segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Compra de fatia da Novonor na Braskem pela IG4 é vista como positiva para Petrobras; entenda

 

O acordo entre a Novonor e a empresa de investimentos IG4 para transferência da participação da antiga Odebrecht na petroquímica Braskem foi comemorado nesta segunda-feira, 15, pela Petrobras, que tem uma participação relevante na petroquímica embora reclame de representação reduzida no comando da companhia.

O acerto é visto como um primeiro passo para que haja um novo acordo de acionistas que possa viabilizar maior presença e participação da estatal na gestão da Braskem, maior petroquímica da América Latina, disseram três fontes próximas da Petrobras à Reuters.

Procurada, a Petrobras não pode comentar o assunto de imediato.

Atualmente, a Petrobras detém 47% do capital votante da Braskem e 36,1% do capital total. No entanto, ocupa quatro cadeiras no conselho de administração de 11 membros da companhia. A Novonor ocupa sete, com uma fatia de 50,1% das ações ON.

Pelo acordo, a IG4 passará a deter 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da petroquímica. Após a conclusão da operação, a Novonor permanecerá com 4% da Braskem.

“A proposta para o acordo prevê paridade da Petrobras na empresa ou seja, quatro diretorias e cinco cadeiras no conselho de um total de 11. Eles (IG4) ficam com o CEO (presidente-executivo) no primeiro mandato e a Petrobras com o chairman (presidente do conselho de administração)”, disse uma das fontes próxima da Petrobras.

“Aí é um novo papo e uma nova gestão para Braskem”, acrescentou a fonte. “Os 4% de ações (participação) que ficarão com a Novonor sairão da carteira da IG4.”

Segundo uma segunda fonte próxima da estatal, após o termo de compromisso assinado pelas partes sobre a paridade de participação no comando da Braskem, ainda vai levar “uns meses” para a definição do novo acordo de acionistas.

Pelo que foi anunciado mais cedo, a IG4 terá 60 dias de exclusividade para negociar os detalhes do acordo com a Novonor.

“A vantagem é que as conversas com a Petrobras já começaram há algum tempo e as coisas já estão mais ou menos direcionadas. Mas, hoje é uma ótima notícia depois de sete ou oito anos de idas e vindas”, acrescentou a segunda fonte.

Dentro da Petrobras, ainda não se fala em exercer o direito de preferência na operação de venda das ações da Novonor na Braskem para a IG4, mas há o sentimento de que a empresa de investimentos vai trabalhar em parceira com a estatal para melhorar os resultados da petroquímica. Isso permitirá uma futura revenda dessa participação a ser adquirida pela IG4, disseram as fontes.

A possibilidade de compra do controle da Braskem também não está sendo cogitada pela Petrobras.

“Não tem como comprar a Braskem; são muitas questões como lei da estatais, desinteresse da Petrobras e há também a perspectiva de que no futuro a IG4 vai vender sua participação para um outro parceiro”, disse uma das fontes próximas da estatal.

“O que a Petrobras busca é estar mais no dia a dia da empresa, na parte operacional da empresa, que é uma boa empresa e uma das maiores do mundo. Podemos levantar a empresa”, afirmou uma das fontes.

Uma terceira fonte próxima da Petrobras afirmou que a expectativa é que um acordo definitivo com a IG4 possa ser assinado em cerca de 30 dias “e mais uns 30 dias para o ‘closing’ da operação”.

“Quando eles (Novonor, bancos credores e IG4) assinarem o acordo definitivo, a Petrobras já deve estar com tudo pronto para dar o ‘ok’ e acelerar o processo”, disse a terceira fonte, citando uma eventual desistência do direito de preferência da estatal na venda da participação da Novonor na Braskem.

“A previsão é em março de 2026 a Braskem já estará sob nova gestão”, disse a terceira fonte. “Isso tem que ser comemorado; foi um passo importante que as empresas deram, soluciona oito anos de controvérsia e vira-se uma página importante e abre-se uma boa perspectiva”, acrescentou a segunda fonte.

Equinox Gold vende minas de ouro no Brasil para CMOC, da China, por US$ 1 bilhão

 Barras de ouro valem US$ 1 milhão pela primeira vez

A canadense Equinox Gold anunciou a venda de minas de ouro no Brasil por US$ 1,015 bilhão para a chinesa CMOC Group. As minas vendidas são Aurizona, no Maranhão, Riacho dos Machados, em Minas Gerais, e outras no chamado Complexo Bahia. Serão vendidos 100% das operações.

No acordo acertado com os chineses, a Equinox Gold vai receber US$ 900 milhões em dinheiro no fechamento da operação, que ainda depende de aprovação de órgãos brasileiros.

Outros US$ 115 milhões serão pagos um ano depois, sujeito a ajustes e contingentes de produtividade, de acordo com comunicado. A expectativa é que o fechamento da operação deve acontecer no primeiro trimestre de 2026.

A venda das minas acontece em meio aos recordes de alta do ouro no mercado mundial, com o aumento da incerteza geopolítica e econômica levando os investidores a buscarem segurança no metal.

A demanda pelo ouro vem ganhando força há pelo menos três anos, puxada pelas compras de bancos centrais, sobretudo o da China. Desde 2023, o ouro já subiu mais de 60% e este ano o preço da onça-troy superou pela primeira vez a marca de US$ 4 mil.

Com a alta do ouro, banqueiros de investimento e escritórios de advocacia contam que tem sido intenso o movimento de sondagem de compradores estrangeiros por minas de ouro no Brasil e em outras partes do mundo. Recentemente, entrou no mercado a venda de uma mina na Argentina.

A Equinox Gold deve usar os recursos da venda para pagar dívidas, uma de US$ 500 milhões referente a um empréstimo e outra de US$ 300 milhões. Com a venda da operação brasileira, a Equinox informa que vai se concentrar nas operações no Canadá, na Califórnia e na Nicarágua.

Na transação, a Equinox foi assessorada pelo banco BMO Capital Markets e pelos escritórios Blake, Cassels & Graydon e o Veirano Advogados. A CMOC teve a assessoria da Canaccord Genuity Corp e os escritórios McCarthy Tétrault e Mattos Filho.

Copom de dezembro praticamente apaga apostas no Focus de corte da Selic em janeiro

 Copom eleva juros básicos da economia para 14,25% ao ano ...

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) da quarta-feira, 10, praticamente apagou as apostas em um corte da Selic em janeiro do relatório Focus. As medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o boletim, indicam que a taxa básica de juros vai permanecer em 15% na próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 27 e 28 do primeiro mês de 2026.

A mediana para a Selic em janeiro já havia subido de 14,75% para 15% no relatório anterior, publicado no dia 8, considerando as estimativas dos últimos 30 dias úteis. Mas, levando em conta apenas as projeções dos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 14,875% – exatamente dividida entre 15% e 14,75% – no Focus passado para 15% agora.

As médias também têm avançado, o que mostra uma queda nas apostas em cortes maiores. A média do Focus para a Selic em janeiro passou de 14,8269% no relatório do dia 8 para 14,8427% agora. Levando em conta apenas as projeções atualizadas em cinco dias úteis, oscilou de 14,8415% para 14,8564%.

No comunicado da última quarta-feira o Copom afirmou que a estratégia em curso, de manutenção da Selic em 15% por período “bastante prolongado”, é “adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. “O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, diz o texto.

O Copom divulga a ata da sua reunião nesta terça-feira, 16, às 8 horas. As medianas do Focus, tanto de 30 como de cinco dias úteis, continuam indicando um primeiro corte da Selic na segunda reunião de 2026, dos dias 17 e 18 de março, a 14,50%.

Inflação

Mesmo com a sinalização mais dura do Copom e a expectativa de menos cortes, o mercado continua esperando uma inflação maior do que a estimada pelo Banco Central. A mediana do Sistema Expectativas de Mercado para o IPCA acumulado em quatro trimestres até o segundo trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária, oscilou de 3,92% para 3,91%. A taxa continua bem acima da previsão do BC, de 3,2%.

Os números foram calculados pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) com base nas medianas do sistema para a inflação trimestral.

Quando calculada com base nas medianas para a inflação mensal, a estimativa intermediária para o IPCA acumulado em 12 meses até junho de 2027 cedeu de 3,90% para 3,89%, também acima da projeção do Copom.

Macron e Meloni articulam adiamento de votação da UE sobre acordo com Mercosul

 Representantes de governos do Mercosul planejam estratégia ...

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o presidente da França, Emmanuel Macron, concordaram sobre a necessidade de adiar a votação final da União Europeia sobre o acordo comercial com o Mercosul, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O movimento reforça a articulação francesa para reunir uma “minoria de bloqueio” contra o tratado negociado pela Comissão Europeia, cuja deliberação no Conselho era esperada em Bruxelas ainda nesta semana.

A pressão ocorre às vésperas de uma votação agendada para a terça-feira, 16, no Parlamento Europeu sobre as chamadas cláusulas de salvaguarda do acordo Mercosul-UE, que tratam de mecanismos de proteção para produtos agrícolas sensíveis.

Apesar de confirmada ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) por um representante da UE, o agendamento da votação pode ser alterado, já que a agenda do Parlamento Europeu é provisória.

O texto em discussão faz parte do processo legislativo europeu relativo às “salvaguardas bilaterais” previstas no pacto com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O acordo Mercosul-UE, negociado ao longo de cerca de 25 anos e frequentemente travado perto da conclusão, é visto em Bruxelas como uma forma de diversificar os laços da Europa, como reforçado mais cedo por um porta-voz da Comissão Europeia.

Ampliação da faixa de isenção do IR contribuirá com aceleração econômica em 2026, diz ministra

 Imagem

A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, disse nesta segunda-feira, 15, que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) vai contribuir com a aceleração da economia brasileira em 2026, junto com o equacionamento das arestas com os EUA e a queda de juros, que, segundo ela, “tende a acontecer o mais breve possível diante de inflação controlada e declinante e da taxa de juros – em especial a americana – em queda”.

Segundo Dweck, a mudança no IR ajudará a reduzir desigualdades ao tributar “quem ganhava muito e não pagava nada”. A ministra disse ainda que é um absurdo dizer que o Brasil não está reduzindo desigualdades, pois há diferentes medidas complementares neste sentido.

“Já é a segunda vez na história do Brasil que, por um lado, consegue crescer reduzindo desigualdades e que tentam dizer que isso não é verdade”, defendeu ela, apontando estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que suportaria a afirmação. “O estudo do Ipea é bom porque usa diversas formas de medir desigualdades. O Brasil tem uma das maiores desigualdades, não tem dúvida disso. Mas dizer que não está tendo redução das desigualdades é um absurdo.”

Dweck enfatizou o papel das estatais na economia brasileira que, segundo ela, estão indo muito bem no agregado ao responderem por 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Ela ainda criticou as sugestões de privatização das estatais. “Vimos o que aconteceu em São Paulo. Bairros de classe altíssima ficaram dois dias sem luz. Imagine em bairros de classe média ou baixa perdendo tudo que têm na geladeira”, disse.

A Grande São Paulo passou por um longo apagão após uma ventania histórica na semana passada. O serviço de fornecimento de energia elétrica foi privatizado e hoje cabe à Enel.

A ministra admitiu que os Correios passam por uma crise, da mesma forma que empresas em todo o mundo, mas defendeu manter a universalização dos serviços postais. “Estamos trabalhando há um ano para pensar na reestruturação dos Correios”, disse, enfatizando que em outros países foi preciso se associar a outros serviços.

De acordo com ela, a sobrevivência do setor de bens de capital no Brasil se deve ao BNDES. “Sem BNDES não haveria no Brasil setor de bens de capital.”

Dweck participa do evento “Democracia e Direitos Humanos: Empresas juntas por um Brasil mais igualitário”, realizado na sede do banco, na região central do Rio de Janeiro.

1ª previsão da Hedgepoint é de safra de café do País de até 74,4 mi/sacas em 2026

 Hedgepoint Global Markets | LinkedIn

São Paulo, 15 – A Hedgepoint Global Markets divulgou, na sexta-feira, 12, sua primeira estimativa para a safra brasileira de café 2026/27, cuja colheita começa entre meados de abril e maio de 2026. A produção total deve alcançar entre 71 milhões e 74,4 milhões de sacas de 60 kg. Desse total, a colheita de arábica pode atingir entre 46,5 milhões e 49 milhões de sacas, acima dos 37,7 milhões de sacas projetados para 2025/26. A safra de conilon (robusta) está estimada entre 24,6 milhões e 25,4 milhões de sacas, em comparação com a previsão de 27 milhões na temporada anterior.

Conforme a Hedgepoint, porcentualmente a safra de arábica deve ser de 23,3% a 30% maior ante 2025/26, “impulsionada por novas áreas, bom manejo e ciclo bienal positiva em diversas lavouras, apoiada por clima favorável após meados de outubro, embora a produtividade ainda seja desigual entre regiões”. Já a produção de conilon pode apresentar recuo de 8,9% a 5,9% em comparação com 2025/26, “após ciclo excepcional, parcialmente compensado por expansão e renovação de áreas desde 2023”.

A empresa explicou que “as chuvas de outubro e novembro favoreceram a floração do arábica, enquanto o conilon manteve bom desenvolvimento nas principais regiões produtoras, ainda que o volume deva ficar abaixo do pico da safra 2025/26”.

“De agosto ao início de outubro, a seca atrasou a floração e causou perdas nas primeiras floradas em parte das áreas. A partir de meados de outubro, volumes mais robustos de chuva retornaram às regiões de arábica, permitindo uma segunda floração e restaurando expectativas para 2026/27”, continuou a Hedgepoint.

A analista de café da Hedgepoint, Laleska Moda, disse em comunicado que houve aumento de podas em áreas com plantas danificadas que não haviam sido podadas na última temporada em virtude dos preços elevados. “Ao mesmo tempo, segue o investimento em novas áreas, cujos resultados se tornarão mais visíveis nos próximos anos”, afirmou.

No conilon, a consistência das precipitações e bons níveis de reservatórios no Espírito Santo e na Bahia favorecem a floração e o enchimento dos grãos.

A Heddgepoint acrescentou que, co0m a recuperação no arábica e uma produção de conilon ainda elevada, a safra 2026/27 tende a contribuir para recomposição dos estoques globais. Entretanto, números mais certeiros virão após a fase de enchimento dos grãos (dezembro a março), mantendo o mercado sensível a qualquer adversidade climática e propenso à volatilidade. “O sentimento recente ficou mais baixista diante da perspectiva de maior produção brasileira e da remoção da maioria das tarifas dos EUA sobre o café brasileiro, ainda que a condição dos estoques e menor exportações brasileiras possam trazer suporte no curto prazo”, ponderou.

De acordo com a analista, revisões na estimativa serão publicadas entre março e abril, quando os rendimentos de processamento poderão ser avaliados com maior precisão. “A safra 2026/27 deve marcar um ponto de inflexão para o mercado. Apesar do recuo natural no conilon após um ciclo histórico, a expansão de áreas e a regularidade das chuvas sustentam um quadro positivo. Até ser concluída a fase do enchimento dos grãos, os preços seguirão sensíveis ao clima no Brasil e aos níveis dos estoques nos destinos, o que pode causar janelas de volatilidade e oportunidades”, concluiu Moda.

Novonor, ex-Odebrecht, fecha acordo com IG4 e deixa de ser controladora da Braskem

 

 

A Braskem informou nesta segunda-feira, 15, que a Novonor (ex-Odebrecht) assinou um acordo de exclusividade com a empresa de investimentos IG4 Capital para vender sua participação na petroquímica.

Conforme o documento, a Novonor se comprometeu a transferir a participação na Braskem para um fundo da IG4, que passará a deter 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da petroquímica. Veja aqui o fato relevante.

A IG4 acrescentou em outro comunicado que a operação envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívida e não causará mudanças operacionais imediatas na Braskem.

Após a conclusão da operação, a Novonor permanecerá com 4% da Braskem.

A Petrobras é a outra grande sócia da Braskem, com participação de 47% no capital votante e 36,1% no capital total.