quinta-feira, 12 de março de 2026

Inflação sobe 0,70% em fevereiro, mas fica abaixo de 4% em 12 meses pela 1ª vez desde 2024

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficou em 0,70% em fevereiro, ante taxa de 0,33% registrada em janeiro, informou nesta quinta-feira, 12, o IBGE.

Apesar da alta em fevereiro, o IPCA no acumulado em 12 meses desacelerou para 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. A última vez que a inflação tinha ficado abaixo de 4% no período de 1 ano foi em maio de 2024 (3,93%).


Evolução do IPCA no acumulado em 12 meses. Divulgação/IBGE (Crédito:Divulgação/IBGE)

O resultado de fevereiro, porém, veio acima do que o esperado pelo mercado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,65% em fevereiro e de 3,77% em 12 meses.

O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, destacou que apesar da aceleração ante janeiro o resultado é o menor para um mês de fevereiro desde 2020 (0,25%).

O centro da meta oficial para o IPCA é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Mensalidade escolar foi vilã do mês

Em fevereiro, a maior pressão veio do grupo Educação (5,21%), devido aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e cursos. Junto com a alta no grupo Transportes (0,74% e 0,15 p.p.), os dois grupos representaram aproximadamente 66% do resultado do mês. Veja aqui o detalhamento.

Sozinho, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do IPCA de fevereiro. Os cursos regulares subiram 6,20%, por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. As maiores altas foi no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).

No grupo Transportes, o destaque foi o aumento de 11,40% na passagem aérea. Também registraram altas o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%). Nos combustíveis, o índice ficou em -0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), e altas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).

O grupo Alimentação e bebidas teve alta de 0,26%, com influência das altas do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%). No lado das quedas, os destaques foram são as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%).

 A inflação de serviços acelerou com força em fevereiro e chegou a 1,51%, de 0,10% em janeiro. Em 12 meses, acumula alta de 6,01%, permanecendo como ponto de atenção do BC.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em fevereiro queda a 61%, de 64% em janeiro.

Expectativas

A expectativa atual do mercado é de alta de 3,91% em 2026 e de 3,80% em 2027, segundo o último boletim Focus.

O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%. A autarquia indicou o início de um ciclo de cortes na reunião de março, mas o cenário ganhou um novo personagem com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez o preço do petróleo disparar.

“A inflação está dentro do previsto, com ponto de atenção ao petróleo que segue tendo pressões de alta, e que pode afetar futuramente a inflação, as projeções para frente seguem de queda gradual com convergência lenta, por isso a cautela do Banco Central em baixar a Selic”, afirma Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos.

“As dúvidas sobre a evolução dos preços dos combustíveis devem levar o Copom a adotar uma postura mais cautelosa na reunião da próxima quarta, reduzindo o corte inicial da taxa básica para apenas 0,25 ponto percentual. Assim, embora o início do ciclo de queda da Taxa Selic siga esperado pelo mercado, cresce a percepção de que o Banco Central do Brasil deve optar por um ritmo mais gradual de flexibilização monetária”, avalia Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o BC pode adotar uma postura mais cautelosa na reunião deste mês diante da alta do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio, com um corte de 0,25 ponto percentual, embora veja espaço para um movimento de 0,50 ponto.

Com informações da Reuters

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