quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Bulgária se prepara para adoção do euro com temor à inflação

 

A Bulgária está se preparando para adotar o euro e tornar-se assim o 21º país a aderir à moeda única europeia, integração que alguns temem que alimente a inflação e acentue a instabilidade política.

À meia-noite (19h desta quarta-feira, 31, em Brasília), o pequeno Estado balcânico de 6,4 milhões de habitantes aposentará sua moeda, o lev, em circulação desde o fim do século XIX.

A maioria das bancas do “Mercado das Mulheres”, o maior e mais antigo da capital, Sófia, já apresenta os preços em lev e em euros.

“Toda a Europa se adequa ao euro. Nós também vamos conseguir”, comenta Vlad, um aposentado de 66 anos. “O importante é que a Bulgária continue na Europa e se afaste de Moscou”, acrescenta.

Lucy, vendedora de uma das bancas, afirma que já aceita pagamentos em euros e considera que a população terá facilidade em se adaptar à nova moeda.

“As pessoas têm medo de que os preços aumentem. Hoje são 4 levs e vão passar a ser 4 euros, mas os salários continuarão os mesmos”, enfatiza uma mulher de cerca de 40 anos que não quis revelar seu nome.

Muitos búlgaros temem que a introdução do euro leve a uma espiral inflacionária. Os produtos alimentares já ficaram 5% mais caros no acumulado de 12 meses em novembro, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

As autoridades búlgaras tentam tranquilizar a população e prometem que a entrada na zona do euro permitirá dinamizar a economia do país, um dos mais pobres da União Europeia, da qual passou a fazer parte em 2007, e o protegerá da influência russa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garante que “o euro trará benefícios concretos aos cidadãos e às empresas búlgaras”.

“Facilitará as viagens e a vida no exterior, reforçará a transparência e a competitividade dos mercados e facilitará as trocas”, acrescentou em comunicado.

Paralelamente, a Bulgária enfrenta importantes desafios após as manifestações anticorrupção que recentemente derrubaram o governo de coalizão conservador, no poder há menos de um ano, e perante a perspectiva de novas eleições legislativas, as oitavas em cinco anos.

b/oaa/de/mab/dbh/yr/rpr

Petrobras e Lightsource notificam Cade sobre parceria no segmento de energias renováveis

 

As empresas Petrobras e Lightsource Brazil notificaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre ato de concentração para parceria comercial no setor de geração de energia. O edital que dá publicidade ao recebimento do processo pelo órgão foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 31. Com a notificação, o Cade começa a analisar o caso.

No último dia 16, a Petrobras confirmou ter celebrado acordo para estabelecimento de uma parceria estratégica no segmento de energias renováveis onshore, por meio da aquisição de 49,99% das subsidiárias da Lightsource bp no Brasil. A parceria será estruturada como uma joint venture, com gestão compartilhada entre as duas empresas. O valor da operação não foi informado e “não é materialmente relevante” para a Petrobras, afirmou a estatal em comunicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Brasil registra 49 milhões de empregos formais, recorde da série histórica

 

O número de postos de trabalho com carteira assinada apresentou saldo positivo de 85.864 postos em novembro, resultado de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. No acumulado do ano, foram criados 1.895.130 vínculos, representando uma alta de 4,0% em relação ao ano anterior. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta terça-feira, 30.

Com o resultado, o número de vínculos formais ativos chegou a 49,09 milhões, o maior registrado na série histórica do Novo Caged iniciada em 2020. Devido a mudanças no sistema de contabilização implementadas em 2020, a comparação com anos anteriores se torna imprecisa.

O resultado ficou acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 75 mil vagas. O dado reforça assim a resiliência do mercado de trabalho, apesar de um cenário de altas de juros e desaceleração econômica.

Em outubro, o saldo divulgado havia sido de 85.147 postos de trabalho, abaixo das estimativas registradas também em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 105.000 vagas. Ao divulgar os dados de novembro, o MTE também informou um reajuste do saldo de outubro para 93.689 postos.

Comércio puxa o crescimento no mês

O crescimento das vagas de emprego formal foi puxado pelo comércio, em provável preparação para o fim do ano. Além deste setor, apenas os serviços também registraram alta. Os demais apresentaram redução, conforme segue:

  • Comércio: +78.249 postos (+0,7%)
  • Serviços: +75.131 postos (+0,3%)
  • Indústria: -27.135 postos (-0,2%)
  • Construção: -23.804 postos (-0,7%)
  • Agropecuária: -16.566 postos (-0,8%)

Mulheres e jovens conquistam mais empregos formais

No mês de novembro, o saldo na criação de postos de trabalho foi positivo para mulheres (+93.087) e negativo para homens (-7.223). Também se concentrou em jovens de 18 a 24 anos (+79.567).

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.310,78, um aumento real de 3,03% em relação a novembro de 2024.

Novo salário mínimo entra em vigor no dia 1º de janeiro; veja o que muda

 

O salário mínimo passa a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. O valor representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao piso atual, que é de R$ 1.518. A mudança foi oficializada por decreto do governo federal e começa a ser paga efetivamente a partir de fevereiro, conforme o calendário de salários, aposentadorias e benefícios.

O aumento do salário mínimo afeta não apenas trabalhadores formais que recebem o piso nacional, mas também aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais, programas sociais e contribuições previdenciárias.

Segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos direta ou indiretamente influenciados pelo novo valor.

A seguir, veja os principais impactos do novo salário mínimo que entra em vigor em janeiro.

Como foi calculado o novo salário mínimo

O reajuste segue a política permanente de valorização do salário mínimo, prevista na Lei 14.663, de 2023. O cálculo considera dois componentes: a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Para 2026, o INPC acumulado ficou em 4,18%. Já o crescimento do PIB de 2024 foi de 3,4%, mas, por conta das regras do novo arcabouço fiscal, o ganho real ficou limitado a 2,5%. A combinação desses fatores resultou em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo.

Com o novo valor, o salário mínimo diário passa a ser de R$ 54,04, enquanto o valor por hora trabalhada sobe para R$ 7,37.

Aposentadorias e pensões do INSS

O reajuste do salário mínimo impacta diretamente os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem o piso nacional. Quem ganha um salário mínimo terá o benefício ajustado automaticamente para R$ 1.621, a partir dos pagamentos feitos no fim de janeiro.

Já os beneficiários que recebem acima do piso terão os valores corrigidos apenas pela inflação, com base no INPC de 2025, que será divulgado no início de janeiro. Segundo o Dieese, cerca de 70,8% dos beneficiários da Previdência Social recebem valores atrelados ao salário mínimo.

O aumento do piso deve elevar as despesas da Previdência Social em aproximadamente R$ 39,1 bilhões em 2026.

Benefício de Prestação Continuada (BPC)

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, também acompanha o salário mínimo. O valor do benefício passa automaticamente para R$ 1.621.

Além disso, o critério de renda para ter acesso ao BPC segue atrelado ao piso nacional. Para ter direito, a renda mensal por pessoa da família deve ser igual ou inferior a 25% do salário mínimo, o que corresponde a R$ 405,25 em 2026.

Abono salarial PIS/Pasep

O abono salarial do PIS/Pasep também sofre impacto com o novo mínimo. O valor do benefício é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e tem como referência o salário mínimo vigente no momento do pagamento.

Em 2026, os pagamentos começam em 15 de fevereiro e serão feitos em sete lotes. A estimativa do governo é que 26,9 milhões de trabalhadores recebam o abono, totalizando R$ 33,5 bilhões em repasses.

Quem trabalhou os 12 meses do ano-base poderá receber o valor integral de um salário mínimo, enquanto quem trabalhou menos meses receberá o valor proporcional.

Seguro-desemprego

O valor mínimo do seguro-desemprego também é reajustado com o novo piso nacional. Nenhuma parcela pode ser inferior ao salário mínimo vigente, o que garante o pagamento mínimo de R$ 1.621 em 2026.

Os valores máximos do benefício dependem de regras específicas e de portarias que ainda serão formalizadas pelo governo federal. Em 2025, as parcelas variaram entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11.

Cadastro Único e programas sociais

O aumento do salário mínimo altera os critérios de renda do Cadastro Único (CadÚnico), que dá acesso a programas sociais como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia e auxílios habitacionais.

Pelas regras atuais, podem se inscrever no CadÚnico famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Com o novo piso, o limite passa a ser de R$ 810,50 por integrante da família.

Apesar da mudança no critério de renda, o Bolsa Família não tem previsão de reajuste nos valores pagos em 2026.

Contribuições de MEI e INSS

Os microempreendedores individuais (MEIs) também sentirão o impacto do novo salário mínimo. A contribuição mensal ao INSS corresponde a 5% do piso nacional e sobe de R$ 75,90 para R$ 81,05 em 2026.

No caso do MEI caminhoneiro, a contribuição passa de R$ 182,16 para R$ 202,42, podendo chegar a R$ 207,42, conforme o tipo de carga transportada e o destino. O cálculo considera 12% do salário mínimo para o INSS, além dos valores fixos de ICMS ou ISS.

Outras contribuições previdenciárias, como o salário-família e o auxílio-reclusão, também terão os limites reajustados, dependendo de portarias a serem publicadas pelo INSS.

Margem do crédito consignado

O novo salário mínimo amplia a margem disponível para contratação de crédito consignado por aposentados, pensionistas e trabalhadores com desconto em folha. A legislação permite comprometer até 35% do valor do benefício ou salário com parcelas de empréstimos.

Com o piso de R$ 1.621, a margem consignável sobe para R$ 569,45, ante R$ 531,30 anteriormente.

Impacto na economia

Segundo o Dieese, o novo salário mínimo deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia ao longo de 2026, considerando efeitos sobre renda, consumo e arrecadação.

O órgão estima que aproximadamente 29,3 milhões de aposentados e pensionistas, 17,7 milhões de trabalhadores formais, 10,7 milhões de autônomos e 3,9 milhões de empregados domésticos sejam diretamente impactados.

O reajuste também traz efeitos relevantes sobre o orçamento público. A cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, o custo adicional para os cofres públicos é estimado em R$ 380,5 milhões, o que reforça o desafio do governo de conciliar aumento de renda com controle das despesas obrigatórias.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Senado aprova MP do setor elétrico

 


O texto, aprovado na forma de um projeto de lei de conversão, segue para a sanção 
 
Uma das principais alterações feitas no Congresso com relação ao texto original foi a inclusão da abertura do mercado livre de energia

 

 

O Senado aprovou nesta quinta-feira (30) a medida provisória que estabelece novas regras para o setor elétrico. Editada para conter o aumento nas tarifas de energia devido a subsídios e à contratação obrigatória de usinas termelétricas, a MP 1.304/2025 passou a tratar de vários outros pontos, entre eles a abertura do mercado livre de energia para todos os consumidores. O texto, aprovado na forma de um projeto de lei de conversão, segue para a sanção.

Uma das principais alterações feitas no Congresso com relação ao texto original foi a inclusão da abertura do mercado livre de energia para consumidores residenciais e comerciais. Isso significa que os consumidores poderão escolher os seus fornecedores de energia elétrica. A implantação seguirá um cronograma definido pelo projeto: após dois anos da entrada em vigor da lei no caso de indústria e comércio e em três anos para os consumidores residenciais. Antes disso, devem ser adotadas medidas para conscientizar os consumidores sobre a opção de migração para o ACL e também para regulamentar o Suprimento de Última Instância (SUI), que garantirá o fornecimento de energia a consumidores que passem por situações emergenciais, como a falência ou inadimplência do fornecedor.

Entre as preocupações do governo ao editar a medida estava o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que subsidia políticas públicas no setor elétrico, como a Tarifa Social de Energia Elétrica e o programa Luz para Todos. Com os subsídios para o setor, a CDE se aproxima de R$ 50 bilhões em 2025, impactando a tarifa final. De acordo com o relator, o orçamento da CDE para 2025 aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é de R$ 49,2 bilhões, um aumento de 32,45% em relação a 2024. A CDE é custeada principalmente pelas quotas anuais pagas pelos consumidores, o que faz com que qualquer nova despesa se transforme em majoração de tarifa.

O objetivo da MP era limitar o valor total dos recursos arrecadados para a CDE por meio de quotas (pagas pelos usuários) ao valor nominal total das despesas definido no orçamento da CDE para o ano de 2026. O texto proposto por Eduardo Braga estabelece um limite para o valor total da CDE, com atualização pela inflação a partir de 2027.

 

Com Agência Senado

CMPC e Neltume Ports firmam joint venture para terminal portuário

 

Os investimentos estimados em Rio Grande somam R$ 1,5 bilhão 
 
 
O projeto prevê a construção de dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose

 

A CMPC Celulose e a Neltume Ports constituíram uma joint venture para o Terminal Rio Grande do Sul, com o objetivo de implantar um empreendimento dedicado à movimentação de carga geral, com foco na celulose, no Porto do Rio Grande (RS). No início de dezembro, o Terminal Rio Grande do Sul obteve, junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), após consulta pública, o reconhecimento da viabilidade para a celebração de um contrato de adesão. O instrumento viabiliza a construção e a exploração de um terminal de uso privado no município do Rio Grande, a ser firmado entre o Ministério de Portos e Aeroportos e a empresa.

O projeto prevê a construção de dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose, ampliando de forma significativa a capacidade logística do Porto do Rio Grande. Os investimentos estimados somam R$ 1,5 bilhão. Durante a fase de implantação, a expectativa é de geração de mais de 1.200 empregos. Na fase operacional, o terminal deverá criar cerca de 450 empregos diretos e mais de 2.100 empregos indiretos, incluindo trabalhadores avulsos e caminhoneiros.

O projeto também contempla um repasse de R$ 142,7 milhões à Portos RS, destinado especificamente à execução da dragagem de aprofundamento do canal de acesso e da bacia de evolução do porto novo, beneficiando todas as cargas operadas nessa área portuária. Os próximos passos incluem a cessão de uso do terreno, atualmente em tramitação junto à superintendência do patrimônio da União. Na sequência, estão previstas a realização de audiência pública, bem como a obtenção da licença prévia e da licença de instalação junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam-RS).

A CMPC é a décima maior empresa da região e também a terceira maior do Rio Grande do Sul, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil (veja o ranking completo aqui e o anuário digital completo clicando neste link).

 

 https://amanha.com.br/categoria/empresa/cmpc-e-neltume-ports-firmam-joint-venture-para-terminal-portuario?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=CMPC+e+Neltume+Ports+firmam+joint+venture+para+terminal+portu%C3%A1rio+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+29_12_2025

Ação de falência inclui até acusação de perseguição nos EUA

 

O empresário Marco Aurélio Garcia, irmão do ex-governador paulista Rodrigo Garcia, acionou a Justiça para acusar um escritório de advocacia de usar uma estagiária para se infiltrar no círculo de amizades de sua filha, a estilista e influencer Stephanie Garcia. O objetivo seria entregar uma notificação judicial em Nova York (EUA) sobre um processo de falência do qual ambos são alvo, informou o portal Metrópoles.

A trama relatada na petição judicial inclui a entrada da estagiária em um grupo de WhatsApp chamado “Seguidoras NYC” como parte de uma estratégia para encontrar Stephanie e intimá-la a responder ao processo de falência bilionária do Grupo Rontan, que atuou desde a fabricação de ambulâncias até o setor de telecomunicações.

Marco Aurélio Garcia cita uma série de supostas irregularidades em pedido para destituir a administradora judicial do caso — chamada Campi Serviços Empresariais —, enquanto a administradora acusa Garcia de ser integrante de uma “teia de relações espúrias” destinada à blindagem patrimonial e à ocultação de bens dos credores da massa falida.

De acordo com a Campi, representada pelo escritório Duarte Forssell Advogados, sócios da Rontan e Marco Aurélio teriam agido conjuntamente de maneira a transferir os bens da empresa falida. Marco Aurélio Garcia já foi acusado de ser testa de ferro na chamada Máfia do ISS, na qual fiscais da capital paulista cobravam propinas de empreiteiras nos anos 2000 e chegou a confessar ocultação de imóvel no esquema, em um acordo de não persecução penal.

Embora Marco Aurélio não seja, formalmente, parte da Rontan, acabou envolvido no caso ao arrendar uma fábrica da empresa. Com frequência, ações de falência envolvem os chamados Incidentes de Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ), que permitem que se busquem bens que seriam ligados à empresa falida para pagar os credores.

Empresários envolvidos em casos similares, porém, relatam uma espécie de indústria nesse tipo de ação, sustentada por supostos abusos e honorários exorbitantes. Para Gustavo Soares Giordano, advogado de direito empresarial, arbitragens e contencioso estratégico no escritório Marcelo Tostes Advogados, a Lei de Recuperação de Empresas e Falência criou um mercado com “rentabilidade inigualável” para bancas especializadas em administração judicial: “Os honorários fixados pelos juízes para esse tipo de trabalho são quantias vultosas, normalmente balizadas em percentual do total do passivo da empresa falida ou em recuperação judicial”.

Nessa seara, o escritório Duarte Forssell, que tem como sócios-fundadores os advogados Henrique Forssell e Octaviano Duarte Filho, tem protagonizado embates com grandes empresários falidos. Um dos mais ruidosos foi a disputa em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) validou o recebimento de honorários de 30% no caso de busca e bloqueio de bens do empresário Daniel Birmann, sócio da empresa Sam Indústrias, falida em 2008. Como a falência tinha passivo de R$ 600 milhões, os honorários poderiam passar de R$ 180 milhões, dizia o noticiário da época.

Morosidade

O resultado de excessos no Judiciário é um dos elementos para haver no Brasil recuperações judiciais que se arrastam por anos. É o caso da falência da Usina Floralco, pertencente às massas falidas das empresas GAM Empreendimentos e Participações S.A. e Flórida Paulista Açúcar e Etanol S.A., que teve desdobramentos até no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão tem investigado denúncias de abuso no emprego do IDPJ, em prejuízo de empresas processadas e levadas a acordo judiciais.

Um dos réus de um IDPJ questionou no CNJ a atuação da administradora judicial (AJ) e a contratação de um escritório de advocacia a pedido da própria AJ, que seria remunerado no valor de 30% do que viesse a ser recuperado. O escritório era o Duarte Forssell Advogados, o mesmo em embate com o empresário Marco Aurélio Garcia.

Um processo administrativo para apurar a conduta dos magistrados que atuaram no caso foi aberto, mas, em razão de acordo celebrado, as apurações não seguiram. Advogados consultados pela Istoé Dinheiro afirmam que esse caso é um exemplo de como é importante que o CNJ passe a ter regulamento para tratar de contratações feitas em processos de falência e de recuperação judicial (RJ).

Entre outros casos importantes estão a Usina Albertina (Sertãozinho-SP), iniciada em 2008, e da Usina São Fernando (Dourados-MS), desde 2013. Ambas as empresas tiveram os processos de falência decretados pela Justiça, entre outros motivos, pela dificuldade imposta pelo tempo extensivo na recuperação judicial. Entraram para uma estatística comum no país, onde 106 das 446 usinas existentes estão com atividades paradas.

Na avaliação da advogada Mariana Rech Hoffmann, especializada em direito empresarial, a demora na condução de RJ leva os processos a terminarem sem solução: “O processo civil brasileiro determina como diretriz a celeridade processual. Contudo, em muitos casos, em razão da repercussão econômica e social do caso concreto, há uma demora na entrega jurisdicional. Essa demora acarreta, principalmente, a ausência de efetividade das decisões, considerando que, ainda que haja uma decisão, em muitos casos ela não tem mais o condão de solucionar a questão controvertida”.

 

 https://istoedinheiro.com.br/acao-de-falencia-inclui-ate-acusacao-de-perseguicao-nos-eua

 

 https://www.metropoles.com/sao-paulo/governador-escritorio-perseguir-filha

 

China promete manter programas de troca de bens de consumo e modernização de equipamentos

 

A China manterá a implementação da política de renovação de equipamentos em larga escala e troca de bens de consumo em 2026, como parte de uma estratégia para continuar estimulando o consumo de produtos de tecnologia e automóveis, segundo comunicado conjunto divulgado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pelo Ministério das Finanças chinês nesta terça-feira.

O texto informa que o governo chinês alocou 62,5 bilhões de yuans (cerca de US$ 8,9 bilhões) em fundos de títulos do Tesouro especiais de longo prazo para apoiar o programa.

Os esforços de impulso ao consumo incluirão subsídios para compras de novos produtos digitais e inteligentes. Consumidores individuais que adquirirem quatro tipos de produtos – celulares, tablets, smartwatches/pulseiras inteligentes e óculos inteligentes – com preço de venda de até seis mil yuans por item – receberão subsídio de 15% do preço de venda do produto.

“Cada consumidor poderá receber um subsídio para um item de cada tipo, com um subsídio máximo de 500 yuans por item. Subsídios também serão concedidos para a compra de novos produtos para casas inteligentes. As categorias e critérios específicos de subsídio serão definidos pelos governos locais, com base em suas circunstâncias reais”, diz o comunicado.

Em relação ao setor automotivo, o governo chinês cita o apoio ao desmantelamento e a renovação de veículos de carga antigos em operação, visando a troca para veículos de carga de baixa emissão, com prioridade ao apoio à substituição por veículos de carga elétricos. Consumidores individuais também deverão receber um subsídio semelhante, incluindo para aquisição de carros de “nova energia”.

A iniciativa vem em um momento em que a China busca se consolidar como líder no mercado de veículos elétricos. Neste ano, marcas chinesas como BYD, NIO, Li Auto e XPeng rivalizaram a venda de veículos da Tesla e de outros modelos da Europa e dos EUA.

BGE: desemprego fica em 5,2% em novembro e renova menor taxa da série histórica

 

O desemprego no Brasil registrou nova queda e fechou o trimestre terminado em novembro em 5,2%. Segundo dados da Pnad Contínua, apresentados hoje pelo IBGE, o resultado superou as expectativas do mercado financeiro, que estimava uma taxa de 5,4% para o período segundo pesquisa da Reuters.

O resultado é o melhor da série histórica iniciada em 2012, superando os 5,4% registrados no trimestre móvel encerrado em outubro. A população desocupada chega a 5,6 milhões, o menor contingente da série histórica, recuando em 441 mil pessoas (7,2%) no trimestre e em 988 mil (14,9%) no ano.

O indicador acumula uma sequência de quedas desde o trimestre móvel terminado em junho de 2025, permanecendo em níveis historicamente baixos.

A população ocupada também atingiu sua máxima na série histórica: 103,0 milhões, resultado de recorde de pessoas empregadas com carteira assinada no setor privado (39,4 milhões), no setor público (13,1 milhões) e trabalhando por conta própria (26,0 milhões). O número de empregados sem carteira no setor privado ficou estável (13,6 milhões).

O total de trabalhadores informais no país caiu para 38,8 milhões no trimestre encerrado em novembro. A taxa de 37,7% mostra uma trajetória de queda tanto na comparação com o trimestre móvel anterior (38,0%) quanto em relação ao patamar de um ano atrás, quando o índice de informalidade era de 38,8%.

Além do desemprego

Os dados do IBGE apontam ainda que o crescimento da taxa de ocupação da população acompanhou o aumento do rendimento real habitual dos trabalhadores, ou seja, do valor da remuneração ajustado pela inflação para analisar o poder de compra. Com alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% no ano, o valor bateu o recorde em  R$ 3.574.

No que diz respeito aos salários, o setor de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias e Administrativas foi o único a registrar aumento real no rendimento médio. A categoria teve uma alta de 5,4%, o que representa um ganho adicional de R$ 266 no bolso do trabalhador em relação ao trimestre anterior. Nas demais áreas, a remuneração permaneceu estável.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

BC define regras para remessa de informações sobre operações de câmbio com ativos virtuais

 Ficheiro:Banco Central do Brasil logo.png – Wikipédia, a ...

O Banco Central definiu regras para a remessa de informações relativas às operações de câmbio no mercado de ativos virtuais. As instituições autorizadas a operar nesse mercado devem enviar os dados ao BC a partir de maio de 2026.

Será necessário informar dados como data da operação, identificação do cliente, denominação do ativo virtual e quantidade transferida. Para isso, a autarquia elaborou uma tabela com códigos de ativos virtuais, como Bitcoin, Ethereum e Solana. Caso o ativo não conste nessa relação, será preciso enviar um texto descritivo, com sua sigla e denominação.

As instituições deverão reportar pagamentos ou transferências internacionais mediante transmissão de ativos virtuais; carregamentos ou descarregamentos de ativos virtuais em cartão ou outro meio de pagamento eletrônico de uso internacional; transferências de ativos virtuais de ou para carteiras autocustodiadas que não envolvam pagamento ou transferência internacional; e o total mensal de compras, vendas e trocas de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária.

São responsáveis por essas remessas os bancos, a Caixa Econômica Federal, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades corretoras de câmbio e as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSVAS).

O detalhamento complementa a Resolução nº 521, publicada no início de novembro e que entra em vigor em fevereiro de 2026. No texto, o BC definiu regras para a negociação com ativos virtuais, criou as SPSVAS, regulamentou quais atividades ou operações com esses ativos se inserem no mercado de câmbio e em quais situações incidem as normas de capitais internacionais.

Países ricos limitam imigração apesar da falta de mão de obra

 

Políticas de governo e ambiente social anti-imigração restringem ida de trabalhadores para países de alta renda.Um relatório divulgado no mês passado mostrou que a migração de trabalhadores está caindo globalmente, apesar de as sociedades envelhecidas nos países ricos se verem confrontadas com uma crescente escassez de mão de obra.

Esse declínio global começou bem antes da reeleição do presidente Donald Trump, que fez sua campanha eleitoral em 2024 com a promessa de restringir drasticamente a imigração.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que monitora as políticas econômicas e sociais globais, a migração relacionada ao trabalho para seus 38 países membros caiu mais de um quinto em 2024 (21%).

Essa queda foi impulsionada menos pela demanda do que pela crescente oposição política à imigração e por regimes de vistos mais rigorosos em países de economias avançadas, constatou o relatório Perspectivas da Migração Internacional 2025. Em contraste, a migração temporária para trabalhar continuou aumentando.

Declínio impulsionado por dois países

A maior parte do declínio mundial na migração laboral permanente foi impulsionada por mudanças nas políticas de dois países: o Reino Unido e a Nova Zelândia .

Na Nova Zelândia, a queda esteve ligada ao fim de um programa de residência pós-pandemia que permitiu a mais de 200 mil imigrantes temporários e seus dependentes se estabelecerem de forma permanente. Esse programa se encerrou em julho de 2022.

No caso do Reino Unido, após o Brexit , o governo local reformou o visto para trabalhadores da saúde e assistência social, restringindo os critérios de elegibilidade dos empregadores e proibindo a entrada de dependentes, o que resultou numa forte redução nos pedidos de visto.

A OCDE destacou justamente a área da saúde como um setor onde restrições desse tipo podem agravar a escassez de mão de obra.

A especialista em migração Seeta Sharma, que assessorou as Nações Unidas e o governo da Índia, alerta que as reformas feitas pelo Reino Unido, incluindo também uma medida para restringir os critérios de elegibilidade para estudantes internacionais que desejam trabalhar após a formatura, podem ser contraproducentes para o país.

“É a transição dos estudos para o trabalho que está sendo restringida”, explica Sharma. “Se isso acontece, as inscrições diminuem, pois os indianos, por exemplo, não vão mais gastar grandes somas em educação no exterior se não houver um retorno claro do investimento.”

Políticas de governo

No caso dos Estados Unidos, limites mais rígidos para os vistos H-1B (o principal programa que permite a profissionais estrangeiros de áreas como tecnologia, engenharia e medicina trabalharem no país) foram introduzidos durante o governo do presidente Joe Biden.

Desde então, Trump aumentou substancialmente o custo do visto para os empregadores , de entre 2 mil e 5 mil dólares para 100 mil dólares. A agenda política do republicano, de um modo mais amplo, tem se concentrado em limitar as vias de imigração permanente.

A Austrália , por sua vez, elevou os limites salariais para vistos de trabalho qualificado, enquanto o Canadá ajustou as vias de imigração para trabalhadores temporários, contribuindo também para o declínio mais amplo na imigração relacionada a empregos.

Os países nórdicos também registraram grandes quedas, com a Finlândia tendo uma queda de 36% em comparação com 2023.

Na Alemanha , as políticas de imigração mais rígidas do ex-chanceler federal Olaf Scholz contribuíram para uma queda de 12% nos fluxos de imigração permanente em 2024, quando 586 mil trabalhadores estrangeiros entraram no país. O número de pessoas que chegaram com vistos de trabalho foi 32% menor do que no ano anterior. Essas reformas foram ampliadas pelo governo do novo chanceler federal, Friedrich Merz .

O professor de economia Herbert Brücker, da Universidade Humboldt de Berlim, diz que esse declínio cria problemas para a economia alemã. “Nós precisamos da migração para substituir os trabalhadores que se aposentam. Sem ela, não conseguimos manter a oferta de mão de obra estável.”

Alta demanda por trabalhadores na UE

Em toda a União Europeia (UE), cerca de dois terços dos empregos criados entre 2019 e 2023 foram preenchidos por cidadãos de países de fora do bloco europeu, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que destaca a dependência da Europa da mão de obra externa.

Globalmente havia 167,7 milhões de trabalhadores migrantes em 2022, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Isso representava 4,7% da força de trabalho global total. Mais de dois terços deles, ou 114,7 milhões, viviam em países de alta renda.

Apesar da queda em 2024, a migração global relacionada ao trabalho permanece acima dos níveis pré-pandemia de covid-19. O que o relatório da OCDE revela é como esses fluxos podem ser abruptamente interrompidos por decisões políticas, baseadas em temores sociais sobre a imigração ilegal e não na real demanda econômica, que permanece em níveis elevados.

A agenda do segundo mandato de Trump amplificou essa dinâmica, com decretos executivos para restringir a imigração legal e ilegal. O governo Trump argumenta que essas medidas são necessárias para proteger os trabalhadores americanos.

Opção pelo trabalhador temporário

Já a migração laboral temporária ou sazonal manteve-se estável em 2024, mesmo com a diminuição dos fluxos permanentes, de acordo com o relatório da OCDE.

Isso reflete a opção de governos dos países ricos por programas de curto prazo que podem ser expandidos ou reduzidos conforme a necessidade. “A ideia é: ‘Vamos trazer pessoas quando quisermos e fechar as portas quando não quisermos. Só não vamos ter essa gente ‘diferente’ em nosso país para sempre'”, critica Sharma.

Os programas de trabalhadores sazonais e temporários estavam com alta demanda na Austrália, na Europa e na América do Norte, onde empregadores nos setores agrícola, de cuidados e de construção preencheram lacunas em sua força de trabalho com eles.

A OCDE observa que os programas de migração temporária também estão cada vez mais sendo utilizados pelo setor de tecnologia e outros altamente qualificados.

Dificuldades para a integração

Além de tentar atrair mais trabalhadores estrangeiros, a OCDE instou as economias avançadas a integrá-los melhor ao mercado de trabalho. Entre as medidas essenciais sugeridas estão os cursos de idiomas e o acesso a serviços sociais, juntamente com o reconhecimento das qualificações obtidas nos países de origem. Muitas vezes, os imigrantes são empregados em trabalhos de qualificação abaixo da sua formação.

Brücker, que é pesquisador de migração no Instituto Alemão de Pesquisas sobre Emprego (IAB), observa que as reformas destinadas a tornar a maior economia da Europa mais atraente para trabalhadores estrangeiros não funcionaram devido a processos lentos e à burocracia.

“O reconhecimento de diplomas e treinamento profissional leva anos e isso dificulta a vinda de trabalhadores qualificados”, diz. O resultado é que a Alemanha tem hoje um déficit de cerca de 3 milhões de trabalhadores.

A OCDE também insta os governos a criar caminhos mais claros para que trabalhadores migrantes temporários façam a transição para o status de permanentes, garantindo que suas habilidades sejam totalmente utilizadas e reduzindo a escassez de mão de obra.

Embora Trump frequentemente fale positivamente sobre a necessidade de imigração baseada em competência, o primeiro ano do seu segundo mandato foi marcado por esforços para desmantelar essas vias.

Sharma observa que a retórica frequentemente raivosa de Trump e outros líderes de direita sobre imigração envia “ondas de choque” e molda percepções em outros países. “A história que está sendo contada é que este é um país hostil, onde é difícil conseguir um emprego. Essas narrativas desempenham um papel enorme nos movimentos migratórios”, diz Sharma.

Governo recolhe lotes de quatro marcas de café de SP, ES e TO

 

Análises realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) do Ministério da Agricultura detectaram matérias estranhas e impurezas acima dos limites previstos nas normas vigentes em quatro marcas de café do Brasil. Diante das irregularidades identificadas, o ministério desclassificou e recolheu os lotes afetados.

A marca mais atingida pela ação do governo foi a Terra da Gente, produzida por duas indústrias paulistas diferentes: Terra da Gente Indústria e Comércio de Café e Solveig Indústria e Comércio de Café. A empresa teve 18 lotes apreendidos nas variedades extra forte e tradicional.

Outra marca paulista, a Made in Brazil, apresentou impurezas e matérias estranhas acima dos limites permitidos em dois lotes. A marca é produzida pela MF Indústria Paulista de Café

Já a marca Jalapão, do Tocantins, teve dois lotes apreendidos, sendo um da variedade tradicional e outro da extra forte. No Espírito Santo, a marca Q-Delícia, produzida pela C. N. dos Anjos Café Nunes Zum, apresentou irregulares em um único lote. Porém, a empresa capixaba sequer pussui registro no Ministério da Agricultura.

Os cafés foram adquiridos pelo Ministério da Agricultura em estabelecimentos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Tocantins e Ceará. Para quem já adquiriu as marcas recentemente, o Ministério da Agricultura recomenda que o produto não seja consumido e seja solicitada a substituição conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Camex aplica antidumping por até 5 anos sobre fibras ópticas e cabos da China

 Logotipo do PCN — Ministério do Desenvolvimento, Indústria ...

O Comitê Gestor da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aplicou por até cinco anos o direito antidumping definitivo sobre as importações de fibras ópticas e cabos desse material originárias da China.

As decisões, publicada no Diário Oficial da União (DOU), abrangem fibras ópticas do tipo monomodo, com diâmetro de núcleo inferior a 11 micrômetros, e também os cabos de fibras ópticas, com ou sem conectorização.

“Em que pese a inexistência de investigações de defesa comercial anteriores sobre fibras ópticas, registra-se a existência de investigação em curso para averiguação da prática de dumping nas exportações de cabos de fibra óptica, com revestimento externo de material dielétrico e com ou sem conectorização, comumente classificadas no subitem 8544.70.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), originárias da China. Tais produtos são fabricados a partir das fibras ópticas objeto da presente investigação”, detalhou órgão.

Cerâmicas, Pneus e Para-brisas

O Comitê Gestor da Camex também prorrogou por mais cinco anos o direito antidumping definitivo aplicado sobre as importações de objetos de louça para mesa originários da China. O Brasil já aplica sobretaxa sobre esses produtos desde 2012.

O órgão ainda prorrogou por mais cinco anos o direito antidumping definitivo aplicado sobre pneus novos de borracha para automóveis de passageiros, importados da Tailândia e Taipé Chinês. Nesse caso, a sobretaxa já é aplicada desde 2014.

A Camex também estendeu à Malásia o antidumping aplicado aos vidros de para-brisas importados da China desde 2016.

Arrecadação federal alcança R$ 226 bi e bate recorde para novembro; no ano, passa de R$ 2,6 tri

 

A arrecadação do Governo Federal chegou a R$ 2,62 trilhões no acumulado de 2025 até o mês de novembro. O desempenho representa um crescimento real de 3,25% em comparação ao mesmo período do ano passado. Em novembro, a arrecadação federal foi de R$ 226,7 bilhões, um aumento de 3,75% em comparação ao mesmo mês de 2024.

O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 8,61 bilhões no mês de novembro, representando crescimento real de 39,95%. Segundo o Banco Central, esse desempenho pode ser justificado pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e pelas operações de crédito destinadas a pessoas jurídicas, ambas decorrentes de recentes alterações na legislação.

Já a Receita Previdenciária teve uma arrecadação de R$ 58,35 bilhões, com crescimento de 2,77%. Esse resultado se deve ao crescimento real de 4,15% da massa salarial. Além disso, houve crescimento de 20,75% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária, em novembro de 2025 em relação a novembro de 2024.

Com o PIS/Pasep, o governo arrecadou R$ 49,6 bilhões, o que representou aumento de 3,15%. Na análise do Banco Central, o desempenho é resultado do decréscimo de 0,32% no volume de vendas (PMC-IBGE) e do aumento de 2,16% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2023 e outubro de 2024.

“Salienta-se o desempenho positivo das entidades financeiras, atividades de prestação de serviços de informação e fabricação de equipamentos de informática e eletrônicos; e negativo no setor de captação, tratamento e distribuição de água e de fabricação de bebidas”, diz o relatório do BC.

O brasileiro é a ‘principal propaganda’, diz Freixo sobre recorde de estrangeiros no país

 

O Brasil recebeu 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, um recorde da série histórica iniciada em 1974. O número representa um crescimento de cerca de 35% em relação a 2024, quando 6,7 milhões de turistas de fora vieram para o país.

Em entrevista exclusiva à IstoÉ Dinheiro, Marcelo Freixo, presidente da Embratur, avalia que a marca é fruto da ‘profissionalização’ da agência de promoção do Brasil no exterior e na valorização do brasileiro como maior ativo do país. “Nós depositamos sobre o brasileiro a principal propaganda do país, e não apenas sobre um destino”, seguindo a velha máxima de que ‘o melhor do Brasil é o brasileiro’.

A estratégia passa também por propagandear os ‘Brasis’ do país, ou seja, mostrando a diversidade não só de destinos como de culturas, gastronomia, festas, culturas e tradições que fazem parte da nossa identidade nacional. Para sair do esteriótipo do samba, praia e futebol, Freixo diz que em nenhum momento o Brasil foi vendido como “exótico”, mas como “espetacular”.

O volume histórico de turistas também gerou recorde na receita com o turista internacional no país, de mais de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 45 milhões) contra US$ 7,3 bilhões em 2024. “É importante destacar que o turismo já representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Freixo ao comentar os números. Ele diz que o resultado deve-se também a um trabalho segmentado para cada estado do país e muito baseado em inteligência de dados. E reforça: “O Brasil hoje é o país é sim da moda”.

A seguir, os principais pontos da entrevista:

O Brasil bateu recorde de visitantes estrangeiros. Como a Embratur avalia essa marca histórica do ponto de vista de ações estratégicas para a divulgação da ‘marca Brasil’ no exterior?

Marcelo Freixo: É uma construção. Nós assumimos em 2023 e profissionalizamos a gestão da Embratur, trazendo muitos técnicos e criando um planejamento baseado em inteligência de dados. Todas as ações de promoção são centradas nisso: temos estudos de cada mercado, de malhas aéreas e de tendências. Profissionalizamos a capacidade de promoção com uma competência que não existia na história da agência. Isso tem dado resultados há três anos. Isso não começou agora, isso não é uma sorte. Então o Brasil deu azar esse tempo todo e agora deu sorte e e as pessoas resolveram vir para cá? Não, né?!

O Brasil passou por Copa e Olimpíada, mas o momento de o mundo mais visitar o país é agora. Nós tivemos bons resultados em 2023, em 2024 e, em 2025, o Brasil explode. É um crescimento que a gente vem computando e entendendo que as suas origens é essa qualidade da promoção feita desde 2023. E que em 2025 colhemos a melhor safra.

Marco de 9 milhões de turistas estrangeiros oficializado no Turistômetro da Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro (Crédito:Marcio Menasce / Embratur)

Em 2023, batemos o recorde de receita com 6,9 bilhões de dólares. No segundo ano, batemos o recorde de receita de novo e o de turistas, com 6,7 milhões de pessoas e 7,3 bilhões de dólares arrecadados. Agora, em 2025, o Brasil explode: tivemos um crescimento de 40% de turistas internacionais em relação a 2024. Chegamos a 7 milhões em setembro, 8 milhões em novembro e estamos chegando a 9 milhões de turistas. Todas as regiões cresceram.

O Brasil, de fato, entrou no circuito de desejo mundial

Quando você cita essa profissionalização, isso envolve uma iniciativa específica de branding, com novos slogans e segmentação de comunicação para os diferentes países?

Marcelo Freixo: Exatamente. Nós recuperamos a marca Brasil e trabalhamos campanhas multidirecionadas. Fizemos um plano de marketing internacional, que é o plano Brasilis. O Brasil é um país único, mas que nunca foi um só. Fizemos esse plano e lança um plano internacional em cada uma das unidades da federação, com o que cada estado tem que fazer para atrair mais turistas internacionais. Sabemos perfeitamente, por meio de inteligência de dados, para onde cada mercado vai e capacitamos cada uma das unidades da federação para ter o seu plano de marketing mais eficiente. Ou seja, isso nos trouxe esses números que realmente são incríveis. 

Recentemente, fizemos uma campanha na Europa, durante a WTM (a feira World Travel Market) em Londres, chamada “It’s a Vibe”. Nós depositamos sobre o brasileiro a principal propaganda do país, e não apenas sobre um destino. Isso pegou muito bem no mercado europeu, essa coisa da receptividade brasileira, da alegria brasileira. Tem uma coisa de uma cultura popular muito forte do Brasil e onde tem um impacto muito grande no mercado europeu. Então a gente trabalhou exatamente essa ideia de um Brasil acolhedor no momento onde o mundo tá precisando disso.

O Brasil é espetacular, mas o Brasil sempre foi espetacular, mas o mundo vinha para cá. Então, esse Brasil espetacular, ele agora é o Brasil espetacular e visitável.

Apesar do recorde de visitantes, o país ainda tem um grande potencial para ampliar ainda mais esse volume, principalmente quando vemos números de outros países com muito menos ofertas ‘turísticas’ que o nosso. Qual a estratégia para seguir crescendo?

O Brasil hoje é o país é, sim, da moda. Só que a moda é uma coisa que pode passar. A gente não quer que passe. Queremos que seja uma tendência e que o Brasil cresça, continue crescendo a cada ano. O importante é que isso é muita geração de emprego e renda. Então, o turismo não é sobre quem viaja, o turismo é sobre quem recebe. Essa é uma frase que eu uso todos os dias aqui dentro da Embratur. O turismo é geração de emprego e renda, é uma economia e um modelo de desenvolvimento sustentável.

Entre as ações, estamos lançando com o Ministério da Cultura uma comissão nacional para atrair filmagens internacionais. Hoje, 44% dos norte-americanos escolhem destinos a partir de filmes ou séries. 

Também criamos o Mercado Lab, onde trabalhamos muito com a ideia da inovação e turismo. E os dados, essa segmentação, apontam para uma diversidade de possibilidades e formas de divulgar o país, tanto quando o Brasil é diverso.

Quando a gente estuda o mercado, você vê que tem uma diferença muito grande, por exemplo, o que o chinês gosta de visitar, é diferente do português, diferente do italiano, do alemão… E o Brasil tem tudo. Qual é o país que tem todas as possibilidades? O Brasil tem Amazônia, Pantanal, sol e praia, praia na cidade, praia deserta, praia cheia, praia de água quente, praia de água vazia… é explorar essa diversidade de interesses com a nossa diversidade de oferta. Essa diversidade, ela ela nos favorece dialogar com o mundo inteiro.

É olhar para o produto que é adequado para aquele tipo de público e falar diretamente com aquela pessoa que a gente precisa falar. Vão ter vários exemplos como esses ao longo do ano, novos voos, novos destinos, novos produtos, que a gente vai trabalhando, conectando para ampliar esse mercado.

Poderia citar um exemplo dessa segmentação?

Marcelo Freixo: Gostaria de mencionar o Afroturismo, que é um carro-chefe. Conseguimos um novo voo ligando Salvador ao Panamá, pela Copa Airlines, começando em janeiro. Isso facilita a chegada de norte-americanos negros, que são o maior público de afroturismo no mundo, à Bahia.  Então, a gente vai fazer o trabalho agora junto com o governo da Bahia para falar: “Olha, agora tá mais fácil chegar na Bahia”.

Tivemos o Brasil ganhando Oscar neste ano, os shows históricos de Madonna e Lady Gaga em Copacabana e a Dua Lipa curtindo o Rio de Janeiro (e postando), para citar alguns casos. O senhor avalia que o Brasil se destacando na cena pop, especialmente na música e no cinema – e nas redes sociais, tem impacto nessa divulgação espontânea e positiva a ponto de atrair turistas para cá?

Marcelo Freixo: Ajuda demais. O mundo hoje é conectado. Quando uma artista de repercussão internacional vai a um botiquim no Rio — aqui botiquim não é pejorativo não, pelo contrário, é um dos sabores e saberes do Rio de Janeiro — isso chega ao mundo todo. Quando uma artista de repercussão internacional circula nesse Rio de Janeiro, isso chega no mundo. E mais eficiente do que muitas campanhas publicitárias. E esses grandes eventos em Copacabana só geraram notícias positivas. 

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Dua Lipa em visita ao Cristo Redentor durante sua passagem pelo país (Crédito:Reprodução/Instagram)

E os eventos políticos, como G20 (em novembro de 2024), a COP30 e até mesmo as agendas internacionais do presidente Lula?

Marcelo Freixo: Muito. Dou o exemplo da França: o último presidente francês a visitar o Brasil tinha sido o [Nicolas] Sarkozy (em 2029). O presidente Lula dedicou o primeiro ano a reconstruir essa imagem e a cultura da diplomacia. O fato de o presidente Lula ter dado muita importância, como sempre deu, à cultura da diplomacia, às relações entre os países e  imagem do Brasil`, nos favoreceu muito na hora de promover o Brasil como um destino.

O Macron vindo para cá em uma visita “instagramável” (quando esteve na Amazônia com o presidente Lula em março de 2024), e para o mundo inteiro, por exemplo, teve o seguinte resultado: o número de franceses visitando o Brasil aumentou 25% do ano passado para este.

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Presidente Lula e Presidente Emmanuel Macron visitam Sumaúma em Belém (PA), em março de 2024 (Foto: Ricardo Stuckert / PR) (Crédito:Ricardo Stuckert / PR)

Houve uma mudança na percepção do estrangeiro? Antigamente a promoção era muito focada no samba, praia e futebol. Hoje eles enxergam o Brasil de forma diferente?

Marcelo Freixo: Acho que sim. O turismo que nos interessa é o responsável. Nossas campanhas são pedagógicas: em nenhum momento vendemos o Brasil como “exótico”, mas como “espetacular”. Trabalhamos com sustentabilidade, inclusão e respeito ao meio ambiente. Temos um lema: um Brasil bom para o turista tem que ser, antes de tudo, um Brasil bom para o brasileiro morar.

Quais são os maiores desafios hoje na atração de estrangeiros ao país? Seria a violência, infraestrutura, a dimensão territorial…?

Marcelo Freixo: O maior desafio hoje é a malha aérea. Há uma crise aérea mundial, falta de aviões disponíveis e os preços precisam ser mais acessíveis. Apesar de a malha brasileira ter aumentado muito. Ano passado aumentou 16%, e a média mundial foi de 8%. Então a gente conseguiu ter uma um aumento de uma malha área internacional de o dobro da média mundial.

Sobre a segurança, o desafio é mundial, mas o turismo ajuda a trazer segurança. quanto mais turismo, uma atividade econômica, mais seguro o Brasil será. Porque o turismo traz mais mobilidade, maior visibilidade, maior número de eventos, traz emprego e renda. Então, o turismo, ele é também uma solução para os lugares se tornarem mais seguros.

O turismo de natureza e aventura no Brasil não tem problemas de segurança; os desafios nas grandes cidades são similares aos de outros grandes destinos mundiais, como o México, que é um dos mais visitados do mundo.

Os dados mostram que a maioria dos visitantes vem da América Latina (Argentina, Chile, etc.). Existe uma estratégia específica para atrair turistas de fora do continente?

Marcelo Freixo: Sim, embora a proximidade seja determinante — pesquisas mostram que a tendência são viagens internacionais de até 5 horas. Mas os EUA já são nosso terceiro maior mercado, e a França está entre os cinco. Estamos crescendo consistentemente na Europa e América do Norte.

O que está programado para o último ano da gestão atual, em 2026?

Marcelo Freixo: Vamos consolidar o Plano de Marketing Internacional (Plano Brasilis) em todos os estados. Também estamos criando uma plataforma de capacitação para que a “ponta” (quem recebe o turista). Queremos que o poder público entenda que o turismo é uma solução de desenvolvimento. Hoje, o turismo representa 8% do PIB, enquanto o petróleo representa 12%.


Copo meio cheio ou meio vazio: veja como foi 2025 na economia em 7 gráficos

 

Se perguntarmos para qualquer economista se a economia brasileira foi bem ou mal em 2025 a resposta será sempre a mesma: depende. Basicamente, alguns indicadores apresentaram ao longo do ano sinais claros de melhora. É o caso do PIB, que deve fechar o ano com crescimento acima da expectativa inicial do mercado, e da inflação, que ficou dentro da meta, porém, ainda longe do centro da meta. Por esse motivo, o Banco Central manteve a taxa de juros em patamares bastante elevados, gerando críticas do presidente Lula e do próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao logo de todo ano.

Haddad, inclusive, chegou a dizer que os indicadores da economia não estavam sendo reconhecidos pelo mercado e pela imprensa. Ele chegou a dizer que está muito difícil manter a relação com o mercado. De fato, alguns indicadores evoluíram, como mostram os gráficos abaixo, porém, outros ainda levam investidores e agentes do mercado a manter uma certa cautela.

O cenário para 2026 deve ser de queda da Selic e de acomodação das taxas em patamares menores. A IstoÉ Dinheiro conversou com os economistas-chefes do Inter André Valério, e do Warren, e Felipe Salto, sobre os motivos dos números bons em 2025 e as perspectivas para 2026.

Selic nas alturas

O ano de 2025 foi marcado por uma postura rigorosa do Banco Central para conter a inflação, levando a taxa Selic a patamares que não eram vistos há quase duas décadas. A trajetória foi de elevação acentuada no primeiro semestre, seguida por uma estabilização em níveis elevados durante a segunda metade do ano.

O câmbio elevado no início do ano e a inflação acima do teto da meta levaram o Copom a aumentar o rigor no controle para depois estabilizar a taxa. Além disso, as incertezas sobre o controle das contas públicas e o aumento da dívida pública elevaram os prêmios de risco, obrigando o Banco Central a manter sua política monetária contracionista.

Agora, as expectativas se voltam para o início de  2026. Algumas apostas apontam para o início do corte já em janeiro, mas há quem acredite que isso ocorrerá apenas em março.

PIB surpreende

Apesar de um aumento menor em comparação com os 3,4% de 2024, o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 deve atingir 2,25% de acordo com o mercado financeiro. O número é levemente acima do projetado em janeiro, que foi de 2,02%. Valério aponta que o crescimento foi “robusto”, mas que o terceiro trimestre mostrou uma “perda de força reflexo da política monetária”.

Prova disso é o Índice de Atividade Econômica (IPC-BR) do Banco Central que mostrou desaceleração de 0,2% em outubro em comparação a setembro. O último crescimento foi registrado em agosto. O índice é considerado a prévia do PIB.

No último levantamento, o destaque foi para o setor da agropecuária, que registrou crescimento de 3,1%. Indústria e serviços registraram baixas de 0,7% e 0,2%, respectivamente.

Desemprego bate mínimas históricas

Outra boa notícia de 2025 para a economia foi a taxa de desemprego. De acordo com o IBGE, ela ficou em 5,4% no terceiro trimestre do ano, menor valor da história para o período. Os destaques, de acordo com o Caged, foram os setores de Serviços, com 961.016 vagas criadas e a indústria, com  305.641 novos postos.

Salto explica que o mercado de trabalho apresenta uma dinâmica positiva por conta de um ganho de produtividade econômica e questões demográficas. “Para 2026, a tendência deste final de ano, como mostram os principais indicadores, deverá se manter”, aponta.

A perspectiva do mercado para 2026 é uma leve piora no quadro, que deve chegar a 6% no final do ano.

Inflação de volta pra meta antes do previsto

Os índices de inflação também apresentaram números melhores do que o previsto no começo do ano para a economia. De acordo com o Boletim Focus publicado em 10 de janeiro, a tendência era mais um ano com a inflação fora da meta, a 5% em 2025. No entanto, com o IPCA de 0,18% em novembro, a inflação em 2025 deverá voltar para dentro do teto da meta, a 4,46%.

Valério explica que a entrada na meta do BC estava prevista pelo mercado para o primeiro trimestre de 2026, mas que a política de juros altos do BC fez com que ela abaixasse antes da hora.

“Houve uma antecipação significativa do retorno da inflação para dentro do limite da meta. O Banco Central (BC), após o descumprimento da meta em junho, havia projetado que só conseguiria entregar a inflação dentro do teto da meta ao fim do primeiro trimestre de 2026”, explicou.

“A política monetária está gerando os efeitos pretendidos. Os juros estão bastante elevados, há bastante tempo, de modo que a atividade econômica e a inflação sentem esses efeitos. Além disso, o papel da taxa de câmbio foi central. A perda de valor do dólar, derivada da nova política econômica dos EUA, nos ajudou”, acredita Salto.

Os dois economistas ouvidos pela reportagem e o mercado financeiro não enxergam a inflação como um problema para 2026, mesmo com a queda de juros esperada para o começo do ano. “Os juros, mesmo com o Banco Central iniciando movimento de queda, logo, logo, ainda estarão em níveis elevados, tanto em termos reais como nominais”, encerrou Salto.

Dólar cai por conta de estratégia do governo Trump

Até o dia 19 de dezembro, o dólar já havia caído  10,49% em relação ao real em 2025. Os economistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro foram unânimes em afirmar que a queda da moeda norte-americana, que se repetiu na maioria dos países, se deve a estratégia do governo Donald Trump. O índice Dxy (que mede o valor do Dólar contra uma cesta de moedas) saiu de um patamar de 110 para 98, indicando uma grande desvalorização do Dólar frente a todas as moedas.

Na virada de 2024 para 2025 o dólar viveu um momento de disparada. Em 1° de janeiro o dólar comercial fechou o dia em R$ 6,18, mas ao longo do ano desenhou uma trajetória de queda já em fevereiro, já trazendo reflexos para a economia. Mas foi no dia 11 de novembro que a moeda americana bateu na mínima do ano, cotada a R$ 5,27. Já na última sexta-feira, 19, o dólar terminou o dia cotado a R$ 5,53. 

“O governo Trump tem utilizado essa reorganização para tentar melhorar a questão industrial americana, buscando trazer empregos industriais de volta, o que exige um Dólar mais enfraquecido”, explicou Valério.

Recorde do Ibovespa

O ano de 2025 também foi marcante para o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, por conta de diversas renovações de recordes.

O Ibovespa passou boa parte do ano em trajetória de alta, renovando recordes históricos e superando os 164 mil pontos pela primeira vez na história, refletindo um mix de fatores que voltaram a colocar o Brasil no radar dos grandes players  globais da economia. O mercado ainda acredita que há espaço para mais altas, por conta do preço baixo da bolsa brasileira.

“A gente tem muito espaço para avançar ainda. Um exemplo é que a bolsa chilena subiu 53% esse ano, contra 30% do Ibovespa”, afirmou Matheus Amaral, especialista em Renda Variável do Inter.

Amaral também reforça que a bolsa brasileira é “descontada” na comparação com os demais países emergentes, ou seja, ela é mais barata e entrega uma taxa maior de lucro, entre 9,5 e 10 vezes.

 

Contas Públicas

Os economistas acreditam que o calcanhar de Aquiles da economia brasileira é o fiscal. Apesar de defender o trabalho do Ministro da Fazenda Fernando Haddad nessa área, Salto afirma que o o déficit primário em 2026 ainda tende a ser relevante e não vê o governo agindo de forma relevante em ano eleitoral.

“Neste final de 2025, o governo correu atrás da aprovação de projetos, como o corte de benefícios tributários, para garantir alguma tranquilidade no ano que vem. Mesmo assim, não será fácil, porque a meta fiscal é bastante ousada para 2026: um superávit de R$ 34,3 bilhões”.

Valério acredita que o vencedor das eleições, qualquer que seja, precisará aprovar um novo arcabouço fiscal para 2027. “O atual modelo é insuficiente para garantir a convergência fiscal a longo prazo”, afirma.