Atuação:
Consultoria multidisciplinar, onde desenvolvemos trabalhos nas seguintes áreas: fusão e aquisição e internacionalização de empresas, tributária, linhas de crédito nacionais e internacionais, inclusive para as áreas culturais e políticas públicas.
O Magazine Luiza
terminou 2024 com lucro. No quarto trimestre, a varejista registrou um
lucro líquido recorrente de R$ 139 milhões, um crescimento de 37% em
relação ao mesmo período de 2023, abaixo, porém, das estimativas
compiladas pela Bloomberg, que previam R$ 145 milhões.
O maior
reforço para a última linha do balanço veio do foco da companhia na
rentabilidade, totalizando o quinto trimestre consecutivo no azul.
A empresa
atingiu um Ebitda ajustado de R$ 846,2 milhões no trimestre com margem
de 7,8%, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao ano passado.
Em 2024, o Ebitda ajustado totalizou R$ 3,0 bilhões, um crescimento de
39%, com margem de 7,8% -- 2 pontos a mais do que um ano antes.
"Tivemos um
trimestre da virada no final de 2023 e, ao longo de 2024,
consistentemente seguimos ampliando a margem EBITDA e a margem
operacional", diz Vanessa Rossini, diretora de relações com
investidores. "A expansão de margem foi uma conquista fundamental.
Somente a margem bruta subiu quase um ponto e meio, resultado do repasse
de preços, crescimento do marketplace e aumento das receitas de
serviços."
A receita
líquida no trimestre foi de R$ 10,8 bilhões, um aumento de 2,3% frente
ao mesmo período de 2023. Para 2025, a companhia mantém o foco na
rentabilidade, o que deve manter as taxas de crescimento mais baixas. "A
prioridade continua sendo a expansão de margens, mas agora conseguimos
direcionar mais energia para o crescimento de vendas. No entanto, tudo
será feito de forma equilibrada e sustentável", pondera a diretora.
A forte
geração de caixa operacional também se destacou, atingindo R$ 2,1
bilhões, um crescimento de 36%. Ao final do ano, o Magalu encerrou com
um caixa líquido de R$ 3,3 bilhões, um avanço de R$ 1,6 bilhão na
comparação anual, reforçando a forte posição financeira.
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"Nossa geração
de caixa passou de R$ 3 bilhões, refletindo a eficiência na gestão do
capital de giro e na alocação de recursos. Além disso, reduzimos nossa
despesa financeira em 25% no ano, o que ajudou a fortalecer ainda mais a
estrutura da companhia", observa Rossini.
A companhia
reduziu o endividamento bruto em quase R$ 3 bilhões ao longo do ano, num
movimento após o aporte de R$ 1 bilhão feito pela família Trajano,
controladora da varejista. "O cenário de juros altos exige uma
disciplina ainda maior."
Multicanalidade e serviços financeiros impulsionam resultados
Outro pilar da
estratégia do Magalu tem sido o fortalecimento da multicanalidade,
integrando lojas físicas e e-commerce. O varejo físico cresceu 6,4% no
trimestre, enquanto o marketplace se consolidou como uma das principais
avenidas de crescimento, representando 40% das vendas online da empresa.
Além disso, os
serviços financeiros ganharam mais relevância no ecossistema da
companhia. Vanessa destaca o desempenho da LuizaCred, que teve um lucro
líquido de R$ 300 milhões em 2024, contribuindo para o resultado
consolidado da empresa. "Somente com a equivalência patrimonial,
incorporamos R$ 150 milhões ao nosso resultado. O crescimento desse
segmento é essencial para maximizar a rentabilidade da companhia",
afirma.
A recente
aprovação do Banco Central para o Magalubank se tornar uma financeira
também abre novas possibilidades. "Agora, conseguimos operar crédito de
forma mais eficiente, oferecer novos serviços aos clientes e sellers,
além de ampliar a rentabilidade da operação de pagamentos."
No ano, as ações do Magazine Luiza acumulam alta de 31,5%, para R$ 8,46.
O vai e vem sobre as tarifas a serem anunciadas por Donald Trump tem pesado sobre a Embraer, que acumula uma queda pouco mais de 10% desde a semana, quando bateu a máxima histórica de US$ 56,40 na bolsa americana.
Somente ontem, os papéis caíram quase 5%.
Mas a guerra comercial tem o potencial para colocar uma pausa no rali das ações da fabricante brasileira? Para o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), a resposta é um sonoro não.
“De forma geral, acreditamos que o impacto líquido de um aumento nas tarifas sobre a Embraer seria limitado”, escreve o analista Lucas Marquiori, reforçando a recomendação de compra para o papel.
Num relatório
que coloca as tarifas sob perspectiva, o banco aponta que a principal
exposição da companhia às tarifas está na aviação executiva que
representou 28% da receita em 2024. Os Estados Unidos é o principal
mercado para os jatinhos da Embraer.
Além disso, o
segmento tem uma carteira de pedidos que se arrasta há mais de três
anos, o que dá fôlego para a Embraer passar pelos recentes riscos de
recessão nos Estados Unidos.
Na aviação
comercial, os modelos E1 são usados por diversas companhias aéreas
americanas e não tem competidor direto, enquanto as vendas do E2 para os
americanos são quase irrelevantes.
O BTG
defende ainda que os principais competidores da Embraer, como a
canadense Bombardier e a francesa Dassault, parecem mais expostos à alta
de tarifas – uma dinâmica que também pode acontecer na aviação
comercial.
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“A imposição
de tarifas impactaria principalmente a aviação executiva, especialmente o
Praetor, que estimamos representar cerca de 12% do backlog da Embraer
em 2024”, calculam os analistas do BTG.
A impacto, no
entanto, é relativo. Na aviação executiva, os Phenoms são totalmente
montados nos Estados Unidos, enquanto no modelo Praetor, a estratégia
varia. A abordagem típica é montar a aeronave em Gavião Peixoto,
permitindo que ela voe para os EUA para a montagem final e pintura, o
que lhe garante o rótulo "Made in the USA".
Mas dependendo da demanda, a fábrica brasileira pode produzir toda a aeronave.
Outro ponto importante levantado pelo BTG: por contrato, quaisquer tarifas impostas às aeronaves são repassadas aos clientes.
A grande
questão é que, se as tarifas forem aplicadas aos materiais, o repasse de
custos exigirá negociações caso a caso. De acordo com o BTG, hoje a
maioria dos componentes não é proveniente das operações nos EUA, como o
alumínio, que costuma ser importado da Europa ou comprado localmente.
Alguns
motores, que representam cerca de 15% do custo das aeronaves, também são
importados para os EUA a partir do Canadá – justamente para onde boa
parte da “artilharia” de Trump tem sido apontada.
De
toda forma, concorrentes como a Bombardier, canandense, e a Dassault,
francesa, que produzem nos concorrentes para o Preator em seus países
natais, seriam mais impactados, pondera Marquiori.
Considerando
todos os riscos na conta, o BTG manteve a recomendação de compra e
preço-alvo de US$ 65 – um prêmio de 23,5% em relação à cotação de
fechamento de ontem.
O
mercado financeiro divide apostas entre uma redução acumulada de 50
pontos-base (pb) – 30,9% de probabilidade estimada – ou de 75 pb (31,0%
de chance estimada) nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central
norte-americano) em 2025, de acordo com ferramenta de monitoramento do
CME Group.
Nos últimos dias, as expectativas por redução nos juros
dos EUA tem oscilado, ora com o mercado embutindo dois cortes de juros
de 0,25 ponto porcentual cada em 2025, ora apostando em três baixas na
mesma magnitude no período.
Entre
os economistas, não se ouve falar em cortes mais agressivos, de 0,50
ponto porcentual ou mais de uma só vez, embora essa possibilidade não
esteja descartada.
Por volta das 11h20 (de Brasília), a chance do
Fed manter os juros inalterados em 2025 eram estimadas em apenas 2,9%,
de acordo com o CME.
Junho continua sendo considerado o mês mais
provável para a retomada dos cortes de juros (66,4% de probabilidade
estimada), sendo a expectativa majoritária do mercado de corte de 0,25
ponto porcentual (58,1%), enquanto as apostas para redução de 0,50 ponto
porcentual eram estimadas em 8,3%. A chance de manutenção dos juros
estava em 33,6%.
A
ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse nesta terça-feira, 25,
que será preciso fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro,
resguardando direitos. Ela participou do programa Bom Dia, Ministra, da EBC.
“Nós
precisamos fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro, sem tirar
direito de ninguém. Não precisa tirar um direito, porque tem tanta
gordura para fazer. Agora, lembrando, dependemos de parceria do
Congresso Nacional, porque quando apresentamos as medidas, o Congresso
tem que estar com vontade de votar. Nós estamos perto de um processo
eleitoral, aí fica mais difícil. Acho que a janela para as grandes
mudanças estruturais no ajuste acabarão ficando para a pós-eleição de
2026”, avaliou a ministra.
Questionada sobre as prioridades do governo para o Congresso neste ano, Tebet destacou a agenda microeconômica.
A
ministra ainda destacou feitos do governo atual, frisando que é uma
gestão de frente ampla, e que obteve bons resultados em pouco tempo de
gestão.
A
Bunge anunciou nesta terça-feira, 25, que venderá seu negócio de
margarinas e cremes na Europa para a Vandemoortele, empresa alimentícia
de propriedade familiar com sede na Bélgica. Os detalhes financeiros não
foram divulgados. De acordo com a Vandemoortele, as atividades
representam um faturamento superior a 450 milhões de euros (US$ 486
milhões). A expectativa é de que o negócio seja concluído em 2026.
Como
parte do acordo, a Vandemoortele adquirirá o negócio de margarinas e
cremes da empresa norte-americana na Alemanha, Finlândia, Polônia e
Hungria, bem como suas unidades de fabricação de margarinas e cremes e
um portfólio de 20 marcas de consumo, informou a Bunge.
A
Vandemoortele afirmou que a transação reforça o compromisso de seu
negócio de soluções alimentícias à base de plantas em apoiar alimentos
mais sustentáveis.
“O foco da Bunge daqui para frente é na
liderança global em nossas cadeias de valor integradas em oleaginosas e
grãos, e em nossos negócios B2B de óleos, emulsificantes e proteínas
conectados. Estamos satisfeitos que o negócio de margarinas e cremes
poderá se desenvolver ainda mais sob nova propriedade”, afirmou em nota o
presidente interino da Food Solutions da Bunge, Pierre Mauger.
São
Paulo, 25 – O Brasil deve produzir um volume recorde de 169,5 milhões
de toneladas de soja na safra 2024/25, segundo estimativa do escritório
do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília. O
volume é 4,5 milhões de toneladas maior do que a projeção anterior, do
fim de dezembro. A previsão de produtividade subiu de 3,51 para 3,58
toneladas por hectare.
Para as exportações, o USDA em Brasília elevou sua estimativa de 105 milhões para 108,3 milhões de toneladas.
O
USDA em Brasília projetou um aumento no processamento de soja em
2024/25, de 56 milhões para 56,55 milhões de toneladas. A projeção de
produção de farelo de soja em 2024/25 foi ampliada de 43,1 milhões para
43,545 milhões de toneladas. Quanto ao óleo de soja, a produção foi
revisada de 12 milhões para 11,31 milhões de toneladas.
Para
2025/26, o USDA estimou uma produção de soja de 173 milhões de
toneladas, com a área plantada aumentando de 47,3 milhões para 48,2
milhões de hectares. O aumento esperado da área, de cerca de 2%, é
inferior à média de cinco anos, de 6%, observou o escritório.
“Isso
é resultado direto da safra 2024/25, marcada por altos custos de
produção e preços estáveis após o aumento pós-Covid, resultando em
margens reduzidas”, disse o USDA.
O rendimento deve ser de 3,59
toneladas por hectare, disse o USDA. Já as exportações foram projetadas
em 112 milhões de toneladas.
O
USDA em Brasília projetou o esmagamento em 2025/26 em 57 milhões de
toneladas. A produção de farelo foi estimada em 43,89 milhões de
toneladas, enquanto a de óleo de soja foi projetada em 11,4 milhões de
toneladas.
Os dois episódios de executivos do Itaú
que foram acusados pelo banco de irregularidades e tiveram seus casos
publicizados causará danos muito limitados à companhia e à sua
reputação, avaliam especialistas ouvidos pelo IstoÉ Dinheiro.
Contudo,
a situação toda foi inusual, acreditam eles, o que desperta suspeita de
que existam mais fatos a serem apresentados ou revelados durante os
próximos passos da investigação. Os casos são totalmente distintos, mas
foram revelados com poucos dias de diferença.
Primeiro, foi comunicada a saída do diretor de Marketing (CMO) do banco, Eduardo Tracanella,
um alto executivo com 27 anos de casa e responsável por campanhas e
ações de grande repercussão. Ao ser revelado que a saída de Tracanella
estava relacionada ao mau uso do cartão corporativo, o banco confirmou a
informação, mas sem detalhamento.
O
segundo caso, que veio à tona no sábado, 7, envolve “conflito de
interesses em pareceres contábeis”, segundo o banco, de seu ex-diretor
financeiro (CFO) Alexsandro Broedel. Apuração do Brazil Journal
apontou que o banco via indícios de crimes praticados por seu
ex-executivo, como associação criminosa, lavagem de dinheiro e gestão
fraudulenta. Assim, a instituição teria contratado um escritório de
advocacia para entrar com uma ação civil de reparação de danos contra os
envolvidos.
O
ex-executivo teria aprovado contratações, entre 2019 e 2024, no valor
de R$ 13,2 milhões para uma empresa que era ligada a um fornecedor de
quem ele era sócio. Além disso, o banco afirma que foram apurados
indícios de que o fornecedor teria redirecionado parte do valor dos
pagamentos para contas do executivo, em transações de cerca de R$ 4,8
milhões.
Surpresa
O momento e a forma como o Itaú
apresentou o caso do CFO surpreendeu o mercado. José Aurélio Valporto,
presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), comenta
que Alexsandro Broedel, o CFO, era uma figura respeitada no meio, sendo inclusive professor da Universidade de São Paulo (USP).
Broedel
deixou o banco meses atrás para atuar em um concorrente, o Santander, e
Valporto sinaliza que a atitude do Itaú “queimar” o executivo foi
inesperada.
“Não faz tanto sentido tornar isso público deste modo.
No caso do CMO, ainda que houvesse gastos pessoais, não iriam detonar o
cara dessa maneira, achei tudo muito estranho, há outros casos com
conflito de interesses muito sérios e os sujeitos continuaram”, disse,
citando o exemplo do suposto conflito de interesses de Ubiratan Machado,
diretor de fusões e aquisições (M&A) do Itaú BBA que assessorou a
venda da KaBum para o Magalu sendo cunhado do CEO da varejista, Fred
Trajano.
“Acho
o caso todo inusual. Na minha visão, há suspeita de que se tem algo por
trás. Precisamos ver como será daqui para frente o processo de
investigação”, completa.
Marcos
Bedendo, professor de Marketing e Branding da ESPM, comenta que a
postura do maior banco privado do Brasil foi “louvável” por um aspecto,
dado o nível de transparência, mas também considera a atitude “um pouco
incomum”.
“O mais usual é deixar o assunto meio que morrer.
Geralmente as empresas não comunicam de uma maneira tão clara quanto foi
nesse caso, só respondem quando são questionadas, mas é difícil se
tomar frente deste modo e citar tudo o que ocorreu”, analisa.
Como agiu o Itaú
No
caso de Broedel, após sua saída, foram verificadas as irregularidades e
o assunto foi discutido em assembleia do conselho. Por regra, uma
companhia caracterizada como Sociedade Anônima (S.A), precisa divulgar
suas atas de assembleia. Além disso, havia prazo para não prescrição –
parte das irregularidades, dos anos mais antigos, prescreveriam se o
Itaú não tomasse as medidas tão logo.
No caso de Eduardo
Tracanella, o ex-CMO, o banco primeiramente não havia informado a
motivação para o desligamento do executivo. O próprio Tracanella
comunicou sua saída em uma postagem no LinkedIn, dizendo estar “encerrando um ciclo” e que era hora de se dedicar à família.
Com a divulgação na imprensa de que a causa foi por mau uso do cartão corporativo, o banco confirmou a informação.
“O
Itaú Unibanco confirma que o desligamento de Eduardo Tracanella foi
motivado única e exclusivamente pelo mau uso do cartão de crédito
corporativo, sem prejuízo material à instituição. O banco agradece sua
dedicação ao longo de tantos anos e sua contribuição na construção de
uma das marcas mais admiradas do país”, disse o banco, em seu comunicado
sobre o caso.
Sobre a situação de Broedel, o banco, em
comunicado, reforçou que “se trata de uma situação isolada e que não há
prejuízo relevante à instituição”.
“Inclusive, não foi
identificada nenhuma preocupação com relação aos pareceres recebidos.
Ressalta-se, ainda, que seus balanços foram reavaliados pelo Comitê de
Auditoria da Companhia e por consultoria externa e independente, a PWC,
que certificaram a lisura e a ausência de impacto nas demonstrações
financeiras e nos resultados do Itaú Unibanco”.
Além disso, a
visão da casa é de que os procedimentos internos funcionaram, sem uma
necessidade iminente de alterações nas regras de compliance e afins.
“O
Itaú reafirma que seu robusto ecossistema de políticas e processos de
ética e conformidade permanecem íntegros e não houve falha interna neste
sentido. Com a devida tempestividade e transparência, o Itaú reportou o
caso a todos os órgãos reguladores competentes. Por fim, declara que
está ajuizando as medidas adequadas contra Broedel Lopes e o fornecedor
para buscar o ressarcimento dos valores”.
Dentre as medidas
tomadas, de imediato, estão uma ação civil já protocolada no Tribunal de
Justiça de São Paulo e um processo administrativo em fase inicial na
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – que pode levar a sanções
administrativas, caso sejam confirmadas irregularidades.
Reputação do Itaú deve seguir praticamente inabalada
O
valor supostamente desviado pelo CFO, de R$ 13,2 milhões, representa
cerca de mil vezes menos o que o banco já lucrou em um trimestre (mais
de R$ 10 bilhões no terceiro trimestre de 2024), tendo impacto menor no
balanço contábil.
Além disso, o impacto na marca e na imagem do
banco também é relativamente limitado. Especialistas de marketing e
branding comentam que são casos que ganharão a atenção de públicos
extremamente específicos, como o mercado de capitais, acionistas do
banco e afins.
“Isso
não impacta a imagem do banco para o grande público, tem mais a ver com
a parte dos acionistas e do meio, porque isso passa longe da maioria
das pessoas. A grande maioria dos clientes sequer ficará sabendo, e boa
parte dos que souberem não se importarão”, comenta Bedendo, da ESPM.
A consultoria Kantar BrandZ elegeu o Itaú Unibanco
como a marca mais valiosa do Brasil em meados de março, com uma
avaliação de US$ 7,4 bilhões – ficando a frente de Brahma, Skol, Claro e
Nubank, respectivamente.
Marcílio Alves, estrategista de Branding
e sócio da NDG Branding, explica que, apesar disso, há alguns danos
limitados à marca do banco, mas endossa que a base de clientes também
não deve ter a percepção alterada, especialmente pelo fato de que o
banco já tomou medidas e está investigando as ações em relação aos
fatos.
“Na minha percepção, é um arranhão, um leve arranhão,
digamos assim, nessa trajetória da marca, algo que qualquer marca está
sujeita”, analisa.
“Acredito que aos poucos essa situação, esse
fogo, essa fumaça, digamos assim, ela vai se dissipar e o Itaú terá
outras notícias aí para ocupar, outras informações para ocupar o
noticiário”, completa.
Além disso, vale destacar que o impacto nas ações do Itaú
foi nulo. Em ambos os casos, os papéis preferenciais do banco não
tiveram aumento de volatilidade por conta dos casos – inclusive, no caso
do CFO os papéis subiram no pregão subsequente, com alta de 0,46% na
segunda-feira, 9.
Auditoria e reguladores não falharam
Diferentemente
de casos como o da Americanas, em que as auditorias foram duramente
criticadas por conta de terem deixado passar erros graves em balanços
contábeis, nesse caso especialistas indicam que os problemas não
mostraram grandes brechas na governança do banco e na atuação de
reguladores e auditorias.
“Comparando
com outros países, por mais que se ache que o Brasil é corrupto, quando
olhamos para o mercado de capitais, temos legislação muito rígida e
muitos mecanismos de controle, além do Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com normas claras”, explica Mariana Bonfim, professora de contábeis da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A
professora ainda acrescenta que, por conta de casos como esse terem se
tornado midiáticos, é sinal de que os problemas de governança e
similares estão sendo expostos e combatidos.
O empresário,
conselheiro de empresas como Exxata e KPL Supply e M&A advisor,
Roberto Valverde, analisa que é ‘estranho’ uma companhia do tamanho do
Itaú ter deixado falhas como essa terem passado com suas normas e regras
de governança.
“Existe
um processo de governança e compliance no banco; não acho que é
coincidência os dois fatos virem à tona na mesma semana, é como se isso
já tivesse ocorrendo e decidissem vazar isso na mídia na mesma semana”,
comenta.
“Outra coisa que me chama
atenção, que é uma companhia com vários comitês, auditada. Como deixaram
passar isso durante um determinado tempo até que isso seja descoberto?
Sendo uma empresa grande, é difícil um executivo fazer isso sozinho, sem
terceiros estarem sabendo, não vou estranhar se no decorrer da
investigação mais nomes aparecerem”, completa.
Valverde também avalia que a imagem do banco deve sofrer poucos danos com a publicização de ambos os escândalos com executivos.
Além
disso, cita que foi uma “falha grotesca de governança” e que houve
falta de procedimento. Os impactos diretos devem incluir uma revisão nos
processos da empresa.
“Se for severo dentro do que o banco
enxerga, o Conselho [de Administração] deveria rever o perfil dos
C-Levels e pedir uma auditoria dos processos internos do banco. Não
adianta contratar executivos, novos perfis, e ver a mesma falha
ocorrendo. Eu como conselheiro, nesse momento, também discutiria o
perfil dos executivos do banco, analisando se seria um problema de
cultura ou um problema isolado, de um CPF só”.