quarta-feira, 4 de março de 2026

Guerra pode afetar de 30% a 40% da exportação de carne bovina, avalia Abiec

 

São Paulo, 4 – A escalada do conflito no Oriente Médio acendeu um sinal de alerta no setor de carne bovina. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que de 30% a 40% das exportações brasileiras do produto passam, de alguma forma, pela região, o que amplia de forma significativa o risco para a cadeia produtiva.

Embora cerca de 10% das exportações tenham como destino final o Oriente Médio, o impacto indireto é bem maior, de acordo com Perosa. “Entre 30% e 40% de toda a exportação brasileira de carne passa pelo Oriente Médio, de alguma maneira”, disse. Segundo ele, isso ocorre porque parte das cargas faz escala na região ou depende de empresas sediadas localmente para seguir ao Sudeste Asiático e outros mercados.

De acordo com o presidente da Abiec, os novos embarques estão paralisados. “Não estão tendo bookings. Não tem contêiner disponível pra mandar para a região”, afirmou. Nos poucos casos em que há oferta, as companhias marítimas estão cobrando adicional de até US$ 4 mil por contêiner, uma “taxa de guerra”, o que, segundo ele, “torna inviável enviar esse tipo de mercadoria para lá”.

Caso o impasse se prolongue, o impacto pode ser expressivo. “Se resolver em uma semana, o impacto é diminuto. Se demorar cinco semanas, pode ter o impacto sobre 30% do que a gente exporta no mês”, afirmou. O Brasil tem embarcado entre 200 mil e 250 mil toneladas mensais de carne bovina.

Perosa alertou que a interrupção do fluxo comercial pode provocar um efeito em cadeia. “Se a gente não tem escoamento da venda, o que nós vamos fazer com a carne? Não tem o que fazer. Os mercados estão saturados”, disse. Segundo ele, a redução da demanda externa pode levar à diminuição de abates. “Começa a criar um efeito sistêmico no setor que é muito prejudicial”, afirmou.

Diante do quadro, a Abiec pretende levar formalmente a preocupação ao governo federal. “O que a gente está pedindo é para o governo olhar para um setor que está sendo muito impactado”, afirmou Perosa. Ele defendeu tanto atuação diplomática quanto apoio econômico, caso a crise se prolongue.

Se não houver solução rápida, a entidade avalia a necessidade de medidas de suporte financeiro. “Apoio com crédito é sempre importante para passar por esses momentos turbulentos, para não haver desestruturação da cadeia”, afirmou.

Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês a núcleo de intimidação e obstrução à Justiça

 

Sicário recebia R$ 1 milhão por mês de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pelos serviços prestados pelo núcleo de intimidação e obstrução à Justiça, segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero na manhã desta quarta-feira, 4.

Sicário, que significa assassino de aluguel, é o apelido dado a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão ou apenas Luiz Felipe, como também é tratado nas investigações. A alcunha era um “indicativo da natureza de suas atividades”, como escreve Mendonça.

Procurada, a defesa de Vorcaro disse que “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.” Os advogados negam ainda “as alegações atribuídas a Vorcaro” e afirmam que o banqueiro confia que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”. Ele reiterou ainda sua “confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”.

Segundo a decisão, Sicário era o “responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”. A operação ligada ao Master tinha quatro núcleos operacionais: crime financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial e intimidação.

De acordo com a decisão, Felipe Mourão recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro, por meio de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Numa das mensagens de WhatsApp detalhadas na decisão, Mourão cobra de Vorcaro o pagamento mensal a ser feito por Zettel, que está atrasado. Em outra, Mourão explica como divide o pagamento entre a equipe.

Numa terceira mensagem citada, Ana Claudia Queiroz de Paiva, funcionária de Vorcaro citada nas investigações, ao pedir instruções para o pagamento, pergunta se “Vai ser 1 mm, como normalmente?”. Ao que Vorcaro responde: “Sim”.

Em seguida, ela faz a transferência bancária e junta o comprovante de pagamento de R$ 1 milhão na conta indicada por Mourão. A conta pertence à empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, de Belo Horizonte.

Sicário estava à frente da coordenação de “A Turma”, estrutura utilizada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo.

As informações sigilosas eram conhecidas pela “Turma” por meio da utilização de credenciais funcionais de terceiros. O grupo também obtinha dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outras pessoas que interessavam à organização. Removiam conteúdo e perfis de plataformas digitais usando solicitações de órgãos públicos falsas.

Sicário coordenava ainda a mobilização de equipes responsáveis por atividades de monitoramento presencial e coleta de informações, bem como organizava ações destinadas a pressionar ou intimidar indivíduos que mantinham posicionamento crítico em relação ao grupo investigado.

Um deles foi o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, a quem Vorcaro mandou “dar um pau e quebrar todos os dentes”. Outra foi uma empregada que ameaçava o banqueiro. Em mensagem, ele diz que “tinha de moer essa vagabunda”.

Há várias trocas de mensagem de perseguição a adversários, ex-funcionários, empregados e jornalistas. “Ao longo de toda a representação policial, há inúmeros episódios no mesmo sentido: Vorcaro utilizando Mourão, a “Turma” e os “Meninos” dele, para a prática dos mais variados ilícitos, muitos deles de caráter violento”, escreve Mendonça.

‘Empregados’ de Vorcaro: o que mostra a investigação da PF sobre servidores do BC afastados

 


segunda-feira, 2 de março de 2026

XP estreia opção de crédito consignado privado

 

A XP anunciou nesta segunda-feira, 2, a estreia de uma modalidade de crédito consignado privado, voltado para clientes com carteira assinada em regime CLT. O lançamento ilustra o crescente interesse de instituições financeiras na oferta do produto, meses após a entrada em vigor de um programa do governo de incentivo à linha.

Em comunicado, a XP explica que a modalidade é pré-fixada, com parcelas mensais definidas de acordo com o salário registrado em carteira e descontadas diretamente em folha. O primeiro pagamento ocorre 60 dias após a contratações. Valores e prazos são decididos conforme o perfil do cliente e da empresa.

“O crédito na XP é uma ferramenta de relacionamento e o nosso objetivo é manter uma prateleira altamente competitiva, integrada ao planejamento financeiro do investidor e à completude das soluções que estamos expandindo no ecossistema XP”, disse o Head de Produtos de Crédito da XP, Felipe Colin.

Nos últimos meses, a XP vem ampliando a oferta de serviços de crédito, como estratégia de diversificação. Além do consignado privado, a carteira inclui também crédito com garantia de imóvel e de investimentos, além de crédito pessoal livre de garantias.

Ouro fecha em alta com guerra no Oriente Médio reforçando busca por refúgio

 Ouro - Mineração sustentável. Essa é a nossa frente.

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda-feira, 2, impulsionado pela busca do ativo como refúgio diante do conflito desencadeado no Oriente Médio no final de semana após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. O ativo chegou a disparar acima dos US$ 5.400 a onça-troy, mas perdeu força ao longo do dia, em um movimento que levou a prata, que também chegou a operar com forte alta com a busca por refúgio, a encerrar em baixa.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 1,21%, a US$ 5.311,6 por onça-troy. Já a prata para maio teve queda de 4,76%, a US$ 88,85 por onça-troy.

“O medo do mercado continua impulsionando a entrada de capital no metal precioso, como esperado, mesmo com a forte reversão dos preços da prata na sessão de Nova York. Os retornos das commodities em guerras envolvendo os EUA, país com moeda de reserva, tendem a ser impactados pelo impulso fiscal, particularmente em guerras de ocupação”, aponta o TD Securities.

“Embora a probabilidade de um conflito desse tipo pareça baixa, a duração do conflito ajudará a avaliar as implicações fiscais associadas. Elas podem ser mais agudas hoje, dada a prevalência da desvalorização cambial ao longo do último ano”, pondera. “Nesse cenário, o ouro tende a capturar parte da função de reserva de valor perdida pelo dólar, prolongando a desvalorização cambial, o que tende a resultar em uma alta maior nos preços das commodities do que a explicada apenas pelas forças de oferta e demanda”, conclui.

“Os bancos centrais normalmente ignoram os choques inflacionários impulsionados pelo petróleo, e esperamos que desta vez seja semelhante”, afirma o Wells Fargo. “Prevemos que o Federal Reserve (Fed) adote uma perspectiva de longo prazo, e os eventos do fim de semana provavelmente não terão um grande impacto na reação”, avalia. “Nossa previsão de cortes de 50 pontos-base nas taxas de juros este ano permanece inalterada, pontua.

 

 https://istoedinheiro.com.br/ouro-fecha-em-alta-com-guerra-no-oriente-medio-reforcando-busca-por-refugio

Paramount+ e HBO Max serão um só: entenda o que muda com o acordo de compra da Warner Bros.

 

A fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros Discovery criará uma entidade combinada com uma dívida líquida de cerca de US$79 bilhões, informou a Paramount nesta segunda-feira, descartando qualquer plano de alienação ou desmembramento dos ativos de TV a cabo.

As empresas irão unificar seus serviços de streaming, incluindo Paramount+ e HBO Max, em uma única plataforma, afirmou o presidente-executivo da Paramount, David Ellison, em uma teleconferência com analistas.

Juntas, as empresas já atendem mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor em mais de 100 regiões, disse Ellison, o que lhes confere a escala e o poder de fogo necessários para competir melhor em um mercado dominado pela Netflix.

A Paramount assinou o acordo de US$110 bilhões, ou US$31 por ação, para adquirir a Warner Bros na manhã de sexta-feira, depois que a Netflix se recusou a aumentar sua oferta.

A aquisição deverá gerar uma economia de mais de US$6 bilhões em custos, com grande parte dessa economia proveniente de “fontes não relacionadas à mão de obra”, por meio da combinação das plataformas de tecnologia de streaming e provedores de nuvem das empresas, entre outros, afirmou Andy Gordon, chefe de estratégia da Paramount.

A meta de economia é muito superior à meta de sinergia prometida pela Netflix, de até US$3 bilhões, e gerou temores de demissões em massa e redução da produção de filmes e programas de TV pela Warner-Paramount combinadas.

A fusão também unirá a CBS, a MTV, a Comedy Central e a BET da Paramount com as redes da Warner, incluindo a CNN, a TNT e o Food Network.

“Ao combinarmos nossos negócios lineares, esperamos impulsionar o fluxo de caixa, aumentar a eficiência e ajudar a gerenciar as pressões do mercado”, disse Ellison.

A entidade resultante da fusão terá um dos maiores acervos de propriedade intelectual comercialmente comprovada do setor, unindo franquias como “Game of Thrones”, “Missão Impossível”, “Harry Potter”, “Top Gun”, o Universo DC e “Bob Esponja”.

“A HBO é uma joia da coroa neste setor… e continuará a ter os recursos e a independência para fazer o que faz de melhor”, disse Ellison.

O acordo com a Paramount é garantido por US$54 bilhões em compromissos de dívida do Bank of America, Citigroup e Apollo.

Isso inclui US$39 bilhões em novas dívidas e US$15 bilhões para refinanciar a linha de crédito-ponte existente da Warner Bros, disse Gordon.

A Warner Bros Discovery tinha uma dívida líquida de US$29 bilhões, enquanto a Paramount tinha US$10,36 bilhões no final do ano passado.

Disputa de licitação

A disputa pelos estúdios e ativos de streaming da Warner Bros. se intensificou ao longo de meses, com a Paramount e a Netflix trocando propostas rivais de aquisição.

A Netflix saiu na frente, fechando um acordo no início de dezembro para comprar esses ativos, excluindo as redes de TV a cabo, por US$27,75 por ação, ou US$82,7 bilhões.

Após o conselho da Warner considerar a proposta da Paramount superior, a Netflix desistiu da disputa acirrada por ativos, incluindo a DC Comics, a HBO e a HBO Max.

O acordo entre a Paramount e a Warner Bros também eliminaria as dúvidas em torno do valor e do risco da cisão das redes de TV a cabo que os acionistas da Warner teriam mantido sob a proposta da Netflix, reduzindo uma das principais variáveis ​​que contribuíam para as incertezas em torno da oferta da Netflix.

A expectativa é que a empresa resultante da fusão produza pelo menos 30 filmes para cinema por ano, mantendo os estúdios Warner Bros. e Paramount.

Na sexta-feira, a Paramount pagou a multa de rescisão de US$2,8 bilhões que a Warner devia à Netflix. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano.

A aquisição provavelmente obterá facilmente a aprovação antitruste da União Europeia, sendo que quaisquer desinvestimentos necessários deverão ser mínimos, informou a Reuters na sexta-feira, citando fontes.

A Paramount, liderada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, tem fortes laços com o governo Trump, um fator que, segundo alguns analistas, pode ajudá-la a obter um tratamento regulatório mais favorável.

Latam vai ampliar voos domésticos em 9% no Brasil no 1º semestre de 2026

 

A Latam Brasil ampliará o volume de frequências em voos domésticos no primeiro semestre de 2026 em 9%, na comparação com o mesmo período de 2025. A maior parte dos incrementos está concentrada nos hubs de São Paulo (Guarulhos e Congonhas) e Brasília.

No entanto, a companhia também vai reforçar mercados regionais estratégicos, especialmente nas regiões Norte e Sul, ampliando a integração entre capitais e cidades de médio porte. A oferta da rota Belém-Macapá, por exemplo, passará de três para oito voos semanais a partir de abril.

“A Latam vem nos últimos anos investindo no crescimento sustentável de sua malha e os incrementos de voos neste primeiro semestre são resultado deste olhar muito atento e racional às oportunidades de mercado”, afirma a diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, Aline Mafra.

Os novos voos serão operados integralmente pela frota da família Airbus A320 da Latam. Portanto, ainda não estão relacionados à aquisição de até 70 aeronaves Embraer E195-E2, anunciada em setembro de 2025.

Com a entrega dos 24 pedidos firmes, a companhia avalia a abertura de novos destinos regionais, além de otimizações na malha atualmente operada. A projeção é que as entregas comecem a partir do quarto trimestre de 2026.

Expansões

No Aeroporto de Guarulhos, a companhia retomará em maio a oferta habitual para Joinville e aumentará voos para Maringá, além de expandir, já em abril, as rotas para Porto Seguro e Dourados.

Em Congonhas, elevará as frequências para Goiânia e ampliará operações para Curitiba, Belo Horizonte/Confins e Florianópolis entre fevereiro e abril. Já em Brasília, houve aumento de voos para Curitiba e para São Paulo/Congonhas.

No Sul, a expansão de frequências para Joinville, Curitiba e Florianópolis reforça a conexão com grandes centros econômicos, enquanto no Sudeste a rota Rio de Janeiro/Galeão-Vitória ganhará mais voos a partir de maio. As mudanças ainda podem passar por ajustes pontuais.