terça-feira, 24 de março de 2026

Ata do Copom: BC diz depender de novas informações para definir trajetória de ‘calibração’ da Selic

 

Em meio às incertezas trazidas pela Guerra no Irã, a magnitude e a duração do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) serão determinadas ao longo do tempo, diz a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Veja aqui a íntegra.

Na semana passada, o Copom decidiu pelo corte na taxa de juros de 0,25 ponto percentual, a primeira redução em quase 2 anos. Com isso, a Selic caiu para 14,75% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do comitê.

Salário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, diz a ata divulgada nesta terça-feira, 24.

O BC aponta para o risco inflacionário com a guerra e reafirma a defesa da cautela sobre os próximos passos das decisões sobre a trajetória da Selic.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz.

Segundo a ata, essa decisão mantém “o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária”.

Segundo o BC, antes do início do conflito, leituras indicavam melhora em dados de inflação, com indicadores benignos em bens industriais e alimentos, além de arrefecimento em preços de serviços, ainda que mais resilientes.

A autarquia disse manter a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda — e que requer política monetária contracionista — e a avaliação de que a política monetária “tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”.

Em relação ao aumento da isenção do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro, o Copom afirmou que continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos da medida.

Repercussão

“Entendemos que o documento é consistente com um corte maior na reunião de abril, o que levaria a taxa básica para 14,25% a.a. Aguardaremos a publicação do Relatório de Política Monetária e a coletiva de imprensa, na quinta-feira, antes de decidir se será necessário calibrar a calibração. Por ora, projetamos a Selic em 12,25% a.a. no final do ano”, avaliou o Itaú em relatório a clientes. 

Para a Warren Investimentos, a ata segue sinalizando que o Copom não tem intenção de rever seu plano de cortar juros no curto prazo, tendo, inclusive, considerado cortes maiores que 25 bps. “A mensagem é de continuidade nos cortes ao longo de 2026, com o Copom podendo acelerar o ritmo — o conflito no Oriente Médio será decisivo para os próximos passos”, avaliou a casa.

Juros futuros sobem após ata

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiam nesta terça-feira, após a divulgação da ata do Copom. Às 9h49, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,93%, com alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 13,783% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,04%, com elevação de 20 pontos-base ante 13,842%.

Com informações da Reuters

 

https://istoedinheiro.com.br/juros-selic-ata-do-copom 

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