
Tanques de combustível em terminal de distribuição da Raízen em São Paulo 20/08/2025 (Crédito: Amanda Perobelli/Reuters)
A Raízen anunciou nesta quarta-feira, 11, que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, buscando reestruturar dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.
Segundo o fato relevante da companhia, seu plano conta com a adesão expressa de credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que demonstra “apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo”.
A produtora de açúcar e etanol, controlada pelo grupo Cosan e Shell, disse que o plano não abrangerá dívidas e obrigações com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, “essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos”.
A Raízen afirmou ainda que terá um prazo de 90 dias, a contar do processamento da recuperação extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, “assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos”.
Entenda a crise
A Shell e a Cosan, um conglomerado industrial criado por Ometto, detêm cada uma 44% da Raízen.
A Raízen registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando.
A dívida líquida da Raízen disparou devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.
Segundo o fato relevante, o plano de recuperação poderá envolver, além da reestruturação das dívidas:
- venda de ativos
- capitalização do Grupo Raízen pelos seus acionistas
- conversão de parte dos créditos sujeitos em participação acionária na companhia
- a substituição de parte dos créditos por novas dívidas
- reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo grupo.
- https://istoedinheiro.com.br/raizen-recuperacao-extrajudicial-dividas
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