terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Inflação impulsionada por IA é risco mais negligenciado em 2026, dizem investidores

 

Os mercados acionários globais, aproveitando a euforia da inteligência artificial no início de 2026, podem estar desconsiderando uma das maiores ameaças que podem estragar a festa: um aumento da inflação impulsionado em parte pelo boom dos investimentos em tecnologia.

Os índices de bolsas de valores dos Estados Unidos, onde sete grupos de tecnologia contribuíram com metade de toda a valorização do mercado no ano passado, tiveram ganhos de dois dígitos em 2025, atingindo recordes.

As expectativas de novos cortes no juro dos EUA também impulsionaram títulos de dívida, proporcionando aos investidores de Treasuries o melhor desempenho anual dos últimos cinco anos, já que a inflação recuou, embora permaneça acima da meta média de 2% do Federal Reserve.

Para 2026, espera-se que ondas de estímulo governamental nos EUA, Europa e Japão, bem como o boom da IA, reabasteçam o crescimento global.

Isso faz com que os gestores de dinheiro se preparem para que a inflação volte a acelerar, levando os bancos centrais a encerrarem ciclos de corte de taxas, freando o fluxo de dinheiro fácil para os mercados obcecados por IA.

“Você precisa de um alfinete que fure a bolha e ele provavelmente virá por meio de dinheiro mais apertado”, disse Trevor Greetham, chefe de multiativos da Royal London Asset Management. Ele disse que, embora estivesse mantendo as ações de grandes empresas de tecnologia por enquanto, não ficaria surpreso se visse a inflação crescendo em todo o mundo até o final de 2026.

O aperto monetário reduzirá o apetite dos investidores por investimento em tecnologia, aumentará custos de financiamento para projetos de IA e reduzirá lucros dos grupos de tecnologia e preços de ações, disse Greetham.

A corrida de vários trilhões de dólares dos chamados hiperescaladores, como Microsoft, Meta e Alphabet para construir novas centrais de processamento de dados também foi uma força inflacionária, disseram analistas, devido à taxa em que esses projetos estão consumindo energia e chips avançados.

“Em nossa previsão, os custos estão aumentando, e não diminuindo, porque há inflação nos custos dos chips e nos custos de energia”, disse Andrew Sheets, estrategista do Morgan Stanley.

Ele disse que a inflação dos preços ao consumidor dos EUA permanecerá acima da meta de 2% do Federal Reserve até o final de 2027, em parte devido ao forte investimento corporativo em IA.

Fabio Bassi, chefe de estratégia de ativos cruzados do J.P. Morgan, disse que a melhoria do mercado de trabalho dos EUA, os gastos com estímulo econômico e cortes nos juros já realizados manterão a inflação acima da meta do Fed “independentemente do preço dos chips”.

Em sua perspectiva para 2026, a Aviva Investors disse que um dos principais riscos de mercado seria o fato dos bancos centrais encerrarem ciclos de corte de taxas ou até mesmo começarem a aumentá-las, à medida que as pressões sobre os preços cresçam devido ao investimento em IA e às ondas de gastos com estímulos governamentais na Europa e no Japão.

 CHIPS E JUROS

“O que nos mantém acordados à noite é que o risco de inflação ressurgiu”, disse Julius Bendikas, chefe europeu de economia e alocação dinâmica de ativos da Mercer, que administra US$683 bilhões em ativos diretamente e assessora instituições que administram um total de US$16,2 trilhões.

Bendikas ainda não está apostando em uma correção do mercado de ações, mas está se afastando dos mercados de dívida que podem ser abalados por um choque inflacionário.

Os mercados já deram os primeiros sinais de nervosismo em relação ao aumento dos custos e ao possível excesso de gastos com IA.

As ações da Oracle despencaram no mês passado, quando a empresa revelou que os investimentos aumentaram, enquanto as ações da Broadcom, sua parceira tecnológica nos EUA, também caíram depois que ela alertou que suas altas margens de lucro serão reduzidas.

A fabricante de computadores pessoais HP espera sentir a pressão sobre preços e lucros no segundo semestre de 2026, devido ao aumento nos custos dos chips de memória, impulsionado pelo aumento da demanda por centrais de processamento de dados.

“A inflação é o que pode começar a assustar os investidores e fazer com que os mercados apresentem algumas rachaduras”, disse Kevin Thozet, membro do comitê de investimentos e gerente de portfólio da gestora de ativos Carmignac.

Com a aceleração do ciclo de crescimento econômico, “o risco de inflação permanece muito subestimado”, disse ele, o que o levou a estocar Treasuries protegidos contra inflação. Com o aumento dos riscos de aumento da taxa de juros, disse ele, as avaliações de preço-lucro que os investidores aplicaram às ações de grandes empresas de inteligência artificial cairão.

 ANALISTAS VEEM EXPLOSÃO DE CUSTOS DE IA

O Deutsche Bank espera que os investimentos em datacenters de IA atinjam até US$4 trilhões até 2030, e a rápida implantação desses projetos pode causar gargalos no fornecimento de chips e eletricidade, o que fará com que os custos de investimento aumentem, disseram analistas do banco.

George Chen, sócio da consultoria Asia Group, que ocupou anteriormente um cargo sênior na Meta, disse que o estouro dos custos e a inflação dos preços ao consumidor aumentarão os custos dos projetos de IA e levarão os investidores a repensarem a busca pelo tema da IA.

“A inflação dos custos dos chips de memória aumentará os preços dos grupos de IA, reduzirá os retornos dos investidores e, então, o fluxo de dinheiro para esse setor diminuirá”, disse ele.

Por que a queda de Maduro não abalou os mercados e o que esperar para o preço do petróleo

 

Quais empresas podem ser favorecidas?

O índice de energia do S&P 500 subiu para seu nível mais alto desde março de 2025, com Exxon Mobil subindo 2,2% e Chevron saltando 5,1% após Trump afirmar que as grandes empresas petrolíferas americanas retornarão à Venezuela.

A ExxonMobil e a ConocoPhillips encerraram suas operações na Venezuela após o governo de Hugo Chávez exigir em 2007 que a empresa estatal PDVSA detivesse ao menos 60% de participação em todos os projetos petrolíferos nacionais.

A Chevron foi a única gigante americana a aceitar os termos e permanecer no país. Anos depois, em 2017, a companhia conseguiu manter sua presença novamente ao obter licenças especiais do governo dos EUA, contornando os embargos que proibiam a continuidade das operações de empresas americanas em solo venezuelano.

Tanto a Chevron como a ExxonMobil possuem ainda negócios relevantes na Guiana, país vizinho da Venezuela e também lar de reservas significativas de petróleo. Para Adriano Pires, são duas das empresas que podem mais rapidamente se beneficiar de uma mudança no paradigma comercial do petróleo venezuelano.

Professor da FIA Business School, Carlos Honorato destaca que empresas de tecnologia petroleira também podem tirar proveito de uma mudança de regime na Venezuela, já que o país conta com infraestrutura extremamente desatualizada. Alguns exemplos são Halliburton, SLB e Weatherford.

O logotipo da estatal petrolífera venezuelana PDVSA é visto em um caminhão-tanque de combustível, em Caracas, Venezuela, 14 de maio de 2025.
O logotipo da estatal petrolífera venezuelana PDVSA é visto em um caminhão-tanque de combustível, em Caracas, Venezuela, 14 de maio de 2025. (Crédito:REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)

E qual o impacto para o Brasil?

No Brasil, as ações das empresas do setor de petróleo fecham em queda nesta segunda-feira, ainda que tímidas, incluindo os papéis da Petrobras (-1,43%) e da Prio (-1,51%).

O recuo nos preços dos ativos no Brasil decorre da constatação de que os preços do petróleo permanecerão baixos por um período mais prolongado. “Esse ano vai ser um ano difícil para os petroleiros se o preço petróleo realmente ficar onde a gente acha que vai, abaixo dos US$ 60”, analisa Pires.

Por ora, a avaliação é que o impacto para o Brasil tende a ser maior em termos geopolíticos e no preço do barril de petróleo, e não no volume de exportações, já que esta seguirá controlada pela Opep+.

Pires avalia que petroleiras brasileiras também podem se beneficiar no médio e longo prazo de uma eventual abertura do mercado de exploração na Venezuela, a depender do novo arranjo político e econômico que surgirá no país. “Um campo de 20 mil  barris não é para Chevron. Um campo desses, por exemplo, pode atrair empresas de médio porte americanas, canadenses, ou até brasileiras, como PetroReconcavo ou Prio”, diz.

Futuro incerto para a Venezuela

Apesar de a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ter estendido a mão para o governo dos EUA para “trabalharem conjuntamente numa agenda de cooperação orientada ao desenvolvimento compartilhado”, não está claro se o novo governo venezuelano vai de fato cooperar com os EUA na questão petrolífera.

Honorato destaca que Trump deixou claro que seus planos dizem mais respeito ao petróleo venezuelano do que a situação política do país. “Ele não está preocupado em mudar o regime. Então, se tiver um arranjo de uma elite chavista — que é considerada corrupta — ao governo americano, muito provavelmente você vai ter menos impacto do que o imaginável”, analisa.

Outra avaliação é de que uma ocupação militar — como as realizadas pelos Estados Unidos em Iraque e Afeganistão nos anos 1990 e 2000 — é improvável. “Os Estados Unidos teve péssimas experiências com intervenções mais complexas. Acho que o Trump está longe de querer isso. Ele vai querer colocar alguém no poder lá que faça o que ele quer, e que a intervenção vai ser mais política do que militar”, diz Paz.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Após licença para atuar como banco de investimento, Avenue busca custódia de ativos no exterior

 

A Avenue recebeu do Banco Central (BC) a licença para atuar como banco de investimento. Com essa nova licença, a instituição poderá explorar novas áreas, como operações de câmbio mais independentes e novos produtos de financiamento cross-border, incluindo operações com stablecoins.

Em entrevista exclusiva ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o fundador e CEO Roberto Lee afirmou que essa licença faz parte de um plano mais amplo de internacionalização dos investimentos dos clientes da Avenue. Lee explica que, nas próximas gerações, os brasileiros terão vidas financeiras além das fronteiras nacionais, e a licença atual é um passo estratégico para se preparar para esse movimento.

Em relação aos próximos passos, a Avenue visa a custódia de ativos no exterior, mas Lee ressalta: “Não sei se vai dar tempo de colocar tudo isso de pé em 2026”. Além dos ativos tradicionais, a empresa está atenta aos ativos virtuais, especialmente as stablecoins – criptomoedas geralmente lastreadas em moeda fiduciária e projetadas para serem estáveis.

“As criptomoedas, as stablecoins, já estão presentes em nossas vidas, mas têm um volume pequeno comparado ao todo. Os ativos tradicionais são muito mais potentes e presentes. Acho que, ao longo dos anos, isso se inverte, mas é uma futurologia”, diz o CEO.

O fundador da Avenue conclui a entrevista comentando que o objetivo final é expandir a infraestrutura brasileira para o exterior. Em sua visão, sem essa expansão, a instituição não conseguirá atender seus clientes brasileiros ao longo dos anos.


Relator do caso Banco Master no TCU determina inspeção do BC

 

O relator que analisa o processo de liquidação do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Jhonatan de Jesus, determinou uma inspeção do Banco Central, após considerar insuficiente nota técnica sobre o caso encaminhada à Corte pelo órgão regulador do mercado financeiro.

De acordo com o presidente do TCU, ministro Vital Rêgo, a autorização para o procedimento foi formalizada dentro de um trabalho técnico já em andamento, que “busca esclarecer os fundamentos técnico-jurídicos e operacionais da atuação do órgão regulador”.

O ministro Jhonatan de Jesus acolheu a representação formulada pelo Ministério Público Federal junto ao TCU que pede a investigação de possíveis falhas na supervisão exercida pelo Banco Central do Brasil sobre o Banco Master S.A. e suas controladas, culminando na decretação de sua liquidação extrajudicial.  

Após abrir espaço para a manifestação do Banco Central, o TCU teria recebido do órgão uma nota técnica expondo o histórico do processo e os fundamentos e considerações que levaram a instituição a decidir pela liquidação extrajudicial. Para Jhonatan de Jesus, o documento foi considerado insuficiente.  

“A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, destaca na decisão.

Segundo o despacho emitido pelo relator do caso, há a necessidade de “formação de convencimento” de que a decisão de liquidar extrajudicialmente o Banco Master foi coerente com os achados de irregularidade e os riscos associados.

O ministro de Jesus considera os argumentos apresentados pelo Ministério Público Federal de que pode ter havido “omissão e insuficiência de reação tempestiva a sinais de degradação financeira da instituição” no caso o Banco Master.

Isso teria ampliado o risco ao Sistema Financeiro Nacional, devido a capilaridade do Banco Master e os impactos sobre credores, investidores e depositantes, “com possível pressão significativa sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”.

Ações de petroleiras dos EUA disparam após falas de Trump sobre reservas da Venezuela

 

As ações das empresas petroleiras dos EUA saltavam nas negociações pré-mercado nesta segunda-feira, 5, com investidores apostando que a ação do presidente Donald Trump contra a liderança da Venezuela permitirá que as empresas norte-americanas tenham maior acesso às maiores reservas de petróleo do mundo.

As ações da Chevron, a única grande empresa dos EUA que atualmente opera nos campos de petróleo da Venezuela, subiram 7,3%, enquanto as refinarias Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy subiram entre 5% e 16%.

Os ganhos ocorreram depois que Trump disse que os EUA precisavam de “acesso total” às vastas reservas de petróleo da Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro, aumentando as expectativas de que Washington poderia diminuir as restrições sobre exportações venezuelanas de petróleo bruto.

“Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura muito quebrada, a infraestrutura de petróleo, e comecem a ganhar dinheiro para o país”, disse Trump no sábado.

O que está em jogo

A Venezuela produzia até 3,5 milhões de barris por dia (bpd) na década de 1970, respondendo por mais de 7% da produção global.

A produção caiu para menos de 2 milhões de bpd na década de 2010 e atingiu uma média de cerca de 1,1 milhão de bpd no ano passado, ou aproximadamente 1% da oferta global, após anos de subinvestimento e sanções.

O petróleo venezuelano é um petróleo heavy sour com alto teor de enxofre, o que o torna adequado para a produção de diesel e combustíveis mais pesados, embora com margens menores em comparação com outros tipos, principalmente os do Oriente Médio.

“Esse tipo de petróleo se alinha bem com a configuração das refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que historicamente foram projetadas para processar esses tipos de petróleo”, disse Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone.

A presença atual da Chevron na Venezuela, sob uma isenção dos EUA, posicionou-a como uma possível primeira beneficiária de qualquer mudança de política, enquanto as refinarias ganham com a maior disponibilidade de petróleo pesado mais perto de casa.

inda assim, analistas advertiram que qualquer recuperação significativa na produção de petróleo venezuelana provavelmente levaria tempo, dada a incerteza política, a deterioração da infraestrutura e os anos de subinvestimento.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TCU fará inspeção de documentos para analisar liquidação do Master pelo BC

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu nesta sexta-feira uma inspeção para analisar os documentos relativos à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, afirmou o presidente da corte de contas, Vital do Rêgo.

A decisão ocorre após o ministro do TCU Jhonatan de Jesus pedir na semana passada explicações ao BC sobre a liquidação do Master, o que levou a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) a defenderem a atuação do BC na condução do processo.

“O procedimento agora é conhecer dos documentos e por isso é inspeção… conhecer da documentação que levou o BC a liquidar, saber o calendário que o BC teve em relação a essa liquidação e embasar um procedimento da unidade técnica”, disse Rêgo à Reuters.

Procurado, o Banco Central não respondeu de imediato a pedido de comentário sobre a inspeção do TCU.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro por “graves violações” às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional e problemas de liquidez. No mesmo dia, a Polícia Federal prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no âmbito de uma operação para investigar suspeitas de crimes bilionários contra o SFN.

Além da prisão de Vorcaro, que foi detido no aeroporto antes de embarcar para uma viagem internacional, a Justiça também determinou na ocasião o afastamento do presidente do banco estatal de Brasília BRB, Paulo Henrique Costa, por 60 dias, como parte da operação Compliance Zero.

Na terça-feira, a Polícia Federal conduziu uma acareação entre Vorcaro e Costa no âmbito de investigação sobre o Banco Master que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Inicialmente, a PF ouviu os dois executivos separadamente, assim como o diretor de fiscalização do Banco Central.

A colocação dos executivos frente a frente teve como objetivo esclarecer diferenças nos depoimentos prévios dos dois. A defesa do ex-presidente do BRB disse em nota que não houve contradições, “apenas percepções distintas sobre os mesmos fatos”. Procurada pela Reuters, a defesa de Vorcaro não se manifestou.

Antes da liquidação do Banco Master, o BRB chegou a negociar a compra do controle da instituição, mas o negócio foi rejeitado pelo BC.

Ano de ouro do Ibovespa: 32 recordes históricos, maior alta em quase uma década e 28% mais investidores

 

Ao longo de 2025, o Ibovespa fechou o ano com uma sequência de máximas históricas. Foram 32 recordes de encerramento no período, resultado que levou o índice a acumular avanço de 34% em doze meses.

Trata-se do maior ganho anual do Ibovespa desde 2016, quando a alta chegou a 39%. A pontuação mais elevada foi registrada em 4 de dezembro, aos 164.455,61 pontos. No último pregão do ano, realizado na terça-feira (30), o índice subiu 0,40% e terminou aos 161.125,37 pontos.

Segundo a B3, o movimento observado em 2025 refletiu mudanças no ambiente macroeconômico e uma recuperação da participação de investidores do Brasil e do exterior.

Henio Scheidt, gerente de Produtos da B3, afirma que o acesso ao mercado ficou mais simples nos últimos anos.

“O desempenho do Ibovespa em 2025 é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a melhora nas expectativas macroeconômicas e a retomada gradual da confiança de investidores locais e estrangeiros. É importante destacar que o acesso está cada vez mais simples. O investidor pode alocar capital diretamente em ações ou optar por instrumentos como os ETFs, que permitem ‘comprar’ o índice de forma ágil, eficiente e democrática”, destaca.

A composição atual do Ibovespa reúne 85 ativos de 79 companhias listadas, conforme a carteira divulgada pela B3. Entre os papéis incluídos estão empresas dos setores financeiro, de alimentos e bebidas, varejo, infraestrutura, bens de consumo, mineração e outras áreas ligadas a commodities.

Na prática, o índice funciona como um retrato das ações com maior volume de negociação na bolsa brasileira. Ele também serve como base para diferentes produtos financeiros, como ETFs atrelados ao Ibovespa, contratos futuros e opções que têm o índice como referência.

Para que uma ação faça parte da carteira, o critério central é a liquidez. Isso significa avaliar se o papel pode ser negociado com facilidade, permitindo compra e venda frequentes no mercado.

A existência de índices como o Ibovespa possibilita ao investidor acompanhar o desempenho de conjuntos de ações de vários segmentos da economia. Além disso, esses indicadores viabilizam estratégias de diversificação por meio de produtos financeiros que replicam suas variações.

Crescimento da renda variável e mudança no perfil do investidor

Os dados de 2025 indicam um avanço da participação de pessoas físicas na renda variável. O total de investidores individuais com aplicações nesse segmento alcançou 5,4 milhões de CPFs, crescimento de 28,5% em relação a 2021. No mesmo intervalo, o valor sob custódia subiu de R$ 500,1 bilhões para R$ 601,6 bilhões, alta de 20%.

As ações seguem como principal porta de entrada para esse público. Ao fim do ano, havia 4,1 milhões de investidores nesse mercado, cerca de um milhão a mais do que em 2021, com R$ 387,7 bilhões em recursos custodiados.

Outros instrumentos também passaram a integrar as estratégias de diversificação. Os ETFs encerraram 2025 com 668,4 mil investidores e R$ 24,1 bilhões aplicados. A participação de pessoas físicas nesse produto chegou a 35% do total custodiado, acima dos números registrados em 2021, quando havia cerca de 500 mil investidores e R$ 10,9 bilhões investidos.

No mercado de BDRs, que permite acesso a ativos internacionais, a B3 contabilizou 980,9 mil investidores, com R$ 14,8 bilhões sob custódia. O conjunto desses dados mostra um investidor mais presente no mercado, utilizando instrumentos ligados ao mercado local e ao exterior para compor suas carteiras.