segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Mercado volta a reduzir expectativa para inflação em 2026 e já aposta em alta de 3,99%

 

A expectativa dos especialistas consultados pelo Banco Central para a alta da inflação medida pelo IPCA em 2026 caiu 0,01 ponto percentual, para 3,99%, mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 2.

Para 2027, a projeção do mercado para a inflação permanece em 3,80% ao final do ano, ainda longe do centro da meta. O centro da meta oficial a ser perseguida pelo Banco Central é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Selic e PIB

Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027.


Dólar

Para o câmbio, a projeção para o final de 2026 permaneceu estável pela 16ª semana consecutiva, em R$ 5,50. Já para 2027, os analistas fizeram um pequeno ajuste, elevando em 0,01 ponto percentual para como o câmbio deve estar ao final do próximo ano, para R$ 5,50.

Em janeiro, a moeda americana acumulou uma queda de aproximados 5,5%. O percentual é quase metade da desvalorização observada no ano todo de 2025. No ano passado, diante do real, a moeda americana perdeu 12,2%, e encerrou 2025 a R$ 5,47.

No mês passado, o real apresentou a segunda maior valorização frente ao dólar em ranking elaborado pela consultoria Elos Ayta com 28 países, considerando o fechamento até quinta-feira da semana passada, 29. Entre as 28 moedas monitoradas pelo levantamento, 22 tiveram valorização frente à moeda americana.

 

 https://istoedinheiro.com.br/mercado-expectativa-inflacao-em-2026-399

Grupo Fictor pede recuperação judicial com dívida de R$ 4 bilhões e culpa crise do Banco Master

 

A holding Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial (RJ) no domingo, 1º, e apontou a crise do banco Master como causa da sua atual situação. Em novembro de 2025, um dia antes do Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira de Daniel Vorcaro, o Fictor havia anunciado uma proposta de compra do Master.

“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, explica nota enviada pelo grupo à IstoÉ Dinheiro.

Segundo informações divulgadas pelo próprio Fictor, o valor de sua dívida chega a R$ 4 bilhões. O grupo teria iniciado sua reestruturação antes de pedir a RJ, demitindo parte de seus funcionários e reduzindo sua estrutura física. “O Grupo teve a preocupação, porém, de fazer esse movimento antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, diz a empresa.

O grupo também protocolou um pedido de tutela de urgência para que execuções de dívidas e bloqueios de bens sejam imediatamente impedidos e permaneçam bloqueados durante um período de 180 dias, enquanto a Justiça analisa o processo de recuperação. O objetivo seria reduzir “o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”. O advogado responsável pelo caso é Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados.

Fundada em 2007, a holding Fictor reúne em seu portfólio negócios no ramo de energia, infraestrutura, soluções de pagamento e alimentos. Seu principal ativo é a Fictor Alimentos S.A., que atua no ramo de carne refrigerada, com fábricas em Minas Gerais e Rio de Janeiro gerando cerca de 3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. No final de 2024, a empresa passou a ter ações negociadas na bolsa de valores através de um IPO reverso.

IPO reverso da Fictor Alimentos
IPO reverso da Fictor Alimentos (Crédito:Reprodução)

Relembre a operação entre Fictor e Master

Em 17 de novembro de 2026, na véspera do decreto de liquidação extrajudicial do Master, a Fictor Holding Financeira acertou a aquisição do Banco Master S.A. em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação incluiria um aporte imediato de R$ 3 bilhões destinado ao fortalecimento da estrutura de capital do banco, e não contemplaria o Will Bank e o Banco Master de Investimentos.

O motivo para a liquidação, segundo o Banco Central, foi uma grave crise de liquidez. O Master detinha então 0,57% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

As dificuldades contábeis, no entanto, eram apenas parte dos problemas do Master. As investigações seguem em andamento, porém apontam diversos crimes e fraudes, que incluem esquema de pirâmide, uso de empresas de fachada e carteiras fictícias para simular capacidade de pagar credores.

 

 https://istoedinheiro.com.br/fictor-recuperacao-judicial-master-2226

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Gleisi chama Tarcísio de ‘cara de pau’ por fala sobre ‘crise moral’ após visita a Bolsonaro

 

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), rebateu nesta sexta-feira, 30, a declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirmou que o País vive uma “crise moral” após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na quinta-feira, 29.

“É muita cara de pau de Tarcísio Freitas sair da Papuda falando em ‘crise moral’”, escreveu a ministra.

Gleisi afirmou que o maior financiador individual das campanhas de Tarcísio e do ex-presidente foi Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (PF) no âmbito da operação Compliance Zero.

Segundo ela, a “crise fiscal” mencionada pelo governador foi herdada do governo Bolsonaro, que, afirmou, deixou um rombo de R$ 255 bilhões nas contas públicas.

Tarcísio esteve com Bolsonaro nesta quinta-feira, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena na Papudinha. Ao deixar o local, o governador afirmou que apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições deste ano e voltou a dizer que pretende disputar a reeleição ao governo de São Paulo.

A manifestação de Gleisi fez referência a declarações dadas por Tarcísio após a visita. Na ocasião, o governador afirmou que o Brasil enfrenta uma “crise fiscal” e uma “crise moral” e defendeu a necessidade de apresentar uma alternativa política ao País, alinhada ao projeto liderado por Bolsonaro e por seu grupo político.

“A gente está vendo a situação do país, para onde o Brasil está caminhando, o Brasil tem uma crise fiscal contratada e hoje enfrenta uma crise moral e nós temos que dar resposta, por isso precisamos de uma alternativa e nós vamos proporcionar essa alternativa como time, eu faço parte desse time, nós estamos agregados a isso desde a visão que o próprio presidente tem”, declarou Tarcísio ao sair do presídio.

Dona da Havaianas, Alpargatas elege João Moreira Salles como presidente do conselho

 

A Alpargatas, dona da marca Havaianas, elegeu, na quarta-feira, 28, João Moreira Salles como novo presidente do conselho de administração da empresa, em substituição de Pedro Moreira Salles.

Em ata da reunião do conselho, a empresa informou que a renúncia está relacionada com as atividades acadêmicas que Pedro Moreira Salles desenvolverá como professor adjunto na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, ao longo de 2026.

Secretário-geral da ONU alerta para ‘colapso financeiro iminente’ da entidade

O secretário-geral da ONU informou aos Estados-membros que a organização corre o risco de um “colapso financeiro iminente”, citando taxas não pagas e uma regra orçamentária que obriga o órgão global a devolver o dinheiro não gasto, de acordo com uma carta vista pela Reuters nesta sexta-feira, 30.

Antonio Guterres tem falado repetidamente sobre o agravamento da crise de liquidez da organização, mas este é seu aviso mais severo até o momento, e surge em um momento em que seu principal contribuinte, os Estados Unidos, está se afastando do multilateralismo em várias frentes.

“A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e causando risco de colapso financeiro. E a situação se deteriorará ainda mais no futuro próximo”, afirmou Guterres em uma carta aos Estados-membros datada de 28 de janeiro.

Os EUA cortaram o financiamento voluntário às agências da ONU e se recusaram a fazer pagamentos obrigatórios aos seus orçamentos regulares e de manutenção da paz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a ONU como tendo “grande potencial”, mas disse que ela não está cumprindo esse papel e lançou um Conselho da Paz que alguns temem que possa minar o órgão internacional.

Fundada em 1945, a ONU tem 193 Estados-membros e trabalha para manter a paz e a segurança internacionais, promover os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento social e econômico e coordenar a ajuda humanitária.

Em sua carta, Guterres disse que “as decisões de não honrar as contribuições que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado foram agora formalmente anunciadas”.

Ele não disse a qual Estado ou Estados se referia, e um porta-voz da ONU não estava disponível para comentar imediatamente.

‘Ciclo Kafkiano’

De acordo com as regras da ONU, as contribuições dependem do tamanho da economia de cada Estado-membro. Os EUA respondem por 22% do orçamento principal, seguidos pela China, com 20%.

Mas, no final de 2025, havia um recorde de US$ 1,57 bilhão em dívidas pendentes, disse Guterres, sem nomear os países.

“Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia, ou os Estados-membros devem reformular fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, disse ele.

Guterres lançou no ano passado uma força-tarefa de reforma, conhecida como UN80, que busca cortar custos e melhorar a eficiência. Para esse fim, os Estados concordaram em cortar o orçamento de 2026 em cerca de 7%, para US$ 3,45 bilhões.

Ainda assim, Guterres alertou na carta que a organização poderia ficar sem dinheiro até julho.

Um dos problemas é uma regra agora considerada antiquada, segundo a qual o órgão global tem que creditar de volta centenas de milhões de dólares em contribuições não gastas aos Estados a cada ano.

“Em outras palavras, estamos presos em um ciclo kafkiano que exige a devolução de dinheiro que não existe”, disse Guterres, referindo-se ao autor Franz Kafka, que escreveu sobre processos burocráticos opressivos.


Motta: Foi equivocada a declaração da Simone Tebet de que o Congresso sequestra orçamento

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, fez uma declaração “equivocada” ao dizer que parte do Orçamento “foi sequestrada” pelo Congresso Nacional. A reação ocorreu em postagem na rede social X, nesta sexta-feira, 30.

Motta se refere às declarações dadas por Tebet em um evento promovido pelo Insper, em São Paulo, mais cedo. Na ocasião, ela disse que “parte das despesas do Orçamento que é livre foi confiscada, foi sequestrada por um Congresso cada vez mais dependente do Orçamento brasileiro muitas vezes eleitoral”.

Na internet, Motta defendeu a prerrogativa dos parlamentares de decidir sobre a alocação dos recursos. “Nenhuma instituição que integra o regime democrático ‘sequestra’ o orçamento. O Congresso exerce uma prerrogativa constitucional: debater, emendar e decidir sobre a alocação dos recursos públicos. Isso não é desvio, é equilíbrio entre os Poderes”, escreveu o presidente da Câmara.

O parlamentar prosseguiu: “Foi equivocada a declaração da ministra Simone Tebet de que o Congresso sequestra parte do orçamento. As emendas parlamentares dão voz aos Estados, aos municípios e às prioridades reais da população”.

O deputado acrescentou: “Divergências fazem parte da democracia, mas é preciso cuidado com palavras que deslegitimam o papel do Parlamento”.

PCC x CV: Gaeco mira ‘guerra violenta’ de ‘Jets’ e interrompe fluxo de facções no interior

 

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Keravnos para desarticular lideranças do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho – as mais poderosas facções do crime organizado -, envolvidas em uma sangrenta disputa territorial nas regiões de Piracicaba, Limeira, Araras e Rio Claro, no interior paulista.

A operação saiu às ruas nesta quinta, 29, para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Araras e teve como alvo a “Rota Caipira” do tráfico de drogas. No itinerário do crime, entorpecentes saem da fronteira de países produtores como Bolívia, Colômbia e Peru, além do Paraguai, entram no Brasil pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e atravessam o interior de São Paulo com destino a portos e aeroportos do Sudeste, como o Porto de Santos, para distribuição nacional e internacional.

Endereços nos municípios de Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara D’Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia foram alvos dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco – unidade do Ministério Público que combate as facções criminosas.

Entre os alvos da Keravnos estão nomes apontados como lideranças do PCC e do CV na região, conhecidos como ‘Jets’, além de criminosos de alta periculosidade que se encontravam foragidos do sistema prisional.

“A Justiça autorizou ainda a quebra do sigilo de dados telemáticos dos aparelhos apreendidos, medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como ‘salves’, emitidas pelas cúpulas das organizações”, informou o Ministério Público.

‘Guerra urbana’

Segundo a investigação, o conflito entre as duas maiores facções do país teve início em 2022, quando o Comando Vermelho tentou ocupar pontos de venda de drogas controlados pelo PCC, o que desencadeou uma “guerra urbana” na região.

O monitoramento policial identificou que o conflito entre faccionados incluiu execuções com o uso de fuzis, assassinato de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes de aliados de um dos grupos.

O material apreendido será analisado pelo Centro de Apoio à Execução (CAEx) do Ministério Público e poderá embasar novas denúncias criminais e a responsabilização dos envolvidos, destacou o Gaeco.