O
Ibovespa chegou a subir 0,32% na máxima da sessão desta segunda-feira,
26, mas logo perdeu força, migrando para o terreno negativo, alinhando
ao tom cauteloso das bolsas internacionais. Após recentes fechamentos
inéditos do indicador da B3, o Índice Bovespa dá uma pausa em semana de
agenda relevante para a formação de preços dos ativos.
Na
reta final de janeiro, haverá a Super Quarta, com decisões sobre juros
nos Estados Unidos e no Brasil. No exterior, ainda sairão balanços de
empresas norte-americanas, como Boeing, petrolíferas e cinco das Sete
Magníficas – Microsoft, Meta, Amazon, Apple e Tesla.
“No
Brasil, a semana começa com os agentes reavaliando o rali recente”, diz
Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências
Consultoria, em nota.
A
agenda doméstica também não deixa a desejar. Hoje, saíram dados piores
do que o esperado do setor externo. Amanhã será informado o Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de janeiro.
Por
ora, segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, a semana promete ser de
realização de lucros do Ibovespa. “Considero pouco provável uma euforia
semelhante à da semana passada”, diz. “A não ser que o quadro
geopolítico piore, o que atrairia mais dinheiro para o Brasil”,
completa.
Em
meio a uma semana repleta de divulgações, com destaque às decisões
sobre juros no Brasil e nos EUA, para as quais as expectativas são de
manutenção das taxas, as atenções ficam nos respectivos comunicados,
pontua o CEO da plataforma de investimentos online em startups. Conforme
Monteiro, a estabilidade das taxas de juros pelo Comitê de Política
Monetária (Copom) e pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos
Estados Unidos) nos níveis atuais parecem consolidadas pelos mercados.
Quanto
ao Copom, a expectativa é de manutenção da taxa Selic em 15,00% ao ano.
Porém, alguns analistas estimam que o colegiado sinalize no comunicado
quando pretende iniciar o processo de quedas dos juros. A maioria aposta
que o primeiro corte virá em março.
“Se o Copom reforçar
cautela, os juros continuarão altos por mais tempo”, estima em Eduardo
Amorim, especialista em investimentos da Manchester Investimentos, em
relatório.
Enquanto o minério de ferro fechou em queda de
0,95% hoje em Dalian, o petróleo caía cerca de 0,40% às 11h25. Em Nova
York, as bolsas abriram em leve alta, enquanto metais preciosos como
ouro e prata avançam, na busca de investidores por segurança.
Há
a possibilidade crescente de nova paralisação do governo dos EUA, uma
vez que parlamentares democratas podem se recusar a votar o Orçamento
sem mudanças nas provisões para a segurança nacional, devido aos
conflitos em Minneapolis. Há ainda expectativa pela escolha do novo
presidente do Fed e receios com a autonomia da nova composição do BC
americano. Além disso, Trump ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá se
ele avançar em um acordo com a China.
No Brasil, hoje foi
informado o saldo em conta corrente. Houve déficit de US$ 3,363 bilhões
em dezembro. Com isso, o déficit acumulado em 2025 ficou em US$ 68,791
bilhões, ou 3,03% do Produto Interno Bruto (PIB) – o maior, nessa base,
desde 2014.
Pela primeira vez desde 2023, o Investimento
Direto no País (IDP) ficou negativo em US$ 5,248 bilhões em dezembro.
Com o dado, 2025 terminou com entrada líquida acumulada de US$ 77,676
bilhões em IDP, o equivalente a 3,41% do Produto Interno Bruto (PIB). O
resultado anual ficou abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast,
de US$ 84,860 bilhões. O número de dezembro, por sua vez, foi menos
negativo do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de déficit de
US$ 5,60 bilhões.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos. Foi a quarta sessão seguida em fechamento recorde.
Às
11h26 desta segunda-feira, o Ibovespa caía 0,65%, na mínima aos
177.694,22 pontos, ante máxima em 179.434,44 pontos, em alta de 0,32%, e
abertura em 178.859,11 pontos, com variação zero. Vale subia 0,91% e
Petrobras, em torno de 1%. Já as ações de grandes bancos recuavam acima
de 1%.