quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ações da Bayer despencam em Frankfurt após acordo de US$ 7,2 bi com a Justiça

 


As ações da Bayer caíram até 9,2% nesta quarta-feira, 18, apagando ganhos do dia anterior, com os investidores questionando se um acordo proposto de US$ 7,25 bilhões em processos judiciais relacionados ao herbicida Roundup representaria uma reviravolta decisiva.

O grupo farmacêutico e de proteção de safras alemão anunciou na terça-feira, 17, à noite que havia chegado a um acordo para resolver dezenas de milhares de reclamações atuais e futuras de responsabilidade pelo produto, após anos lutando contra riscos legais relacionados ao Roundup, adquirido na compra da Monsanto em 2018.

O aumento de 7,3% das ações na terça-feira foi mais do que revertido por uma queda de mais de 8%, por volta das 10h45 (horário de Brasília).

Analistas do JPMorgan afirmaram que o acordo foi na direção certa, mas observaram que a Bayer não divulgou quantos demandantes devem aderir ao acordo para que ele prossiga, e também não ficou claro o quanto eles estariam dispostos a aceitar a oferta.

“Ainda há considerações a serem feitas, como a necessidade de aprovação do tribunal e a possibilidade de uma alta taxa de recusas”, afirmaram.

No final da terça-feira, Markus Manns, gestor de carteiras da Union Investment, também alertou que a proposta “ainda não era o avanço que muitos investidores esperavam”. Tanto o JPMorgan quanto Manns afirmaram que muito ainda depende de uma decisão pendente da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o mérito geral das ações judiciais.

A Bayer solicitou ao tribunal que invalidasse as queixas, que se baseiam principalmente na legislação estadual, argumentando que a regulamentação federal a seu favor deveria ter prioridade.

Stephan Wulf, analista da corretora Oddo BHF, alertou que uma série de obstáculos legais deve ser superada para que o acordo entre em vigor, e que a opinião da Suprema Corte seria uma incerteza adicional.

“Isso ainda não está decidido”, disse ele.

Um porta-voz da Bayer disse que o grupo não especularia sobre suas chances de sucesso na Suprema Corte, mas encaminhou à Reuters um parecer jurídico do procurador-geral dos Estados Unidos em dezembro, que mostrava que o governo do presidente Donald Trump concorda com a interpretação da Bayer sobre a lei em questão.

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