O dólar
fechou a terça-feira em queda no Brasil, acompanhando o recuo da moeda
norte-americana ante divisas pares do real no exterior, um dia antes de o
governo dos Estados Unidos anunciar detalhes sobre as tarifas de
importação recíprocas prometidas pelo presidente Donald Trump.
O
dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,6830 — menor cotação
de fechamento desde 21 de março, quando encerrou em R$5,6761. No ano, a
divisa acumula queda de 8,03% ante o real.
Às 17h27, na B3, o dólar para abril — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,32%, aos R$ 5,7155.
No
início do dia o dólar chegou a oscilar em alta no Brasil, mas no fim da
manhã a moeda já migrava para o território negativo, com o real se
alinhando a seus pares externos.
O enfraquecimento do dólar ante
várias divisas estava em sintonia com a baixa firme dos rendimentos dos
Treasuries, com investidores buscando a segurança dos títulos
norte-americanos antes da quarta-feira — dia em que o presidente dos
EUA, Donald Trump, promete anunciar tarifas recíprocas para todos os
países, e não apenas para um grupo menor de 10 a 15 países. Trump vem
chamando a quarta de “Liberation Day” (Dia da Libertação).
A
queda do dólar estava em sintonia com o avanço do Ibovespa e a baixa
das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em um dia positivo para
os ativos brasileiros.
“O Brasil segue se apropriando de um fluxo
positivo do estrangeiro, que em virtude desta política, sobretudo dos
EUA, do Trump, de impor tarifas, tem feito com que o investidor repense
sua alocação, diminuindo exposição aos EUA, e realocando em outros
países”, comentou no fim da tarde Rodrigo Moliterno head de renda
variável da Veedha Investimentos.
Após marcar a cotação máxima de R$ 5,7342 (+0,48%) às 10h07, o dólar à vista atingiu a mínima de R$ 5,6735 (-0,59%) às 13h20.
“O
dia é de propensão a risco, com percepção de diferencial de juros
‘gordo’, porque os Estados Unidos caminham para cortar juros”, comentou
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, ao justificar o recuo do
dólar ante o real.
Em tese, quanto maior o diferencial de juros —
a diferença entre as taxas norte-americana e brasileira –, maior a
atratividade do Brasil ao capital externo, o que pesa sobre as cotações
do dólar.
No exterior a moeda norte-americana também cedia no fim
da tarde ante outras divisas pares do real, como o peso mexicano, a lira
turca e o peso chileno.
O DXY (índice do dólar), que mede o
desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas,
estava em leve alta, influenciado por um lado pelo avanço do iene e por
outro pela queda do euro. Às 17h23, o índice do dólar subia 0,05%, a
104,230.
Pela manhã, o Banco Central vendeu toda a oferta de
20.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do
vencimento de 2 de maio de 2025.