
Foto de divulgação de antena para telefonia móvel
Marcado para 30 de abril, o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o processo de concessão da faixa de radiofrequência de 700 MHz é um passo decisivo para a consolidação da tecnologia 5G país afora.
A tecnologia é implementada desde 2020 pelas gigantes de telecomunicações. Mas esta faixa vai permitir o alcance de quase um milhão de pessoas em locais onde há menos antenas. Diferentemente da faixa de 3,5 GHz, leiloada em 2021 e focada em altíssima capacidade de dados, o espectro de 700 MHz é uma frequência baixa que se destaca pelo seu impressionante alcance geográfico.
Por permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos físicos com facilidade, a faixa a ser leiloada em 2026 é considerada essencial para garantir que a conectividade funcione com qualidade dentro de residências, escolas, hospitais e edifícios, além de reduzir drasticamente os custos de implantação em áreas de baixa densidade demográfica.
As companhias interessadas entregaram propostas nesta quarta-feira, 15 de abril. O processo recebeu o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o avanço da TV digital permitiu uma reorganização eficiente das frequências, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis.
Para a Anatel, esta licitação é fundamental para aumentar competitividade setorial e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao consumidor final, atacando diretamente os vazios de conectividade que ainda persistem fora dos grandes centros urbanos. A expectativa do governo federal é de que o certame beneficie diretamente pelo menos 800 mil pessoas em 864 pequenas localidades.
O plano do governo federal com o novo leilão, realizado em conjunto com o Ministério das Comunicações, é levar sinal de qualidade para rodovias e cidades distantes e, assim, buscar reduzir a desigualdade digital. Ao permitir que áreas rurais e estradas sejam atendidas com um número menor de torres, o leilão assegura que mais brasileiros tenham acesso a serviços digitais essenciais e às oportunidades econômicas oferecidas via rede mundial de computadores.
O desafio do 5.5G
Enquanto mais faixas são leiloadas, e a implementação do 5G segue, a indústria de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o posicionamento das gigantes do setor — Vivo, Claro e TIM — diante da evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G, além de outras características que melhor atendem à evolução da inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.
Após investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão.
Desde que começou a ser implementado em 2020, o 5G brasileiro cobre cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se torne uma necessidade comercial imperativa.
Por sua vez, o 5.5G — tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) — já está disponível por meio de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e voltadas a nichos específicos.
Um dos principais gargalos é a barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às classes de maior renda. Apesar da resistência comercial imediata, o potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5 gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.
Além da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026 para as operadoras não é apenas técnico, mas de gestão: equilibrar o apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está pagando a conta da revolução anterior.
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