Com a guerra no Irã e disparada do preço do petróleo, mercado passou a projetar corte menor da Selic, de 0,25 ponto percentual, e há quem fale até em manutenção

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado)
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Dessa vez não há um consenso no mercado sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciará nesta quarta-feira, 17, a sua decisão sobre a taxa básica de juros. Mesmo assim, a expectativa predominante é de que a Selic terá o primeiro corte em quase dois anos.
O último corte na Selic foi efetuado em maio de 2024, quando a taxa básica caiu de 10,75% para 10,5%. Depois disso, o ciclo só foi de alta dos juros, e desde junho de 2025 a Selic está estacionada em 15%. Veja aqui o histórico.
Na última semana, o mercado financeiro passou a projetar um corte menor na Selic neste mês e no ano, em meio à disparada do petróleo e incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo saltou da casa dos US$ 60 para o patamar de US$ 100.
No último boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 16, a expectativa passou a ser de um corte de 0,25 ponto percentual no Copom de março e não mais de 0,50 ponto, como estava sendo projetado até a semana anterior. Com isso, a Selic cairia dos atuais 15% para 14,75%. Já previsão para a taxa básica ao fim de 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Veja aqui o detalhamento.
Na última reunião do Copom, em janeiro, os diretores sinalizaram que, “em se confirmando o cenário esperado”, a flexibilização da política monetária começaria na reunião seguinte. Ou seja, o BC indicou começar o corte de juros nesta reunião.
No
cenário projetado pela MoneYou e Lev Intelligence, por exemplo, a
possibilidade é de 40% de corte de 25 bp, 35% de corte de 50 bp e 25% de
manutenção. “O cenário de incertezas inflacionárias locais continua
dada a questão fiscal e mercado de trabalho apertado que
criam
tensão, com o forte adicional do conflito Irã-EUA, elevando o cenário de
incertezas e complicando o cenário para as decisões de política
monetária, com a inflação reiterando um qualitativo ruim apesar de
alguns alívios pontuais em itens importantes”, avalia a casa.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) projeta corte de 0,25 ponto percentual nesta semana e taxa de 12,25% ao0 fim do ano.
“Teria que cortar os juros? Teria. O balanço das empresas está implodindo por dentro com a alavancagem? Estão. O crédito está mais difícil? Sim. Era para cortar, mas se eu fosse banqueiro central esperaria e sinalizaria que se “nada demais acontecer” eu cortaria mais na frente”, afirma.
Juros nos EUA
Também nesta quarta, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anuncia a sua decisão de juros. A expectativa é de que os juros sejam mantidos inalterados mais uma vez no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, em meio as pressões de Donald Trump por novos cortes.
https://istoedinheiro.com.br/selic-vai-cair-copom-anuncia-nesta-quarta-decisao-juros
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