terça-feira, 11 de março de 2025

Brasil tenta ampliar cota de exportação de açúcar aos EUA em tratativa sobre tarifa do etanol

 

O governo brasileiro colocou na mesa de negociação com os Estados Unidos a possibilidade de ampliar a cota de exportação de açúcar para o país norte-americano sem incidência de imposto, com o objetivo de minimizar danos ao setor diante da chance de implementação de tarifa adicional sobre o etanol, disseram à Reuters duas fontes a par das tratativas.

A busca pelo aumento da cota para o açúcar é um pleito histórico do setor e já havia sido proposto sem sucesso em anos anteriores, mas o governo decidiu fazer uma nova tentativa após a abertura de rodadas de negociação nas últimas semanas, segundo as fontes.

Após assumir a presidência dos EUA, Donald Trump passou a propor elevações de tarifas para a importação de produtos. Em fevereiro, ao anunciar cobranças recíprocas contra países que taxam os Estados Unidos, a Casa Branca mencionou o etanol brasileiro como possível alvo. A medida ainda não foi implementada, mas pode vir em um novo pacote de taxações que o governo norte-americano promete para 2 de abril.

O Brasil tem hoje uma cota de cerca de 147 mil toneladas de açúcar que pode ser exportado para os EUA sem incidência de imposto de importação. O restante é taxado por tonelada, o que resulta em cobranças médias que ficam em torno de 80%.

Açúcar como contrapartida nas negociações

Apesar da tarifa extracota, a exportação de açúcar do Brasil para os Estados Unidos não foi desprezível em 2024, somando 1,1 milhão de toneladas, de um total de 38,2 milhões embarcadas para todos os destinos, segundo dados governo brasileiro.

De acordo com as fontes, a ampliação da cota permitiria que produtores brasileiros reorientassem suas cadeias para ampliar a fabricação de açúcar em caso de uma eventual redução de demanda de etanol com a taxação do combustível pelos norte-americanos.

Os primeiros contatos para discutir as questões tarifárias foram feitos na semana passada, entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de comércio norte-americano, Howard Lutnick, e em seguida entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer.

Depois dessas conversas, ficou acertado que grupos técnicos devem começar um diálogo para tratar das questões tarifárias. A expectativa do governo brasileiro é de inserir novos produtos e pautas de interesse do país na mesa de negociação.

Em entrevista à rádio CBN na terça-feira, Alckmin reconheceu que a tarifa imposta sobre o etanol pelo Brasil, de 18%, é maior que a dos EUA, de 2,5%, mas ponderou que é necessário avaliar em conjunto com o açúcar, citando cobrança elevada pelos norte-americanos para o volume que ultrapassa a “pequena cota”.

Quando a possibilidade de ampliar a taxação do etanol foi citada pela Casa Branca em fevereiro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que para ter um plano “justo e recíproco” seria necessário zerar as alíquotas de importação para o açúcar brasileiro, já que os dois países sempre negociaram açúcar e etanol de forma conjugada.

“A medida adotada pelo presidente Trump é desarrazoada, uma vez que não se fala em contrapartida na ampliação da exportação de açúcar brasileiro para os norte-americanos”, afirmou em nota na ocasião.

A discussão sobre inclusão do açúcar nas negociações para evitar uma tarifa maior para o etanol brasileiro nos EUA, contudo, acontece em um momento em que o Brasil tem uma produção crescente do combustível produzido a partir do milho, mesma matéria-prima utilizada pelos norte-americanos.

Com vários projetos em desenvolvimento ou em construção, a produção anual de etanol de milho do Brasil deverá quase dobrar para cerca de 16 bilhões de litros até 2032, afirmou o banco de investimentos Citi em uma nota publicada nesta terça-feira, citando a rápida expansão do setor.

As exportações de etanol do Brasil para os EUA no ano passado somaram 310 milhões de litros, de um total de 1,9 bilhão de litros exportados para todos os destinos, segundo dados publicados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Já as importações totalizaram 192 milhões de litros em 2024, sendo 110 milhões vindo dos EUA.

Uma das fontes do governo acrescentou que também será feita uma tentativa de ampliar a cota de exportação de carne para os Estados Unidos, em pauta não ligada diretamente ao etanol, mas que atenderia ao agronegócio brasileiro.

Stellantis anuncia contratação de 400 engenheiros para desenvolvimento de carros híbridos

 

A Stellantis anunciou a contratação de 400 engenheiros para o centro dedicado ao desenvolvimento de carros híbridos, cuja inauguração acontece nesta quinta-feira, 11, em Betim (MG). Participam do evento o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Em discurso na solenidade de inauguração do centro de desenvolvimento, o presidente do conselho (chairman) da montadora, John Elkann, ressaltou o compromisso do grupo com o Brasil, onde a Stellantis planeja investir R$ 30 bilhões até 2030.

“O Brasil ocupa um lugar cada vez mais importante no conjunto dos negócios globais da Stellantis. Nossa empresa deu início neste ano a um novo ciclo de investimentos de R$ 30 bilhões aqui no Brasil, que vai estender até 2030. Esse é o maior volume de investimento na história da Stellantis no País e vai impulsionar a inovação tecnológica, a transição energética de nossos veículos em uma nova era de mobilidade. O Brasil nos inspira muito a buscar novas soluções tecnológicas”, declarou Elkann em discurso feito em português. Na infância, o empresário viveu quatro anos no Brasil e disse que estudou e aprendeu a admirar a cultura brasileira no período.

Já o presidente da Stellantis para a América do Sul, Emanuele Cappellano, destacou em sua fala a aprovação da reforma tributária, que renovou incentivos tributários dados a montadoras com fábricas no Nordeste – caso da Stellantis, que produz automóveis em Pernambuco.

Além da contração de 400 engenheiros para reforçar o centro de desenvolvimento de tecnologia, Cappellano lembrou, conforme anunciado em janeiro, que a montadora está contratando 1,5 mil funcionários para reforçar sua capacidade de produção no Brasil. São 1,2 mil vagas no polo automotivo de Betim, onde são montados carros da Fiat, e 300 na fábrica da Citroën em Porto Real, no sul do Rio de Janeiro.

*O repórter viajou a convite da Stellantis

Gás natural pode ajudar a integrar a América Latina, diz CEO da Petrobras

 

O gás natural pode ajudar a integrar a América Latina, em um cenário onde há crescimento de produção na Argentina e continuação das vendas da Bolívia ao Brasil, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, nesta terça-feira, 11, ao participar da conferência CERAWeek, em Houston.

A fala vem após a diretora de exploração e produção, Sylvia dos Anjos, ter dito no mesmo evento que a Petrobras analisa oportunidades potenciais na Argentina, enquanto avança em projetos na Colômbia e na África.

O gás da região de Vaca Muerta seria interessante para a Petrobras, já que um gasoduto que conecta Argentina, Bolívia e Brasil poderia ser usado para transportá-lo, afirmou a executiva, nos bastidores da conferência em Houston.

Ela acrescentou que a empresa também poderia procurar oportunidades de petróleo na Argentina, já que a Petrobras busca ativamente reabastecer suas reservas de petróleo e enfrenta dificuldades para obter licenças ambientais para perfurar em novas fronteiras no Brasil.

Na Colômbia, a empresa está atualmente elaborando o plano de desenvolvimento de um projeto marítimo onde foram descobertos 6 trilhões de pés cúbicos de gás, enquanto aguarda uma licença do governo.

Cerca de 13 milhões de metros cúbicos por dia de gás do projeto seriam fornecidos à Colômbia por meio de um gasoduto, disse Anjos.

Na África, a empresa espera que poços exploratórios sejam perfurados entre julho e agosto em um bloco no qual tem participação em São Tomé e Príncipe. Outra área na África do Sul deve ser perfurada no segundo semestre, acrescentou a executiva.

INB contrata empresa da Rosatom para converter e enriquecer urânio extraído na Bahia

 

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) assinou contrato com a Internexco GmbH, do grupo russo Rosatom, para a exportação de até 275 mil kg de concentrado de urânio (U308) produzidos na Unidade de Concentração de Urânio em Caetité, na Bahia. O volume passará por duas etapas de beneficiamento no exterior: conversão e enriquecimento.

Para a contratação foi realizada uma licitação internacional, que tinha como critério de julgamento o melhor preço global, respeitando os pré-requisitos técnicos que garantam o pleno atendimento das necessidades da INB, informou a estatal.

O produto final beneficiado será devolvido, até dezembro de 2027, na forma de UF6 enriquecido a 4,25%, e será utilizado na fabricação do combustível nuclear, que abastece as unidades da central nuclear de Angra dos Reis.

O urânio será transportado de Salvador, na Bahia, para a Rússia, e, segundo o presidente da INB, Adauto Seixas, já está em andamento o planejamento logístico das operações terrestres no Brasil, a contratação do transporte marítimo internacional e o licenciamento da exportação.

“A INB tem planos para aumentar a frequência destas contratações mediante futuras licitações internacionais, seguindo a bem sucedida retomada da produção de urânio em Caetité”, disse Seixas em nota nesta terça-feira, 11.

A conversão é a única etapa do ciclo do combustível nuclear que a INB não realiza, e consiste na transformação do yellow cake em hexafluoreto de urânio (UF6), um sal que tem como propriedade passar para o estado gasoso em baixas temperaturas.

Na forma de gás é realizada a etapa de enriquecimento. A Usina de Enriquecimento da INB está sendo implantada em etapas na Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende/RJ, e atualmente tem a capacidade de produzir 70% da quantidade média anual de urânio enriquecido necessária para abastecer Angra 1.

Após projetos na Colômbia e na África, Petrobras vê oportunidades de exploração de gás na Argentina

 

A Petrobras está analisando oportunidades potenciais na Argentina, enquanto avança em projetos na Colômbia e na África, disse a diretora de exploração e produção Sylvia dos Anjos nesta terça-feira, 11.

O gás da região de Vaca Muerta seria interessante para a Petrobras, já que um gasoduto que conecta Argentina, Bolívia e Brasil poderia ser usado para transportá-lo, afirmou a executiva, nos bastidores da conferência CERAWeek, em Houston.

Ela acrescentou que a empresa também poderia procurar oportunidades de petróleo na Argentina, já que a Petrobras busca ativamente reabastecer suas reservas de petróleo e enfrenta dificuldades para obter licenças ambientais para perfurar em novas fronteiras no Brasil.

Na Colômbia, a empresa está atualmente elaborando o plano de desenvolvimento de um projeto marítimo onde foram descobertos 6 trilhões de pés cúbicos de gás, enquanto aguarda uma licença do governo.

Cerca de 13 milhões de metros cúbicos por dia de gás do projeto seriam fornecidos à Colômbia por meio de um gasoduto, disse Anjos.

Na África, a empresa espera que poços exploratórios sejam perfurados entre julho e agosto em um bloco no qual tem participação em São Tomé e Príncipe. Outra área na África do Sul deve ser perfurada no segundo semestre, acrescentou a executiva.

PlatôBR: Como a tensão na economia dos EUA afeta a inflação no Brasil

Cada vez que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça tarifar parceiros comerciais e os países sinalizam retaliação aos americanos, uma perna importante da estratégia do governo brasileiro para reduzir a inflação dos alimentos em 2025 fica fragilizada. A volatilidade da cotação do dólar afeta diretamente o preço de insumos para agricultura, como fertilizantes, e encarece a comida no Brasil.

Depois da taxa de câmbio ter batido R$ 6,30 no final de 2024, para os preços caírem este ano o governo conta com um recuo da cotação da moeda estrangeira que, no início do ano passado, estava mais perto dos R$ 5 e, no final, rompeu a barreira dos R$ 6. Esse valor, segundo análise de técnicos da equipe econômica, não traduz a realidade dos indicadores do Brasil, mas um momento de estresse.

Embora o governo aposte que o estresse será menor neste ano, o ambiente permanece tensionado com as ameaças e intimidações de Trump de iniciar uma guerra comercial. Isso se reflete na cotação do dólar, o principal canal de contágio da economia brasileira pela volatilidade externa. Além da cotação do dólar, o governo brasileiro conta com um recorde da safra atual, com menos impacto de eventos climáticos, para obter uma oferta maior de produtos este ano.

Volatilidade financeira

A semana começou refletindo tensão nos mercados financeiros. Em entrevista, Trump deu sinais de que a economia americana pode entrar em recessão. São crescentes as especulações nesse sentido, pois as taxações de produtos de outras economias, como o Canadá, por exemplo, foram acompanhadas de anúncios de retaliação aos Estados Unidos.

As medidas ainda não entraram em vigor, mas os analistas já fazem as contas. Os Estados Unidos não têm como abastecer sozinho o seu próprio mercado. Com isso, a política de tarifaços de Trump vai encarecer produtos no mercado interno, pressionando a inflação, que, por sua vez, reduz o poder de compra. Resultado: mais inflação e menos crescimento.

Menos crescimento nos Estados Unidos geram impacto no resto do mundo, especialmente porque, na atual conjuntura, ele se soma à alta generalizada dos preços americanos e à expectativa de alta dos juros por parte do FED, o banco central de lá. Diante dessas possibilidades, a cotação do dólar no Brasil subiu e a bolsa de valores, caiu.

Fora a volatilidade já instalada nos mercados diante da ameaça de uma guerra comercial, a estratégia econômica do governo americano de acuar parte do mundo tem efeitos ainda não mensurados caso seja implementada, pois dependerá da reação dos países atingidos.

No caso do Brasil, a taxação do aço e do alumínio pelo governo Trump está prevista para entrar em vigor nesta quarta-feira, 12. O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, negocia com representantes do governo americano alternativas que amenizem o impacto para a indústria brasileira.

Leia mais em PlatôBR.

 

segunda-feira, 10 de março de 2025

Dólar vai a R$ 5,86 em meio a receios com economia dos EUA; Ibovespa recua

 

O dólar intensificou a na reta final da sessão desta segunda-feira, 10, após rondar a estabilidade frente ao real ao longo da manhã. Investidores demonstram aversão ao risco diante dos temores de que a economia dos Estados Unidos esteja desacelerando, um cenário que poderia piorar mais com a implementação de tarifas.

Às 16h45, o dólar à vista subia 1,34%, a R$ 5,86 na venda.

Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,51%, a R$ 5,7892, mas acumulou baixa semanal de 2,15%.

Neste pregão, os mercados globais acirravam as preocupações com a economia norte-americana, na esteira de dados e resultados de pesquisas recentes que vieram mais fracos do que o esperado e de maiores incertezas sobre os planos tarifários — e seus impactos — do presidente dos EUA, Donald Trump.

Na sexta-feira, o relatório de emprego de fevereiro já havia acendido um alerta entre investidores, com os EUA registrando a criação de 151.000 postos de trabalho no mês passado, de 125.000 vagas em janeiro, em dado revisado para baixo. Em pesquisa da Reuters, havia previsão de abertura de 160.000 empregos.

Os agentes financeiros também vinham demonstrando pessimismo com várias pesquisas recentes que relataram uma deterioração da confiança e das perspectivas econômicas de consumidores e empresários, em meio às crescentes tensões comerciais provocadas pelas ameaças tarifárias de Trump.

Mas foram comentários de Trump no fim de semana que confirmaram de vez o pessimismo dos mercados, gerando a aversão ao risco observada nesta sessão.

Em entrevista concedida à Fox News, que foi ao ar no domingo, Trump se recusou a prever se os EUA podem passar por uma recessão devido ao impacto de suas prometidas tarifas sobre Canadá, México e China.

Ele também afirmou que o país passará por um “período de transição” devido às ações que seu governo está tomando, mas disse acreditar que as consequências serão positivas no final.

A demonstração de incerteza pelo próprio presidente em relação aos impactos de suas medidas comerciais agitava os mercados nesta segunda, com investidores temendo o pior pela economia norte-americana caso tarifas sejam amplamente aplicadas em meio a uma atividade econômica em desaceleração.

Com isso, o dólar disparava ante o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno.

As moedas emergentes e os ativos de risco em geral estão sendo liquidados diante da possibilidade de recessão nos EUA. Junto à fragilidade das questões domésticas, o real se destaca como uma das alternativas mais vulneráveis em períodos de estresse”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,31%, a 103,990.

Agentes financeiros ainda demonstram cautela ao tentar projetar os próximos passos do Federal Reserve em seu ciclo de afrouxamento monetário.

Na sexta-feira, em discurso em uma conferência, o chair do Fed, Jerome Powell, disse que o banco central será cauteloso para ter certeza de que sabe o que está acontecendo no país, sem necessidade de apressar qualquer corte nos juros.

Operadores continuam apostando em três cortes na taxa de juros pelo Fed neste ano, com a retomada das reduções prevista para junho.

Já no cenário doméstico, a preocupação do mercado continua sendo a trajetória das contas públicas, com investidores receosos sobre quais medidas o governo pode adotar para reduzir a inflação dos alimentos e responder à queda recente de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O governo anunciou na semana passada que vai zerar a alíquota de importação de vários produtos, incluindo carne, café, açúcar e milho, entre outros, como parte de uma série de medidas para reduzir os preços de alimentos.

Na frente de dados, os mercados analisarão nesta semana dados de inflação ao consumidor tanto nos EUA como no Brasil, com a divulgação de ambos na quarta-feira.

Ibovespa

Às 11h11, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 1,02%, a 123.753,48 pontos. O volume financeiro somava R$3,29 bilhões.

Na visão da equipe do BB Investimentos, olhando o gráfico diário, o Ibovespa ainda precisa romper novamente a resistência de sua média móvel de 200 dias, atualmente em 127,3 mil pontos, para reingressar no canal de alta de curto prazo, conforme relatório enviado a clientes nesta segunda-feira.

“Essa falta de tendência aponta para uma indefinição no curtíssimo prazo, com acentuada volatilidade, lembrando que as últimas formações gráficas como a da sessão da última sexta foram seguidas por períodos de realização”, pontuaram.

Os analistas também pontuaram que, com temporada de resultados do quarto trimestre “neutra até o momento” e com os analistas calibrando marginalmente as expectativas de resultados para 2025, o desempenho de curtíssimo prazo guarda mais relação com a volatilidade da curva de juros no Brasil.

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, recuava 1,76%, após comentários do presidente Donald Trump no fim de semana alimentarem preocupações de que uma guerra comercial pode desencadear uma desaceleração econômica.

Após o “respiro” no Carnaval, a temporada de resultados no Brasil retoma o fôlego nesta semana, com Azzas 2154, Cogna, SLC Agrícola, Eletrobras, LWSA, CSN, Magazine Luiza, Natura&Co, Prio, entre outros.

A partir desta segunda-feira, o mercado de ações à vista na B3 passa a fechar uma hora mais cedo em razão do início do horário de verão nos EUA. A negociação começa às 10h e acaba às 16h55, com o call de fechamento ocorrendo das 16h55 às 17h. O after-market tem início às 17h30 e termina às 18h.

DESTAQUES

– CAIXA SEGURIDADE ON recuava 3,38%, após registrar oferta subsequente de ações que incluirá uma venda secundária de papéis detidos pela controladora, a Caixa Econômica Federal. A empresa disse que a oferta consistirá na venda de 82,5 milhões de ações ordinárias — cerca de R$1,32 bilhão considerando a cotação de fechamento da última sexta-feira — e será precificada em 19 de março.

– CEMIG PN perdia 3,35%, tendo como pano de fundo amplo relatório do JPMorgan sobre ações de “utilities”, no qual cortou a ação de “overweight” para “underweight”. Ainda no setor, AUREN ENERGIA ON, que também foi rebaixada a “underweight” pelos analistas do banco, caía 2,48%. Na contramão, ENEVA ON e CPFL ENERGIA ON, que passaram a “overweight”, subiam 1,24% e 1,17%, respectivamente.

– VALE ON perdia 1,8%, acompanhando os futuros do minério de ferro na China, em meio a receios com as tarifas dos EUA e a promessa da China de cortar a produção de aço bruto. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) encerrou as negociações do dia com queda de 0,71%, a 769 iuanes (US$105,92) a tonelada. A ação também ficou ex-dividendo a partir desta segunda-feira.

– PETROBRAS PN cedia 1,56%, em dia de queda dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent era negociado a US$69,94, decréscimo de 0,6%. A estatal anunciou na sexta-feira acordo para encerrar litígio com a EIG Energy nos EUA, em que pagará US$283 milhões. O BTG Pactual reiterou compra para os papéis, mas ponderou que dados de investimentos devem aumento ceticismo.

– BRADESCO PN era negociada em baixa de 2,05%, em sessão negativa para bancos. ITAÚ ON caía 0,8%, BANCO DO BRASIL ON perdia 1,35% e SANTANDER BRASIL UNIT declinava 1,62%. O índice do setor financeiro na bolsa recuava 1,6%, pressionado também por B3 ON, em queda de 2,71%.