sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Marisa diz que CVM reverteu decisão que determinava refazimento de demonstrações financeiras

 

A Marisa comunicou nesta sexta-feira que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após recurso da companhia, reverteu decisão da área técnica da autarquia que havia determinado o refazimento de demonstrações financeiras da varejista.

“A companhia reitera a sua confiança na integridade dos processos de elaboração das suas demonstrações financeiras”, afirmou em fato relevante. A decisão do colegiado da CVM ocorreu no último dia 30.

Em outubro, a Superintendência de Relações com Empresas da CVM determinou o refazimento dos resultados de 2022 a 2025 para constituição de provisões relacionadas a processos tributários de uma controlada indireta.

Petrobras ativa nova plataforma no pré-sal e retoma fábrica de fertilizantes em Sergipe

 

A Petrobras iniciou a produção da sétima plataforma de petróleo e gás do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, e também retomou a produção de sua fábrica de fertilizantes em Sergipe, ambos os avanços no último dia de 2025, afirmou a presidente da empresa, Magda Chambriard, em uma rede social.

Em comunicado separado ao mercado nesta sexta-feira, 2, a companhia adicionou que a entrada em operação da plataforma P-78 em Búzios — o maior campo produtor do país — permitirá a expansão da oferta doméstica de gás natural em até 3 milhões de m³ por dia.

A ampliação da oferta de gás ao mercado é uma demanda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, o Brasil conta com a reinjeção de grande parte de sua produção de gás natural, como parte de uma estratégia para impulsionar a produção de petróleo, na medida em que traz mais rentabilidade aos projetos.

O governo tem buscado que haja maior disponibilização desse gás ao mercado, de forma também que seja possível uma redução de preços do insumo.

Como é a nova plataforma da Petrobras

A nova unidade entrou em operação no último dia de 2025, com capacidade para produzir 180 mil barris de óleo por dia e comprimir 7,2 milhões de m³ de gás por dia. Com ela, a capacidade instalada do campo será ampliada para cerca de 1,15 milhão de barris por dia.

“O projeto conta com 13 poços, sendo seis produtores e sete injetores, equipados com sistemas de completação inteligente que potencializam o gerenciamento da produção”, disse a empresa no comunicado, nesta sexta-feira.

“A unidade será interligada com dutos rígidos de produção, injeção e exportação de gás e dutos flexíveis para as linhas de serviço, utilizando tecnologias inovadoras para fixação dos dutos no FPSO. Esses dutos permitirão a produção em alta capacidade prevista para os poços do campo.”

A P-78 chegou no Brasil em outubro, vinda de Cingapura, trazendo as equipes de comissionamento e operação a bordo, como parte de uma estratégia que permite a dispensa de parada em águas abrigadas no Brasil, viabilizando o avanço do comissionamento dos sistemas durante o translado para o Brasil.

Descoberto em 2010, Búzios está localizado a 180km da costa do Estado do Rio de Janeiro, a mais de 2 mil metros de profundidade. O campo superou a marca de 1 milhão de barris por dia em outubro passado. A Petrobras é operadora de Búzios e tem como sócias no ativo as chinesas CNOOC e CNODC.

Na véspera, Chambriard comemorou em uma rede social a entrada em operação da P-78 e mencionou que a companhia encerrou 2025 com a interligação de um total de 77 poços, volume acima da média dos últimos cinco anos, de 57 poços.

Fertilizantes

Já sobre a retomada da fábrica de fertilizantes de Sergipe (Fafen-SE), também uma demanda do presidente Lula, Chambriard afirmou que a unidade iniciou com a produção de amônia em 31 de dezembro.

A Petrobras tinha a previsão de retomar a produção das fábricas de fertilizantes na Bahia e de Sergipe em janeiro. As unidades chegaram a ser arrendadas pela Unigel, mas voltaram ao controle da Petrobras em 2025, após ficarem hibernadas desde 2023 por dificuldades financeiras.

A Fafen Sergipe tem capacidade instalada para 1,8 mil toneladas de ureia por dia, enquanto a Fafen Bahia pode produzir 1,3 mil toneladas/dia.

Lula defendeu desde o início do seu mandato o retorno de investimentos da estatal no setor, uma vez que o Brasil, uma potência agrícola, é fortemente dependente de importações de fertilizantes.

Dólar recua a R$ 5,43 em dia de agenda esvaziada e liquidez reduzida

 

O dólar iniciou a sexta-feira, 2, primeiro pregão do ano, em queda firme no Brasil, com o real apresentando um dos melhores desempenhos entre as divisas globais, em meio a uma agenda econômica esvaziada e liquidez reduzida após o feriado de Ano Novo. Já a bolsa paulista oscila próxima a estabilidade.

Às 11h01, o dólar à vista caía 0,95%, a R$ 5,433 na venda. Já o Ibovespa recuava 0,12%, negociado a 160.929,05 pontos.

Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro – atualmente o mais líquido no Brasil – recuava 0,76%, aos R$ 5,4770.

Mercado financeiro esvaziado

No último pregão de 2025, na última terça-feira, a moeda norte-americana fechou em queda de 1,58%, aos R$5,4890, acumulando perda de 11,17% no ano, sob o impacto, principalmente, do nível elevado dos juros no Brasil, que favoreceu a entrada de capital no país.

Com o menor volume de negócios, o desempenho da moeda acaba ficando mais volátil. Para 2026, a perspectiva dos analistas é de um cenário favorável para o real do ponto de vista externo, com a expectativa de corte nos juros do Federal Reserve, mas com a disputa eleitoral impondo limites.

Na cena política, as principais autoridades brasileiras seguem em recesso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou o Réveillon no Rio de Janeiro e deve retornar à Brasília na próxima semana. O ministro Fernando Haddad está em férias até 11 de janeiro.

No exterior, o dólar também recuava ante pares do real como o peso mexicano e o peso chileno.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Bulgária se prepara para adoção do euro com temor à inflação

 

A Bulgária está se preparando para adotar o euro e tornar-se assim o 21º país a aderir à moeda única europeia, integração que alguns temem que alimente a inflação e acentue a instabilidade política.

À meia-noite (19h desta quarta-feira, 31, em Brasília), o pequeno Estado balcânico de 6,4 milhões de habitantes aposentará sua moeda, o lev, em circulação desde o fim do século XIX.

A maioria das bancas do “Mercado das Mulheres”, o maior e mais antigo da capital, Sófia, já apresenta os preços em lev e em euros.

“Toda a Europa se adequa ao euro. Nós também vamos conseguir”, comenta Vlad, um aposentado de 66 anos. “O importante é que a Bulgária continue na Europa e se afaste de Moscou”, acrescenta.

Lucy, vendedora de uma das bancas, afirma que já aceita pagamentos em euros e considera que a população terá facilidade em se adaptar à nova moeda.

“As pessoas têm medo de que os preços aumentem. Hoje são 4 levs e vão passar a ser 4 euros, mas os salários continuarão os mesmos”, enfatiza uma mulher de cerca de 40 anos que não quis revelar seu nome.

Muitos búlgaros temem que a introdução do euro leve a uma espiral inflacionária. Os produtos alimentares já ficaram 5% mais caros no acumulado de 12 meses em novembro, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

As autoridades búlgaras tentam tranquilizar a população e prometem que a entrada na zona do euro permitirá dinamizar a economia do país, um dos mais pobres da União Europeia, da qual passou a fazer parte em 2007, e o protegerá da influência russa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garante que “o euro trará benefícios concretos aos cidadãos e às empresas búlgaras”.

“Facilitará as viagens e a vida no exterior, reforçará a transparência e a competitividade dos mercados e facilitará as trocas”, acrescentou em comunicado.

Paralelamente, a Bulgária enfrenta importantes desafios após as manifestações anticorrupção que recentemente derrubaram o governo de coalizão conservador, no poder há menos de um ano, e perante a perspectiva de novas eleições legislativas, as oitavas em cinco anos.

b/oaa/de/mab/dbh/yr/rpr

Petrobras e Lightsource notificam Cade sobre parceria no segmento de energias renováveis

 

As empresas Petrobras e Lightsource Brazil notificaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre ato de concentração para parceria comercial no setor de geração de energia. O edital que dá publicidade ao recebimento do processo pelo órgão foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 31. Com a notificação, o Cade começa a analisar o caso.

No último dia 16, a Petrobras confirmou ter celebrado acordo para estabelecimento de uma parceria estratégica no segmento de energias renováveis onshore, por meio da aquisição de 49,99% das subsidiárias da Lightsource bp no Brasil. A parceria será estruturada como uma joint venture, com gestão compartilhada entre as duas empresas. O valor da operação não foi informado e “não é materialmente relevante” para a Petrobras, afirmou a estatal em comunicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Brasil registra 49 milhões de empregos formais, recorde da série histórica

 

O número de postos de trabalho com carteira assinada apresentou saldo positivo de 85.864 postos em novembro, resultado de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. No acumulado do ano, foram criados 1.895.130 vínculos, representando uma alta de 4,0% em relação ao ano anterior. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta terça-feira, 30.

Com o resultado, o número de vínculos formais ativos chegou a 49,09 milhões, o maior registrado na série histórica do Novo Caged iniciada em 2020. Devido a mudanças no sistema de contabilização implementadas em 2020, a comparação com anos anteriores se torna imprecisa.

O resultado ficou acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 75 mil vagas. O dado reforça assim a resiliência do mercado de trabalho, apesar de um cenário de altas de juros e desaceleração econômica.

Em outubro, o saldo divulgado havia sido de 85.147 postos de trabalho, abaixo das estimativas registradas também em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 105.000 vagas. Ao divulgar os dados de novembro, o MTE também informou um reajuste do saldo de outubro para 93.689 postos.

Comércio puxa o crescimento no mês

O crescimento das vagas de emprego formal foi puxado pelo comércio, em provável preparação para o fim do ano. Além deste setor, apenas os serviços também registraram alta. Os demais apresentaram redução, conforme segue:

  • Comércio: +78.249 postos (+0,7%)
  • Serviços: +75.131 postos (+0,3%)
  • Indústria: -27.135 postos (-0,2%)
  • Construção: -23.804 postos (-0,7%)
  • Agropecuária: -16.566 postos (-0,8%)

Mulheres e jovens conquistam mais empregos formais

No mês de novembro, o saldo na criação de postos de trabalho foi positivo para mulheres (+93.087) e negativo para homens (-7.223). Também se concentrou em jovens de 18 a 24 anos (+79.567).

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.310,78, um aumento real de 3,03% em relação a novembro de 2024.

Novo salário mínimo entra em vigor no dia 1º de janeiro; veja o que muda

 

O salário mínimo passa a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. O valor representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao piso atual, que é de R$ 1.518. A mudança foi oficializada por decreto do governo federal e começa a ser paga efetivamente a partir de fevereiro, conforme o calendário de salários, aposentadorias e benefícios.

O aumento do salário mínimo afeta não apenas trabalhadores formais que recebem o piso nacional, mas também aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais, programas sociais e contribuições previdenciárias.

Segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos direta ou indiretamente influenciados pelo novo valor.

A seguir, veja os principais impactos do novo salário mínimo que entra em vigor em janeiro.

Como foi calculado o novo salário mínimo

O reajuste segue a política permanente de valorização do salário mínimo, prevista na Lei 14.663, de 2023. O cálculo considera dois componentes: a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Para 2026, o INPC acumulado ficou em 4,18%. Já o crescimento do PIB de 2024 foi de 3,4%, mas, por conta das regras do novo arcabouço fiscal, o ganho real ficou limitado a 2,5%. A combinação desses fatores resultou em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo.

Com o novo valor, o salário mínimo diário passa a ser de R$ 54,04, enquanto o valor por hora trabalhada sobe para R$ 7,37.

Aposentadorias e pensões do INSS

O reajuste do salário mínimo impacta diretamente os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem o piso nacional. Quem ganha um salário mínimo terá o benefício ajustado automaticamente para R$ 1.621, a partir dos pagamentos feitos no fim de janeiro.

Já os beneficiários que recebem acima do piso terão os valores corrigidos apenas pela inflação, com base no INPC de 2025, que será divulgado no início de janeiro. Segundo o Dieese, cerca de 70,8% dos beneficiários da Previdência Social recebem valores atrelados ao salário mínimo.

O aumento do piso deve elevar as despesas da Previdência Social em aproximadamente R$ 39,1 bilhões em 2026.

Benefício de Prestação Continuada (BPC)

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, também acompanha o salário mínimo. O valor do benefício passa automaticamente para R$ 1.621.

Além disso, o critério de renda para ter acesso ao BPC segue atrelado ao piso nacional. Para ter direito, a renda mensal por pessoa da família deve ser igual ou inferior a 25% do salário mínimo, o que corresponde a R$ 405,25 em 2026.

Abono salarial PIS/Pasep

O abono salarial do PIS/Pasep também sofre impacto com o novo mínimo. O valor do benefício é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e tem como referência o salário mínimo vigente no momento do pagamento.

Em 2026, os pagamentos começam em 15 de fevereiro e serão feitos em sete lotes. A estimativa do governo é que 26,9 milhões de trabalhadores recebam o abono, totalizando R$ 33,5 bilhões em repasses.

Quem trabalhou os 12 meses do ano-base poderá receber o valor integral de um salário mínimo, enquanto quem trabalhou menos meses receberá o valor proporcional.

Seguro-desemprego

O valor mínimo do seguro-desemprego também é reajustado com o novo piso nacional. Nenhuma parcela pode ser inferior ao salário mínimo vigente, o que garante o pagamento mínimo de R$ 1.621 em 2026.

Os valores máximos do benefício dependem de regras específicas e de portarias que ainda serão formalizadas pelo governo federal. Em 2025, as parcelas variaram entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11.

Cadastro Único e programas sociais

O aumento do salário mínimo altera os critérios de renda do Cadastro Único (CadÚnico), que dá acesso a programas sociais como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia e auxílios habitacionais.

Pelas regras atuais, podem se inscrever no CadÚnico famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Com o novo piso, o limite passa a ser de R$ 810,50 por integrante da família.

Apesar da mudança no critério de renda, o Bolsa Família não tem previsão de reajuste nos valores pagos em 2026.

Contribuições de MEI e INSS

Os microempreendedores individuais (MEIs) também sentirão o impacto do novo salário mínimo. A contribuição mensal ao INSS corresponde a 5% do piso nacional e sobe de R$ 75,90 para R$ 81,05 em 2026.

No caso do MEI caminhoneiro, a contribuição passa de R$ 182,16 para R$ 202,42, podendo chegar a R$ 207,42, conforme o tipo de carga transportada e o destino. O cálculo considera 12% do salário mínimo para o INSS, além dos valores fixos de ICMS ou ISS.

Outras contribuições previdenciárias, como o salário-família e o auxílio-reclusão, também terão os limites reajustados, dependendo de portarias a serem publicadas pelo INSS.

Margem do crédito consignado

O novo salário mínimo amplia a margem disponível para contratação de crédito consignado por aposentados, pensionistas e trabalhadores com desconto em folha. A legislação permite comprometer até 35% do valor do benefício ou salário com parcelas de empréstimos.

Com o piso de R$ 1.621, a margem consignável sobe para R$ 569,45, ante R$ 531,30 anteriormente.

Impacto na economia

Segundo o Dieese, o novo salário mínimo deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia ao longo de 2026, considerando efeitos sobre renda, consumo e arrecadação.

O órgão estima que aproximadamente 29,3 milhões de aposentados e pensionistas, 17,7 milhões de trabalhadores formais, 10,7 milhões de autônomos e 3,9 milhões de empregados domésticos sejam diretamente impactados.

O reajuste também traz efeitos relevantes sobre o orçamento público. A cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, o custo adicional para os cofres públicos é estimado em R$ 380,5 milhões, o que reforça o desafio do governo de conciliar aumento de renda com controle das despesas obrigatórias.