sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Bolsas europeias fecham em alta com petróleo e alívio do risco

 

As bolsas de valores da Europa encerraram a sessão da última sexta-feira em alta, marcando uma significativa recuperação dos mercados após um período de perdas recentes. O movimento de valorização foi impulsionado principalmente pelo recuo nos preços do petróleo no pregão e por um notável alívio no apetite global por risco, mesmo diante da repercussão dos dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que influenciaram as apostas sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve (Fed).

O que aconteceu

  • As bolsas europeias fecham em alta, com recuperação dos mercados impulsionada pela queda do petróleo e alívio do risco.
  • Índices de Londres, Frankfurt, Paris, Milão, Madri e Lisboa registraram avanços significativos na sessão de sexta-feira.
  • Indicadores como produção industrial do Reino Unido e alertas do BCE sobre inflação e juros também moldaram o cenário.

Quais índices europeus fecharam em alta na sexta-feira?

Os principais índices acionários europeus registraram fechamento positivo. Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,39%, atingindo 10.650,44 pontos. Já em Frankfurt, o DAX valorizou 0,77%, encerrando o dia com 25.557,16 pontos. A bolsa de Paris, representada pelo CAC 40, subiu 0,78%, alcançando 8.179,77 pontos.

Na Itália, o FTSE MIB de Milão registrou uma alta ainda mais expressiva de 1,36%, chegando aos 52.512,03 pontos. Madri, com o Ibex 35, teve um crescimento de 0,84%, fechando em 19.825,70 pontos. Por fim, em Lisboa, o PSI 20 elevou-se 0,73%, marcando 9.524,73 pontos.

Indicadores econômicos e alertas do Banco Central Europeu

No Reino Unido, a produção industrial surpreendeu positivamente ao avançar 0,2% em julho em relação a junho, superando as expectativas do mercado, que projetavam uma queda de 0,2%. Este dado contribuiu para o otimismo.

A situação econômica da França, contudo, apresentou um desafio, com o ministro das Finanças, Roland Lescure, reduzindo a projeção de crescimento do país para 2026 de 0,7% para 0,5%. Lescure admitiu, ainda, dificuldades em cumprir a meta de déficit fiscal, adicionando um ponto de cautela ao cenário europeu.

A política monetária também esteve em foco. Gabriel Makhlouf, membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE), emitiu um alerta sobre os conflitos no Oriente Médio, ressaltando que estes podem sustentar a inflação por um período mais prolongado. Ele enfatizou que novas elevações agressivas das taxas de juros trariam riscos adicionais e significativos ao crescimento econômico da região, ponderando a delicada balança entre controle inflacionário e estímulo ao crescimento.

Setores e empresas impulsionam ganhos no mercado europeu

Entre os destaques corporativos, a Airbus viu suas ações subirem 1,4% após anunciar um plano de recompra de até 4,1 milhões de ações no mercado aberto, sinalizando confiança na valorização da empresa. O setor de semicondutores e tecnologia também teve um bom desempenho, beneficiado pelo aumento da demanda ligada à Inteligência Artificial (IA).

Em Londres, empresas como Renishaw, que subiu 3,1%, e XP Power, com avanço de 5,4%, foram impulsionadas por uma elevação de recomendação pelo Jefferies. Na Alemanha, a SAP encerrou o dia estável, após uma recuperação de perdas, enquanto a Sartorius registrou alta de 1,3%. O setor de luxo em Paris também contribuiu para os ganhos, com papéis subindo 1% e a Kering registrando um ganho de 2%. Mesmo com a queda pontual do petróleo no dia, as ações do setor de energia na Europa encerraram em leve alta de 0,6%, mostrando resiliência.

 

 

.Riscos da inteligência artificial: Jensen compara situação à pandemia

 

Greg Jensen, co-diretor de investimentos (CIO) da Bridgewater Associates, fez um duro alerta sobre os riscos da inteligência artificial (IA) durante participação no podcast Odd Lots, da Bloomberg. O executivo comparou o estágio atual da tecnologia aos primeiros momentos da pandemia de Covid-19, ressaltando que a inação pode ter consequências severas e que é crucial lidar com o problema antes que se torne incontrolável.

O que aconteceu

  • Greg Jensen, da Bridgewater Associates, alertou sobre os riscos da inteligência artificial, comparando o cenário atual ao início da pandemia de Covid-19.
  • O especialista, que foi investidor inicial em empresas de IA, teme a velocidade dos avanços e a capacidade dos modelos de apresentar comportamentos inesperados.
  • Ele defende a responsabilização de desenvolvedores e a tributação do “trabalho das máquinas” para mitigar os impactos sociais e econômicos da automação.

Apesar do tom alarmista, Jensen não é um crítico da tecnologia. Ele foi um dos primeiros investidores da OpenAI e da Anthropic e, ao longo de três décadas na Bridgewater, ajudou a incorporar modelos quantitativos, algoritmos e sistemas automatizados aos processos de investimento da companhia. Atualmente, ele supervisiona o laboratório interno de inteligência artificial da gestora e acompanha o uso da tecnologia nos mercados financeiros.

Segundo Jensen, os avanços têm sido rápidos a ponto de os modelos começarem a se aproximar e até mesmo superar as capacidades humanas. Ele afirmou que a IA desenvolvida pela Bridgewater quase alcançou o sistema de tomada de decisões baseado na chamada “intuição humana”, desenvolvido pela empresa ao longo de décadas.

“Acho que estamos a poucos anos de a IA ser significativamente melhor do que o conjunto de todos os humanos da Bridgewater. É apenas uma projeção, mas essa é a velocidade com que a tecnologia está avançando”, disse.

Quais são as principais preocupações com a inteligência artificial?

Parte da preocupação do executivo está relacionada à rapidez das mudanças e aos episódios recentes envolvendo sistemas de inteligência artificial. Jensen citou o ataque ao Hugging Face como um dos sinais iniciais de como os modelos podem apresentar comportamentos inesperados. Ele alertou que uma IA poderia tentar enganar avaliadores para atingir objetivos definidos durante o treinamento.

Em um cenário extremo, afirmou Jensen, sistemas muito avançados poderiam desenvolver estratégias cada vez mais agressivas para superar limitações impostas pelos próprios criadores. Essas declarações reforçam um movimento crescente dentro da indústria de tecnologia; recentemente, um ex-funcionário da Anthropic afirmou que a inteligência artificial representa um risco existencial para a humanidade, e o investidor Paul Tudor Jones comparou a chegada da IA à expectativa pela aproximação de um furacão de categoria 6.

Medidas propostas para controlar o avanço da IA

Para Jensen, desacelerar o desenvolvimento da tecnologia pode ser a melhor alternativa. “Quanto mais tempo esperamos, mais sem esperança a situação fica”, afirmou o co-CIO da Bridgewater. Ele defende a responsabilização de desenvolvedores e empresas por crimes eventualmente cometidos por sistemas de inteligência artificial.

O executivo também voltou a propor a tributação do chamado “trabalho das máquinas” como forma de compensar os impactos da automação sobre o mercado de trabalho. Na avaliação do gestor, cerca de 14% dos empregos existentes hoje poderão passar por mudanças radicais nos próximos três anos em função dos avanços da IA.

Tenda é principal escolha do JPMorgan entre construtoras

 

O JPMorgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, avalia que o desempenho das construtoras residenciais brasileiras será cada vez mais influenciado pelo sentimento em relação às eleições de 2026. A instituição reitera sua recomendação de compra para a Tenda (TEND3), destacando-a como a principal escolha entre as empresas do setor, com potencial de alta de 59%.

O que aconteceu

  • A Tenda (TEND3) é eleita a principal escolha do JPMorgan, com potencial de valorização de 59% para suas ações.
  • O banco projeta que o cenário das eleições de 2026 impactará diretamente as construtoras residenciais do país.
  • Recomendações variam entre compra para baixa renda e neutra para média/alta renda, com ressalvas e riscos apontados.

A análise do JPMorgan sugere que uma eventual mudança de governo no Brasil favoreceria as empresas de média e alta renda, como Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), em função de uma possível intensificação do ajuste fiscal. Por outro lado, a permanência da atual administração tenderia a beneficiar as companhias de baixa renda, a exemplo de Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), que são impulsionadas por programas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Com base na projeção de continuidade do governo atual, o banco de investimento reiterou sua recomendação de compra para Tenda, Direcional e Cury. Para Cyrela e EZTEC, a recomendação permanece neutra devido às incertezas para 2027, embora exista a possibilidade de valorização das ações em um cenário de mudança no sentimento do mercado.

Cenário para mrv e riscos

A MRV (MRVE3) se destaca com uma recomendação neutra, diferentemente das outras empresas de baixa renda. A previsão de novas perdas na Resia, sua subsidiária de imóveis para locação nos Estados Unidos, é um fator determinante para essa avaliação no segundo semestre. As perdas estimadas são de aproximadamente US$ 50 milhões.

Entre os riscos para o cenário positivo das empresas de baixa renda, o JPMorgan aponta a pressão inflacionária, especialmente com a cotação do petróleo acima de US$ 80 por barril. Uma desaceleração temporária nos repasses de financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF) também é considerada, assim como uma greve de funcionários da Caixa, prevista para começar em 10 de setembro, mas com expectativa de curta duração.

O JPMorgan definiu preços-alvo para dezembro de 2027, indicando um potencial de valorização de 50% a 60% para as ações com recomendação de compra. Para os papéis classificados como neutros, a expectativa de alta é de 40% a 50%.

Por que a tenda é a principal escolha?

A Tenda (TEND3) é a principal escolha do banco, com um potencial de valorização de 59% até o preço-alvo de R$ 52,50. A preferência é justificada pelo seu valuation atrativo, negociando a 4,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, e pela possibilidade de recuperação operacional da Alea, sua subsidiária de estruturas de madeira, que o mercado ainda não teria precificado totalmente.

Direcional em destaque

A Direcional (DIRR3) aparece logo em seguida, com potencial de alta de 60% até o preço-alvo de R$ 17,50. O banco ressalta o valuation de 5,4 vezes o P/L estimado para 2027, com um desconto de 22% em relação à Cury. A companhia também se beneficia do potencial de valorização do seu banco de terrenos em Belo Horizonte, impulsionado pela nova legislação de zoneamento, e da parceria com a Moura Dubeux para projetos de baixa renda no Nordeste.

Qualidade da cury

Para a Cury (CURY3), o JPMorgan enfatiza a elevada qualidade da companhia e sua notável conversão de lucro líquido em fluxo de caixa livre, que alcança 75%, sendo a maior entre as empresas de baixa renda acompanhadas pelo banco. O preço-alvo foi ajustado de R$ 43,50 para R$ 48, o que implica um potencial de alta de 49%. A ação negocia a 6,9 vezes o P/L estimado para 2027, cerca de 25% abaixo do pico de 9,5 vezes registrado no início do ano. O banco ainda projeta um dividend yield de aproximadamente 8% para 2026.

Perspectivas para cyrela

No segmento de média e alta renda, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a Cyrela (CYRE3), com preço-alvo de R$ 34,50. Contudo, a análise aponta para uma forte valorização em caso de mudança no governo, cenário em que a ação poderia atingir 1,7 vez o valor patrimonial por ação (P/VPA), contra cerca de 1 vez atualmente. A venda da torre corporativa Pininfarina por R$ 1,4 bilhão é outro ponto destacado, com potencial de resultar em uma distribuição de dividendos equivalente a um yield de aproximadamente 11%.

Desempenho da eztec

Para a EZTEC (EZTC3), a recomendação neutra reflete principalmente o cenário macroeconômico, com juros elevados por mais tempo, que tende a impactar o segmento de média e alta renda. Apesar disso, a companhia demonstrou crescimento de 53% nos lançamentos no primeiro semestre. Nos últimos 30 dias, a ação acumulou alta de 19%, superando a Cyrela (16%) e o Ibovespa (8%). O novo preço-alvo é de R$ 19.

Por que a mrv continua neutra?

A MRV (MRVE3) persiste como uma exceção entre as empresas de baixa renda analisadas. Embora o negócio principal apresente recuperação, com crescimento de lançamentos e melhora das margens, o JPMorgan prevê novas perdas na Resia, estimadas em US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 260 milhões), para o segundo semestre. A operação nos EUA busca vender terrenos, instalações, equipamentos e participações minoritárias em projetos, com desinvestimentos projetados em cerca de US$ 165 milhões.

A MRV negocia a 4,7 vezes o P/L estimado para 2027, alinhada à Tenda, mas com um desconto de 15% a 30% em relação aos pares. Para o JPMorgan, esse desconto é justificado pela incerteza e baixa visibilidade sobre os resultados futuros. A dívida líquida da companhia, incluindo passivos de cessão de créditos, alcançou R$ 10,6 bilhões no segundo trimestre, equivalente a 2,3 vezes o patrimônio líquido, o maior patamar do setor.


https://istoedinheiro.com.br/tenda-principal-escolha-jpmorgan-construtoras


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Turismo no Brasil: atividades crescem 2,7% em julho de 2026

 

As atividades turísticas no Brasil registraram crescimento de 2,7% em julho de 2026, recuperando parcialmente a queda de 4,0% observada entre maio e junho do mesmo ano. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicam que o setor ainda busca o patamar de seu ápice histórico, alcançado em dezembro de 2024.

O que aconteceu

  • As atividades turísticas no Brasil registraram crescimento de 2,7% em julho de 2026, conforme dados do IBGE.
  • O setor encontra-se 9,4% acima do nível de fevereiro de 2020, mas 3,8% abaixo do pico histórico de dezembro de 2024.
  • Na comparação anual, o volume de atividades turísticas recuou 2,6% em julho, marcando o quinto resultado negativo consecutivo.

Apesar da alta mensal, o segmento de turismo opera 3,8% abaixo do ápice de sua série histórica, registrado em dezembro de 2024. Contudo, o patamar atual se mantém 9,4% acima dos níveis pré-pandemia, em fevereiro de 2020, sinalizando uma recuperação que ainda não se consolidou plenamente.

Como o turismo se comportou nas regiões?

Regionalmente, o movimento de expansão mensal foi acompanhado por 11 dos 17 locais pesquisados pelo IBGE. São Paulo liderou as contribuições positivas, com um avanço de 3,5%, seguido por Bahia (8,6%), Paraná (6,7%) e Minas Gerais (2,8%).

Em contrapartida, alguns estados registraram resultados negativos no período. O Ceará apresentou retração de 1,8%, enquanto Pernambuco apontou uma queda de 1,1%, figurando entre os principais recuos no mês de julho de 2026.

Setor turístico piora em comparação anual?

Na comparação com julho do ano anterior, o volume de atividades turísticas no Brasil registrou uma retração de 2,6%, configurando o quinto resultado negativo consecutivo para o setor. Essa queda foi impulsionada, principalmente, pela redução na receita de empresas de transporte aéreo de passageiros e do segmento hoteleiro.

Analisando os dados regionais, dez das dezessete unidades da federação investigadas mostraram declínio nos serviços voltados ao turismo. Os destaques negativos foram São Paulo (-3,5%), Pernambuco (-13,7%), Ceará (-13,7%), Paraná (-5,3%), Pará (-15,1%) e Distrito Federal (-6,5%). Em contrapartida, Bahia (18,6%), Rio de Janeiro (2,8%) e Minas Gerais (1,8%) exerceram os principais impactos positivos na comparação anual.

Qual o balanço do acumulado no ano?

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o conjunto de atividades turísticas no país apresentou uma retração de 1,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa queda foi predominantemente influenciada pela menor receita de empresas de transporte aéreo de passageiros e de hotéis, setores-chave para o desempenho turístico.

Regionalmente, 11 dos 17 locais investigados também registraram taxas negativas no acumulado do ano. As maiores perdas foram observadas em São Paulo (-1,3%), Minas Gerais (-4,0%), Pernambuco (-7,9%), Paraná (-5,3%) e Ceará (-8,6%). Em contraste, o Rio de Janeiro (5,0%) liderou os ganhos no turismo, seguido por  Bahia (5,9%), Espírito Santo (2,3%) e Rio Grande do Sul (0,7%), demonstrando resiliência em algumas regiões.

BCE eleva taxas de juros em meio à “guerra no Oriente Médio” e revisa projeções de inflação

 

O Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela segunda vez neste ano nesta quinta-feira, 10 de setembro, em Frankfurt, com o objetivo de frear o avanço da inflação. A escalada inflacionária é impulsionada principalmente pelos preços da energia, agravados pela guerra no Oriente Médio.

A decisão afeta diretamente os 21 países da zona do euro e ocorre em meio a temores de uma onda de aumentos de preços, especialmente com a alta do petróleo.

O que aconteceu

  • O BCE eleva taxas de juros para conter a inflação impulsionada pela guerra e preços de energia.
  • A guerra no Oriente Médio, com ataques entre EUA e Irã, elevou os preços do petróleo acima de US$100.
  • O BCE reviu para cima as projeções de inflação e crescimento, esperando que a inflação permaneça acima da meta de 2% até 2028.

Desde o final de agosto, ataques de ambos os lados na guerra no Oriente Médio interromperam um período de relativa calma. Estados Unidos e Irã atingiram alvos militares, de transporte marítimo e do setor energético. Este cenário impulsionou os preços do petróleo de volta a patamares acima de US$100 o barril, reacendendo preocupações com uma nova onda de aumentos de preços na zona do euro, região que é grande importadora de combustíveis. A expectativa do mercado é de que a inflação continue acima da meta por um período prolongado.

Em resposta, o BCE elevou sua taxa de depósito de 2,25% para 2,50%, reiterando que a inflação deve se manter acima de sua meta de 2% por um tempo. Anteriormente, o banco já havia se pronunciado sobre como a guerra no Irã afeta a manutenção das taxas de juros.

Por que o BCE revisou suas projeções?

O banco central dos 21 países que compartilham o euro também revisou para cima algumas de suas projeções de crescimento e inflação. Essa atualização reflete tanto a resiliência inesperada da economia europeia quanto o impacto dos custos elevados dos combustíveis sobre outros preços. A nova previsão do BCE aponta para uma inflação de 3,0% neste ano, 2,5% no próximo ano e 2,1% em 2028.

Contudo, é provável que as projeções divulgadas nesta quinta-feira não contemplem plenamente o mais recente aumento nos preços da energia, especialmente do gás natural. Muitos países europeus dependem do gás para aquecimento, e o choque em seus preços tende a ter um impacto mais lento, mas também mais significativo e duradouro sobre a inflação, excluindo a energia, conforme observado pelo Barclays em uma nota.

O que os mercados esperam do BCE?

Os mercados financeiros precificam que haverá mais um aumento das taxas de juros ainda este ano, seguido por uma ou duas elevações adicionais no próximo ano. Por outro lado, economistas veem a decisão desta quinta-feira como possivelmente a última do BCE por enquanto, embora um número crescente deles considere o risco de ser necessário um aperto monetário adicional.

O BCE não forneceu indícios sobre futuras medidas, limitando-se a repetir sua postura padrão de que as decisões serão baseadas nos dados econômicos que forem surgindo.

 

https://istoedinheiro.com.br/bce-eleva-taxas-juros-guerra-oriente-medio-inflacao

Caixa Federal lança Pix parcelado para clientes

 

A Caixa Econômica Federal lança uma nova funcionalidade que permite aos clientes pessoa física parcelar transferências e pagamentos realizados via Pix. A novidade, anunciada nesta quinta-feira (3), está disponível diretamente no aplicativo do banco para as transações.

A medida é implementada por meio de contratação de crédito no momento da operação. Além desta, a Caixa já oferece outras facilidades como o Agendamento Pix, Pix Automático e Pix por Aproximação via Google Pay.

O que aconteceu

  • O Pix parcelado é a mais recente funcionalidade lançada pela Caixa Econômica Federal para seus clientes pessoa física.
  • Os valores para contratação variam de R$ 300 a R$ 50 mil, com prazo de pagamento de até 12 meses e taxas de juros personalizadas.
  • A nova opção visa ampliar o acesso a soluções financeiras digitais, combinando conveniência e uso consciente do crédito.

O banco público informa que, para os clientes com limite disponível, os valores para contratação podem variar entre R$ 300 e R$ 50 mil. O prazo máximo para pagamento é de 12 meses, e as taxas de juros são definidas conforme o relacionamento de cada cliente com a instituição.

Como funciona o parcelamento do Pix?

As condições detalhadas da operação podem ser consultadas no aplicativo da Caixa. Para concluir a transação e realizar o Pix com parcelamento, o cliente precisa apenas de uma autenticação, mas é essencial que o App CAIXA esteja atualizado para a versão mais recente.

Antes de confirmar qualquer operação, a Caixa garante transparência total. O cliente tem acesso a informações cruciais como taxa de juros, valor das parcelas, Custo Efetivo Total (CET) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Isso permite uma avaliação consciente do impacto da operação no orçamento.

A liberação da linha de crédito para o parcelamento está sujeita à análise de risco realizada pela CAIXA e depende da disponibilidade de limite para contratação. Esta é uma prática padrão em operações de crédito bancárias.

Crédito consciente e transparência

Para clientes que ainda não possuem a opção habilitada, a Caixa orienta manter os dados cadastrais atualizados e utilizar regularmente os produtos e serviços do banco. Isso pode ampliar o relacionamento e, em futuras avaliações de crédito, destravar a funcionalidade, seguindo os critérios de análise de risco da instituição.

A Caixa destaca que o “Parcelar Pix” visa expandir o acesso a soluções financeiras digitais integradas, promovendo conveniência, transparência e um uso consciente do crédito. Com essa modalidade, o recebedor do Pix tem acesso ao valor integral da transação instantaneamente, enquanto o pagador pode parcelar o desembolso de acordo com sua capacidade financeira, oferecendo maior flexibilidade e controle.

 

https://istoedinheiro.com.br/caixa-lanca-pix-parcelado-para-clientes

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Lar Cooperativa inaugura unidade operacional em Missal

 

Nova indústria de peixes e outros investimentos somam R$ 150 milhões 
 
 
A unidade de Recepção Boa Esperança recebeu investimento de R$ 17 milhões

A Lar Cooperativa Agroindustrial deu mais um importante passo em sua estratégia de expansão e fortalecimento regional. No último dia 2 foi inaugurada a Unidade Operacional Boa Esperança, em Missal (PR). Na ocasião foi feita a apresentação oficial do projeto de implantação da nova Unidade Industrial de Peixes (UIP). "A cooperativa se desenvolveu buscando atender melhor o associado e descobriu que era através das carnes que iríamos agregar valor aos grãos. Temos uma avicultura e suinocultura sólidas e agora chegou a hora do peixe. Esses investimentos representam mais renda nas pequenas propriedades, muito mais emprego direto e indireto. É um círculo virtuoso que será impulsionado ainda mais a partir deste momento", destacou o diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues.

Localizada na Linha Boa Esperança, no interior do município de Missal (PR), a Unidade de Recepção Boa Esperança recebeu investimento de R$ 17 milhões e foi projetada para garantir maior eficiência no suporte aos associados da região. O complexo conta com um silo pulmão para 1.315 toneladas, além de dois tombadores: um Pili de 26 metros e um Saur de 21 metros, entre outros equipamentos e sistemas avançados.

Com início da terraplanagem previsto para setembro de 2026 e das obras civis para março de 2027, a nova UIP (Unidade Industrial de Peixes) ocupará uma área construída de 10.800 metros quadrados. O investimento na primeira etapa soma R$ 100 milhões, com início da operação projetado para outubro de 2028. A planta começará com capacidade de abate de 35 mil peixes por dia, evoluindo progressivamente até atingir 90 mil peixes por dia em 2031, o que representará 622 toneladas de produto final por mês em 2032. O empreendimento prevê a criação de 120 empregos diretos em 2028, chegando a 250 postos de trabalho até 2030.

O projeto soma-se ao suporte da Unidade Industrial de Rações em Marechal Cândido Rondon, que está preparada para atender a demanda de até 150 mil peixes/dia, e aos aportes na Unidade Industrial de Peixes de São Miguel do Iguaçu, com R$ 18 milhões destinados para otimização do segundo turno. Esse investimento, permitirá encerrar 2027 com abate de 40 mil peixes por dia e 2028 com 50 mil peixes por dia, atingindo uma produção de 330 toneladas ao mês de produto acabado até o final de 2028. Essa expansão demandará mais 165 funcionários, 30 novos integrados e a adição de 44 hectares de lâmina d'água.

Entre 2026 e 2030, os investimentos totais da Lar nas plantas industriais da atividade somam R$ 118 milhões, somados a cerca de R$ 150 milhões projetados em lâmina d'água por parte dos associados integrados. A meta da cooperativa é saltar dos atuais 40 integrados (100 ha de lâmina d'água) para 170 integrados (400 ha) até 2032, elevando a produção total para 950 toneladas/mês e gerando 550 empregos diretos na cadeia produtiva da piscicultura.

 

 https://amanha.com.br/categoria/negocios-do-sul1/lar-cooperativa-inaugura-unidade-operacional-em-missal?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=Lar+Cooperativa+inaugura+unidade+operacional+em+Missal+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+09_09_2026


Pesquisador da Anthropic alerta sobre “brincadeira com vidas” por IA sem segurança

 

Jacob Coxon, um proeminente pesquisador de inteligência artificial, abandonou a indústria após três anos trabalhando com pré-treinamento de modelos na OpenAI e, posteriormente, na Anthropic. Ele alega que as empresas avançam em direção à superinteligência sem segurança suficiente, acusando-as de “brincar com as nossas vidas”. Sua saída ocorre em um momento de crescente debate sobre os riscos existenciais da IA.

O que aconteceu

  • O ex-pesquisador Jacob Coxon alertou sobre os riscos de a indústria de IA buscar superinteligência sem segurança adequada.
  • Ele acusa as companhias OpenAI e Anthropic de “brincar com as nossas vidas” ao acelerar o desenvolvimento de modelos.
  • Coxon e outros especialistas internos manifestam temor pelo potencial letal da IA, inclusive com estimativas de riscos à vida humana.

Coxon publicou sua posição na rede social X, afirmando: “Me demiti hoje da Anthropic. Passei os últimos três anos fazendo pesquisa de pré-treinamento tanto na OpenAI quanto na Anthropic. Nenhuma das duas empresas está agindo com responsabilidade. Elas estão correndo a passos largos para a superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas.”

O pesquisador alertou para o perigo do desenvolvimento acelerado em direção a sistemas capazes de realizar o chamado autoaperfeiçoamento recursivo, processo no qual a inteligência artificial projeta e treina a geração seguinte com pouca ou nenhuma intervenção humana.

Por que a preocupação com a segurança da IA aumenta?

Segundo o ex-pesquisador, o temor sobre os riscos da tecnologia não é restrito ao público externo: “As pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela poderá nos matar a todos até o final da década. Isso não é uma jogada de marketing. Aliás, muitos executivos e pesquisadores renomados costumam usar uma linguagem mais sensata na imprensa, mas ouço essas mesmas pessoas expressarem medo.”

Coxon acrescentou que, embora os líderes da Anthropic compreendam o que está em jogo, eles se sentem presos a uma corrida comercial para chegar primeiro, por não confiarem que seus concorrentes adotarão uma postura responsável.

Evan Hubinger, diretor de segurança da Anthropic, manifestou-se no X em caráter pessoal em concordância parcial com as preocupações levantadas por Coxon, estimando em mais de 10% a chance de a IA provocar mortes humanas na próxima década. “Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos”, afirmou Hubinger.

Mudanças em compromissos de segurança e o futuro da IA

A saída de Coxon ocorre em um momento em que a Anthropic se prepara para abrir capital na Bolsa (IPO). Em fevereiro, a empresa alterou sua carta de compromissos de segurança, retirando uma cláusula que previa a suspensão do desenvolvimento de novos modelos caso os riscos associados não pudessem ser controlados de forma eficaz.

Procuradas pela agência AFP, OpenAI e Anthropic não responderam imediatamente às declarações até a publicação da matéria. Da IstoÉ.

 

 

https://istoedinheiro.com.br/pesquisador-alerta-brincadeira-com-vidas-ia-sem-seguranca


Drones no Nepal: Exército usa tecnologia contra enchentes

 

Após as devastadoras inundações no Nepal, que superam a marca de mil mortos e cinco mil desaparecidos, o Exército do Nepal tem utilizado drones para entregar ajuda humanitária vital. Com estradas e pontes destruídas, a tecnologia se mostra essencial para alcançar as comunidades isoladas desde o desprendimento de uma geleira do Himalaia no final de agosto.

O que aconteceu

  • Drones no Nepal são a principal ferramenta do Exército para levar suprimentos e medicamentos a áreas isoladas após enchentes.
  • Mais de 1.300 pessoas morreram e 5.000 estão desaparecidas desde o desprendimento de uma geleira no Himalaia no final de agosto.
  • A frota de drones DJI FlyCart 100, doada pela China, realiza até 16 entregas diárias, transportando até 60 kg por vez.

Pelo menos 1.367 pessoas morreram e mais de 5.000 estão desaparecidas no Nepal desde que uma geleira do Himalaia se desprendeu perto da fronteira entre o Nepal e a China no final de agosto, causando devastação ao longo dos rios abaixo. A situação calamitosa levou o Exército do Nepal a buscar soluções inovadoras para as operações de busca e resgate.

“A maioria dos nossos helicópteros está ocupada com operações de resgate. Não há outra maneira de enviar alimentos, itens essenciais, medicamentos e combustível, a não ser por meio de drones, que são a melhor opção disponível, e devemos dar mais prioridade a eles”, afirmou Santosh Budhathoki, piloto contratado de drones pelo Exército do Nepal.

Como os drones auxiliam nas operações?

Os drones são empregados em distâncias de até 3 a 4 quilômetros e podem transportar até 60 quilogramas por vez. Eles já estão gerando um impacto positivo nas comunidades afetadas, que necessitam urgentemente de assistência, conforme relatado por Budhathoki.

O Exército realiza atualmente entre 10 e 16 entregas de ajuda por dia com uma frota de quatro drones DJI FlyCart 100. Todos os equipamentos foram doados pela China, como parte de um pacote de assistência recente para o país.

Além da ajuda humanitária, qual o uso dos drones?

Além da entrega de ajuda humanitária, os drones também têm sido utilizados para transportar os corpos das vítimas das enchentes em algumas áreas afetadas. Drones de reconhecimento têm sido amplamente empregados em operações de busca e resgate, complementando os esforços terrestres e aéreos.

“Temos feito viagens de ida e volta desde o início da manhã. Então, sim, é bastante agitado, porque precisamos fazer isso agora mesmo”, disse Milan Pandey, da empresa operadora de drones Airlift Technology. Ele enfatizou que “o Nepal tem essa geografia, esse terreno em que os drones seriam realmente mais rápidos, ágeis e baratos”. A complexidade das inundações e os desafios logísticos no Nepal e na China tornam a tecnologia de drones uma ferramenta indispensável.

 

 

IA resolve problema de matemática do milênio, afirma OpenAI

 

OpenAI afirma ter resolvido um dos Problemas do Milênio com IA, o que divide a comunidade matemática entre entusiasmo e preocupação com o futuro da ciência.

 

 

A OpenAI, empresa líder em inteligência artificial, anunciou nesta terça-feira ter resolvido um dos prestigiados “Problemas do Milênio”, um desafio matemático de grande complexidade que intriga cientistas há décadas. A companhia afirma que sua mais recente tecnologia de inteligência artificial solucionou o chamado “problema da existência e suavidade das equações de Navier-Stokes”, evidenciando a profunda transformação que a IA promove no campo da matemática avançada.

O que aconteceu

  • A inteligência artificial da OpenAI resolveu o “problema da existência e suavidade das equações de Navier-Stokes”, um dos sete “Problemas do Milênio”.
  • A solução foi alcançada por um modelo ainda não público em apenas 88 horas, com a colaboração de grandes equipes de agentes de IA.
  • O feito divide a comunidade científica, gerando entusiasmo pela capacidade da IA, mas também preocupações sobre a compreensão humana da matemática.

O anúncio é mais um sinal de que a IA está transformando profundamente os níveis mais avançados da matemática, há muito considerados uma das maiores expressões da capacidade intelectual humana. A mudança tem entusiasmado parte da comunidade acadêmica, mas também gerado preocupações entre alguns pesquisadores.

Ao longo do último ano, sistemas de inteligência artificial conseguiram resolver uma ampla variedade de problemas que desafiaram matemáticos por décadas. No entanto, essas questões não eram tão complexas nem tão acompanhadas pela comunidade científica quanto a que a tecnologia da OpenAI afirma ter solucionado nos últimos dias. Os Problemas do Milênio estão entre os temas mais pesquisados da matemática contemporânea.

IA e os desafios da matemática

“Este é um desfecho espetacular para a trajetória que observamos nos últimos 12 meses”, afirmou Sebastian Bubeck, pesquisador da OpenAI, sobre a nova solução apresentada pela empresa.

A companhia afirmou que um de seus modelos mais recentes, ainda não disponibilizado ao público, precisou de apenas 88 horas para resolver o chamado “problema da existência e suavidade das equações de Navier-Stokes”. Trata-se de um conjunto de equações frequentemente utilizado para prever o clima.

Essas equações descrevem o movimento da água e de outros fluidos. O problema de Navier-Stokes, que não possui uma aplicação prática direta evidente, busca responder se essas equações podem falhar completamente em determinadas circunstâncias. A demonstração apresentada pela OpenAI afirma ter identificado justamente uma dessas situações. Isso implicaria, ao menos teoricamente, que as próprias leis da física poderiam falhar sob determinadas condições. Em tese, por exemplo, a água poderia sofrer uma explosão espontânea. Matemáticos e físicos, porém, não acreditam que essa falha matemática necessariamente resulte em algo semelhante no mundo real.

O problema de Navier-Stokes é um dos sete Problemas do Milênio selecionados pelo Clay Mathematics Institute em 2000 como uma forma de acompanhar o progresso da matemática ao longo do novo milênio. O instituto, fundado pelo empresário americano Landon T. Clay, prometeu um prêmio de US$ 1 milhão para a primeira solução correta de cada problema. Antes do anúncio da OpenAI, apenas um deles havia sido resolvido.

O que pensam os especialistas sobre IA e matemática?

“Essas questões são como faróis”, disse Terence Tao, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e considerado por muitos o maior matemático de sua geração. “Elas funcionam como grandes pontos de referência que atraem os esforços dos cientistas.”

Tao está entre os matemáticos que vêm alertando publicamente que os sistemas de IA mais avançados podem acabar causando impactos negativos para a matemática. Segundo ele, se as máquinas resolverem os problemas mais difíceis com pouca participação humana, isso poderá enfraquecer a compreensão humana da disciplina.

“O esforço necessário para resolver problemas costuma ser extremamente instrutivo. Você aprende algo durante o processo. É como ir à academia com o objetivo de levantar um peso cem vezes”, explicou. “Agora, a IA pode resolver questões sem realmente extrair valor desse processo. É como ter máquinas que levantam os pesos por você na academia.”

Ao mesmo tempo, Tao e outros pesquisadores destacam que os matemáticos ainda desempenham um papel importante no trabalho realizado pelos sistemas de IA. A OpenAI informou que utilizou grandes equipes de agentes de IA para resolver o problema de Navier-Stokes e que seus pesquisadores transferiam ideias importantes entre esses grupos.

“Nosso papel foi semelhante ao de uma abelha realizando polinização cruzada entre diferentes grupos e levando informações de um para outro”, afirmou Dan Roberts, pesquisador da OpenAI.

Os sistemas de IA também podem se apoiar em avanços anteriores feitos por matemáticos ou até reproduzir de forma independente descobertas já alcançadas por humanos. Na noite anterior ao anúncio da OpenAI, Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York (NYU), escreveu em uma rede social que vinha explorando pesquisas semelhantes com outro matemático que trabalha para a Anthropic, principal rival da OpenAI.

Em publicação no blog da empresa, a OpenAI reconheceu que decidiu concentrar esforços no problema de Navier-Stokes após tomar conhecimento de que outros matemáticos investigavam questões semelhantes. A companhia, porém, afirmou que “não teve acesso aos trabalhos desses pesquisadores por nenhum meio”.

Como a OpenAI resolveu o problema?

Empresas como a OpenAI desenvolvem suas tecnologias de IA usando o que os cientistas chamam de redes neurais, sistemas que aprendem analisando enormes quantidades de dados digitais. Há cerca de dois anos, essas empresas passaram a aperfeiçoar os sistemas por meio de uma técnica conhecida como aprendizado por reforço. Nesse processo, os modelos aprendem novos comportamentos por tentativa e erro.

Ao resolver milhares de problemas matemáticos, por exemplo, os sistemas aprendem quais métodos levam às respostas corretas e quais não funcionam. Pesquisadores criam mecanismos complexos de feedback para indicar quando a IA está certa ou errada.

(O New York Times processa OpenAI e Microsoft por suposta violação de direitos autorais relacionada ao uso de conteúdo jornalístico no treinamento de sistemas de IA. As duas empresas negam as acusações.)

O aprendizado por reforço é difícil de aplicar em áreas como escrita criativa, filosofia e ética, onde é mais difícil determinar objetivamente o que está certo ou errado. Já na matemática, a técnica se mostra especialmente eficaz.

Por meio desse processo, os sistemas conseguem aprender a demonstrar teoremas matemáticos usando uma linguagem de programação chamada Lean. Originalmente desenvolvida para matemáticos humanos, a linguagem agora também pode ser utilizada por modelos de IA para produzir suas próprias demonstrações matemáticas.

Em janeiro, a OpenAI e outra startup chamada Harmonic anunciaram que duas de suas tecnologias haviam resolvido em conjunto um dos chamados “Problemas de Erdős”, uma coleção de desafios matemáticos proposta pelo matemático Paul Erdős.

Na época, alguns matemáticos argumentaram que a solução gerada pela IA não era muito diferente de trabalhos anteriores produzidos sem a ajuda dessas ferramentas.

“Para mim, parece um aluno muito inteligente que decorou tudo para a prova, mas não possui uma compreensão profunda do conceito”, disse Tao ao New York Times.

Nos meses seguintes, porém, tecnologias desenvolvidas pela OpenAI e por outras empresas continuaram resolvendo novos problemas matemáticos, em alguns casos de forma ainda mais impressionante.

A OpenAI afirmou que resolveu o problema de Navier-Stokes utilizando até 10 mil agentes de IA trabalhando simultaneamente. Operar um número tão elevado de sistemas provavelmente custou milhões de dólares, devido ao enorme consumo de energia dos chips especializados utilizados no processamento dessas tecnologias.

Noam Brown, cientista da OpenAI, classificou o processo como “muito caro”, mas observou que os custos tendem a cair à medida que as empresas aumentam sua eficiência.

Nesta terça-feira, a OpenAI publicou um artigo descrevendo a solução proposta, incluindo uma demonstração em Lean, permitindo que matemáticos independentes analisem como os agentes resolveram o problema.

Mesmo assim, para Tao, esse avanço ainda não substitui o processo humano de resolução de problemas. Ele comparou a OpenAI a um guia que encontra um caminho para uma cachoeira escondida.

“Isso tem valor”, disse. “Mas, depois que alguém mostra um caminho específico para chegar à cachoeira, as pessoas simplesmente seguem aquele caminho. Elas deixam de gastar tempo procurando outras rotas.”

 

 https://istoedinheiro.com.br/ia-openai-resolve-problema-matematica-mil-ano


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Margem consignável de aposentados do INSS volta a 45%

 


Com o fim da validade da Medida Provisória (MP) 1.355/2026 na semana passada, a margem consignável para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi restabelecida para 45%. Este percentual, que havia sido temporariamente reduzido para 40%, agora permite maior acesso ao crédito para os segurados. A margem é o limite mensal de renda que pode ser comprometido com o pagamento das parcelas de empréstimos.

O que aconteceu

  • A margem consignável total para aposentados e pensionistas do INSS retornou para 45%.
  • A Medida Provisória 1.355/2026, que diminuía o percentual para 40%, perdeu a validade por não ter sido aprovada pelo Congresso Nacional.
  • O novo limite é dividido em 35% para empréstimos e financiamentos, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão consignado de benefício.

A MP 1.355/2026, que também instituiu o Novo Desenrola Brasil para renegociação de dívidas, foi publicada em 4 de maio. Ela previa uma redução da margem para 40%, sendo: 5% para amortização de despesas de cartão de crédito consignado ou saque, e 5% para amortização de despesas de cartão consignado de benefício ou saque. Além disso, a proposta incluía a redução gradual da margem em dois pontos percentuais a cada ano, a partir de 2027, até atingir 30%.

A medida, ao diminuir a margem consignável, reduziria o valor total do empréstimo que um beneficiário poderia tomar. No entanto, para ser convertida em lei, o texto precisava de aprovação do Congresso Nacional até 31 de agosto, o que não ocorreu. Com isso, a MP perdeu sua eficácia, e a legislação anterior voltou a valer.

Como fica o cálculo da margem?

É responsabilidade da Dataprev ajustar os sistemas previdenciários para realizar o recálculo da margem consignável sempre que houver alterações no percentual de comprometimento da renda. Essa atualização garante que os novos limites sejam aplicados corretamente.

Contratos já firmados estão mantidos

Os contratos de empréstimos consignados que já haviam sido firmados sob as regras anteriores continuam válidos, mantendo todas as condições pactuadas. Portanto, para quem já está pagando as parcelas de um empréstimo já realizado, nada será alterado.

Ainda assim, o segurado do INSS tem a opção de refinanciar seu contrato de empréstimo consignado sob as condições atuais. Essa prática pode gerar um crédito adicional, mas é fundamental considerar que também pode elevar o valor das parcelas mensais, aumentando o risco de superendividamento.

É importante ressaltar que o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) possui regras de consignação próprias. O limite para os beneficiários do BPC/Loas não entra na margem de 45% do INSS, sendo fixado em 35%.

 

 https://istoedinheiro.com.br/margem-consignavel-inss-volta-45-porcento-aposentados

 

Pix: BC atualiza API e impulsiona pagamentos automatizados

 

 

O Banco Central (BC) atualizou o Pix, introduzindo as versões 2.10.0 do MPI (Manual de Padrões para Iniciação do Pix) e da API Pix. As mudanças visam aprimorar a gestão de recorrências e simplificar os pagamentos no setor financeiro. A iniciativa padroniza processos, estimula a concorrência e beneficia o comércio e consumidores com maior agilidade e eficiência nas transações.

O que aconteceu

  • O Banco Central atualizou o sistema Pix, lançando as versões 2.10.0 do MPI e da API Pix para otimizar pagamentos.
  • As novas interfaces aprimoram o gerenciamento de cobranças recorrentes, como mensalidades e serviços de streaming, e eliminam a necessidade de digitação de chaves.
  • A padronização da API Pix facilita a integração de sistemas de vendas, impulsionando o uso de QR Codes dinâmicos e estimulando a concorrência no setor financeiro.

A mudança está explicada na Instrução Normativa BCB 769, que divulga a versão 2.10.0 do Manual de Padrões para Iniciação do Pix (MPI). O documento, que integra o Regulamento do Pix, detalha as funcionalidades de iniciação de pagamentos do Pix, incluindo as especificações dos QR Codes. Além disso, apresenta a especificação da API Pix (Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicações), cuja versão 2.10.0 também foi publicada nessa mesma data.

Como a API Pix transforma as cobranças?

A API é a interface tecnológica que conecta sistemas empresariais e plataformas de vendas diretamente aos participantes do Pix. Ela padroniza a comunicação e automatiza processos operacionais, como a emissão de QR Codes para cobranças imediatas, com vencimento em data futura ou parceladas. Também gerencia cobranças recorrentes no âmbito do Pix Automático e conciliações financeiras em tempo real.

Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, a especificação padronizada da API Pix foi importante na expansão do Pix no comércio brasileiro. Ao fazer a integração direta e automatizada entre os sistemas dos varejistas e as instituições financeiras, a tecnologia viabilizou o uso em massa do QR Code dinâmico nas vendas, que passou de 5% das transações, em 2021, para 40%, em 2025.

As Pessoas Jurídicas (PJ), incluindo Microempreendedores Individuais (MEI), interessadas em usar a API Pix podem contratar o serviço junto a uma das instituições financeiras e de pagamento que participam do Pix. Isso permite conectar seus sistemas de vendas ou de gestão às funcionalidades de cobrança oferecidas pelo Pix. A partir daí, a geração de QR Codes dinâmicos, por exemplo, passa a ser totalmente automatizada no momento do pagamento, com baixa e conferência financeira instantâneas no sistema da empresa assim que o cliente paga.

Sem a API Pix, o comerciante, o empresário ou o cidadão continuam recorrendo a QR Codes estáticos ou chaves Pix. Isso os deixa dependentes da digitação individual de dados pelo cliente e da validação manual dos comprovantes.

“Quem utiliza a API opera de forma integrada e com informações em tempo real; quem não utiliza depende de processos mais manuais, que podem demandar mais tempo e esforço operacional”, destacou Márcia Regina Vicari, Chefe da Divisão de Gestão do Pix.

Impacto no uso e concorrência do Pix

A integração simplificada às funcionalidades de cobrança do Pix faz da API Pix um relevante instrumento para a expansão do pagamento instantâneo no Brasil. Com a geração automática de QR Codes no caixa de um estabelecimento físico ou em um e-commerce, o comércio elimina a digitação manual de chaves e confirma cobrança em segundos. Essa mudança reduz custos e acelera a presença do Pix na rotina de compras.

“Para quem empreende, a API Pix simplifica a gestão financeira, automatiza processos e agiliza o recebimento de recursos. Para o consumidor, proporciona uma experiência de pagamento mais rápida, conveniente e fluida”, afirma Márcia Regina. “O resultado é uma jornada mais eficiente para todos os envolvidos.”

A padronização da API Pix impulsiona a competição no setor financeiro ao equilibrar as condições de mercado entre bancos e demais instituições de pagamento. Além disso, ao reduzir as barreiras tecnológicas de entrada e os custos de infraestrutura, ela permite que novas empresas desenvolvam soluções de cobrança eficientes, integradas e econômicas.

Esse ambiente competitivo acaba incentivando a redução das tarifas operacionais para aceitação do Pix e o desenvolvimento de modelos de negócio inovadores. Isso resulta em serviços mais ágeis e acessíveis para negócios e consumidores.

 

 https://istoedinheiro.com.br/pix-api-banco-central-atualiza-sistema-cobrancas-automatizadas

“Golpe do Pix” afeta 90 lojas virtuais brasileiras e desvia valores

 

O que aconteceu

  • O golpe do Pix via QR Code afeta e-commerces brasileiros, desviando pagamentos para contas fraudulentas.
  • A fraude, detectada pela Kaspersky, atinge principalmente lojas que utilizam a plataforma de código aberto Magento.
  • Lojistas não recebem os valores e clientes só percebem a fraude dias depois, dificultando a recuperação do dinheiro.

O programa malicioso foi descoberto recentemente pelo pesquisador de segurança independente conhecido como “eremit4”. Segundo a Kaspersky, a fraude está ativa desde junho de 2025, já afetando lojas de diversos segmentos, como óticas, autopeças, moda e plataformas de vaquinhas virtuais.

Um ponto em comum entre as vítimas é o uso da plataforma de comércio eletrônico de código aberto Magento. Os cibercriminosos utilizam seis domínios de comando e controle para injetar código malicioso nas páginas de checkout. Assim que o cliente seleciona o pagamento via Pix, o código troca instantaneamente o QR Code gerado pela loja, além dos dados da opção “copia e cola”.

Como o golpe do Pix atua

O golpe é silencioso. Para o lojista, a compra aparece como “abandonada” ou pendente, pois o sistema oficial da loja não registra o recebimento. Já o cliente só percebe que foi vítima dias depois, ao entrar em contato com o e-commerce para reclamar do atraso na entrega.

Esse intervalo é suficiente para que os criminosos distribuam o valor roubado em diversas contas de “laranjas”, dificultando a recuperação do dinheiro. Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, afirma que a tática tem grande potencial de disseminação, pois “com a técnica agora pública nos fóruns do cibercrime, outros grupos criminosos devem adotá-la rapidamente”.

Assolini destaca que, como a grande maioria dos e-commerces oferece a função de copiar e colar a chave, os consumidores que compram pelo celular também estão amplamente vulneráveis. Ele alerta ainda que com inovações como o Pix Automático e o Pix Parcelado — que também funcionam por meio da leitura de um QR Code —, a superfície de ataque se expande, permitindo até mesmo débitos recorrentes e indevidos na conta da vítima, caso as devidas proteções não sejam aplicadas.

Lojas virtuais estão se protegendo?

Segundo a Kaspersky, alguns sites afetados começaram a adotar medidas provisórias após receberem denúncias de clientes. Algumas lojas removeram o QR Code e passaram a exibir apenas a chave Pix (CNPJ), solicitando o envio manual do comprovante.

Outras inseriram os dados do beneficiário real abaixo do código para estimular a dupla verificação ou migraram suas estruturas para intermediadores de pagamento de terceiros.

Como se proteger dos ataques via Pix?

Mantenha a plataforma atualizada: Sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS) e frameworks desatualizados são portas de entrada fáceis para invasões. Aplique correções de segurança imediatamente e descontinue o uso de versões sem suporte oficial.

Reforce a autenticação: O uso de senhas vazadas para invadir painéis administrativos é uma das táticas mais comuns na América Latina. Exija a autenticação em duas etapas (2FA) e troque senhas periodicamente na hospedagem, no painel e na implantação, evitando que o vazamento de um único acesso comprometa toda a operação.

Audite e monitore o checkout: Como a adulteração de dados ocorre diretamente no navegador do cliente, apenas monitorar o servidor não basta. Implemente ferramentas de verificação de integridade de arquivos nos modelos de checkout e faça auditorias constantes na página em execução.

Valide os pagamentos via Pix: Automatize a verificação entre os comprovantes de pagamento e o status das vendas. Configure alertas automáticos para pedidos que permaneçam pendentes além do tempo esperado de liquidação do Pix.

Seja transparente no momento do pagamento: Insira os dados reais da conta beneficiária (Nome da Empresa e CNPJ) na página de conclusão da compra, instruindo o cliente a realizar a conferência antes de finalizar o pagamento no aplicativo do banco.

Verifique o nome do destinatário: Antes de confirmar qualquer transação no aplicativo do banco, confira atentamente se o nome e o CNPJ apresentados na tela pertencem à loja em que a compra está sendo feita ou ao intermediador de pagamento oficial dela. Se o nome for divergente ou de pessoa física desconhecida, não conclua a transferência.

Use proteção no dispositivo: Tenha um bom software de segurança instalado em seu computador e celular. Soluções robustas bloqueiam acessos a endereços perigosos em tempo real. Durante a compra, caso receba um alerta de que a página está infectada ou comprometida, interrompa a navegação imediatamente e não conclua a compra.

 

 

https://istoedinheiro.com.br/golpe-pix-e-commerce-kaspersky-alerta

Trump causa crise diplomática ao mostrar mapa com “Groenlândia dos EUA”

 

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma crise diplomática ao publicar em sua rede social Truth um mapa que exibia a Islândia, a Groenlândia, o México, o Canadá e outras nações sob a bandeira norte-americana. Em resposta, a ministra das Relações Exteriores da Islândia, Thorgerdur Gunnarsdottir, convocou o embaixador dos EUA, Billy Long, para um repreendimento formal, classificando a ação como “completamente inadequada”. O incidente reacende o debate sobre o interesse dos EUA em territórios nórdicos, especialmente a Groenlândia, que recentemente recebeu um expressivo investimento da União Europeia.

O que aconteceu

  • O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, posta um mapa em sua rede social Truth, mostrando a Groenlândia e outros países sob a bandeira americana.
  • A ministra das Relações Exteriores da Islândia, Thorgerdur Gunnarsdottir, convoca o embaixador dos Estados Unidos, Billy Long, para manifestar desaprovação.
  • A publicação de Trump acontece horas após a Comissão Europeia anunciar um investimento de € 200 milhões para a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca.

Segundo informações da emissora local RUV, Gunnarsdottir expressou claramente a Long o descontentamento islandês com a atitude do ex-presidente. O mapa em questão mostrava, além dos EUA, Canadá, Groenlândia, México, América e Caribe, a Islândia, todos cobertos pelo símbolo dos Estados Unidos, gerando mal-estar diplomático.

A controvérsia surge em um momento em que a atenção global se volta para a Groenlândia. A publicação de Trump foi feita pouco depois da Comissão Europeia anunciar um robusto investimento de € 200 milhões destinado ao território. Em declarações anteriores, o republicano já havia expressado publicamente o desejo de que os EUA deveriam adquirir a Groenlândia, hoje uma região semiautônoma da Dinamarca.

Por que a Groenlândia é um ponto de discórdia internacional?

O anúncio da Comissão Europeia, feito pela presidente Ursula von der Leyen, reforça o apoio da União Europeia aos governos da Groenlândia e da Dinamarca. Ambos os entes rejeitaram veementemente a campanha de Trump para a aquisição da maior ilha do mundo, demonstrando um alinhamento com a soberania do território.

Os recursos europeus serão prioritariamente direcionados para setores estratégicos, como a exploração de minerais essenciais, o aprimoramento das comunicações via satélite e o desenvolvimento de projetos de energia renovável. Este investimento visa fortalecer a infraestrutura e a autonomia econômica da Groenlândia diante das pressões geopolíticas.

 

 https://istoedinheiro.com.br/trump-groenlandia-mapa-eua-causa-crise-diplomatica

Qualcomm e Amazon fecham acordo por “chips de IA” para data centers

 

A Qualcomm, maior fabricante de processadores para smartphones do mundo, e a Amazon.com anunciaram nesta terça-feira um acordo estratégico para o fornecimento de chips para data centers. A parceria abrangerá múltiplas gerações de produtos, com a Amazon recebendo o direito de adquirir até US$ 4 bilhões em ações da Qualcomm. Este movimento visa fortalecer a infraestrutura de inteligência artificial da Amazon Web Services (AWS) e diversificar os negócios da Qualcomm. Da IstoÉ.

O que aconteceu

  • Qualcomm e Amazon fecham parceria para o desenvolvimento de chips personalizados para a infraestrutura de inteligência artificial da AWS.
  • A Amazon terá o direito de adquirir até US$ 4 bilhões em ações da Qualcomm, atrelado a encomendas de chips que podem chegar a US$ 60 bilhões.
  • O acordo reforça a estratégia da Qualcomm de expandir sua atuação no lucrativo mercado de data centers, reduzindo a dependência de smartphones.

A colaboração envolverá o desenvolvimento de chips personalizados para dar suporte à infraestrutura de inteligência artificial da Amazon Web Services (AWS), informou a Qualcomm em comunicado. As empresas trabalharão em componentes voltados tanto para a execução de serviços de IA quanto para a conexão entre diferentes partes dos sistemas computacionais.

Pelos termos do acordo, a Qualcomm concedeu à Amazon um warrant que permite a compra de até 25 milhões de ações da companhia a US$ 161,26 cada. O direito de aquisição será liberado em etapas, vinculadas a encomendas de chips feitas pela Amazon que podem chegar a US$ 60 bilhões ao longo da próxima década.

As ações da Qualcomm chegaram a subir 8,7% em Nova York, para US$ 183,49, registrando o maior avanço intradiário desde 25 de junho. Já os papéis da Amazon recuavam menos de 1%.

Estratégia da Qualcomm para diversificação

A conquista da Amazon como cliente fortalece o movimento da Qualcomm para ganhar espaço no lucrativo mercado de componentes para data centers voltados à inteligência artificial. Sob o comando do CEO Cristiano Amon, a empresa busca reduzir sua dependência do setor de smartphones, que enfrenta desaceleração, e impulsionar o crescimento em áreas como data centers, automóveis e computadores pessoais. Essa estratégia reflete um compromisso com a valorização do acionista, à medida que a empresa também eleva dividendo e adiciona US$ 20 bi a programa de recompra.

A Qualcomm segue duas estratégias em sua iniciativa para data centers: vender seus próprios componentes e ajudar grandes clientes a projetar e fabricar seus próprios chips. A Amazon já é uma das companhias mais avançadas nesse modelo, com projetos internos de processadores, redes e chips de IA.

Qual é o papel de outras gigantes na corrida por chips de IA?

A Qualcomm já havia anunciado anteriormente que a Meta Platforms e a Humain, da Arábia Saudita, também serão clientes de seus chips para data centers.

A expansão acelerada da infraestrutura global de inteligência artificial tem sido marcada por acordos que vão além da simples compra e venda de componentes. Empresas como Nvidia e AMD passaram a investir em clientes ou oferecer participações acionárias como parte das negociações.

Segundo essas companhias, a estratégia ajuda a acelerar a adoção das tecnologias e cria incentivos para relacionamentos de longo prazo. Críticos, porém, argumentam que esses acordos podem representar uma forma de financiamento cruzado que gera demanda artificial.

Amazon e seus projetos próprios de IA

A Amazon e outras gigantes da computação em nuvem têm desenvolvido alternativas próprias às populares GPUs da Nvidia.

Lançado em 2020, o acelerador de IA Trainium, da Amazon, já conquistou clientes de destaque como OpenAI, Anthropic e Uber, que acessam a tecnologia por meio da AWS. Em abril, a empresa afirmou que o chip já acumulava mais de US$ 225 bilhões em compromissos de receita.

A Amazon utiliza há anos warrants para adquirir participações em fornecedores estratégicos, buscando capturar parte do valor gerado por seus investimentos. A empresa já adotou a mesma estratégia com companhias aéreas de carga e fabricantes de caminhões e vans que atendem sua operação logística.

 

 https://istoedinheiro.com.br/qualcomm-amazon-parceria-chips-ia-data-centers