segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Produção da Petrobras em dezembro cresce 7,6% e atinge 3,218 milhões de boed, diz ANP

 

A produção de petróleo e gás natural da Petrobras subiu 7,6% em dezembro do ano passado na comparação com novembro, para 3,218 milhões de barris de óleo equivalente (boed), segundo boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta segunda-feira, 2.

Se levado em conta apenas o petróleo, a produção da estatal cresceu 7,2%, para 2,459 milhões de barris por dia (bpd).

Já a produção de gás natural cresceu 8,8%, para 120,6 milhões de metros cúbicos diários, dentro do esforço da companhia de aumentar a oferta do insumo no País.

2025

Na média do ano do País – onde a Petrobras responde por quase 90% da produção -, o total de petróleo e gás natural extraído cresceu 12,7% contra 2023, último recorde, para 4,897 milhões de boed.

Somente em petróleo, a produção média foi de 3,770 milhões de bpd e de gás, 179 milhões de m3/d.

O pré-sal respondeu por 79,63% do total produzido em 2025, ou 3,9 milhões de boed.

Já em dezembro, a produção nacional ficou em 5,237 milhões de boed, sendo 4,015 milhões de bpd de petróleo e 194,3 milhões de m3/d de gás natural.

Desempenho e finanças da pequena indústria pioraram em 2025, diz CNI

 

O desempenho e as finanças das indústrias de pequeno porte – que representam 94,2% das empresas industriais do País – caíram em 2025 em relação a 2024, segundo o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 2.

A pesquisa mostra que o índice de desempenho das indústrias de pequeno porte registrou média de 45,5 pontos no quarto trimestre do ano passado, ante média de 46,8 pontos no mesmo recorte do ano anterior.

Embora o índice que mede a situação financeira das pequenas indústrias tenha subido 0,5 ponto na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2025, o indicador fechou o ano abaixo do patamar registrado no fim de 2024, apontando piora das finanças dessas empresas.

“No ano passado, a indústria experimentou um cenário muito mais negativo e preocupante do que em 2024. Em 2024, houve um forte aumento da demanda por bens industriais e o setor mostrou um forte crescimento, algo que não se repetiu em 2025”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Carga tributária, qualificação e juros

Os empresários das pequenas indústrias apontaram três principais problemas enfrentados pelo setor: a alta carga tributária, a falta ou alto custo de trabalhador qualificado e as taxas de juros elevadas.

A carga tributária foi apontada como o principal problema, assinalada por 42,7% dos empresários da indústria de transformação e por 44,7% dos industriais da construção. “A elevada carga tributária tira competitividade das empresas, tanto na hora de exportar quanto na hora de competir com importados. Soma-se a isso a complexidade do nosso sistema tributário, que amplia esse problema”, pontuou Marcelo Azevedo.

Em segundo lugar do ranking de principais problemas da pequena indústria de transformação, aparece a falta ou alto custo de trabalhador qualificado, com 29,2%; no caso da pequena indústria da construção, é a falta ou alto custo de mão de obra não qualificada que ocupa a segunda posição do ranking, com 30,9%.

As taxas de juros elevadas aparecem em terceiro lugar na lista das preocupações para ambos os segmentos, com 27,6% e 30,9% das assinalações.

Metodologia

 Para calcular o índice de desempenho, a CNI considera três variáveis: produção, utilização do parque industrial e número de empregados. Já o índice de situação financeira leva em conta a avaliação dos empresários sobre margem de lucro operacional, condições financeiras e facilidade de acesso ao crédito. Ambos vão de 0 a 100 pontos e, quanto maior o resultado, melhor o desempenho ou a situação financeira no período.

O Panorama da Pequena Indústria (PPI) é uma publicação trimestral feita a partir dos resultados da Sondagem Industrial, Sondagem Indústria da Construção e Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei).

Ministério Público pede bloqueio de R$ 1 bi da Vale após vazamento de mina em MG

 

A Vale disse na noite de domingo, 1, que o Ministério Público Federal pediu à Justiça a adoção de medidas liminares, incluindo o bloqueio patrimonial no valor de R$ 1 bilhão, após o extravasamento ocorrido na madrugada de domingo passado, na mina de Fábrica em Ouro Preto, Minas Gerais. Conforme comunicado ao mercado, o MPF apresentou uma tutela cautelar antecedente sob argumento de prevenir o agravamento de supostos danos ambientais.

Autoridades do governo do estado de Minas Gerais informaram na quinta-feira que, além da água, os rejeitos da operação de mineração de minério de ferro da Vale em Fábrica atingiram o rio Maranhão. Os transbordamentos foram causados pelas fortes chuvas ocorridas no dia e na semana anteriores ao incidente, disseram as autoridades.

A mineradora disse que apresentará sua defesa dentro do prazo legal. Na sexta-feira, o governo de Minas Gerais ampliou para R$ 3,3 milhões a multa contra a Vale por danos ambientais causados pelo extravasamento, um valor que já considera “reincidência da mineradora em situação semelhante” ocorrida em agosto de 2023, em Brumadinho.

Estimativa no Focus do BC para o dólar no fim de 2026 segue em R$ 5,50

 

A mediana das previsões do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,50 pela 16ª semana consecutiva. A projeção para a moeda no fim de 2027 oscilou de R$ 5,51 para R$ 5,50. Há um mês, era de R$ 5,50.

Para o fim de 2028, se manteve em R$ 5,52, pela 5ª semana consecutiva. Para 2029, passou de R$ 5,58 para R$ 5,57. Há um mês, era de R$ 5,56.

A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

Fictor, que tentou comprar o Banco Master, pede recuperação judicial

 

O Grupo Fictor, que ganhou os holofotes em novembro do ano passado ao aparecer em uma operação de compra do Banco Master um dia antes de o banco ser liquidado, protocolou no domingo, 1º de fevereiro, junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), pedido de recuperação judicial. Entraram no pedido de proteção contra credores para a Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de R$ 4 bilhões.

Segundo comunicado do Fictor, o grupo pretende quitar todas as dívidas sem deságio. Isso significa que a empresa não planeja negociar abatimento nos valores, mas apenas o prazo do recebimento.

“A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, escreve a empresa.

O grupo buscou, no pedido, a suspensão e o bloqueio de dívidas por um prazo de 180 dias para a holding e a Fictor Invest. As demais subsidiárias não entraram no pedido e devem continuar operando normalmente.

Com capital aberto, a Fictor Alimentos teve prejuízo de R$ 620 mil no primeiro trimestre. Antes do pedido de recuperação judicial, o grupo, conhecido por ter sua marca estampada na camisa do Palmeiras, afirmou ter faturado R$ 3,5 bilhões em 2024.

No comunicado, o grupo atribuiu suas dificuldades à liquidação do Banco Master. Segundo o Fictor, com o anúncio do Banco Central (BC) um dia após sua oferta pela instituição, “a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”.

Com a crise, o grupo diz ter feito um plano de reestruturação tanto de sua estrutura física quanto no número de funcionários. Mas afirma ter feito esse movimento antes da recuperação judicial para preservar os direitos dos trabalhadores.

TJ-SP determinou bloqueio antes da recuperação judicial

Mesmo com essa reorganização dos negócios, as dificuldades financeiras aumentaram. Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), havia determinado o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor.

A decisão da magistrada, integrante da 30.ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, determinou o bloqueio dos ativos financeiros da empresa para preservar uma garantia em dinheiro, no valor de R$ 150 milhões, prevista em contrato de uma operação de cartões de crédito empresariais. A medida foi tomada após a apresentação de um recurso, revertendo um entendimento anterior que havia negado o bloqueio.

Desde o início do ano, a Fictor passou a enfrentar diversas ações judiciais movidas por investidores que afirmam não ter recebido a rentabilidade mensal fixa prometida pela empresa. De acordo com os processos, após solicitarem o resgate dos valores investidos, os investidores não receberam os recursos dentro do prazo contratual, diante de sucessivas justificativas e atrasos por parte da companhia.

Além da decisão da desembargadora Pizzotti, outro despacho judicial já havia determinado, em 26 de janeiro, o bloqueio de R$ 7,3 milhões da Fictor. Nesse caso, a Justiça apontou a existência de risco concreto de prejuízo aos credores.

A decisão afirma que, “no que se refere ao perigo de dano, os autores relatam atrasos reiterados na restituição da quantia investida (resgate), ausência de resposta às notificações extrajudiciais e notícias de instabilidade financeira do grupo econômico Fictor, ora requerido, circunstâncias que, em conjunto, revelam risco concreto de frustração da futura satisfação do crédito”.

Outras decisões de constrição patrimonial contra a empresa também indicam indícios de irregularidades na estrutura de captação de recursos e o risco de inadimplemento generalizado.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor tem atuação na indústria de alimentos (proteína animal), energia, infraestrutura/ imobiliário e soluções de pagamento.

De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório Dasa Advogados, que coordena o pedido de recuperação judicial, os ativos operacionais seguem funcionando e a base produtiva permanece relevante, apesar da pressão de curto prazo.

A principal subsidiária industrial do grupo, a Fictor Alimentos S.A., reúne unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro e sustenta uma cadeia de 3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos, além de carteira ampla de clientes.

O objetivo da não inclusão das demais subsidiárias no pedido de proteção contra credores, segundo Deneszczuk, é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo de recuperação.

Ibovespa ignora NY e busca 183 mil pontos com Vale e bancos; Petrobras cai com petróleo

 

O Ibovespa iniciou fevereiro próximo da estabilidade, na faixa dos 181 mil pontos, mas logo foi para o terreno positivo e já avança quase 1.500 pontos em relação à abertura. O movimento destoa do recuo dos índices de ações futuros em Nova York, diante de incertezas sobre inteligência artificial e em relação à aprovação ao pacote financeiro para evitar paralisação parcial da máquina pública norte-americana.

O principal indicador da B3 saiu dos 181.369,00 pontos na abertura, passando pela mínima em 181.347,63 pontos (-0,01%) e alcançou máxima de 182.889,95 pontos, com alta de 0,84%. O movimento é puxado principalmente pelo avanço das ações da Vale, a despeito do recuo de 1,26% do minério de ferro em Dalian, na China, bem como dos demais papéis metálicos, além de grandes bancos, que iniciam a temporada de balanços do último trimestre de 2025 nesta semana.

“O Ibovespa já está há muito tempo alheio ao cenário externo com os bancos projetando o índice a 190, 200 mil pontos. Vai subindo, tem alvo para cima”, diz Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia.

A agenda de indicadores desta semana conta a divulgação de dados capazes de mexer com a Bolsa brasileira e os demais ativos brasileiros. No exterior, destaque ao relatório oficial de emprego, o payroll, nos Estados Unidos, além de balanços como o da Alphabet e Amazon.

Aqui, sairá a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, que deve detalhar a manutenção da Selic em 15% e reforçar a sinalização de início dos cortes em março. Além disso, Santander Brasil e Itaú Unibanco abrem a safra de resultados do quarto trimestre de 2025.

Nos EUA, o pacote de financiamento do governo Trump foi aprovado pelo Senado, mas ainda depende do aval da Câmara dos Representantes. O presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Mike Johnson, disse ontem que levará alguns dias até que o pacote de financiamento do governo seja levado à votação, o que poderia estender para, pelo menos, uma semana a paralisação parcial das atividades do governo federal, no chamado shutdown. Na radar de republicanos e democratas está a contenção das operações contra imigrantes mantidas pela administração de Donald Trump

No Brasil, saiu o boletim Focus, com novo arrefecimento nas estimativas para a inflação. A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 4,00% para 3,99%. A taxa está 0,51 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. As demais estimativa foram mantidas em 3,80% (2027) e 3,50% (2028 e 2029). Não houve alteração nas projeções para Selic de 2026 (12,25%), 2027 (10,50%), 2028 (10%) e 2029 (9,50%).

O mercado repercute ainda a indicação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, para a diretoria do Banco Central. A eventual indicação ao cargo pelo presidente depende de aprovação do Senado, que vai sabatinar o economista após a formalização da sugestão pelo Planalto.

Na China, o minério de ferro fechou com queda de 1,26%, em meio a dados fracos industriais do país. O petróleo cai perto de 5%, o que pesa nas ações do setor como um todo. Com forte influência no Índice Bovespa, Petrobras cai em torno de 2,30%. Já outra ação com participação importante no Ibovespa, Vale subia 1,70% perto das 11 horas. Além disso, papéis de grandes bancos avançavam: Itaú tinha alta de 1,21%; Unit de Santander subia 0,91%; Bradesco tinha valorização de 1,15% (ON) e 0,94% (PN). Banco do Brasil subia 0,59%.

Santander e Itaú iniciam a safra de resultados do último trimestre na quarta-feira. No dia seguinte, é a vez de Bradesco, Multiplan, Brasil Agro e Porto Seguro informar seus resultados.

No horário citado acima, o Índice Bovespa subia 0,79%, aos 182.801,76 pontos. Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,97%, aos 181.363,90 pontos, encerrando janeiro com alta de 12,56%, a melhora marca desde novembro de 2020 (15,90%).

“Foi uma alta em linha com outros ativos da América Latina, emergentes, que acabaram se destacando, de fato, no relativo, justamente por um movimento de realocação de fluxos globais”, explica Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. “Vimos um fluxo estrangeiro muito forte entrando na Bolsa brasileira, que de fato foi o grande motor da alta de janeiro”, acrescenta Sene.

No mês de janeiro até quinta-feira – último dado disponível -, houve entrada de R$ 25,32 bilhões por parte de estrangeiro na B3. A marca é quase a mesma da registrada em todo o ano de 2025, de R$ 25,473 bilhões.

Na contramão de países desenvolvidos, confiança do consumidor no Brasil sobe em janeiro, mostra Ipsos

 

Conforme dados do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos, no mês de janeiro o Brasil ficou entre os países mais otimistas do levantamento, com 55,1 pontos – em um movimento que acompanha parte das economias emergentes e contrasta com a trajetória observada em alguns países desenvolvidos.

A alta foi sustentada por uma melhora no subíndice de emprego.

Rafael Lindemeyer, Líder do Cluster de Experiência da Ipsos, comenta que o índice mostra que o Brasil inicia o ano seguindo com a trajetória ascendente do segundo semestre de 2025.

“Analisando a série histórica mais longa, o indicador é 4 pontos superior a janeiro de 2025 e chega a patamar similar ao primeiro trimestre de 2024. Com esse avanço, o Brasil passa a ocupar a sexta posição entre os países mais otimistas do levantamento global, ficando à frente de economias como México e Estados Unidos e assumindo a liderança em confiança do consumidor nas Américas”, afirma.

“O avanço é sustentado pela melhora expressiva no subíndice de emprego, que sugere um início de ano marcado por maior percepção de estabilidade no mercado de trabalho e por uma leitura mais positiva em relação às condições futuras da economia”, completa.

O levantamento considera entrevistas em 30 países e mede a percepção dos consumidores sobre a situação atual, expectativas, investimentos e mercado de trabalho. No recorte brasileiro, o subíndice de empregos aparece como um dos principais vetores do aumento da confiança, refletindo uma leitura mais favorável sobre oportunidades de trabalho e estabilidade de renda no curto e médio prazos.

Confiança do consumidor no Brasil avança no cenário global

Em janeiro de 2026, o índice geral de confiança do consumidor no Brasil ficou acima da média global, posicionando o país entre aqueles com desempenho positivo no período.

O avanço de quatro pontos em relação a janeiro de 2025 coloca o Brasil ao lado de países como Chile, Israel e Coreia do Sul, que também registraram variações relevantes no ano .

A média global, considerando os 30 países analisados, permaneceu próxima de 50 pontos, enquanto o Brasil superou esse patamar. Na América Latina, o resultado brasileiro se destaca em um contexto regional marcado por trajetórias distintas. Enquanto Chile e Peru apresentaram crescimento, Argentina registrou recuo no mesmo intervalo.

Segundo a metodologia da Ipsos, índices acima de 50 indicam predominância de percepções positivas entre os consumidores, enquanto leituras abaixo desse nível sugerem maior cautela.

O desempenho brasileiro, assim, sinaliza um ambiente em que a visão sobre a economia doméstica tende a ser mais construtiva do que a média observada em diversos mercados.

Subíndice de empregos ganha relevância

Entre os componentes analisados, o subíndice de empregos aparece como elemento central para explicar o aumento da confiança no Brasil. No recorte global, o índice de empregos também mostrou crescimento ao longo de 2025, atingindo em janeiro de 2026 um dos níveis mais altos da série recente entre os países monitorados de forma contínua desde 2010 .

No caso brasileiro, a leitura sugere que os consumidores avaliam de forma mais favorável a disponibilidade de postos de trabalho e a possibilidade de manutenção do emprego. Essa percepção influencia diretamente decisões de consumo e planejamento financeiro das famílias, além de ter impacto indireto sobre investimentos e crédito.

O relatório mostra que, historicamente, movimentos de recuperação no subíndice de empregos costumam anteceder avanços em outros componentes da confiança, como expectativas e situação atual. Esse padrão ajuda a explicar por que o dado referente ao mercado de trabalho tem sido acompanhado com atenção por analistas e formuladores de políticas.

Comparação regional e internacional

Na comparação com outras regiões, a América Latina apresentou trajetória de recuperação gradual ao longo de 2025. O índice regional avançou de forma moderada, com o Brasil figurando entre os países que contribuíram para esse movimento .

Na Ásia-Pacífico, países como Índia, Indonésia e Malásia registraram níveis elevados de confiança, enquanto economias como Japão e Coreia do Sul mostraram maior volatilidade ao longo do período.

Já na Europa, os dados apontam para estabilidade em alguns mercados e retração em outros, como França e Alemanha, o que manteve a média regional em patamar inferior ao observado em economias emergentes.

Nos Estados Unidos e no Canadá, o índice de confiança apresentou variações mais contidas, refletindo um ambiente de consumo marcado por ajustes monetários e discussões sobre inflação e crescimento. Nesse contexto, o avanço brasileiro chama atenção por ocorrer em meio a um cenário global heterogêneo.

“No cenário internacional, os movimentos seguem heterogêneos. Nos Estados Unidos, o índice de confiança permanece em patamar acima da neutralidade, com 53,8 pontos, apoiado por ganhos relevantes nos subíndices de emprego e expectativas, apesar de um ambiente ainda pressionado pelo custo de vida. Já a Argentina segue com níveis de confiança mais frágeis, refletindo um ambiente econômico ainda marcado por elevada incerteza e volatilidade”, analisa Lindemeyer.

Tendência histórica do índice brasileiro

A série histórica do índice de confiança do consumidor no Brasil, iniciada em 2010, mostra ciclos de alta e baixa associados a mudanças no ambiente econômico interno e externo.

O dado de janeiro de 2026 posiciona o país em um nível intermediário dentro dessa trajetória, distante dos picos observados em determinados períodos, mas acima de momentos de retração mais intensa registrados na última década .

A leitura atual sugere uma fase de transição, em que a confiança se apoia mais fortemente na avaliação do mercado de trabalho do que em outros fatores, como investimento ou situação corrente. Esse padrão indica que o consumidor tende a reagir de forma gradual a mudanças estruturais, priorizando sinais relacionados à renda e ao emprego.

Impactos para consumo e atividade econômica

O aumento da confiança do consumidor costuma estar associado a maior disposição para o consumo, ainda que esse efeito não ocorra de forma imediata. No caso brasileiro, a melhora no subíndice de empregos pode favorecer decisões relacionadas a compras de bens duráveis e contratação de serviços, desde que outros fatores, como crédito e renda disponível, acompanhem essa dinâmica.

Economistas costumam utilizar o índice de confiança como indicador antecedente da atividade econômica. Embora não substitua dados objetivos, como produção ou emprego formal, o levantamento oferece uma leitura sobre expectativas e comportamento das famílias, que influenciam o ritmo da economia.

O relatório da Ipsos destaca que, globalmente, o índice de expectativas também apresentou crescimento ao longo de 2025, ainda que em ritmo inferior ao observado no componente de empregos. Essa combinação sugere um ambiente em que os consumidores enxergam melhora gradual, mas mantêm cautela em relação a decisões de prazo mais longo.

Leitura para 2026

A entrada de 2026 com avanço na confiança do consumidor e melhora no subíndice de empregos reforça a visão de que o Brasil inicia o ano em posição mais favorável do que em períodos recentes. O dado não elimina desafios estruturais, mas indica uma percepção mais estável por parte das famílias em relação ao mercado de trabalho.

Para formuladores de políticas públicas e agentes econômicos, o resultado funciona como sinal de monitoramento. A manutenção dessa trajetória dependerá de fatores como evolução do emprego, renda, inflação e condições financeiras.

Ainda assim, o levantamento sugere que o consumidor brasileiro começa o ano com uma leitura mais construtiva sobre o futuro imediato.

 

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