
Aversão ao risco prevalece na B3 com os holofotes em Jackson Hole. Câmbio sofre forte pressão com o salto nos rendimentos dos Treasuries e a saída de capital estrangeiro do Brasil.
O mercado financeiro opera em clima de franca cautela nesta sexta-feira (28). O dólar comercial avança em ritmo acelerado, negociado na casa dos R$ 5,195 na venda, refletindo o reposicionamento defensivo dos portfólios antes do aguardado discurso de Kevin Warsh, atual presidente do Federal Reserve (Fed), no simpósio de Jackson Hole. No cenário doméstico, o Ibovespa sucumbe à aversão ao risco e recua para a faixa dos 175 mil pontos, pressionado pela persistente fuga de capital estrangeiro ao longo do mês de agosto.
A escalada do câmbio interrompe a breve estabilidade observada nos pregões anteriores. Segundo especialistas, a saída contínua de recursos externos do Brasil e a disparada nos rendimentos (yields) dos títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano sufocam os emergentes e sustentam o tom negativo que dita o ritmo da B3 hoje.
Enquanto a política monetária dita as regras globais, o cenário macroeconômico doméstico entregou um pequeno respiro inflacionário, embora insuficiente para virar a maré do mercado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que os preços ao produtor caíram 0,83% em julho.
Com essa deflação na ponta inicial, o indicador de preços industriais acumula uma alta moderada de 1,94% em 12 meses, sinalizando uma clara descompressão nos custos de fábrica.
No entanto, o prêmio de risco segue no radar do investidor institucional. Mesmo com a inflação dando trégua e a Selic ainda no elevado patamar de 14% ao ano, a atratividade sistêmica da renda fixa brasileira esbarra nos altos juros exigidos pelos títulos americanos, esvaziando a liquidez dos ativos de risco locais.
No âmbito corporativo, as petroleiras funcionam como o principal amortecedor da sessão. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) registravam alta de 0,6%, negociadas a R$ 42,96. A estatal se beneficia diretamente da recente decisão judicial que suspendeu o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, além do sucesso ao arrematar novos lotes no campo de Atapu durante o último leilão da União.
Na ponta oposta, a Braskem (BRKM3) lidera o estresse na Bolsa de Valores. Após formalizar um agressivo pedido de recuperação extrajudicial para tentar reestruturar seu passivo trilionário, os papéis da petroquímica derretiam 3,9%, cotados a parcos R$ 3,72. O mercado agora avalia se o prazo de 120 dias de blindagem contra execuções será suficiente para consolidar a repactuação com os credores.
Para o fechamento da semana, a dinâmica dos ativos dependerá visceralmente das sinalizações em Jackson Hole. Caso Kevin Warsh confirme uma postura rígida (hawkish) prolongada para os juros nos EUA, a expectativa institucional é de que o fluxo de dólares para o Tesouro americano aumente, mantendo o câmbio pressionado acima da barreira dos R$ 5,18 no Brasil e testando níveis ainda mais profundos de suporte para o Ibovespa.
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