quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Ações de saúde receberam quase R$ 1 bilhão do Fundo Rio Doce em 2025

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta quinta-feira (5) que repassou, em 2025, R$ 985,03 milhões do Fundo Rio Doce para ações de saúde no Espírito Santo e em Minas Gerais, estados afetados pelo crime ambiental que culminou no rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

As ações de saúde estão previstas no Novo Acordo do Rio Doce, instrumento de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem, que integrava um complexo da Samarco, mineradora controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton.

O incidente aconteceu em 5 de novembro daquele ano, quando cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram por 633 quilômetros pela Bacia do Rio Doce, até a foz, no Espírito Santo, contaminando o abastecimento de água e dizimando ecossistemas pelo caminho.

O desastre provocou a morte de 19 pessoas e impactos diversos às populações de 49 municípios mineiros e capixabas.

Detalhes do acordo

Segundo o BNDES, os recursos viabilizam a construção de novas unidades de saúde e hospitais, entre outras ações

O Novo Acordo foi homologado em novembro de 2024, prevendo programas a serem implementados em municípios da região afetada. Para ações de saúde, o Novo Acordo reservou um total de R$ 12 bilhões.

Desse total, R$ 11,32 bilhões serão geridos pelo BNDES, no âmbito do Fundo Rio Doce, e custearão o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, sob coordenação do Ministério da Saúde. Os R$ 684 milhões restantes são de responsabilidade dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Entre as iniciativas anunciadas, estão as construções do Hospital-Dia de Santana do Paraíso e do Hospital Universitário de Mariana, vinculado à Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

Outras medidas confirmadas envolvem a estruturação do Centro de Referência das Águas e do Centro de Referência em Exposição à Substâncias Químicas.

Ações de saúde

Os R$ 11,32 bilhões do programa contemplam ações em 38 municípios mineiros e 11 capixabas. Desse total, R$ 815,8 milhões englobam projetos realizados diretamente pelo Ministério da Saúde.

Também foi garantido R$ 1,8 bilhão para custear os planos municipais de saúde elaborados por cada município. Outros R$ 300,2 milhões custearão pesquisas e análises que serão conduzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Os R$ 8,4 bilhões restantes deverão constituir um fundo patrimonial que viabilizará as ações para fortalecimento e melhoria das condições de saúde dos municípios contemplados.

Em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, diz que as iniciativas impulsionadas pelo Fundo Rio Doce, “além de viabilizar a recuperação das áreas degradadas e impulsionar a economia local, contribuem de forma decisiva para a reestruturação da rede pública de saúde e para o fortalecimento das comunidades da Bacia do Rio Doce”.

Já o gestor do Programa Especial de Saúde do Rio Doce do Ministério da Saúde, Sergio Rossi, acredita que os investimentos “fortalecerão a rede assistencial, a vigilância em saúde e a capacidade de resposta, assegurando soluções mais qualificadas às necessidades da população da Bacia do Rio Doce”. 

 Novo Acordo

O Novo Acordo foi assinado pela União, pelos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, pela Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton, e por instituições de Justiça, como o Ministério Público e a Defensoria Pública.

O instrumento repactua as ações que vinham sendo executadas desde 2016 e que não asseguraram, à época, a reparação integral dos danos.

O valor total do acordo é de R$ 170 bilhões, sendo R$ 32 bilhões em indenizações individuais e obrigações de fazer da Samarco e de suas acionistas, Vale e BHP Billiton, além de R$ 38 bilhões já executados anteriormente.

Os outros R$ 100 bilhões, a serem desembolsados pelas empresas ao longo de 20 anos, são destinados aos poderes públicos. As parcelas que englobam ações de responsabilidade da União somam R$ 49,1 bilhões e são aportadas no Fundo Rio Doce, gerido pelo BNDES.

Superávit brasileiro cresce 85,8% em janeiro com forte queda das importações

 

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026, valor 85,8% maior do que os US$ 2,337 bilhões somados no mesmo período do ano passado. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 5, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O saldo positivo foi puxado sobretudo por uma queda acentuada de 9,8% nas importações, que foram de 23,06 bilhões para US$ 20,81 bilhões. As exportações também caíram, porém, em uma proporção bem menor, de 1,0%, somando US$ 25,153 bilhões contra US$ 25,4 bilhões no ano anterior.

A corrente comercial (número que registra a soma de todas as transações comerciais, seja importações ou exportações) foi de US$ 46 bilhões, volume 5,1% inferior aos US$ 48,5 bilhões alcançados em 2025.

Desaceleração econômica impacta importações

Diretor de Planejamento e Inteligência Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão explicou que a queda nas importações está relacionada a uma menor demanda interna. “Na medida em que se espere que a economia cresça menos em relação ao aumento que foi observado no ano passado, é natural que tenha uma menor demanda por bens importados”, disse.

Ao mesmo tempo, o técnico do MDIC afirma que há impactos de questões sazonais, como compras menores de insumos agrícolas ocasionadas por mudanças na safra.

As reduções mais significativas nas importações foram observadas na categoria de bens intermediários, ou seja, produtos semiacabados usados na produção de outros bens. A queda no grupo foi de 15%, com destaque para a redução de 21,5% em combustíveis.

Ao mesmo tempo, houve um crescimento de 1,1% no valor importado de bens de capital (categoria de bens usados na produção de outros, como maquinário) e de 11,9% no de bens de consumo (produtos finais adquiridos pelos consumidores).

Exportações caem, porém somam terceiro maior valor da história

As exportações brasileiras caíram 1,0% em janeiro de 2026. Apesar do recuo nas exportações, Herlon Brandão destacou que a comparação se dá sobre uma base elevada. A soma de exportações em janeiro de 2026 foi a terceira maior para o mês na história, atrás apenas do ano passado e do recorde registrado em 2024, de US$ 27,016 bilhões. A série histórica tem início em 1989.

A queda neste ano foi mais expressiva nos embarcamentos para a América do Norte (-18,2%). Em meio a taxas criadas pelo governo Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25,5%. Houve recuo também nos envios para a Europa (-1%).

Ao mesmo tempo, as vendas brasileiras para o Oriente Médio dispararam 31,6%. Os Emirados Árabes Unidos foram o maior destaque individual, com um aumento impressionante de 110,1%, passando de US$ 290 milhões para US$ 600 milhões. O crescimento para o Iêmen foi de 330,2%, gerando um aumento de US$ 100 milhões nas vendas. Já para o Irã, a alta foi de 21,4% (US$ 100 milhões).

Também houve crescimentos expressivos nos envios para a China (17,4% com aumento de US$ 1 bilhão) e Índia (14,4%, com aumento de US$ 100 milhões).

 

 https://istoedinheiro.com.br/superavit-balanca-exportacoes-importacoes-126

BoE corta projeções de crescimento e inflação do Reino Unido em 2026 e vê desemprego a 5,3%

 

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) projeta que a economia do Reino Unido crescerá 0,9% em 2026, ante previsão anterior de 1,2%, com aceleração gradual para 1,5% em 2027, abaixo do 1,6% esperado anteriormente. Para 2028, a inflação foi revisada para cima, de 1,8% para 1,9%.

Segundo o relatório de política monetária de fevereiro, a projeção da inflação foi reduzida significativamente, passando de 2,8% para 2,1%.

Para o primeiro trimestre de 2027, a expectativa é de que a inflação fique em 1,7% e acelere a 1,8% no mesmo período de 2028. Sobre o mercado de trabalho, o BOE espera que a taxa de desemprego suba a 5,3% até meados de 2026 no Reino Unido.

Segundo o BoE, “o risco de maior persistência inflacionária tornou-se menos pronunciado recentemente”.

O Comitê de Política Monetária (MPC) reiterou que novos cortes dependerão da evolução das perspectivas para a inflação e que é necessário analisar novos dados. O BoE manteve a taxa inalterada em 3,75% hoje, em decisão que contou com placar apertado (5-4).

Leitura tem queda dramática – e preocupante – pelo mundo

 

Ler livros tem sido algo cada vez menos comum – seja no Brasil, na Europa ou nos EUA. O que isso significa para nossa saúde?Uma queda vertiginosa no número de leitores está atingindo diversas partes do planeta – e a tendência é preocupante. De acordo com um estudo da Universidade da Flórida e do University College London, da Inglaterra, a quantidade de pessoas nos Estados Unidos que mantêm o hábito da leitura por prazer caiu mais de 40% nos últimos 20 anos. A cada ano, essa parcela recua cerca de 3%, algo “significativo e muito preocupante”, afirma Jill Sonke, diretora do Centro de Artes em Medicina da Universidade da Flórida.

O levantamento também mostra a desigualdade no acesso à leitura dos americanos: a retração no hábito é maior para afro-americanos, pessoas com menor renda ou escolaridade e moradores de áreas rurais. “Mas, embora as pessoas com maior nível de escolaridade e as mulheres continuem lendo com mais frequência, observamos mudanças mesmo dentro desses grupos”, alertou Jessica Bone, pesquisadora sênior de estatística e epidemiologia da University College London.

No Brasil, a situação também é drástica. Pela primeira vez, a parcela dos que não leem livros é maior que a daqueles que recorrem à literatura nos momentos de lazer. A conclusão é da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro.

A mais recente edição do levantamento mostrou que, em 2024, 53% dos entrevistados se consideraram “não-leitores”, contra 47% dos leitores. Em 2019, eram 52% leitores e 48% não-leitores.

Na comparação entre os sexos, mulheres leem mais: estima-se que elas sejam 50 milhões, contra 43 milhões de leitores homens no Brasil.

O único segmento da população brasileira que não teve queda no número de leitores foi nas faixas etárias de 11 a 13 anos e de mais de 70 anos.

Qual o nível de leitura dos europeus?

Na Europa, a situação também não é muito diferente, de acordo com uma pesquisa de 2024 do Eurostat, órgão de estatística da União Europeia (UE). Segundo o estudo, quase metade dos cidadãos do bloco não conseguiu ler nem um livro por ano. A distribuição do hábito pelos países europeus também é desigual: Irlanda, Finlândia, Suécia, França, Dinamarca e Luxemburgo têm o maior nível de leitura. Itália, Chipre e Romênia vêm por último.

Na Europa e nos EUA, também há diferenças significativas em relação à idade e ao sexo: os jovens entre 16 e 29 anos leem com mais frequência do que os maiores de 65 anos, e as mulheres leem significativamente mais livros do que os homens.

As diferenças entre livros físicos e ebooks

Livros digitais costumam ser práticos, leves e personalizáveis. Mas a grande maioria dos leitores continua preferindo as edições em papel. No continente europeu, o percentual de pessoas que compram livros físicos foi mais que o dobro de quem fez downloads de ebooks ou audiolivros, mostrou o levantamento da Eurostat.

Estudos científicos comprovam que os livros impressos oferecem vantagens importantes em relação aos formatos digitais em muitos pontos.

Em 2022, pesquisadores da Universidade de Valência analisaram dados de mais de 450 mil participantes. A conclusão deles: quem ficou com os livros físicos demonstrou uma compreensão melhor do texto e um processamento mais profundo do conteúdo por causa do tato, o que não ocorre com e-books. Esse efeito foi maior principalmente em crianças em idade escolar.

Quais os benefícios da leitura para a saúde?

A ciência sugere que manter um hábito de leitura pode impactar positivamente na saúde. Ler um livro regularmente pode gerar níveis mais baixos de estresse, melhorar a memória, proteger contra declínio cognitivo e demência e proporcionar até mesmo uma vida mais longa.

Uma pesquisa da Escola de Saúde Pública de Yale descobriu, por exemplo, que quem tem o hábito de leitura vive, em média, 23 meses a mais que quem não lê nada – independentemente de fatores como educação, renda, saúde básica e capacidade cognitiva.

A explicação para isso pode estar na conexão social proporcionada na leitura de um romance, por exemplo. Cenas vividas por um personagem, segundo especialistas, funcionariam como uma espécie de treinamento, uma projeção das relações que o leitor consegue praticar, mesmo que não tenha uma vida social ativa: a solidão é um fator de risco grave para a mortalidade precoce, comparada ao tabagismo ou à obesidade.

Lucro da Bunge cai 94% no 4º trimestre e recua 28% em 2025, para US$ 816 milhões

 

A norte-americana Bunge registrou lucro líquido atribuível de US$ 95 milhões (US$ 0,49 por ação) no quarto trimestre de 2025, recuo de 94% ante os US$ 602 milhões (US$ 4,36 por ação) obtidos em igual período de 2024. Já o lucro ajustado foi de US$ 1,99 por ação, abaixo dos US$ 2,13 por ação reportados no igual intervalo do ano anterior.

O lucro antes de juros e impostos (Ebit) totalizou US$ 264 milhões no trimestre, queda de 66% ante os US$ 767 milhões um ano antes. Já o Ebit ajustado somou US$ 622 milhões, avanço de 40% ante os US$ 445 milhões na comparação anual, refletindo maior disciplina operacional e a ampliação da atuação global da companhia após a combinação com a Viterra.

Segundo o CEO Greg Heckman, 2025 foi um ano de “realizações significativas”, marcado pela integração da Viterra e pela expansão da presença global da empresa, apesar de um ambiente de mercado dinâmico e incertezas geopolíticas.

Nos segmentos operacionais, o processamento e refino de soja apresentou resultados levemente maiores ajustados, com destaque para América do Sul, especialmente Argentina e Brasil, enquanto América do Norte e Europa tiveram desempenho mais fraco.

Já o segmento de softseeds, de oleaginosas como canola, girassol e linhaça, registrou crescimento impulsionado por maiores margens de processamento e pela incorporação dos ativos da Viterra.

A área de outras oleaginosas teve melhora com desempenho mais forte de óleos especiais na Ásia e América do Norte. Em grãos e moagem, o avanço foi puxado pela comercialização global de trigo e cevada e pela ampliação da capacidade logística e de originação.

Acumulado de 2025

No acumulado de 2025, o lucro líquido atribuível à Bunge somou US$ 816 milhões, queda de 28,2% em relação aos US$ 1,137 bilhão de 2024. O lucro por ação diluído caiu de US$ 7,99 para US$ 4,93, enquanto o lucro ajustado por ação recuou de US$ 9,19 para US$ 7,57.

O Ebit total anual foi de US$ 1,533 bilhão, queda de 14% ante os US$ 1,792 bilhão no ano anterior. Já o Ebit ajustado alcançou US$ 2,034 bilhões, praticamente estável frente aos US$ 2,017 bilhões de 2024. O fluxo de caixa operacional somou US$ 844 milhões em 2025, abaixo dos US$ 1,9 bilhão registrados no ano anterior, refletindo principalmente menor lucro líquido e mudanças no capital de giro.

Para 2026, a Bunge projeta lucro ajustado entre US$ 7,50 e US$ 8,00 por ação, além de investimentos de capital entre US$ 1,5 bilhão e US$ 1,7 bilhão e despesas líquidas de juros entre US$ 575 milhões e US$ 625 milhões.

Em nota, Heckman afirmou que, apesar da visibilidade limitada diante das condições de mercado, a companhia acredita que a ampliação das capacidades e a maior diversificação geográfica permitirão adaptação e geração de valor no longo prazo.

Meituan busca adquirir operação chinesa da Dingdong por US$ 717 milhões

 

 A Meituan, gigante chinesa de entrega de alimentos, planeja adquirir o negócio na China da mercearia online Dingdong Fresh Holding, uma subsidiária da Dingdong, por US$ 717 milhões, em um movimento que pode fortalecer a empresa na posição no mercado de varejo de mercearia, como sinalizado nesta quinta-feira, 5.

A Dingdong, listada nos EUA, disse em um comunicado separado que seu negócio internacional não faz parte da transação. A empresa de e-commerce de mercearia fresca operava mais de mil armazéns frontais na China em setembro, com mais de sete milhões de usuários transacionando mensalmente.

O acordo ocorre enquanto a Meituan, líder de longa data no negócio de entrega de alimentos na China, tem estado sob pressão da plataforma de e-commerce JD.com e do Alibaba Group em meio a uma guerra de preços brutal.

A empresa, com sede em Pequim, registrou um prejuízo líquido no terceiro trimestre do ano passado, enquanto continuava a oferecer descontos agressivos aos clientes para defender a participação de mercado. O sentimento do consumidor na China também permaneceu contido, representando outro obstáculo para a plataforma chinesa de compras e entregas. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

Depois do ‘apocalipse do software’, pechinchas começam atrair investidores

 

O “apocalipse do software” em Wall Street vem se intensificando. Agora, os investidores debatem se é hora de voltar a investir nas ações que sofreram forte desvalorização. As consequências para o setor de software, que inclui algumas ações emblemáticas, refletem a crescente ansiedade em relação à potencial disrupção causada pela inteligência artificial, à medida que os investidores dividem cada vez mais o setor entre vencedores e perdedores.

A volatilidade também ocorre em um momento em que os investidores se desfazem de suas participações em tecnologia e migram para outros setores do mercado que, em sua maioria, apresentaram desempenho inferior nos últimos anos, enquanto aguardam os balanços trimestrais das empresas, que podem impactar ainda mais os preços dos ativos.

“A onda de vendas, que provavelmente começou no último trimestre, é uma manifestação da conscientização sobre o poder disruptivo da IA…”, disse James St. Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management, em Santa Monica, Califórnia. “Talvez seja uma reação exagerada, mas a ameaça é real e as avaliações precisam levar isso em conta.”

Ações desvalorizadas de empresas europeias de serviços profissionais, como LSEG e RELX, subiram nesta quinta-feira, indicando que o movimento de queda estava diminuindo. Ambas ainda acumulam baixa de pelo menos 9% nesta semana.

O índice de software e serviços do S&P 500 despencou 13% apenas na última semana, perdendo mais de US$ 800 bilhões em valor de mercado no período, puxado por quedas acentuadas em empresas como a Intuit, ServiceNow e Oracle. Em relação ao índice geral S&P 500, o grupo de software registrou, até esta terça-feira, seu pior desempenho trimestral desde maio de 2002 — período da crise após o estouro da bolha das pontocom –, de acordo com estrategistas de ações da Evercore ISI.

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Essas quedas acentuadas desencadearam sinais técnicos que podem indicar, pelo menos temporariamente, um piso para o grupo, e alguns gestores de carteiras têm feito compras modestas das ações desvalorizadas. Os investidores hesitaram em declarar o fim da crise.

“Há valor a longo prazo nessas empresas, e elas estão chegando a um ponto em que as considero mais atraentes”, disse Jake Seltz, gestor de portfólio da Allspring Global Investments em Minneapolis, que vem aumentando “marginalmente” suas participações em algumas empresas, incluindo ServiceNow e Monday.com.

Nos últimos meses, Seltz disse que estava aguardando catalisadores para comprar de forma mais agressiva, como empresas de software relatando forte receita com produtos relacionados à IA ou mais anúncios de clientes corporativos sobre a implementação desse tipo de software.

Distância das ações de tecnologia

Os receios sobre as implicações de uma nova ferramenta do modelo de linguagem Claude, da Anthropic, desencadearam a mais recente onda de volatilidade, que foi agravada por relatórios de resultados decepcionantes, incluindo os da gigante de software Microsoft.

O índice de software do S&P 500 caiu cerca de 25% desde seu pico recente no final de outubro — um período em que o S&P 500 apresentou pouca variação. Os operadores de opções demonstraram pouco interesse em adquirir ações das empresas de software que foram castigadas.

“Isto foi um verdadeiro apocalipse do software”, disse Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B. Riley Wealth.

A forte queda nas ações de empresas de software também ocorre durante uma rotação mais ampla do mercado, com uma fuga de empresas de tecnologia e um aumento na procura por ações de valor e qualidade em outros setores, como bens de consumo essenciais, energia e indústria.

Estes papéis até recentemente foram menos favorecidos do que o setor de tecnologia, durante o “bull market” (período de alta do mercado) que começou em outubro de 2022.

“O motivo correto para vender essas empresas caras é que existem outras oportunidades em setores com melhor avaliação e maior potencial de crescimento, e não porque você está em pânico com uma possível queda nas empresas de software e tecnologia”, disse Jim Masturzo, diretor de investimentos da Research Affiliates.

Em busca de pechinchas

O debate entre os investidores gira em torno da questão de se esse valor agora se encontra no software. Entre as empresas que mais perderam valor este ano estão Intuit, ServiceNow e Salesforce.

A Microsoft é a empresa com o pior desempenho este ano entre as sete maiores empresas de capitalização de mercado. Outras quedas acentuadas nesta semana incluíram a empresa de tecnologia e conteúdo Thomson Reuters, que detém a base de dados jurídica Westlaw e a agência de notícias Reuters.

A queda acentuada do setor de software significa que o grupo estava tecnicamente sobrevendido, sugerindo que estava próximo de “pelo menos um fundo de curto prazo”, disse Walter Todd, diretor de investimentos da Greenwood Capital, na Carolina do Sul. Sua empresa realizou algumas compras modestas de ações da ServiceNow e da Microsoft nos últimos dias.

Embora não queira apostar tudo em software, “acho que ele está começando a apresentar valor”, disse Todd. “Não acredito que a substituição completa da infraestrutura de software existente pela solução de IA nessas situações seja realista.”

Brad Conger, diretor de investimentos da Hirtle, Callaghan & Co., afirmou que começou a avaliar possíveis compras de ações, incluindo as da SAP, Adobe e Intuit, que foram duramente atingidas pela onda de vendas. “Pode-se argumentar que elas estão prestes a se recuperar.”

Mas ele acrescentou que ainda não está preparado para comprar nos níveis atuais, pois não se sente “confortável com o fato de as ações terem atingido um nível em que a pior ameaça já esteja precificada”.

Para alguns investidores, as consequências foram semelhantes às quedas repentinas provocadas no ano passado pelo surgimento do modelo de IA de baixo custo Deepseek, o que gerou questionamentos sobre o ecossistema financeiro de IA.

“Estamos começando a entender melhor as capacidades da IA, o mercado está reajustando os preços, o que sinaliza menos confiança no crescimento futuro das vendas de software em um mundo impulsionado pela IA”, disse René Reyna, chefe de estratégia de produtos temáticos e especializados da Invesco.

“Será que já exageramos? Ainda não sabemos. Mas vender pode gerar mais vendas.”