quarta-feira, 27 de novembro de 2024

STF deve aumentar responsabilidade de redes sociais em julgamento que começa hoje

 Site do STF é retirado do ar após 'acesso fora do padrão ...

Em um dos julgamentos mais aguardados do ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta quarta-feira, 27, ações que discutem a responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos publicados pelos seus usuários. No STF, a expectativa é que o julgamento seja longo e interlocutores não descartam a possibilidade de o desfecho se arrastar para 2025. Mas há pouca margem de dúvida em relação ao resultado: a maioria da Corte defende alguma mudança na forma como o regime de responsabilidade das redes funciona hoje.

A discussão levantada nas duas ações, relatadas pelos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux, é a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. O trecho da lei de 2014 estabelece que as plataformas só podem ser responsabilizadas por conteúdos publicados por terceiros caso elas deixem de cumprir uma ordem judicial de remoção. Há duas exceções: em casos de violação de direitos autorais e divulgação de fotos íntimas sem consentimento, a plataforma é obrigada a agir assim que for notificada pela vítima.

O artigo 19, na sua própria redação, diz que busca assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura por parte das plataformas digitais. Um dos argumentos favoráveis ao dispositivo é que ele evita transferir a atores privados, e mantém na Justiça, o poder de decidir o que pode ou não pode ser veiculado nas redes sociais. Por outro lado, o artigo também é apontado como insuficiente para proteger direitos no ambiente digital, já que os danos causados por uma postagem geralmente ocorrem mais rapidamente do que a resposta da Justiça.

Existem alguns cenários possíveis para o resultado. Uma das possibilidades é o Supremo declarar o artigo 19 inconstitucional, o que acabaria com o regime que protege as plataformas. Isso poderia trazer de volta o sistema “notice and take down“, que era vigente antes de 2014 – nessa lógica, o conteúdo deve ser derrubado após a notificação do usuário.

Outra opção é dar ao artigo uma interpretação conforme à Constituição – ou seja, manter a validade da norma, mas com novas exceções. Nesse caso, os ministros poderiam estabelecer mais hipóteses em que as plataformas devem agir antes de ordem judicial, como em casos de conteúdos que incitem violência ou atos antidemocráticos.

Para André Giacchetta, advogado do escritório Pinheiro Neto que representa o X no caso, o julgamento ainda traz um risco de impacto econômico para as plataformas. Ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o advogado explicou que a maior parte da revisão de conteúdo nas redes sociais é feita de forma automatizada, e que essa tecnologia não será suficiente em questões mais subjetivas, como publicações que façam menção a um golpe de Estado. “Pequenas e médias plataformas sequer terão recursos para investir, e na dúvida vão remover mais do que assumir a responsabilidade por aquele conteúdo”, avaliou.

Giacchetta também diz que o próprio Judiciário se vê diante de dúvidas sobre a ilegalidade de determinados conteúdos. “Se ao Judiciário é dada possibilidade de errar por último, as empresas que errarem assumem a possibilidade de indenizar”, afirmou.

O caso foi pautado pelo presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, após o debate não avançar no Congresso. O julgamento já foi adiado duas vezes – a primeira para ouvir a sociedade em uma audiência pública; a segunda, para aguardar uma ação do Legislativo. Na última vez que as ações contra o MCI entraram em pauta, em junho de 2023, o PL das Fake News estava próximo de ser votado. Mas a tramitação voltou à estaca zero depois de o presidente da Câmara, Arthur Lira, criar um grupo de trabalho para redigir um novo texto.

Nos últimos anos, ministros mandaram inúmeros recados públicos ao Congresso defendendo a regulamentação das redes. Eles também têm apontado uma relação entre a falta de regras no ambiente digital e ataques à democracia, como os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e o atentado a bomba em frente ao Supremo no último dia 13. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Barroso são as vozes mais enfáticas, mas Flávio Dino, Cármen Lúcia e Dias Toffoli também já defenderam, em algum momento, essa regulação.

Em março de 2023, após audiência pública no Supremo sobre o tema, Toffoli disse que a Corte pode fixar balizas para a remoção de determinados conteúdos nas redes sociais. Na ocasião, sem antecipar seu voto, o ministro sugeriu que é possível que a Corte interprete o texto para “dar a maior proteção possível” aos direitos individuais.

Casos concretos

Ambas as ações em julgamento chegaram ao Supremo em 2017. O processo de relatoria de Toffoli se originou de uma ação indenizatória contra o Facebook devido a um perfil falso. O Facebook recorreu ao Supremo contra decisão da segunda instância que determinou o pagamento de indenização por danos morais de R$ 10 mil à usuária que teve seu nome usado no perfil. A mulher notificou o Facebook pedindo a exclusão do perfil falso, mas a solicitação não foi atendida.

No outro caso, de relatoria de Fux, uma professora de ensino médio era alvo de comentários ofensivos de alunos em uma comunidade no antigo Orkut chamada “Eu Odeio a Aliandra”. Ela obteve decisão favorável na segunda instância para receber uma indenização de R$ 21 mil do Google, que controlava o Orkut – rede social desativada em 2014. O Google recorreu contra essa decisão.

Prévia da inflação acelera e coloca mais pressão no BC por juros mais altos

 


Prédio do Banco Central em Brasília

 

O aumento dos preços de alimentos e passagens aéreas acelerou a prévia da inflação oficial no País em novembro e vai pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que pode intensificar o ritmo de alta da taxa básica de juros, segundo projeções do mercado.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça, 26, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) passou de uma alta de 0,54%, em outubro, para 0,62% neste mês. O resultado ficou próximo das estimativas mais pessimistas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que previam uma inflação de 0,22% a 0,64%, com mediana de 0,49%.

A taxa acumulada pelo IPCA-15 em 12 meses acelerou pelo segundo mês consecutivo, subindo a 4,77% em novembro, superando a meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3% em 2024, com teto de tolerância até 4,5%.

Os dados de ontem colocam mais pressão sobre o BC na condução da política monetária, avaliou Luis Otávio Leal, economista-chefe da gestora de recursos G5 Partners, que elevou sua projeção tanto para o IPCA de novembro (de alta de 0,20% para 0,35%) quanto para o fechamento de 2024, de 4,6% para 4,7%.

“No Brasil, choques temporários se tornam permanentes e, por isso, acabam tendo de ser combatidos pela política monetária. Por enquanto, mantemos a nossa expectativa de que os juros fechem 2024 em 11,75% ao ano e cheguem a 13% ao ano em maio de 2025, mas ambas projeções têm um claro viés de alta”, disse Leal, em nota.

Com a inflação pressionada, o C6 Bank também prevê que o Copom aumente a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual na reunião de dezembro, dos atuais 11,25% ao ano para 11,75% ao ano, com mais duas elevações de 0,25 ponto porcentual nos encontros de janeiro e de março de 2025. “Não descartamos, porém, o risco de o ajuste ser ainda mais elevado em função da piora das expectativas de inflação”, ponderou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário.

A XP Investimentos espera, por enquanto, uma inflação de 4,9% ao fim de 2024, seguida de alta de 4,7% em 2025. “Nossa projeção para a taxa Selic terminal (no fim do atual ciclo de alta) é de 13,25% em meados de 2025, mas a probabilidade de uma aceleração no ritmo do aperto, para 0,75 ponto porcentual, aumentou”, escreveu Alexandre Maluf, em comentário a clientes.

Itens voláteis

Em novembro, itens considerados voláteis, como alimentos e tarifas aéreas, foram os principais “vilões” da prévia da inflação oficial. O custo das famílias com alimentação e bebidas subiu 1,34% neste mês, respondendo por quase metade (0,29 ponto porcentual) da taxa de 0,62% registrada pelo IPCA-15. Os produtos alimentícios aumentaram pelo terceiro mês seguido.

A alimentação no domicílio encareceu em 1,65% em novembro. Houve aumentos no óleo de soja (8,38%), tomate (8,15%) e carnes (7,54%). Por outro lado, as famílias pagaram menos pela cebola (-11,86%), ovo de galinha (-1,64%) e frutas (-0,46%). Já a alimentação fora do domicílio aumentou 0,57%: a refeição fora de casa subiu 0,38%, e o lanche avançou 0,78%.

Em transportes, as passagens aéreas encareceram 22,56% em novembro, maior pressão individual sobre a inflação (0,14 ponto porcentual). O ônibus urbano subiu 1,34%. Nos combustíveis, houve aumentos no gás veicular (1,06%) e na gasolina (0,07%), mas quedas no etanol (-0,33%) e no óleo diesel (-0,17%).

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Fructus: Empresa focada em empreendedorismo feminino já fatura alto em apenas 3 meses

 

Júlia Freixo e Amanda Negrelli, sócias na Fructus


Júlia Freixo e Amanda Negrelli, sócias na Fructus (Crédito: Divulgação)

No dia 13 de agosto deste ano, em uma sala de reunião no Itaim Bibi, foi oficialmente lançada a Fructus. Uma empresa do quarto setor cujo objetivo é promover o empreendedorismo feminino por meio de vendas online e estratégias de marketing digital. À frente do negócio estão as empresárias Júlia Freixo e Amanda Negrelli.

Nesse dia, Júlia e Amanda reuniram-se com 10 mulheres, todas sem qualquer experiência em marketing digital ou vendas, para dar início a um projeto piloto. A proposta era ensinar essas mulheres a venderem produtos físicos virais pela internet, utilizando apenas um aparelho celular.

Um mês depois, a Fructus já havia dobrado de tamanho. O que começou como um projeto piloto transformou-se oficialmente em um negócio.

A trajetória da Fructus, marcada por capacitação, trabalho e criação de oportunidades, reflete, em muitos aspectos, a história de vida de suas fundadoras.

Júlia, natural de Pimenta (MG), mudou-se ainda jovem para São Paulo em busca das oportunidades que a metrópole podia oferecer. Com orgulho, ela relembra os anos em que trabalhou como manicure, profissão que lhe permitiu economizar o suficiente para investir em sua formação. Primeiro, cursou contabilidade e, mais tarde, concluiu a graduação em Direito.

Amanda nasceu no interior do Espírito Santo e durante a sua infância e adolescência viveu na pele a violência doméstica. Ao longo da sua vida já trabalhou como faxineira, vendedora e modelo. Mas, quando estava grávida do seu primogênito e sem perspectivas devido à falta de formação acadêmica, encontrou na internet, uma forma de mudar a sua vida e a da sua família. Tornou-se especialista em vendas pelo WhatsApp, desenvolvendo seu próprio método e transformando essa habilidade em sua profissão.

“Tanto eu quanto a Amanda temos trajetórias de vida marcadas por muito trabalho. Agarramos todas as oportunidades que tivemos. Agora, estamos criando uma alternativa para que outras mulheres possam fazer o mesmo”, explica Julia.

“Nosso objetivo com a Fructus é ver outras mulheres acreditando no próprio potencial, sentindo-se mais confiantes e felizes graças ao próprio esforço”, diz Amanda. “É essa transformação na vida das pessoas que almejamos com a empresa. Mostrar que, independente de onde você veio, do quanto estudou, você é capaz de começar ou recomeçar”, completa.

Após o lançamento, segundo as empresárias, vários profissionais de diferentes áreas de atuação as procuraram interessados em contribuir com a iniciativa. Com a ajuda desse conhecimento intelectual e profissional, elas planejam ampliar a Fructus para atender a um número ainda maior de mulheres. Uma das frentes de expansão em estudo, por exemplo, são parcerias com instituições que tenham afinidade com o projeto.

Atualmente, a empresa conta com uma frente de Projeto Social e outra de equipe de vendas internas, cuja receita é destinada a retroalimentar financeiramente a empresa. Dessa forma, ela se torna sustentável. Agora, o objetivo é ampliar o número de membros do Projeto e vendas próprias com a seleção de novas candidatas.

Desde o lançamento até agora, as participantes do projeto realizaram a venda de mais de 1.230 produtos, com receita bruta conjunta superior a R$ 150.000,00.

Os números da Fructus reforçam ainda mais a onda de crescimento de vendas na internet. Recentemente, o Mercado Livre alcançou a 57ª posição na edição 2024 do ranking BrandZ Global, realizado pela consultoria Kantar. Esse avanço colocou o Mercado Livre no Top 10 das marcas de varejo mais valiosas do mundo.

Para Amanda, vender online, por meio do WhatsApp, é a forma mais rápida de quebrar a crença que quase todo mundo tem, de que não consegue vender pela internet. Porém, a empresária alerta que essa não é uma forma de ganhar dinheiro fácil. Como toda profissão, demanda conhecimento e prática. “Com a orientação da Fructus, é possível aprender tendo suporte e ganhando dinheiro”.

O desempenho varia de vendedora para vendedora. Mas, segundo Julia, as mais bem sucedidas já estavam com ganhos superiores a R$3.500,00 mensais. “É uma renda interessante e pode servir de ponto de partida para que essas mulheres se tornem donas de sua própria história e se tornem independentes financeiramente se valendo do negócio de venda pela internet”, afirma.

Cláudia, uma das participantes do projeto, relata que as comissões obtidas com as vendas da Fructus foram fundamentais para quitar as contas de um mês. “Se eu não tivesse esse recurso, teria atrasado as despesas de casa”, afirma. Ela também destaca que trabalhar com vendas online proporciona liberdade geográfica, permitindo que ela exerça sua atividade de qualquer lugar com acesso à internet.

“Que todas alcancem a sua independência financeira por meio do seu próprio trabalho, assim como um dia Amanda e eu conseguimos”, enfatiza Júlia.

Para acompanhar o projeto, clique aqui.

Lula pede programa para construção de banheiros e diz: ‘Não vem a Fazenda dizer que é gasto’

 


Presidente Lula em Brasília

 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu ao ministro das Cidades, Jader Filho, a elaboração de um programa para a construção de banheiros no País. Lula já se adiantou a possíveis apontamentos do Ministério da Fazenda e disse que a construção dos banheiros “não é gasto”, mas “decência e respeito”. Ele disse que, para atender seu pedido, será preciso a contratação de um sistema especializado em fazer banheiro.

“Eu morei em uma casa em que moravam 27 pessoas. Era uma casa que tinha um banheiro só, não tinha descarga, não tinha chuveiro. Eu sei o que é uma pessoa ter um banheiro, banheiro é a coisa mais simples. E como pode ter 4 milhões de pessoas sem banheiro? Eu falei para o Jader Filho, ministro das Cidades: pode preparar um programa, porque nós vamos fazer os banheiros que as pessoas precisam”, disse, durante fala de abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic) nesta terça-feira, 26, em Brasília.

“Depois não venha a Fazenda falar: ‘isso é gasto’. Não venha dizer, porque isso não é gasto, é decência, é respeito. Eu vi na televisão as pessoas indo para o mato, sem lugar para tomar banho”, acrescentou Lula.

Na plateia, estava presente o Secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello.

Minha Casa, Minha Vida

Na fala, o presidente também comentou sobre as casas do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e disse que há um projeto de 3 mil casas do programa em um determinado Estado – que não especificou – que precisará passar por uma reformulação. “Não é possível fazer 3 mil casas sem ter acesso a cultura, senão fica uma balbúrdia”, comentou. “Tem que chamar os empresários, a Caixa, o governador e rediscutir esse projeto. Temos que fazer as coisas decentes.”

Segundo ele, o governo pode ser o indutor, “mas o construtor é quem sabe construir”. “Se não fosse a compreensão empresarial, não teríamos o sucesso que temos no Minha Casa, Minha Vida.”

De acordo com o presidente, “não faltará crédito para se fazer casas nesse País”.

No discurso, Lula voltou a criticar o denuncismo no Brasil e disse ser um “verdadeiro inferno” fazer as coisas andarem. “Tem toda uma burocracia, mesmo no meio empresarial, para vencer barreiras, para fazer canteiro, para fazer licenciamento”, disse.

E acrescentou: “Eu digo sempre que a gente tem uma pessoa para tentar fazer um projeto e dez pessoas para dizer que não vai dar certo. Uma coisa muito grave é como o denuncismo nesse País, mesmo entre os empresários, porque quando você tem uma licitação, o primeiro empresário que entra com processo nessa licitação é o que perdeu.”

Carta do Carrefour foi muito fraca, dado o estrago de imagem que produziu o CEO, diz Lira

 

Arthur Lira: quem é o poderoso presidente da Câmara Nacional?

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), criticou a carta de retratação pública do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, após o ataque às carnes do Mercosul. “A carta do Carrefour foi muito fraca dado o estrago de imagem que o CEO do Carrefour produziu”, disse Lira, após participar da reunião semanal da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Ele faz referência às declarações de Bompard que sugeriram que a carne do Mercosul não atende os padrões e normas francesas. “É importante não minimizar o que aconteceu”, defendeu.

Na carta enviada ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o CEO mundial do Carrefour, Alexandre Bompard, se desculpou pela confusão gerada com a agricultura brasileira e reconheceu a qualidade da carne brasileira, mas não informou se o grupo vai retomar a compra de carnes do Mercosul pelas unidades francesas. Há uma semana, Bompard comunicou em suas redes que a varejista se comprometeria a não comercializar carnes provenientes do Mercosul na França, independentemente dos “preços e quantidades de carne” que esses países possam oferecer”, afirmando que esses produtos não respeitam os requisitos e normas do mercado francês.

Em represália à medida, frigoríficos brasileiros suspenderam o fornecimento de carnes ao Grupo Carrefour no Brasil e condicionaram a retomada do fornecimento de produtos ao Carrefour Brasil a uma retratação pública de Bompard.

Lira citou ainda as declarações recentes do CEO do grupo sucroalcooleiro francês Tereos, Olivier Leducq, que se posicionou contra a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul sob os termos atuais, afirmando que o texto criaria uma “concorrência desleal”.

“É temerário que o Congresso Nacional, o governo, o Itamaraty não se posicionem mais firmemente. Duas empresas francesas com escalada de narrativas não verdadeiras falando para o mundo”, criticou Lira, mencionando o rigor sanitário da produção brasileira e o Código Florestal Brasileiro. “Não há país no mundo com as reservas ambientais e as terras indígenas que o Brasil tem”, pontuou.

Carrefour faz carta de retratação e lamenta ter colocado em dúvida parceria com agro do Brasil

 


Novo posicionamento vem após o anúncio de boicote à carne do Mercosul

 

 

Alexandre Bompard, CEO mundial do Carrefour, enviou uma carta de retratação ao Ministério da Agricultura do Brasil após o anúncio de que a francesa deixaria de adquirir proteína animal produzida no Mercosul.

A carta, que foi entregue pelo embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, ao ministro Carlos Fávaro e a assessores do presidente Lula, foi divulgada pelo NeoFeed (veja abaixo).

O maior grupo supermercadista da Europa e do Brasil disse nesta terça-feira, 26, que lamenta que sua promessa anterior de manter a carne sul-americana fora de suas prateleiras na França tenha sido percebida como tendo “colocado em dúvida sua parceria com a agricultura brasileira”.

A companhia disse que compra a carne que vende na França quase exclusivamente de produtores franceses e a carne que vende no Brasil exclusivamente de pecuaristas brasileiros e acrescentou que continua com essa estratégia.

Leia na íntegra:

Ao Excelentíssimo Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil,

Senhor Carlos Fávaro,

A declaração de apoio do Carrefour França aos produtores agrícolas franceses causou discordâncias no Brasil. Como Diretor-Presidente do Grupo Carrefour e amigo de longa data do país, venho, respeitosamente, esclarecê-la.

O Carrefour é um grupo descentralizado e enraizado em cada país onde está presente, francês na França e brasileiro no Brasil.

Na França, o Carrefour é o primeiro parceiro da agricultura francesa: compramos quase toda a carne que necessitamos para as nossas atividades na França, e assim seguiremos fazendo. A decisão do Carrefour França não teve como objetivo mudar as regras de um mercado amplamente estruturado em suas cadeias de abastecimento locais, que segue as preferências regionais de nossos clientes. Com essa decisão, quisemos assegurar aos agricultores franceses, que atravessam uma grave crise, a perenidade do nosso apoio e das nossas compras locais.

Do outro lado do Atlântico, no Brasil, compramos dos produtores brasileiros quase toda a carne que necessitamos para as nossas atividades, e seguiremos fazendo assim. São os mesmos valores de criar raízes e parceria que inspiram há 50 anos nossa relação com o setor agropecuário brasileiro, cujo profissionalismo, cuidado à terra e produtores conhecemos.

O Grupo Carrefour Brasil é profundamente brasileiro, com mais de 130.000 colaboradores, se desenvolveu e continua se desenvolvendo sob minha presidência em parceria com produtores e fornecedores do Brasil, valorizando o trabalho do setor produtivo e sempre em benefício de nossos clientes. Nos últimos anos, o Grupo Carrefour Brasil acelerou seu desenvolvimento, dobrando tanto o volume de seus investimentos no país quanto suas compras da agricultura brasileira. Mais amplamente, o Brasil é o país em que o Carrefour mais investiu sob minha presidência, o que confirma nossa ambição e nosso comprometimento com o país. Assim seguiremos prestigiando a produção e os atores locais e fomentando a economia do Brasil.

Sabemos que a agricultura brasileira fornece carne de alta qualidade, respeito as normas e sabor. Se a comunicação do Carrefour França gerou confusão e pode ter sido interpretada como questionamento de nossa parceria com a agricultura brasileira e como uma crítica a ela, pedimos desculpas.

O Carrefour está empenhado em trabalhar, na França e no Brasil, em prol de uma agricultura próspera, seguindo nosso propósito pela transição alimentar para todos. Asseguro, Senhor Ministro, nosso compromisso de longo prazo ao lado da agricultura e dos produtores brasileiros.

Aproveito a oportunidade para renovar os protestos de estima e consideração.

Atenciosamente,

Alexandre Bompard

Diretor-Presidente do Grupo Carrefour

Carrefour Brasil diz que espera normalização de abastecimento

A maior rede de supermercados do país, o Carrefour Brasil espera que a normalização do abastecimento em suas lojas ocorra no curto prazo, segundo fato relevante enviado pela companhia após pedido de desculpas da matriz do grupo por declarações contra a carne produzida no Brasil.

“O grupo Carrefour Brasil trabalha intensamente na resolução da situação junto aos fornecedores e espera a normalização do abastecimento no curto prazo para mitigar impacto aos consumidores”, afirmou o varejista.

Mais cedo, a sede da companhia na França publicou pedido de desculpas em que afirmou não ter tido a intenção de colocar o setor agropecuário francês contra o brasileiro. Também acrescentou ser “parceiro número 1” do agro do Brasil.

“Nunca opomos a agricultura francesa à agricultura brasileira, pois os nossos dois países do coração têm em comum o amor à terra, a sua cultura e a boa alimentação”, diz o comunicado do Carrefour global.

Segundo a rede varejista no Brasil, dona também das bandeiras Atacadão e Sam’s Club, desde quinta-feira passada as entregas de carne bovina nas lojas do grupo “não ocorreram conforme programadas”.

Ministério da Agricultura

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que recebeu formalmente a carta assinada pelo diretor-presidente do Grupo Carrefour.

Em nota, a pasta ressalta que adota um “um sistema de rigoroso de defesa agropecuária, que posiciona o Brasil como o principal exportador de carne de aves e bovina do mundo, o Mapa reitera os elevados padrões de qualidade, sanidade e sustentabilidade da produção agropecuária brasileira.”

E completa: “O Mapa afirma que trabalha sempre no intuito de esclarecer os fatos para não permitir que declarações equivocadas coloquem em dúvida um trabalho de defesa agropecuária de alto nível e de uma produção de alta qualidade e comprometida com uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta.”

“Nenhuma carne do Mercosul”

Na quarta-feira, 20, Alexandre Bompard publicou em seu perfil na rede social corporativa LinkedIn um post acompanhando de uma carta. A postagem diz: “Em solidariedade com o mundo agrícola, o Carrefour se compromete a não comercializar nenhuma carne do Mercosul. É este o sentido da minha mensagem aos presidentes dos sindicatos agrícolas.

A carta é direcionada a Arnaud Rousseau, presidente da Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores. A postagem reúne mais de 4 mil reações positivas e quase 400  comentários, alguns de brasileiros questionando a iniciativa, mas muitos franceses elogiando.

A carta com o pedido de desculpas ao governo brasileira, até o momento, não foi replicada em seu perfil, assim como o também não foi publicado o comunicado emitido pela sede do Carrefour. O IstoÉ Dinheiro questionou o grupo se os documentos também serão compartilhados na rede pelo executivo e aguarda um posicionamento. Este texto será atualizado quando houver resposta.

Liberado novo investimento de R$ 3,6 bilhões para conclusão da Transnordestina: a obra de construção da ferrovia de mais de 1,2 mil km que promete gerar 90 mil empregos no Nordeste

 Trecho da Rodovia Transamazônica em Palestina do Pará é ...


Construção da Ferrovia Transnordestina: o maior investimento em projeto ferroviário do Brasil promete gerar 90 mil empregos e acrescentar R$ 7 bilhões ao PIB, revolucionando a economia do Nordeste

 



A ferrovia Transnordestina, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas e que promete gerar mias de 90 empregos no Nordeste, acaba de receber um aporte significativo de R$ 3,6 bilhões. Esse investimento permitirá que a construção avance para sua fase final, com potencial de transformar a logística regional e impulsionar o desenvolvimento econômico nos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco. Estima-se que, a partir do primeiro ano de operação, a ferrovia agregue R$ 7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) da região anualmente.
 
 Governo Federal investe R$ 3,6 bilhões para acelerar a conclusão da maior ferrovia do Nordeste

O novo aporte financeiro foi viabilizado graças a uma articulação coordenada entre o Governo Federal, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a Casa Civil e a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A concessionária Transnordestina Logística (TLSA) foi autorizada a acessar os recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) após aprovação em reunião da Diretoria Colegiada da Sudene, realizada no dia 4 de novembro.

Os desembolsos acontecerão de forma escalonada: serão liberados R$ 1 bilhão por ano entre 2024 e 2026, além de um adicional de R$ 600 milhões em 2027. Esse cronograma garante a conclusão da fase I da ferrovia, que conecta Paes Landim, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará, em um trecho de 1.061 km. Atualmente, essa etapa está 70% concluída, segundo a TLSA.

Transnordestina: A ferrovia que promete revolucionar a economia e logística no Nordeste

Com 1.206 km de extensão total, a Transnordestina é a maior obra linear em andamento no Brasil. Sua construção interliga 53 municípios e tem como meta dinamizar a economia nordestina, oferecendo uma logística eficiente para o escoamento de produtos locais até mercados globais. O secretário Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, Eduardo Tavares, destacou o impacto estratégico da ferrovia para a região:

“O Governo Federal está investindo R$ 3,6 bilhões para que o Brasil deixe de perder, a cada ano, R$ 7 bilhões no PIB em uma das áreas mais vulneráveis do país, o semiárido. Esse é um investimento que trará retorno direto para o desenvolvimento do Nordeste”, explicou.

 Além disso, Tavares enfatizou que a ferrovia será um vetor de transformação para o setor produtivo local. O transporte mais econômico possibilitará iniciativas como a implementação de perímetros irrigados, antes inviáveis devido aos altos custos logísticos.

90 mil empregos e acréscimo anual de R$ 52 milhões em arrecadação, enquanto o ICMS promete somar R$ 126 milhões anuais já no primeiro ano de operação

A conclusão das obras da Transnordestina também trará impacto positivo para o mercado de trabalho e a arrecadação fiscal na região. Uma pesquisa realizada por consultoria contratada pela TLSA revelou que, ao longo dos 30 anos de concessão, até 2057, a ferrovia gerará cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos.

Do ponto de vista tributário, os 53 municípios atendidos pela ferrovia terão um acréscimo anual de R$ 52 milhões em arrecadação, enquanto o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deverá somar R$ 126 milhões anuais já no primeiro ano de operação.

“Além de promover um ambiente mais favorável para negócios e agricultura familiar, a ferrovia possibilitará uma redistribuição mais equitativa da arrecadação, fortalecendo as finanças municipais e estaduais”, explicou Tavares.

Investimento bilionário no projeto ambicioso reforça a viabilidade e segurança financeira da Transnordestina

O novo investimento de R$ 3,6 bilhões faz parte de um pacote maior, que totaliza R$ 7 bilhões necessários para a entrega completa da obra. O orçamento atual da Transnordestina chega a R$ 15 bilhões, sendo que R$ 8 bilhões já foram aplicados.

A Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros (SNFI) desempenhou papel crucial na reestruturação financeira do projeto, que agora avança com maior previsibilidade e segurança para sua conclusão.

Primeiros carregamentos da Transnordestina em 2025: Conectando sertão, litoral e cerrado

Os primeiros carregamentos comissionados pela ferrovia estão previstos para 2025, conectando os lotes entre Paes Landim (PI) e Iguatu, na região central do Ceará. Trechos intermediários como Acopiara, Piquet Carneiro, Quixeramobim e Quixadá, com 150 km de extensão, já estão em construção e empregam atualmente 2,5 mil trabalhadores.

A integração proporcionada pela ferrovia irá conectar o litoral, o sertão e o cerrado, promovendo maior competitividade para os produtos agrícolas da região e criando oportunidades inéditas para o desenvolvimento local.

Transnordestina: O novo eixo da logística nacional que impulsionará o Nordeste no mercado global

A Transnordestina se consolidará como um dos eixos centrais da logística nacional, especialmente para o transporte de commodities como grãos e minérios, que agora poderão ser escoados de forma ágil para o Porto de Pecém. Essa nova dinâmica trará redução de custos e permitirá que o Nordeste ganhe destaque no comércio exterior.

“O Nordeste tem uma oportunidade única de alinhar sua vocação agrícola e industrial a uma infraestrutura de transporte moderna. Isso terá reflexos diretos na competitividade da produção regional, ampliando horizontes para exportação e geração de emprego”, concluiu Tavares.

Com a finalização da ferrovia, espera-se que o Nordeste entre em uma nova fase de crescimento econômico e social, alavancada por um sistema logístico capaz de atender tanto ao mercado interno quanto às demandas globais.

 

 

https://www.sociedademilitar.com.br/2024/11/liberado-novo-investimento-de-r-36-bilhoes-para-conclusao-da-transnordestina-a-obra-de-construcao-da-ferrovia-de-mais-de-12-mil-km-que-promete-gerar-90-mil-empregos-no-nordeste-thz.html