Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
Após a Petrobras ter divulgado seus dados operacionais do 4º trimestre
– com queda na produção e nas vendas –, analistas discutem qual será o
patamar dos dividendos a ser distribuído após a divulgação dos
resultados da companhia, que será anunciado no dia 26 de fevereiro.
As
expectativas são de que a Petrobras anuncie de US$ 2,6 bilhões a US$
3,3 bilhões em proventos, o que pode representar um aumento em relação
ao resultado anterior. No terceiro trimestre de 2024, a Petrobras
anunciou distribuição de cerca de US$ 3 bilhões aos seus acionistas.
A
petroleira reportou uma queda de 1,8% na sua produção de petróleo, para
2,1 milhões de barris diários (boed) no quarto trimestre de 2024
(4T24), enquanto as vendas registraram queda de 0,7% em relação ao
trimestre anterior, mas aumentaram 1,4% em relação a igual etapa do ano
anterior.
As ações da Petrobras fecharam o pregão
desta terça-feira, 4, cotados a R$ 37, caindo 1,3%, com o mercado
digerindo a prévia operacional do 4T24. No acumulado de 12 meses, as
ações recuam 10,1%.
BTG Pactual estima US$ 3,3 bilhões em dividentos
Com base nesses dados, analistas do BTG Pactual esperam que a estatal anuncie uma cifra de US$ 3,3 bilhões em dividendos, implicando em US$ 14,2 bilhões de proventos no acumulado referente ao ano de 2024.
Para
este ano de 2025, os analistas do BTG projetam um rendimento em
dividendos – ou dividend yield (DY) – ‘conservador’. Em partes, isso
deriva do fato de a empresa ter se mostrado determinada a encurtar a
distância entre os preços praticados no mercado doméstico e a paridade
internacional.
“Sim,
é o começo do ano, mas já estamos vendo assimetrias positivas em nossas
estimativas, alimentadas por melhores preços do petróleo e câmbio. Além
disso, o recente aumento nos preços do diesel pela empresa sugere que
os preços do combustível não se afastarão muito da paridade
internacional, endossando nossa estimativa conservadora de 12% de
dividend yield para este ano (ou 14%, considerando dividendos extraordinários).”
Com isso, o BTG mantém as ações da Petrobras
como a principal escolha (top pick) para o segmento de petróleo. O
preço-alvo da casa é de US$ 20 para os papéis da companhia listados em
Nova York (ADRs), com recomendação de compra.
A expectativa dos analistas é de que o 4T24 da Petrobras
seja de US$ 22,3 bilhões de receita líquida, US$ 10,8 bilhões de lucro
antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, e
U$ 2,02 bilhões de lucro líquido.
Impacto da política de preços da Petrobras
O
analista João Daronco, da Suno Research, comenta que a expectativa da
casa de análise é de que a Petrobras fique com um DY entre 12% e 14%,
considerando patamar de preço do petróleo Brent – negociado a US$ 76
atualmente – e do câmbio, a R$ 5,90.
Sobre o reajuste no diesel, comenta que ‘está alinhado com a política de preços’ da companhia.
“Houve
uma mudança na política de preço da Petrobras, com o objetivo de tornar
o preço menos volátil e aí com isso se tem menos alterações do preço.
Outro ponto é que nesse período em questão a gente não viu o Brent
variar tanto, não houve uma mudança substancial no preço do petróleo.”
A
visão do especialista é de que a gestão atual, liderada pela CEO, Magda
Chambriard, tem tranquilizado o mercado acerca da política de preços.
Sobre
o patamar de preços atual, Daronco avalia que, nos preços atuais, a
Petrobras tem condições de se manter rentável. “A companhia segue
bastante rentável. Vemos que é uma das empresas que tem um lifting cost
bastante baixo, por conta do pré-sal, e acima de US$ 65 a companhia
consegue ser bem rentável”, explica.
BBA vê dividendos em US$ 2,6 bilhões
Em
relatório, o Itáu BBA diz esperar ‘resultados moderados’,
principalmente por conta dos preços mais fracos do petróleo e volumes
menores no 4T24.
“Esperamos que os investidores se concentrem na execução de Capex e dividendos da Petrobras;
nesse sentido, estimamos um Capex de US$ 3,3 bilhões e um EBITDA de US$
10 bilhões, levando a um dividendo ordinário de US$ 2,6 bilhões,
representando um yield de 3,2%”, diz a casa.
A expectativa dos analistas do BBA é de que o lucro da Petrobras no 4T24 seja de US$ 2,4 bilhões, com receita líquida de US$ 20,3 bilhões e Ebitda de US$ 9,9 bilhões.
A recomendação é ‘outperform’, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 49 para os papéis PETR4.
XP mira US$ 3 bilhões em proventos
Com
os dados operacionais da petroleira em mãos, a XP projetou dividendos
ordinários de cerca de US$ 3 bilhões, representando um yield de 3,4% no
trimestre.
A expectativa da casa é de um EBITDA ajustado de US$
10,5 bilhões, representando queda de 10% ante o trimestre anterior,
impulsionada por menor produção, redução dos preços do Brent e preços de
derivativos ligeiramente mais baixos em termos de câmbio, por conta da
depreciação do Real.
“Espera-se que esse declínio no EBITDA seja
transferido para o lucro líquido, que estimamos em US$ 0,8 bilhão,
também impactado por perdas cambiais”.
Sobre os dados de produção e vendas, a XP aponta que era ‘uma tendência era esperada com base nos dados da ANP’.