
Após renovas máximas no pregão anterior, o Ibovespa opera no vermelho nesta quarta-feira, 4, durante a abertura. O principal índice da bolsa de valores recua 1% aos 183.812,14 pontos às 11h30.
Dentre as pressões negativas, a WEG e as ações de bancos se destacam como os grandes detratores do índice no intradia. WEG recua 3,7%, enquanto Itaú e Bradesco caem cerca de 2%.
Apesar disso, a alta é relativamente é espalhada, com a grande dos papéis da carteira do índice operando no vermelho. Das 60 ações com maior peso na carteira do Ibovespa, somente a Vale opera no campo positivo, com alta de 0,5%, apesar da queda do minério de ferro em Dalian a US$ 112,64.
No caso dos bancos, o Santander abriu a temporada de balanços, divulgado seu resultado antes da abertura do pregão de hoje. O mercado reage com queda de 1,45% nos papéis às 11h30. Nos primeiros minutos de pregão, as units SANB11 chegaram a cair 2,75%.
O banco anotou lucro líquido gerencial de R$4,086 bilhões para o quarto trimestre de 2025, um crescimento de 6% ante igual etapa do ano anterior. A última linha do balanço ficou levemente acima do esperado pelo consenso Bloomberg, que mirava R$ 4,066 bilhões.
A margem financeira bruta do banco caiu 4% para R$15,33 bilhões, refletindo o impacto do aumento da taxa de juros, enquanto a margem com clientes cresceu 6,6% e alcançou R$16,82 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco ficou em 17,6% no quarto trimestre, queda de 0,1 ponto percentual em comparação com o quarto trimestre de 2024 e estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Já o índice de inadimplência acima dos 90 dias foi de 3,7%, comparado com 3,2% no ano anterior e 3,4% no terceiro trimestre.
Desta forma, o banco dá uma noção ao mercado de como devem ser os próximos resultados dos bancos. O Itaú divulgará seu resultado trimestral ao fim do pregão.
“O Santander reportou um 4T25 sólido, em linha com nossas estimativas, encerrando o ano com lucro líquido de R$4,1 bilhões e ROAE de 17,6%, praticamente estável no comparativo trimestral”, diz a XP sobre o resultado.
“A qualidade de ativos seguiu sob controle, apesar de pressões pontuais em cartões de crédito de baixa renda e em SMEs, permitindo melhora no custo do risco, o que resultou em uma expansão maior da NII ajustada ao risco (+6,3% T/T). As receitas de fees apresentaram crescimento sólido, beneficiadas pela sazonalidade do 4T e reforçando a diversificação das receitas. No geral, os resultados reforçam um ROE acima do custo de capital, hoje bem estabelecido nesse patamar, sugerindo que ganhos adicionais devem depender mais da normalização das margens e das condições macroeconômicas do que de novas melhorias de balanço ou de custos”, completa a casa.
WEG anuncia nova fábrica em SC
Acerca da WEG, a companhia anunciou mais cedo que irá construir uma fábrica de baterias em Itajaí (SC) – ou seja, o mercado reagiu negativamente à novidade.
O início das operações tá previsto para o segundo semestre de 2027, com a geração de 90 novos postos de trabalho. Para erguer a nova unidade, a empresa catarinense irá investir R$ 280 milhões, recursos que serão financiados com recursos de linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A nova fábrica vai ampliar a capacidade de produção da WEG nos chamados sistemas BESS — sistemas de armazenamento de energia em baterias — para até 2 GWh ao ano.
A nova capacidade equivalente a 400 sistemas de 5 MWh e contará com um alto nível de automação, incluindo linhas automáticas e semiautomáticas de montagem, além do uso de robôs móveis autônomos para movimentações internas.
Em comunicado ao mercado, a WEG disse que a nova fábrica vai abrigar um laboratório dedicado a testes, desenvolvimento e qualificação de produtos. O novo laboratório será responsável por aprimorar processos, garantir controle de qualidade e acelerar a criação de novas soluções. “A infraestrutura incluirá ainda uma subestação de energia para simulação de condições reais de operação”, diz a nota da WEG .
Wall Street abre sem sinal único e ADM derrete
Com minutos de pregão, as bolsas dos EUA operam sem sinal único, com a Nasadq recuando isolada no dia:
- Dow Jones: +0,6%
- S&P 500: +0,1%
- Nasdaq: -0,2%
O cenário é fruto de um mercado que segue pressionando papéis de tecnologia – os mais relevantes na carteira da Nasdaq e do S&P. A AMD recua mais de 12% por conta dos seus resultados que frustraram o mercado.
O dólar sobe 0,04% a R$ 5,2415.
Ibovespa renovou máxima na véspera
No pregão anterior, o Ibovespa retomou a trilha de renovação de recordes históricos, atingindo pela primeira vez a marca de 187 mil pontos na máxima do dia, e encerrando em novo pico para fechamento, aos 185.674,43 pontos, em alta de 1,58% na sessão.
Oscilou entre os 182.815,55, na mínima correspondente à abertura, e os 187.333,83 pontos, no melhor momento. O giro financeiro foi a R$ 36,5 bilhões. Na semana e no mês, o Ibovespa agrega 2,38%. No ano, sobe 15,24%.
O pregão é, em partes, um retrato do mês de janeiro, que registrou uma entrada massiva de capital estrangeiro. A bolsa de valores brasileira fechou o mês com fluxo recorde de investimentos, da cifra de R$ 26,31 bilhões – patamar que superou os R$ 25,47 bilhões aportados no ano de 2025 inteiro.
Com isso, a bolsa teve o melhor desempenho para um mês de janeiro em cerca de duas décadas e a terceira maior alta mensal desde 2010, superada apenas por março de 2016 e novembro de 2020.
Além da injeção de capital externo, a Ata do Copom também embalou a valorização dos ativos, com sinalizações da autoridade monetária sobre a convergência da inflação à meta – o que acena para uma postura mais dovish no futuro.
“O Copom reconheceu a melhora do cenário externo e o processo de desaceleração da inflação corrente, o que abre espaço para o início do ciclo de flexibilização monetária. Ainda assim, diante de um ambiente marcado por incertezas, especialmente relacionadas aos efeitos fiscais na demanda, o Comitê tende a adotar uma postura cautelosa nos cortes de juros”, diz Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter.
“Nossa expectativa é de que o ciclo comece com uma redução de 50 pontos-base, ritmo que deve ser mantido no cenário atual. Uma aceleração no ritmo de cortes poderia ocorrer caso a atividade econômica apresente desaceleração mais intensa e/ou o câmbio siga em trajetória de apreciação. Mantemos a projeção de Selic em 12,50% ao final do ano”, completa.
Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo
https://istoedinheiro.com.br/ibovespa-cai-040226
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