sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Japão gasta US$ 96 bi em intervenção recorde para fortalecer o iene

 

Ação coordenada entre Tóquio e Washington injetou 15,4 trilhões de ienes no mercado cambial em menos de um mês. Movimento inédito sinaliza limite de tolerância com a divisa e alerta especuladores globais.

O governo japonês acaba de realizar a mais agressiva ofensiva cambial de sua história recente, gastando o valor recorde de US$ 96,4 bilhões (cerca de 15,4 trilhões de ienes) em menos de um mês para impedir o colapso da sua moeda. Segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério das Finanças, o volume sem precedentes injetado no mercado buscou estancar a desvalorização do iene, que recentemente tocou seu patamar mais crítico em 40 anos frente ao dólar. A operação de “salvamento” ganhou um peso estrutural ainda maior por contar com o inédito apoio financeiro e estratégico dos Estados Unidos, mudando completamente a dinâmica de risco para quem aposta contra a divisa asiática.

A pressão brutal sobre a moeda do Japão vinha escalando nas últimas semanas, com a cotação flertando perigosamente com a marca de 160 ienes por dólar. Essa deterioração acionou um alerta vermelho nas finanças de Tóquio, forçando as autoridades a agirem com força máxima e realizarem compras coordenadas para varrer os fundos vendidos (que apostam na queda da moeda) do mercado.

O peso dessa intervenção reside no rompimento da prática tradicional do governo japonês, que costumava atuar sozinho e apenas após as decisões formais do banco central. Em uma articulação rara, a aliança com o Tesouro norte-americano funcionou como um recado direto aos grandes especuladores: a tolerância do eixo Washington-Tóquio à fraqueza cambial estrutural chegou ao limite.

Os efeitos práticos das intervenções bilionárias já são sentidos nas principais mesas de operação globais. Antes do início da primeira leva de ações orquestradas, no fim de julho, o iene estava espremido perto de 164 por dólar. Após as rodadas de compra de agosto, a moeda conseguiu fôlego sustentado, sendo negociada na casa de 159,68 por dólar no encerramento desta semana asiática.

O alinhamento com os Estados Unidos provou ser o verdadeiro divisor de águas. O atual secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, operou ativamente nos bastidores e validou as compras reais, endossando publicamente a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama. Trata-se de um nível de coordenação bilateral que o mercado não testemunhava desde a crise asiática de 1998.

Para garantir a eficácia da defesa cambial nos próximos meses, as autoridades se apoiaram nos seguintes pilares táticos:

  • Efeito surpresa no calendário: Entradas agressivas de liquidez em datas atípicas — inclusive na véspera de reuniões do banco central —, maximizando o prejuízo das posições especulativas de curto prazo.

  • Uso de linhas do Fed: Abertura para a utilização da chamada FIMA Repo Facility, mecanismo do Federal Reserve que garante munição bilionária em dólares ao Japão sem que o país precise liquidar sua carteira de Treasuries americanos.

  • Volume ilimitado: A entrada dos EUA na operação transmitiu a mensagem ao mercado de que não há um teto financeiro rígido para a atuação estatal conjunta.

A magnitude das operações de agosto aumenta a urgência por soluções macroeconômicas duradouras. Apenas neste ano de 2026, o governo japonês já torrou 27 trilhões de ienes no controle da moeda. A avaliação unânime entre os gestores é que, embora eficaz para estabelecer um piso imediato, o esforço bilionário não sobrevive no longo prazo sem suporte sólido da política monetária.

As atenções dos investidores estão agora voltadas para o Banco do Japão (BoJ) em setembro. O mercado projeta um novo aperto nos juros pelo banco central japonês, passo fundamental para reduzir o abismo de rentabilidade que continua drenando o capital asiático em direção a títulos ocidentais de maior retorno. Uma postura mais agressiva do BoJ pode ser a última peça para inverter a tendência estrutural de dólar forte na região.

Em contrapartida, a velocidade da estabilização dependerá diretamente do Federal Reserve. Operadores seguem decifrando os recentes recados deixados no simpósio de Jackson Hole — como o balizamento de Kevin Warsh —, à espera de cortes nos juros americanos. A grande lição deixada pelas intervenções deste mês é que a barreira de proteção do iene agora é global, cobrando um preço altíssimo de quem tentar desafiar a liquidez somada das duas maiores economias do mundo livre.


https://istoedinheiro.com.br/intervencao-iene-japao-eua-salvam-divisa

Dólar sobe a R$ 5,19 e Ibovespa recua à espera de Kevin Warsh no Fed

 

Aversão ao risco prevalece na B3 com os holofotes em Jackson Hole. Câmbio sofre forte pressão com o salto nos rendimentos dos Treasuries e a saída de capital estrangeiro do Brasil.

O mercado financeiro opera em clima de franca cautela nesta sexta-feira (28). O dólar comercial avança em ritmo acelerado, negociado na casa dos R$ 5,195 na venda, refletindo o reposicionamento defensivo dos portfólios antes do aguardado discurso de Kevin Warsh, atual presidente do Federal Reserve (Fed), no simpósio de Jackson Hole. No cenário doméstico, o Ibovespa sucumbe à aversão ao risco e recua para a faixa dos 175 mil pontos, pressionado pela persistente fuga de capital estrangeiro ao longo do mês de agosto.

A escalada do câmbio interrompe a breve estabilidade observada nos pregões anteriores. Segundo especialistas, a saída contínua de recursos externos do Brasil e a disparada nos rendimentos (yields) dos títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano sufocam os emergentes e sustentam o tom negativo que dita o ritmo da B3 hoje.

Enquanto a política monetária dita as regras globais, o cenário macroeconômico doméstico entregou um pequeno respiro inflacionário, embora insuficiente para virar a maré do mercado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que os preços ao produtor caíram 0,83% em julho.

Com essa deflação na ponta inicial, o indicador de preços industriais acumula uma alta moderada de 1,94% em 12 meses, sinalizando uma clara descompressão nos custos de fábrica.

No entanto, o prêmio de risco segue no radar do investidor institucional. Mesmo com a inflação dando trégua e a Selic ainda no elevado patamar de 14% ao ano, a atratividade sistêmica da renda fixa brasileira esbarra nos altos juros exigidos pelos títulos americanos, esvaziando a liquidez dos ativos de risco locais.

No âmbito corporativo, as petroleiras funcionam como o principal amortecedor da sessão. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) registravam alta de 0,6%, negociadas a R$ 42,96. A estatal se beneficia diretamente da recente decisão judicial que suspendeu o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, além do sucesso ao arrematar novos lotes no campo de Atapu durante o último leilão da União.

Na ponta oposta, a Braskem (BRKM3) lidera o estresse na Bolsa de Valores. Após formalizar um agressivo pedido de recuperação extrajudicial para tentar reestruturar seu passivo trilionário, os papéis da petroquímica derretiam 3,9%, cotados a parcos R$ 3,72. O mercado agora avalia se o prazo de 120 dias de blindagem contra execuções será suficiente para consolidar a repactuação com os credores.

Para o fechamento da semana, a dinâmica dos ativos dependerá visceralmente das sinalizações em Jackson Hole. Caso Kevin Warsh confirme uma postura rígida (hawkish) prolongada para os juros nos EUA, a expectativa institucional é de que o fluxo de dólares para o Tesouro americano aumente, mantendo o câmbio pressionado acima da barreira dos R$ 5,18 no Brasil e testando níveis ainda mais profundos de suporte para o Ibovespa.

Kevin Warsh alerta para inflação persistente e reforça meta do Fed

 

O presidente do banco central americano sinaliza que a desaceleração dos preços perdeu força e defende a manutenção do aperto monetário perante incertezas globais.

(O cenário) O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, alertou nesta sexta-feira (28) que a inflação nos Estados Unidos continua resiliente e longe de dar sinais claros de convergência sustentável. O sinal amarelo aceso pela maior autoridade monetária do planeta reafirma o compromisso incondicional do Fed com a busca pela meta de 2%, descartando cortes prematuros no custo do dinheiro e provocando ajustes imediatos nas carteiras globais.

As declarações explícitas de Warsh foram acompanhadas com atenção pelas principais mesas de operação ao redor do globo. Em seu discurso sobre política monetária global, o executivo destacou que os dados recentes de núcleos de preços ainda apontam para pressões estruturais em serviços e salários.

Warsh reforçou que a autoridade monetária não hesitará em manter as taxas de juros em patamares restritivos pelo tempo que for necessário. A avaliação interna do comitê é que interromper o ciclo de aperto ou iniciar afrouxamentos precoces antes de assegurar a meta de 2% representaria um risco substancial à credibilidade da instituição.

  • Meta de inflação: Confirmação do objetivo perseguido de 2,0% ao ano.

  • Pressão nos Treasuries: Rendimentos dos títulos do Tesouro americano sustentam altas acentuadas na curva longa.

  • Revoluções de câmbio: Fortalecimento do dólar (DXY) frente às moedas de países emergentes.

O posicionamento contundente refletiu-se imediatamente na precificação das curvas de juros globais. Os rendimentos dos papéis de dez anos do Tesouro dos EUA ultrapassaram níveis críticos no pregão de hoje, puxando fluxos de capital de volta para a renda fixa americana e elevando a volatilidade nos mercados acionários.

O tom rígido do Fed impõe ventos contrários adicionais para economias em desenvolvimento como a brasileira. A manutenção de juros elevados nas economias desenvolvidas drena a liquidez dos ativos de risco e mantém a pressão compradora sobre o dólar na B3, complicando o trabalho de condução da política monetária pelo Banco Central do Brasil.

Apesar do diferencial de juros no Brasil ainda se manter atrativo, com a taxa Selic mantida em patamares elevados para reter capital estrangeiro, a aversão ao risco global limita o apetite por bolsa de valores local. Analistas apontam que o Ibovespa deve continuar operando em tom defensivo enquanto não houver clareza sobre o topo definitivo dos juros nos Estados Unidos.

O mercado financeiro agora volta seus holofotes para a divulgação dos próximos indicadores de emprego e consumo nos Estados Unidos. O comportamento desses dados nos próximos meses determinará se o Fed precisará intensificar a postura verbal restritiva ou se a atividade econômica finalmente dará espaço para uma estabilização das condições financeiras globais.

 

Proteína impulsiona consumo e inovação na indústria alimentícia

 


Imagem destaque: Proteína impulsiona consumo e inovação na indústria alimentícia
Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi (Créditos: Divulgação)



 Produtos com apelo de saudabilidade e enriquecidos com proteína têm uma performance 50% superior a outras bebidas e alimentos no Brasil, segundo dados da NielsenIQ. Para Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi, o cenário representa uma oportunidade para a indústria agregar valor à chamada Cesta Abimapi, que inclui biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados. “Em todas as categorias temos opções enriquecidas com proteínas, fibras e outros nutrientes importantes na dieta, também atendendo a uma demanda por saudabilidade. No caso de pães, especialmente em opções de pães de forma enriquecidos com proteína; na categoria de biscoitos, há opções de monoporções, que oferecem a praticidade procurada pelo consumidor, com adição de proteína, fibras e outros nutrientes”, ressalta o dirigente, com exclusividade ao Jornal Giro News. Já entre as massas, destacam-se a proteína de ervilha e a sêmola de trigo durum, que elevam o teor proteico dos produtos.

Saudabilidade em foco

  O consumo da categoria é puxado não apenas pelo comportamento no Brasil, mas por uma tendência global. “De acordo com a pesquisa global de Saúde e Bem-estar realizada pela NielsenIQ, em 2025, a tendência global ‘número 1’ identificada foi nutrição e saúde intestinal”, explica Zanão. Ele acrescenta que 74% dos latino-americanos consideram que a alimentação saudável se tornou mais importante nos últimos cinco anos, contra 58% a nível mundial. Isso reflete na busca por saciedade prolongada, gerenciamento de peso, envelhecimento saudável e a conveniência do snacking, ou seja, a substituição de refeições por lanches nutritivos e rápidos. O público jovem e o grupo 50+ estão entre os principais consumidores. “Os Millennials e a Geração Z são muito focados em fitness e estilo de vida ativo. Ao mesmo tempo, o público 50+ também consome produtos enriquecidos, seja por recomendações médicas, como pela busca por qualidade de vida ao envelhecer”, observa.

Equilíbrio de nutrientes

  Sonia Romani, diretora técnica da Abimapi, alerta que o consumidor brasileiro está mais consciente, mas ainda há simplificações generalistas em relação aos produtos. “Muitos consumidores adotam a mentalidade de que proteína é sempre bom e emagrece e que carboidrato é o inimigo da balança, sem entender a necessidade de equilíbrio entre os nutrientes. A ciência da nutrição documenta que o corpo humano consegue utilizar eficientemente apenas entre 20g e 40g de proteína de alto valor biológico por refeição para a construção e reparação muscular.” Além disso, também há desafios de formulações para a indústria. “Colocar muita proteína em um pão pode deixar o produto seco, duro, com textura de areia e um forte sabor residual amargo. Os cientistas de alimentos utilizam tecnologias para resolver isso e entregar saudabilidade com sabor”, analisa Sonia.

Tendências de consumo

  Dados da NielsenIQ apontam, ainda, que 35% dos brasileiros planejam comprar mais proteína animal e 52% dos consumidores pretendem aumentar as compras de proteína vegetal. Assim, segundo Claudio Zanão, o futuro aponta para o avanço das proteínas vegetais e o uso de tecnologia para suprir as necessidades dos mais diversos perfis brasileiros. “Acreditamos que haverá avanço dos produtos com apelo proteico, seja pela busca por saudabilidade como pelo avanço do uso do GLP-1, que continuarão ditando a preferência por produtos ricos em proteína e em porções menores. Outro pilar fundamental será o uso da tecnologia e engenharia de alimentos para garantir que a indústria continue inovando, oferecendo opções nutritivas, sem deixar de levar à prateleira produtos indulgentes”, conclui o presidente da Abimapi.


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Sonia Romani, diretora técnica da Abimapi (Crédito: Divulgação)
 
 
 
 https://gironews.com/industria/proteina/proteina-impulsiona-consumo-e-inovacao-na-industria-alimenticia/

Proteínas além do whey ampliam oportunidades para a indústria de alimentos

 


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Créditos: Reprodução/Fralía Cacau do Brasil



 Os consumidores buscam, cada vez mais, produtos que aliam valor nutricional, sabor e conveniência, viabilizando novas formulações em categorias como iogurtes, sobremesas, panificados e snacks. O interesse por alimentos com maior teor de proteínas deixou de estar concentrado na nutrição esportiva e passou a influenciar diferentes categorias de consumo cotidiano. Em resposta a essa mudança de comportamento, fabricantes investem em novas formulações capazes de agregar valor nutricional sem comprometer atributos como sabor, textura, experiência sensorial e custo - movimento que tem impulsionado a inovação na indústria.

Consumidores buscam experiências completas

 Segundo o relatório Flavor and Color Outlook 2026, da ADM, consumidores ao redor do mundo buscam alimentos que contribuam para o bem-estar cotidiano. O estudo mostra que o bem-estar deixou de ser uma tendência restrita a nichos específicos e passou a orientar o desenvolvimento de novos alimentos e bebidas. Esse movimento também impulsiona o mercado de proteínas. Segundo a Innova Market Insights, quase 60% dos consumidores globais afirmam estar incorporando mais proteínas à alimentação, enquanto 80% dizem prestar atenção à ingestão desse nutriente no dia a dia. "A inovação em proteínas passa por encontrar o equilíbrio entre qualidade nutricional, desempenho tecnológico e viabilidade econômica. Desenvolver ingredientes e formulações que permitam otimizar processos e custos é um passo importante para ampliar o acesso dos consumidores a produtos proteinados em diferentes categorias", afirma Pedro Tatoni, gerente de marketing de Nutrição Humana da ADM para a América Latina.

Indústria investe em novas formulações

 Para a indústria, o desafio vai além da adição de proteínas às formulações. O desenvolvimento desses produtos exige soluções capazes de preservar estabilidade, sabor, processabilidade e vida útil, fatores determinantes para o desempenho industrial e para a aceitação do consumidor. "A inovação em alimentos acontece na convergência entre ciência, conhecimento em aplicações e entendimento das tendências de consumo. Observamos um mercado em que a busca por proteínas se expande para diferentes categorias de alimentos e ocasiões de consumo, impulsionando o desenvolvimento de soluções que conciliem valor nutricional, desempenho tecnológico e experiência sensorial", conclui Tatoni.



https://gironews.com/negocios/proteinas-alem-do-whey-ampliam-oportunidades-para-a-industria-de-alimentos/

Ministério Público contesta plano de recuperação do Pão de Açúcar

 


Imagem destaque: Ministério Público contesta plano de recuperação do Pão de Açúcar
Imagem ilustrativa. Créditos: Reprodução/Economic News Brasil


 O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) se declarou contrário ao plano de recuperação extrajudicial do GPA por entender que a companhia reuniu um grupo de credores muito diverso e que não apresenta a mesma identidade econômica e jurídica. O acordo busca equacionar uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e reúne credores financeiros, debenturistas, titulares de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CCBs (Cédulas de Crédito Bancário), além de bancos, fundos de investimento e credores que aguardam decisões judiciais. Segundo o GPA, 57,4% dos detentores de dívida aceitaram o plano, representando R$ 2,6 bilhões. Nos documentos apresentados à Justiça, 91,6% dos créditos incluídos no processo são decorrentes de instrumentos financeiros, o que, para o MP, pode favorecer a aprovação do plano em detrimento dos credores minoritários.

MP questiona estrutura do plano

 Para o MP-SP, a legislação exige homogeneidade entre os credores para legitimar a votação de uma maioria em processos de recuperação extrajudicial. O promotor Roberto de Campos Andrade também questiona as três opções de pagamento apresentadas pelo GPA, sendo que a mais vantajosa, segundo o MP, foi escolhida por 88,4% dos credores e exige novos aportes de recursos à companhia. O Ministério Público pediu à Justiça a nomeação de um profissional especializado em controvérsias ou de um administrador judicial para analisar a questão antes da aprovação do plano. O GPA, por sua vez, afirma que a medida é desnecessária e que, segundo jurisprudência do STJ, as empresas têm liberdade para reunir créditos de mesma natureza e condições de pagamento semelhantes, desde que seja garantido tratamento homogêneo aos credores. A companhia também afirma que o plano respeita a legislação e foi debatido com os credores com transparência e isonomia. Segundo o grupo, a rejeição do plano poderia agravar a crise financeira e aumentar o risco de uma recuperação judicial. As informações são da Folha de S.Paulo.

 

 https://gironews.com/supermercado/ministerio-publico-contesta-plano-de-recuperacao-do-pao-de-acucar/

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Governo avança com a Nuvem Brasileira e abre mercado para PPPs de tecnologia em 2026

 

Iniciativa capitaneada pelo MGI, ABDI, Serpro e BNDES busca criar infraestrutura de dados sovereign em território nacional e prevê edital de contratação até o fim de 2026.

O que aconteceu

  • Escuta de Mercado Aberta: O governo federal abriu cadastro para empresas participarem da Escuta de Mercado sobre o projeto da “Nuvem Brasileira”.

  • Audiência Pública Confirmada: Encontro virtual entre Serpro, ABDI, MGI, BNDES e players de tecnologia ocorre no dia 3 de setembro de 2026.

  • Modelagem em PPP: O modelo previsto será uma Parceria Público-Privada (PPP) com obrigatoriedade de participação de capital nacional entre os integrantes do consórcio.

  • Prazo do Edital: Após a fase de escuta e recebimento de contribuições, a meta do Executivo é publicar o edital definitivo até o final de 2026.

Em um esforço decisivo para assegurar a soberania digital e reduzir a dependência da infraestrutura tecnológica em relação a provedores internacionais, o governo federal deu início a uma das etapas mais estratégicas do Projeto Nuvem Brasileira. Por meio do Aviso de Consulta Pública nº 1/2026, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em articulação com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serpro e o BNDES, abriu as inscrições para a fase de Escuta de Mercado.

O movimento sinaliza a transição de um debate conceitual para a estruturação prática de um ecossistema nacional de armazenamento e processamento de dados para a Administração Pública. A meta central é construir uma infraestrutura segura, localizada dentro das fronteiras nacionais e submetida à legislação brasileira, mitigando riscos geopolíticos e garantindo autonomia sobre as informações estatais estratégicas.

Soberania de Dados e Parceria Público-Privada

Atualmente, o mercado global de computação em nuvem apresenta altíssima concentração, dominado por poucas companhias estrangeiras. Para o ambiente governamental brasileiro, essa dependência suscita preocupações constantes relativas à segurança cibernética, à privacidade de dados públicos e à exposição a jurisdições externas.

Para equacionar a exigência de inovação com a escala de investimento necessária, a decisão do governo é avançar sob a modelagem de Parceria Público-Privada (PPP). No entanto, regras específicas deverão ser aplicadas: os consórcios participantes deverão contemplar obrigatoriamente exigências de capital nacional. Instituições como a Telebras e a Dataprev também são citadas no plano como atores essenciais no suporte e na integração dessa infraestrutura pública.

O processo de consulta busca identificar a maturidade das ofertas privadas, avaliar modelos contratuais sob a ótica do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação e alinhar o projeto aos objetivos gerais da Nova Indústria Brasil (NIB).

Calendário e Próximos Passos

O roadmap definido pela ABDI e pelo MGI estabeleceu marcos claros para os participantes do setor:

  • Cadastramento e Acesso ao Caderno: As empresas e entidades interessadas têm acesso aos documentos normativos e ao formulário de cadastro diretamente pelo portal da ABDI.

  • Audiência Pública Virtual: Agendada para o dia 3 de setembro de 2026, às 10h, reunindo representantes do governo e lideranças da indústria de tecnologia.

  • Envio de Questionamentos e Contribuições: O prazo de manifestações técnicas serve para subsidiar o estudo de viabilidade e a escolha do modelo licitatório mais adequado.

  • Publicação do Edital: A consolidação do edital licitatório de contratação está projetada para o último trimestre de 2026.

Guia do Investidor e Empresas do Setor

Para companhias de infraestrutura de TI, operadores de data centers, integradores de sistemas e investidores operantes no Brasil, o projeto da Nuvem Brasileira abre uma janela substancial de oportunidades e exigências operacionais:

  1. Adequação Estrutural e Governança: Empresas interessadas em compor os consórcios devem mapear parceiros com capital nacional. A estrutura exigida para o projeto demandará participação local no capital votante ou nas entidades controladoras do consórcio parceiro.

  2. Conformidade em Segurança Cyber e LGPD: As exigências técnicas focarão em padrões rigorosos de criptografia, armazenamento em solo pátrio e auditoria contínua sob o escopo da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e regulamentações do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

  3. Submissão de Propostas e Diálogo Técnico: É imprescindível que os atores do mercado submetam contribuições técnicas detalhadas durante o período de escuta (através do e-mail oficial nuvembrasileira@abdi.com.br). Ajustes na matriz de riscos da PPP e prazos de depreciação de ativos de TI costumam ser decididos nesta fase.

  4. Alocação de Capital para Infraestrutura: Investidores em real estate corporativo e energia para data centers devem monitorar os polos geográficos cotados para abrigar os ativos da infraestrutura soberana, antecipando demandas por capacidade computacional de alta eficiência e fontes de energia renovável.

     

     https://istoedinheiro.com.br/nuvem-brasileira-governo-avanca-dados-soberanos

 

OpenAI oficializa operação comercial no Brasil impulsionada pelo uso recorde do ChatGPT

 

País se consolida como o terceiro maior mercado global da desenvolvedora de inteligência artificial, impulsionado pelo envio diário de 215 milhões de mensagens na plataforma.

O que aconteceu

  • Avanço Comercial: A OpenAI oficializou o lançamento de sua estrutura operacional e comercial focada no Brasil para expandir negócios e parcerias corporativas.

  • Engajamento Recorde: O país alcançou o posto de terceiro maior mercado global do ChatGPT, registrando a marca de 215 milhões de mensagens enviadas por dia.

  • Parcerias Locais: A companhia fechou parcerias com a startup jurídica Enter, além de convênios com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Prodam-SP.

  • Liderança em Multimídia: O Brasil assumiu a liderança global na taxa de geração de imagens no ChatGPT e ficou no top 5 global no uso de recursos de voz.

Escalada do mercado brasileiro atrai ofensiva de negócios da OpenAI

A OpenAI deu mais um passo definitivo em sua estratégia de expansão global ao lançar oficialmente suas operações comerciais no Brasil no dia 27 de agosto de 2026. A decisão de estruturar equipes dedicadas ao mercado nacional reflete o forte crescimento na adoção das tecnologias de inteligência artificial generativa entre consumidores e empresas no país.

Dados revelados pela companhia mostram que o número de usuários brasileiros na plataforma quase dobrou ao longo do último ano. O volume de engajamento atingiu patamares históricos, com 215 milhões de interações diárias enviadas ao ChatGPT por usuários do país. Além disso, o ecossistema brasileiro se destacou ao assumir a liderança mundial na utilização do gerador de imagens da ferramenta e figurar entre os cinco principais países no consumo dos recursos avançados de voz e ditado.

A entrada oficial no segmento empresarial visa atender à demanda crescente de companhias brasileiras por soluções enterprise da API do ChatGPT. Esse apetite do setor produtivo tem acelerado a busca por modelos customizados capazes de otimizar processos de atendimento, automação e análise avançada de dados corporativos.

Ecossistema de parcerias: da aviação de ponta ao setor jurídico e público

Como parte das iniciativas de lançamento da operação local, a OpenAI costurou parcerias estratégicas em diferentes frentes da economia. No ambiente educacional e tecnológico, a empresa anunciou um acordo com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), disponibilizando contas corporativas para estudantes e concedendo créditos focados na utilização de suas ferramentas inteligentes de programação.

No ecossistema corporativo especializado, a desenvolvedora se uniu à startup brasileira Enter para criar um programa direcionado ao mercado jurídico. A iniciativa prevê capacitações práticas e treinamentos estruturados para advogados utilizando os modelos de linguagem do ChatGPT.

No âmbito da gestão pública e infraestrutura digital, a OpenAI assinou um memorando de entendimento com a Prodam (Empresa de Processamento de Dados do Município de São Paulo). O objetivo é viabilizar o uso de soluções de inteligência artificial para modernizar os serviços públicos e aprimorar o atendimento aos cidadãos paulistanos.

Guia do Investidor e Executivo

Com o fortalecimento da atuação da OpenAI e a consolidação das ferramentas de inteligência artificial no ambiente corporativo brasileiro, gestores e investidores do setor de tecnologia devem adotar estratégias claras de implementação e governança.

  • Integração via API e Eficiência Operacional: Empresas que buscam automatizar operações devem avaliar o uso da API da OpenAI para escalar soluções internas de atendimento e análise, reduzindo custos operacionais.

  • Governança de Dados e Conformidade (LGPD): A adoção de ferramentas de IA corporativas exige auditoria rígida sobre o tratamento de dados confidenciais para garantir conformidade com a LGPD e regras da ANPD.

  • Foco em Capacitação Técnica: Empresas do setor de serviços — como escritórios de advocacia, consultorias e empresas de TI — devem investir em programas de capacitação continuada para suas equipes utilizarem as ferramentas com eficiência.

  • Mapeamento de Oportunidades em EdTechs e LegalTechs: Investidores com foco em venture capital e renda variável devem monitorar startups e empresas listadas na B3 que fecham parcerias com grandes players de IA, dada a perspectiva de aumento de produtividade e margens operacionais.

     

     https://istoedinheiro.com.br/openai-brasil-terceiro-maior-mercado-global-ia

Programa Move Brasil Amplia Crédito para Motoristas de App e Táxis de até R$ 200 Mil; veja como aderir

 

Portaria Interministerial Atualiza Regras para Impulsionar Financiamentos e Estimular a Frota Sustentável

O governo federal, por meio de uma ação conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda (MF), expandiu as regras do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos. Publicada na edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de quarta-feira (19/8), a Portaria Interministerial MDIC/MF nº 188/2026 altera a norma anterior (Portaria nº 174/2026) e flexibiliza os critérios de financiamento com juros reduzidos para a categoria.

Com a atualização, o teto do valor da Nota Fiscal para aquisição de veículos novos subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil. A revisão busca aceleração nas concessões de crédito do programa — regulamentado com suporte da Medida Provisória nº 1.359/2026 —, que disponibilizou uma linha total de R$ 30 bilhões para renovação de frota, mas registrava ritmo de contratação aquém do potencial esperado.

Ampliação de Mercado e Variedade de Modelos

A mudança do limite econômico destrava o acesso de condutores a veículos de maior porte e categorias superiores de conforto. Segundo dados de emplacamentos da Fenabrave relativos a 2025, o aumento do teto de R$ 150 mil para R$ 200 mil eleva o alcance da medida de 63% para cerca de 88% de todo o mercado automotivo nacional.

Além da elevação do valor máximo, a norma atualizou os critérios técnicos de elegibilidade. A nova redação abrange explicitamente os veículos híbridos em suas diferentes configurações, permitindo a combinação de propulsão elétrica com motores a combustão alimentados por gasolina, etanol ou tecnologia flex.

Sustentabilidade e Eficiência Energética

A inclusão ampla da tecnologia híbrida alinha a expansão do programa às metas ambientais de descarbonização do transporte individual e urbano. De acordo com os parâmetros do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV 2026), os modelos híbridos registram uma redução média no consumo de energia próxima de 24% em relação aos veículos convencionais equivalentes a combustão pura.

Com as novas regras em vigor desde a sua publicação, motoristas de aplicativos cadastrados e taxistas autônomos pré-aprovados podem contratar o financiamento diretamente junto às instituições financeiras credenciadas para adquirir modelos novos, unindo menor custo operacional, mais opções de categorias corporativas e incentivo à mobilidade sustentável.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Mercado de data centers no Brasil deve dobrar de tamanho até 2030 impulsionado por inteligência artificial

 

Projeções apontam para uma forte expansão da capacidade instalada de infraestrutura digital no país, atraindo bilhões em investimentos privados e pressionando o setor elétrico

O que aconteceu

  • Expansão Acelerada: A capacidade dos data centers no Brasil deve dobrar de tamanho até o final desta década (2030), impulsionada pela demanda crescente por inteligência artificial generativa e computação em nuvem.

  • Hub da América Latina: O país consolida sua posição como o principal polo de infraestrutura digital da região, concentrando mais de 60% da capacidade instalada sul-americana.

  • Gargalo Energético: O crescimento da infraestrutura impõe um desafio de escala para a matriz elétrica, exigindo novas fontes limpas de suprimento contínuo e conexão rápida à rede.

  • Atratividade de Capital: Gigantes globais de tecnologia (hyperscalers) reforçam planos de capex no mercado brasileiro para sustentar a baixa latência de novos modelos de IA.

A corrida global pelo avanço e pela implementação da inteligência artificial encontrou no Brasil um terreno altamente propício para a expansão de sua infraestrutura básica. Uma nova pesquisa de mercado aponta que a capacidade instalada dos data centers em solo brasileiro deverá dobrar até o ano de 2030, impulsionada pelo apetite de grandes corporações e provedores de serviços de nuvem por processamento de dados em alta velocidade.

O avanço das ferramentas de IA generativa e a digitalização profunda dos processos corporativos exigem instalações cada vez mais densas em capacidade de processamento. O Brasil já responde por mais da metade da capacidade total de data centers da América Latina, mantendo posição de liderança regional impulsionada por fatores como escala de mercado consumidor, redes de fibra óptica consolidadas e uma matriz elétrica majoritariamente renovável.

O apetite dos hyperscalers e a demanda por infraestrutura robusta

A expansão do setor é puxada prioritariamente pelos chamados hyperscalers — grandes multinacionais de tecnologia que operam ecossistemas em nuvem de escala massiva. Para sustentar algoritmos complexos e garantir baixa latência aos usuários da América do Sul, a presença física de data centers no país tornou-se estratégica.

O apetite por investimentos se estende também aos operadores independentes de colocation (instalações dedicadas ao aluguel de espaço e energia para servidores corporativos), que têm levantado fundos substanciais de private equity e infraestrutura para financiar novos projetos. O estado de São Paulo continua sendo o principal hub de atração de ativos digitais, embora novas regiões do país venham ganhando relevância devido à oferta de terrenos e pontos de conexão elétrica favoráveis.

Transição energética e os desafios de suprimento elétrico

Apesar das perspectivas promissoras para a atração de capital, o crescimento da indústria esbarra em um gargalo crítico: o suprimento ininterrupto de energia elétrica de fonte limpa. Data centers focados em inteligência artificial demandam uma densidade energética significativamente superior à das instalações tradicionais.

Esse cenário impõe desafios operacionais e regulatórios:

  • Conexão à Rede: O tempo de espera para conseguir acessos e subestações com carga suficiente junto às distribuidoras e transmissoras tem sido um dos principais fatores de atraso no cronograma de novos projetos.

  • Sustentabilidade e PPA: As empresas buscam firmar acordos de compra de energia de longo prazo (Power Purchase Agreements – PPAs) focados em usinas eólicas e solares, exigindo garantias de suprimento contínuo para manter a operação 24 horas por dia.

  • Soluções de Refrigeração: O alto processamento exigido pelos chips de IA eleva a dissipação de calor, demandando tecnologias avançadas de resfriamento e eficiência no uso de água e energia (Power Usage Effectiveness – PUE).

Guia do Investidor

A expansão estrutural dos data centers abre oportunidades de investimento e exige atenção a setores correlatos do mercado financeiro e corporativo:

  • Ações do Setor Elétrico: Empresas geradoras e transmissoras de energia limpa tendem a se beneficiar da assinatura de contratos de longo prazo (PPAs) com empresas de tecnologia, garantindo previsibilidade de receita e fluxo de caixa.

  • Fundos Imobiliários e Infraestrutura: Investidores interessados no ecossistema de tecnologia podem acompanhar Fundos de Investimento em Infraestrutura (FI-Infra) e emissões de debêntures incentivadas voltadas ao financiamento de projetos de telecomunicações e data centers.

  • Cadeia de Suprimentos Tecnológicos: Empresas prestadoras de serviços de engenharia complexa, montagem industrial de infraestrutura crítica, segurança cibernética e soluções de refrigeração industrial ganham relevância com a aceleração dos canteiros de obras do setor.

  • Gestão de Risco Operacional: No valuation de companhias de tecnologia e infraestrutura digital, o investidor deve monitorar os riscos atrelados a atrasos no licenciamento ambiental e ao custo de capital para expansão, em um cenário de juros que exige disciplina financeira na alocação do capex.

 

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OpenAI apresenta chip próprio de IA e desafia a hegemonia de mercado da Nvidia

 

 OpenAI avança na produção de chips próprios de IA, visando reduzir custos e dependência da Nvidia. A estratégia impacta o mercado e redefine a cadeia de suprimentos.

 

Com foco em eficiência energética e redução de custos de inferência, a dona do ChatGPT avança na estratégia de produção de semicondutores sob medida para reduzir a dependência de fornecedores externos.

O que aconteceu

  • Avanço em hardware: A OpenAI anunciou o desenvolvimento de seu primeiro chip próprio de Inteligência Artificial, projetado para superordenar tarefas de inferência com eficiência superior às GPUs tradicionais da Nvidia.

  • Redução de gargalos: A iniciativa visa mitigar a escassez global de unidades de processamento gráfico e amortecer os altos custos operacionais de data centers.

  • Parcerias estratégicas: O projeto envolve alianças com gigantes do setor de semicondutores, incluindo Broadcom e TSMC, para o design de circuitos integrados específicos (ASICs).

  • Impacto em Big Techs: A transição de grandes clientes de IA para chips customizados reacende o debate sobre a sustentabilidade das margens de lucro extremas da Nvidia.

O mercado global de tecnologia e inteligência artificial registrou nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, mais um movimento estrutural de grande porte. A OpenAI anunciou progressos decisivos na criação de seu primeiro chip de silício proprietário voltado ao processamento de modelos de linguagem e tarefas de inferência. A estratégia visa rivalizar diretamente com a eficiência das arquiteturas da Nvidia, atual líder inconteste no fornecimento de infraestrutura computacional para IA.

A busca por hardware customizado responde a uma necessidade premente do setor: a escalada dos custos de energia e de processamento operacional (inferência) à medida que centenas de milhões de usuários interagem diariamente com o ChatGPT e com sistemas integrados corporativos.

O rali pelo silício próprio e a quebra da dependência da Nvidia

Historicamente dependente dos aceleradores gráficos

de alta performance da Nvidia, a OpenAI passou a adotar uma estratégia similar à de outras Big Techs — como Microsoft, Google e Amazon —, desenvolvendo chips conhecidos como ASICs (Circuitos Integrados de Aplicação Específica). Diferente das GPUs genéricas, projetadas para cobrir um amplo espectro de tarefas, os chips sob medida da OpenAI são otimizados exclusivamente para rodar os algoritmos da empresa com menor consumo elétrico e maior densidade de cálculo.

Para viabilizar a produção sem a necessidade de construir fundições do zero — empreendimento que exigiria centenas de bilhões de dólares —, a OpenAI firmou parcerias estratégicas no ecossistema global de semicondutores:

Arrecadação da Receita Federal atinge R$ 289,3 bi em julho, alta de 9%

 

Entrada de receitas administradas é impulsionada pela atividade econômica aquecida, massa salarial em alta e efeitos de medidas tributárias recentes.

O que aconteceu

  • Recorde Histórico: A arrecadação total da Receita Federal atingiu marca inédita para o mês de julho, mantendo a trajetória de crescimento real no acumulado de 2026.

  • Motores do Resultado: O desempenho foi sustentado pela expansão da massa salarial, crescimento das receitas com IRPJ/CSLL e arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

  • Alívio Fiscal: Os números dão fôlego temporário à equipe econômica do Ministério da Fazenda na busca pela meta de resultado primário neutro estabelecida pelo Arcabouço Fiscal.

  • Ponto de Atenção: Analistas do mercado alertam para a dependência de receitas extraordinárias e o ritmo de crescimento de despesas obrigatórias ao longo do segundo semestre.

A Receita Federal divulgou os dados oficiais da arrecadação de impostos e contribuições federais referentes ao mês de julho de 2026. O resultado superou as projeções mais otimistas do mercado financeiro, registrando o maior volume de arrecadação para o mês desde o início da série histórica ajustada pela inflação, impulsionado pela resiliência do mercado de trabalho e pelo desempenho do setor de serviços.

A performance positiva é vista por analistas como um indicativo de que a atividade econômica interna permanece aquecida neste terceiro trimestre de 2026. O avanço das receitas administradas foi decisivo para compensar oscilações pontuais nas receitas não administradas, como a variação nas cotações internacionais de commodities e o pagamento de royalties de petróleo.

Composição das receitas e dinâmica do mercado de trabalho

Entre os principais fatores determinantes para a alta da arrecadação sobressai-se o comportamento do mercado de trabalho formal. Com a taxa de desemprego em patamares baixos e o aumento real da massa de rendimentos, as receitas com a Previdência Social e o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos do trabalho apresentaram expressiva expansão frente ao mesmo período do ano anterior.

Além das rendas do trabalho, a tributação sobre o setor corporativo também contribuiu de forma expressiva:

  • IRPJ e CSLL: As arrecadações do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido refletiram lucros corporativos consolidados expressivos nos balanços do primeiro semestre.

  • Tributação sobre Capital e Rendimentos: Operações financeiras e fundos exclusivos ajustados às novas regras tributárias mantiveram um fluxo constante de arrecadação via IRRF sobre aplicações.

  • PIS/Cofins: O volume de vendas nos setores de comércio e serviços sustentou o recolhimento contínuo destas contribuições incidentes sobre o faturamento.

Desafios fiscais e o olhar do mercado financeiro

Embora o resultado de julho traga alívio à gestão orçamentária, economistas do setor privado recomendam cautela ao projetar o fechamento das contas públicas do ano. A principal preocupação reside no ritmo de expansão das despesas obrigatórias, especialmente com benefícios previdenciários e assistenciais, que continuam crescendo acima da taxa de expansão da economia.

Para manter a sustentabilidade fiscal no restante de 2026, a Fazenda segue dependente de medidas adicionais de recomposição da base tributária e de um rigoroso contingenciamento de gastos discricionários. O mercado financeiro monitora de perto se a receita recorrente será suficiente para garantir o cumprimento das metas fiscais sem a necessidade de alteração nas bandas de variação do arcabouço.

Orientações Práticas

  • Monitoramento das Metas de Inflação e Selic: A arrecadação forte aliada ao consumo aquecido pode prolongar a postura cautelosa do Banco Central na condução da política monetária. Investidores de renda fixa devem manter atenção à curva de juros futuros e aos títulos indexados à inflação (IPCA+).

  • Análise de Lucros Corporativos: Empresas do setor varejista, bancário e de serviços que demonstraram sólida geração de caixa e recolhimento tributário no semestre mantêm-se como boas pagadoras de dividendos. Verifique a sustentabilidade dos lucros operacionais nas divulgações de resultados na B3.

  • Planejamento Tributário para Pessoas Físicas e Jurídicas: Com o cerco fiscal mais rigoroso da Receita Federal e automação dos cruzamentos de dados, é recomendável manter a conformidade fiscal rigorosamente em dia, antecipando o pagamento de tributos e utilizando incentivos legais vigentes para evitar multas.

     

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

STF valida blindagem fiscal e barra devedor contumaz da recuperação judicial

 

Em decisão de forte impacto corporativo, o Supremo Tribunal Federal confirmou a constitucionalidade da norma que impede companhias com histórico de calote sistemático ao Fisco de acessarem a proteção do instituto da recuperação judicial.

O que aconteceu

  • Trava Legal Mantida: O STF declarou constitucional o dispositivo que veda a propositura ou o prosseguimento do processo de recuperação judicial por devedores tributários contumazes.

  • Risco de Falência: Com a validação da norma, a Fazenda Pública ganha respaldo legal para solicitar a convolação da recuperação judicial em falência nos casos enquadrados como descumprimento contumaz.

  • Filtro Rigoroso do Fisco: É enquadrado como devedor contumaz o contribuinte com débito irregular em dívida ativa acima de R$ 15 milhões e equivalente a mais de 100% do seu patrimônio declarado.

  • Alcance Focalizado: De acordo com o voto do relator, ministro Flávio Dino, a restrição atinge uma fatia residual — cerca de 0,081% do total de devedores inscritos no Fisco —, preservando a recuperação para companhias viáveis.

O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou uma mudança de paradigma no ambiente de reestruturação de empresas no Brasil ao validar o dispositivo legal que impede devedores fiscais contumazes de solicitar ou dar continuidade a processos de recuperação judicial. A decisão põe fim a uma disputa iniciada por entidades de classe e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7.943), sob o argumento de que a restrição inviabilizava a preservação da atividade empresarial e a manutenção de empregos.

A tese vencedora, conduzida pelo voto do relator Flávio Dino, estabeleceu que o instituto da recuperação judicial visa socorrer agentes econômicos viáveis atingidos por crises conjunturais, e não servir como estratégia operacional defensiva para negócios que estruturam sua lucratividade com base na inadimplência tributária sistemática. Ao chanceler a restrição, a Corte entendeu que o uso reiterado do calote fiscal como “vantagem competitiva desleal” fere a livre concorrência e desvirtua o propósito de reestruturação do sistema financeiro-corporativo.

Linha de corte do Fisco e o risco de falência

Para que uma empresa seja enquadrada na categoria restritiva de devedor contumaz, a legislação estabelece parâmetros matemáticos claros: a companhia precisa acumular débitos tributários irregulares inscritos na dívida ativa em valor superior a R$ 15 milhões, somado ao fato de que esse passivo deve superar 100% de todo o seu patrimônio líquido declarado.

O impacto prático dessa validação no ambiente de negócios é imediato. Além de travar o pedido inicial ou barrar o andamento de processos em trâmite, a norma dá suporte para que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) solicite em juízo a conversão da recuperação judicial em falência direta. Na avaliação do Supremo, o mecanismo afasta o risco moral (moral hazard) no mercado corporativo, impedindo que empresas utilizem o stay period (período de suspensão de execuções) para continuar sonegando tributos correntes.

Impacto na competitividade e no crédito corporativo

A decisão traz alívio para credores privados, bancos, debenturistas e fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs). No antigo modelo, empresas que acumulavam passivos fiscais colossais arrastavam o processo de recuperação por anos, consumindo ativos que poderiam honrar dívidas com fornecedores e instituições financeiras.

A diferenciação entre o devedor em crise passageira — que busca a negociação e a transação tributária — e o devedor contumaz tende a baratear o custo do crédito corporativo. A previsão de maior rigor e a exclusão dos sonegadores reincidentes aumentam a previsibilidade jurídica do mercado brasileiro de dívida (distressed assets e special situations), aproximando a legislação nacional dos padrões internacionais de insolvência.

Orientações Práticas

  • Para Investidores de Renda Fixa e Ações (B3):

    • Auditoria de Passivo Fiscal: Realize auditoria detalhada no balanço de companhias em reestruturação ou com alta alavancagem. Verifique se o passivo fiscal inscrito na dívida ativa supera a barreira de R$ 15 milhões e se é maior do que o patrimônio líquido da empresa.

    • Monitoramento de Distressed Assets: Caso possua títulos de dívida (debentures ou CRIs) de empresas elegíveis como devedoras contumazes, considere o aumento expressivo no risco de liquidação/falência direta, reavaliando o haircut (desconto) exigido nas negociações.

  • Para Empresas e Gestores Financeiros:

    • Regularização Prévia Obrigatória: Antes de protocolar o pedido de recuperação judicial, a empresa deve saneá-lo mediante adesão a programas de transação tributária, parcelamentos ordinários ou da PGFN, sob pena de indeferimento liminar da petição inicial.

    • Manutenção das Obrigações Correntes: O não recolhimento de tributos correntes durante a tramitação do processo recuperacional pode desencadear o enquadramento de contumácia e motivar pedido de falência por parte da Fazenda Pública.

 

 

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Reforma Tributária: empresas do Simples enfrentam ‘apagão de dados’ a um mês de prazo decisivo

 

O que aconteceu

  • Prazo limite: Empresas optantes pelo Simples Nacional têm até o dia 30 de setembro de 2026 para decidir se irão recolher a nova CBS e o IBS pelo regime regular ou se permanecerão no modelo unificado.

  • Falta de clareza: O Ministério da Fazenda ainda não fixou a alíquota de referência da CBS que vigorará na fase de teste, criando incertezas no planejamento financeiro das companhias.

  • Dilema do crédito: Optar por permanecer no Simples tradicional pode inviabilizar vendas para grandes empresas, já que o modelo reduz a transferência de créditos tributários na cadeia produtiva.

  • Efeito permanente: A escolha feita até o fim de setembro passará a valer para o ano-calendário seguinte, exigindo simulações tributárias imediatas por parte dos gestores.

O ambiente de negócios no Brasil vive semanas de intensa apreensão fiscal. As micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional entram no mês final de contagem regressiva para tomar uma das decisões mais estratégicas desde a promulgação da Reforma Tributária. Até o dia 30 de setembro de 2026, os empreendedores devem manifestar à Receita Federal se preferem recolher a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) fora do Simples — adotando o regime regular não cumulativo — ou se manterão o recolhimento simplificado na Guia Única (DAS).

O grande obstáculo para essa tomada de decisão é a ausência de uma definição conclusiva por parte do governo federal em relação à alíquota exata da CBS aplicável na fase piloto. A falta desse parâmetro força contadores e diretores financeiros a realizarem projeções com base em cenários hipotéticos, elevando o risco de escolhas ineficientes que impactarão a margem de lucro nos próximos exercícios.

O impasse da cadeia de créditos e a competitividade

A decisão ultrapassa a simples comparação de alíquotas Nominais. O ponto central da discussão está na lógica do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual introduzido pela reforma. Caso a empresa opte por manter o recolhimento da CBS e do IBS no formato tradicional do Simples Nacional, ela gerará um crédito tributário restrito ao valor efetivamente pago no DAS para os seus compradores.

Na prática, isso significa que grandes corporações — submetidas obrigatoriamente ao regime regular — preferirão comprar de fornecedores que repassem crédito integral. As pequenas e médias empresas que atuam no segmento B2B (venda de empresa para empresa) correm o risco real de perder contratos relevantes e serem expelidas das cadeias de suprimentos caso não optem por recolher os novos tributos por fora do Simples.

Por outro lado, para negócios que vendem diretamente ao consumidor final (B2C), como o varejo de rua ou serviços domésticos, a transferência de créditos não é um fator decisivo para o cliente. Nesses casos, migrar para o regime regular e pagar a CBS com alíquota cheia pode significar um aumento direto na carga tributária sem qualquer contrapartida competitiva.

Insegurança jurídica e a necessidade de simulação

Consultores tributários alertam que a indefinição governamental cria um cenário de “escolha no escuro”. A regulamentação da alíquota de teste da CBS era aguardada para detalhar exatamente o custo tributário da transição, mas os atrasos técnicos deixaram a decisão sob forte pressão do calendário.

Como a manifestação de opção feita em setembro tem caráter vinculante para o período subsequente da transição, especialistas orientam que as empresas não esperem por anúncios de última hora. A recomendação é segmentar a base de clientes por perfil tributário e calcular a margem de contribuição sob ambos os cenários para evitar surpresas no caixa.

Guia do Empreendedor e Gestor: Orientações Práticas

  • Mapeamento de Clientes (B2B vs. B2C):

    • Foco no perfil comprador: Identifique qual porcentagem do seu faturamento vem de vendas para outras empresas. Se a maioria dos clientes for de grande porte e tributada pelo Lucro Real ou Presumido, a opção por recolher CBS e IBS fora do Simples tende a ser inevitável para preservar vendas.

    • Venda direta ao consumidor: Se o seu público-alvo for o consumidor final pessoa física, a manutenção do recolhimento unificado no Simples Nacional geralmente preserva melhor a margem operacional.

  • Ações imediatas antes de 30 de setembro:

    • Simulação de cenários: Solicite ao departamento contábil um comparativo financeiro considerando três faixas estimadas de alíquota da CBS, mensurando a perda potencial de clientes versus o aumento na carga fiscal direta.

    • Revisão de contratos comerciais: Inicie tratativas com os principais clientes comerciais para verificar se eles exigirão crédito integral de IVA a partir da entrada em vigor do novo modelo.

    • Atenção ao portal da Receita Federal: Certifique-se de que o responsável técnico da empresa possui os acessos atualizados no portal e-CAC para formalizar a opção até a data limite, evitando a perda do prazo legal.

       

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