quarta-feira, 29 de abril de 2026

PO da Compass irá quebrar seca de quase 5 anos na B3; veja cronograma e detalhes da oferta

 

Na segunda-feira, 11 de maio, a bolsa de valores deverá ter o início das negociações das ações da empresa de gás e energia Compass, controlada pelo grupo Cosan, então encerrando um jejum de quase cinco anos completos de ofertas públicas iniciais (IPOs) na bolsa de valores brasileira.

A oferta será 100% secundária – ou seja, não serão emitidas novas ações da Compass, mas os atuais acionistas irão se desfazer das suas participações societárias na companhia.

IPO da Compass prevê uma saída parcial da Cosan, holding de Rubens Ometto que detém atuais 88% do capital da companhia. Enquanto a Cosan poderá vender até 15% do capital na oferta, os demais minoritários poderão se desfazer de até 5,4% do total de ações.

Os acionistas, além da companhia de Ometto, incluem a gestora Atmos e uma unidade do Bradesco.

A faixa de preço foi definida entre R$ 28 e R$ 35 por ação. Se a oferta for precificada no topo desse intervalo, a Compass chega ao mercado com valor de mercado próximo a R$ 25 bilhões.

Não é a primeira vez que a companhia tenta o IPO, dado que em meados de 2020, a oferta chegou a ser estruturada, mas foi cancelada com a deterioração do mercado durante a pandemia.

A tentativa de listagem acontece em um contexto de reestruturação financeira do grupo controlador. A Cosan tem buscado vender ativos e reduzir a alavancagem após uma série de investimentos que não geraram o retorno esperado, pressionados também pelo ciclo de juros altos no Brasil.

No ano passado, o grupo fechou acordo para captar até R$ 10 bilhões com investidores como o BTG Pactual Holding. A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell no setor de açúcar e etanol, está em processo de recuperação extrajudicial.

O BTG Pactual lidera a operação como coordenador global do IPO da Compass. Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP Investimentos, BNP Paribas e UBS BB atuam como coordenadores.

A oferta está registrada sob o regime automático da CVM, com revisão prévia da ANBIMA, e inclui esforços de colocação internacional nos termos da Regra 144A e do Regulation S.

Cronograma do IPO da Compass

  • Lançamento da oferta: 27 de abril de 2026
  • Precificação: 7 de maio de 2026
  • Início das negociações na B3: 11 de maio de 2026

Fim do jejum de IPOs

Se a operação se concretizar, vai encerrar um período de quase cinco anos sem estreias na bolsa brasileira. O último ciclo de IPOs na B3 foi em 2021, quando mais de 40 empresas abriram capital – incluindo a própria Raízen, outra empresa do grupo Cosan.

Desde então, companhias brasileiras que queriam acessar o mercado mostraram tendência a listar ações nos Estados Unidos, ou realizar dupla listagem.

Os últimos IPOs da B3, de 2021, contemplam empresas como Intelbras, Smart Fit, Méliuz, Enjoei.

O último IPO da bolsa de valores, de fato, foi a Vittia, que abriu capital em setembro de 2021.

Como a empresa está financeiramente

Os números do primeiro trimestre de 2026, ainda preliminares e não auditados, apontam lucro líquido entre R$ 328,5 milhões e R$ 401,5 milhões, abaixo dos R$ 420,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.

A queda é atribuída, em parte, a despesas financeiras e de depreciação mais elevadas.

Nos últimos anos a empresa anotou EBITDA estável em torno de R$ 5 bilhões e forte distribuição de capital aos acionistas, com R$ 5,5 bilhões em dividendos pagos de 2023 até então.

Vale notar que a queda no lucro líquido de 2025 em relação a 2024 acompanha o aumento da alavancagem, dado que a dívida quase dobrou no período, o que pressiona as despesas financeiras.

Coompass IPO

O que faz a Compass

A Compass é a maior distribuidora de gás natural do Brasil. A companhia tem participação em sete distribuidoras, com destaque para a Comgás, que atende 96 cidades no estado de São Paulo e tem 2,8 milhões de clientes conectados.

Além da distribuição, a empresa atua na comercialização de gás por meio da EDGE – plataforma que opera um terminal de regaseificação em São Paulo (TRSP), distribui GNL para clientes industriais e opera a maior usina de biometano do país, com capacidade de 225 mil m³ por dia.

Na prática, a empresa funciona como o braço estratégico da Cosan para capturar o crescimento do consumo de gás no Brasil, especialmente com a gradual liberalização do setor, que veio na esteira de mudanças regulatórias como a Nova Lei do Gás e o Programa Gás do Gás para Crescer.

Nos últimos anos, a Compass também avançou na consolidação do setor ao adquirir participações em outras distribuidoras estaduais, como a Sulgás, e buscar ativos em diferentes regiões do país.

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