quinta-feira, 3 de abril de 2025

Tarifa de 50% pode ‘matar’ Lesoto, chamado por Trump de país que ‘ninguém nunca ouviu falar’

 

Uma tarifa comercial recíproca de 50% imposta ao Lesoto, a mais alta anunciada pelo presidente dos EUA, matará o pequeno reino do sul da África que Donald Trump ridicularizou no mês passado, disse um analista econômico nesta quinta-feira, 03.

O Lesoto, que Trump descreveu em março como um país do qual “ninguém nunca ouviu falar”, é uma das nações mais pobres do mundo, com um PIB (Produto Interno Bruto) de pouco mais de US$ 2 bilhões.

O país tem um grande superávit comercial com os Estados Unidos, graças principalmente às suas exportações de diamantes e têxteis, incluindo jeans Levi’s, para o mercado norte-americano.

Suas vendas para os Estados Unidos, que em 2024 totalizaram US$ 237 milhões, representam mais de 10% de seu PIB.

Na quarta-feira, 2, Trump impôs novas e abrangentes tarifas aos parceiros comerciais globais, derrubando décadas de comércio baseado em regras e ameaçando aumentar os custos para os consumidores.

Ele disse que as tarifas “recíprocas” eram uma resposta às taxas e outras barreiras não tarifárias impostas aos produtos americanos. O Lesoto cobra 99% de tarifas sobre os produtos americanos, de acordo com o governo dos EUA.

Na África, a medida sinalizou o fim do acordo comercial AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidades para a África), que deveria ajudar as economias africanas a se desenvolverem por meio de acesso preferencial aos mercados dos EUA, segundo especialistas em comércio.

A iniciativa também aumentou as dificuldades para a região depois que Trump desmantelou a Usaid, agência governamental que era uma das principais fornecedoras de assistência ao continente.

“A tarifa recíproca de 50% introduzida pelo governo dos EUA vai acabar com o setor têxtil e de vestuário do Lesoto”, disse à Reuters Thabo Qhesi, analista econômico independente baseado em Maseru.

A Oxford Economics disse que o setor têxtil, com cerca de 40 mil trabalhadores, é o maior empregador privado do Lesoto e responde por aproximadamente 90% dos empregos no setor industrial e das exportações.

“Depois temos os varejistas que vendem alimentos. E há os proprietários de imóveis residenciais que alugam casas para os trabalhadores. Isso significa que, se houver o fechamento de fábricas, o setor morrerá e haverá efeitos multiplicadores”, disse Qhesi.

“Portanto, o Lesoto estará morto, por assim dizer.”

O governo do Lesoto, uma nação montanhosa de cerca de 2 milhões de habitantes cercada pela África do Sul, não fez comentários imediatos sobre as tarifas comerciais na quinta-feira.

Seu ministro das Relações Exteriores disse à Reuters no mês passado que o país, que tem uma das maiores taxas de infecção por HIV/Aids do mundo, já estava sentindo o impacto dos cortes na assistência, pois seu setor de saúde dependia deles.

A fórmula usada para calcular as tarifas dos EUA considerou o déficit comercial dos EUA em mercadorias com cada país como um indicador de supostas práticas desleais e também a quantidade de mercadorias importadas para os Estados Unidos daquele país.

Na prática, países que importam apenas pequenas quantidades de mercadorias dos EUA, como Lesoto e Madagascar, foram atingidos por tarifas mais punitivas do que países muito mais ricos.

Esse também é o caso do Vietnã, Nicarágua e Camboja, cujas exportações para os Estados Unidos representam mais de 25% do PIB, de acordo com a Oxford Economics.

Um vendedor de milho em Maseru, Sekhoane Masokela, viu o anúncio de Trump como um motivo para buscar novos mercados.

“O país dele (de Trump) não é o único, então ele está nos dando uma oportunidade de cortar os laços com ele e procurar outros países. É evidente que ele não quer mais ter nada a ver conosco”, disse Masokela.

Tarifas de Trump afetam ações de fabricantes de agroquímicos

Donald Trump: o que está por trás de nova foto oficial - BBC ...

Temores de que o plano tarifário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa causar mais turbulência no setor agrícola afetaram as ações de fabricantes de agroquímicos. As ações de empresas como FMC e Corteva – que fornecem agrotóxicos e sementes para agricultores – caíram ontem no after hours em Nova York.

Organizações do setor agrícola alertaram que tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos EUA podem pressionar as cotações do milho, da soja e de outras commodities, prejudicando a capacidade dos agricultores de investir em sementes e pesticidas de alta tecnologia. Fonte: Dow Jones Newswires.

Presidente do México diz que país assinará acordo de troca comercial com União Europeia

 Eleições no México: quem é Claudia Sheinbaun, futura ...

O México buscará diversificar suas relações comerciais com outros países além dos Estados Unidos, afirmou a presidente mexicana Claudia Sheinbaum durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 3. O discurso vem no dia seguinte ao anúncio das tarifas recíprocas do presidente norte-americano, Donald Trump.

“O México vai assinar e vai manter um acordo de trocas comerciais com a União Europeia”, declarou Sheinbaum, sem dar mais detalhes.

Ainda segundo a líder mexicana, o país segue em negociações com os Estados Unidos em relação às tarifas sobre a indústria automotiva, aço e alumínio.

Bradesco libera Pix automático para clientes pessoa física e pessoa jurídica

 

O Bradesco liberou o Pix automático para clientes pessoas físicas e jurídicas. A modalidade permite que pagamentos recorrentes sejam programados para ser feitos com o método instantâneo, para contas como luz, Internet, planos de saúde e outros tipos de consumo. O funcionamento é similar ao do débito automático, mas o trilho é o do Pix.

A princípio, podem utilizar o serviço empresas que sejam correntistas do banco e que o utilizem para receber pagamentos de clientes que também tenham conta no Bradesco.

Para pagadores que são clientes de outros bancos, o serviço seguirá o cronograma do Banco Central, sendo liberado em 16 de junho.

O cliente PF tem de verificar se a empresa que receberá o pagamento oferece essa opção, e se este for o caso, basta cadastrar o pagamento lendo o QR Code disponível no aplicativo do banco.

É possível definir valores máximos para o agendamento, e os débitos são feitos inclusive em feriados e fins de semana, de forma gratuita.

As empresas que queiram receber via Pix automático devem entrar em contato com o gerente do banco para ativá-lo.

Lula assina decreto que regulamenta Fundo Social, assegurando repasses ao Minha Casa Minha Vida

 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou decreto que regulamenta o Fundo Social com o repasse de recursos oriundos do pré-sal ao Programa Minha Casa Minha Vida, nesta quinta-feira, 3. Na ocasião, ele celebrou os dois anos do atual governo em uma solenidade com autoridades em Brasília.

De acordo com o anúncio do evento, estão previstos R$ 18 bilhões na lei orçamentária aprovada pelo Congresso Nacional para a finalidade do decreto.

O Fundo Social do Pré-sal foi criado em 2010 como uma fonte de recursos vinculada à Presidência da República para programas e projetos nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento de áreas como educação, saúde e ciência.

A cerimônia também teve a divulgação de vídeos que citam iniciativas do governo, como obras em universidades federais, o Programa Pé-de-Meia, o Bolsa Família e investimentos no sistema público de saúde.

Vendas de imóveis em fevereiro crescem 37% e lançamentos disparam 136,5%, diz Secovi-SP

 

O mercado imobiliário da cidade de São Paulo teve uma expansão significativa dos lançamentos e das vendas no mês de fevereiro, de acordo com pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 3, pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

As vendas de imóveis residenciais novos em fevereiro subiram 57,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 10,4 mil unidades. No acumulado dos últimos 12 meses, a comercialização avançou 37%, para 108,3 mil unidades – maior patamar já registrado pela pesquisa.

A velocidade de vendas (quantidade de unidades vendidas em relação ao estoque disponível) em 12 meses foi a 60,1% em fevereiro, alta de 7,7 pontos porcentuais na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas 1,5 ponto menor que janeiro deste ano.

Apesar dos juros mais altos nos financiamentos, a demanda por imóveis permanece aquecida em função do crescimento da economia brasileira, com elevação do emprego e da renda da população.

Outro ponto fundamental são os incentivos públicos – especialmente do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e dos programas estaduais que conferem subsídios para aquisição das moradias.

Lançamentos e estoques

O resultado forte de vendas tem motivado as incorporadoras a lançar mais projetos. Os lançamentos em fevereiro dispararam 136,5% na comparação anual, para 10,5 mil imóveis. No acumulado dos últimos 12 meses, os lançamentos aumentaram 48%, totalizando 114 mil unidades – nível mais alto já registrado pelo Secovi-SP no período.

O estoque de imóveis novos disponíveis para venda (considerando unidades na planta, em obras e recém-construídas) aumentou 2% em um ano, para 60,8 mil unidades. No ritmo atual das vendas, o estoque seria suficiente para abastecer a demanda por seis a sete meses, de acordo com o levantamento.

PP propõe ampliação da faixa e tributação progressiva em IR, com alíquota de 4% até 15%

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O Partido Progressistas (PP) propôs uma ampliação da faixa de renda sujeita à tributação adicional de 10%, de R$ 50 mil para R$ 150 mil mensais, no projeto de lei que aumenta a isenção do imposto de renda. Segundo a proposta, obtida pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a tributação inicia-se com uma alíquota de 4% e aumenta progressivamente até atingir 15% para rendimentos anuais superiores a R$ 1 bilhão, faixa em que a alíquota se torna fixa.

Além disso, o PP sugeriu a criação de um fundo exclusivo para repor as perdas de arrecadação que os Estados e municípios terão com a proposta, sem detalhar como funcionaria na prática.

Como mostrou a reportagem, depois de o governo anunciar o projeto lei, governadores e prefeitos passaram a pressionar parlamentares para evitar que a medida resulte em uma perda de arrecadação aos cofres públicos dos entes federativos.

O principal receio é em relação ao impacto que a medida pode gerar na arrecadação do Imposto de Renda retido na fonte (IRRF) pago pelos funcionários públicos estaduais, distritais e municipais.

Ao todo, o PP sugeriu cinco modificações principais para o projeto que amplia a isenção do IR.

Os tópicos foram apresentados pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente da legenda, ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante reunião na manhã desta quinta.

O Broadcast teve acesso ao documento apresentado por Ciro durante o encontro.

Além da ampliação da faixa de renda sujeita à tributação adicional, da taxação progressiva e da compensação aos municípios, o PP propôs também redução linear de 2,5% em benefícios tributários, preservadas “exceções de interesse público”.

Os grupos não impactados seriam: o Simples Nacional; microempreendedores individuais (MEIs); deduções e isenções de IR (despesas médicas, de educação e aposentados); isenções de ONGs; táxis (isenção de IPI); donas de casa (isenção da contribuição previdenciária); automóveis de pessoas com deficiência; motocicletas (redução do IOF para financiamento); medicamentos, benefícios do trabalhador (indenizações por fim de contrato de trabalho); fundo criança e fundo do idoso (deduções de doações do IR).

O PP sugeriu ainda a elevação em 5% da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), aplicada exclusivamente a instituições financeiras com lucro líquido anual superior a R$ 1 bilhão. Segundo Nogueira, seriam 17 instituições.