“Com
um capex anual projetado de US$ 750 bilhões para o setor, os
investidores começam a questionar a viabilidade e o prazo de maturação
desses investimentos”, diz.
Para
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o cenário de juros
mais altos e custo de capital elevado também impactou no desempenho da
Magníficas. Ele destaca que existe uma realocação de capital em função
do valuation, porque muitos investidores questionam o ritmo atual de
crescimento das empresas ou projeções de lucro versus o preço das ações
na bolsa.
Já
para Bruno Corano, economista da Corano Capital, não há uma fuga de
investidores e sim um movimento de rotação seletiva nas carteiras. “O
investidor começou a separar quem está gastando centenas de bilhões em
IA de quem está vendendo a infraestrutura dessa IA”, observa.
Nobile
pondera que a rotação ocorre também para outros setores da bolsa. Ele
cita o índice Russell 2000, que reúne pequenas empresas dos EUA, que
superou o Nasdaq 100 pela primeira vez em vários anos, com investidores
realizando lucro em big techs para buscar oportunidades em segmentos
descontados.
Mercado cobra que IA gere valor
Empresas como Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta pretendem
gastar bilhões de dólares em infraestrutura em IA em 2026, mas segundo
Corano, o grande conflito é que o mercado ainda não está vendo esses
gastos se traduzirem em receita. “O mercado não está mais aceitando
apenas a narrativa de ‘IA vai mudar tudo’. Agora ele quer ver receita,
margem, produtividade e retorno sobre capital investido”, comenta o
economista.
A grande questão, na visão de Corano, é quem realmente
captura valor econômico com Inteligência Artificial. Ele destaca que
boa parte do valor gerado pode ficar com a Nvidia, TSMC, Micron, Broadcom e fornecedores de infraestrutura. “E não necessariamente com as plataformas que estão gastando”, alerta.
Para
os especialistas, a queda das Magníficas é transitória, mas no longo
prazo ainda há expectativa de ganhos de eficiência, expansão de
ecossistemas e maior monetização de dados.
Semicondutores mudaram o jogo
Segundo
projeções da IDC, o mercado global de semicondutores pode atingir US$
1,29 trilhão em 2026, com crescimento de 52,8% ao ano, puxado por
infraestrutura de IA e memória.
Corano destaca que para as
Magníficas o peso dos semicondutores é enorme, mas assimétrico. A Nvidia
é a que mais se beneficia, com alta demanda por semicondutores e
infraestrutura de IA, mas há riscos se o custo total da IA ficar alto
demais, fazendo os clientes desacelerarem as compras.
Já para
Microsoft, Alphabet e Meta, a alta no preço dos semicondutores é custo
de investimento. “O problema é que isso aumenta o capex, pressiona o
fluxo de caixa livre e eleva o ponto de equilíbrio da monetização”,
avalia o economista.
Na Apple, o impacto é sentido na cadeia de
hardware. “Se os componentes sobem muito, a Apple tem três escolhas:
absorver margem menor, repassar preço ou reduzir especificações”,
destaca Corano.
Já na Tesla, ele comenta que o efeito é misto,
porque semicondutores são essenciais para carros, direção autônoma e
infraestrutura de IA, mas a empresa já enfrenta pressão de margem no
negócio automotivo.
O que esperar?
Os especialistas consultados afirmam que os balanços das Sete Magníficas do 2º trimestre serão um teste decisivo para o desempenho das ações destas empresas.
“Se
os dados mostrarem crescimento consistente em receita de nuvem e
melhora no fluxo de caixa, isso restabelece confiança e pode atrair
retorno de capital no segundo semestre”, avalia Sidney Lima.
Nobile
acrescenta que no momento não estamos diante de um bear market
estrutural, ou seja, a queda no preço das ações representa mais uma
oportunidade de alocação do que o início de um ciclo de baixa
prolongado.
Contudo, os especialistas fazem a ressalva que se a
temporada de balanços do 2ºTRI mostrar apenas gastos e pouca receita
incremental, a correção no preço das ações dessas companhias pode durar
mais tempo.
Vale a pena investir agora nas Sete Magníficas?
Os
especialistas citam a Microsoft como uma das alternativas mais
interessantes após queda de 17,15% nas ações em junho. Corano aponta que
a companhia tem estrutura robusta para monetizar IA no ambiente
corporativo e representa uma oportunidade para ganho de capital e
dividendos modestos. “O risco estaria no tamanho do capex e velocidade
de retorno exigida pelo mercado”, pontua.
Já a Nvidia é a mais
beneficiada pela corrida de IA, mas o mercado precifica expectativas
elevadas. Nobile reforça que com a valorização expressiva das ações, a
relação preço/lucro da Nvidia também melhorou porque o lucro acompanhou o
desempenho dos papéis.
No caso da Alphabet, os especialistas
enxergam oportunidade tanto para ganho de capital como retorno via
recompra de ações relevantes. Além de ter um valuation atrativo e um
portfólio sólido de replicar. Mas apontam como risco a disrupção da IA
generativa que pode reduzir cliques e receita publicitária.
Na
Apple, Sidney Lima já enxerga a cobrança do mercado sobre o fator IA,
mas acredita que a tese é capaz de oferecer ao investidor tanto ganho de
capital quanto dividendos, embora a empresa precise se provar nessa
nova fase forte de crescimento.
Na Meta, também é possível obter
ganho de capital, recompras de ações e dividendos modestos, mas a
companhia tem o desafio de superar a desconfiança do mercado, que já
estava reticente desde os gastos excessivos com metaverso. “O aumento
expressivo de capex com IA pode voltar a gerar desconfiança”, avalia
Corano.
Enquanto a Tesla é vista pelos especialistas como o
investimento mais especulativo entre as Magníficas, dado que seu
valuation depende de promessas futuras (robô táxi, robôs, direção
autônoma), entre outros, mas representa oportunidade de valorização.
Por
último, Corano cita a Amazon, cujo crescimento em nuvem também exige
investimento pesado. Dividendos estão descartados no curto prazo, mas há
espaço para ganho de capital.
Leia a reportagem completa no B3 Bora Investir
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