terça-feira, 25 de agosto de 2026

Brecha na IA: Marca d’Água do Claude é Burlada Pouco Após o Lançamento

 

Reescritas via Outras IAs e Tradução Estão Entre os Métodos Utilizados para Apagar os Rastros do Claude

A nova marca d’água invisível implementada no Claude mal havia sido detalhada pela Anthropic quando surgiram os primeiros métodos para contorná-la. Desenvolvedores começaram a divulgar rapidamente ferramentas e técnicas capazes de enfraquecer ou neutralizar o sinal. As estratégias envolvem desde a reescrita por outros modelos de inteligência artificial e alterações na estrutura sintática até a substituição de termos e a tradução intermediária para outros idiomas antes do retorno ao texto final.

Entre as soluções de maior repercussão está o projeto Watermarks Remover, desenvolvido por Guillaume Meyer e publicado no GitHub. O recurso emprega outros modelos de linguagem para reformular o texto, substituir palavras e reorganizar a estrutura das frases. Essas alterações modificam o padrão estatístico impresso pelo Claude, o que dificulta a identificação por ferramentas de detecção.

Em declaração à revista WIRED, Meyer afirmou que apoia a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, mas criticou o uso de marcas d’água invisíveis. Na sua avaliação, os sistemas de detecção atuais podem gerar falsos positivos e penalizar usuários que utilizam a tecnologia apenas para revisão ou aprimoramento textual.

Outros especialistas testaram abordagens parecidas. O engenheiro de software Erik Hughes relatou ter desenvolvido em aproximadamente 15 minutos uma aplicação que combina ajustes na estrutura das frases com a manipulação de caracteres. Paralelamente, o pesquisador Leon Chlon demonstrou que a tradução encadeada também enfraquece o sinal, bastando converter o texto para um idioma com estrutura gramatical diferente, como o árabe, e traduzi-lo de volta para a língua de origem.

Como Funciona a Tecnologia do Claude

O mecanismo interfere de maneira discreta na seleção de palavras feita pelo modelo, gerando uma espécie de assinatura estatística que pode ser identificada posteriormente por softwares de verificação. A tecnologia adotada pela Anthropic chama-se SynthID, criada pelo Google DeepMind.

A implementação do recurso atende às diretrizes do AI Act da União Europeia. Desde 2 de agosto de 2026, novas normas internacionais de transparência exigem que determinados conteúdos criados ou alterados por inteligência artificial possam ser rastreados por sistemas automatizados.

Todas as técnicas utilizadas para burlar a proteção exploram a mesma limitação: a marca d’água não atua como um código oculto fixado no arquivo, dependendo estritamente da escolha das palavras feita pelo modelo. Dessa forma, quando outro sistema reescreve a mensagem de maneira profunda, o padrão estatístico perde o seu efeito.

 

https://istoedinheiro.com.br/marca-dagua-claude-burlada-por-novas-tecnicas-ia

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