quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Bancos agora avisarão clientes antes de qualquer débito automático; entenda nova regra

 

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou um novo regulamento que obriga seus membros a informarem previamente os clientes antes de descontarem um valor em débito automático interbancário. A medida busca combater o crescente número de reclamações sobre descontos não autorizados.

Anteriormente, débitos automáticos feitos pelo banco de relacionamento do cliente já deveriam ser notificados, de acordo com a Normativa Sarb 27, de 2023, da Autorregulação Febraban. Por este motivo, a nova regra menciona apenas débitos feitos por bancos diferentes.

Segundo a Febraban, a nova regra ampliará a escolha do cliente de cancelar o débito automático. Entenda a seguir como vai funcionar o novo procedimento.

Como será o aviso dos bancos sobre débito automático

  • A comunicação deverá ocorrer por notificação do aplicativo usual de transação, por mensagem de texto (SMS) ou qualquer outro mecanismo de informação.
  • O banco deverá enviar o aviso até cinco dias de antecedência da efetivação do débito.
  • Nessa comunicação deverá constar a identificação da instituição destinatária, o valor a ser debitado e a forma de contato para obter esclarecimentos sobre o débito.
  • O cliente poderá então avaliar se autorizou ou não o débito. Em caso de negativa, ele deverá então efetuar o cancelamento no banco que está cobrando.

Descontos não autorizados

De acordo com comunicado da Febraban, atualmente, muitos débitos automáticos “não são reconhecidos pelos clientes no momento do lançamento na sua conta transacional, gerando reclamações e demandas judiciais contra as instituições depositárias”.

“A decisão segue a missão da Febraban e dos seus bancos associados de contribuir para um sistema financeiro saudável, ético, transparente e que garanta maior proteção ao consumidor no débito interbancário”, diz o órgão.

Relator de regulação do streaming defende alíquota em torno de 4% e ‘bom senso’

 

 

Guilherme Amado - do PlatôBRi

 
 

Relator de projetos que tratam de tecnologia e cultura no Congresso, como inteligência artificial e streaming, o senador Eduardo Gomes, do PL do Tocantins, tornou-se um dos principais nomes no meio político sobre regulamentação do ambiente digital.

Em entrevista ao canal Amado Mundo, Gomes defendeu que o Brasil avance com urgência na regulação dessas áreas para aproveitar uma janela única de oportunidades que pode transformar a economia criativa e o setor digital.

O senador criticou a demora na votação do PL do streaming e comentou as discussões em torno da cota de tela, tributação e direitos autorais. Ele ressaltou a necessidade de equilíbrio entre regulação e inovação e destacou o potencial brasileiro em atrair investimentos para construção de data centers e se tornar referência em IA.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista sobre a regulação do streaming e IA – assista ao vídeo completo ao final do texto:

Qual a importância do projeto que visa a regulamentar o streaming?

Primeiro, as relações entre as plataformas e a inserção do ambiente, que ainda é híbrido entre televisão aberta, fechada e canais da internet. É uma definição de equilíbrio de mercado que dê à produção brasileira, além de garantias que vêm sendo conquistadas, como cotas e participações, um senso de realidade para que o mercado ande, as pessoas tenham remuneração e um ambiente previsível de investimento.

Qual poder uma lei que inclua a cota de tela tem para impactar de fato a quantidade de produções nacionais realizadas por ano?

É primordial que exista esse ponto de incentivo, porque abre uma janela definitiva para a capacidade produtiva do Brasil. Mas existe um problema inverso: exagerar na regulação e na cota pode causar a falta de produção, problemas de qualidade e diferenças no ambiente. Você não vai colocar na primeira tela uma produção nacional de qualidade ruim; se tiver boa, pode ganhar o Oscar.

Qual a sua visão sobre negociação em torno da alíquota do Condecine para o streaming? 

É preciso bom senso. Se você deixa de ter dois meses de arrecadação de 3%, já perdeu 6%. Sempre defendi algo em torno de 4%, que pode ser absorvido pelo mercado. O recurso obtido com 3% da Condecine é alto, e isso não quer dizer que, se for insuficiente, não se possa aumentar. Quando você dobra, tem o risco de micar a política. É o que acontece hoje. Há uma corrente antagônica que segura o projeto, e vamos completar um ano sem uma política pública que poderia estar disponível para as pessoas.

Tem risco dessa regulação afastar plataformas de streaming no Brasil? 

Afastar não, porque o mercado é grande e já está se acomodando diante da realidade. A gente já nota diferenças de conceito editorial que vão se adaptando à população e ao que querem ver e assistir. Temos que pensar naqueles que estão trabalhando, que estão perdendo a oportunidade de auferir recursos, criar um ambiente produtivo. É necessário acompanhar o tempo certo para resolver os problemas, porque a tecnologia avança rápido e as plataformas mudam constantemente.

Qual a expectativa de tempo de aprovação para que o marco regulatório da IA entre em vigor no Brasil?

Temos uma legislação equilibrada, que suaviza a visão da União Europeia e não libera como nos Estados Unidos, que acham que não deve ter regulação nenhuma. Estamos em um ponto em que a Câmara pode inserir outras matérias importantes, aproveitando a janela de investimento e utilização de IA em grande dimensão, como os data centers. O Senado pode aceitar isso sem sustos. Precisamos de legislação que regule as relações e dê segurança para quem investe.

Como os data centers entram no texto de IA e qual a janela de investimento para o Brasil?

O número muda todo dia, mas, em média, 95% dos dados em nuvem não estão no Brasil, até mesmo dos brasileiros. Temos uma matriz energética predominantemente limpa, água e energia suficiente em determinadas regiões e capacidade para receber essa grande demanda de investimento que o mundo exige. Se o Brasil tiver estratégia e inteligência, vai se colocar como um player importante. Além de grande usuário de tecnologia e inteligência artificial, podemos ter uma política de incentivo a data centers que torne nosso parque um dos melhores do mundo. Agora, isso requer condições de investimento e previsibilidade. Não é questão política, partidária ou ideológica, mas de Estado. É uma oportunidade como se tivéssemos descoberto petróleo.

Qual é o equilíbrio entre a necessidade de regulação e a liberdade para inovar na IA? 

A qualidade na discussão. As pessoas tendem a exagerar ao buscar uma solução. Toda vez que big techs, Congresso, Ministério Público e sociedade discutem em um ambiente sadio, as soluções tendem a aparecer. É tudo muito rápido: a necessidade é premente, mas também é preciso entender que lidamos com situações inéditas.

Como o senhor vê a reivindicação da classe artística de receber pelos direitos autorais quando as obras são comercializadas? Qual a chance de avançar no Congresso?

Hoje, não vejo o mercado preparado para estabelecer direitos autorais com a dinâmica e a tecnologia disponíveis para aferir esses valores, sem uma faixa de transição ou acordo. São muitas particularidades que exigem um início arbitral entre as partes, para que funcione. Acho que vamos ter que nos debruçar mais sobre isso e, de parte a parte, construir um ambiente adequado.

O que precisa ser feito para melhor atender os trabalhadores da economia criativa no digital?

O que não pode é ter uma indústria forte e todo dia você ligar a televisão ou entrar em qualquer site e ver artistas e ícones morrendo de fome, literalmente. O recurso precisa chegar. É necessário democratizar o acesso ao recurso do sustento de quem produz arte. Quem produz não é só quem escreve ou faz música, mas também quem monta o estúdio e cuida da parte tecnológica, como em qualquer outra indústria.

 


 


BRAZIL JOURNAL: Enter faz a maior captação de uma startup brasileira de IA

 

Seis meses depois de levantar uma rodada com a Sequoia Capital, a Enter — uma startup brasileira que está usando inteligência artificial para ajudar grandes empresas em suas defesas jurídicas – fechou uma nova captação, atraindo outro gigante do VC americano.

A Enter levantou R$ 200 milhões a um valuation de R$ 2 bilhões (post-money) numa rodada liderada pelo Founders Fund, a gestora de venture capital fundada em 2005 por Peter Thiel e que foi um dos primeiros cheques do Facebook e da SpaceX.

No Brasil, esta é a maior rodada até agora numa startup nativa de AI, ultrapassando a captação da NeoSpace em janeiro, de cerca de R$ 100 milhões.

STF publica ata de julgamento de Bolsonaro e deflagra corrida para recursos

 Confira os destaques da pauta de setembro do Plenário do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nesta quarta-feira, 24, a ata do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete réus do núcleo crucial da trama golpista.

A partir de agora, começa a contar o prazo de 60 dias para a publicação do acórdão e, em seguida, para as defesas enviarem seus recursos ao tribunal.

O STF não deve usar todo o prazo, por isso a divulgação da ata colocou as defesas em estado de atenção. Os advogados dos réus estão trabalhando nos recursos desde a conclusão do julgamento e pretendem agora agilizar as peças.

Isso não quer dizer que os recursos serão enviados ao Supremo imediatamente após a publicação do acórdão. As defesas podem optar por usar todo o seu prazo e apresentar os questionamentos mais tarde, em uma estratégia para atrasar – ainda que minimamente – o início do cumprimento das penas.

Além disso, os advogados aguardam a publicação do acórdão para buscar brechas que eventualmente possam ser exploradas pelas defesas.

Se as condenações forem mantidas, como é esperado, as penas só começarão a ser cumpridas após o trânsito em julgado do processo, ou seja, depois do julgamento de todos os recursos.

O acórdão é o documento que reúne o relatório do processo, as fundamentações dos ministros e o dispositivo da decisão. Com a publicação da ata, os gabinetes dos ministros da Primeira Turma precisam disponibilizar a íntegra de seus votos para a produção deste documento, que na prática oficializa as condenações. Cármen Lúcia e Luiz Fux já divulgaram os votos espontaneamente por meio da assessoria de imprensa do STF. Cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, redigir o acórdão.

Os recursos possíveis para as defesas são reduzidos, por causa do placar do julgamento (4 a 1). Pedidos para levar o caso ao plenário via “embargos infringentes”, por exemplo, não têm chance de prosperar justamente porque houve apenas um voto divergente.

A única alternativa para os réus são os chamados “embargos de declaração”, recurso usado para questionar eventuais omissões ou contradições no acórdão, mas que não têm o poder de alterar o resultado do julgamento. Os embargos de declaração servem apenas para sanar pontos que não ficaram claros ou não foram abordados no julgamento.

Alckmin: ‘boa química’ entre Trump e Lula deve favorecer busca por solução para tarifaço

 Brazil's Vice President and Minister of Industry and Trade Geraldo Alckmin gestures as he speaks during the signing of a decree with measures to...

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, exaltou nesta quarta-feira, 24, a sequência de “boas notícias” atreladas ao Brasil, como o encontro entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silba, e dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Como professor de química em cursinhos, posso dizer que tivemos uma “boa química” ontem nos Estados Unidos entre os dois presidentes. Isso vai ajudar a busca pela melhor solução de um tarifaço que não se justifica”, declarou nesta quarta Alckmin, participante do evento “Diálogos com o mercado: a retomada dos investimentos e o papel do BNDES no mercado de capitais”, na sede do banco de fomento, no centro do Rio.

E complementou: “Ontem tivemos recorde da queda do dólar, o que ajuda a baixar inflação, e recorde da bolsa. Na última semana, tivemos deflação, e uma safra agrícola recorde.”

O vice-presidente da República e ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também parabenizou o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, pelo “bom trabalho” à frente da instituição.

“A Embraer, que teve um anúncio importante nessa semana com a Latam, é um orgulho justo. Os fundos que serão trabalhados pelo BNDES (por meio da BNDESPar) vão ajudar em áreas estratégicas, como minerais críticos. O Brasil tem um subsolo extremamente rico e pode avançar muito nessa área”, afirmou Alckmin.

 

Enquanto o ESG enfrenta questionamentos sobre a eficácia de suas métricas e um backlash político ao redor do mundo, a Fundação Dom Cabral (FDC) está dobrando a aposta: incluiu o “capitalismo consciente” como disciplina obrigatória em sua primeira graduação.

A tradicional escola de negócios, que forma executivos há cinco décadas, decidiu educar seus jovens sobre foco nos stakeholders e longo prazo justamente quando o tema vive um momento de tensão.

O curso foi desenvolvido em parceria com o Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB), uma organização inspirada no movimento homônimo criado por John Mackey, o cofundador da rede de supermercados Whole Foods, e Raj Sisodia, autor e professor de marketing.

Banqueiros brasileiros veem menor ‘risco Magnitsky’ com encontro entre Trump e Lula

 

Banqueiros brasileiros com operação nos Estados Unidos receberam com uma dose de alívio a sinalização de que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump poderão conversar na próxima semana. A visão é de que o “risco Magnitsky” para o setor financeiro brasileiro pode se reduzir diante de uma aproximação entre os dois chefes de Estado, afirmam interlocutores, sob anonimato, ao Estadão/Broadcast.

Um banqueiro diz que havia a percepção de um ambiente mais desanuviado às instituições financeiras brasileiras com operação nos EUA, e que os sinais que vieram da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) reforçaram essa visão. O tom parece que “amenizou”, “felizmente”, celebra.

Nas últimas semanas, diversas instituições financeiras no Brasil foram notificadas pelo Tesouro dos EUA sobre a implementação da Lei Global Magnitsky, que determina o congelamento de ativos no exterior e bloqueia o relacionamento de empresas com operação nos EUA com o sancionado.

Não só bancos brasileiros, mas também americanos foram notificados, conforme um banqueiro. As instituições já teriam respondido ao Departamento do Tesouro americano, diz.

Os EUA ampliaram as sanções contra o Brasil nesta segunda-feira, com foco exclusivo em pessoas físicas. Uma delas foi a aplicação da Lei Global Magnitsky à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e ao instituto ligado à família dele. Moraes foi sancionado em julho. Também houve restrição de mais sete autoridades brasileiras, a maioria ligada ao ministro do STF.

Apesar das novas sanções na esteira da ameaça de uma resposta de Trump à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tratar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, um banqueiro avalia que o “risco CNPJ” se reduziu, referindo-se à possibilidade de um banco ser sancionado no âmbito da crise da relação entre os EUA e o Brasil. É o grande temor da indústria financeira, diz. Esse risco também preocupa o governo, afirma um diplomata brasileiro, que prefere não ter o seu nome revelado.

Um segundo banqueiro vê a sinalização de uma conversa entre os dois chefes de Estado como uma “luz no fim do túnel” da pior crise na relação entre americanos e brasileiros em mais de 200 anos. Ele pede “racionalidade” e critica a ação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA para ampliar as sanções contra o Brasil.

Nas últimas semanas, o setor privado aprofundou a interlocução com os EUA no sentido de interceder por uma conversa entre Trump e Lula. Além de ir pessoalmente a Washington, também contratou escritórios de lobby para se aproximar da Casa Branca e azeitar a relação com o Brasil.

E, diante do sinal desta terça-feira, 23, o empresariado brasileiro também respira mais aliviado. Durante rápido e inédito encontro às margens da ONU, Lula e Trump concordaram em conversar na próxima semana para aparar as arestas da relação. O republicano elogiou o petista no púlpito da Assembleia Geral após um duro discurso do presidente brasileiro, que condenou as sanções e disse que a soberania e a democracia são “inegociáveis”.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, avaliou que a sinalização de uma reunião entre Lula e Trump pode aliviar o tarifaço ao Brasil. “A fala do presidente Trump, sinalizando uma abertura para o diálogo com o presidente Lula, aumenta a esperança para que os dois governos iniciem uma mesa de negociação para rediscutir as pesadas tarifas impostas pelos Estados Unidos”, disse, em nota.

A Amcham Brasil espera que o encontro entre os chefes de Estado ocorra nos próximos dias e que abra caminho para um “diálogo estruturado” e de “alto nível” sobre temas econômicos e comerciais. “A Amcham reafirma sua convicção de que o diálogo é o instrumento mais eficaz para preservar e aprofundar a parceria econômica e comercial entre os dois países, promovendo investimentos mútuos, geração de empregos e fortalecimento das trocas bilaterais”, afirma, em nota à imprensa.

No início de setembro, a CNI coordenou uma missão empresarial a Washington, reunindo cerca de 130 empresários de diversos setores, além de encontros com autoridades do governo e do parlamento norte-americano. Na ocasião, ouviram do vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, que a questão tarifária do Brasil era “política”.