quinta-feira, 3 de abril de 2025

Queda do dólar e do petróleo leva preço da gasolina e diesel à paridade no Brasil, diz Abicom

 281.000+ Nota De Dólar Americano fotos de stock, imagens e ...

A queda das cotações do dólar e do petróleo na quarta-feira, 2 – impactadas pelo anúncio de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump -, levou o preço dos combustíveis no Brasil à paridade com o mercado internacional. De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), tanto a gasolina como o diesel registram defasagem de apenas 1% em relação ao preço praticado no Golfo do México.

Na quarta-feira, o petróleo tipo Brent fechou em alta de 0,62% a US$ 74,95 o barril, mas passou a cair no pós-mercado após o anúncio das tarifas dos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, 3, cai mais de 6%, e era cotado a US$ 70,32 por volta das 9h30.

As pesadas tarifas impostas por Trump a vários países do mundo, entre eles o Brasil, que foi menos impactado, com tarifas de 10% sobre as exportações, acenam com uma redução da comercialização global, diminuindo o uso do petróleo no mundo.

Tanto a Petrobras como a Acelen, principais refinarias do País, com 80% e 14% de participação no mercado, respectivamente, reduziram o preço do diesel na semana passada.

Já a gasolina está há 267 dias sem reajustes nas refinarias da Petrobras, mas também mantém preços em linha com o praticado no mercado internacional.

Já a Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia, aumentou a gasolina na quarta-feira em 0,03%, segundo a Abicom.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Tarifas de Trump serão negativas em todo o mundo, diz presidente do BCE

 


 
 
 
BCE, Christine Lagarde trump tarifas taxas
"Acho que nunca mencionei a palavra incerteza tantas vezes quanto nas últimas semanas", disse Lagarde. (Imagem: REUTERS/Yiannis Kourtoglou)

 

 

As tarifas planejadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, serão negativas em todo o mundo e os danos dependerão de até onde elas irão, quanto tempo irão durar e da possibilidade de negociações, disse a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, nesta quarta-feira (2).

Hoje, o governo Trump deve anunciar as “tarifas recíprocas” direcionadas a países que cobram impostos sobre produtos norte-americanos. Essa medida virá depois que ele impôs novas taxas de importação sobre produtos do México, China e Canadá – os principais parceiros comerciais dos EUA -, bem como sobre produtos como aço e automóveis.

“Isso será negativo em todo o mundo e a densidade e a durabilidade do impacto variarão dependendo do escopo, dos produtos visados, do tempo de duração, da existência ou não de negociações”, disse Lagarde em uma entrevista à rádio Newstalk da Irlanda.

“Não podemos nos esquecer de que, muitas vezes, esses aumentos tarifários, por se mostrarem prejudiciais, mesmo para aqueles que as impõem, levam a mesas de negociação onde as pessoas realmente se sentam e discutem e, por fim, removem algumas dessas barreiras.”

Lagarde estava em Dublin para receber um prêmio batizado em homenagem ao irlandês Peter Sutherland, ex-diretor geral da Organização Mundial do Comércio, que, segundo Lagarde, “se reviraria no túmulo se soubesse o que está acontecendo neste momento”.

“Acho que nunca mencionei a palavra incerteza tantas vezes quanto nas últimas semanas, porque simplesmente não sabemos até hoje, que deve ser o dia em que será anunciado, qual será o negócio (com os EUA) para o resto do mundo”, disse ela.

“A previsibilidade é muito escassa no momento.”

Trump usa poder contra inimigos como nenhum outro presidente moderno dos EUA

 


Trump tarifas
(REUTERS/Carlos Barria)

 

 

Em apenas 10 semanas no cargo, Donald Trump impôs sua vontade aos que ele considera adversários nos negócios, política, mídia e países, utilizando o poder de uma forma que nenhum outro presidente moderno dos Estados Unidos tentou.

Seu governo buscou a prisão e a deportação de estudantes manifestantes, reteve fundos federais de faculdades, condenou ao ostracismo escritórios de advocacia ligados a adversários políticos, ameaçou juízes e tentou pressionar jornalistas. Ao mesmo tempo, Trump reduziu drasticamente o tamanho do governo federal e o expurgou de funcionários que poderiam atrapalhá-lo.

O ponto central desse esforço foi o uso que Trump fez de decretos para criar políticas e atingir seus oponentes como nunca antes. Ele não tem medo de empregar ações judiciais, ameaças públicas e o poder do erário federal para fazer com que as instituições se submetam.

“O que une todos esses esforços é o desejo de Trump de fechar todas as possíveis fontes de resistência à agenda MAGA e ao seu poder pessoal”, disse Peter Shane, professor de direito da Universidade de Nova York.

Alguns alvos agiram para aplacar o presidente, alguns revidaram e muitos ainda estão tentando descobrir como reagir. Muitas das ações de Trump estão sendo contestadas nos tribunais, onde alguns juízes têm tentado desacelerá-lo.

A velocidade impressionante e a amplitude das ações do presidente republicano pegaram democratas, sindicatos de serviços públicos, CEOs e profissionais jurídicos desprevenidos.

Os partidários de Trump dizem que ele está simplesmente usando todo o alcance de sua Presidência para atingir as metas que estabeleceu como candidato.

“Ele estabeleceu essas amplas linhas de batalha, seja com pessoas que ele acha que tentam arruiná-lo pessoalmente, seja com pessoas que ele acha que tentam arruinar a civilização ocidental”, afirmou o estrategista republicano Scott Jennings, conselheiro de longa data do senador Mitch McConnell. “Tudo o que ele disse que faria na campanha, ele está fazendo.”

Os objetivos de Trump não são apenas políticos. Suas ações mostram que ele quer reordenar a sociedade norte-americana com um executivo todo-poderoso no topo, onde as instituições financeiras, políticas e culturais levam sua marca e onde a oposição é cooptada ou reduzida. Com um Congresso complacente controlado por seu partido e uma Suprema Corte dos EUA dominada por conservadores, Trump está operando com menos controles sobre seu poder do que qualquer um de seus antecessores modernos.

Trump tem tentado subjugar e persuadir seus adversários quase que diariamente, com o apoio do temível poder das agências reguladoras e de aplicação da lei sob seu comando. Muitas vezes, ele teve sucesso.

Ele conseguiu arrancar concessões de vários de seus alvos, incluindo a famosa Universidade de Columbia, poderosos escritórios de advocacia e titãs corporativos como Meta e Disney. Todos eles fizeram acordos com a Casa Branca em vez de suportar a pressão, abrindo mão de certa independência e estabelecendo o que alguns consideram precedentes prejudiciais.

Outros estão tomando medidas preventivas para evitar a ira de Trump.

Mais de 20 das maiores empresas e firmas financeiras dos Estados Unidos, incluindo Goldman Sachs, Google e PepsiCo, reverteram programas de diversidade que haviam atraído a crítica de Trump.

Três escritórios de advocacia fecharam acordos com o governo em vez de correrem o risco de perder as autorizações de segurança de seus advogados, o acesso a prédios do governo e, talvez, como resultado, os clientes, enquanto outros três, alvos de decretos de Trump, entraram com ações judiciais em resposta.

As ordens de Trump também têm sido seu veículo para remodelar o governo, deportar supostos membros de gangues venezuelanas com pouco processo legal e cobrar tarifas contra parceiros comerciais dos EUA.

Ele processou corporações de mídia dos EUA, assumiu o controle do Kennedy Center, um importante centro de artes, e procurou restringir o Smithsonian Institution, cuja missão é registrar a história.

Seu governo deteve estudantes manifestantes cujas opiniões políticas, segundo ele, são uma ameaça ao país.

Trump pressionou a liderança ucraniana por um acordo de direitos minerais com a ameaça velada de encerrar o apoio dos EUA a Kiev na guerra russa na Ucrânia. Ele ameaçou a Dinamarca, aliada na Otan, de tentar tomar o controle da Groenlândia, falou em anexar o Canadá e ameaçou retirar o Canal do Panamá de seu país de origem.

Ataques estratégicos

Mark Zaid, um advogado de Washington que representa denunciantes contra o governo federal e que teve sua autorização de segurança retirada por Trump, disse que a conduta do presidente não se parece com nada que ele tenha visto em seus 30 anos de carreira.

“Os decretos nunca foram projetados para atingir especificamente indivíduos ou atores não governamentais para fins de retaliação ou retribuição”, declarou Zaid.

A Casa Branca e aliados de Trump negam que o presidente esteja agindo por vingança.

Um porta-voz da Casa Branca disse que abordagens mais tradicionais não conseguiram trazer mudanças significativas.

“Não convencional é exatamente o que o povo norte-americano votou quando elegeu o presidente Trump”, afirmou o porta-voz da Casa Branca Harrison Fields. “O presidente está empenhado em derrubar a burocracia arraigada.”

Claire Wofford, professora de ciências políticas do College of Charleston, disse que Trump tem usado decretos não apenas para levar adiante uma agenda de políticas, mas também para enviar mensagens à sua base política, como em sua tentativa de reduzir a cidadania inata, e para testar os limites de seu poder, como em sua invocação de uma lei do século 18 para designar alguns imigrantes como “inimigos estrangeiros”.

“O que mais me impressiona neste momento é como Trump é estratégico — mas de novas maneiras”, disse Wofford.



Tesouro Direto hoje: Taxas recuam com aprovação de Lula em cheque e exterior

 


tesourodireto
Confira as taxas do Tesouro Direto hoje (2). (Imagem: Brenda Rocha/Blossom/Shutterstock)

 

 

As taxas dos títulos do Tesouro Direto operam em queda na sessão desta quarta-feira (2), em comparação com o fechamento anterior. Com isso, os títulos que estavam em baixa lucravam na marcação a mercado, uma vez que as medidas são inversamente proporcionais.

Na primeira atualização do dia, às 9h28 (horário de Brasília), os rendimentos do Tesouro IPCA+ com vencimento em 20292040 e 2050 rendiam 7,86%, 7,40% e 7,17%, ante os 7,91%, 7,41% e 7,17% anteriores. As taxas operam em queda em relação ao fechamento de terça (1).

Já as taxas dos títulos prefixados 2028, 2032 e 2035 com juros semestrais valiam 14,50%, 14,77% e 14,87%, frente aos 14,59%, 14,87% e 14,94%.

Entre os destaques do dia está a queda na avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março, segundo a pesquisa Genial/Quaest. A desaprovação avançou 15 pontos percentuais de diferença.

Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados avaliaram o governo como “positivo” em março. Na rodada anterior, em janeiro, eram 31%. Os que consideram a gestão regular ou negativa oscilaram de 28% em janeiro para 29% em março, e de 37% para 41% respectivamente.

Já a aprovação caiu de 47% para 41%, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 56%.

Já nos Estados Unidos, os Treasuries operam em queda nesta manhã. Os papéis com vencimentos em 10, 20 e 30 anos recuam a 4,14%, 4,53% e 4,50%. 

 Hoje (2), o mercado aguarda mais tarifas que serão anunciadas em um evento que está sendo chamado pelo presidente Donald Trump de “o Dia da Libertação” dos EUA.

 

Confira a taxa dos títulos do Tesouro Direto hoje (2)

Prefixados Rentabilidade anual Investimento mínimo Preço Unitário Vencimento
Tesouro Prefixado 2028 14,50% R$ 6,90 R$ 690,58 01/01/2028
Tesouro Prefixado 2032 14,77% R$ 3,96 R$ 396,98 01/01/2032
Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035 14,87% R$ 7,91 R$ 791,35 01/01/2035
 
Pós-fixados Rentabilidade anual Investimento mínimo Preço Unitário Vencimento
Tesouro Selic 2028 SELIC + 0,0586% R$ 162,91 R$ 16.291,53 01/03/2028
Tesouro Selic 2031 SELIC + 0,1136% R$ 162,10 R$ 16.210,87 01/03/2031
 
Indexados à inflação Rentabilidade anual Investimento mínimo Preço Unitário Vencimento
Tesouro IPCA+ 2029 IPCA + 7,86% R$ 32,88 R$ 3.288,32 15/05/2029
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,40% R$ 15,03 R$ 1.503,92 15/08/2040
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 7,17% R$ 7,81 R$ 781,39 15/08/2050
Tesouro IPCA+com juros semestrais 2035 IPCA + 7,56% R$ 41,18 R$ 4.118,33 15/05/2035
Tesouro IPCA+com juros semestrais 2045 IPCA + 7,47% R$ 39,33 R$ 3.933,17 15/05/2045
Tesouro IPCA+com juros semestrais 2060 IPCA + 7,35% R$ 37,88 R$ 3.788,97 15/08/2060
 
Aposentadoria Rentabilidade anual Investimento mínimo Preço Unitário Vencimento
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2030 IPCA + 7,44% R$ 17,00 R$ 1.700,64 15/12/2049
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2035 IPCA + 7,33% R$ 12,11 R$ 1.211,83 15/12/2054
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2040 IPCA + 7,27% R$ 8,63 R$ 863,30 15/12/2059
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2045 IPCA + 7,21% R$ 6,18 R$ 618,59 15/12/2064
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2050 IPCA + 7,17% R$ 4,42 R$ 442,98 15/12/2069
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2055 IPCA + 7,18% R$ 3,12 R$ 312,89 15/12/2074
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2060 IPCA + 7,18% R$ 2,21 R$ 221,67 15/12/2079
Tesouro Renda+Aposentadoria Extra 2065 IPCA + 7,18% R$ 1,57 R$ 157,05 15/12/2084
 
Educa+ Rentabilidade anual Investimento mínimo Preço Unitário Vencimento
Tesouro Educa+ 2026 IPCA + 8,03% R$ 35,12 R$ 3.512,98 15/12/2030
Tesouro Educa+ 2027 IPCA + 7,88% R$ 32,72 R$ 3.272,25 15/12/2031
Tesouro Educa+ 2028 IPCA + 7,79% R$ 30,47 R$ 3.047,38 15/12/2032
Tesouro Educa+ 2029 IPCA + 7,72% R$ 28,39 R$ 2.839,56 15/12/2033
Tesouro Educa+ 2030 IPCA + 7,65% R$ 26,48 R$ 2.648,84 15/12/2034
Tesouro Educa+ 2031 IPCA + 7,60% R$ 24,70 R$ 2.470,58 15/12/2035
Tesouro Educa+ 2032 IPCA + 7,54% R$ 23,08 R$ 2.308,55 15/12/2036
Tesouro Educa+ 2033 IPCA + 7,49% R$ 21,57 R$ 2.157,70 15/12/2037
Tesouro Educa+ 2034 IPCA + 7,46% R$ 20,14 R$ 2.014,79 15/12/2038
Tesouro Educa+ 2035 IPCA + 7,44% R$ 18,80 R$ 1.880,25 15/12/2039
Tesouro Educa+ 2036 IPCA + 7,43% R$ 17,52 R$ 1.752,81 15/12/2040
Tesouro Educa+ 2037 IPCA + 7,41% R$ 16,36 R$ 1.636,38 15/12/2041
Tesouro Educa+ 2038 IPCA + 7,41% R$ 15,24 R$ 1.524,02 15/12/2042
Tesouro Educa+ 2039 IPCA + 7,40% R$ 14,21 R$ 1.421,35 15/12/2043
Tesouro Educa+ 2040 IPCA + 7,39% R$ 13,25 R$ 1.325,95 15/12/2044
Tesouro Educa+ 2041 IPCA + 7,39% R$ 12,35 R$ 1.235,21 15/12/2045
Tesouro Educa+ 2042 IPCA + 7,37% R$ 11,54 R$ 1.154,83 15/12/2046
Tesouro Educa+ 2043 IPCA + 7,35% R$ 10,80 R$ 1.080,17 15/12/2047



 
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua há 3 anos na redação e produção de conteúdos digitais no mercado financeiro. Anteriormente, trabalhou com produção audiovisual, o que a faz querer juntar suas experiências por onde for.
juliana.caveiro@moneytimes.com.br

Ibovespa e dólar oscilam pouco em dia de espera de anúncio de tarifas de Trump

 

O Ibovespa tinha variações modestas nesta quarta-feira, 2, quando as atenções estão voltadas para os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump deve anunciar no final do dia tarifas recíprocas sobre parceiros comerciais.

Às 10h37, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, tinha variação negativa de 0,01%, a 131.134,37 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$1,7 bilhão. Perto do mesmo horário, dólar tinha leve alta, negociado perto de R$ 5,70. Veja cotações.

Na visão da analista sênior Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote Bank, o anúncio de tarifas nesta quarta-feira pode dar uma nova direção aos mercados globais, mas seria ingênuo pensar que marcará o fim das questões tarifárias.

“Mais provavelmente marca o início de outra fase de incerteza e turbulência. O risco real não são apenas as tarifas em si, mas a ameaça constante de escalada, reversões e retaliações”, afirmou, em comentário a clientes por email.

Os detalhes sobre as tarifas do “Dia da Libertação” de Trump serão conhecidos em cerimônia na Casa Branca às 17h (horário de Brasília). Elas devem entrar em vigor imediatamente após o anúncio.

Em Wall Street, o S&P 500 mostrava declínio de 0,55%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA recuava a 4,1307%, de 4,156% na véspera, com números sobre pedidos de auxílio-desemprego também na agenda do dia.

Dados de produção industrial no Brasil mais fracos do que as expectativas também eram analisados por investidores na bolsa paulista, assim como nova pesquisa mostrando piora na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como fica a garantia de R$ 250 mil dos CDBs de Banco Master e Will Bank caso a aquisição do grupo pelo BRB saia do papel?

 

Papéis passariam para o guarda-chuva do BRB caso compra do Banco Master pela instituição brasiliense seja aprovada



Banco de Brasília - BRB (BSLI4)
O Banco de Brasília (BRB) é um banco estatal cujo maior acionista é o governo do Distrito Federal. - Imagem: Divulgação


O Banco de Brasília (BRB) está em vias de adquirir o Banco Master, emissor de CDBs bastante populares entre as pessoas físicas que investem via plataformas de investimento, já que costumam pagar rentabilidades elevadas, bem acima da média de mercado.

A transação, antecipada pelo jornal O Globo na semana passada, deve totalizar R$ 2 bilhões e ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, que, segundo fontes ouvidas pela publicação, tende a barrar a operação.

Caso seja aprovada, porém, ao menos parte dos CDBs do grupo financeiro adquirido deve passar para o guarda-chuva do BRB, um banco estatal cujo sócio majoritário é o governo do Distrito Federal.

Segundo entrevista do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, à jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o grupo financeiro do Master tem hoje R$ 52 bilhões em CDBs emitidos, mas o Banco de Brasília assumiria apenas uma parte deste passivo, totalizando R$ 29 bilhões.

Os CDBs assumidos pelo BRB, segundo Costa, seriam aqueles emitidos pelo próprio Banco Master e pelo Will Bank, banco digital do grupo.

Já os R$ 23 bilhões em CDBs emitidos pelo Banco Master de Investimentos e pelo Voiter — outra instituição financeira que oferecia títulos de rentabilidade elevada a pessoas físicas — não entrariam no pacote, pois estas duas subsidiárias não seriam adquiridas pelo BRB.

Banco Master em risco

Se no mercado financeiro grandes potenciais de retorno também costumam vir acompanhados de grandes riscos, com os CDBs do Master e suas subsidiárias não é diferente.

As rentabilidades oferecidas pelos papéis chegam a superar os 120% do CDI, e em certos casos já chegaram a bater os 140% do CDI, taxas bastante elevadas para esse mercado.

O mercado, porém, tem encarado o Master como um banco de saúde financeira frágil e, nos últimos meses, vinha desconfiando da capacidade da instituição financeira de honrar os compromissos assumidos com os investidores que compraram seus títulos.

Nesse cenário, criou-se uma expectativa em torno da divulgação do balanço de dezembro do banco de Daniel Vorcaro, que ainda não foi publicado.

Outro mau sinal foi o aumento da dificuldade do Master de captar recursos de investidores institucionais. O banco fracassou, por exemplo, em uma tentativa de emissão de títulos no exterior.

Também chamou a atenção a recusa da Caixa Asset, gestora da Caixa Econômica Federal, de investir em um lote de até R$ 500 milhões em CDBs do Master.

O plano inicial era vender R$ 1 bilhão em duas operações, mas o parecer técnico da Caixa classificou a operação como atípica pelo alto valor e pelo risco dos papéis, considerando o modelo de negócios do Master como “de difícil compreensão” e com “alto risco de solvência”.

Ainda segundo fontes do mercado financeiro ouvidos pelo jornal O Globo, o Master vinha com problemas de liquidez e tinha contratado um assessor, a Galápagos Capital, para tentar negociar uma venda.

Mas embora vários bancos grandes tenham sido sondados, incluindo Itaú, Bradesco e Santander, nenhum deles sequer quis conversar, diz o jornal. Só o BTG tinha interesse na carteira de crédito, mas não topou assumir o risco dos CDBs, ainda de acordo com a publicação.

Garantia do FGC para a pessoa física

Para o investidor de CDBs, tudo isso é um sinal amarelo, mas a princípio não eleva tanto o risco dos investimentos.

Isso porque os CDBs contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para depósitos de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira emissora dos papéis, independentemente da plataforma de investimentos em que os títulos tenham sido adquiridos. O montante inclui principal e juros.

Assim, respeitado este limite — além do limite global de R$ 1 milhão por CPF para todas as instituições financeiras emissoras —, o titular do CDB realmente não teria muito com que se preocupar, pois em caso de quebra do banco, seu investimento seria ressarcido pelo FGC.

No caso do Master, porém, o volume de R$ 52 bilhões emitidos pelo grupo assusta, pois representa praticamente metade dos R$ 107,8 bilhões que o FGC tem para socorrer clientes dos bancos que quebram.

A insolvência do Master, portanto, talvez obrigasse os participantes do FGC — uma entidade privada sem fins lucrativos alimentada pelas contribuições das próprias instituições financeiras brasileiras — a aportar mais recursos.

A saída encontrada — a aquisição do Banco Master pelo BRB — ganha ares de resgate de banco encrencado por meio de recursos públicos, dado que o Banco de Brasília é relativamente pequeno e chega a ter patrimônio líquido inferior ao do próprio Master.

O BRB, por sua vez, defende que a compra agrega valor ao banco, que pretende se tornar uma instituição de atuação nacional.

Uma boa e uma má notícia para o investidor de CDBs do Banco Master e do Will Bank

Dito isto, fica claro que, a princípio, a operação de aquisição pelo BRB seria benéfica para os investidores de CDBs do Banco Master e do Will Bank, pois a responsabilidade por arcar com os pagamentos desses títulos ficaria com um banco mais solvente.

Ao Globo, o presidente da instituição garantiu que o BRB tem como pagar a todos os investidores que passarem a fazer parte da sua carteira após o fechamento do negócio.

Mas se esta é uma boa notícia, quem tem simultaneamente CDBs do BRB e do Master/Will Bank deve ficar atento ao limite de garantia do FGC.

Isso porque, CDBs de liquidez diária do Banco Master e do Will Bank passarão a ser considerados dentro do mesmo limite de R$ 250 mil por instituição financeira que os títulos emitidos pelo BRB pouco tempo depois de uma eventual aprovação da aquisição.

Segundo o regulamento do FGC, quando uma instituição associada adquire outra, a garantia referente à adquirida, no caso de CDBs e outros títulos cobertos, dura apenas até a data em que torna-se possível resgatar esses papéis, caso esta data se dê 60 dias corridos (dois meses) após o dia da publicação da aprovação da operação no Diário Oficial da União (DOU).

Isso significa que, se a compra do Master pelo BRB for aprovada, em um primeiro momento as garantias referentes aos títulos emitidos pelo Banco Master e pelo Will Bank irão se manter separadas da garantia referente ao BRB.

Dois meses após a publicação da aprovação no DOU, porém, o FGC passará a considerar uma garantia única de R$ 250 mil para os títulos das três instituições financeiras, como se o BRB os tivesse emitido. Lembrando que isso vale a partir do dia em que os recursos de cada CDB das instituições adquiridas ficarem disponíveis para resgate.

Como os CDBs de liquidez diária ficam disponíveis para resgate imediatamente, os valores aplicados nos papéis de Master ou Will Bank que tenham essa característica vão passar a integrar os mesmos R$ 250 mil de garantia referentes ao BRB já dois meses depois da possível aprovação da operação.

Investidores que tenham aplicações em títulos de renda fixa emitidos tanto por Master/Will Bank como pelo BRB podem, com isso, acabar com parte do valor investido fora do limite da garantia do FGC, caso os montantes aplicados nos papéis dessas três instituições financeiras somem mais de R$ 250 mil.

Assim, seria importante resgatar o valor que ultrapassar este teto, a fim de não ficar desprotegido. Lembrando que a garantia do FGC abarca principal e juros.

Já quem tem CDBs de prazos maiores (e cujos recursos fiquem indisponíveis para resgate antes do vencimento) pode aguardar o vencimento do papel, pois até lá os papéis ficam sujeitos à garantia referente ao emissor original, sem se somarem à garantia referente ao BRB.

Ou seja, esses investidores não precisam se preocupar em ultrapassar o limite do FGC no BRB.

Uma dica para quem investe em CDBs

Fusões e aquisições entre instituições financeiras que emitem CDBs e outros títulos de renda fixa sujeitos à garantia do FGC, como LCIs e LCAs, são frequentes no mercado.

Além disso, às vezes há várias instituições financeiras emissoras dentro de um mesmo grupo empresarial e sujeitas a um mesmo valor de garantia, sem que os investidores se deem conta disso ao investir.

Para evitar passar do limite de R$ 250 mil por emissor, o site do FGC divulga duas páginas onde é possível verificar a relação das instituições participantes que pertencem ao mesmo conglomerado financeiro e que, portanto, ficam sujeitas ao mesmo limite de garantia:

*Com informações do jornal O Globo.
**Matéria atualizada às 11h08 de 1 de abril de 2025 para correção do prazo entre a aprovação da operação de fusão e aquisição e a data em que os depósitos à vista da instituição adquirida passam a ficar sujeitos ao mesmo valor de garantia da instituição adquirente, de acordo com o regulamento mais atualizado do FGC.

 

Crédit Agricole ganha autorização do BCE para ampliar fatia no BPM

 CREDIT AGRICOLE Vector Logo - Download Free SVG Icon ...

O Crédit Agricole foi autorizado pelo Banco Central Europeu (BCE) a ampliar sua participação no banco italiano BPM. Em comunicado, o banco francês disse nesta quarta-feira, 2, que recebeu aval do BCE para aumentar sua fatia no BPM para até 19,9%.

A atual posição do Crédit Agricole no BPM é de 9,9%.

O Crédit acrescentou que pretende ampliar sua participação no BPM para 19,8%, mas não tem planos de lançar uma oferta pública pelo capital do banco.