segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

1ª previsão da Hedgepoint é de safra de café do País de até 74,4 mi/sacas em 2026

 Hedgepoint Global Markets | LinkedIn

São Paulo, 15 – A Hedgepoint Global Markets divulgou, na sexta-feira, 12, sua primeira estimativa para a safra brasileira de café 2026/27, cuja colheita começa entre meados de abril e maio de 2026. A produção total deve alcançar entre 71 milhões e 74,4 milhões de sacas de 60 kg. Desse total, a colheita de arábica pode atingir entre 46,5 milhões e 49 milhões de sacas, acima dos 37,7 milhões de sacas projetados para 2025/26. A safra de conilon (robusta) está estimada entre 24,6 milhões e 25,4 milhões de sacas, em comparação com a previsão de 27 milhões na temporada anterior.

Conforme a Hedgepoint, porcentualmente a safra de arábica deve ser de 23,3% a 30% maior ante 2025/26, “impulsionada por novas áreas, bom manejo e ciclo bienal positiva em diversas lavouras, apoiada por clima favorável após meados de outubro, embora a produtividade ainda seja desigual entre regiões”. Já a produção de conilon pode apresentar recuo de 8,9% a 5,9% em comparação com 2025/26, “após ciclo excepcional, parcialmente compensado por expansão e renovação de áreas desde 2023”.

A empresa explicou que “as chuvas de outubro e novembro favoreceram a floração do arábica, enquanto o conilon manteve bom desenvolvimento nas principais regiões produtoras, ainda que o volume deva ficar abaixo do pico da safra 2025/26”.

“De agosto ao início de outubro, a seca atrasou a floração e causou perdas nas primeiras floradas em parte das áreas. A partir de meados de outubro, volumes mais robustos de chuva retornaram às regiões de arábica, permitindo uma segunda floração e restaurando expectativas para 2026/27”, continuou a Hedgepoint.

A analista de café da Hedgepoint, Laleska Moda, disse em comunicado que houve aumento de podas em áreas com plantas danificadas que não haviam sido podadas na última temporada em virtude dos preços elevados. “Ao mesmo tempo, segue o investimento em novas áreas, cujos resultados se tornarão mais visíveis nos próximos anos”, afirmou.

No conilon, a consistência das precipitações e bons níveis de reservatórios no Espírito Santo e na Bahia favorecem a floração e o enchimento dos grãos.

A Heddgepoint acrescentou que, co0m a recuperação no arábica e uma produção de conilon ainda elevada, a safra 2026/27 tende a contribuir para recomposição dos estoques globais. Entretanto, números mais certeiros virão após a fase de enchimento dos grãos (dezembro a março), mantendo o mercado sensível a qualquer adversidade climática e propenso à volatilidade. “O sentimento recente ficou mais baixista diante da perspectiva de maior produção brasileira e da remoção da maioria das tarifas dos EUA sobre o café brasileiro, ainda que a condição dos estoques e menor exportações brasileiras possam trazer suporte no curto prazo”, ponderou.

De acordo com a analista, revisões na estimativa serão publicadas entre março e abril, quando os rendimentos de processamento poderão ser avaliados com maior precisão. “A safra 2026/27 deve marcar um ponto de inflexão para o mercado. Apesar do recuo natural no conilon após um ciclo histórico, a expansão de áreas e a regularidade das chuvas sustentam um quadro positivo. Até ser concluída a fase do enchimento dos grãos, os preços seguirão sensíveis ao clima no Brasil e aos níveis dos estoques nos destinos, o que pode causar janelas de volatilidade e oportunidades”, concluiu Moda.

Novonor, ex-Odebrecht, fecha acordo com IG4 e deixa de ser controladora da Braskem

 

 

A Braskem informou nesta segunda-feira, 15, que a Novonor (ex-Odebrecht) assinou um acordo de exclusividade com a empresa de investimentos IG4 Capital para vender sua participação na petroquímica.

Conforme o documento, a Novonor se comprometeu a transferir a participação na Braskem para um fundo da IG4, que passará a deter 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da petroquímica. Veja aqui o fato relevante.

A IG4 acrescentou em outro comunicado que a operação envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívida e não causará mudanças operacionais imediatas na Braskem.

Após a conclusão da operação, a Novonor permanecerá com 4% da Braskem.

A Petrobras é a outra grande sócia da Braskem, com participação de 47% no capital votante e 36,1% no capital total.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Trump retira Moraes e esposa da lista de sancionados pela Lei Magnitsky

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou nesta sexta-feira, 12, o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Maginitsky. A decisão também incluiu a remoção da advogada Viviane Barci, esposa do magistrado, e do Instituo Lex, empresa mantida pelo casal.

Moraes foi sancionado pelo governo Trump no dia 30 de julho deste ano em um contexto de pressão das autoridades americanas para que ele recuasse no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.

Já Viviani e a empresa foram incluídos na lista mantida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros no dia 22 de setembro deste ano, num gesto de retaliação após a Primeira Turma do STF acompanhar o voto de Moraes e condenar Bolsonaro a 27 anos de prisão, no dia 11 do mesmo mês.

A lei Magnitsky impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos. O dispositivo legal à disposição do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos nunca havia sido utilizado contra membros do Poder Judiciário. O governo americano ainda não publicou a justificativa para ter retirado o ministro e a sua esposa da lista de sancionados.

Em julho, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos afirmou que “o objetivo final das sanções não é punir, mas promover uma mudança positiva de comportamento”.

A gestão Trump puniu Moraes por considerar que ele promovia uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e seus apoiadores, conforme declarou o próprio presidente dos Estados Unidos. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, reproduziu o discurso de Trump ao justificar a punição e afirmou que Bolsonaro foi um dos alvos de Moraes “em sua campanha de censura, detenções arbitrárias que violam direitos humanos e perseguição política”.

A aplicação da Lei Magnitsky pelo governo Trump foi fruto de intensa pressão do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que se mudou para os Estados Unidos em fevereiro deste ano com o objetivo de convencer as autoridades americanas de que o julgamento do seu pai era fruto de perseguição política. O lobby de Eduardo junto à administração Trump contou com o apoio do influenciador Paulo Figueiredo.

Em nota publicada, Eduardo afirmou ter recebido “com pesar a notícia da mais recente decisão anunciada pelo governo americano”, mas disse estar grato pelo apoio de Trump. “Esperamos sinceramente que a decisão do presidente Donald Trump seja bem-sucedida em defender os interesses estratégicos dos americanos, como é o seu dever”, afirmou.

O rol de punições a Moraes incluía o bloqueio de bens em seu nome ou que sejam seus, mas que, eventualmente, estivessem sob posse de norte-americanos. Além disso, quaisquer empresas ou entidades ligadas ao ministro ficaram proibidas de operar no país.

A aplicação da Lei Magnitsky também implicava em sanções a instituições financeiras e outras pessoas que “se envolverem em determinadas transações ou atividades” com o ministro. Empresas como bancos e operadoras de cartões de crédito foram proibidas de realizarem qualquer operação que envolva Moraes, sob pena de receberem multas milionárias e outras sanções.

‘Clima de guerra’, ‘deve ter muita gente preocupada’: Como a Câmara reagiu à operação da PF

 

Parlamentares da Câmara dos Deputados amanheceram preocupados ao saberem da operação da Polícia Federal feita na Casa Legislativa nesta sexta-feira, 12, contra a assessora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, e falam de novo “clima de guerra” entre os Três Poderes. A PF a aponta como integrante de uma “estrutura organizada’ que atuava “supostamente” sob ordens do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) para distribuir indevidamente as emendas do orçamento secreto.

Alguns deputados relatam o clima ruim no Congresso. “Deve ter muita gente preocupada com essa operação”, afirmou Aluísio Mendes (Republicanos-MA). “Clima de guerra”, disse Luísa Canziani (PSD-PR).

Sob condição de reserva, outros congressistas estavam particularmente furiosos com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso sobre emendas na Corte. Congressistas enxergam parcialidade no magistrado, que agiria como um intermediário do governo. Alguns deles também veem a operação como uma “porrada direta” contra Lira. A reportagem conversou com deputados e lideranças do governo, da oposição e do Centrão.

O sentimento entre parlamentares do Centrão na Câmara é que o STF se aproveita de um momento de fraqueza do atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar contra as emendas do orçamento secreto.

Nesta semana, sob protestos do próprio Lira, a Câmara acabou convertendo a cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ), que era dada como certa, em uma pena de seis meses de suspensão de mandato, e rejeitou a cassação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Parlamentares do Centrão elogiam a assessora. Alguns deles dizem que ela é “querida” e uma intermediária dos pedidos de Motta e do próprio Lira. Ela foi assessora técnica da Presidência da Câmara durante a gestão de Lira e é considerada braço-direito do ex-presidente da Câmara para a viabilização de emendas parlamentares.

Parlamentares dizem que na era Motta ela ainda faz esse trabalho. Um deles explicou o processo: o parlamentar despacha ou com Motta ou com o próprio Lira, um dos dois encaminha o pedido a ela, e depois o deputado a cobra. Ela também faz o acompanhamento das emendas com os ministérios.

Anotações obtidas pela PF reforçaram as suspeitas de que os recursos públicos eram destinados conforme interesses privados dos deputados e sem compromisso com projetos de longo prazo.

Ao pedir autorização para as buscas contra a assessora, cumpridas nesta sexta, a Polícia Federal destacou “o incomum desapego à formalidade na formulação orçamentária”.

“Uma anotação à mão, realizada de maneira rudimentar, foi responsável pela realocação de recursos de um município para outro. Lamentavelmente, não há como não comparar a maneira de controlar e organizar o orçamento secreto coordenado por Tuca a uma ‘conta de padaria’. A anotação transparece que milhões em recursos públicos eram direcionados a partir de comandos verbais, sem qualquer preocupação com projetos ou interesses republicanos de fato”, afirmou a Polícia Federal na representação.

Deputados do governo ouvidos pela reportagem dizem que o problema não é com eles, que a relação entre os Poderes deve piorar, mas mencionam que o Poder Judiciário tem a vantagem de ter a opinião pública do lado no caso das emendas, ponderou um petista.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), crítica da falta de transparência nas emendas, entende como positivas operações que possam ajudar a trazer mais transparência nos repasses, mas tem ressalvas. “Tudo continua como antes. Houve um pouco de transparência, mas ainda há repasses sem critério objetivo e sem autoria clara, escondida sob os nomes das lideranças dos partidos”, afirmou.

CEO da Nvidia é eleito ‘Pessoa do Ano’ pelo Financial Times por seu papel na revolução de IA

 Jensen Huang – Wikipédia, a enciclopédia livre

O Financial Times anunciou Jensen Huang como sua Pessoa do Ano, destacando o papel central do CEO da Nvidia na revolução da inteligência artificial (IA). Em entrevista ao jornal, Huang relembra o telefonema inesperado recebido em seu aniversário, do presidente americano, Donald Trump, que marcou o início de uma relação incomum entre o republicano e o engenheiro.

O FT afirma que está nomeando Huang como sua pessoa do ano “em razão do papel que ele desempenhou nessa transformação”, destacando que a Nvidia lidera um dos maiores ciclos de investimento privado da história. A companhia se tornou a mais valiosa do mundo, impulsionada pela demanda por chips que se tornaram “o ímpeto por trás da mania de IA”.

Huang afirmou ao jornal que vê a empresa no centro da “construção de uma indústria inteira que produz inteligência digital”. Sobre temores de bolha, diz ao FT: “Os investidores que de fato assinam os cheques são bastante disciplinados”.

Ellison perde US$ 31 bi com tombo da Oracle e cai para 3º no ranking de bilionários da Forbes

 

Após as ações da Oracle despencarem mais de 13% na véspera, o fundador e presidente executivo da empresa, Larry Ellison, amanheceu um pouco menos rico nesta sexta-feira, 12. Segundo a Forbes, a fortuna do bilionário diminuiu US$ 31 bilhões em um único dia, para US$ 249,5 bilhões. Ellison caiu para a terceira posição na lista de pessoas mais ricas do mundo elaborada pela revista.

Apenas três meses atrás, no começo do mês de setembro, Ellison chegou pela primeira vez ao topo da lista enquanto sua fortuna decolava, impulsionada por valorizações recordes em meio a corrida das empresas de inteligência artificial (IA). Agora, resultados decepcionantes levantam suspeitas entre os investidores de uma possível bolha no setor.

Na segunda posição do ranking, está o cofundador e ex-CEO do Google, Larry Page, com uma fortuna de US$ 256,7 bilhões. A empresa também sofreu revezes nesta semana por preocupações com seus investimentos em IA, porém atenuados devido a negócios consistentes em outras áreas e um menor endividamento. Já a primeira colocação está com Elon Musk, dono da Tesla, da SpaceX e de um patrimônio de US$ 491,8 bilhões.

Quem é Larry Ellison

Larry Ellison nasceu em 1944 em Nova York e foi criado por seus tios adotivos após abandonar a faculdade. No final dos anos 1960, mudou-se para a Califórnia e, em 1977, co-fundou a Software Development Laboratories (SDL). A inspiração para o principal produto da empresa, um sistema de banco de dados, veio de um modelo conceitual da IBM que Ellison adaptou.

A SDL foi rebatizada como Oracle em 1982 e rapidamente se tornou líder global em sistemas de gerenciamento de banco de dados. Sob sua liderança, a Oracle prosperou, transformando Ellison em um dos CEOs de tecnologia mais influentes da história, comparável a Bill Gates e Steve Jobs.

A crise da Oracle

A Oracle reportou resultados variados para o seu segundo trimestre fiscal na tarde da última quarta-feira, dia 10. O lucro por ação ajustado atingiu US$ 2,26, superando significativamente a estimativa de Wall Street de US$ 1,64. Contudo, essa alta foi em grande parte impulsionada pela venda da participação da Oracle na empresa de chips Ampere para a Softbank, um negócio que gerou US$ 2,7 bilhões.

Para intensificar sua disputa com gigantes do setor de tecnologia, como Amazon, Microsoft e Google, a Oracle tem investido pesado em computação em nuvem. A empresa fechou acordos importantes, incluindo uma parceria com a OpenAI, o que ajudou a impulsionar o valor de suas ações em quase 34% neste ano.

Apesar do sucesso em nuvem e do aumento no preço das ações, a estratégia da Oracle tem levantado preocupações entre os investidores. Os investimentos da empresa, que são financiados por dívidas, e a forte dependência da OpenAI geram temores de que a companhia esteja vulnerável em um cenário de “bolha de IA”.

Veja o atual ranking dos bilionários da Forbes

#NomePatrimônio (Atual)Variação (24h)Fonte da RiquezaPaís
1Elon MuskUS$ 491,9 bi▼ US$ 2,5 bi (-0,52%)Tesla, SpaceXEstados Unidos
2Larry PageUS$ 256,7 bi▼ US$ 5,8 bi (-2,24%)GoogleEstados Unidos
3Larry EllisonUS$ 249,5 bi▼ US$ 26,7 bi (-9,69%)OracleEstados Unidos
4Jeff BezosUS$ 241,9 bi▼ US$ 1,3 bi (-0,54%)AmazonEstados Unidos
5Sergey BrinUS$ 236,8 bi▼ US$ 5,4 bi (-2,24%)GoogleEstados Unidos
6Mark ZuckerbergUS$ 223,8 bi▲ US$ 874,7 mi (+0,39%)FacebookEstados Unidos
7Bernard Arnault & famíliaUS$ 187,7 bi▲ US$ 1,9 bi (+1,07%)LVMHFrança
8Jensen HuangUS$ 157,1 bi▼ US$ 2,4 bi (-1,53%)SemicondutoresEstados Unidos
9Michael DellUS$ 154,3 bi▼ US$ 1,8 bi (-1,20%)Dell TechnologiesEstados Unidos
10Steve BallmerUS$ 147,2 bi▲ US$ 1,2 bi (+0,85%)MicrosoftEstados Unidos

(*com informações de Reuters e Estadão Conteúdo)

Enel SP acumula falhas, multas e questionamentos; veja histórico da empresa

 

Após o vendaval que atingiu a cidade de São Paulo na quarta-feira, 10, com rajadas de até 98 km/h, mais de 800 mil unidades consumidoras na capital e região metropolitana seguiam sem energia nesta sexta-feira, 12. A Enel Distribuição São Paulo afirmou que o evento causou “danos severos à infraestrutura elétrica” e que será necessário reconstruir trechos da rede, sem informar prazo para a normalização do serviço.

A resposta da Enel SP à situação passou a ser acompanhada de perto por equipes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que fiscalizam o cumprimento do plano de contingência e as providências adotadas após o vendaval. O apagão afetou comércio e serviços, que perderam ao menos R$ 1,54 bilhão em faturamento, segundo a FecomercioSP. A Enel afirmou ter mobilizado mais de 1,5 mil equipes e veículos ao longo da quarta-feira para atender os clientes.

Falhas recorrentes e multas

Os problemas no fornecimento não são isolados. Ao longo de 2025, episódios de chuvas intensas deixaram dezenas de milhares de imóveis sem energia em diferentes momentos em janeiro, fevereiro e março, principalmente nas zonas norte e oeste da capital e em municípios da região metropolitana.

Dados apresentados pela Aneel mostram que o tempo médio de atendimento a ocorrências emergenciais da Enel em São Paulo aumentou de 9,13 horas em 2019 para 12,21 horas em 2024, um acréscimo de cerca de três horas.

As falhas recorrentes renderam sanções. Em 2024, a Arsesp aplicou R$ 165,8 milhões em multas à Enel por problemas no fornecimento na Grande São Paulo, valor 4.116% maior do que o registrado em 2019. A concessionária afirma cumprir suas obrigações contratuais e regulatórias e sustenta que realiza “investimentos recordes” para modernizar a rede.

Ainda assim, o contrato virou alvo de questionamentos políticos e judiciais. Em outubro de 2025, a Justiça Federal suspendeu o processo administrativo de prorrogação antecipada da concessão, atendendo a pedido da Prefeitura de São Paulo.

Desde quando a Enel fornece energia em SP?

A Eletropaulo, antecessora da Enel no fornecimento de energia em São Paulo, foi fundada em 1981 e privatizada em 1999, quando o então governador do Estado, Mário Covas (PSDB), a incluiu no Programa Estadual de Desestatização (PED). Na privatização, a companhia foi dividida em quatro: Eletropaulo Metropolitana, Empresa Bandeirante de Energia (EDP Bandeirante), Empresa Paulista de Transmissão de Energia e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE).

A Eletropaulo Metropolitana, responsável pela distribuição na Grande SP, foi adquirida por consórcio liderado pela AES Corporation. Após a compra pela AES de ações das outras empresas do consórcio em 2001, e outras mudanças de reestruturação societária em 2002, a AES assumiu a Eletropaulo – que passou a ser chamada de AES Eletropaulo até 2018.

A Enel Distribuição São Paulo entrou em cena em 2018, após a AES Eletropaulo ser comprada pelo Grupo Enel, multinacional italiana do setor elétrico. Em junho daquele ano, a Enel adquiriu 73,38% das ações da Eletropaulo por R$ 5,55 bilhões, em leilão realizado na B3.

À época, o governo estadual era comandado por Márcio França (PSB). O Estado não vendeu sua participação no processo porque os papéis estavam dados como garantia em outra operação financeira. Com a operação, a marca Eletropaulo deixou de existir, dando origem à Enel Distribuição São Paulo.

História da empresa italiana

O Grupo Enel foi fundado na Itália em 1962, inicialmente como estatal. A empresa passou por um processo de privatização nas décadas de 1990 e 2000 e hoje tem capital aberto, com ações negociadas nas bolsas de Milão e Nova York. O governo italiano mantém uma participação minoritária, de cerca de 23,6%. No Brasil, além de São Paulo, a Enel atua na distribuição de energia no Rio de Janeiro e no Ceará.

Somente em São Paulo, a concessionária atende 7,5 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da região metropolitana, sendo responsável por cerca de 70% da energia distribuída no Estado. Apesar do porte, a empresa acumula críticas de moradores, prefeitos e governos estadual e federal.

Nove dias antes do último blecaute, uma auditoria técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que a Aneel avaliasse a possibilidade de intervenção federal na Enel, apontando o descumprimento de sete dos onze Planos de Resultados firmados e a baixa efetividade das punições, muitas delas travadas pela judicialização das multas.