quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Comércio Brasil-EUA despenca 25,5% em janeiro, sexto mês consecutivo de queda nas exportações

 

O comércio entre Brasil e Estados Unidos começou 2026 em queda. Dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, mostram que as vendas brasileiras ao mercado americano somaram US$ 2,4 bilhões em janeiro, valor 25,5% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Trata-se do sexto mês seguido de retração nas exportações.

As compras brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram no período, com recuo de 10,9% na comparação anual. Como a queda das exportações foi mais acentuada, o saldo da balança bilateral ficou mais negativo para o Brasil. O déficit chegou a aproximadamente US$ 700 milhões em janeiro, mais de três vezes o observado um ano antes.

Segundo o levantamento, parte relevante da redução nas vendas externas está ligada ao desempenho dos óleos brutos de petróleo, que apresentaram queda de 39,1% frente a janeiro do ano passado. Além disso, mercadorias sujeitas a tarifas adicionais registraram retração média de 26,7%. Entre os itens atingidos por medidas vinculadas à Seção 232, a queda foi de 38,3%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o resultado negativo estão semiacabados de ferro ou aço, sucos, químicos inorgânicos e derivados de petróleo. O impacto das tarifas sobre bens industriais aparece como um dos fatores centrais para o enfraquecimento do fluxo comercial.

“Os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Ao observar apenas os itens submetidos a sobretaxas de 40% e 50%, a retração supera a média geral das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Produtos associados à Seção 232, como cobre e siderúrgicos, também registraram queda acima do conjunto da pauta. O movimento reforça a tendência verificada nos meses anteriores e sugere que as barreiras tarifárias seguem influenciando o desempenho das trocas bilaterais.

Apesar do cenário, parte dos embarques ao mercado americano apresentou desempenho superior ao das vendas destinadas a outros países. Entre os dez principais produtos exportados aos EUA em janeiro, seis tiveram resultado relativamente melhor que o observado no restante do mundo. É o caso de café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

Em sentido oposto, alguns dos itens que perderam espaço nos Estados Unidos mostraram resultado mais favorável quando direcionados a outros destinos. O dado indica mudança na distribuição geográfica das exportações brasileiras, com redirecionamento parcial da pauta para diferentes mercados.

No cenário internacional, mesmo com a ampliação do déficit comercial norte-americano em bens, o Brasil permanece entre os parceiros com os quais os Estados Unidos mantêm superávit. Essa posição se consolidou nos últimos meses, de acordo com o monitor.

“O comércio entre Brasil e Estados Unidos é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos nos dois países. Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, diz Neto, da Amcham.

O Monitor do Comércio Brasil–EUA é publicado periodicamente pela Amcham Brasil com base em estatísticas oficiais. O relatório acompanha a evolução das exportações e importações entre os dois países e detalha movimentos setoriais, além de apontar tendências que afetam a balança comercial bilateral.

 

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Ibovespa atinge pela 1ª vez os 189 mil pontos, movido por investidor estrangeiro

 

A valorização de quase 3% nas cotações futuras do petróleo e a produção recorde da Petrobras estimulam alta do Ibovespa no início do pregão desta quarta-feira, 11, que vem renovando uma série de máximas históricas.

Após iniciar o pregão na mínima em 185.936,27 pontos, com variação zero, o principal indicador da B3 saltou pouco mais de 3 mil pontos em relação à máxima em 189.100,48 pontos, com elevação de 1,71%.

A alta baseia-se em incertezas acerca da política dos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump fez novas ameaças ao Irã. Isso tende a continuar direcionando parte dos recursos dos mercados americanos para outros, como o Brasil, segundo analistas. Neste processo, o dólar cai a R$ 5,1695 (mínima).

A elevação do principal indicador da B3 ocorre após falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento do BTG Pactual, na capital paulista, e divulgação do payroll nos EUA. A alta acompanha a valorização, ainda que em menor magnitude, dos índices futuros de ações norte-americanos, em meio ao relatório de emprego dos Estados Unidos, com números acima do esperado em janeiro.

“Os dados tiram um pouco de espaço da expectativa de queda de juros americanos tão cedo após ontem as vendas varejistas terem reprecificado essa ideia de maneira marginal”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Segundo Spiess, o movimento reflete a entrada de capital do exterior, que tem permitido recordes ao Índice Bovespa, mantendo o diferencial de juros entre EUA e Brasil elevado. “O fluxo estrangeiro veio para ficar”, completa.

A economia dos Estados Unidos criou 130 mil empregos em janeiro, ante expectativa de 67 mil. Em dezembro, foram abertas 48 mil vagas líquidas. Já a taxa de desemprego dos EUA caiu para 4,3% em janeiro, ante 4,4% em dezembro (previsão: 4,4%). Já o salário médio por hora aumentou 0,41%, ou US$ 0,15, a US$ 37,17, na comparação mensal de janeiro. A variação superou a projeção do mercado, que esperava alta de 0,3%. Na comparação anual, houve aumento salarial de 3,71% em janeiro, também acima do consenso do mercado, de 3,6%.

Ainda quanto aos EUA, Trump disse estar considerando enviar um segundo grupo de ataque de porta-aviões ao Oriente Médio para se preparar para uma ação militar caso as negociações com o Irã fracassem.

Diante deste quadro que eleva dúvidas em relação à política americana. “Segue a rotação de ativos no plano global”, diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.

Hoje, o presidente do BC ressaltou que suas falas recentes não têm como intenção corrigir a interpretação do mercado sobre a condução da política monetária. Segundo ele, o mercado vem consolidando uma interpretação do que tem sido a comunicação oficial do Banco Central “e não há qualquer intenção aqui na minha fala de fazer qualquer tipo de reparo sobre como temos nos comunicado e como tem sido interpretado”, disse.

“Se alguém entender algo como uma correção na comunicação fui eu que me expressei mal ou alguém acabou entendendo mal o que eu quis dizer”, acrescentou Galípolo.

Ontem à noite, a Petrobras anunciou que bateu vários recordes de produção no ano passado, atingindo a média de 3,081 milhões de barris de óleo equivalente por dia no Brasil (boed), aumento de 11,1% ante 2024.

Ainda fica no radar pesquisa Genial/Quaest, que será divulgada nesta quarta-feira. Após o fechamento da B3 sairá o balanço do Banco do Brasil.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,17%, aos 185.929,33 pontos.

Às 11h24 desta quarta, subia 1,70%, os 189.037,71 pontos.

Entre as ações de primeira linha, Petrobrás avançava entre 1,31% (PN) e 1,43% (ON); Vale tinha alta de 2,30%, apesar do minério de ferro em Dalian, em queda de 0,07%. No caso de grandes bancos, a maior elevação era Bradesco, acima de 2,50%.

Galípolo diz que meta de inflação do Brasil está correta

 

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a meta de inflação fixada em 3% ao longo de 12 meses está correta. A fala ocorreu durante um evento promovido pelo BTG Pactual nesta sexta-feira, 11, após questionamento feito sobre as críticas políticas ao atual objetivo perseguido pela autarquia.

Galípolo embasou sua defesa em um estudo elaborado em parceria entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda quando ele ainda ocupava o cargo de secretário executivo da pasta comandada por Fernando Haddad.

“Comparamos as metas de diversos países, avançados e emergentes, para ver se a meta que a gente estava estabelecendo estava fora do que é a meta para muitos dos nossos pares. E não, ela está totalmente em linha com o que a gente observa com outros países do ponto de vista de você ter a meta nesse patamar”, afirmou Galípolo.

A afirmação do banqueiro central ocorre quatro dias após o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovar um documento com críticas à atual política monetária do país. “É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”, afirma o documento.

O estudo elaborado pelo BC com a Fazenda teria sido a base da mudança do regime de metas anuais para metas contínuas. Até 2024, o presidente do Banco Central deveria justificar sempre que a meta de inflação não fosse cumprida em dezembro.

Em 2025, iniciou um novo regime. Agora, o descumprimento é considerado sempre que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular, em 12 meses, alta superior a meta durante seis meses consecutivos.

Galípolo comenta necessidade de aumentar a produtividade

Apesar de defender a meta de 3%, Gabriel Galípolo afirmou que um dos desafios para os economistas brasileiros é compreender como o crescimento econômico e a inflação brasileira permanecem resilientes mesmo com juros em um patamar elevado. Em maio de 2025, a taxa Selic foi elevada para 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.

“Realmente, precisa ser melhor debatido com a sociedade porque o Brasil precisa sustentar taxas de juros, aí sim, mais elevadas comparativamente aos seus pares, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta”, disse o presidente do BC.

Na visão de Galípolo, a resposta para esta questão é “conjuntural e estrutural”. O economista destacou que o trabalho do BC é combater a inflação “independentemente da razão”, porém apontou aspectos a serem analisados pela sociedade.

“A gente ainda é uma economia que vê poucos ganhos de produtividade, e segue vendo reajustes na remuneração do trabalho acima da inflação e acima da produtividade. Talvez, o tema central para discutir no país seja como conseguir um ambiente mais amigável e convidativo para que o investimento privado possa ocorrer, e que esse investimento privado consiga produzir, de maneira mais sustentável, ganhos de produtividade. É algo que não vai acontecer do dia para a noite”, analisou o banqueiro central.

Serenidade e calibragem

Galípolo aproveitou a ocasião para novamente reforçar a complexidade da próxima decisão do BC sobre a taxa de juros brasileira. Voltou a usar a palavra “serenidade”, que apareceu até mesmo na ata da última reunião do Copom.

“O que significa isso? Serenidade significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças. Ele se move de uma maneira mais cometida e segura”, justificou.

Apesar de um corte de juros estar confirmado para a próxima reunião de política monetária, analistas dividem-se sobre a magnitude, apontando 0,25 ou 0,5 ponto percentual como as reduções mais prováveis.

 

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Azul diz ao Cade que atraso na saída do Chapter 11 pode ameaçar continuidade dos negócios

 

A Azul disse ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que o atraso na saída do Chapter 11 traz “graves riscos” à saúde financeira e à própria continuidade operacional da companhia. Na quarta-feira, 11, o plenário do Cade vai analisar o recurso apresentado contra a operação da empresa com a United Airlines. Tal operação é citada como parte do Chapter 11 – procedimento previsto na legislação norte-americana de falências voltado à reestruturação financeira de empresas, com o objetivo de reduzir o endividamento da Azul.

Nos últimos dias, decisões postergaram a análise do caso pelo órgão antitruste, após recurso apresentado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo).

O conselheiro-relator do caso, Diogo Thomson, habilitou o instituto como terceiro interessado na operação, para aprofundamento da instrução. Ele citou a complexidade do caso e a existência de “questões estruturais ainda abertas, especialmente relacionadas à governança e aos incentivos concorrenciais decorrentes da operação”.

Na visão de Thomson, o pedido do instituto “não se limita a meras afirmações”, e possui elementos probatórios que fundamentam o pleito e que serão “objeto de apreciação pormenorizada em eventual exame de mérito”.

Azul diz que prorrogação da análise foi injustificada

Em petição apresentada ao Cade na segunda-feira, 9, a Azul disse que o IPSConsumo criou atrasos e obstáculos artificiais à implementação da operação, “que representam um risco concreto de prejuízo, e não de benefício, aos consumidores”.

“A operação é extremamente relevante para que a Azul permaneça uma concorrente agressiva e efetiva, sendo, portanto, claramente pró-competitiva em relação ao seu cenário contrafactual”, continuou a companhia. “Além de riscos jurídicos associados a possíveis questionamentos do plano do Chapter 11 por credores, a Azul tem incorrido em altos custos mensais para conclusão de seu processo de reestruturação. Tais custos poderão ser majorados por eventual atraso para além de fevereiro/2026″, completou.

A empresa aérea sustentou que, com a saída do Chapter 11, estará financeira e operacionalmente mais forte para retomar capacidade e expandir a sua oferta nos mercados doméstico e internacional, podendo competir de maneira mais efetiva e gerar benefícios aos consumidores.

O plano do Chapter 11 – iniciado em maio de 2025 e em fase de implementação – estabelece, como condição precedente à saída da Azul do procedimento, que a empresa deve realizar a captação de, pelo menos, US$ 850 milhões, que será implementada via Oferta Pública de Ações, por meio da qual serão concretizados, pelo menos, US$ 850 milhões em novos recursos, dos quais: (i) US$ 750 milhões serão portados por um grupo de credores; e (ii) US$ 100 milhões serão aportados pela United.

Em 30 de dezembro, a Superintendência-Geral (SG) do Cade chegou a aprovar o negócio, sem restrições, ao concluir pela ausência de riscos concorrenciais decorrentes da operação. O IPSConsumo entrou com recurso alegando que operação apresentada ao Cade deveria ter incluído também o negócio com a American Airlines, “dado o forte entrelaçamento estratégico da UA no âmbito do Chapter 11 e a existência de relações de influência irrefutáveis das duas empresas americanas em aéreas latino-americanas”.

O instituto também tem criticado o “uso excessivo de tarjas de confidencialidade” e a “omissão de informações centrais para o contraditório” por parte das duas empresas, além de citar participações cruzadas envolvendo United, American e o grupo Abra/Gol. Ainda disse ao órgão antitruste que eventual aprofundamento na análise da operação pelo Cade “de modo algum inviabilizaria a injeção de capital da United na Azul”.

Sobre a operação com a American Airlines, a Azul disse que aquela empresa pretende realizar um investimento minoritário independente, do qual a United não é parte e que, consequentemente, não integra a presente operação. “Trata-se de iniciativa ainda sujeita a negociações entre as partes e que, uma vez formalizada, será oportunamente submetida à apreciação desse Cade”.

Nesta quarta, a partir das 10 horas, o tribunal do Cade vai analisar o recurso interposto pelo IPSConsumo, o que poderá manter o processo vivo no tribunal. O relator votou pela admissibilidade do recurso que, caso aceito pelos demais conselheiros, levará a uma avaliação mais detalhada da operação, adiando, portanto, a decisão final.

A operação

A operação consiste no aumento da participação minoritária detida pela United na Azul, no âmbito do processo de reorganização judicial da companhia nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11. Com a operação, a participação da United no capital social da Azul passará de atuais 2,02% para aproximadamente 8%.

As empresas aéreas alegam que a operação não cria ou modifica os direitos da United sobre a Azul, tampouco altera os termos da relação comercial entre elas. Também sustentam que não serão geradas sobreposições de voos diretos entre aeroportos dos dois países.

A Azul coloca que “a prorrogação injustificada da análise” pode vir a pôr em risco a própria continuidade operacional dos serviços da empresa. “Diante deste cenário, e na ausência de qualquer justificativa para a reabertura da fase instrutória ou para a prorrogação do prazo de análise, deve a decisão da d. SG/CADE ser mantida sem qualquer modificação”, conclui.

Moncler e Brasil nas Olimpíadas: entenda por que os uniformes dos jogos de inverno chamaram a atenção do mundo

 

Mesmo em um país conhecido mundialmente pelo calor tropical, festas vibrantes e futebol, foi um elemento completamente diferente que chamou atenção em conversas sobre o Brasil nos últimos dias: o destaque dado ao uniforme da delegação brasileira nas Olimpíadas de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, confeccionado pela Moncler.

O que chamou atenção não foi apenas o design mais frio e menos colorido, mas o fato de a a grife italiana de luxo especializada em roupas de frio e ícone global de moda e performance ter escolhido se vincular ao Brasil nas Olimpíadas, competição a qual a Moncler não estava vinculada há mais de 50 anos.

A companhia não patrocinava um país nos Jogos de Inverno desde 1968, quando a marca forneceu uniformes para a equipe francesa de esqui nos Jogos de Grenoble. Retornar ao cenário olímpico, quase seis décadas depois, representa uma estratégia tanto de marketing quanto de reforço de imagem global para a grife, destacando sua conexão histórica com esportes de neve e performance técnica.

 

 


 

 

A empresa é patrocinadora oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e patrocinadora técnica da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.

Se a escolha da Moncler para vestir o Brasil chamou atenção, parte da explicação está em um atleta: Lucas Pinheiro Braathen.

O esquiador alpino nascido na Noruega, mas com mãe brasileira, já vinha conquistando espaço no circuito internacional antes de vestir o uniforme verde e amarelo. Em 2025, ele alcançou a vice-liderança no slalom gigante da Copa do Mundo e acumulou medalhas importantes, consolidando-se como uma das maiores esperanças brasileiras no esporte de inverno.

Pinheiro Braathen havia se afastado das competições em 2023 por desentendimentos com a federação norueguesa, mas seu retorno – agora representando oficialmente o Brasil – foi um dos enredos esportivos mais comentados das últimas semanas.

A Moncler, além de patrocinadora institucional, é parceira pessoal do atleta há alguns anos, o que ajudou a viabilizar a colaboração.

Uniforme do Brasil reforça estética característica da Moncler

O uniforme que chamou atenção do público – e das redes sociais – não é o típico colorido e festivo que se associa ao Brasil em grandes eventos. Em vez disso, ele reflete tanto a tradição técnica da Moncler quanto um olhar contemporâneo sobre moda e funcionalidade.

A Moncler se inspirou na lendária jaqueta Karakorum, um modelo icônico criado décadas atrás para alpinistas italianos e reconhecido por sua capacidade de isolamento térmico e resistência extrema. Essa peça histórica tem espaço garantido na narrativa visual da grife e serviu de base para o desenvolvimento dos novos uniformes.

Algumas das características visuais mais marcantes incluem:

  • Cores sóbrias e sofisticadas, com predominância de branco e tons neutros que remetem à neve e à paisagem alpina
  • Detalhes da bandeira brasileira inseridos de forma sutil, como no forro interno das capas usadas pelos porta-bandeiras
  • Elementos técnicos de performance, como cortes e materiais pensados para proteção contra temperaturas abaixo de zero, influência direta da experiência da Moncler em roupas de montanha

Esses uniformes, especialmente as peças destinadas à cerimônia de abertura, não estão sendo comercializados ao público em geral, pelo menos por enquanto.

A Moncler vende suas coleções nas lojas próprias em cidades como São Paulo, como nos shoppings JK Iguatemi e Iguatemi Faria Lima, e em marketplaces como a Farfetch.

O papel de Oskar Metsavaht e a colaboração criativa com a Osklen

Um elemento adicional no tema foi a participação do brasileiro Oskar Metsavaht, fundador e diretor criativo da Osklen. A presença de Metsavaht no processo de criação reforça um aspecto cultural e expressivo da coleção, com o dedo de um brasileiro no design nas peças.

A revelação da collab, entretanto, só foi revelada cerca de 12 horas antes de os uniformes do Brasil nos Jogos de Inverno serem expostos ao mundo na abertura da competição.

Metsavaht tem uma trajetória marcada pela fusão entre design, performance e sustentabilidade, além de uma conexão pessoal com esportes de neve, tendo competido como snowboarder no início de sua carreira.

A Moncler de 1952 e a Moncler de hoje

Atualmente a grife é italiana, mas nem sempre foi assim.

Fundada em 1952, em Monestier-de-Clermont, nos alpes franceses, a empresa começou produzindo roupas e equipamentos para ambientes de frio extremo, desde sacos de dormir até casacos técnicos. A associação com esportes de inverno aconteceu de forma natural, e a marca rapidamente ganhou reputação por sua funcionalidade.

Nos anos 1990, a Moncler enfrentou dificuldades financeiras até ser adquirida, em 2003, pelo empresário Remo Ruffini, que transferiu a sede para Milão e reposicionou a marca como um ícone de luxo global. Atualmente listada na bolsa de valores italiana e com faturamento anual superior a 3 bilhões de euros, a empresa é um dos principais nomes do segmento premium de moda e performance.

 

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Mais de 90 mil credores do Master ainda não pediram reembolso ao FGC

 

Cerca de 92 mil credores ainda não iniciaram junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) o processo para pedir o reembolso referente aos investimentos feitos no Banco Master e que ficaram bloqueados após a liquidação feita pelo Banco Central em novembro de 2025. O montante representa 54% do total de credores que ainda não foram pagos pelo FGC.

Na última sexta-feira, 6, o FGC informou que mais de 170 mil credores ainda foram não reembolsados, mas, a maioria dos investidores já foi devidamente paga. Dos cerca de 800 mil credores existentes, 628 mil já receberam os recursos investidos no banco de Daniel Vorcaro, ou seja, 81% do total. Em volume, foram pagos R$ 36 bilhões em garantias, o que representa 89% do total de R$ 40 bilhões que devem deixar o caixa do FGC.

Os pagamentos foram iniciados em 19 de janeiro. Segundo Fundo Garantidor, estão sendo processados cerca de 3,9 mil pedidos por hora. “É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo”, diz o FGC.

No final de janeiro, o FGC informou que requisitos de segurança e procedimentos adotados para prevenção a fraudes, podem estender o tempo para a conclusão do processo de reembolso aos credores do Banco Master.

O FGC destacou, na época, que a validação de identidade e a liberação dos pagamentos de um percentual dos credores passarão por etapas adicionais de verificação, e essa checagem extra pode exigir mais tempo.  Os pagamentos tiveram início na tarde do dia 19 de janeiro de 2026, dois meses após a decretação de liquidação do Master pelo Banco Central.

De acordo com o Fundo Garantidor, não existe prazo legal definido para pagamento das garantias, “mas que empenha os melhores esforços para que ocorram na maior brevidade possível”.

Apesar de a seção de Perguntas Frequentes informar sobre o prazo médio estimado de dois dias úteis, contados a partir da conclusão da solicitação pelo credor, esses prazos são estimativas operacionais, baseadas na experiência do FGC em liquidações anteriores.

“O FGC reforça que essas medidas têm como objetivo proteger os credores e evitar que tentativas de golpes possam afetar negativamente o patrimônio do FGC, em detrimento do bem comum provido à coletividade pelo mecanismo de proteção”, diz a nota.

Em relação ao Will Bank, o FGC estima que serão pagos R$ 6,3 bilhões em garantias. O início dos pagamentos acontecerá após o recebimento da base de credores, que será consolidada pelo liquidante, com apoio do FGC.

Como pedir o pagamento

O procedimento para solicitar o valor investido inclui o download do aplicativo do FGC, a realização do cadastro e o acompanhamento das notificações com as orientações da entidade. Algumas corretoras de investimentos, como a XP, já enviaram avisos aos investidores informando que a solicitação de garantia dos ativos emitidos pelo Banco Master estavam disponíveis, diretamente pelo app do FGC.

Após manifestar interesse no recebimento e assinar digitalmente o termo de solicitação, o valor a que o investidor tem direito será depositado na conta indicada em até dois dias úteis. No caso de pessoas jurídicas, o pedido de garantia deve ser feito exclusivamente pelo site do FGC. Todas as etapas necessárias para solicitação foram disponibilizadas no site da FGC.

Para empresas credoras, o representante da empresa deve solicitar a garantia do FGC pelo Portal do Investidor. Depois do preenchimento das informações, enviaremos um e-mail com os passos necessários. O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa.

De acordo com o FGC, o volume total de pagamentos soma R$ 40,6 bilhões, diferente da estimativa de R$ 41 bilhões. Ao todo, cerca de 800 mil investidores serão atendidos, número consideravelmente menor que a previsão anterior de 1,6 milhão. A cobertura do fundo tem um limite de até R$ 250 mil por investidor e por instituição financeira. O FGC possui liquidez de R$ 125 bilhões.

Petrobras: produção de óleo e gás sobe 18,6% no 4º tri, a 3,081 milhões de boed

 

A Petrobras fechou o quarto trimestre do ano com produção média de 3,081 milhões de barris diários (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural), uma alta de 18,6% na comparação com igual período do ano passado. No ano, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, 11,1% maior.

Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o período de outubro a dezembro apresentou queda de 1,1% na produção. As informações constam no relatório de produção da companhia, divulgado nesta terça-feira, 10.

No documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal coloca entre os principais fatores para o aumento da produção o aumento da capacidade de produção dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias e a maior eficiência operacional, de 3,6 ponto percentual (p.p) acima do resultado de 2024, principalmente em plataformas da Bacia de Santos.

“Em 2025, a Petrobras alcançou o melhor resultado dos últimos dez anos ao adicionar 1,7 bilhão de boe em reservas, atingindo um índice de reposição de reservas (IRR) de 175%, mesmo diante de uma produção recorde”, destaca o documento.

A produção comercial de óleo e gás foi de 2,737 milhões de boe/d no quarto trimestre de 2025, alta de 19,6% ante o quarto trimestre de 2024, e queda de 1,1% contra a média dos três meses imediatamente anteriores.

A produção de petróleo foi de 2,504 milhões de barris por dia (bpd) de outubro a dezembro do ano passado, 19,8%% maior do que no quarto trimestre de 2024. Já em relação ao trimestre até setembro, a queda foi de 0,6%.

A produção de gás natural totalizou 577 mil boe/d, alta de 13,8% na comparação com um ano antes, e queda de 2,9% relação ao terceiro trimestre de 2025.

No pré-sal, foram produzidos 2,114 milhões de barris diários (boed) no quarto trimestre, alta de 20,1% ante o quarto trimestre de 2024 e variação negativa de 0,1% contra o terceiro trimestre do ano.