quarta-feira, 15 de julho de 2026

Dólar cai abaixo de R$5,10 e Ibovespa recua mais de 1%

 

O dólar à vista encerrou a terça-feira em queda significativa no Brasil, recuando novamente para abaixo da marca de R$5,10. A desvalorização da moeda norte-americana, tanto no mercado interno quanto global, foi impulsionada por dados de inflação dos Estados Unidos em junho, que se mostraram mais brandos do que o esperado pelos analistas.

O que aconteceu

  • Dólar em queda: A moeda norte-americana fechou abaixo de R$5,10 no Brasil, refletindo a desvalorização global após dados de inflação dos EUA.
  • Inflação dos EUA: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho ficou abaixo das expectativas, com queda de 0,4%, arrefecendo apostas de alta de juros.
  • Repercussão no mercado: A expectativa de juros mais estáveis nos EUA enfraqueceu o dólar frente a outras moedas, embora projeções futuras e tensões geopolíticas ainda gerem incerteza.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 1,12%, cotado a R$5,0739. Essa é a menor cotação de fechamento desde 15 de junho, quando a moeda atingiu R$5,0666. No ano, o dólar norte-americano acumula baixa de 7,56% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para agosto, atualmente o mais líquido no mercado brasileiro, cedia 1,15% na B3, sendo negociado a R$5,1000.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI), principal indicador de inflação nos Estados Unidos, recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do Trabalho. O resultado superou a projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o CPI subiu 3,5%, menos que os 3,8% projetados.

O núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, permaneceu estável em junho e subiu 2,6% na base anual, resultado inferior aos 2,9% anteriores.

Os dados do CPI foram bem recebidos pelos investidores, que reduziram as apostas de que o Federal Reserve (Fed) elevará sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, no fim deste mês. Em reação, o dólar cedeu ante as demais divisas globais, incluindo o real.

“O resultado reduz a expectativa de que o Federal Reserve precise elevar os juros no curto prazo. Com uma inflação mais comportada, diminui também a perspectiva de maiores retornos dos títulos do Tesouro americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente às demais moedas”, avaliou Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da Stonex.

Após marcar a cotação máxima de R$5,1288 (-0,05%) às 9h08, pouco depois da abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0653 (-1,29%) às 12h08, sob influência do CPI, para depois encerrar na faixa dos R$5,07.

“Mas não vejo fatores para o dólar se manter abaixo de R$5,10. O próprio (boletim) Focus continua projetando um dólar a R$5,20 no fim do ano, e o Focus costuma ser otimista”, opinou Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.

Na segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 está em R$5,20 e no final de 2027 em R$5,28.

O cenário geopolítico e seus impactos

No exterior, além dos dados do CPI, os investidores seguiram monitorando o conflito entre Estados Unidos e Irã e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito dos navios de 20% para proteger a hidrovia, afirmando que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança dos EUA como “pirataria”.

Às 17h12, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, caía 0,35%, a 100,920.

No fim da manhã, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.

A bolsa paulista começou a semana pressionada negativamente pelo recrudescimento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que reacendeu preocupações com o transporte de energia no Estreito de Ormuz, fazendo os preços do petróleo dispararem nesta segunda-feira.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,2%, a 175.739,08 pontos, chegando a 175.567,05 pontos na mínima, após marcar 178.153,90 pontos na máxima do dia.

O volume financeiro no pregão somou R$19,59 bilhões.

“O Oriente Médio voltou a ser o fator dominante do dia”, afirmou a coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, Juliana Benvenuto, acrescentando que o Ibovespa refletiu o humor mais cauteloso do mercado externo.

O então presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio ao transporte marítimo do Irã e disse que iriam garantir que o Estreito de Ormuz permanecesse aberto, mediante pagamento.

O bloqueio começaria na terça-feira, de acordo com o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, abrangendo todo o litoral, portos e terminais petrolíferos do Irã, bem como todas as embarcações, independentemente da bandeira. Ele havia sido suspenso em meados de junho.

“O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO”, disse Trump no Truth Social.

“Os EUA…serão reembolsados ​​em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, acrescentou.

A decisão dos EUA veio após nova troca de ataques entre os dois lados no fim de semana, quando o Irã anunciou que fecharia o estreito.

O alto comando militar conjunto iraniano afirmou que os EUA não tinham qualquer papel na definição do futuro da rota de navegação vital e que não teriam permissão para intervir na gestão do estreito.

Preocupações com o fluxo de petróleo na região fizeram as cotações dispararem, com o barril sob o contrato Brent fechando o dia, com salto de 9,59%, a US$83,30, o maior ganho diário em dólares desde 2 de abril e o maior fechamento desde 12 de junho.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 0,79%.

Quais empresas se destacaram no dia?

Destaques corporativos

• PETROBRAS PN avançou 2,55% e PETROBRAS ON subiu 3,44%, endossadas pela alta do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON valorizou-se 3,16% e PETRORECONCAVO ON ganhou 0,78%, mas BRAVA ON caiu 0,74%.

• VALE ON cedeu 1,79%, sofrendo com o aumento da aversão a risco global, em pregão também marcado pela queda dos futuros do minério de ferro na China. Na contramão do setor, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 4,21% e CSN ON subiu 1,16%.

• ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,76%, com o setor como um todo contaminado pelo viés negativo do exterior. O índice do setor financeiro fechou em queda de 1,47%.

• WEG ON caiu 4,56%, com investidores também na expectativa do balanço da companhia na próxima semana. Analistas do Citi esperam um trimestre fraco, com expansão de capacidade ainda pressionando margens.

• MRV&CO ON perdeu 5,39%, após duas altas seguidas, em pregão negativo para construtoras, tendo como pano de fundo o avanço na curva futura de juros seguindo a aversão a risco global. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 2,5%.

 

 https://istoedinheiro.com.br/dolar-cai-abaixo-de-r510-e-ibovespa-recua-mais-de-1

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