sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Tarifaço pressiona indústria e EUA ‘não ganharam nada até agora’, diz presidente da Abimaq

 

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos espera um desempenho mais tímido em 2026, com uma estimativa de crescimento da receita líquida de vendas em torno de 4%. A expectativa para este ano, revisada para baixo é de um crescimento de 6,1% pressionado pelo tarifaço.

Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou que o cenário é preocupante para a indústria brasileira e ressaltou que os Estados Unidos “não ganharam nada” com a ofensiva tarifária até agora.

Os Estados Unidos absorvem cerca de 26% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, o que representa aproximadamente 300 milhões de dólares por mês, segundo dados da Abimaq. O país é o principal mercado para a indústria nacional, que embarcou cerca de 3,5 bilhões de dólares em produtos no ano passado.

Mas, com as tarifas, o setor enfrenta prejuízos. Velloso explica que, no mês de setembro, houve uma queda de 13% no faturamento em relação a setembro do ano anterior. Em outubro, a queda foi de 42% em relação ao mesmo mês do ano passado. A projeção é de uma queda ainda maior em novembro.

O setor de máquinas e equipamentos deve enfrentar queda de 30% nas exportações para os Estados Unidos em 2025. Caso a taxação seja mantida, a tendência é de que as vendas ao país cheguem a zero em 2026.

“As exceções já foram dadas. Elas contemplaram os produtos que os Estados Unidos não produzem e aqueles que afetam diretamente o cálculo da inflação. Agora chegamos aos itens que ficam fora desse cálculo e onde temos concorrentes no mercado americano. Por isso é fundamental iniciar uma negociação comercial quanto antes”, aponta.

Otimismo cauteloso

O presidente da Abimaq avalia que a retirada de alguns itens da lista sujeita à tarifa de 40% já representa um avanço relevante.

“Estamos otimistas porque acreditamos que as negociações devem começar em breve. Os Estados Unidos têm interesse nisso. Veja: os EUA não ganharam nada com o tarifaço até agora. Eles não ampliaram acesso ao mercado e tampouco reduziram as tarifas, que seguem elevadas no Brasil”, disse.

Ainda assim, o fator tempo preocupa o setor, observa Velloso, que teme que a demora nas negociações amplie as perdas para a indústria. A expectativa é que um possível acordo só saia em 2026.

“Acreditamos que isso vai ficar lá para fevereiro, março do ano que vem, porque uma negociação dessas leva muito tempo, aproximadamente 90 dias. Então, daí vem o nosso receio, porque, nesse período, um produto industrial pode ser substituído por um concorrente. Uma vez substituído, a gente não consegue voltar”, disse.

Governo intensifica negociações

O vice-presidente Geraldo Alckim disse nesta semana que os trabalhos devem ser redobrados para reduzir a lista de produtos brasileiros afetados pelas tarifas.

Ele afirmou que atualmente, 22% dos produtos brasileiros exportados para os EUA seguem sujeitos às taxas mais elevadas (10% + 40%). Antes do anúncio de Trump na semana passada, eram 36%.

“O próximo passo é excluirmos mais produtos e reduzirmos a alíquota. Temos o desafio da manufatura: máquinas, motores, produtos industrializados, madeira, muita coisa mesmo. Alimentos ficaram de fora, o mel por exemplo. Então, o trabalho agora será continuar após esse anúncio”, disse.

Alckmin reiterou que as discussões com os Estados Unidos nas próximas semanas devem ir além das tarifas, incluindo temas como a importação brasileira de biocombustível americano, terras raras e investimentos ligados ao programa Redata, que incentiva a instalação de data centers no Brasil.

Veja como fica a situação das exportações brasileiras aos EUA

  •  Isentos de sobretaxa: 37,1% das exportações (US$ 15,7 bilhões)
  •  Total de exportações sujeitas a algum tipo de tarifa: 62,9%
  • Tarifa recíproca de 10%: 7,0% das exportações (US$ 2,9 bilhões)
  • Tarifa adicional de 40%: 3,8% das exportações (US$ 1,6 bilhão)
  • Tarifa combinada de 50% (10% de tarifa recíproca + 40% específica ao Brasil): 32,7% das exportações (US$ 13,8 bilhões)
  • Tarifa setorial de 50% (Seção 232): 11,9% das exportações (US$ 5 bilhões)
  • Isenção da tarifa de 40% condicionada à destinação para a aviação civil, instituída pela Ordem Executiva de julho: 7,5% das exportações (US$ 3,2 bilhões)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

BNDES aprovou R$ 16,18 bi em crédito a empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos EUA

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quinta-feira, 11, ter aprovado R$ 16,18 bilhões em crédito para empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos exportados pelo Brasil.

O montante aprovado significa um atendimento de 99,75% de todos os pedidos de crédito protocolados no banco de fomento desde 18 de setembro. A demanda total foi de R$ 16,22 bilhões.

Foram realizadas 1.131 operações de crédito, sendo 810 delas com micro, pequenas e médias empresas. O total aprovado inclui R$ 8,37 bilhões da linha Giro Diversificação, que fomenta a busca de novos mercados, R$ 7,48 bilhões para a linha Capital de Giro, voltada ao fomento a despesas gerais, e R$ 295,6 milhões para a linha Bens de Capital.

“Com agilidade e competência, o BNDES cumpriu a missão dada pelo presidente de Lula de apoiar as empresas exportadoras brasileiras e fornecedores diante das medidas tarifárias impostas de maneira unilateral e injustificada. O tempo para a aprovação do crédito no Brasil Soberano pelo BNDES foi de apenas 26 dias, sete vezes mais rápido do que a média. Uma atuação fundamental para garantir a manutenção dos empregos no Brasil”, relatou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota distribuída à imprensa.

Segundo o banco de fomento, as aprovações somaram R$ 12,4 bilhões para a indústria de transformação, R$ 2 bilhões para o setor de comércio e serviços, R$ 1 bilhão para a agropecuária e R$ 203 milhões para a indústria extrativa.

O Estado de São Paulo concentrou a maior fatia de aprovações, com R$ 4,7 bilhões, seguido por Santa Catarina (R$ 2,3 bilhões), Rio Grande do Sul e Paraná (R$ 2 bilhões), Minas Gerais (R$ 1,1 bilhão) e Bahia (R$ 500 milhões).


JHSF faz ‘maior IPO do setor imobiliário’ e levanta R$ 5,2 bilhões em imóveis

 

A JHSF levantou R$ 5,2 bilhões em uma operação que já é o maior IPO de um fundo de investimento imobiliário (FII) e do setor como um todo na história do mercado de capitais brasileiro. A operação foi feita pelos bancos XP, Bradesco e Itaú, e a gestão do fundo ficará sob responsabilidade da JHSF Capital.

A incorporadora informa que a carteira do fundo é composta por produtos prontos ou em desenvolvimento da própria construtora. Entre os empreendimentos, estão os condomínios de luxo Boa Vista Village, Boa Vista Estates, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences e Fazenda Santa Helena.

O fundo não será negociado em bolsa de valores, mantendo-se como um fundo fechado. A JHSF irá deter participação correspondente a 24,9% das cotas.

“Uma estrutura de capital mais dinâmica ajuda a nos preparar para seguir crescendo de forma sustentável”, afirma José Auriemo Neto, presidente do Conselho de Administração da JHSF.

JHSF é construtora e financeira

Apesar de existir como construtora desde 1972, a JHSF Capital surgiu apenas em 2022, ou seja, há cerca de três anos. A gestora já conta com 18 fundos em atividade, como um FII composto pelos três shopping centers do grupo, que captou R$ 780 milhões.

Investimentos em Guarulhos e Congonhas devem somar R$ 8 bi, diz ministro Costa Filho

 Ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho ...

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que investimentos nos aeroportos de Guarulhos e de Congonhas, em São Paulo, somam mais de R$ 8 bilhões. Nesta quinta-feira, 11, o plano de investimentos do aeroporto internacional de Guarulhos foi anunciado, com um total de R$ 2,5 bilhões até 2029.

O montante inclui aportes públicos e das concessionárias dos aeroportos. O grupo Aena, que controla o Aeroporto de Congonhas, já anunciou em 2024 o investimento de R$ 2 bilhões para ampliação e modernização das instalações.

Em Guarulhos, há também R$ 1,8 bilhão direcionado para galpões nos terminais logísticos. O valor vem do programa Investe + Aeroportos, de acordo com o ministro.

Costa Filho disse ainda que o ministério montou um grupo de trabalho junto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para acompanhar os eventos meteorológicos no Estado de São Paulo nos últimos dois dias. Foram mais de 110 voos cancelados no período por causa dos fortes ventos.

Weg compra indiana Sanelec Excitation Systems por US$ 5,2 milhões

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São Paulo, 11 – A Weg anunciou nesta quinta-feira, 11, que fechou a compra da Sanelec Excitation Systems, empresa indiana especializada na fabricação de reguladores de tensão e sistemas de excitação, e atual parceira exclusiva na Índia da Reivax, empresa do Grupo Weg. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o negócio foi avaliado em US$ 5,2 milhões, valor a ser pago após a conclusão da transação, estando sujeito a ajustes de preços comuns a este tipo de operação.

De acordo com a Weg, a companhia foi fundada em 1998 na cidade de Bangalore, Karnataka, e é uma empresa especializada no projeto e fabricação de reguladores automáticos de tensão para geradores e motores elétricos síncronos, além de sistemas de controle de excitação para geração de energia.

A Sanelec conta com aproximadamente 40 colaboradores e apresentou uma receita operacional líquida de US$ 2,3 milhões em 2024, com uma margem Ebitda de 29%.

“A aquisição visa ampliar a presença da Reivax no mercado internacional, apoiando o atual portfólio de clientes e buscando aumentar sua participação no mercado de soluções de controle de geração de energia”, diz a Weg. “A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes, usuais neste tipo de operação.”

Patamar da Selic aumenta gastos do governo com juros e dívida pública, diz nº 2 de Haddad

 

O nível dos juros no Brasil tem elevado a dívida pública e é preciso que haja convergência entre as políticas fiscal e monetária, disse nesta quinta-feira o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, horas após o Banco Central manter postura dura, sem indicar quando cortará a taxa Selic.

Em evento sobre o arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, Durigan disse que a elevação da dívida pública tem menor relação com os resultados primários do governo, ressaltando que o impacto maior vem da política monetária, que aumenta o gasto do governo com pagamento de juros.

“Hoje, o crescimento da nossa dívida pública não se dá pelo crescimento do déficit primário, o resultado fiscal melhora ano a ano, desde 2023 até hoje. Agora, sem dúvida nenhuma, o patamar de juros no país tem gerado um endividamento maior”, afirmou.

BC sinaliza manutenção de juros em 15% por ‘tempo prolongado’

Na noite de quarta-feira, o BC decidiu manter a Selic em 15% ao ano, como esperado, mas afastou expectativa de parte dos analistas de que poderia indicar a possibilidade de um corte de juros em janeiro. A autarquia não sinalizou quando poderá iniciar um ciclo de flexibilização, reforçando que a manutenção desse nível de juros por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação à meta de 3%.

A dívida pública bruta do Brasil ficou em 78,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em outubro, segundo dados do BC, com o gasto do governo com juros ficando em R$987,2 bilhões no período acumulado em 12 meses.

No evento, Durigan reconheceu que o governo terá no futuro o desafio de acomodar o ritmo de crescimento das despesas obrigatórias dentro do arcabouço fiscal, o que também contribuiria para a estabilização da dívida pública.

Para o secretário, um cenário de gastos desproporcionais “como muita gente da esquerda quer” não daria condição sustentável de crescimento para o país, enquanto um arrocho fiscal sem olhar para a população como defendido por “parte da centro-direita” também não daria certo.

“Por isso que nós estamos buscando um caminho do meio, que é o caminho que tem dado resultado para o país”, disse.

Arcabouço fiscal

O arcabouço fiscal limita o crescimento real das despesas do governo e vincula a alta dos gastos ao desempenho das receitas. O regramento em vigor desde 2023 também depende de ganhos de arrecadação.

Em linha com o argumento da equipe econômica de que o governo tem buscado uma recomposição da arrecadação, e não uma elevação pura da carga tributária, o secretário disse que o país deve registrar em 2026 o mesmo nível de receita de 2022, de 18,5% do PIB.

Sabesp supera metas de novas ligações e reforça plano de universalizar até 2029

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A Sabesp superou as metas de novas ligações de água e esgoto previstas para o ciclo 2024-2025, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira, 10. Com isso, a empresa reforça o plano de universalizar os serviços até 2029, quatro anos antes do prazo nacional. A mudança de cronograma foi uma das premissas centrais da privatização da companhia, concluída em julho do ano passado.

Até novembro, foram 645,7 mil novos acessos à rede de água e 762,6 mil à de esgoto, acima das metas de 435,8 mil e 588,4 mil, respectivamente. Os parâmetros estão estipulados no novo contrato firmado pelo governo paulista, por meio da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).

“Esse resultado nos dá confiança de que entregaremos a universalização conforme pactuado um ano atrás”, afirmou o CEO da Sabesp, Carlos Piani, em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. “Sabemos que temos muito a melhorar e o final sempre vai ficando mais difícil, mas, se mantivermos esse ritmo, estaremos bem encaminhados”, complementou.

Para atingir a universalização, a Sabesp mira investir cerca de R$ 70 bilhões em obras. O montante inclui a instalação de mais de 10 mil quilômetros de novas tubulações para o abastecimento e outros 12 mil quilômetros de tubulações para a rede de esgoto.

Investimentos e oportunidades

Entre janeiro e setembro de 2025, foram R$ 10,4 bilhões aportados, alta de 150% ante igual período de 2024. O valor faz da companhia a quarta maior investidora da Bolsa, atrás de Petrobras, Vale e Localiza, segundo Piani.

Nesse cenário, o executivo destaca que, embora a empresa seja “extremamente rentável”, a geração de caixa operacional e a receita tarifária ainda não são suficientes para bancar sozinhas o atual ciclo de obras, o que tem aumentado a procura da empresa por instrumentos de crédito.

No mês passado, a Sabesp oficializou a liquidação de uma debênture corporativa no montante de R$ 5 bilhões, a maior já emitida pela companhia. Com essa captação, ultrapassou R$ 18 bilhões movimentados junto ao mercado em 2025, por meio de diferentes mecanismos de financiamento.

“Quando precisamos captar nessa magnitude, não podemos escolher um único instrumento. Abrimos todas as portas para usar o que estiver disponível no momento mais favorável”, disse. Entre os instrumentos, citou debêntures no mercado local, debêntures incentivadas, linhas setoriais como o Saneamento para Todos e emissões de bonds no exterior.

Piani afirmou ainda que os resultados do primeiro ano pós-privatização abrem espaço para avaliar oportunidades em outros estados, além de São Paulo. “Não temos nenhuma restrição, podemos olhar para fora se acharmos adequado. Mas nossa licença para isso é fazer um bom trabalho aqui”, disse.

Aumento tarifário

O avanço acelerado das obras também repercute na discussão tarifária. O tema ganhou força após a Sabesp anunciar, no início de dezembro, o primeiro reajuste desde a privatização. O aumento de 6,11%, válido a partir de 1º de janeiro de 2026, gerou críticas porque o governo estadual havia defendido, durante o processo de venda da companhia, que a operação não resultaria em alta de preços no curto prazo.

Piani lembra que, no ato da privatização, as tarifas foram reduzidas, cerca de 10% na tarifa social, 1% na residencial padrão e aproximadamente 0,5% nas demais categorias. Segundo ele, o reajuste agora anunciado ocorre em um momento em que os investimentos cresceram de forma acelerada para cumprir a meta de universalização antecipada, enquanto o reconhecimento desse custo na tarifa é gradual, como previsto nas regras regulatórias.

Para mitigar esse descompasso, ele destaca a criação, pelo governo paulista, do Fundo de Apoio à Universalização (FAUSP), abastecido com parte dos recursos obtidos na venda da companhia e com os dividendos da participação remanescente do Estado. O fundo, diz Piani, foi estruturado justamente para evitar um aumento maior neste período de obras intensificadas.

“O objetivo é garantir que a tarifa não suba mais do que se a Sabesp ainda fosse pública, mesmo com o aumento dos investimentos. Essa é a lógica do mecanismo”, explicou.