quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Galípolo diz que meta de inflação do Brasil está correta Apesar de pressão do PT por revisão da meta, banqueiro central reforça compromisso técnico e defende regime atual Gabriel Galípolo, Presidente do Banco Central, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 18; juros; inflação; Selic; taxa de juros Gabriel Galípolo, Presidente do Banco Central, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 18 (Crédito: Raphael Ribeiro/BC) Matheus Almeidai 11/02/2026 - 10:55 Para compartilhar: O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a meta de inflação fixada em 3% ao longo de 12 meses está correta. A fala ocorreu durante um evento promovido pelo BTG Pactual nesta sexta-feira, 11, após questionamento feito sobre as críticas políticas ao atual objetivo perseguido pela autarquia. +‘Calibragem’ é a palavra-chave para este momento do ciclo da taxa de juros, diz Galípolo +Aliados acreditam que Haddad pode aceitar disputa ao governo de SP se Lula pedir Galípolo embasou sua defesa em um estudo elaborado em parceria entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda quando ele ainda ocupava o cargo de secretário executivo da pasta comandada por Fernando Haddad. “Comparamos as metas de diversos países, avançados e emergentes, para ver se a meta que a gente estava estabelecendo estava fora do que é a meta para muitos dos nossos pares. E não, ela está totalmente em linha com o que a gente observa com outros países do ponto de vista de você ter a meta nesse patamar”, afirmou Galípolo. A afirmação do banqueiro central ocorre quatro dias após o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovar um documento com críticas à atual política monetária do país. “É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”, afirma o documento. O estudo elaborado pelo BC com a Fazenda teria sido a base da mudança do regime de metas anuais para metas contínuas. Até 2024, o presidente do Banco Central deveria justificar sempre que a meta de inflação não fosse cumprida em dezembro. Em 2025, iniciou um novo regime. Agora, o descumprimento é considerado sempre que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular, em 12 meses, alta superior a meta durante seis meses consecutivos. Galípolo comenta necessidade de aumentar a produtividade Apesar de defender a meta de 3%, Gabriel Galípolo afirmou que um dos desafios para os economistas brasileiros é compreender como o crescimento econômico e a inflação brasileira permanecem resilientes mesmo com juros em um patamar elevado. Em maio de 2025, a taxa Selic foi elevada para 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. “Realmente, precisa ser melhor debatido com a sociedade porque o Brasil precisa sustentar taxas de juros, aí sim, mais elevadas comparativamente aos seus pares, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta”, disse o presidente do BC. Na visão de Galípolo, a resposta para esta questão é “conjuntural e estrutural”. O economista destacou que o trabalho do BC é combater a inflação “independentemente da razão”, porém apontou aspectos a serem analisados pela sociedade. “A gente ainda é uma economia que vê poucos ganhos de produtividade, e segue vendo reajustes na remuneração do trabalho acima da inflação e acima da produtividade. Talvez, o tema central para discutir no país seja como conseguir um ambiente mais amigável e convidativo para que o investimento privado possa ocorrer, e que esse investimento privado consiga produzir, de maneira mais sustentável, ganhos de produtividade. É algo que não vai acontecer do dia para a noite”, analisou o banqueiro central. Serenidade e calibragem Galípolo aproveitou a ocasião para novamente reforçar a complexidade da próxima decisão do BC sobre a taxa de juros brasileira. Voltou a usar a palavra “serenidade”, que apareceu até mesmo na ata da última reunião do Copom. “O que significa isso? Serenidade significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças. Ele se move de uma maneira mais cometida e segura”, justificou. Apesar de um corte de juros estar confirmado para a próxima reunião de política monetária, analistas dividem-se sobre a magnitude, apontando 0,25 ou 0,5 ponto percentual como as reduções mais prováveis.

 

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a meta de inflação fixada em 3% ao longo de 12 meses está correta. A fala ocorreu durante um evento promovido pelo BTG Pactual nesta sexta-feira, 11, após questionamento feito sobre as críticas políticas ao atual objetivo perseguido pela autarquia.

Galípolo embasou sua defesa em um estudo elaborado em parceria entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda quando ele ainda ocupava o cargo de secretário executivo da pasta comandada por Fernando Haddad.

“Comparamos as metas de diversos países, avançados e emergentes, para ver se a meta que a gente estava estabelecendo estava fora do que é a meta para muitos dos nossos pares. E não, ela está totalmente em linha com o que a gente observa com outros países do ponto de vista de você ter a meta nesse patamar”, afirmou Galípolo.

A afirmação do banqueiro central ocorre quatro dias após o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovar um documento com críticas à atual política monetária do país. “É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”, afirma o documento.

O estudo elaborado pelo BC com a Fazenda teria sido a base da mudança do regime de metas anuais para metas contínuas. Até 2024, o presidente do Banco Central deveria justificar sempre que a meta de inflação não fosse cumprida em dezembro.

Em 2025, iniciou um novo regime. Agora, o descumprimento é considerado sempre que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular, em 12 meses, alta superior a meta durante seis meses consecutivos.

Galípolo comenta necessidade de aumentar a produtividade

Apesar de defender a meta de 3%, Gabriel Galípolo afirmou que um dos desafios para os economistas brasileiros é compreender como o crescimento econômico e a inflação brasileira permanecem resilientes mesmo com juros em um patamar elevado. Em maio de 2025, a taxa Selic foi elevada para 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.

“Realmente, precisa ser melhor debatido com a sociedade porque o Brasil precisa sustentar taxas de juros, aí sim, mais elevadas comparativamente aos seus pares, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta”, disse o presidente do BC.

Na visão de Galípolo, a resposta para esta questão é “conjuntural e estrutural”. O economista destacou que o trabalho do BC é combater a inflação “independentemente da razão”, porém apontou aspectos a serem analisados pela sociedade.

“A gente ainda é uma economia que vê poucos ganhos de produtividade, e segue vendo reajustes na remuneração do trabalho acima da inflação e acima da produtividade. Talvez, o tema central para discutir no país seja como conseguir um ambiente mais amigável e convidativo para que o investimento privado possa ocorrer, e que esse investimento privado consiga produzir, de maneira mais sustentável, ganhos de produtividade. É algo que não vai acontecer do dia para a noite”, analisou o banqueiro central.

Serenidade e calibragem

Galípolo aproveitou a ocasião para novamente reforçar a complexidade da próxima decisão do BC sobre a taxa de juros brasileira. Voltou a usar a palavra “serenidade”, que apareceu até mesmo na ata da última reunião do Copom.

“O que significa isso? Serenidade significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças. Ele se move de uma maneira mais cometida e segura”, justificou.

Apesar de um corte de juros estar confirmado para a próxima reunião de política monetária, analistas dividem-se sobre a magnitude, apontando 0,25 ou 0,5 ponto percentual como as reduções mais prováveis.

 

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