segunda-feira, 20 de abril de 2026

Na Alemanha, Lula e Merz celebram multilateralismo em meio à pressão de Trump

 

 

No encerramento de viagem de Lula à Alemanha, presidente brasileiro e Merz reforçam necessidade de estreitamento de laços e cooperação em meio à turbulência mundial e política de poder de Trump.Mais comércio, mais cooperação e mais laços políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler federal Friedrich Merz propagandearam ao longo de uma agenda de dois dias o desejo de estreitar ainda mais as relações entre Brasil e Alemanha diante dos desafios provocados pela deterioração da ordem mundial e a intensificação da política de força dos Estados Unidos.

“Multilateralismo” foi a palavra mais repetida após a série de encontros travados por Lula e Merz em Hannover, na Alemanha, onde os dois líderes abriram a tradicional feira industrial da cidade e realizaram uma reunião de trabalho que contou com mais de uma dezena de ministros dos dois governos.

“Brasil e Alemanha querem paz, querem o multilateralismo, querem o desenvolvimento, e não a destruição. Queremos vida e não morte”, disse Lula nesta segunda-feira (20/04) na reta final da agenda – o presidente desembarcou no domingo e deixa a Alemanha na terça-feira.

Em sintonia com Lula, Merz afirmou que não vê a parceria com o Brasil apenas em termos econômicos, mas também como uma cooperação estratégica na manutenção de um mundo baseado em regras.

“Compartilhamos com o Brasil um interesse fundamental em uma ordem política na qual possamos confiar em acordos, possamos contar com tratados, possamos contribuir para a resolução conjunta de problemas globais e, acima de tudo, desejemos resolver conflitos somente por meios pacíficos”, disse Merz durante a abertura do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, um dos eventos em Hannover que contou com os dois líderes.

“Os laços estreitos entre nossos dois países são mais necessários do que nunca em um momento em que a ordem mundial passa por mudanças tão fundamentais.”

Acordo Mercosul-UE é celebrado por Alemanha e Brasil

Ao longo de dois dias, Merz e Lula assinaram acordos de defesa, meio ambiente, bioeconomia, infraestrutura e inteligência artificial, entre outros temas.

Os dois líderes ainda celebraram a entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, um tratado que foi defendido por décadas pela Alemanha e Brasil, duas economias fortemente voltadas para a exportação.

Falando ao lado de Lula na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover, o chanceler federal Friedrich Merz deixou claro que a Alemanha vê a possibilidade de ganhos com o tratado e que o enxerga como um contraponto à política baseada em pressão de grandes potências como os EUA, que sob Donald Trump têm promovido tarifaços e intervenções militares unilaterais.

“Esta é a nossa resposta às grandes convulsões que estamos vivenciando. É uma resposta a todos aqueles que hoje querem substituir a ordem baseada em regras, tratados e confiabilidade pela política de poder no mundo, utilizando meios militares”, afirmou Merz.

O alemão também disse esperar que o volume comercial entre a Alemanha e o Brasil, que totalizou 20 bilhões de euros em 2024, dobre nos próximos anos.

“Considerando a dimensão dessas duas economias, esse valor é muito baixo. Queremos aumentá-lo significativamente e apoio integralmente a meta ambiciosa de dobrar esse volume comercial nos próximos anos.”

Negociado por mais de duas décadas, o acordo vai finalmente entrar em vigor de forma provisória no início de maio e tem o potencial de criar uma zona de livre-comércio com 715 milhões de pessoas e 20% da produção econômica global.

Com uma economia exportadora industrial e com peso menor do setor agrário, A Alemanha sempre foi uma forte apoiadora do tratado, não compartilhando da posição de países como França e Irlanda, que explicitaram várias objeções.

No entanto, o tratado só entrará em vigor de forma provisória a partir de 1° de maio, aguardando ainda a ratificação do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu, um processo que promete se arrastar. “Continuaremos a trabalhar arduamente para garantir que o processo de ratificação seja concluído rapidamente”, disse Merz.

Feira de Hannover como vitrine do Brasil

No seu segundo dia na Alemanha, Lula participou, ao lado de Merz, da abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover, que neste ano tem o país sul-americano como parceiro na tradicional feira industrial, o maior evento do setor no mundo.

“As relações econômicas entre Brasil e Alemanha não só possuem uma longa tradição, mas também um futuro promissor”, disse Lula na segunda-feira.

O estande brasileiro na feira conta com cerca de 2.700 metros quadrados de exposição, organizados em seis áreas temáticas: transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial. A feira propagandeia a presença de 140 empresas brasileiras e outras 300 apoiadas indiretamente.

Consultas intergovernamentais entre Alemanha e Brasil

Ainda junto com o chanceler federal alemão, o presidente tomou parte na terceira rodada das consultas intergovernamentais de alto nível entre Brasil e Alemanha, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros internacionais e que prevê reuniões regulares entre ministros.

Oito ministros alemães se deslocaram de Berlim para encontrar sete membros da Esplanada em Hannover.

“É natural que a Alemanha volte a olhar para o Brasil. Apesar das múltiplas crises do mundo atual, vivemos um momento econômico muito favorável”, disse Lula. “A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil. Não tenho dúvidas que a Alemanha pensa o mesmo sobre o Brasil.”

Como parte dos encontros, o governo alemão confirmou uma contribuição de 500 milhões de euros (cerca de R$ 2,94 bilhões) ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, instrumento financeiro federal brasileiro que financia projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Já um aporte de 1 bilhão de euros (R$ 5,8 bilhões) prometido pela Alemanha para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – um projeto formalizado por Lula na COP30 – deve ficar para o ano que vem, segundo declaração do governo alemão, e ainda vai depender de aprovação orçamentária e parlamentar.

Lula defende biodiesel brasileiro

Ao longo da viagem à Alemanha, Lula só demonstrou contrariedade quando o tema dos biocombustíveis foi abordado.

Falando a uma plateia de empresários brasileiros e alemães em Hannover, Lula advertiu contra o que chamou de “mitologia” contra biocombustíveis.

“Há muito mito criado entre os países desenvolvidos e os em via de desenvolvimento. A Alemanha conhece o Brasil mais que qualquer outro país. Os alemães não podem acreditar na mitologia dita por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de biocombustíveis, de que o biocombustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos. Se alguém quiser acreditar nisso, eu convido a conhecer o Brasil”, disse Lula.

A fala ocorreu após alguns movimentos de restrição na União Europeia, que tem se intensificado com a proximidade em vigor provisória do acordo de livre-comércio Mercosul-União Europeia.

Em janeiro, a Comissão Europeia divulgou a intenção de reclassificar o biodiesel feito de soja, que poderia perder a partir de 2030 o status de recurso renovável na UE, e, portanto, não poderia ser mais usado por companhias de combustíveis para cumprir metas de redução de carbono. Tal medida impactaria diretamente a importação de biodiesel produzido no Brasil e na Argentina.

Uma restrição similar já atinge o óleo de palma, que é cultivado principalmente na Ásia. Defensores da restrição argumentam que o biodiesel de soja é tão nocivo para o meio ambiente quanto o petróleo e que a expansão do produto estaria sendo feita às custas de florestas e da produção de alimentos.

“Não há hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos para produção de biocombustível”, disse Lula, apontando para a quantidade de terras degradadas que, segundo ele, poderiam ser recuperadas para a produção de biocombustíveis.

Merz, que procura diversificar as fontes de energia da Alemanha após sucessivas crises de fornecimento na esteira das guerras na Ucrânia e no Irã, disse que seu país tem o que aprender com o Brasil nessa área.

“Há um caminhão no estande da feira [de Hannover] movido a biocombustível. Sabemos que, no Brasil, essa tecnologia avançou muito e demonstra que nós podemos aprender com o Brasil também”, disse.

Recados a Trump

No domingo, Lula mandou recados indiretos ao governo do presidente Donald Trump, sem mencionar nominalmente o líder americano.

“Nós não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por Twitter pode taxar produtos, pode punir países, e pode fazer guerra”, disse Lula.

Ele ainda chamou a guerra no Irã, iniciada pelos EUA e Israel, de “maluquice”. “O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã”, disse Lula.

Já sobre Cuba, Merz afirmou que a Alemanha não vê nenhuma base legal para qualquer intervenção no país caribenho.

“Não vemos que exista algum tipo de perigo para países terceiros, então não sei por que seria necessário haver uma intervenção. Poder se defender não quer dizer poder interferir em outros países que têm sistemas políticos que não nos agradam”, acrescentou.

Recepção com pompa em solo alemão

Lula chegou no domingo (19/04) em Hannover, após cumprir uma etapa anterior na Espanha.

Na cidade alemã, o presidente brasileiro foi recebido com pompa pelo chanceler federal Merz, com direito a uma cerimônia militar no palácio Herrenhausen e um jantar privado na antiga residência dos reis de Hannnover. Tal protocolo no local só havia sido estendido ao então presidente americano Barack Obama uma década atrás.

Ainda no domingo, Lula e Merz participaram de uma cerimônia que marcou a abertura da Feira de Hannover 2026. Já o final da agenda de Lula na segunda-feira previa uma visita à sede mundial da montadora Volkswagen, em Wolfsburg, a cerca de 70 quilômetros de Hannover.

Ainda na segunda-feira, Lula se atrasou para a chegada na feira, deixando Merz esperando por pouco mais de 20 minutos na porta de um dos pavilhões. Parte da logística do encontro foi afetada por uma greve no transporte público em Hannover, que provocou engarrafamentos na cidade.

A viagem também marcou a terceira vez que o chanceler federal e Lula se reuniram. Também foi o primeiro encontro que não ocorreu à margem de uma cúpula internacional.

Os dois já haviam se encontrado no ano passado na COP30, em Belém, e na reunião do G20, na África do Sul. À época, os dois encontros foram ofuscados por um comentário desabonador de Merz sobre a cidade de Belém, mas desde então tanto o chanceler federal quanto Lula minimizaram o incidente. Na segunda-feira, durante a abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover, Merz agradeceu a Lula pela acolhida em Belém.

A imprensa alemã tem destacado a visita de Lula, com vários jornais apontado que o estreitamento de laços com o Brasil promovido por Berlim pode trazer potenciais ganhos para o país europeu, que passa por um momento de estagnação e ansiedade econômica.

Lula lamenta que não conseguiu comer salsicha na rua

Nesta segunda-feira, durante um último pronunciamento ao lado de Merz em Hannover, Lula lamentou de maneira bem-humorada que durante sua estadia na cidade não conseguiu comer uma salsicha alemã em alguma barraquinha de rua.

“Só lamento que vou sair de Hannover sem comer a linguiça frita no carrinho. Talvez, quando você me visitar no Brasil, você pode me trazer salsichão”, disse Lula ao chanceler federal da Alemanha.

Mais cedo, Merz ofereceu uma seleção de salsichas para Lula durante uma pausa no palácio Herrenhausen, com as iguarias fatiadas e com palitos. Mas aparentemente a disposição “gourmet” das salsichas não era o que Lula tinha em mente quando manifestou anteriormente sua vontade de provar a comida típica durante a viagem.

Sistema de reembolso de tarifas dos EUA começa a operar e já acumula milhares de pedidos

 

O sistema de reembolso criado para permitir que empresas recuperem tarifas cobradas ilegalmente pelo governo dos Estados Unidos entrou em operação nesta segunda-feira, e milhares de empresas apressaram-se para apresentar suas reivindicações.

“Até agora, tudo bem”, embora o sistema esteja com algumas falhas, disse Jay Foreman, presidente-executivo da fabricante de brinquedos Basic Fun, que tinha uma equipe em uma “sala de guerra” na sede da empresa em Boca Raton, Flórida, pronta para fazer os pedidos quando o sistema entrou no ar às 8h, horário do leste dos EUA.

Segundo Foreman, o sistema não travou, como alguns temiam, com grande número de tentativas de envio, mas em alguns momentos não permitia uploads e forçava novas tentativas. A empresa tem mais de 500 arquivos a carregar no sistema, que permite o upload em lotes.

“No entanto, se você carregar muitos arquivos ou se o sistema estiver muito ocupado, ele os rejeitará”, disse Foreman em um email sobre os primeiros momentos do processo.

“Temos mais de 50% de nossas faturas carregadas até o momento. Esperamos que nas próximas horas todas elas sejam carregadas. Estou muito feliz por termos iniciado esse processo logo no início.”

As empresas contatadas pela Reuters nos últimos dias expressaram preocupação com a durabilidade do novo sistema, criado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA em resposta a uma ordem judicial que determinou a preparação para a devolução de até US$166 bilhões aos importadores.

Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas que o presidente Donald Trump buscava aplicar com base em uma lei editada para uso em emergências nacionais, impondo ao presidente republicano uma derrota contundente.

Em processos judiciais, autoridades alfandegárias informaram que, até 9 de abril, cerca de 56.497 importadores haviam concluído as etapas necessárias para receber reembolsos eletrônicos, um valor total de US$127 bilhões, ou mais de três quartos do total elegível para reembolso. Mais de 330.000 importadores pagaram as tarifas em cerca de 53 milhões de remessas de produtos importados.

Não está claro se o envio de um pedido de reembolso ao portal o mais rápido possível afetará a velocidade com que ele será processado, mas muitas empresas decidiram não correr o risco de esperar.

Alckmin destaca viagem de Lula à Europa a poucos dias da entrada em vigor do acordo Mercosul-UE

 

 

 O presidente em exercício da República, Geraldo Alckmin, destacou nesta segunda-feira, 20, a importância da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Europa, nos dias que antecedem a entrada em vigor, em 1º de maio, do acordo Mercosul-União Europeia.

“Queria destacar a ida do presidente Lula à Espanha, à Alemanha e também a Portugal porque, agora, no dia 1º de maio, entra em vigor o acordo Mercosul-União Europeia, em sua vigência provisória. Então, em 1º de maio, perto de 500 produtos brasileiros que nós exportamos para a União Europeia terão o imposto zerado, e outros passarão por uma redução tarifária ao longo dos anos”, disse Alckmin, acrescentando que, com isso, o País deverá vender maisao segundo maior parceiro do Brasil.

Segundo o presidente em exercício, a União Europeia também poderá vender mais barato no Brasil. “É um ganha-ganha. Ganha a sociedade quando você abre mercados, reduz tarifas e estimula a competitividade. É omaior acordo comercial entre blocos do mundo. Estamos falando de um mercado de US$ 22 trilhões, e a ida do presidente Lula à Europa é exatamente para isso. Para, lá na Feira de Hannover, destacar também os nossos biocombustíveis”, disse Alckmin.

Visita à Unipar

Alckmin falou com jornalistas após visita à Unipar, empresa química localizada em Cubatão (SP), que acaba de passar por um processo de modernização concluído em dezembro de 2025. A empresa recebeu investimento de mais de R$ 1 bilhão, transformando a unidade na maior produtora de cloro por tecnologia de membrana da América do Sul.

Desse total, R$ 672,9 milhões foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de linhas dedicadas à eficiência energética e à transição para tecnologias de baixo carbono, no âmbito da Indústria Verde. O montante inclui recursos do Fundo Clima e do Finem – Meio Ambiente.

Ele acrescentou que a gasolina já recebe 30% de etanol e que quase 80% da frota brasileira é flex.

Alckmin também mencionou o biodiesel, que já compõe 15% do óleo diesel.

Alckmin: Programa de Sustentabilidade da indústria química será regulamentado nos próximos dias

 

 

 

 

 Ficheiro:Vice Presidente da República do Brasil, Geraldo Alckmin em 2023.jpg

 

 

 

 

 

 

 

O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 20, que o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) será regulamentado nos próximos dias. Alckmin fez a afirmação após visitar a unidade fabril da Unipar, em Cubatão (SP). A unidade concluiu em dezembro seu processo de instalação e recebeu investimentos da ordem de R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Teremos nos próximos cinco anos o Presiq Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, que será regulamentado nos próximos dias”, disse Alckmin.

 De acordo com ele, o Presiq envolve um montante de R$ 15 bilhões, sendo R$ 3 bilhões por ano em crédito tributário para insumos e para melhorar a competitividade da indústria química e investimento.

Alckmin aproveitou para voltar a destacar a ampliação do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) com a liberação de R$ 3,1 bilhões para socorrer o setor petroquímico e fomentar novos investimentos.

 “O presidente Lula e nós, como ministro da indústria, fizemos a recomposição tarifária, acionamos defesa comercial para combater dumping e o Reiq este ano terá R$ 3,1 bilhões, R$ 2 bilhões para crédito para insumos e R$ 1,1 bilhão para investimento”, afirmou Alckmin.

Ele disse também que o governo federal está trabalhando para melhorar o custo do gás natural junto com a Petrobras. “Estamos aumentando a produção de gás natural no Brasil, mas nós precisamos equacionar melhor a questão regulatória”, disse o presidente em exercício.

Novonor: venda da Braskem à IG4 marca o fim de um ciclo histórico de investimento

 

 

 

 

 Odebrecht muda nome para Novonor

 

   

 

 

A Novonor, antiga Odebrecht, informou que a assinatura do contrato de compra e venda para transferência de sua participação acionária na Braskem à IG4 Capital “marca o encerramento de um ciclo de décadas de investimento na construção de uma das petroquímicas mais relevantes do mundo, em parceria com a Petrobras”.

 “É um orgulho ter contribuído para o desenvolvimento de um ativo considerado estratégico para o País”, ressaltou a companhia em comunicado à imprensa, ressaltando o papel de milhares de profissionais ao longo dos anos na consolidação da Braskem e no fortalecimento da indústria nacional.

 A conclusão da operação, no entanto, permanece condicionada ao cumprimento de condições precedentes, frisa, acrescentando que até a efetivação da transação, seguirá atuando como acionista da Braskem, pautando sua atuação pela observância e promoção do interesse social da empresa.

Ainda segundo a companhia, a nova estrutura de controle contará com a Petrobras como co-controladora, garantindo a continuidade das operações e sustentando o avanço da Braskem com foco em inovação e no fortalecimento do setor petroquímico de forma sustentável.

 

 https://istoedinheiro.com.br/novonor-venda-da-braskem-a-ig4-marca-o-fim-de-um-ciclo-historico-de-investimento

  

 

FGVAgro: produção da agroindústria cai 1,9% em fevereiro ante fevereiro de 2025

 

 

São Paulo, 20 – A produção agroindustrial brasileira registrou queda de 1,9% em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados constam no Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), divulgado nesta segunda-feira, 20, pelo Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro).

De acordo com o relatório, a retração observada no mês não decorre dos desdobramentos da guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro. A análise aponta que a reversão da tendência de recuperação do setor prevista para março ocorreu antes do esperado.

 O segmento de produtos alimentícios e bebidas teve expansão de 0,9% em relação a fevereiro de 2025, o que representa a sexta alta interanual consecutiva. O crescimento foi derivado exclusivamente do setor de bebidas, que avançou 6,2% no período.

O setor de produtos alimentícios, isoladamente, registrou contração de 0,3%. O FGVAgro atribui o desempenho à menor oferta de alimentos de origem animal, que teve queda de 1,6% na comparação anual.

 No segmento de produtos não alimentícios, a retração foi de 5,5%. Segundo a instituição, este grupo não apresenta expansão de produção desde março de 2025. O único destaque positivo no segmento foi o setor de biocombustíveis, com alta de 33,5% em fevereiro de 2026.

Na análise do FGVAgro, os indicadores mostram que a perda de dinamismo na agroindústria atingiu diversos setores produtivos no País. A instituição reforça que os resultados de fevereiro sinalizam o fim antecipado do ciclo de recuperação que era esperado.

 


Lagarde reitera compromisso de estabilidade de preços em meio a incertezas e volatilidade

 Christine Lagarde foto de stock editorial. Imagem de europeu ...

 

 

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, ressaltou, em discurso preparado para recepção anual da Associação de Bancos Alemães, nesta segunda-feira, 20, o ambiente de incerteza e volatilidade resultante do conflito no Oriente Médio. Apesar da situação desafiadora, ela defendeu que o BC da zona do euro está comprometido com o mandato de estabilidade de preços e garantiu que a inflação retornará a 2% no médio prazo.

“Definir a política monetária em ambiente incerto é um desafio. Agiremos conforme a situação exigir e precisamos coletar mais informações antes de tirarmos conclusões definitivas”, disse ela. “Hoje, enfrentamos mais incertezas sobre o rumo que a Europa tomará do que em qualquer outro momento desde então. E grande parte dessa incerteza vem de fora de nossas fronteiras”, ponderou.

Lagarde avaliou que a natureza intermitente do conflito – “guerra, cessar-fogo, negociações de paz, seu colapso, um bloqueio naval, seu levantamento, seu restabelecimento” – torna excepcionalmente difícil avaliar a duração e a profundidade das consequências.

Para a chefe do BCE, não há caminho fácil de volta ao ponto que se estava antes de guerra no Oriente Médio, mas o futuro ainda depende de quanto a guerra irá se prolongar.

Segundo ela, se o conflito for resolvido rapidamente, o choque direto no preço da energia poderá ficar abaixo das expectativas – e o impacto econômico será contido. A perspectiva, no entanto, permanece frágil e cenários piores ainda são possíveis, de acordo com Lagarde.

Consul muda posicionamento de marca e foca em brasilidade

 

 

A Consul, fabricante de eletrodomésticos da multinacional Whirpool, anunciou na quinta-feira, 13, um reposicionamento da marca, que comemora 75 anos em 2025. Fundada no Brasil, o novo momento da marca explora justamente o ‘brasileirismo’, tanto de sua história como em elementos da cultura e dos hábitos do país que serão a base da nova campanha.

Para isso, convocou três personalidades midiáticas que devem representar os pilares a serem explorados. O economista e ex-BBB Gil do Vigor será a referência para a mensagem de eficiência energética dos produtos, que impacta na conta de luz dos consumidores brasileiros, especialmente para o público-alvo da marca Consul. Isabelle Nogueira, também ex-BBB e ícone da Festa de Parintins, um dos principais movimentos culturais da Amazônia, reforçará o perfil brasileiro. E o chef Rodrigo Oliveira, do tradicional restaurante Mocotó, na capital paulista, será o pilar da gastronomia.

Pesquisa da Talk Inc apontou que 84% dos brasileiros veem a diversidade cultural como o principal traço da identidade nacional, e que 68% valorizam marcas que simplificam o dia a dia. A campanha então vai explorar o mote “Casa começa com Consul, Consul Casa com Brasil”.

“A casa é o centro da vida dos brasileiros. E a Consul tem como propósito levar aos nossos consumidores produtos que sejam democráticos – com preço justo – e facilitem o dia a dia. Cada detalhe dos produtos criados é pensado para atender as necessidades reais dos brasileiros”, diz Bertha Fernandes, head de Marcas e Comunicação da Whirlpool Brasil.

Fernandes destaca inovações como o ‘ciclo rede‘ nas máquinas de lavar da marca, após identificarem essa necessidade do consumidor brasileiro, principalmente da região Nordeste do país, onde a rede é um item comum nas casas e na rotina da população. A região também é um dos principais mercados para a marca.

Entre outras particularidades brasileiras, a executiva aponta para a cervejeira, eletrodoméstico criado no Brasil que teve como inspiração o hábito nacional não só do churrasco como do consumo de cerveja gelada. Outro ponto bastante local que a marca também vai explorar é o inox. Não exatamente seu perfil técnico ou inovador, mas o aspiracional que ele carrega para uma parcela dos consumidores, que enxergam uma geladeira ou um fogão de inox como uma ‘ascensão’ e até mesmo como item decorativo.

“Sabemos que a casa das pessoas nunca é só uma casa. Ela é o recorte mais íntimo do seu mundo. Nós reconhecemos isso. É o refrigerador da cor inox que chega depois de muito esforço, a cervejeira que virou sonho realizado, o forno de embutir que ajuda a celebrar. Estamos presentes nas pequenas e grandes conquistas, do churrasco de domingo ao primeiro apartamento, diz Bertha Fernandes.

A campanha terá três filmes: “Chá Revelação”, “Boca Preferida” e “Ciclo Mãe”, que foram desenvolvidos pela agência GUT e vão explorar o humor e o otimismo dos brasileiros, e ainda o desejo do consumidor do país em construir uma casa que seja visualmente agradável. O filme “Chá Revelação”, por exemplo, explora a ‘conquista’ da geladeira de inox, que é ‘revelada’ para os convidados de uma festa em casa para apresentar o ‘novo integrante’ do lar.

Consul
Trecho do filme “Chá Revelação”, parte da nova campanha da Consul (Crédito:Divulgação/Whirpool)

Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirpool no Brasil, conta que a último reposicionamento da marca Consul foi em 2015, enquanto da Brastemp, também sob o guarda-chuva da Whirpool, foi há dois anos. Agora, diz Ambar, a ideia é explorar “o grande valor da marca, que são as décadas de Brasil”. “Somos pioneiros em produtos no país. Agora é dar um passo a mais na brasilidade”.

A nova campanha da marca vem acompanhado ainda do lançamento de um novo refrigerador, o CM40, que além de mirar na popularização do inox, pretende ser o modelo de entrada para categoria frost free (que não precisa do processo manual de descongelamento periódico).

“O modelo foi desenvolvido pensando nas pessoas que estão saindo do refrigerador não frost free para o primeiro frost free. Então ele vai ser um frost free super acessível. É sobre isso, dar acesso ao primeiro frost free”, diz Bertha, que explica ainda que a categoria frost free ainda tem penetração baixa em muitas regiões do país.

A Consul é posicionada pela companhia como uma marca “de massa”, enquanto a Brastemp, também da Whirpool, seria um “massa premium”. Vale lembrar que uma das campanhas mais icônicas da publicidade brasileira envolve a marca, pois transformou uma frase da propaganda, que é de 1991, em bordão que é utilizado até hoje: “não é uma Brastemp”, aplicada para indicar que algo não tem muita qualidade.

Prêmio devolvido

Em julho deste ano, a marca esteve envolvida em uma grande polêmica publicitária, que levou ao rompimento com a agência e até à devolução do prêmio conquistado no prestigiado e tradicional Festival de Cannes.

Questionada hoje se há uma relação do reposicionamento agora com o episódio, Bertha Fernandes diz que não, e que esse novo momento “inaugura um novo capítulo da história da marca”. Gustavo Ambar, reforça que o caso de Cannes é “página virada” para a empresa. “Foi uma situação pontual, que a gente já tomou as medidas todas cabíveis, que eram necessárias. Já veio a público até as devidas responsabilizações e pra gente é uma página totalmente superada”, disse o executivo.

A então agência, a DM9, teria manipulado imagens de uma campanha inscrita no festival publicitário usando inteligência artificial (IA). O caso gerou o debate sobre os limites do uso de IA no mercado criativo.

A peça publicitária chamada “Economia Eficiente de Energia” feita para a Consul incentivava consumidores a trocarem eletrodomésticos velhos por novos, usando a economia que teriam na conta de luz para bancar o novo produto, mais econômico. O trabalho recebeu o prêmio Cannes Lions 2025.

Contudo, o vídeo produzido pela agência continha manipulação de imagens com o uso de IA que simulava resultados de campanha, e simulou até mesmo uma reportagem da CNN Brasil sobre o setor energético, que, manipulada, dava a entender que divulgava a iniciativa da Consul, com alteração de narração da jornalista e apresentadora Gloria Vanique no vídeo feito pela DM9.

Com a descoberta, nove dias depois da premiação, o Cannes Lions pediu a cassação do prêmio.

Fontes do mercado informaram à IstoÉ Dinheiro na época que o valor da conta Consul na DM9 podia chegar a casa dos R$ 120 milhões anuais. A agência tampouco confirmou esse valor ou deu detalhes sobre as cifras do contrato.

Whirlpool, dona da Brastemp e Consul, fecha fábrica na Argentina e muda produção para SP

 

 

A fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul no Brasil, comunicou ao mercado nesta segunda-feira, 20, que a produção da unidade localizada em Pilar, na Argentina, está sendo transferiada ofciialmente para o parque industrial da companhia localizado em Rio Claro (SP).

O encerramento das atividades na unidade de Pilar, administrada pela Whirlpool Argentina, foi comunicado em 26 de novembro de 2025. Agora, o Conselho da companhia aprovou a transfência de produção para a fábrica no Brasil. Segundo o comunicado, a decisão faz parte de seu “processo contínuo de revisão e aprimoramento da estrutura
produtiva da Companhia e de suas controladas, em linha com suas diretrizes estratégicas de eficiência operacional, otimização da capacidade instalada e alocação de recursos”.

A Whirlpool Brasil também informou que adqquiriu ativos industriais e bens operacionais da Whirpool Argentina “como parte das providências e adaptações necessárias às atividades de produção”. E ainda que o processo de novo polo de produção seguirá um cronograma de transição para total adaptação ao processo tanto operacional quanto logístico.

O valor pago pelacompanhia pela aquisição dos ativos e bens foi estimado em US$ 36,7 milhões, equivalente a cerca de R$ 194 milhões na ocasião da operação, feita em janeiro deste ano e aprovada pelo Conselho no final de dezembro de 2025.

A companhia destaca que o mercado argentino continuará sendo atendido por produtos fabricado em diferentes unidades do grupo e distribuído pela operação argentina.

Serra Verde recebe pisos de preços para terras raras magnéticas em acordo de compra nos EUA

 

A mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, que anunciou nesta segunda-feira um acordo para ser adquirida pela USA Rare Earth, receberá pisos de preços para quatro terras raras em um acordo de fornecimento de 15 anos com o governo dos EUA e investidores privados, segundo uma apresentação sobre o tema.

Críticos têm dito que os pisos de preços, que visam nivelar as condições competitivas com a China, produtora dominante de terras raras, têm o potencial de distorcer o mercado.

A China é responsável por cerca de 90% da produção global de terras raras processadas, enquanto EUA, Europa e outras nações ocidentais estão correndo para construir seus próprios setores domésticos de terras raras, vitais para a transição energética, eletrônica e aplicações de defesa.

No ano passado, o governo dos EUA ofereceu pela primeira vez um piso de preço à MP Materials, que controla a única mina de terras raras em operação na América do Norte, como parte de um acordo multibilionário de apoio e financiamento.

A Serra Verde informou nesta segunda-feira que havia fechado um acordo de 15 anos para fornecer toda a produção da primeira fase de sua mina a um veículo de propósito especial capitalizado pelo governo dos EUA e por fontes privadas.

O acordo de fornecimento inclui pisos de preços para as quatro principais terras raras necessárias para a fabricação de ímãs permanentes — neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, drones e jatos de combate.

O preço mínimo para o neodímio e o praseodímio (NdPr), que muitas vezes são fornecidos como um produto conjunto, é o mesmo da MP Materials: US$110 por quilograma, segundo a apresentação.

O preço chinês do óxido de NdPr SMM-REO-DIO quase dobrou desde que o governo dos EUA ofereceu um piso de preço para a MP Materials e estava em 795.000 iuanes por tonelada, ou US$117 por kg, acima dos US$63 em 9 de julho de 2025, quando o acordo com a MP Materials foi anunciado.

A mina da Serra Verde é rica em terras raras pesadas, diferentemente de muitos outros depósitos ocidentais, e o acordo incluiu preços mínimos para disprósio e térbio de US$575 e US$2.050 por kg, respectivamente.

A empresa e o veículo especial dos EUA compartilharão 70% dos ganhos adicionais se o preço de mercado fora da China subir acima dos preços mínimos, acrescentou.

Focus: mercado passa a projetar inflação de 4,8% em 2026 e corte menor na Selic

 

 

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 20, pelo Banco Central (BC), mostra que o mercado elevou mais ainda a projeção para a inflação para o final de 2026 e vê também um corte menor na taxa básica de juros (Selic) ao término deste e do próximo ano.

A previsão para o IPCA – a inflação oficial do país – passou de 4,71% para 4,8% em 2026, bem acima do teto da meta. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Antes do início da guerra no Oriente Médio, os analistas projetavam inflação abaixo de 4% neste ano.

A projeção para 2027 foi elevada de 3,91% para 3,99% ao ano, fora do centro da meta.

Projeções atualizadas do Boletim Focus do Banco Central

Selic

Para a Selic, o mercado passou a projetar juros a 13% ao final do ano, e não mais de 12,5% como vinha precificando até então. Para o fim 2027, a previsão passou de 10,5% para 12%. A Selic está atualmente em 14,75%.

A pesquisa do BC aponta que os economistas seguem esperando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 28 e 29 de abril, embora tenham passado a ver uma redução de igual magnitude na reunião seguinte, em junho, ante expectativa na semana anterior de um corte de 0,50 ponto percentual.

PIB e dólar

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento para 2026 subiu de 1,85% para 1,86%, e foi mantida em 1,80% para 2027.

Para a cotação do dólar, a expectativa do Focus para o câmbio agora está em R$ 5,30 para o fim de 2026 e em R$ 5,35 ao fim de 2027, ante R$ 5,40 e R$ 5,45, respectivamente, da semana anterior.

O dólar encerrou a semana passada com sua menor cotação desde março de 2024, acumulando na semana uma queda de 0,53% e no ano uma baixa de 9,21%.

Os ajustes nas estimativas acontecem em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, e que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo. O conflito abalou os mercados financeiros e gerou temores inflacionários ao redor do mundo.

Com informações da Reuters

sábado, 18 de abril de 2026

Lula e Merz se encontram em momento delicado para seus governos

 

Presidente vai a Hannover com agenda econômica e de reforço de laços políticos, mas encontrará um governo alemão que sofre com impopularidade. Já líder brasileiro tem se deparado com reeleição cada vez mais desafiadora.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na Alemanha neste fim de semana para cumprir uma agenda que combina encontros políticos e reuniões empresariais para reforçar a relação bilateral entre Brasília e Berlim.

Na agenda está a participação de Lula na Feira Industrial de Hannover, que neste ano terá o Brasil como país homenageado, e a terceira rodada das chamadas consultas intergovernamentais de alto nível Alemanha-Brasil, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros internacionais e que prevê reuniões regulares entre os países.

Como parte da agenda, Lula terá reuniões com o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Esse será o terceiro encontro entre Lula e Merz, mas o primeiro que não ocorre à margem de uma cúpula internacional. Os dois já se encontraram no ano passado na COP30, em Belém, e na reunião do G20, na África do Sul.

Embora os dois governos tenham propagandeado o encontro como uma reafirmação dos laços econômicos e políticos, a cúpula ocorre em meio a crescentes desafios internos para Lula e Merz em seus respectivos países.

O cenário não é inédito e já tem virado uma espécie de “tradição” do mecanismo de consultas intergovernamentais, que pela terceira vez têm ocorrido em uma conjuntura de dificuldades para pelo menos um dos governos participantes.

Em 2015, a primeira edição das consultas intergovernamentais ocorreu em um cenário de crescente crise econômica e política no Brasil, que poucos meses depois acabaria por sepultar o governo Dilma. Já o segundo encontro, em 2023, ocorreu em um momento de reaproximação entre o Brasil e Alemanha após a era Bolsonaro, mas também em meio à erosão do governo do então chanceler federal Olaf Sholz, cuja coalizão desmoronaria menos de um ano depois.

Merz: economia e popularidade em baixa

Sem ainda completar um ano à frente do governo alemão, o chanceler federal Friedrich Merz, da conservadora União Democrata Cristã (CDU), nunca foi tão impopular.

Uma pesquisa divulgada na primeira quinzena de abril apontou que 70% dos eleitores alemães estão insatisfeitos com a atuação pessoal do chefe de governo. Só 21% se mostram satisfeitos. Já os números da coalizão de governo, que conta com o bloco conservador CDU/CSU de Merz e o Partido Social-Democrata (SPD), são ainda piores, com 73% dos eleitores se mostrando insatisfeitos.

Sob Merz, a Alemanha continua a patinar economicamente. Após dois anos de recessão, relacionados principalmente à invasão da Ucrânia pela Rússia e o consequente aumento dos preços da energia, a maior economia europeia teve um crescimento pífio de 0,2% em 2025. E as previsões inicialmente mais otimistas para 2026 vêm sendo agora reduzidas por causa dos efeitos da guerra no Irã, com a projeção de crescimento de 1,3% caindo para 0,6%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em março, o país também registrou mais de 3 milhões de desempregados, com a taxa chegando a 6,4% e com a série mostrando poucos sinais de mudança. Nos últimos meses, o noticiário do país também passou a ficar repleto de anúncios de planos de demissão em massa em grandes empresas, incluindo gigantes como a montadora Volkswagen.

A insatisfação dos alemães com o governo Merz também se refletido no fato de que 66% dos eleitores se sentem sobrecarregados por impostos e contribuições para a previdência social. A mesma pesquisa mostrou que 70% dos alemães não acreditam que o governo será capaz de implementar medidas para melhorar a situação econômica.

Merz ascendeu ao governo alemão em maio do ano passado prometendo uma série de reformas estruturais, que incluíram estímulos bilionários para os setores de infraestrutura e de defesa, numa tentativa de reposicionar a Alemanha econômica e politicamente. Mas até agora os efeitos têm sido modestos, enquanto projetos envolvendo saúde e previdência ainda nem saíram do papel.

Dentro da coalizão de governo, também há sinais de disputas internas, com cada pacote de reformas sendo encarado mais como um teste de estresse para a coalizão entre o bloco CDU/CSU e o SPD do que demonstrações de unidade.

Em fevereiro, numa rara autocrítica, Merz admitiu algumas das dificuldades. “Talvez não tenhamos deixado claro com rapidez suficiente, após a mudança de governo, que não seríamos capazes de realizar esse enorme esforço de reforma da noite para o dia”.

A má avaliação do governo tem se refletido em pesquisas eleitorais. No momento, o bloco CDU/CSU, que ficou em primeiro lugar na última eleição federal, tem perdido e apoio e aparecido regularmente tecnicamente empatado na preferência do eleitorado com o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que também tem crescido em eleições estaduais.

Já o parceiro SPD tem visto sua preferência continuar a diminuir, ficando abaixo até mesmo do histórico mau resultado da eleição de 2025. Embora as próximas eleições só estejam previstas para 2029, no atual cenário, a soma de preferências do bloco CDU/CSU e SPD indica que os partidos não seriam capazes de assegurar uma maioria no Parlamento alemão.

O cenário externo também tem se revelado desafiador para Merz, com a continuidade da guerra da Ucrânia, a nova turbulência do conflito no Irã e a dificuldade de lidar com o governo do americano Donald Trump, que tem ameaçado retirar os EUA da Otan, o principal pilar da segurança alemã.

Lula: busca pela reeleição tem se mostrado mais desafiadora

Embora a situação de Lula seja menos turbulenta que a de Merz, o presidente brasileiro também se vê em um momento de crescentes desafios.

Candidato declarado a reeleição em outubro, Lula, que deve disputar sua sétima eleição presidencial, tem visto nos últimos meses o que parecia ser um cenário bastante favorável a uma nova vitória ser pouco a pouco ameaçado pela pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisas tem mostrado que a pré-candidatura de Flávio, que inicialmente foi encarada no fim do ano passado como um artifício para servir de moeda de troca política, tem se mostrado cada vez mais viável, pressionando as chances de Lula.

Nesta semana, uma pesquisa Genial/Quaest apontou que Lula ainda tem vantagem num primeiro turno, mas que Flávio já aparece tecnicamente empatado com o presidente numa eventual segunda rodada.

A menos de seis meses do primeiro turno, uma pesquisa Datafolha também indicou na semana passada que a avaliação negativa do governo Lula permanece em 40%, enquanto a positiva caiu de 32% para 29% frente a um levantamento de março, enquanto 29% classificam a gestão como regular.

Mesmo com o desemprego atingindo mínimas históricas e inflação dentro da meta, especialistas em opinião pública apontam que persiste entre parte do eleitorado a percepção de dificuldade econômica, alimentada pela precarização de certas categorias de trabalho e forte endividamento.

No Congresso, o governo também tem acumulado dificuldades, com o governo tendo que pagar preços altos para conseguir a aprovação de projetos e tendo que lidar regularmente com “pautas-bomba” apresentadas nas duas Casas.

Alguns aliados têm reconhecido as dificuldades, apontando para problemas de comunicação. No fim de março, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, mandou indiretas para o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, dando a entender que o governo não está sabendo propagandear suas realizações.

Apesar das dificuldades, especialistas destacam o fato de a campanha eleitoral ainda não ter efetivamente começado, apontando que o governo ainda tem a possibilidade de reagir mostrando realizações de forma mais sistemática e atuar mais abertamente para desconstruir candidaturas rivais.


Presidente da Iberdrola se encontra com Lula em meio a renovação de concessões no Brasil

 

   

 Ignácio Galán - Neoenergia

 

   

O presidente da Iberdrola, Ignacio Galán, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula bilateral Espanha-Brasil, em Barcelona, na sexta-feira, 17, informou a companhia.

No encontro, Galán destacou a importância estratégica do País para o futuro das suas atividades. O executivo também transmitiu a Lula o compromisso do grupo com o País, tendo realizado investimentos de quase R$ 40 bilhões nos últimos quatro anos.

A Iberdrola é a empresa espanhola que controla a Neoenergia, maior companhia do Brasil em distribuição elétrica, com mais de 17 milhões de clientes e concessões nos Estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além da capital federal, Brasília.

Neste momento, a companhia está em processo de renovação das concessões de distribuição no Brasil, incluindo aí a Neoenergia Coelba (BA), a Neoenergia Cosern (RN) e a Neoenergia Elektro (SP e MS).

O presidente da Iberdrola disse a Lula que, uma vez confirmada a renovação das concessões, a companhia tem a intenção de seguir investindo de maneira expressiva nos próximos anos, segundo nota da empresa.

O foco é continuar expandindo e modernizando as redes de todas as suas distribuidoras e eletrificando áreas como o oeste da Bahia, a fim de dar acesso a uma “energia segura, competitiva e limpa a residências e indústrias, como o agronegócio”, segundo a nota.

Incluindo os ativos de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, a Neoenergia está presente em 18 Estados brasileiros e no Distrito Federal e conta com mais de 725 mil quilômetros de linhas de distribuição elétrica e 8 mil quilômetros de linhas de transmissão, além de 3.600 MW de geração renovável, principalmente hidrelétrica.

Como a Nomad faz a gestão de 500 funcionários sem exigir volta total ao escritório

 

 

Segundo o CEO da Nomad, Lucas Vargas, as regras para o modelo de trabalho não são escritas em pedra e, no fim do dia, algum nível de flexibilidade segue sendo atrativa e gerando valor para a companhia – embora fintechs e gigantes de tecnologia tenham voltado ao 100% presencial em um passado recente.

O executivo conta ao Dinheiro Entrevista que essa cultura acabou estando no DNA da Nomad, visto que a companhia nasceu em meio à pandemia e obrigatoriamente teve vários dias em trabalho 100% remoto.

“A gente tem certeza de que o modelo 100% presencial não é o melhor, mas também que o 100% remoto não é. E mais: nenhum modelo único funciona para todas as pessoas ou todas as funções”, afirma Lucas Vargas.

“Se existe algum benefício de ter nascido na pandemia, foi essa origem distribuída. Isso nos permitiu criar processos, cerimônias e rotinas já pensadas para um ambiente remoto desde o primeiro dia”, complementa.

 

  

 


 

fintech tem atualmente mais de 500 funcionários e, com isso, não possui uma regra única para toda a empresa. O modelo híbrido é adaptado de acordo com cada time, cada função e até o nível de senioridade.

“Estagiários, por exemplo, estão mais presentes no escritório porque precisam de aprendizado mais próximo. Algumas funções também exigem mais interação presencial, então ajustamos conforme a necessidade”, diz Vargas, que relata estar quase sempre no escritório da companhia, na capital paulista, ou viajando à trabalho.

Dado o caráter internacional da empresa e os produtos cross border, a empresa também vê vantagens e adotar flexibilidade.

“Negociamos com parceiros nos Estados Unidos, Europa e Ásia, então o trabalho remoto não é só cultural, ele é estrutural para o negócio.”

‘Multiplicar 10x é algo crível’

Na esteira de crescimento de dois dígitos percentuais do seu braço de investimentos, a Nomad prevê faturar R$ 1 bilhão em 2026, com a companhia tendo chego ao breakeven no ano passado – jargão do mercado para se referir ao momento em que a receita total de uma empresa se iguala aos custos e despesas totais.

A empresa nasceu em meados de 2018 e soma mais de 3,8 milhões de clientes atualmente, com mais de R$ 8 bilhões em ativos sob custódia no exterior.

Vargas destaca que, com isso, dobrar e depois multiplicar até mesmo em dez vezes é algo ‘crível’.

“A expectativa é de continuidade da geração de caixa nos próximos anos, e com isso poderemos reinvestir e acelerar o crescimento, fazendo essa manutenção do breakeven

Segmento da Nomad ainda é visto como oceano azul

Apesar do ganho de tração de players que oferecem conta global e produtos similares, a gestão da companhia ainda enxerga um mercado endereçável com grande volume.

“O principal concorrente hoje ainda é o cartão de crédito brasileiro. Mesmo com custos elevados, ele continua sendo o produto mais utilizado por brasileiros no exterior, o que mostra o quanto esse mercado ainda tem espaço para evolução”, observa o CEO da Nomad.

Sobre a guerra de taxas no setor, destaca que a gestão tem focado na retenção dos clientes e não prevê cortes agressivos em um futuro breve.

“A retenção do cliente não vem do preço, mas da experiência. Se o cliente viaja e o cartão não funciona, isso gera uma frustração enorme e aumenta a propensão de ele buscar alternativas – e é aí que o foco no uso internacional faz diferença. Existe uma tendência de comoditização com a entrada de novos players, mas a nossa estratégia é focar em profundidade no produto internacional. A satisfação do cliente no uso lá fora, seja em pagamentos ou investimentos, é o principal diferencial que buscamos construir.”

 

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O que está em jogo no leilão de 700 Mhz da Anatel e o desafio do 5.5G

 

 

Marcado para 30 de abril, o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o processo de concessão da faixa de radiofrequência de 700 MHz é um passo decisivo para a consolidação da tecnologia 5G país afora.

A tecnologia é implementada desde 2020 pelas gigantes de telecomunicações. Mas esta faixa vai permitir o alcance de quase um milhão de pessoas em locais onde há menos antenas. Diferentemente da faixa de 3,5 GHz, leiloada em 2021 e focada em altíssima capacidade de dados, o espectro de 700 MHz é uma frequência baixa que se destaca pelo seu impressionante alcance geográfico.

Por permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos físicos com facilidade, a faixa a ser leiloada em 2026 é considerada essencial para garantir que a conectividade funcione com qualidade dentro de residências, escolas, hospitais e edifícios, além de reduzir drasticamente os custos de implantação em áreas de baixa densidade demográfica.

As companhias interessadas entregaram propostas nesta quarta-feira, 15 de abril. O processo recebeu o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o avanço da TV digital permitiu uma reorganização eficiente das frequências, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis.

Para a Anatel, esta licitação é fundamental para aumentar competitividade setorial e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao consumidor final, atacando diretamente os vazios de conectividade que ainda persistem fora dos grandes centros urbanos. A expectativa do governo federal é de que o certame beneficie diretamente pelo menos 800 mil pessoas em 864 pequenas localidades.

O plano do governo federal com o novo leilão, realizado em conjunto com o Ministério das Comunicações, é levar sinal de qualidade para rodovias e cidades distantes e, assim, buscar reduzir a desigualdade digital. Ao permitir que áreas rurais e estradas sejam atendidas com um número menor de torres, o leilão assegura que mais brasileiros tenham acesso a serviços digitais essenciais e às oportunidades econômicas oferecidas via rede mundial de computadores.

O desafio do 5.5G

Enquanto mais faixas são leiloadas, e a implementação do 5G segue, a indústria de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o posicionamento das gigantes do setor — Vivo, Claro e TIM — diante da evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G, além de outras características que melhor atendem à evolução da inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.

Após investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão.

Desde que começou a ser implementado em 2020, o 5G brasileiro cobre cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se torne uma necessidade comercial imperativa.

Por sua vez, o 5.5G — tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) — já está disponível por meio de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e voltadas a nichos específicos.

Um dos principais gargalos é a barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às classes de maior renda. Apesar da resistência comercial imediata, o potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5 gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.

Além da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026 para as operadoras não é apenas técnico, mas de gestão: equilibrar o apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está pagando a conta da revolução anterior.

Rio terá lei contra abuso a mulheres no transporte coletivo

 

A nova política aplica-se, exclusivamente, aos condutores de transporte coletivo de passageiros, transporte por aplicativo e táxi. Inclui ações como protocolos de atuação para condutores e demais profissionais do transporte coletivo de passageiros diante de situações de violência contra mulheres no interior dos veículos, priorizando a assistência à vítima e o acionamento imediato das autoridades policiais.

A deputada Lilian Behring (PCdoB), autora do projeto, destacou que a iniciativa nasce da necessidade de enfrentar uma realidade ainda presente no cotidiano de muitas mulheres.

“Essa lei nasce da escuta de mulheres que sentem medo ao usar o transporte público. Não é aceitável que um espaço de deslocamento se transforme em um ambiente de violência e insegurança”.

Entre as medidas previstas está a possibilidade de capacitação dos profissionais do setor para que saibam identificar situações de risco e agir de forma adequada, contribuindo para a proteção das passageiras.

“Nosso objetivo é orientar e preparar esses profissionais para que saibam como agir. Muitas vezes, uma atitude rápida pode interromper uma situação de violência e garantir proteção à vítima”, explicou Lilian.

A lei também determina que o Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro) disponibilize um canal de orientação e encaminhamento de denúncias às autoridades.

Para a parlamentar, a medida fortalece a rede de proteção e amplia o acesso das mulheres a mecanismos de denúncia.

“Criar um canal dentro do próprio sistema de transporte é facilitar o caminho para que essas mulheres sejam ouvidas e acolhidas. É transformar estrutura em proteção real”, acrescentou.