terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Chineses compram a Embu, uma das maiores pedreiras do Brasil

 


Pedreira Embu, uma das zonas da Pedreiras Embu

Pedreira Embu (Crédito: Reprodução/Predeiras Embu)

 

A Huaxin Cement — uma companhia chinesa que vale US$ 2,3 bilhões na Bolsa de Xangai — fechou a compra da Embu, uma das maiores pedreiras do Brasil, com capacidade produtiva de 8,8 milhões de toneladas de agregados por ano. A transação sai a US$ 186 milhões, o equivalente a pouco mais de R$ 1 bilhão no câmbio Lula.

A Embu é dona de quatro pedreiras na região metropolitana de São Paulo que produzem pedra britada e areia, usadas essencialmente na construção civil. No ano passado, produziu 6,3 milhões de toneladas e teve um lucro líquido de cerca de R$ 20 milhões.

A maior das quatro pedreiras é a de Itapeti, em Mogi das Cruzes, seguida pela de Embu, em Cotia, e a de Juruaçu, em Perus. Há ainda uma operação em Viracopos, em Itupeva.

Leia a reportagem completa em Brazil Journal.

Lula faz indicações de diretores da ANP e de outras agências reguladoras

 


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

 

SÃO PAULO (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Senado a indicação de Artur Watt Neto, procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU) e especializado em Direito do Petróleo, para o cargo de diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Junto a ele, também foi indicado para cargo de diretor da ANP Pietro Sampaio Mendes, atual secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, que ocupa atualmente a presidência do conselho de administração da Petrobras.

Mendes seguirá como presidente do conselho de administração da Petrobras durante o processo, que envolve aprovação do Senado e posterior nomeação pelo presidente da República, disse a estatal em comunicado.

O governo ainda não apontou um nome para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que está desde maio sem um quinto diretor, uma situação que vem dificultando e atrasando a aprovação de matérias importantes para o setor elétrico. A partir de maio de 2025, mais uma vaga no regulador deverá ser aberta com o fim do mandato de Ricardo Tili.

Outras 15 indicações a cargos de direção de oito agências reguladoras foram feitas pelo presidente, segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto.

Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o presidente encaminhou os nomes de Leandro Pinheiro Safatle, do Ministério da Saúde, para o cargo de diretor-presidente. Para a diretoria do órgão, Lula ainda indicou Daniela Marreco Cerqueira e Diogo Penha Soares.

À Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), foram indicados Alessandro Facure Neves de Salles Soares para o cargo de diretor-presidente, além de Lorena Pozzo e Ailton Fernando Dias para posições na diretoria.

Para a diretoria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o presidente fez a indicação de três nomes: Larissa de Oliveira Rêgo, Cristiane Collet Battiston e Leonardo Góes Silva.

José Fernando de Mendonça Gomes Júnior foi indicado ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Para a mesma posição na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Lula indicou o atual diretor do órgão, Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio.

Já Wadih Nemer Damous Filho, atual chefe da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), foi indicado para diretor-geral da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). E para a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o presidente indicou Patrícia Barcelos.

O presidente Lula trocou as indicações para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), segundo o comunicado. Para a posição de diretor-presidente, retirou a indicação do atual substituto, Tiago Sousa Pereira, para indicar o diretor da Infraero, Tiago Chagas Faierstein, ao cargo de chefia.

Lula também retirou a indicação de Mariana Olivieri Caixeta Altoé para a Anac para enviar desta vez o nome de Rui Chagas Mesquita.

(Por Letícia Fucuchima e Roberto Samora)

Dólar ultrapassa R$ 6,15 com ata do Copom e receio com cenário fiscal no foco

 


Nota de dólar

O dólar à vista subia mais de 1% frente ao real nesta terça-feira, com os receios do mercado sobre o cenário fiscal mais uma vez se sobrepondo ao impulso positivo de um leilão de dólares à vista realizado pelo Banco Central, enquanto investidores ainda digeriam a ata da mais recente reunião do Copom.

Às 10h16, o dólar à vista subia 1,08%, a R$ 6,158 na venda. Na máxima do dia até o momento chegou a R$ 6,169. Veja cotações.

Na segunda-feira, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,04%, cotado a 6,092 reais — o maior valor nominal de fechamento da história.

O Banco Central divulgou antes da abertura a ata da reunião de política monetária da semana passada, em que os membros decidiram acelerar o ritmo de aperto dos juros ao elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 12,25% ao ano, e sinalizar mais dois aumentos da mesma magnitude no próximo ano.

No documento publicado nesta terça, o BC disse que observa uma deterioração em componentes que afetam a política de juros, como câmbio, inflação corrente e expectativas de mercado, vendo os impulsos fiscal e de crédito no país como elementos que estão contribuindo para uma redução do efeito do aperto monetário.

A ata ainda reforçou a mensagem de que a percepção dos agentes econômicos sobre o recente anúncio fiscal do governo afetou de forma relevante os preços de ativos e as expectativas de mercado, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio.

“Acho que ficou clara, mais uma vez, a transmissão de um ‘recado’ do BC ao governo, dizendo que as políticas devem ser previsíveis e anticíclicas, além de uma crítica velada a política de gastos públicos”, disse Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

O cenário fiscal era justamente o foco do pessimismo dos investidores nesta sessão, com eles temendo a possibilidade de o governo não conseguir a aprovação de suas medidas de contenção de gastos até o fim do ano, uma vez que os parlamentares têm até sexta-feira para votá-las devido ao recesso.

Entre os principais obstáculos na tramitação do pacote fiscal estão a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva das articulações, à medida que se recupera de uma cirurgia em São Paulo, e a questão do pagamento de emendas parlamentares, com investidores apostando que ambos devem travar as medidas.

“Atualmente, o que fortalece tendência de valorização da moeda norte-americana frente ao real é a grande expectativa do mercado para a votação do pacote de corte de gastos”, disse João Duarte, sócio da One Investimentos.

“A agenda da semana será apertada devido ao recesso parlamentar… Apesar do compromisso firmado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, não temos garantias da concretização da votação”, completou.

Na curva de juros brasileira, as taxas futuras estavam sem direção única, com as taxas de alguns contratos de longo prazo recuando, em ajuste sobre as fortes altas acumuladas em sessões recentes.

Nova intervenção do BC

Em um determinado momento, a alta do dólar desacelerou de forma acentuada, com a divisa devolvendo a maior parte dos ganhos na esteira da realização de um novo leilão à vista pelo Banco Central, a terceira sessão consecutiva com uma operação desse tipo e o quarto dia de intervenção no câmbio.

A autarquia vendeu 1,272 bilhão de dólares à vista, aceitando sete propostas com uma taxa de 6,1005 reais por dólar, em leilão realizado entre às 9h36 e 9h41.

Logo após o leilão, o dólar atingiu a mínima da sessão, a 6,0964 reais (+0,07%), mas voltou a acelerar minutos depois.

No cenário externo, os mercados aguardam a decisão do Federal Reserve na quarta-feira, em que se espera amplamente uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros. O foco será a divulgação das projeções das autoridades para os movimentos do próximo ano.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,15%, a 106,950.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Prioridade absoluta é começar discussão da reforma tributária na Câmara, diz Padilha

 Este é Alexandre Padilha - 12/12/2022 - Monica Bergamo ...


O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que a “prioridade absoluta” do governo é começar a discussão da reforma tributária na Câmara dos Deputados, após as alterações feitas pelo Senado no projeto de regulamentação. “Sempre apostamos que era possível Senado concluir a votação da reforma. A expectativa é de que possamos votar o projeto ainda esta semana na Câmara”, falou o ministro.

Ele conversou com jornalistas após visitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua residência em São Paulo, onde o chefe do executivo está se recuperando após passar por procedimentos médicos para drenagem de um sangramento intracraniano e prevenção de novos sangramentos. Rui Costa também estava no encontro em São Paulo, mas não falou com a imprensa.

De acordo com Padilha, os ministros ainda discutiram com Lula o balanço das votações da reforma tributária e do projeto de lei que cria o mercado regulado de carbono no Brasil, sancionado no último dia 12.

Marco fiscal

O ministro das Relações Institucionais disse que o projeto de lei que consolida alterações no marco fiscal é a segunda prioridade do governo para esta semana e que o assunto foi discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro realizado nesta tarde. Padilha visitou Lula em sua residência em São Paulo, juntamente com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que não falou com a imprensa.

“Falei sobre relatores do projeto que consolida o marco fiscal, segunda prioridade desta semana”, afirmou Padilha. A primeira, segundo ele, é a reforma tributária.

O ministro disse que, retornando de São Paulo, a equipe trabalhará “intensamente” com “confiança de que é possível terminar esta semana o pacote fiscal”. Ele retorna ainda hoje para Brasília.

Além da reforma tributária e do pacote fiscal, Padilha falou que pretende enviar ainda esta semana o projeto de lei dos militares.

Petrobras usará tecnologia da Nasa para monitorar ecossistema da Foz do Amazonas

 


Petrobras

Indígenas Karipuna brincam em aldeia na região da Foz do Amazonas (Crédito: REUTERS/Adriano Machado)

A Petrobras utilizará tecnologia da Nasa para monitorar por satélite o ambiente marinho e costeiro da Margem Equatorial, no trecho Amapá-Pará-Maranhão, onde está situada a Bacia da Foz do Amazonas, informou a petroleira em comunicado à imprensa nesta segunda-feira.

Para isso, a companhia foi aceita para participar de um projeto conjunto da agência espacial americana e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial para desenvolvimento e lançamento, em 2025, de um sistema de coleta de imagens por satélite de observação da Terra.

O anúncio ocorre enquanto a petroleira vem batalhando para obter um licenciamento do órgão ambiental federal Ibama para perfurar em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá.

Dentre as dificuldades para avançar no licenciamento, há discussões sobre uma falta de conhecimento amplo sobre o comportamento das marés na região e como seria ter que lidar com um eventual derramamento de petróleo.

Uma utilização adicional dos dados da Missão NISAR, segundo a petroleira, diz respeito à detecção de manchas de óleo na superfície do mar, tanto de origem natural (exsudações) como antrópica (derrames).

A Margem Equatorial brasileira, uma ampla área que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, tem grande potencial para se tornar uma nova fronteira de produção de petróleo, mas reúne enormes desafios socioambientais.

Para participar do projeto, a Petrobras foi aceita no programa de Early Adopters (primeiros usuários) da missão NISAR (Nasa-ISRO Synthetic Aperture Radar).

As imagens que serão coletadas por satélite serão utilizadas pela petroleira no projeto Observatório Geoquímico Ambiental da Margem Equatorial Brasileira (ObMEQ), com início previsto para o próximo ano.

“Há interesses científicos convergentes entre as iniciativas NISAR e ObMEQ, razão pela qual foi estabelecida uma cooperação formal do Cenpes (centro de pesquisas da Petrobras) com a missão espacial”, disse em nota a diretora de engenharia Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi.

“Tal colaboração será muito importante para a obtenção do conhecimento científico necessário para o monitoramento ambiental sistemático da zona costeira de manguezais ao longo da Margem Equatorial.”

O ObMEQ é um dos 13 projetos de sustentabilidade e meio ambiente do Cenpes para a Margem Equatorial, os quais são desenvolvidos em rede por diversas instituições, com envolvimento de universidades e outros grupos da região.

A Petrobras destacou que a iniciativa medirá padrões de mudanças nos ecossistemas, superfícies e massas de gelo da Terra, fornecendo informações sobre biomassa, riscos naturais, aumento do nível do mar e águas subterrâneas. Também será dada atenção especial aos manguezais, ecossistema costeiro importante no contexto das alterações climáticas.

A tecnologia utilizada permitirá o mapeamento periódico de alterações como erosão e deposição de sedimentos na costa, correntes oceânicas, velocidades do vento, localização dos navios e até sinais de petróleo nas águas, destacou a petroleira.

O projeto fornecerá ainda a configuração sempre atualizada do litoral da Margem Equatorial, disponível para utilização pelas diversas áreas da Petrobras, órgãos ambientais e sociedade, de acordo com as respectivas necessidades.

 

(Por Marta Nogueira)

Portugal fecha mega contrato de €200 milhões para adquirir 12 caças brasileiros A-29N Super Tucano

 


Investimento contempla 12 aviões, simuladores e suporte logístico, além de incentivar inovação tecnológica.

Visando fortalecer sua capacidade de defesa e garantir a segurança nacional, Portugal anunciou um investimento de 200 milhões de euros na aquisição de 12 aeronaves A-29N Super Tucano, fabricadas pela brasileira Embraer. O contrato inclui também simuladores de voo e serviços de sustentação logística, com o objetivo de modernizar as forças armadas do país e integrar sua frota aos padrões da OTAN, segundo informações divulgadas pelo site Poder Aéreo.

O projeto contará com uma forte participação da indústria portuguesa, que será responsável por áreas tecnológicas avançadas, incluindo a reconfiguração das aeronaves para atender às especificações da aliança militar. Essa parceria é vista como uma oportunidade de impulsionar o setor de defesa e inovação em Portugal.

Projeto integra indústria nacional e alinha a frota militar aos padrões da OTAN. (Foto: Reprodução/Cavok)

A decisão foi oficializada por meio de uma resolução do governo português e destaca o fortalecimento das relações com a Embraer, uma referência global na fabricação de aeronaves, além de consolidar o país no uso de tecnologia militar de ponta.

Alemanha inicia contagem regressiva para fim da era Scholz

 

Veja perfil de Olaf Scholz, novo chanceler da Alemanha ...


Chanceler federal perde voto de confiança no Parlamento, abrindo caminho para eleições antecipadas em fevereiro. Pesquisas apontam conservadores como favoritos para liderar novo governo. Ultradireita pode dobrar bancada.O governo do chanceler federal Olaf Scholz perdeu na tarde desta segunda-feira (16/12) a votação de uma moção de confiança no Parlamento da Alemanha (Bundestag). O resultado abre caminho para a dissolução da atual legislatura e a convocação de eleições federais antecipadas, que devem ocorrer em 23 de fevereiro, além de marcar o fim da era Scholz, após pouco mais de três anos de governo.

Ao todo, 394 dos 735 dos deputados do Bundestag votaram contra o governo. Outros 116 se abstiveram. Apenas 207 votaram pela manutenção do governo.

O resultado desta segunda-feira já era esperado. Scholz havia oficializado a convocação da votação no Bundestag na semana passada, após semanas de turbulência política na esteira do colapso da sua coalizão, que efetivamente relegou o chanceler federal a uma posição de líder de um governo de minoria, travando a aprovação de projetos e leis.

Agora, com eleições à vista em fevereiro, a expectativa, segundo pesquisas, é que os conservadores da União Democrata Cristã (CDU), que governaram com Angela Merkel entre 2005 e 2021, voltem a liderar o próximo governo da Alemanha. No entanto, a governabilidade para os conservadores ainda será uma incógnita, já que as pesquisas mostram que eles também vão depender de negociações para a formalização de uma coalizão, um processo que pode se arrastar.

Até lá, Scholz deve permanecer no posto interinamente. Mas, caso a vitória conservadora no próximo pleito seja confirmada, Scholz, com menos de quatro anos de governo, terá se tornado o chanceler federal menos longevo da Alemanha desde a reunificação do país, em 1990. Para piorar, as pesquisas apontam que o Partido Social Democrata (SPD) de Scholz arrisca encolher nas próximas eleições.

Fim prematuro da era Scholz

O social-democrata Scholz chegou ao poder em dezembro de 2021, na esteira de 16 anos de governo da ex-chanceler conservadora Angela Merkel. Na eleição parlamentar daquele ano nenhum partido efetivamente havia conseguido formar isoladamente maioria no Parlamento. Scholz acabou costurando uma inédita – pelo menos desde a reunificação – e complicada tríplice coalizão para governar a Alemanha, formada pelo seu SPD, os Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão). Ao todo, a coalizão assegurou 415 das 735 cadeiras da legislatura.

Apesar de a tríplice coalizão assegurar maioria no Bundestag, o governo sempre se viu em dificuldades nesses três anos. Além de crises externas, como a pandemia e a eclosão da guerra na Ucrânia, e do persistente declínio econômico, a própria coalizão sofreu com disputas internas. Não foi raro que social-democratas, verdes e liberais não chegassem a acordos, tanto para tapar buracos no Orçamento quanto para elaborar políticas públicas cruciais para revigorar a combalida economia alemã, que deve sofrer uma retração neste ano.

O governo Scholz também sofria com persistente impopularidade. Em novembro, tinha 14% de aprovação, cinco pontos percentuais a menos que no início de outubro. Os que desaprovam ou estavam pouco satisfeitos com o governo somavam 85%.

O gatilho para o colapso da coalizão partiu dos liberais, parceiros menores da coalizão. No início de novembro, o FDP saiu ruidosamente do governo. Na ocasião, Scholz e o líder dos liberais, Christian Lindner, que ocupava o cargo de ministro das Finanças, trocaram acusações em público.

Num pronunciamento televisivo, Scholz disse que Lindner havia quebrado sua confiança e o acusou de só pensar em sua sobrevivência política. O rompimento efetivamente selou o fim da tríplice aliança partidária apelidada de “semáforo”, em referência às cores dos partidos que a integravam. Dessa forma, o governo Scholz, agora reduzido ao SPD e os Verdes, perdeu o apoio dos 90 deputados do FDP, tornando-se incapaz de assegurar uma maioria. Só restou a Scholz abrir caminho para a convocação de novas eleições.

Debates pré-votação em modo eleitoral marcados por trocas de acusações

Antes da votação nesta segunda-feira, líderes dos principais partidos – e consequentemente pré-candidatos à chancelaria – trocaram acusações sobre os atuais problemas da Alemanha, tanto na política quanto na economia, transformando a sessão num ato de campanha.

Em seu discurso, Scholz tentou defender seu legado, mas voltou a criticar seu ex-aliado Lindner. “A política não é um jogo”, disse ele, culpando o líder do FDP pelo colapso da coalizão, e acusando-o de “sabotar seu próprio governo” e “não só prejudicar a imagem de um governo, mas também da própria democracia”.

Lindner, por sua vez, disse que Olaf Scholz “mostrou mais uma vez hoje que não tem força para promover mudanças cruciais” na Alemanha.

O líder da CDU, Friedrich Merz, favorito para ser o próximo chanceler federal, aproveitou o microfone para acusar Scholz de “hipocrisia”. “O chanceler falou muito sobre respeito, mas parece que o respeito para ele termina onde começam outras opiniões políticas”, disse Merz, que ainda acusou o governo de não conseguir reagir à inflação recorde e à crise econômica. “O senhor envergonhou a Alemanha” diante da UE e de outros aliados, disse Merz.

Já o líder dos Verdes, Robert Habeck, que ainda é aliado de Scholz, criticou os governos anteriores, especialmente os liderados pela CDU de Merz. Ele afirmou que o atual governo Scholz “herdou um legado pesado” e que a Alemanha não experimenta crescimento real desde 2018, ou seja, antes do atual governo. Habeck ainda criticou Angela Merkel, afirmando que decisões da ex-chanceler levaram a Alemanha a ficar excessivamente dependente de gás russo.

Alice Weidel, colíder da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), aproveitou o debate para criticar Sholz, Merz e Habeck. Ela culpou o atual governo pelo declínio da indústria e disse que os verdes e social-democratas “inundaram o país com imigrantes”. Weidel ainda disse que uma eventual ascensão de Merz poderia arriscar “uma terceira guerra mundial” por causa das posições do conservador, que é favorável a permitir que a Ucrânia use armas alemãs contra alvo em território russo.

Por fim, a deputada Sahra Wagenknecht, que lidera o partido populista de esquerda e neófito BSW, falou de um “fim inglório” de um governo que, segundo ela, “piorou visivelmente a vida das pessoas”. “Três anos de declínio para o nosso país, e o senhor [Scholz] está pedindo uma prorrogação de quatro anos”, disse Wagenknecht.

Próximos passos

As regras constitucionais alemãs são bastante rígidas para impedir instabilidade no Parlamento, de forma a evitar o risco da formação de governos instáveis e de curta duração, como ocorreu nos anos que precederam a ascensão dos nazistas ao poder na década de 1930.

Pelas regras atuais, as legislaturas não têm poder para decretar uma dissolução. Isso só é feito com a convocação de um voto de confiança no governo. Em caso de derrota, o chanceler federal então pode propor ao presidente federal que o Parlamento seja dissolvido e que novas eleições sejam convocadas.

Após a formação da República Federal, em 1949, ocorreram apenas cinco votos de confiança no Parlamento, sendo que apenas dois após a reunificação, em 1990. E apenas dois deles resultaram numa mudança completa de governo após novas eleições.

Antes mesmo da finalização da votação desta segunda, o atual presidente federal, Frank-Walter Steinmeier, já sinalizou que pretende acatar o pedido para a dissolução.

Pelo cronograma, ele tem 21 dias para fazê-lo, contando a partir de 16 de dezembro de 2024. Porém, a maior parte das bancadas partidárias, após muito debate, concordou que a nova eleição ocorra em 23 de fevereiro de 2025. Para que assim seja, o presidente não deverá anunciar sua decisão antes de 23 de dezembro, pois a eleição deve, segundo a legislação, ocorrer dentro do prazo de 60 dias após o anúncio.

Prognósticos para a eleição

Após o presidente oficializar a convocação de novas eleições, a campanha eleitoral vai começar oficialmente na Alemanha, embora os partidos já estejam em modo eleitoral desde o rompimento da coalizão de governo de Scholz.

No momento, as pesquisas apontam que a conservadora União Democrata Cristã (CDU) aparece à frente, com entre 30% e 31% das intenções de voto. A sigla é liderada atualmente por Friedrich Merz, um antigo rival da ex-chanceler Angela Merkel entre os conservadores e que tem redirecionado a CDU mais para a direita. Ele é o favorito para se tornar o próximo chanceler federal da Alemanha, mas, pelas pesquisas, terá que formar alianças para alcançar uma maioria no Bundestag.

Já o SPD aparece com entre 15% e 17% das intenções de voto e deve encolher significativamente na próxima eleição, salvo uma reviravolta. Na última eleição, em 2021, o partido havia obtido a maior porcentagem de votos: 25,7%, destronando a CDU da sua longa hegemonia de 16 anos. No momento, Scholz aposta suas fichas em uma recuperação do SPD nos próximos dois meses, conforme a campanha eleitoral avançar, mas poucos no meio político acreditam que ele seja capaz de protagonizar uma reviravolta política e conseguir manter o SPD no comando do governo.

Mas, mesmo com a saída de Scholz, o partido ainda pode vir a excercer influência num próximo governo liderado pela CDU, já que é praticamente certo que Merz seja obrigado a costurar uma coalizão. O papel de parceiro menor da CDU não é estranho para o SPD. Os social-democratas foram aliados da CDU durante 12 dos 16 anos de Merkel no poder. O próprio Scholz foi vice-chanceler da conservadora entre 2018 e 2021.

O cenário de encolhimento também é esperado pelos Verdes, parceiros remanescentes de Scholz no governo. Já para os liberais do FDP, a próxima eleição deve ser um teste de sobrevivência. Após conseguir 11% dos votos no pleito de 2021, o partido, que foi pivô do colapso da coalizão de Scholz, agora arrisca ficar abaixo da cláusula de barreira de 5% para garantir uma bancada no Parlamento.

Enquanto siglas tradicionais como o SPD e FDP penam nas pesquisas, a próxima eleição deve marcar mais uma vez a ascensão constante de siglas antissistema no Bundestag.

Segundo levantamentos, a ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem pouco mais de uma década de existência, aparece com chances de dobrar sua atual bancada de 83 deputados no Parlamento e sair da eleição de 2025 como o segundo maior partido, apenas atrás da CDU. No entanto, esse aumento entre o eleitorado não deve se traduzir necessariamente em poder para a AfD, já que todos os partidos tradicionais já avisaram que não pretendem se aliar com a sigla para formar um novo governo. Tal cenário já é constante para a AfD em eleições estaduais, nas quais o partido não conseguiu integrar governos locais mesmo quando foi o mais votado.

O pleito também vai marcar a estreia em eleições federais da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW, na sigla em alemão), uma legenda populista de esquerda formada neste ano e que leva o nome da sua fundadora, e que agrega posições socialmente conservadoras. Pelas pesquisas, a BSW aparece com chances de conseguir 8% dos votos, tomando o lugar do partido Die Linke (A Esquerda) no Bundestag. Originalmente, Sahra Wagenknecht era membro da Linke, mas rompeu com o partido no início do ano. Agora, seus velhos aliados arriscam ficar abaixo da cláusula de barreira de 5%.