terça-feira, 25 de março de 2025

Magazine Luiza foca em rentabilidade e lucro sobe 37% no 4º tri

 


Período foi o quinto trimestre seguido da empresa fechado no azul; resultado, porém, ficou abaixo das estimativas de mercado 

 

Magazine Luiza: geração de caixa operacional se destacou, atingindo R$ 2,1 bilhões, um crescimento de 36%  (Germano Lüders/Exame)
Magazine Luiza: geração de caixa operacional se destacou, atingindo R$ 2,1 bilhões, um crescimento de 36% (Germano Lüders/Exame)

Raquel Brandão

Repórter Exame IN


O Magazine Luiza terminou 2024 com lucro. No quarto trimestre, a varejista registrou um lucro líquido recorrente de R$ 139 milhões, um crescimento de 37% em relação ao mesmo período de 2023, abaixo, porém, das estimativas compiladas pela Bloomberg, que previam R$ 145 milhões.

O maior reforço para a última linha do balanço veio do foco da companhia na rentabilidade, totalizando o quinto trimestre consecutivo no azul.

A empresa atingiu um Ebitda ajustado de R$ 846,2 milhões no trimestre com margem de 7,8%, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao ano passado. Em 2024, o Ebitda ajustado totalizou R$ 3,0 bilhões, um crescimento de 39%, com margem de 7,8% -- 2 pontos a mais do que um ano antes.

"Tivemos um trimestre da virada no final de 2023 e, ao longo de 2024, consistentemente seguimos ampliando a margem EBITDA e a margem operacional", diz Vanessa Rossini, diretora de relações com investidores. "A expansão de margem foi uma conquista fundamental. Somente a margem bruta subiu quase um ponto e meio, resultado do repasse de preços, crescimento do marketplace e aumento das receitas de serviços."

A receita líquida no trimestre foi de R$ 10,8 bilhões, um aumento de 2,3% frente ao mesmo período de 2023. Para 2025, a companhia mantém o foco na rentabilidade, o que deve manter as taxas de crescimento mais baixas. "A prioridade continua sendo a expansão de margens, mas agora conseguimos direcionar mais energia para o crescimento de vendas. No entanto, tudo será feito de forma equilibrada e sustentável", pondera a diretora.

A forte geração de caixa operacional também se destacou, atingindo R$ 2,1 bilhões, um crescimento de 36%. Ao final do ano, o Magalu encerrou com um caixa líquido de R$ 3,3 bilhões, um avanço de R$ 1,6 bilhão na comparação anual, reforçando a forte posição financeira.

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"Nossa geração de caixa passou de R$ 3 bilhões, refletindo a eficiência na gestão do capital de giro e na alocação de recursos. Além disso, reduzimos nossa despesa financeira em 25% no ano, o que ajudou a fortalecer ainda mais a estrutura da companhia", observa Rossini.

A companhia reduziu o endividamento bruto em quase R$ 3 bilhões ao longo do ano, num movimento após o aporte de R$ 1 bilhão feito pela família Trajano, controladora da varejista. "O cenário de juros altos exige uma disciplina ainda maior."

Multicanalidade e serviços financeiros impulsionam resultados

Outro pilar da estratégia do Magalu tem sido o fortalecimento da multicanalidade, integrando lojas físicas e e-commerce. O varejo físico cresceu 6,4% no trimestre, enquanto o marketplace se consolidou como uma das principais avenidas de crescimento, representando 40% das vendas online da empresa.

Além disso, os serviços financeiros ganharam mais relevância no ecossistema da companhia. Vanessa destaca o desempenho da LuizaCred, que teve um lucro líquido de R$ 300 milhões em 2024, contribuindo para o resultado consolidado da empresa. "Somente com a equivalência patrimonial, incorporamos R$ 150 milhões ao nosso resultado. O crescimento desse segmento é essencial para maximizar a rentabilidade da companhia", afirma.

A recente aprovação do Banco Central para o Magalubank se tornar uma financeira também abre novas possibilidades. "Agora, conseguimos operar crédito de forma mais eficiente, oferecer novos serviços aos clientes e sellers, além de ampliar a rentabilidade da operação de pagamentos."

No ano, as ações do Magazine Luiza acumulam alta de 31,5%, para R$ 8,46. 


https://exame.com/insight/magazine-luiza-foca-em-rentabilidade-e-lucro-sobe-37-no-4o-tri/p

Risco Trump interrompe rali da Embraer. É oportunidade de compra, diz o BTG

 


Tarifas teriam impacto limitado e concorrentes seriam mais afetados, pondera o banco 

 

 


Fábrica da Embraer, em São José dos Campos (SP): Ação acumula alta de 84% em 12 meses (Leandro Fonseca/Exame)
Fábrica da Embraer, em São José dos Campos (SP): Ação acumula alta de 84% em 12 meses (Leandro Fonseca/Exame)

Raquel Brandão

Repórter Exame IN


O vai e vem sobre as tarifas a serem anunciadas por Donald Trump tem pesado sobre a Embraer, que acumula uma queda pouco mais de 10% desde a semana, quando bateu a máxima histórica de US$ 56,40 na bolsa americana.

Somente ontem, os papéis caíram quase 5%.

Mas a guerra comercial tem o potencial para colocar uma pausa no rali das ações da fabricante brasileira? Para o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), a resposta é um sonoro não.

“De forma geral, acreditamos que o impacto líquido de um aumento nas tarifas sobre a Embraer seria limitado”, escreve o analista Lucas Marquiori, reforçando a recomendação de compra para o papel.

Num relatório que coloca as tarifas sob perspectiva, o banco aponta que a principal exposição da companhia às tarifas está na aviação executiva que representou 28% da receita em 2024. Os Estados Unidos é o principal mercado para os jatinhos da Embraer.

Além disso, o segmento tem uma carteira de pedidos que se arrasta há mais de três anos, o que dá fôlego para a Embraer passar pelos recentes riscos de recessão nos Estados Unidos.

Na aviação comercial, os modelos E1 são usados por diversas companhias aéreas americanas e não tem competidor direto, enquanto as vendas do E2 para os americanos são quase irrelevantes.

O BTG defende ainda que os principais competidores da Embraer, como a canadense Bombardier e a francesa Dassault, parecem mais expostos à alta de tarifas – uma dinâmica que também pode acontecer na aviação comercial.

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“A imposição de tarifas impactaria principalmente a aviação executiva, especialmente o Praetor, que estimamos representar cerca de 12% do backlog da Embraer em 2024”, calculam os analistas do BTG.

A impacto, no entanto, é relativo. Na aviação executiva, os Phenoms são totalmente montados nos Estados Unidos, enquanto no modelo Praetor, a estratégia varia. A abordagem típica é montar a aeronave em Gavião Peixoto, permitindo que ela voe para os EUA para a montagem final e pintura, o que lhe garante o rótulo "Made in the USA".

Mas dependendo da demanda, a fábrica brasileira pode produzir toda a aeronave.

Outro ponto importante levantado pelo BTG: por contrato, quaisquer tarifas impostas às aeronaves são repassadas aos clientes.

A grande questão é que, se as tarifas forem aplicadas aos materiais, o repasse de custos exigirá negociações caso a caso. De acordo com o BTG, hoje a maioria dos componentes não é proveniente das operações nos EUA, como o alumínio, que costuma ser importado da Europa ou comprado localmente.

Alguns motores, que representam cerca de 15% do custo das aeronaves, também são importados para os EUA a partir do Canadá – justamente para onde boa parte da “artilharia” de Trump tem sido apontada.

De toda forma, concorrentes como a Bombardier, canandense, e a Dassault, francesa, que produzem nos concorrentes para o Preator em seus países natais, seriam mais impactados, pondera Marquiori.

Considerando todos os riscos na conta, o BTG manteve a recomendação de compra e preço-alvo de US$ 65 – um prêmio de 23,5% em relação à cotação de fechamento de ontem.

 

 https://exame.com/insight/risco-trump-interrompe-rali-da-embraer-e-oportunidade-de-compra-diz-o-btg/p

 

Mercado se divide entre corte de 50 pb e 75 pb em juro pelo Fed em 2025, mostra CME

 

O mercado financeiro divide apostas entre uma redução acumulada de 50 pontos-base (pb) – 30,9% de probabilidade estimada – ou de 75 pb (31,0% de chance estimada) nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em 2025, de acordo com ferramenta de monitoramento do CME Group.

Nos últimos dias, as expectativas por redução nos juros dos EUA tem oscilado, ora com o mercado embutindo dois cortes de juros de 0,25 ponto porcentual cada em 2025, ora apostando em três baixas na mesma magnitude no período.

Entre os economistas, não se ouve falar em cortes mais agressivos, de 0,50 ponto porcentual ou mais de uma só vez, embora essa possibilidade não esteja descartada.

Por volta das 11h20 (de Brasília), a chance do Fed manter os juros inalterados em 2025 eram estimadas em apenas 2,9%, de acordo com o CME.

Junho continua sendo considerado o mês mais provável para a retomada dos cortes de juros (66,4% de probabilidade estimada), sendo a expectativa majoritária do mercado de corte de 0,25 ponto porcentual (58,1%), enquanto as apostas para redução de 0,50 ponto porcentual eram estimadas em 8,3%. A chance de manutenção dos juros estava em 33,6%.

Tebet: ‘Precisamos fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro, sem tirar direito de ninguém’

 Perfil de Simone Tebet

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse nesta terça-feira, 25, que será preciso fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro, resguardando direitos. Ela participou do programa Bom Dia, Ministra, da EBC.

“Nós precisamos fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro, sem tirar direito de ninguém. Não precisa tirar um direito, porque tem tanta gordura para fazer. Agora, lembrando, dependemos de parceria do Congresso Nacional, porque quando apresentamos as medidas, o Congresso tem que estar com vontade de votar. Nós estamos perto de um processo eleitoral, aí fica mais difícil. Acho que a janela para as grandes mudanças estruturais no ajuste acabarão ficando para a pós-eleição de 2026”, avaliou a ministra.

Questionada sobre as prioridades do governo para o Congresso neste ano, Tebet destacou a agenda microeconômica.

A ministra ainda destacou feitos do governo atual, frisando que é uma gestão de frente ampla, e que obteve bons resultados em pouco tempo de gestão.

Bunge anuncia venda de negócio de margarinas e cremes na Europa

 Bunge anuncia empresa para frete digital no Brasil; dará ...

A Bunge anunciou nesta terça-feira, 25, que venderá seu negócio de margarinas e cremes na Europa para a Vandemoortele, empresa alimentícia de propriedade familiar com sede na Bélgica. Os detalhes financeiros não foram divulgados. De acordo com a Vandemoortele, as atividades representam um faturamento superior a 450 milhões de euros (US$ 486 milhões). A expectativa é de que o negócio seja concluído em 2026.

Como parte do acordo, a Vandemoortele adquirirá o negócio de margarinas e cremes da empresa norte-americana na Alemanha, Finlândia, Polônia e Hungria, bem como suas unidades de fabricação de margarinas e cremes e um portfólio de 20 marcas de consumo, informou a Bunge.

A Vandemoortele afirmou que a transação reforça o compromisso de seu negócio de soluções alimentícias à base de plantas em apoiar alimentos mais sustentáveis.

“O foco da Bunge daqui para frente é na liderança global em nossas cadeias de valor integradas em oleaginosas e grãos, e em nossos negócios B2B de óleos, emulsificantes e proteínas conectados. Estamos satisfeitos que o negócio de margarinas e cremes poderá se desenvolver ainda mais sob nova propriedade”, afirmou em nota o presidente interino da Food Solutions da Bunge, Pierre Mauger. 

 

Fonte: Dow Jones Newswires

USDA em Brasília amplia estimativa de safra em 2024/25 para 169,5 mi de t

 

São Paulo, 25 – O Brasil deve produzir um volume recorde de 169,5 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, segundo estimativa do escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília. O volume é 4,5 milhões de toneladas maior do que a projeção anterior, do fim de dezembro. A previsão de produtividade subiu de 3,51 para 3,58 toneladas por hectare.

Para as exportações, o USDA em Brasília elevou sua estimativa de 105 milhões para 108,3 milhões de toneladas.

O USDA em Brasília projetou um aumento no processamento de soja em 2024/25, de 56 milhões para 56,55 milhões de toneladas. A projeção de produção de farelo de soja em 2024/25 foi ampliada de 43,1 milhões para 43,545 milhões de toneladas. Quanto ao óleo de soja, a produção foi revisada de 12 milhões para 11,31 milhões de toneladas.

Para 2025/26, o USDA estimou uma produção de soja de 173 milhões de toneladas, com a área plantada aumentando de 47,3 milhões para 48,2 milhões de hectares. O aumento esperado da área, de cerca de 2%, é inferior à média de cinco anos, de 6%, observou o escritório.

“Isso é resultado direto da safra 2024/25, marcada por altos custos de produção e preços estáveis após o aumento pós-Covid, resultando em margens reduzidas”, disse o USDA.

O rendimento deve ser de 3,59 toneladas por hectare, disse o USDA. Já as exportações foram projetadas em 112 milhões de toneladas.

O USDA em Brasília projetou o esmagamento em 2025/26 em 57 milhões de toneladas. A produção de farelo foi estimada em 43,89 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja foi projetada em 11,4 milhões de toneladas.

Escândalo de corrupção: por que Itaú decidiu tornar públicos casos internos e como isso impacta o banco

 

Os dois episódios de executivos do Itaú que foram acusados pelo banco de irregularidades e tiveram seus casos publicizados causará danos muito limitados à companhia e à sua reputação, avaliam especialistas ouvidos pelo IstoÉ Dinheiro.

Contudo, a situação toda foi inusual, acreditam eles, o que desperta suspeita de que existam mais fatos a serem apresentados ou revelados durante os próximos passos da investigação. Os casos são totalmente distintos, mas foram revelados com poucos dias de diferença.

Primeiro, foi comunicada a saída do diretor de Marketing (CMO) do banco, Eduardo Tracanella, um alto executivo com 27 anos de casa e responsável por campanhas e ações de grande repercussão. Ao ser revelado que a saída de Tracanella estava relacionada ao mau uso do cartão corporativo, o banco confirmou a informação, mas sem detalhamento.

 

 

 


O segundo caso, que veio à tona no sábado, 7, envolve “conflito de interesses em pareceres contábeis”, segundo o banco, de seu ex-diretor financeiro (CFO) Alexsandro Broedel. Apuração do Brazil Journal apontou que o banco via indícios de crimes praticados por seu ex-executivo, como associação criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Assim, a instituição teria contratado um escritório de advocacia para entrar com uma ação civil de reparação de danos contra os envolvidos.

O ex-executivo teria aprovado contratações, entre 2019 e 2024, no valor de R$ 13,2 milhões para uma empresa que era ligada a um fornecedor de quem ele era sócio. Além disso, o banco afirma que foram apurados indícios de que o fornecedor teria redirecionado parte do valor dos pagamentos para contas do executivo, em transações de cerca de R$ 4,8 milhões.

Surpresa

O momento e a forma como o Itaú apresentou o caso do CFO surpreendeu o mercado. José Aurélio Valporto, presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), comenta que Alexsandro Broedel, o CFO, era uma figura respeitada no meio, sendo inclusive professor da Universidade de São Paulo (USP).

Broedel deixou o banco meses atrás para atuar em um concorrente, o Santander, e Valporto sinaliza que a atitude do Itaú “queimar” o executivo foi inesperada.

“Não faz tanto sentido tornar isso público deste modo. No caso do CMO, ainda que houvesse gastos pessoais, não iriam detonar o cara dessa maneira, achei tudo muito estranho, há outros casos com conflito de interesses muito sérios e os sujeitos continuaram”, disse, citando o exemplo do suposto conflito de interesses de Ubiratan Machado, diretor de fusões e aquisições (M&A) do Itaú BBA que assessorou a venda da KaBum para o Magalu sendo cunhado do CEO da varejista, Fred Trajano.

“Acho o caso todo inusual. Na minha visão, há suspeita de que se tem algo por trás. Precisamos ver como será daqui para frente o processo de investigação”, completa.

Marcos Bedendo, professor de Marketing e Branding da ESPM, comenta que a postura do maior banco privado do Brasil foi “louvável” por um aspecto, dado o nível de transparência, mas também considera a atitude “um pouco incomum”.

“O mais usual é deixar o assunto meio que morrer. Geralmente as empresas não comunicam de uma maneira tão clara quanto foi nesse caso, só respondem quando são questionadas, mas é difícil se tomar frente deste modo e citar tudo o que ocorreu”, analisa.

Como agiu o Itaú

No caso de Broedel, após sua saída, foram verificadas as irregularidades e o assunto foi discutido em assembleia do conselho. Por regra, uma companhia caracterizada como Sociedade Anônima (S.A), precisa divulgar suas atas de assembleia. Além disso, havia prazo para não prescrição – parte das irregularidades, dos anos mais antigos, prescreveriam se o Itaú não tomasse as medidas tão logo.

No caso de Eduardo Tracanella, o ex-CMO, o banco primeiramente não havia informado a motivação para o desligamento do executivo. O próprio Tracanella comunicou sua saída em uma postagem no LinkedIn, dizendo estar “encerrando um ciclo” e que era hora de se dedicar à família.

Com a divulgação na imprensa de que a causa foi por mau uso do cartão corporativo, o banco confirmou a informação.

“O Itaú Unibanco confirma que o desligamento de Eduardo Tracanella foi motivado única e exclusivamente pelo mau uso do cartão de crédito corporativo, sem prejuízo material à instituição. O banco agradece sua dedicação ao longo de tantos anos e sua contribuição na construção de uma das marcas mais admiradas do país”, disse o banco, em seu comunicado sobre o caso.

Sobre a situação de Broedel, o banco, em comunicado, reforçou que “se trata de uma situação isolada e que não há prejuízo relevante à instituição”.

“Inclusive, não foi identificada nenhuma preocupação com relação aos pareceres recebidos. Ressalta-se, ainda, que seus balanços foram reavaliados pelo Comitê de Auditoria da Companhia e por consultoria externa e independente, a PWC, que certificaram a lisura e a ausência de impacto nas demonstrações financeiras e nos resultados do Itaú Unibanco”.

Além disso, a visão da casa é de que os procedimentos internos funcionaram, sem uma necessidade iminente de alterações nas regras de compliance e afins.

“O Itaú reafirma que seu robusto ecossistema de políticas e processos de ética e conformidade permanecem íntegros e não houve falha interna neste sentido. Com a devida tempestividade e transparência, o Itaú reportou o caso a todos os órgãos reguladores competentes. Por fim, declara que está ajuizando as medidas adequadas contra Broedel Lopes e o fornecedor para buscar o ressarcimento dos valores”.

Dentre as medidas tomadas, de imediato, estão uma ação civil já protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo e um processo administrativo em fase inicial na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – que pode levar a sanções administrativas, caso sejam confirmadas irregularidades.

Reputação do Itaú deve seguir praticamente inabalada

O valor supostamente desviado pelo CFO, de R$ 13,2  milhões, representa cerca de mil vezes menos o que o banco já lucrou em um trimestre (mais de R$ 10 bilhões no terceiro trimestre de 2024), tendo impacto menor no balanço contábil.

Além disso, o impacto na marca e na imagem do banco também é relativamente limitado. Especialistas de marketing e branding comentam que são casos que ganharão a atenção de públicos extremamente específicos, como o mercado de capitais, acionistas do banco e afins.

“Isso não impacta a imagem do banco para o grande público, tem mais a ver com a parte dos acionistas e do meio, porque isso passa longe da maioria das pessoas. A grande maioria dos clientes sequer ficará sabendo, e boa parte dos que souberem não se importarão”, comenta Bedendo, da ESPM.

A consultoria Kantar BrandZ elegeu o Itaú Unibanco como a marca mais valiosa do Brasil em meados de março, com uma avaliação de US$ 7,4 bilhões – ficando a frente de Brahma, Skol, Claro e Nubank, respectivamente.

Marcílio Alves, estrategista de Branding e sócio da NDG Branding, explica que, apesar disso, há alguns danos limitados à marca do banco, mas endossa que a base de clientes também não deve ter a percepção alterada, especialmente pelo fato de que o banco já tomou medidas e está investigando as ações em relação aos fatos.

“Na minha percepção, é um arranhão, um leve arranhão, digamos assim, nessa trajetória da marca, algo que qualquer marca está sujeita”, analisa.

“Acredito que aos poucos essa situação, esse fogo, essa fumaça, digamos assim, ela vai se dissipar e o Itaú terá outras notícias aí para ocupar, outras informações para ocupar o noticiário”, completa.

Além disso, vale destacar que o impacto nas ações do Itaú foi nulo. Em ambos os casos, os papéis preferenciais do banco não tiveram aumento de volatilidade por conta dos casos – inclusive, no caso do CFO os papéis subiram no pregão subsequente, com alta de 0,46% na segunda-feira, 9.

Auditoria e reguladores não falharam

Diferentemente de casos como o da Americanas, em que as auditorias foram duramente criticadas por conta de terem deixado passar erros graves em balanços contábeis, nesse caso especialistas indicam que os problemas não mostraram grandes brechas na governança do banco e na atuação de reguladores e auditorias.

“Comparando com outros países, por mais que se ache que o Brasil é corrupto, quando olhamos para o mercado de capitais, temos legislação muito rígida e muitos mecanismos de controle, além do Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com normas claras”, explica Mariana Bonfim, professora de contábeis da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A professora ainda acrescenta que, por conta de casos como esse terem se tornado midiáticos, é sinal de que os problemas de governança e similares estão sendo expostos e combatidos.

O empresário, conselheiro de empresas como Exxata e KPL Supply e M&A advisor, Roberto Valverde, analisa que é ‘estranho’ uma companhia do tamanho do Itaú ter deixado falhas como essa terem passado com suas normas e regras de governança.

“Existe um processo de governança e compliance no banco; não acho que é coincidência os dois fatos virem à tona na mesma semana, é como se isso já tivesse ocorrendo e decidissem vazar isso na mídia na mesma semana”, comenta.

“Outra coisa que me chama atenção, que é uma companhia com vários comitês, auditada. Como deixaram passar isso durante um determinado tempo até que isso seja descoberto? Sendo uma empresa grande, é difícil um executivo fazer isso sozinho, sem terceiros estarem sabendo, não vou estranhar se no decorrer da investigação mais nomes aparecerem”, completa.

Valverde também avalia que a imagem do banco deve sofrer poucos danos com a publicização de ambos os escândalos com executivos.

Além disso, cita que foi uma “falha grotesca de governança” e que houve falta de procedimento. Os impactos diretos devem incluir uma revisão nos processos da empresa.

“Se for severo dentro do que o banco enxerga, o Conselho [de Administração] deveria rever o perfil dos C-Levels e pedir uma auditoria dos processos internos do banco. Não adianta contratar executivos, novos perfis, e ver a mesma falha ocorrendo. Eu como conselheiro, nesse momento, também discutiria o perfil dos executivos do banco, analisando se seria um problema de cultura ou um problema isolado, de um CPF só”.