
Dario Durigan, durante entrevista coletiva para detalhar as medidas compensatórias da desoneração da folha de pagamento. Brasília (DF), 04/06/2024 - (Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O governo federal confirmou nesta quinta-feira, 19, a indicação do advogado Dario Durigan como substituto de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Anteriormente secretário executivo no Ministério e segundo no comando da pasta, ele já era ventilado no meio político como sucessor mais provável, especialmente após Haddad confirmar que havia sugerido seu nome.
Como uma espécie de teste público, Durigan foi escolhido para apresentar na véspera uma proposta do governo federal para que os estados zerem temporariamente a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ) sobre importação do diesel. Ainda como secretário executivo, ele anunciou o plano e respondeu às perguntas da imprensa. A IstoÉ Dinheiro publicou um trecho da apresentação:
A confirmação do nome de Durigan ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa em São Paulo, evento promovido pelo governo federal com objetivo de aproximar os ministérios da sociedade. “O companheiro Durigan será o substituto do Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Olhem bem para a cara dele, porque é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse o presidente Lula durante o evento.
Homem de confiança de Haddad com perfil negociador
Dario Durigan trabalhou com Haddad quando o petista foi prefeito de São Paulo. Naquela ocasião, atuou como Conselheiro de Administração da empresa pública SPUrbanismo e no assessoramento direto do prefeito, coordenando as secretarias e auxiliando na interlocução com a Câmara Municipal.
Assumiu o cargo de secretário executivo da Pasta em 2023, substituindo Gabriel Galípolo no cargo. Desde então, manteve uma atuação discreta, com poucas falas públicas. Em suas declarações, manteve um discurso alinhado com Haddad, de defesa de ajustes fiscais através de expansão de receitas. “A gente faz esse ajuste fiscal diferente do que fez a Argentina, por exemplo, botando mais da metade da população na pobreza”, disse em junho do ano passado.
Especialistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro apontam que Durigan não tem uma agenda política própria. Espera-se que ele dê continuidade ao trabalho como já ocorre no Ministério. “O desempenho à frente do ministério dependerá de sua capacidade de manter o diálogo com o Congresso, com o mercado e com outras áreas do governo”, afirma o economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação.
Durigan também passou por cargos públicos em dois momentos na Advocacia-Geral da União. Primeiro, no Departamento de Gestão Estratégica entre 2010 e 2011. Depois, como consultor jurídico da União entre 2017 e 2019, período no qual foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da AGU.
No setor privado, foi diretor de políticas públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023. Também atuou como presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil. Atualmente, é ainda membro Conselheiro do Conselho Fiscal da Vale.
Em relação a sua formação, Durigan é advogado graduado na Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), com uma dissertação sobre “Desobediência Democrática no Brasil”. Ter profissionais de fora da economia no comando da Fazenda não é inédito. O exemplo mais notório da Nova República é o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que liderou a pasta sob Itamar Franco e coordenou a implementação do Plano Real.
Os desafios de Dario Durigan
Ao assumir o cargo, o novo ministro herdará desafios já enfrentados por Haddad para manter uma ampla gama de auxílios e incentivos em meio a uma forte crise fiscal. A dívida pública sobre o PIB chegou a 78,7% em janeiro. Com a instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio, a complexidade de gerir as contas públicas aumenta ainda mais.
“Ele vai continuar com os mesmos desafios que o ministro [Fernando Haddad] já enfrentava esse ano. Pressão por aumento de gastos, um arcabouço fiscal que não consegue entregar suas metas, pressão do mercado a respeito de um horizonte de longo prazo”, afirma o diretor nacional do Ibmec, Reginaldo Nogueira.
Mas, no que diz respeito a indicação em si, trata-se de uma medida já esperada pelo mercado financeiro.
Estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz afirma que “antes de entrar no governo, o que Durigan escreveu e falou é muito mais tranquilo para o mercado financeiro do ponto de vista da ortodoxia econômica. O próprio Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tinha escrito alguns artigos com o ministro Haddad bem mais heterodoxos, e hoje ele é unanimidade”.
https://istoedinheiro.com.br/quem-e-dario-durigan-fazenda-19326
Nenhum comentário:
Postar um comentário