sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Gleisi chama Tarcísio de ‘cara de pau’ por fala sobre ‘crise moral’ após visita a Bolsonaro

 

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), rebateu nesta sexta-feira, 30, a declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirmou que o País vive uma “crise moral” após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na quinta-feira, 29.

“É muita cara de pau de Tarcísio Freitas sair da Papuda falando em ‘crise moral’”, escreveu a ministra.

Gleisi afirmou que o maior financiador individual das campanhas de Tarcísio e do ex-presidente foi Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (PF) no âmbito da operação Compliance Zero.

Segundo ela, a “crise fiscal” mencionada pelo governador foi herdada do governo Bolsonaro, que, afirmou, deixou um rombo de R$ 255 bilhões nas contas públicas.

Tarcísio esteve com Bolsonaro nesta quinta-feira, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena na Papudinha. Ao deixar o local, o governador afirmou que apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições deste ano e voltou a dizer que pretende disputar a reeleição ao governo de São Paulo.

A manifestação de Gleisi fez referência a declarações dadas por Tarcísio após a visita. Na ocasião, o governador afirmou que o Brasil enfrenta uma “crise fiscal” e uma “crise moral” e defendeu a necessidade de apresentar uma alternativa política ao País, alinhada ao projeto liderado por Bolsonaro e por seu grupo político.

“A gente está vendo a situação do país, para onde o Brasil está caminhando, o Brasil tem uma crise fiscal contratada e hoje enfrenta uma crise moral e nós temos que dar resposta, por isso precisamos de uma alternativa e nós vamos proporcionar essa alternativa como time, eu faço parte desse time, nós estamos agregados a isso desde a visão que o próprio presidente tem”, declarou Tarcísio ao sair do presídio.

Dona da Havaianas, Alpargatas elege João Moreira Salles como presidente do conselho

 

A Alpargatas, dona da marca Havaianas, elegeu, na quarta-feira, 28, João Moreira Salles como novo presidente do conselho de administração da empresa, em substituição de Pedro Moreira Salles.

Em ata da reunião do conselho, a empresa informou que a renúncia está relacionada com as atividades acadêmicas que Pedro Moreira Salles desenvolverá como professor adjunto na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, ao longo de 2026.

Secretário-geral da ONU alerta para ‘colapso financeiro iminente’ da entidade

O secretário-geral da ONU informou aos Estados-membros que a organização corre o risco de um “colapso financeiro iminente”, citando taxas não pagas e uma regra orçamentária que obriga o órgão global a devolver o dinheiro não gasto, de acordo com uma carta vista pela Reuters nesta sexta-feira, 30.

Antonio Guterres tem falado repetidamente sobre o agravamento da crise de liquidez da organização, mas este é seu aviso mais severo até o momento, e surge em um momento em que seu principal contribuinte, os Estados Unidos, está se afastando do multilateralismo em várias frentes.

“A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e causando risco de colapso financeiro. E a situação se deteriorará ainda mais no futuro próximo”, afirmou Guterres em uma carta aos Estados-membros datada de 28 de janeiro.

Os EUA cortaram o financiamento voluntário às agências da ONU e se recusaram a fazer pagamentos obrigatórios aos seus orçamentos regulares e de manutenção da paz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a ONU como tendo “grande potencial”, mas disse que ela não está cumprindo esse papel e lançou um Conselho da Paz que alguns temem que possa minar o órgão internacional.

Fundada em 1945, a ONU tem 193 Estados-membros e trabalha para manter a paz e a segurança internacionais, promover os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento social e econômico e coordenar a ajuda humanitária.

Em sua carta, Guterres disse que “as decisões de não honrar as contribuições que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado foram agora formalmente anunciadas”.

Ele não disse a qual Estado ou Estados se referia, e um porta-voz da ONU não estava disponível para comentar imediatamente.

‘Ciclo Kafkiano’

De acordo com as regras da ONU, as contribuições dependem do tamanho da economia de cada Estado-membro. Os EUA respondem por 22% do orçamento principal, seguidos pela China, com 20%.

Mas, no final de 2025, havia um recorde de US$ 1,57 bilhão em dívidas pendentes, disse Guterres, sem nomear os países.

“Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia, ou os Estados-membros devem reformular fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, disse ele.

Guterres lançou no ano passado uma força-tarefa de reforma, conhecida como UN80, que busca cortar custos e melhorar a eficiência. Para esse fim, os Estados concordaram em cortar o orçamento de 2026 em cerca de 7%, para US$ 3,45 bilhões.

Ainda assim, Guterres alertou na carta que a organização poderia ficar sem dinheiro até julho.

Um dos problemas é uma regra agora considerada antiquada, segundo a qual o órgão global tem que creditar de volta centenas de milhões de dólares em contribuições não gastas aos Estados a cada ano.

“Em outras palavras, estamos presos em um ciclo kafkiano que exige a devolução de dinheiro que não existe”, disse Guterres, referindo-se ao autor Franz Kafka, que escreveu sobre processos burocráticos opressivos.


Motta: Foi equivocada a declaração da Simone Tebet de que o Congresso sequestra orçamento

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, fez uma declaração “equivocada” ao dizer que parte do Orçamento “foi sequestrada” pelo Congresso Nacional. A reação ocorreu em postagem na rede social X, nesta sexta-feira, 30.

Motta se refere às declarações dadas por Tebet em um evento promovido pelo Insper, em São Paulo, mais cedo. Na ocasião, ela disse que “parte das despesas do Orçamento que é livre foi confiscada, foi sequestrada por um Congresso cada vez mais dependente do Orçamento brasileiro muitas vezes eleitoral”.

Na internet, Motta defendeu a prerrogativa dos parlamentares de decidir sobre a alocação dos recursos. “Nenhuma instituição que integra o regime democrático ‘sequestra’ o orçamento. O Congresso exerce uma prerrogativa constitucional: debater, emendar e decidir sobre a alocação dos recursos públicos. Isso não é desvio, é equilíbrio entre os Poderes”, escreveu o presidente da Câmara.

O parlamentar prosseguiu: “Foi equivocada a declaração da ministra Simone Tebet de que o Congresso sequestra parte do orçamento. As emendas parlamentares dão voz aos Estados, aos municípios e às prioridades reais da população”.

O deputado acrescentou: “Divergências fazem parte da democracia, mas é preciso cuidado com palavras que deslegitimam o papel do Parlamento”.

PCC x CV: Gaeco mira ‘guerra violenta’ de ‘Jets’ e interrompe fluxo de facções no interior

 

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Keravnos para desarticular lideranças do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho – as mais poderosas facções do crime organizado -, envolvidas em uma sangrenta disputa territorial nas regiões de Piracicaba, Limeira, Araras e Rio Claro, no interior paulista.

A operação saiu às ruas nesta quinta, 29, para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Araras e teve como alvo a “Rota Caipira” do tráfico de drogas. No itinerário do crime, entorpecentes saem da fronteira de países produtores como Bolívia, Colômbia e Peru, além do Paraguai, entram no Brasil pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e atravessam o interior de São Paulo com destino a portos e aeroportos do Sudeste, como o Porto de Santos, para distribuição nacional e internacional.

Endereços nos municípios de Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara D’Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia foram alvos dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco – unidade do Ministério Público que combate as facções criminosas.

Entre os alvos da Keravnos estão nomes apontados como lideranças do PCC e do CV na região, conhecidos como ‘Jets’, além de criminosos de alta periculosidade que se encontravam foragidos do sistema prisional.

“A Justiça autorizou ainda a quebra do sigilo de dados telemáticos dos aparelhos apreendidos, medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como ‘salves’, emitidas pelas cúpulas das organizações”, informou o Ministério Público.

‘Guerra urbana’

Segundo a investigação, o conflito entre as duas maiores facções do país teve início em 2022, quando o Comando Vermelho tentou ocupar pontos de venda de drogas controlados pelo PCC, o que desencadeou uma “guerra urbana” na região.

O monitoramento policial identificou que o conflito entre faccionados incluiu execuções com o uso de fuzis, assassinato de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes de aliados de um dos grupos.

O material apreendido será analisado pelo Centro de Apoio à Execução (CAEx) do Ministério Público e poderá embasar novas denúncias criminais e a responsabilização dos envolvidos, destacou o Gaeco.

Ex-BRB diz que cobrou Daniel Vorcaro por carteiras do Master ‘e nem sempre de maneira delicada’

 Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa é afastado

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF no dia 30 de dezembro, que cobrou diretamente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre carteiras compradas pelo banco estatal.

Segundo investigação da Polícia Federal (PF), de janeiro a junho de 2025, o BRB comprou, no total, R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões de prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões.

As carteiras foram originadas pela Tirreno, uma empresa classificada como “de prateleira” pela Polícia Federal, e pela Cartos, com a qual o Master tinha relações.

O ex-presidente do BRB disse que não identificou esses ativos como “podres”, mas admitiu que o banco brasiliense encontrou problemas na documentação que não atendia aos padrões exigidos pelo Banco Central.

Em maio do ano passado, segundo Paulo Henrique Costa, ele cobrou diretamente Vorcaro antes de decidir fazer a substituição das carteiras. Foi nessa época que o BRB teria identificado que, na verdade, os créditos eram de origem de outras empresas, a Tirreno e a Cartos, e não do Master.

“O meu celular vai mostrar esses registros, essas cobranças, nem sempre de uma maneira muito delicada, de recebimento e busca desses documentos”, disse Paulo Henrique à Polícia Federal.

No depoimento, o ex-presidente do BRB disse que o banco passou a ter duas opções sobre o que fazer com a carteira do Banco Master. A primeira era fazer com que o banco de Daniel Vorcaro substituísse os ativos por outros – o que acabou sendo feito. A segunda era revender essa carteira para a Tirreno e a Cartos, como de fato chegou a ser negociado com representantes dessas duas empresas.

Segundo Paulo Henrique Costa, nunca foi possível vender na íntegra os R$ 6,7 bilhões comprados do Master porque esse dinheiro “não existia no Master” e era apenas um saldo contábil no banco de Daniel Vorcaro.

“Na investigação, parece que o dinheiro existia e estava depositado no Master, e não estava, aquilo era um saldo contábil. A gente não exerceu o direito imediato de receber aquele dinheiro porque geraria uma quebra e o BRB não conseguiria concluir o ciclo de troca de ativos que ele precisava cumprir. Geraria uma perda para o BRB significativa.”

Real tem 2ª maior valorização entre 28 moedas do mundo no começo de 2026

 

O real apresentou a segunda maior valorização frente ao dólar em ranking elaborado pela consultoria Elos Ayta com 28 países. Com alta de 5,9% até o fechamento de quinta-feira, 29, a moeda brasileira aparece atrás apenas do peso chileno, que valorizou 6,2%.

O desempenho positivo do real ocorre em um momento de enfraquecimento amplo do dólar. Entre as 28 moedas monitoradas pelo levantamento, 22 tiveram valorização frente à moeda americana. Em apenas cinco países a moeda local perdeu valor. Em uma, o câmbio permaneceu estável.

“O enfraquecimento do dólar não é homogêneo. As maiores desvalorizações cambiais em janeiro concentram-se em economias específicas”, destaca a consultoria.

Logo atrás do real no ranking, aparecem a coroa norueguesa (5,77%), o dólar australiano (5,63%) e o rand sul-africano (5,34%). Na lanterna do levantamento, está a rúpia indiana, que desvalorizou 1,96% frente ao dólar.

Apesar da desvalorização no ranking elaborado pela Elos Ayta, o dólar ainda tem variação positiva de 2,25% no índice DXY, que o compara com seis moedas consideradas fortes: o euro, o iene, a libra esterlina, o dólar canadense, a coroa sueca e o franco suíço.

Veja o ranking completo, com real na 2ª posição:

PaísMoedaValorização %
ChilePeso Chileno6,2
BrasilReal (Dólar Ptax)5,9
NoruegaCoroa Norueguesa5,77
AustráliaDólar Australiano5,63
África do SulRand Sul-Africano5,34
RússiaRublo Russo5,12
SuéciaCoroa Sueca4,89
MéxicoPeso Mexicano4,34
SuíçaFranco Suíço3,95
IsraelNovo Shekel Israelense3,24
InglaterraLibra Esterlina2,78
ColômbiaPeso Colombiano2,49
JapãoIene2,45
DXY(Índice do Dólar)2,25
DinamarcaCoroa Dinamarquesa2,08
CanadáDólar Canadense1,48
Zona do EuroEuro1,19
ArgentinaPeso Argentino1,16
Coreia do SulWon0,87
ChinaYuan0,72
PeruSol0,6
TaiwanDólar Taiwanês0,1
Arábia SauditaRial Saudita0
FilipinasPeso Filipino-0,2
Hong KongDólar de Hong Kong-0,38
IndonésiaRupia Indonésia-0,56
TurquiaLira Turca-0,99
ÍndiaRúpia Indiana-1,96

Tensões geopolíticas pressionam o dólar

O desempenho fraco do dólar frente a moedas globais relaciona-se com um momento conturbado dos Estados Unidos, com Donald Trump implementando uma política externa considerada imprevisível e marcada por ataques até mesmo a aliados históricos. Internamente, o presidente também enfrenta pressões, com protestos violentos próximos às eleições do Congresso.

“O sistema financeiro global se tornou excessivamente concentrado em um único eixo, o dólar, e começa, lentamente, a buscar saídas. Não por pânico imediato, mas por cálculo estratégico”, pontua o economista Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam) e CEO da Energy Group. Ele destaca como o enfraquecimento do dólar acompanha um momento de valorização do ouro.

“É importante ser preciso. O dólar não quebrou, não perdeu sua função como moeda de comércio global e segue dominante nas transações internacionais. O que ele começou a perder é algo mais sutil e mais perigoso: a exclusividade como ativo de refúgio”, avalia o economista.

 

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