quinta-feira, 27 de março de 2025

Anvisa fará consulta pública para atualizar regulamentação da cannabis

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fará uma consulta pública com o objetivo de revisar a regulamentação que trata de produtos derivados da cannabis, planta popularmente conhecida como maconha.

A consulta foi aprovada na quinta-feira (26) pela diretoria colegiada da agência. A expectativa é que ela seja publicada nos próximos dias, com um link online por meio do qual será possível, aos interessados, apresentarem suas contribuições.

+STJ nega mais prazo para regulamentar cannabis para fins medicinais

A minuta de resolução ficará aberta por 60 dias e, durante este período, qualquer interessado poderá fazer contribuições à proposta de atualização da regulamentação feita pela Anvisa”, informou em nota a agência.

Entre as atualizações em planejamento estão algumas relacionadas a questões como atendimento às boas práticas de fabricação, vias de administração, publicidade de produtos, validade da autorização sanitária, prescrição, dispensação, importação de insumos para produção nacional, rotulagem, entre outros.

Segundo o relator, Rômison Rodrigues Mota, a regularização é o único caminho possível para a “comprovação da qualidade mínima” necessária aos produtos de cannabis.

“No Brasil, os produtos contendo derivados de cannabis podem ser regularizados em duas categorias distintas: como medicamento, seguindo as normas de comprovação de eficácia e segurança de medicamentos, ou como produto de cannabis, que têm um processo simplificado. Existe hoje, no país, apenas um medicamento de cannabis aprovado e 36 produtos de cannabis regularizados”, diz a nota da Anvisa.

Os produtos derivados da cannabis são regulamentados pela Resolução da Diretoria Colegiada 327/2019 – regramento que define as regras para que esses produtos possam ser autorizados no país e vendidos no varejo farmacêutico.

Foi também aprovado a abertura de um processo regulatório para revisar a Resolução RDC 660/2022, que trata da importação excepcional de produtos de cannabis para uso pessoal.

Ações da Americanas despencam mais de 20% após divulgação de balanço

 

As ações das Americanas operam em baixa de 24% nesta quinta-feira, 27, repercutindo os resultados apresentados pela empresa na noite de quarta-feira, 26, referentes ao quarto trimestre de 2024.

A empresa atravessa um processo de recuperação judicial há pouco mais de dois anos, após ser revelado um rombo de R$ 20 bilhões na contabilidade da empresa, resultando em dívidas de R$ 40 bilhões.

De acordo com o balanço, a companhia teve prejuízo de líquido de R$ 586 milhões, revertendo lucro de R$ 2,56 bilhões apurado no mesmo período de 2023. A empresa não faz parte do Ibovespa.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da Americanas somou R$ 180 milhões no período de outubro a dezembro do ano passado, contra Ebitda negativo de R$ 1,18 bilhão apurado na mesma etapa em 2023.

O faturamento líquido da varejista caiu 4,5% no período em base anual, para R$ 4,3 bilhões.

A empresa encerrou 2024 com um endividamento bruto de R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 1,7 bilhão em debêntures públicas e R$ 66 milhões em empréstimos e financiamentos de curto e longo prazos de empresas não recuperandas pertencentes ao grupo Americanas.

Considerando passivos remanescentes do plano de recuperação judicial da varejista, a Americanas informou que fechou o ano passado com um saldo de caixa líquido de cerca de R$ 450 milhões.

No lado operacional, o volume bruto de mercadorias (GMV) foi de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2024, uma redução de 2,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com impacto da queda de 47% no GMV do segmento digital.

As vendas no conceito mesmas lojas, um importante indicador do varejo, cresceram 15% nos últimos três meses do ano, apoiadas no período promocional da Black Friday e o Natal.

A Americanas disse que, ao longo de 2024, encerrou as operações de 92 unidades que não atendiam aos seus “critérios de viabilidade”, chegando a 1.587 lojas no total, e acrescentou que, em paralelo, iniciou a busca por novos pontos com “maior potencial”.

“Como parte desse movimento estratégico, inauguramos uma nova unidade na cidade de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza”, afirmou a companhia, que tem mirado a abertura de lojas principalmente na região Nordeste do país.

Brasil vai recorrer à OMC contra tarifas de Trump e aplicar reciprocidade, diz Lula

 

O Brasil irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtores brasileiros, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao encerrar sua viagem ao Japão.

Lula foi questionado sobre as tarifas norte-americanas por jornalistas japoneses no momento em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a imposição de uma taxa de 25% para todos os automóveis fabricados fora dos Estados Unidos, incluindo o Japão. Já o Brasil teve as exportações de aço e alumínio taxadas também em 25% desde o dia 12 de março, e a expectativa é que novas medidas possam vir.

“Nós temos duas decisões a tomar: uma é recorrer na Organização Mundial do Comércio (OMC), que nós vamos recorrer. E a outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos. É colocar em prática a lei da reciprocidade”, disse Lula na noite de quarta-feira — manhã de quinta em Tóquio — em entrevista. “Não dá pra gente ficar quieto, achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar os outros produtos.”

A ideia de recorrer à OMC já havia sido admitida pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, que lidera as negociações sobre o aço com os norte-americanos, mas não havia ainda uma decisão tomada. Essa é a primeira vez que Lula confirma a intenção de recorrer.

A apelação a OMC pode ter dois resultados, normalmente: o país alvo da ação revisar suas medidas, ou se as mantiver, a organização autorizar o país que entrou com a ação a retaliar, o que o Brasil já admite fazer.

A intenção, por enquanto, é tentar manter a negociação entre os dois países para tentar retomar a política de cotas de exportação usada até este ano, mas até agora não houve avanços, e a preocupação do governo brasileiro é que outras tarifas possam vir. Há o temor de que, no anúncio de novas tarifas previsto para o próximo dia 2, mais produtos entrem nessa lista, ou que todas as exportações brasileiras passem a ser taxadas, o que já foi aventado pela Casa Branca.

Na entrevista, Lula criticou as medidas norte-americanas, apontou que podem provocar inflação no mercado dos Estados Unidos e que prejudicam o comércio mundial.

“Eu acho que o presidente Trump, como o presidente dos Estados Unidos, tem o direito de tomar decisões. O que ele precisa é medir as consequências dessas decisões. Qual será o efeito dessa decisão? Eu, sinceramente, acho que vai ser prejudicial aos Estados Unidos. Isso vai elevar o preço das coisas e pode levar a uma inflação que ele ainda não está percebendo”, disse.

Durante a viagem ao Japão, Lula focou na abertura de novos mercados, com diálogo para retomar as negociações de uma acordo de comércio entre o país e o Mercosul, e também na defesa do multilateralismo e do livre comércio — ambos tema de uma declaração conjunta dos dois países. Destacou, inclusive, que esse será o tema central da reunião do Brics que o Brasil sedia em julho.

Na entrevista, ressaltou os problemas que vê no protecionismo atual.

“Eu acho muito ruim essa taxação, porque ao invés de a gente facilitar o comércio no mundo, a gente está dificultando o comércio no mundo. E esse protecionismo não ajuda nenhum país do mundo. Não ajuda. Vamos ver as consequências disso”, afirmou.

Paraná anuncia implantação do primeiro hub de GovTechs

 


A APTSJC foi homologada para estruturar, gerir e operar o ambiente que será instalado em Curitiba 
 
 
Hub terá objetivo aproximar o setor público de soluções inovadoras desenvolvidas por startups e empresas de tecnologia

 

O governo paranaense, por meio da Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI). anunciou nesta quarta-feira (26), durante o Smart City Curitiba, a criação do primeiro hub de GovTechs estadual. A Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos (APTSJC) foi homologada em chamada pública para estruturar, gerir e operar o ambiente, que será instalado no Canal da Música, em Curitiba. O investimento previsto é de R$ 15 milhões ao longo de três anos e a expectativa é de que o hub comece a operar a partir de abril. O secretário da Inovação, Alex Canziani, explica que espaço terá como objetivo aproximar o setor público de soluções inovadoras desenvolvidas por startups e empresas de tecnologia voltadas à modernização da gestão governamental.

"Estudos indicam que o setor de Govtechs vai representar investimentos acima de US$ 1 trilhão nos próximos anos. O crescimento de startups que trabalham nessa área cresceu em 2024 em 480%. Com o hub, vamos poder identificar problemas na administração pública e encontrar startups que ofereçam a solução. Isso significa melhoria em atendimentos ao cidadão em todas as áreas", afirmou. O conceito de GovTechs abrange negócios que criam soluções específicas para órgãos públicos, atuando em áreas como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana e transparência. Essas tecnologias incluem, por exemplo, sistemas de inteligência artificial para otimizar serviços, plataformas para desburocratização de processos e ferramentas que melhoram a comunicação entre governo e população.

O termo de colaboração firmado prevê repasses anuais de até R$ 5 milhões, contemplando estruturação física, manutenção e operação do hub, além do financiamento de programas de aceleração e capacitação para startups. Dois terços dos recursos serão destinados à estruturação e custeio, enquanto o restante será aplicado em iniciativas voltadas ao fomento do empreendedorismo e à inovação, por meio de editais específicos. A APTSJC, responsável pela implementação do projeto, atua há 18 anos na gestão do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (SP), um dos principais ambientes de inovação do país. O espaço abriga cerca de 200 instituições, entre startups, universidades, centros de pesquisa e empresas, e já desenvolveu iniciativas voltadas à inovação aberta e à aceleração de negócios de base tecnológica.

O presidente do APTSJC, Jeferson Cheriegate, explicou que o hub vai criar um ambiente tecnológico para as startups. "Conseguimos converter sonhos de empreendedores em negócios viáveis. No caso do Paraná, vamos focar no desenvolvimento de soluções estaduais para governos e criar mercado para que essas empresas possam florescer", disse. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, destacou a importância de um hub para atender prefeituras. A capital paranaense, que sedia nesta o evento Smart City, já venceu dois títulos de mais inteligente do mundo. "O hub de GovTechs é importante para o cidadão porque é neste espaço que serão criadas soluções que melhorem a vida das pessoas. E Curitiba é uma cidade que trabalha para se modernizar e que vai utilizar as soluções que serão implementadas", afirmou.

Modelos semelhantes já são utilizados em alguns lugares do mundo para integrar startups ao setor público, como no Reino Unido, Portugal e Estônia, países reconhecidos pela política de transformação digital em seus governos. "O Parque Tecnológico de São José dos Campos possui uma frente em GovTechs consolidada, e apresentou durante a chamada pública um plano de trabalho capaz de auxiliar o Paraná a ser destaque no apoio aos municípios com soluções inovadoras", afirmou o diretor de relações institucionais da Secretaria de Inovação, Diego Nogueira. Além disso, o Paraná conta com outras iniciativas em andamento como o polo de inovação Fábrica de Ideias, que funcionará como um grande centro de inovação, tecnologia, cultura e lazer no local da antiga fábrica da Ambev, no bairro Rebouças, também na capital paranaense. A construção do polo está em fase de licitação, com investimento previsto de até R$ 311 milhões.

 

 https://amanha.com.br/categoria/gestao/parana-anuncia-implantacao-do-primeiro-hub-de-govtechs

 

 

SHEIN consolida presença no Sul com expansão em SC e no RS

 


Após estreia no Paraná, plataforma de moda quer atrair 1 mil lojistas catarinenses e prepara estrutura para integrar marcas gaúchas ao marketplace 
 
 
Felipe Feistler, country manager da SHEIN no Brasil: "A região Sul tem grande potencial de escalabilidade e infraestrutura para apoiar o crescimento do nosso marketplace"

 

 

Com mais de 50 milhões de clientes no Brasil, a gigante chinesa do varejo online SHEIN deu início a um novo capítulo de sua estratégia de nacionalização: a consolidação de seu marketplace na região Sul. Depois de estrear no Paraná em setembro de 2024, a empresa anunciou Santa Catarina como foco no primeiro trimestre de 2025 e confirmou a chegada ao Rio Grande do Sul ainda neste ano. A escolha por Santa Catarina tem base em números e logística. O estado responde por 26% da produção nacional de vestuário, segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) — e, para uma plataforma reconhecida pela força no segmento de moda, esse dado é decisivo. "As cidades prioritárias são Blumenau, Joinville, Florianópolis, Brusque e Itajaí", afirma Felipe Feistler, country manager da SHEIN no Brasil, em entrevista ao Portal AMANHÃ.

Até agora, cerca de 600 vendedores catarinenses já estão ativos na plataforma, e a meta é alcançar 1 mil até o fim de março. A proposta da empresa é atrair pequenos e médios varejistas locais, conectando-os a uma base de consumidores espalhada por todo o país. A estrutura logística está sendo expandida para sustentar essa nova fase — não apenas em Santa Catarina, mas também nos próximos destinos: Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo e o próprio Rio Grande do Sul. "No início de 2025, anunciamos a expansão para Santa Catarina, e estamos estruturando o nosso ecossistema logístico para atender às regiões em que iremos crescer", explica Feistler. No caso gaúcho, embora as cidades ainda não tenham sido divulgadas, o executivo garante que a expansão está nos planos de 2025 e seguirá o modelo de crescimento em fases, com foco no bom atendimento a clientes e vendedores.

Já no Paraná, a atuação começou pelas cidades de Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel. Desde então, varejistas paranaenses já podem vender pela plataforma, e a SHEIN segue apostando no crescimento regional. Além da produção têxtil, a SHEIN vê na região Sul um conjunto de atributos estratégicos: o segundo maior PIB do Brasil, boa infraestrutura rodoviária e um ecossistema industrial diversificado, o que amplia o potencial de oferta de produtos. "As regiões têm um grande potencial de captação de vendedores e escalabilidade", resume Feistler.

 

 https://amanha.com.br/categoria/empresa/shein-consolida-presenca-no-sul-com-expansao-em-sc-e-rs

Moody’s se aproxima de rebaixamento do rating dos EUA, por risco tarifário e déficit elevado

 

O risco tarifário deixou a Moody’s Investors Service mais perto de cortar sua classificação “AAA” do governo dos EUA esta semana, com a empresa de classificação de crédito emitindo novas previsões sobre déficits mais altos e taxas de juros mais altas, ambos os quais prejudicarão a capacidade do país de pagar suas dívidas.

Qualquer rebaixamento seria uma decisão politicamente carregada que desencadeou uma reação negativa para outras empresas de classificação no passado.

Tanto a S&P quanto a Fitch já rebaixaram os EUA para AA+.

O crescimento lento das tarifas, combinado com maiores cortes de impostos, provavelmente aumentará o déficit em cerca de um terço na próxima década para 8,5% do PIB, disse a Moody’s.

A empresa mudou sua perspectiva sobre os EUA para negativa em 2023, mas evitou um rebaixamento, citando a força única do dólar americano e do mercado do Tesouro.

Essa mudança de previsão indica que a posição está se deteriorando.

“Vemos perspectivas diminuídas de que esses pontos fortes continuarão a compensar os déficits fiscais crescentes e a capacidade de pagamento da dívida em declínio”, disse a Moody’s em um anúncio.

 

 Fonte: Dow Jones Newswires.

Incerteza na política econômica e, em especial, na política comercial tem crescido, diz Guillen

 

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, ressaltou nesta quinta-feira, 27, uma preocupação da autoridade monetária, que já vem sendo demonstrada nos documentos oficiais da instituição: o aumento das incertezas. “Torna-se relevante neste momento a discussão da incerteza. Como a gente colocou no comunicado, na ata, a discussão da incerteza de política econômica e, em particular, de política comercial”, enfatizou durante entrevista coletiva para detalhar o Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado no período da manhã.

Guillen apresentou um gráfico que mostra o aumento das incertezas em comparação aos precedentes históricos e também da discussão de política comercial.

“Entra-se na discussão de como é que um choque de incerteza traz a atividade para baixo, ou pode trazer para cima. Então, acho que é um debate importante, que pode levar à mudança de política”, ressaltou o diretor.

Parcimônia

Guillen destacou a cautela da autoridade monetária na leitura dos indicadores que sugerem desaceleração da atividade econômica. “Temos tentado falar sobre parcimônia no acompanhamento dos dados de atividade”, comentou.

Ele ressaltou que o contexto externo tem gerado mais dúvidas sobre a atividade e o ritmo de desinflação nos Estados Unidos, exigindo cautela dos mercados emergentes por incerteza e volatilidade.

As expectativas para a inflação deste ano em economias emergentes, pontuou Guillen, tiveram piora, enquanto as projeções para 2026 variam entre prognósticos no centro e outros no intervalo da meta.

A avaliação é de que, no cenário externo, começa a ser observada alguma inflexão na resiliência da atividade, sendo que nos Estados Unidos o crescimento vem caindo trimestre a trimestre.

Em paralelo, Guillen mencionou o debate sobre como vai se dar rebalanceamento no mercado de trabalho americano entre, se o número de vagas por desempregado vai mudar ou não.

Olhar para vários dados

O diretor de Política Econômica do Banco Central enfatizou que há uma moderação da atividade em linha com as projeções da autoridade monetária, em especial do consumo das famílias e que há um ajuste sazonal no Produto Interno Bruto (PIB), que mostra uma expansão maior do que o ajuste de seus componentes. Para ele, a discussão não deve ser sobre qual ajuste olhar, mas, sim, monitorar os diferentes dados, conforme avaliou.

Guillen ressaltou que os indicadores estão exibindo sinais compatíveis com a moderação do cenário básico do BC. Citou, por exemplo, que os indicadores de confiança, que costumam ser mais subjetivos, têm apresentado uma queda mais acentuada. Ele destacou que não é possível, porém, se ater a um dado específico, mas criar a construção dos cenários.

Ao comentar sobre um dos boxes que acompanham o RPM, o diretor salientou que a cúpula do BC já discute o ritmo do PIB, antes que ele passe a apresentar porcentuais menores. “Dependendo de como se faz o ajuste sazonal – se faz o ajuste sazonal em cima do PIB ou dentro dos componentes do PIB -, a interpretação vai ser diferente, vai ser de um pensamento muito mais forte se você faz o ajuste direto no PIB do que nos componentes”, explicou.

Guillen disse que isso é necessário porque, primeiro: não se sabe qual será o resultado do PIB. E, depois, como vai se dar a sua composição. “Então passa por fazer várias simulações sobre quais são as possíveis composições de demanda e de oferta do PIB.” Ele voltou a dizer, por exemplo, que a instituição tem olhado diferentes metodologias e observado os pós e contras de cada um dos seus ajustes.

Sobre os dados que já saíram, o diretor destacou que houve um esfriamento maior do consumo das famílias e da formação bruta de capital fixo. “No relatório de inflação a gente abre falando sobre os setores mais sensíveis ao ciclo para tentar entender o que está acontecendo com esses setores e fica mais claro que foram esses setores que tiveram uma desaceleração maior no primeiro ano”, explicou ele, se referindo ao RPM, antigo relatório de inflação.

Sobre os países emergentes de forma geral, Guillen destacou que o corte de juros prossegue, mas em menor margem do que o previsto anteriormente. Segundo ele, na maior parte dos países o ciclo corrente está próximo do que se espera para 2025 ou um pouco abaixo. E para 2026, segundo o diretor, prossegue esse processo de normalização da política monetária, indicando a continuidade dos ciclos de corte. “O Brasil está destoando do ciclo”, voltou lembrar.

Foi esse o gancho usado por Guillen para tratar do PIB, citando que nos últimos anos as projeções para o crescimento do País foram sempre revisadas para cima. “Não só foi um crescimento forte, como foi um crescimento muito surpreendente”, recordou, citando as mudanças feitas semana a semana no Focus. “Isso vale para o Focus e isso vale para nós.”