quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Labirinto do Calote: Por Que o Mercado de Crédito no Brasil Travou em 2026

 

Com a Selic cravada em 14% e mais de 81 milhões de CPFs negativados, balanços de Itaú e Bradesco evidenciam o contraste entre a forte rentabilidade do setor e a crise estrutural de crédito no Brasil.

O que aconteceu

  • Pressão de Juros e Calote: O Brasil atingiu a marca histórica de 81,7 milhões de adultos inadimplentes em 2026, reflexo direto do elevado custo de vida e do aperto monetário provocado pela taxa Selic, atualmente fixada em 14% ao ano.

  • Resultados do 2T26: Enquanto o Itaú apresentou forte lucro de R$ 12,4 bilhões com risco controlado, o Bradesco (lucro de R$ 7,05 bilhões) viu sua inadimplência acima de 90 dias sofrer ligeira elevação para 4,3%.

  • Perspectiva do Setor: Executivos das grandes instituições mantêm postura restritiva no apetite ao risco, descartando qualquer melhora estrutural rápida na capacidade de pagamento das famílias ao longo deste ano.

  • Intervenção Governamental: O Novo Desenrola Brasil, viabilizado por Medida Provisória, libera repactuações com descontos de até 90%, mas levanta alertas sobre o risco de reincidência de dívidas no médio prazo.

O ambiente de crédito no Brasil em 2026 solidificou-se como um dos mais desafiadores da história recente para o varejo. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do início de agosto, o Banco Central manteve o tom austero e cravou a taxa básica de juros (Selic) em 14% ao ano. Esse patamar, necessário para ancorar a economia, asfixia o orçamento familiar e impulsiona a inadimplência, que atingiu o impressionante teto de 81,7 milhões de adultos negativados no país.

Para efeito prático, metade da população maior de idade do país convive atualmente com alguma conta em atraso. O endividamento severo passou a comprometer, em média, mais de 31% da renda mensal dos lares, atingindo picos de 50% entre os cidadãos vulneráveis. O rotativo do cartão de crédito, com sua dinâmica impiedosa de juros, permanece como principal catalisador desse sufocamento.

O choque do superendividamento refletiu-se de maneiras distintas na recém-encerrada temporada de balanços financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26). Fica clara a adoção de estratégias altamente conservadoras pelas instituições, que lucram enquanto fecham a torneira de dinheiro novo.

O Itaú Unibanco, por exemplo, reportou lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, ostentando um invejável Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) anualizado de 24,3%. O banco destacou que seu índice de inadimplência consolidado permaneceu blindado nas mínimas históricas, fruto de uma originação de crédito focada em clientes de alta resiliência e produtos com garantia colateralizada.

Na outra ponta, o Bradesco consolidou seu décimo trimestre consecutivo de recuperação do lucro — somando R$ 7,05 bilhões —, porém com sinais claros de que a ponta do varejo segue espinhosa. A inadimplência da instituição referente a atrasos acima de 90 dias marcou uma leve alta trimestral, cravando 4,3%. A liderança corporativa indicou que a deterioração refletiu o aperto sobre carteiras de Micro e Pequenas Empresas (MPMEs) e operações de capital de giro. Em uníssono, a alta cúpula dos grandes bancos adota tom de extrema precaução: o freio na concessão de crédito massificado será mantido e não existe otimismo para uma queda autônoma da inadimplência sem alívio macroeconômico forte.

Como válvula de escape à falência do cidadão comum, o governo interveio por meio da Medida Provisória (MP) 1.355/2026, reativando o Novo Desenrola Brasil desde maio. A mecânica é desenhada para limpar passivos de pequeno porte: pessoas com renda bruta mensal de até R$ 8.105 podem refinanciar débitos bancários de até R$ 15 mil (por instituição financeira) pagando juros máximos de 1,99% ao mês.

O programa força os bancos parceiros a oferecerem abatimentos significativos, que vão de 30% a 90% do valor da dívida. Apesar do respiro, senadores e economistas alertam para as estatísticas desfavoráveis. Nas rodadas primárias deste formato de renegociação, o mercado aferiu que houve crescimento de 15% na reincidência de calotes nas faturas repactuadas. A leitura central em 2026 é que programas governamentais oferecem um alívio pontual, mas são incapazes de resolver o problema basilar causado por estagnação de renda e uma Selic a 14% ao ano.

Guia do Investidor / Guia do Beneficiário: Orientações Práticas

Para o Investidor da B3 (Ações do Setor Financeiro):

  • Filtro pela Qualidade da Carteira: Com os juros em 14%, o driver principal para quem investe em ações como ITUB4, BBDC4 ou BBAS3 é a blindagem do crédito (NPL acima de 90 dias). Instituições com crescimento focado em linhas consignadas e operações colateralizadas de grandes empresas estão menos expostas ao calote surpresa.

  • Foque nos Dividendos: A expansão acelerada das carteiras abertas não é viável nesse momento do ciclo. Dessa forma, as ações funcionam como grandes geradoras de caixa (“vagas leiteiras”). Atente-se à regularidade da distribuição de Juros Sobre Capital Próprio (JCP), estratégia amplamente utilizada pelos bancos no 2T26 para otimizar tributos.

Para o Consumidor Endividado (Novo Desenrola Brasil):

  • Critérios de Inclusão: A sua dívida elegível ao Novo Desenrola precisava ter sido formalizada como empréstimo ou crédito até o dia 31 de janeiro de 2026, encontrando-se atrasada no prazo entre 91 e 720 dias.

  • Saque do FGTS como Trunfo e Armadilha: A atual MP permite utilizar o montante resgatado do Fundo de Garantia para pagar a dívida negociada à vista. Caso opte por usar valores provenientes do “saque-aniversário”, esteja ciente de que novas movimentações nesta modalidade ficarão travadas até o momento em que haja a recomposição devida do saldo.

  • Evite Golpes: As renegociações devem ser conduzidas diretamente com a instituição credora (em seus canais e aplicativos oficiais), e não devem ser pagas taxas a terceiros ou prefeituras para “acessar” o desconto do Governo.

     

     https://istoedinheiro.com.br/crise-de-credito-selic-recorde-negativados

Alerta do BC: Por Que Choques de Oferta Podem Manter os Juros Altos

 

A autoridade monetária do Brasil sinaliza que prolongará o ciclo de juros altos para conter a inflação, caso a alta de preços em alimentos e energia contamine as expectativas de longo prazo. Em comunicados recentes de agosto de 2026, o Banco Central reforça sua postura combativa para evitar efeitos secundários na economia nacional, mantendo a taxa Selic em patamar restritivo.

O que aconteceu

  • O Banco Central reafirma compromisso com o combate à inflação e alerta para a prolongação do ciclo de juros altos frente a choques de oferta.
  • A taxa Selic deve permanecer em 14% ao ano até o segundo semestre de 2026, consolidando uma política monetária estritamente restritiva.
  • A prioridade do Copom é ancorar as expectativas de inflação, evitando que o repasse de custos de commodities se alastre para outros setores da economia.

O Banco Central do Brasil enviou um recado direto ao mercado financeiro e aos agentes econômicos ao detalhar os cenários de risco para a trajetória da inflação no país. Em seus comunicados recentes em agosto de 2026, a autarquia enfatizou que, embora Choques de Oferta — como intempéries climáticas sobre a safra agrícola ou volatilidade nos preços internacionais do petróleo — sejam eventos em tese transitórios, a resposta monetária será contundente se houver contaminação das expectativas ou alastramento para os demais preços da economia.

A distinção é crucial para a condução da política monetária. Tradicionalmente, bancos centrais costumam “olhar através” de choques pontuais de oferta, uma vez que a elevação imediata da Selic não reduz a cotação do barril de petróleo nem normaliza a colheita de grãos. No entanto, o risco surge quando os agentes econômicos passam a reajustar contratos, salários e preços finais prevendo uma inflação permanentemente mais alta. É exatamente sobre esses chamados “efeitos secundários” ou “efeitos de segunda ordem” que o Banco Central promete atuar sem hesitação.

Rigor monetário: o que o Banco Central busca evitar?

O ambiente econômico de 2026 tem sido testado por uma combinação de fatores geopolíticos e eventos climáticos extremos que pressionam os custos de produção no agronegócio e no setor energético. Com a Selic mantida no patamar estritamente restritivo de 14% ao ano, o Copom busca garantir que a inflação oficial convirja de forma sustentável para a meta estabelecida de 3,0%.

A preocupação central da diretoria do BC reside na desancoragem das projeções de mercado captadas no Boletim Focus. Quando a expectativa de IPCA para os horizontes relevantes se afasta do centro da meta, o custo para trazer a inflação de volta ao objetivo aumenta consideravelmente, exigindo que a taxa de juros permaneça em níveis contratrativos por um período mais longo do que o previamente estimado.

Cenário de 2026: commodities, clima e ancoragem das expectativas

A reafirmação desse compromisso pela autoridade monetária afeta diretamente a precificação dos ativos na B3 e no mercado de dívida corporativa. O tom contundente do BC retira do horizonte qualquer perspectiva de corte iminente nos juros no curto prazo, promovendo o fechamento ou a inclinação da curva de juros futuros conforme a leitura dos dados correntes.

Para as empresas brasileiras, a manutenção prolongada da Selic em 14% implica custos de captação continuadamente elevados. As emissões de debêntures e a concessão de crédito bancário corporativo exigem maior seletividade e prêmios de risco adequados, refletindo o cenário de atividade econômica mais moderada e de restrição de caixa para companhias mais alavancadas.

Impactos na curva de juros e no crédito privado

1. Estratégia em Renda Fixa:

  • Títulos Atrelados à Inflação (NTN-B / Tesouro IPCA+): Continuam sendo a principal proteção estrutural para o capital. As taxas reais elevadas em 2026 oferecem ganho expressivo acima da variação do IPCA, blindando o investidor contra choques de oferta persistentes.
  • Títulos Pós-Fixados (CDI): Com a Selic em 14% ao ano, papéis pós-fixados mantêm alta atratividade, rentabilidade expressiva de curto prazo e liquidez diária, servindo como ancoragem de menor volatilidade.
  • Prefixados: Exigem cautela acrescida. Acomodar posições em títulos pré-fixados de longo prazo em momentos em que o BC alerta para riscos de choques de oferta pode expor a carteira a marcações a mercado negativas.

2. Alocação em Renda Variável (Ações e FIIs):

  • Setores Defensivos: Dê preferência a empresas geradoras de caixa previsível e com capacidade de repasse de inflação, como concessionárias de energia elétrica e saneamento.
  • Fundos Imobiliários de Papel: FIIs cujos portfólios são compostos por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) indexados ao IPCA e ao CDI tendem a continuar entregando dividendos elevados no ambiente atual.
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  •  https://istoedinheiro.com.br/banco-central-juros-altos-prolongado-inflacao

PIS/Pasep 2026: Novo lote do abono salarial é pago nesta segunda-feira; veja quem recebe e como sacar

 

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) dá sequência, nesta segunda-feira de agosto de 2026, à liberação do pagamento do PIS/Pasep, benefício anual destinado a trabalhadores do setor privado e servidores públicos. O abono, com ano-base 2024, atinge aqueles com remuneração média de até dois salários mínimos e valor máximo equivalente ao salário mínimo atual, sendo operacionalizado pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

O que aconteceu

  • O pagamento do PIS/Pasep do calendário de 2026, referente ao ano-base 2024, foi iniciado nesta segunda-feira pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
  • O valor do abono salarial varia de R$ 135,08 a R$ 1.621,00, calculado de forma proporcional aos meses trabalhados com carteira assinada ao longo de 2024.
  • Têm direito ao benefício os profissionais que receberam média de até dois salários mínimos mensais no ano de referência e que tiveram seus dados informados corretamente no eSocial ou RAIS.

A injeção de recursos no consumo das famílias ocorre por meio dos dois principais operadores financeiros estatais: a Caixa Econômica Federal, responsável pelo Programa de Integração Social (PIS) destinado aos empregados com carteira assinada na iniciativa privada, e o Banco do Brasil, encarregado do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).

O teto do abono salarial em 2026 acompanha o valor integral do piso nacional vigente, fixado em R$ 1.621,00. O repasse é fracionado na razão de 1/12 por cada mês trabalhado com vínculo formal durante o ano-base de 2024, considerando-se fração igual ou superior a 15 dias de trabalho como mês integral.

Quais as regras de elegibilidade e exceções?

Para ter direito ao abono salarial liberado no calendário corrente, o cidadão precisa cumprir cumulativamente quatro requisitos previstos na legislação:

  • Tempo de Cadastro: Estar cadastrado no PIS ou no Pasep há pelo menos cinco anos (com primeiro registro efetuado até 2021).
  • Tempo de Serviço: Ter exercido atividade remunerada formal para pessoa jurídica por, no mínimo, 30 dias consecutivos ou intercalados no ano-base 2024.
  • Teto de Renda: Ter recebido remuneração média mensal de até dois salários mínimos vigentes no ano-base.
  • Informação Cadastral: Ter os dados pessoais e trabalhistas informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) ou no eSocial.

Empregados domésticos, trabalhadores rurais contratados por pessoa física e trabalhadores urbanos vinculados a pessoas físicas não têm direito ao abono salarial, uma vez que a contribuição do PIS/Pasep é recolhida exclusivamente por empresas e entidades governamentais.

Guia do beneficiário: como consultar e receber o PIS/Pasep?

Para consultar e realizar o resgate do PIS/Pasep de forma ágil e sem imprevistos, siga os passos abaixo:

  • Consulta de Elegibilidade: Acesse o aplicativo Carteira de Trabalho Digital (disponível para Android e iOS) ou o Portal Gov.br. Na aba “Benefícios”, selecione “Abono Salarial” para checar o valor disponível, a data de liberação e o banco pagador. Informações adicionais podem ser obtidas pela central Alô Trabalho, no telefone 158.
  • Como Receber o PIS (Trabalhadores Privados na Caixa):
    • Quem possui conta corrente ou poupança na Caixa recebe o crédito diretamente na conta.
    • Demais trabalhadores têm a conta Poupança Social Digital aberta automaticamente, movimentável pelo aplicativo Caixa Tem.
    • Saques presenciais podem ser realizados em lotéricas, correspondentes Caixa Aqui e caixas eletrônicos utilizando o Cartão Cidadão com senha registrada.
  • Como Receber o Pasep (Servidores Públicos no Banco do Brasil):
    • Correntistas do Banco do Brasil recebem o crédito diretamente em conta corrente ou poupança.
    • Não correntistas podem efetuar a transferência via Pix sem custos por meio do portal oficial do Banco do Brasil ou dirigir-se a uma agência com documento de identificação.
  • Resolução de Inconsistências: Caso o benefício conste como “não habilitado” por erro de dados na RAIS/eSocial, o trabalhador deve solicitar à empresa empregadora a correção da declaração junto ao Ministério do Trabalho e Emprego para liberação em lote residual.

O prazo final para todos os beneficiários contemplados no calendário de 2026 efetuarem o resgate dos recursos é até o dia 28 de dezembro de 2026. Da IstoÉ.

 

https://istoedinheiro.com.br/pis-pasep-2026-novo-lote-do-abono-salarial-e-pago-nesta-segunda-feira-veja-quem-recebe-e-como-sacar

terça-feira, 11 de agosto de 2026

IPCA de Julho de 2026 desacelera para 0,07%; veja os impactos

 

Com forte alívio vindo do grupo de Alimentação e Bebidas e pressão concentrada na energia elétrica, o acumulado em 12 meses recua para 4,44% e permanece abaixo do teto da meta do Banco Central.

Principais Pontos

  • Perda de fôlego no mês: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,07% em julho de 2026, desacelerando em relação à taxa de 0,16% registrada no mês de junho.

  • Trajetória em 12 meses: No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA recuou para 4,44%, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, cujo teto é de 4,50%.

  • Efeito energia versus comida: O grupo Habitação apresentou a maior alta do mês (0,99%), impulsionado pela conta de luz, enquanto o grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação (-0,67%), segurando o índice geral.

  • INPC no campo negativo: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda (1 a 5 salários mínimos), registrou taxa de -0,01% em julho.

O cenário inflacionário brasileiro deu sinais claros de arrefecimento no início do segundo semestre de 2026. Segundo os dados oficiais do IBGE, o IPCA de julho desacelerou para 0,07%, ficando abaixo do resultado de junho (0,16%) e consideravelmente inferior ao registrado em julho do ano passado (0,26%). Com esse desempenho, a inflação acumulada no ano atingiu 3,44%, enquanto o acumulado em 12 meses baixou de 4,64% em junho para 4,44% em julho.

O dado traz um refresco fundamental para o horizonte do Banco Central. Ao rodar em 4,44% no acumulado de 12 meses, o indicador permanece formalmente dentro do limite superior do sistema de metas de inflação (estabelecido em 3,00% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, teto de 4,50%).

A leitura pormenorizada dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE revela uma dinâmica de forças opostas que compensaram o resultado final de julho.

De um lado, o grupo Habitação exerceu a maior pressão de alta no mês, avançando 0,99% e gerando o maior impacto individual (+0,15 ponto percentual no índice). O grande vilão foi o item energia elétrica residencial, que saltou 3,09% em julho. O aumento reflete a vigência da bandeira tarifária amarela (com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos) somada a reajustes tarifários aplicados em grandes distribuidoras metropolitanas, como São Paulo (8,85%), Porto Alegre (14,89%) e Curitiba (19,55%).

Do outro lado, a alimentação atuou como o principal amortecedor da inflação. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67% em julho, promovendo um alívio de -0,14 ponto percentual no IPCA. A queda de preços em itens básicos in natura e grãos favoreceu diretamente o orçamento familiar, o que explica por que o INPC — indicador com maior peso do orçamento alimentício para famílias de baixa renda — entrou em terreno deflacionário (-0,01%).

Entre os demais setores, destaques para a queda em Vestuário (-0,66%) e a alta moderada no grupo Saúde e Cuidados Pessoais (0,40%).

Cenário Monetário: O Recado para os Juros e o Banco Central

A publicação do IPCA de julho ocorre poucos dias após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter ajustado a taxa Selic para 14,00% ao ano na reunião realizada em 5 de agosto de 2026. A desacelerada na inflação corrente reforça a tese de que a política monetária restritiva adotada pela autoridade monetária segue cumprindo seu papel de ancoragem das expectativas.

Entretanto, o Banco Central mantém o tom de cautela. A inflação de serviços e as pressões pontuais em custos de infraestrutura e energia exigem vigilância, impedindo cortes precipitados ou agressivos na taxa de juros básica nos próximos trimestres.

Guia do Investidor: Orientações Práticas

  • Títulos Atrelados ao IPCA (Tesouro IPCA+ e CRIs/CRAs): Com a inflação acumulada em 12 meses a 4,44% e os juros reais do mercado ainda atrativos, os papéis IPCA+ continuam sendo a principal blindagem de longo prazo. Eles garantem a manutenção do poder de compra mais um cupom de juros reais expressivo.

  • Títulos Pós-Fixados (Selic e CDI): Com a taxa básica de juros fixada em 14% ao ano, a renda fixa pós-fixada (Tesouro Selic, CDBs a 100% do CDI e LCIs/LCAs) mantém uma rentabilidade nominal excelente e com baixíssimo risco de volatilidade. É a alocação ideal para reserva de emergência e capital de curto prazo.

  • Ações do Setor elétrico e Utilities: A alta na tarifa de energia elétrica reforça a previsibilidade de receita e a atualização contratual das concessionárias geradoras e distribuidoras. Empresas com proventos previsíveis continuam sendo boas pagadoras de dividendos no atual momento macroeconômico.

  • Atenção ao Custo da Dívida: Para o consumidor final e pequenas empresas, a Selic em patamar elevado exige controle rigoroso sobre financiamentos, cheque especial e cartão de crédito. Aproveite o momento de descompressão nos preços dos alimentos para quitar dívidas custosas.

     

     https://istoedinheiro.com.br/ipca-de-julho-de-2026-desacelera-para-007

Brasileiros têm mais de R$ 5,1 bilhões esquecidos em bancos

 

Valores divulgados nesta terça-feira (11) pelo Banco Central (BC) mostram que há mais de R$ 5,12 bilhões esquecidos em instituições financeiras brasileiras. Desse total, R$ 3,76 bilhões pertencem a cerca de 22,66 milhões de pessoas físicas, e R$ 1,35 bilhão a 2 milhões de pessoas jurídicas, de acordo com informações do Sistema Valores a Receber (SVR).

Segundo o BC, dos mais de R$ 20,93 bilhões que estavam esquecidos em instituições financeiras como bancos e consórcios, R$ 15,81 bilhões foram sacados.

Dos valores já devolvidos, R$ 11,65 bilhões tiveram como destino 38,73 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 4,15 bilhões foram destinados a 4,7 milhões de pessoas jurídicas.

Saques

Os brasileiros sacaram, em junho, R$ 340 milhões em valores esquecidos por clientes bancários no sistema financeiro. Em maio, foram retirados R$ 427 milhões, valor ligeiramente inferior aos R$ 483 milhões devolvidos em abril.

As quantias dos valores a receber são geralmente mais baixas. Para cerca de 18,5 milhões de beneficiários, os valores esquecidos são de até R$ 10 – o que corresponde a cerca de 70% do total de beneficiários.

Para 4,96 milhões de usuários, os valores devidos encontram-se na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100 (18,73% do total).

Valores acima disso foram esquecidos por cerca de 3 milhões de brasileiros (cerca de 11% do total).

Sistema

O SVR é um serviço do BC por meio do qual o cidadão pode consultar se ele próprio, sua empresa ou pessoa morta tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição, como financeiras e corretoras.

Para a consulta, não é preciso fazer login, basta informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e data de nascimento ou o Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de abertura da empresa, inclusive para aquelas já fechadas.

Caso haja algum valor, é preciso acessar o sistema e fazer login com a conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro e verificação em duas etapas.

Resgate

O dinheiro pode ser resgatado de três formas:

  1. Solicitar diretamente à instituição responsável;
  2. Requerer pelo próprio Sistema de Valores a Receber;
  3. Pedir resgate automático de valores.

Os valores esquecidos são originados de:

  • contas-correntes ou poupanças encerradas;
  • cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito;
  • recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
  • tarifas cobradas indevidamente;
  • parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente;
  • contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas;
  • contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas;
  • outros recursos disponíveis nas instituições para devolução.
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  •  https://istoedinheiro.com.br/valores-a-receber-5-bilhoes-esquecidos-bancos-brasil
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Inscrição Minha Casa, Minha Vida 2026: Como Conseguir Imóvel 100% Gratuito

 

Prefeitura no Espírito Santo abre inscrições para 250 unidades focadas na Faixa 1 do programa habitacional. Famílias no Bolsa Família e beneficiários do BPC receberão os imóveis sem o pagamento de prestações.

Principais Pontos

  • Custo Zero: A Prefeitura de Cariacica (ES) abriu a seleção para a concessão de 250 apartamentos populares do Residencial Vista da Serra I pelo Minha Casa, Minha Vida, com isenção total de parcelas para perfis de alta vulnerabilidade.

  • Público Prioritário: Famílias com registro ativo no Bolsa Família, titulares do BPC (Benefício de Prestação Continuada) ou que possuam membros diagnosticados com microcefalia não precisarão pagar o financiamento.

  • Novo Teto de Renda: O edital segue a regra atualizada para 2026 da Faixa 1, contemplando núcleos familiares que possuam renda bruta mensal de até R$ 3.200.

  • Prazo Iminente: O processo de candidatura é totalmente digital e gratuito, mas a janela de inscrições encerra-se impreterivelmente nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026.

O acesso à moradia digna continua sendo um dos principais motores de transferência de patrimônio no Brasil e, em agosto de 2026, as regras aprimoradas do programa Minha Casa, Minha Vida colocam isso em prática de forma radical. O município de Cariacica, na Grande Vitória (ES), iniciou o recebimento de inscrições para 250 novas moradias populares que testam a eficácia da Faixa 1 do programa federal: a entrega de imóveis com até 100% de subsídio para as famílias mais vulneráveis do Cadastro Único (CadÚnico).

Com previsão de entrega para o segundo semestre de 2027, o empreendimento Residencial Vista da Serra I, localizado no bairro Vila Merlo, ofertará unidades padrão com dois quartos, banheiro, e sala e cozinha integradas. O grande diferencial estrutural, no entanto, não é a planta arquitetônica, mas a engenharia financeira do acesso: não haverá cobrança de financiamento para as parcelas mais fragilizadas da população.

Sob as diretrizes em vigor do Ministério das Cidades para o ano corrente de 2026, o governo extinguiu a cobrança de parcelas para os beneficiários já abrigados no guarda-chuva de proteção social primária. Isso significa que se a família estiver recebendo ativamente o Bolsa Família ou o BPC, a Caixa Econômica Federal absorve a totalidade do contrato. O imóvel sai de graça. A mesma isenção aplica-se a famílias que possuam entre seus membros pessoas com microcefalia, mediante comprovação por laudo médico.

Para aqueles que não se enquadram na isenção total, mas possuem renda bruta mensal inferior ao teto de R$ 3.200 (limite oficial da Faixa 1 para 2026), a Caixa fará a análise de crédito na etapa final da contratação para determinar um valor de parcela simbólico, sempre proporcional e não predatório ao orçamento da família.

O crivo social estabelecido pela gestão municipal é rigoroso e desenhado para mitigar fraudes ou o repasse de imóveis para terceiros. O responsável pelo núcleo familiar precisa comprovar residência em Cariacica por pelo menos dois anos ininterruptos. Além disso, o CadÚnico da família deve ter sido atualizado no município impreterivelmente até o dia 31 de janeiro de 2026.

Mais do que ter renda baixa, o sistema exige a comprovação do chamado “déficit habitacional”. Apenas famílias que se encontram em situações específicas de precariedade (como coabitação forçada, moradia improvisada, situação de rua, aluguel social temporário ou comprometimento de mais de 30% da renda com aluguel em domicílios superlotados) serão admitidas na seleção.

Um ponto de atenção crítico: não existe vantagem no modelo “quem chega primeiro, leva”, nem haverá sorteio na distribuição dos 250 imóveis. A triagem será baseada estritamente em uma matriz de pontuação social cruzada com as bases federais.

O peso na classificação será maior para grupos estruturalmente desfavorecidos. Recebem pontuação adicional: famílias chefiadas por mulheres, presença de pessoas negras, idosos ou pessoas com deficiência, vítimas de violência doméstica, cidadãos com câncer ou doenças raras e populações tradicionais (indígenas ou quilombolas). Em caso de empate na margem de corte, a idade do titular (quanto mais velho, melhor posicionado) será o critério de desempate.

Há, ainda, a aplicação de cotas absolutas no edital: pelo menos 50% das unidades são reservadas para famílias do Bolsa Família/BPC/Microcefalia; no mínimo 3% são destinadas a idosos e outros 3% a pessoas com deficiência.

Guia do Beneficiário: Orientações Práticas

Para garantir a higidez da sua inscrição e evitar a desclassificação sumária nos filtros da Caixa Econômica Federal, siga os protocolos abaixo:

  • Prazo e Local da Inscrição: As inscrições devem ser feitas até 14 de agosto de 2026, de forma gratuita, exclusivamente pelo portal oficial “Habita Cariacica” da prefeitura. Fuga de intermediários que prometem agilizar o processo mediante pagamento; essa prática é criminosa.

  • Consolidação Documental: O sistema da prefeitura irá cruzar todos os dados informados com o sistema Dataprev e a base nacional do CadÚnico. Se você informar uma renda ou composição familiar divergente do que consta no sistema federal, seu cadastro será bloqueado.

  • Impeditivos Formais: Não perca tempo se inscrevendo caso você possua financiamento ativo pelo FGTS, caso tenha um imóvel no seu nome em qualquer parte do país, ou se já foi beneficiado por qualquer outro programa habitacional da União na última década.

  • Aprovação Bifásica: Entenda que a prefeitura apenas rankeia os candidatos. A aprovação final, emissão de contratos e checagem de eventuais restrições bancárias será realizada, em um segundo momento, pela Caixa Econômica Federal. Mantenha os seus laudos médicos, contratos de aluguel e comprovantes de residência dos últimos dois anos devidamente organizados.

     

     https://istoedinheiro.com.br/inscricao-minha-casa-minha-vida-2026-como-conseguir-imovel-100-gratuito

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Fundos imobiliários em agosto: corretoras priorizam CDI e tijolo para dividendos

 

Com a reavaliação da curva de juros no radar do Banco Central, corretoras priorizam recebíveis indexados ao CDI e fundos de tijolo resilientes para garantir dividendos consistentes no oitavo mês do ano.

Principais Pontos

  • O Campeão do Mês: O Kinea Rendimentos (KNCR11) consolidou-se como o Fundo Imobiliário mais recomendado para agosto, marcando presença em sete das 11 carteiras institucionais analisadas.

  • Força do Varejo: O setor de shoppings mostra sua blindagem patrimonial com o XP Malls (XPML11) ocupando a vice-liderança do mercado, somando seis recomendações de corretoras.

  • O Peso da Selic: Com o ajuste da projeção da Selic para 13,75% ao final de 2026 pelo Boletim Focus de 10 de agosto, o mercado acentua a busca por fundos de “papel” com alta qualidade de crédito (high grade).

  • Alocação Estratégica: Especialistas recomendam a mescla entre CRIs e imóveis físicos (como galpões logísticos) para mitigar riscos atrelados a eventuais deflações de índices como o IGP-M.

A cautela e a seletividade dão o tom para os investidores de Fundos Imobiliários (FIIs) em agosto de 2026. Um levantamento minucioso que compilou as indicações de 11 das principais casas de análise do país — incluindo gigantes como BTG Pactual, XP Investimentos e Empiricus — revelou um consenso em torno de ativos capazes de suportar o atual patamar restritivo dos juros e, ao mesmo tempo, entregar proventos robustos.

As carteiras recomendadas neste mês refletem um cabo de guerra macroeconômico. De um lado, a resiliência operacional da economia real; do outro, o pragmatismo da política monetária do Banco Central, que, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10), deverá encerrar o ano com a Selic fixada em 13,75%. Diante desse cenário, saiba quais teses estão dominando as alocações.

A liderança isolada do Kinea Rendimentos (KNCR11), fundo da Kinea Investimentos, ilustra perfeitamente o comportamento defensivo do mercado. Sendo o FII mais recomendado do mês, seu portfólio focado em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) indexados majoritariamente ao CDI o transforma em um grande beneficiário do cenário de juros longos estabilizados em patamares elevados.

Para os analistas, a qualidade de crédito (rating) dos devedores que compõem a carteira do KNCR11 garante previsibilidade e proteção institucional aos cotistas. Ainda no setor de papel, o MCCI11 (Mauá Capital Recebíveis) também manteve presença cativa no radar dos especialistas, reforçando que o prêmio de risco atual exige gestões extremamente ativas.

Quem apostou que os fundos de tijolo perderiam fôlego com os juros altos se enganou. O XP Malls (XPML11) assumiu o segundo lugar isolado no ranking de preferências, graças à alavancagem cirúrgica e à gestão ativa que permitiu o desinvestimento lucrativo de ativos menores em troca da manutenção no alto patamar de dividendos. O setor de centros de compras foi reforçado ainda pelas indicações do HSML11 (HSI Malls), provando que o consumo presencial segue firme nos balanços.

No braço logístico — essencial para a malha de e-commerce e abastecimento do país —, três gigantes dividem a atenção das tesourarias institucionais:

  • BTLG11 (BTG Pactual Logística): Destaque contínuo pela localização premium (last-mile) e baixíssima vacância.

  • BRCO11 (Bresco Logística): Foco em galpões de padrão classe A com contratos sólidos de longo prazo.

  • VILG11 (Vinci Logística): Reconhecido pela ampla pulverização geográfica e inquilinos de primeira linha.

Correndo por fora com grande relevância estratégica, o TRXF11 (TRX Real Estate) completa as apostas focais de agosto. O fundo transita entre o varejo urbano (como supermercados) e galpões logísticos por meio de contratos atípicos (onde multas rescisórias blindam o investidor), assegurando uma distribuição de dividendos sem sobressaltos e mitigando o risco das oscilações dos indexadores como IGP-M.

Guia do Investidor: Orientações Práticas para Agosto de 2026

O mercado acena para a estabilidade, mas o investidor pessoa física deve atuar com racionalidade e proteção:

  • Analise o Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP): Antes de adquirir cotas dos fundos mais recomendados, avalie se eles não estão sobreprecificados. Fundos de papel devem ser comprados, preferencialmente, com P/VP próximo ou abaixo de 1,00.

  • Atenção ao Risco de Concentração: Apesar de o KNCR11 ser o favorito, evite concentrar todo o seu capital em um único fundo ou indexador. Equilibre a carteira entre CDI (Kinea) e IPCA para ter proteção real de patrimônio a longo prazo.

  • Monitoramento dos Indexadores: Fundos de tijolo (Logística e Shoppings) podem sofrer pequenos abalos de repasse se houver deflação do IGP-M ou do IPCA em meses específicos. Contudo, como os juros estão projetados em 13,75% ao final de 2026, eventuais quedas nas cotas podem significar boas janelas de compra, e não motivos para pânico.

  • Reinvestimento: O segredo da alavancagem passiva em FIIs não é apenas buscar ganho de capital na cota, mas sim utilizar os rendimentos isentos de Imposto de Renda recebidos na conta corretora todos os meses para comprar novas cotas — o chamado efeito bola de neve.

     

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