa auxiliar de alguma forma.”

A experiência se soma a outras iniciativas no setor que buscam equilibrar funcionamento contínuo com jornadas menos extensas, um movimento que começa a redesenhar a dinâmica do trabalho nesses setores. “É sempre bom lembrar que as pessoas de folga costumam gastar mais no comércio. É um dia a mais para ir ao salão de beleza, para ir a um restaurante, para ir ao comércio fazer compras”, complementa o empresário.

Como empresas adotam a escala 4×3 e 5×2 no atendimento

A adoção de jornadas reduzidas no comércio não segue um único modelo. Enquanto parte dos negócios migra para o 5×2, outros avançam para formatos como o 4×3, com três dias de folga por semana. Em comum, está a necessidade de reorganizar equipes e turnos para manter o funcionamento diário.

Em São Paulo, a empresária Isabela Raposeiras, dona da cafeteria Coffee Lab e escola de cafés, decidiu avançar além do 5×2 e implementar a escala 4×3 nas lojas em julho de 2025.

A mudança partiu de uma decisão de gestão e de experiência própria. Após anos trabalhando sob regime 6×1, ela optou por não replicar o modelo na empresa.

“Nunca fomos 6×1, jamais seria. Todos os meus empregos CLT foram 6×1 e jamais quis impor esse horror e opressão aos meus funcionários”, diz a empresária.

Hoje, as unidades funcionam todos os dias, com equipes em escala rotativa e ao menos duas folgas consecutivas. Áreas internas, como escritório e torrefação, ainda operam em 5×2, mas com migração em curso para o 4×3.

Segundo ela, a motivação principal foi reduzir o desgaste de quem atua diretamente com o público. “Atender o consumidor é uma atividade exigente. A ideia foi garantir mais tempo de descanso para melhorar a qualidade do trabalho”, afirma. A empresária diz que, após ajustes nos processos, a operação absorveu a mudança sem perda de eficiência.

Os efeitos, relata, apareceram na rotina e nos resultados. A equipe passou a apresentar menos erros e maior estabilidade, enquanto o faturamento cresceu ao longo do ano. Para ela, o modelo exige revisão de processos e gestão mais detalhada, mas pode ser adotado em diferentes tipos de negócio.

Em outra frente, redes maiores também testam mudanças na jornada. O restaurante Gurumê, com unidades no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, iniciou, em junho de 2025, a implementação da escala 5×2 em parte das unidades, com base em um redesenho da operação. A proposta parte de um mapeamento da demanda por turno e por horário, ajustando o número de funcionários à necessidade real.

“Nosso objetivo é aumentar a retenção e a performance, criando um equilíbrio entre vida pessoal e profissional para todas as funções do restaurante. Isso já se reflete na experiência do cliente”, afirma o sócio-fundador Jerônimo Bocayuva. A estratégia também responde à dificuldade de contratação e retenção em funções que exigem treinamento.

A rede iniciou o projeto em uma unidade piloto e ampliou gradualmente o modelo, sem aumento do quadro de funcionários. A avaliação é que a mudança pode melhorar a retenção e a experiência do cliente, embora o formato não seja necessariamente replicável em operações menores, que têm menos margem para ajustes.”Por isso, é preciso um alinhamento em torno da necessidade de se evitar qualquer tipo de imposição ao empreendedor que não venha acompanhado de contrapartidas capazes de preservar a sustentabilidade das empresas e os empregos que dependem do segmento”, pontua Jerônimo.

Produtividade x redução da jornada

A relação entre menos horas de trabalho e desempenho das empresas não é automática e depende de como a mudança é implementada. Segundo a economista Patrícia Tendolini, mestre em Administração e coordenadora dos curso de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os efeitos variam conforme o setor, o porte da empresa e a capacidade de reorganizar processos.

Em atividades com maior uso de tecnologia, gestão por metas e menor dependência de presença contínua, a redução da jornada pode vir acompanhada de ganhos de produtividade. Já em setores intensivos em mão de obra presencial e com necessidade de cobertura constante, como parte do segmento de consumo e serviços, o impacto tende a ser mais limitado.

Estudos recentes apontam que não há relação direta entre redução da jornada e queda da atividade econômica. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgado em fevereiro de 2026, indica que, com a redução para 40 horas semanais e manutenção da remuneração, o custo médio do trabalho celetista subiria 7,84%. Ainda assim, ao considerar o peso da mão de obra no custo operacional total, o impacto agregado em setores como indústria e comércio ficaria abaixo de 1%.

Os economistas afirmam ainda que experiências internacionais, como testes no Reino Unido, indicam manutenção da produtividade, melhora no bem-estar e redução da rotatividade. Para Nelson Marconi, economista da FGV EAESP, parte desse efeito passa pelo comportamento do trabalhador. Segundo ele, isso pode se refletir no desempenho, especialmente quando combinado a mudanças na organização do trabalho.

Marconi ressalta, no entanto, que produtividade não depende apenas de esforço individual. O ganho tende a vir de investimento em tecnologia, reorganização das jornadas e melhor distribuição das equipes. Em setores de serviços, ferramentas digitais e automação podem ajudar a sustentar a redução da carga horária.

Além dos efeitos econômicos, especialistas apontam impactos sociais. A redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, reduzir desigualdades e, no longo prazo, gerar ganhos indiretos para empresas e para o mercado de trabalho.

“A avaliação não deve se restringir ao desempenho empresarial no curto prazo. Deve considerar impactos mais amplos, como melhora na qualidade de vida, maior disponibilidade de tempo para atividades de cuidado e potenciais efeitos positivos sobre a saúde da população”, diz Tendolini.

Ainda assim, a sustentabilidade desses efeitos depende de adaptação gradual e das características de cada setor, afirmam os especialistas.

Desafios para implementação

Se por um lado experiências práticas e estudos indicam possíveis ganhos, a implementação de jornadas menores envolve uma série de entraves operacionais e econômicos. Para Tendolini, da PUCPR, o debate vai além da simples redução de horas trabalhadas.

Ela aponta que o primeiro desafio é a definição do modelo. Migrar para 40 horas semanais em escala 5×2 exige adaptações diferentes de um eventual avanço para 36 horas em 4×3. A diversidade entre setores também pesa: comércio, indústria e serviços têm estruturas e demandas distintas, o que dificulta a adoção de uma regra única.

Outro ponto importante, segundo a economista, é a adaptação das pequenas empresas, que têm menor margem financeira e mais dificuldade para recompor equipes. A isso se somam questões como negociação coletiva, segurança jurídica e a necessidade de compatibilizar diferentes formatos de jornada, como banco de horas, turnos e horas extras.

Tendolini também destaca a importância de uma transição gradual e previsível. Para ela, mudanças desse porte exigem tempo para que empresas invistam em gestão, tecnologia e reorganização de processos. “Não é apenas sobre trabalhar menos, mas sobre como reorganizar produção, atendimento e competitividade sem transferir todo o custo para emprego, preços ou informalidade”, afirma.

Representantes do setor de bares e restaurantes, por outro lado, veem riscos mais imediatos. Para Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a redução da jornada pode ampliar custos e agravar a escassez de mão de obra, especialmente em funções especializadas.

Ele afirma que o aumento de custos pode afetar preços e consumo, sobretudo em regiões de renda mais baixa, além de pressionar a organização das equipes.

Segundo Solmucci, trabalhadores que dependem de comissões, como garçons, também poderiam ter perda de renda com menos dias trabalhados. “A gorjeta de um dia a menos de trabalho, especialmente nos finais de semana, será penosa, pois ela chega a representar 2/3 do ganho total”, diz.

Na avaliação do setor, mudanças na jornada sem mecanismos de compensação podem levar a ajustes na operação e na distribuição da mão de obra. O impacto, segundo ele, tende a variar conforme o perfil do negócio e o público atendido.

Saúde mental em xeque

Além dos efeitos econômicos, a discussão sobre a redução da jornada tem colocado em evidência impactos diretos na saúde dos trabalhadores. Para Marconi, a diminuição dos dias trabalhados tende a influenciar o comportamento no trabalho.

Segundo ele, com mais tempo livre, o trabalhador fica mais disposto e engajado, o que pode se refletir no desempenho ao longo do tempo. Esse efeito não é imediato, mas resultado de uma reorganização da jornada dentro das empresas. “É um ganho que se sustenta porque vem de um rearranjo da forma de trabalhar”, afirma.

Marconi também aponta que jornadas extensas influenciam a dinâmica do mercado de trabalho. Modelos como o 6×1, diz, dificultam a atração de trabalhadores para vagas formais e podem estimular a informalidade. A redução da jornada, nesse sentido, tende a tornar esses postos mais atrativos.

Do ponto de vista da saúde, os efeitos são mais diretos. A médica do trabalho Letícia Mameri, doutoranda em Bioética pela Universidade do Porto (Portugal), explica que jornadas prolongadas, com pouco tempo de descanso, estão associadas ao aumento do risco de exaustão física e mental. Segundo ela, trabalhar seis dias consecutivos com apenas um de descanso eleva o risco de fadiga crônica e compromete o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A especialista afirma ainda que estudos também associam esse tipo de rotina a maior incidência de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e doenças cardiovasculares. Em contrapartida, escalas mais flexíveis tendem a reduzir o estresse, melhorar a qualidade de vida e contribuir para a produtividade ao longo do tempo. “Escalas mais flexíveis trazem ganhos claros: melhor saúde física e mental, com redução do estresse. Maior produtividade sustentada, já que trabalhadores descansados rendem mais”, diz.

13º antecipado do INSS começa a ser pago e injetará R$ 78,2 bi na economia; veja calendário

 

Os pagamentos de abril e da 1ª parcela do 13º para aposentados e pensionistas do INSS começam nesta sexta-feira, 24.

Recebe hoje quem tem o cartão benefício do INSS com o final 1. O calendário de pagamentos é organizado conforme o dígito final antes do hífen. Se, por exemplo, o número do benefício for 0104-7, o dígito final a ser considerado é o 4.

A primeira parcela será paga entre os dias 24 de abril e 8 de maio, enquanto a segunda ocorrerá de 25 de maio a 8 de junho. Veja mais abaixo o calendário.

Injeção de R$ 78,2 bi na economia

Cerca de 35,2 milhões de benefícios serão pagos antecipadamente nos meses de abril e maio.

“A antecipação transferirá aos beneficiários cerca de R$ 39 bilhões como pagamento da primeira parcela (abril) e cerca de R$ 39 bilhões com a segunda parcela (maio), totalizando R$ 78,2 bilhões injetados na economia”, informou o INSS.

Confira o calendário 

Existem dois calendários, conforme o valor do benefício. Quem recebe até um salário mínimo, deve observar o calendário de cima na imagem abaixo, cujos pagamentos iniciam em 24 de abril.

Já quem recebe valores superiores deve observar o segundo calendário da imagem, com pagamentos do próximo ano iniciando em 4 de maio.

Como saber meu número de cadastro no INSS

É possível conferir seu número de cadastro no cartão do INSS. Também é possível através do site oficial (neste link) ou no aplicativo Meu INSS, disponível para download em dispositivos Android e iOS. Nas plataformas digitais, selecione a opção “extrato de pagamento” para ver seu número.

Outra opção é através da central telefônica 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.

Quem vai receber e quem não tem direito ao 13º

Têm direito ao 13º os segurados do INSS que, em 2026, receberam benefícios como aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, salário-maternidade e auxílio-reclusão.

Já os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da Renda Mensal Vitalícia não recebem o abono anual.