sábado, 18 de abril de 2026

Como a Nomad faz a gestão de 500 funcionários sem exigir volta total ao escritório

 

 

Segundo o CEO da Nomad, Lucas Vargas, as regras para o modelo de trabalho não são escritas em pedra e, no fim do dia, algum nível de flexibilidade segue sendo atrativa e gerando valor para a companhia – embora fintechs e gigantes de tecnologia tenham voltado ao 100% presencial em um passado recente.

O executivo conta ao Dinheiro Entrevista que essa cultura acabou estando no DNA da Nomad, visto que a companhia nasceu em meio à pandemia e obrigatoriamente teve vários dias em trabalho 100% remoto.

“A gente tem certeza de que o modelo 100% presencial não é o melhor, mas também que o 100% remoto não é. E mais: nenhum modelo único funciona para todas as pessoas ou todas as funções”, afirma Lucas Vargas.

“Se existe algum benefício de ter nascido na pandemia, foi essa origem distribuída. Isso nos permitiu criar processos, cerimônias e rotinas já pensadas para um ambiente remoto desde o primeiro dia”, complementa.

 

  

 


 

fintech tem atualmente mais de 500 funcionários e, com isso, não possui uma regra única para toda a empresa. O modelo híbrido é adaptado de acordo com cada time, cada função e até o nível de senioridade.

“Estagiários, por exemplo, estão mais presentes no escritório porque precisam de aprendizado mais próximo. Algumas funções também exigem mais interação presencial, então ajustamos conforme a necessidade”, diz Vargas, que relata estar quase sempre no escritório da companhia, na capital paulista, ou viajando à trabalho.

Dado o caráter internacional da empresa e os produtos cross border, a empresa também vê vantagens e adotar flexibilidade.

“Negociamos com parceiros nos Estados Unidos, Europa e Ásia, então o trabalho remoto não é só cultural, ele é estrutural para o negócio.”

‘Multiplicar 10x é algo crível’

Na esteira de crescimento de dois dígitos percentuais do seu braço de investimentos, a Nomad prevê faturar R$ 1 bilhão em 2026, com a companhia tendo chego ao breakeven no ano passado – jargão do mercado para se referir ao momento em que a receita total de uma empresa se iguala aos custos e despesas totais.

A empresa nasceu em meados de 2018 e soma mais de 3,8 milhões de clientes atualmente, com mais de R$ 8 bilhões em ativos sob custódia no exterior.

Vargas destaca que, com isso, dobrar e depois multiplicar até mesmo em dez vezes é algo ‘crível’.

“A expectativa é de continuidade da geração de caixa nos próximos anos, e com isso poderemos reinvestir e acelerar o crescimento, fazendo essa manutenção do breakeven

Segmento da Nomad ainda é visto como oceano azul

Apesar do ganho de tração de players que oferecem conta global e produtos similares, a gestão da companhia ainda enxerga um mercado endereçável com grande volume.

“O principal concorrente hoje ainda é o cartão de crédito brasileiro. Mesmo com custos elevados, ele continua sendo o produto mais utilizado por brasileiros no exterior, o que mostra o quanto esse mercado ainda tem espaço para evolução”, observa o CEO da Nomad.

Sobre a guerra de taxas no setor, destaca que a gestão tem focado na retenção dos clientes e não prevê cortes agressivos em um futuro breve.

“A retenção do cliente não vem do preço, mas da experiência. Se o cliente viaja e o cartão não funciona, isso gera uma frustração enorme e aumenta a propensão de ele buscar alternativas – e é aí que o foco no uso internacional faz diferença. Existe uma tendência de comoditização com a entrada de novos players, mas a nossa estratégia é focar em profundidade no produto internacional. A satisfação do cliente no uso lá fora, seja em pagamentos ou investimentos, é o principal diferencial que buscamos construir.”

 

 https://istoedinheiro.com.br/nomad-home-office

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