terça-feira, 30 de dezembro de 2025

BGE: desemprego fica em 5,2% em novembro e renova menor taxa da série histórica

 

O desemprego no Brasil registrou nova queda e fechou o trimestre terminado em novembro em 5,2%. Segundo dados da Pnad Contínua, apresentados hoje pelo IBGE, o resultado superou as expectativas do mercado financeiro, que estimava uma taxa de 5,4% para o período segundo pesquisa da Reuters.

O resultado é o melhor da série histórica iniciada em 2012, superando os 5,4% registrados no trimestre móvel encerrado em outubro. A população desocupada chega a 5,6 milhões, o menor contingente da série histórica, recuando em 441 mil pessoas (7,2%) no trimestre e em 988 mil (14,9%) no ano.

O indicador acumula uma sequência de quedas desde o trimestre móvel terminado em junho de 2025, permanecendo em níveis historicamente baixos.

A população ocupada também atingiu sua máxima na série histórica: 103,0 milhões, resultado de recorde de pessoas empregadas com carteira assinada no setor privado (39,4 milhões), no setor público (13,1 milhões) e trabalhando por conta própria (26,0 milhões). O número de empregados sem carteira no setor privado ficou estável (13,6 milhões).

O total de trabalhadores informais no país caiu para 38,8 milhões no trimestre encerrado em novembro. A taxa de 37,7% mostra uma trajetória de queda tanto na comparação com o trimestre móvel anterior (38,0%) quanto em relação ao patamar de um ano atrás, quando o índice de informalidade era de 38,8%.

Além do desemprego

Os dados do IBGE apontam ainda que o crescimento da taxa de ocupação da população acompanhou o aumento do rendimento real habitual dos trabalhadores, ou seja, do valor da remuneração ajustado pela inflação para analisar o poder de compra. Com alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% no ano, o valor bateu o recorde em  R$ 3.574.

No que diz respeito aos salários, o setor de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias e Administrativas foi o único a registrar aumento real no rendimento médio. A categoria teve uma alta de 5,4%, o que representa um ganho adicional de R$ 266 no bolso do trabalhador em relação ao trimestre anterior. Nas demais áreas, a remuneração permaneceu estável.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

BC define regras para remessa de informações sobre operações de câmbio com ativos virtuais

 Ficheiro:Banco Central do Brasil logo.png – Wikipédia, a ...

O Banco Central definiu regras para a remessa de informações relativas às operações de câmbio no mercado de ativos virtuais. As instituições autorizadas a operar nesse mercado devem enviar os dados ao BC a partir de maio de 2026.

Será necessário informar dados como data da operação, identificação do cliente, denominação do ativo virtual e quantidade transferida. Para isso, a autarquia elaborou uma tabela com códigos de ativos virtuais, como Bitcoin, Ethereum e Solana. Caso o ativo não conste nessa relação, será preciso enviar um texto descritivo, com sua sigla e denominação.

As instituições deverão reportar pagamentos ou transferências internacionais mediante transmissão de ativos virtuais; carregamentos ou descarregamentos de ativos virtuais em cartão ou outro meio de pagamento eletrônico de uso internacional; transferências de ativos virtuais de ou para carteiras autocustodiadas que não envolvam pagamento ou transferência internacional; e o total mensal de compras, vendas e trocas de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária.

São responsáveis por essas remessas os bancos, a Caixa Econômica Federal, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades corretoras de câmbio e as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSVAS).

O detalhamento complementa a Resolução nº 521, publicada no início de novembro e que entra em vigor em fevereiro de 2026. No texto, o BC definiu regras para a negociação com ativos virtuais, criou as SPSVAS, regulamentou quais atividades ou operações com esses ativos se inserem no mercado de câmbio e em quais situações incidem as normas de capitais internacionais.

Países ricos limitam imigração apesar da falta de mão de obra

 

Políticas de governo e ambiente social anti-imigração restringem ida de trabalhadores para países de alta renda.Um relatório divulgado no mês passado mostrou que a migração de trabalhadores está caindo globalmente, apesar de as sociedades envelhecidas nos países ricos se verem confrontadas com uma crescente escassez de mão de obra.

Esse declínio global começou bem antes da reeleição do presidente Donald Trump, que fez sua campanha eleitoral em 2024 com a promessa de restringir drasticamente a imigração.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que monitora as políticas econômicas e sociais globais, a migração relacionada ao trabalho para seus 38 países membros caiu mais de um quinto em 2024 (21%).

Essa queda foi impulsionada menos pela demanda do que pela crescente oposição política à imigração e por regimes de vistos mais rigorosos em países de economias avançadas, constatou o relatório Perspectivas da Migração Internacional 2025. Em contraste, a migração temporária para trabalhar continuou aumentando.

Declínio impulsionado por dois países

A maior parte do declínio mundial na migração laboral permanente foi impulsionada por mudanças nas políticas de dois países: o Reino Unido e a Nova Zelândia .

Na Nova Zelândia, a queda esteve ligada ao fim de um programa de residência pós-pandemia que permitiu a mais de 200 mil imigrantes temporários e seus dependentes se estabelecerem de forma permanente. Esse programa se encerrou em julho de 2022.

No caso do Reino Unido, após o Brexit , o governo local reformou o visto para trabalhadores da saúde e assistência social, restringindo os critérios de elegibilidade dos empregadores e proibindo a entrada de dependentes, o que resultou numa forte redução nos pedidos de visto.

A OCDE destacou justamente a área da saúde como um setor onde restrições desse tipo podem agravar a escassez de mão de obra.

A especialista em migração Seeta Sharma, que assessorou as Nações Unidas e o governo da Índia, alerta que as reformas feitas pelo Reino Unido, incluindo também uma medida para restringir os critérios de elegibilidade para estudantes internacionais que desejam trabalhar após a formatura, podem ser contraproducentes para o país.

“É a transição dos estudos para o trabalho que está sendo restringida”, explica Sharma. “Se isso acontece, as inscrições diminuem, pois os indianos, por exemplo, não vão mais gastar grandes somas em educação no exterior se não houver um retorno claro do investimento.”

Políticas de governo

No caso dos Estados Unidos, limites mais rígidos para os vistos H-1B (o principal programa que permite a profissionais estrangeiros de áreas como tecnologia, engenharia e medicina trabalharem no país) foram introduzidos durante o governo do presidente Joe Biden.

Desde então, Trump aumentou substancialmente o custo do visto para os empregadores , de entre 2 mil e 5 mil dólares para 100 mil dólares. A agenda política do republicano, de um modo mais amplo, tem se concentrado em limitar as vias de imigração permanente.

A Austrália , por sua vez, elevou os limites salariais para vistos de trabalho qualificado, enquanto o Canadá ajustou as vias de imigração para trabalhadores temporários, contribuindo também para o declínio mais amplo na imigração relacionada a empregos.

Os países nórdicos também registraram grandes quedas, com a Finlândia tendo uma queda de 36% em comparação com 2023.

Na Alemanha , as políticas de imigração mais rígidas do ex-chanceler federal Olaf Scholz contribuíram para uma queda de 12% nos fluxos de imigração permanente em 2024, quando 586 mil trabalhadores estrangeiros entraram no país. O número de pessoas que chegaram com vistos de trabalho foi 32% menor do que no ano anterior. Essas reformas foram ampliadas pelo governo do novo chanceler federal, Friedrich Merz .

O professor de economia Herbert Brücker, da Universidade Humboldt de Berlim, diz que esse declínio cria problemas para a economia alemã. “Nós precisamos da migração para substituir os trabalhadores que se aposentam. Sem ela, não conseguimos manter a oferta de mão de obra estável.”

Alta demanda por trabalhadores na UE

Em toda a União Europeia (UE), cerca de dois terços dos empregos criados entre 2019 e 2023 foram preenchidos por cidadãos de países de fora do bloco europeu, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que destaca a dependência da Europa da mão de obra externa.

Globalmente havia 167,7 milhões de trabalhadores migrantes em 2022, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Isso representava 4,7% da força de trabalho global total. Mais de dois terços deles, ou 114,7 milhões, viviam em países de alta renda.

Apesar da queda em 2024, a migração global relacionada ao trabalho permanece acima dos níveis pré-pandemia de covid-19. O que o relatório da OCDE revela é como esses fluxos podem ser abruptamente interrompidos por decisões políticas, baseadas em temores sociais sobre a imigração ilegal e não na real demanda econômica, que permanece em níveis elevados.

A agenda do segundo mandato de Trump amplificou essa dinâmica, com decretos executivos para restringir a imigração legal e ilegal. O governo Trump argumenta que essas medidas são necessárias para proteger os trabalhadores americanos.

Opção pelo trabalhador temporário

Já a migração laboral temporária ou sazonal manteve-se estável em 2024, mesmo com a diminuição dos fluxos permanentes, de acordo com o relatório da OCDE.

Isso reflete a opção de governos dos países ricos por programas de curto prazo que podem ser expandidos ou reduzidos conforme a necessidade. “A ideia é: ‘Vamos trazer pessoas quando quisermos e fechar as portas quando não quisermos. Só não vamos ter essa gente ‘diferente’ em nosso país para sempre'”, critica Sharma.

Os programas de trabalhadores sazonais e temporários estavam com alta demanda na Austrália, na Europa e na América do Norte, onde empregadores nos setores agrícola, de cuidados e de construção preencheram lacunas em sua força de trabalho com eles.

A OCDE observa que os programas de migração temporária também estão cada vez mais sendo utilizados pelo setor de tecnologia e outros altamente qualificados.

Dificuldades para a integração

Além de tentar atrair mais trabalhadores estrangeiros, a OCDE instou as economias avançadas a integrá-los melhor ao mercado de trabalho. Entre as medidas essenciais sugeridas estão os cursos de idiomas e o acesso a serviços sociais, juntamente com o reconhecimento das qualificações obtidas nos países de origem. Muitas vezes, os imigrantes são empregados em trabalhos de qualificação abaixo da sua formação.

Brücker, que é pesquisador de migração no Instituto Alemão de Pesquisas sobre Emprego (IAB), observa que as reformas destinadas a tornar a maior economia da Europa mais atraente para trabalhadores estrangeiros não funcionaram devido a processos lentos e à burocracia.

“O reconhecimento de diplomas e treinamento profissional leva anos e isso dificulta a vinda de trabalhadores qualificados”, diz. O resultado é que a Alemanha tem hoje um déficit de cerca de 3 milhões de trabalhadores.

A OCDE também insta os governos a criar caminhos mais claros para que trabalhadores migrantes temporários façam a transição para o status de permanentes, garantindo que suas habilidades sejam totalmente utilizadas e reduzindo a escassez de mão de obra.

Embora Trump frequentemente fale positivamente sobre a necessidade de imigração baseada em competência, o primeiro ano do seu segundo mandato foi marcado por esforços para desmantelar essas vias.

Sharma observa que a retórica frequentemente raivosa de Trump e outros líderes de direita sobre imigração envia “ondas de choque” e molda percepções em outros países. “A história que está sendo contada é que este é um país hostil, onde é difícil conseguir um emprego. Essas narrativas desempenham um papel enorme nos movimentos migratórios”, diz Sharma.

Governo recolhe lotes de quatro marcas de café de SP, ES e TO

 

Análises realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) do Ministério da Agricultura detectaram matérias estranhas e impurezas acima dos limites previstos nas normas vigentes em quatro marcas de café do Brasil. Diante das irregularidades identificadas, o ministério desclassificou e recolheu os lotes afetados.

A marca mais atingida pela ação do governo foi a Terra da Gente, produzida por duas indústrias paulistas diferentes: Terra da Gente Indústria e Comércio de Café e Solveig Indústria e Comércio de Café. A empresa teve 18 lotes apreendidos nas variedades extra forte e tradicional.

Outra marca paulista, a Made in Brazil, apresentou impurezas e matérias estranhas acima dos limites permitidos em dois lotes. A marca é produzida pela MF Indústria Paulista de Café

Já a marca Jalapão, do Tocantins, teve dois lotes apreendidos, sendo um da variedade tradicional e outro da extra forte. No Espírito Santo, a marca Q-Delícia, produzida pela C. N. dos Anjos Café Nunes Zum, apresentou irregulares em um único lote. Porém, a empresa capixaba sequer pussui registro no Ministério da Agricultura.

Os cafés foram adquiridos pelo Ministério da Agricultura em estabelecimentos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Tocantins e Ceará. Para quem já adquiriu as marcas recentemente, o Ministério da Agricultura recomenda que o produto não seja consumido e seja solicitada a substituição conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Camex aplica antidumping por até 5 anos sobre fibras ópticas e cabos da China

 Logotipo do PCN — Ministério do Desenvolvimento, Indústria ...

O Comitê Gestor da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aplicou por até cinco anos o direito antidumping definitivo sobre as importações de fibras ópticas e cabos desse material originárias da China.

As decisões, publicada no Diário Oficial da União (DOU), abrangem fibras ópticas do tipo monomodo, com diâmetro de núcleo inferior a 11 micrômetros, e também os cabos de fibras ópticas, com ou sem conectorização.

“Em que pese a inexistência de investigações de defesa comercial anteriores sobre fibras ópticas, registra-se a existência de investigação em curso para averiguação da prática de dumping nas exportações de cabos de fibra óptica, com revestimento externo de material dielétrico e com ou sem conectorização, comumente classificadas no subitem 8544.70.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), originárias da China. Tais produtos são fabricados a partir das fibras ópticas objeto da presente investigação”, detalhou órgão.

Cerâmicas, Pneus e Para-brisas

O Comitê Gestor da Camex também prorrogou por mais cinco anos o direito antidumping definitivo aplicado sobre as importações de objetos de louça para mesa originários da China. O Brasil já aplica sobretaxa sobre esses produtos desde 2012.

O órgão ainda prorrogou por mais cinco anos o direito antidumping definitivo aplicado sobre pneus novos de borracha para automóveis de passageiros, importados da Tailândia e Taipé Chinês. Nesse caso, a sobretaxa já é aplicada desde 2014.

A Camex também estendeu à Malásia o antidumping aplicado aos vidros de para-brisas importados da China desde 2016.

Arrecadação federal alcança R$ 226 bi e bate recorde para novembro; no ano, passa de R$ 2,6 tri

 

A arrecadação do Governo Federal chegou a R$ 2,62 trilhões no acumulado de 2025 até o mês de novembro. O desempenho representa um crescimento real de 3,25% em comparação ao mesmo período do ano passado. Em novembro, a arrecadação federal foi de R$ 226,7 bilhões, um aumento de 3,75% em comparação ao mesmo mês de 2024.

O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 8,61 bilhões no mês de novembro, representando crescimento real de 39,95%. Segundo o Banco Central, esse desempenho pode ser justificado pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e pelas operações de crédito destinadas a pessoas jurídicas, ambas decorrentes de recentes alterações na legislação.

Já a Receita Previdenciária teve uma arrecadação de R$ 58,35 bilhões, com crescimento de 2,77%. Esse resultado se deve ao crescimento real de 4,15% da massa salarial. Além disso, houve crescimento de 20,75% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária, em novembro de 2025 em relação a novembro de 2024.

Com o PIS/Pasep, o governo arrecadou R$ 49,6 bilhões, o que representou aumento de 3,15%. Na análise do Banco Central, o desempenho é resultado do decréscimo de 0,32% no volume de vendas (PMC-IBGE) e do aumento de 2,16% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2023 e outubro de 2024.

“Salienta-se o desempenho positivo das entidades financeiras, atividades de prestação de serviços de informação e fabricação de equipamentos de informática e eletrônicos; e negativo no setor de captação, tratamento e distribuição de água e de fabricação de bebidas”, diz o relatório do BC.

O brasileiro é a ‘principal propaganda’, diz Freixo sobre recorde de estrangeiros no país

 

O Brasil recebeu 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, um recorde da série histórica iniciada em 1974. O número representa um crescimento de cerca de 35% em relação a 2024, quando 6,7 milhões de turistas de fora vieram para o país.

Em entrevista exclusiva à IstoÉ Dinheiro, Marcelo Freixo, presidente da Embratur, avalia que a marca é fruto da ‘profissionalização’ da agência de promoção do Brasil no exterior e na valorização do brasileiro como maior ativo do país. “Nós depositamos sobre o brasileiro a principal propaganda do país, e não apenas sobre um destino”, seguindo a velha máxima de que ‘o melhor do Brasil é o brasileiro’.

A estratégia passa também por propagandear os ‘Brasis’ do país, ou seja, mostrando a diversidade não só de destinos como de culturas, gastronomia, festas, culturas e tradições que fazem parte da nossa identidade nacional. Para sair do esteriótipo do samba, praia e futebol, Freixo diz que em nenhum momento o Brasil foi vendido como “exótico”, mas como “espetacular”.

O volume histórico de turistas também gerou recorde na receita com o turista internacional no país, de mais de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 45 milhões) contra US$ 7,3 bilhões em 2024. “É importante destacar que o turismo já representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Freixo ao comentar os números. Ele diz que o resultado deve-se também a um trabalho segmentado para cada estado do país e muito baseado em inteligência de dados. E reforça: “O Brasil hoje é o país é sim da moda”.

A seguir, os principais pontos da entrevista:

O Brasil bateu recorde de visitantes estrangeiros. Como a Embratur avalia essa marca histórica do ponto de vista de ações estratégicas para a divulgação da ‘marca Brasil’ no exterior?

Marcelo Freixo: É uma construção. Nós assumimos em 2023 e profissionalizamos a gestão da Embratur, trazendo muitos técnicos e criando um planejamento baseado em inteligência de dados. Todas as ações de promoção são centradas nisso: temos estudos de cada mercado, de malhas aéreas e de tendências. Profissionalizamos a capacidade de promoção com uma competência que não existia na história da agência. Isso tem dado resultados há três anos. Isso não começou agora, isso não é uma sorte. Então o Brasil deu azar esse tempo todo e agora deu sorte e e as pessoas resolveram vir para cá? Não, né?!

O Brasil passou por Copa e Olimpíada, mas o momento de o mundo mais visitar o país é agora. Nós tivemos bons resultados em 2023, em 2024 e, em 2025, o Brasil explode. É um crescimento que a gente vem computando e entendendo que as suas origens é essa qualidade da promoção feita desde 2023. E que em 2025 colhemos a melhor safra.

Marco de 9 milhões de turistas estrangeiros oficializado no Turistômetro da Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro (Crédito:Marcio Menasce / Embratur)

Em 2023, batemos o recorde de receita com 6,9 bilhões de dólares. No segundo ano, batemos o recorde de receita de novo e o de turistas, com 6,7 milhões de pessoas e 7,3 bilhões de dólares arrecadados. Agora, em 2025, o Brasil explode: tivemos um crescimento de 40% de turistas internacionais em relação a 2024. Chegamos a 7 milhões em setembro, 8 milhões em novembro e estamos chegando a 9 milhões de turistas. Todas as regiões cresceram.

O Brasil, de fato, entrou no circuito de desejo mundial

Quando você cita essa profissionalização, isso envolve uma iniciativa específica de branding, com novos slogans e segmentação de comunicação para os diferentes países?

Marcelo Freixo: Exatamente. Nós recuperamos a marca Brasil e trabalhamos campanhas multidirecionadas. Fizemos um plano de marketing internacional, que é o plano Brasilis. O Brasil é um país único, mas que nunca foi um só. Fizemos esse plano e lança um plano internacional em cada uma das unidades da federação, com o que cada estado tem que fazer para atrair mais turistas internacionais. Sabemos perfeitamente, por meio de inteligência de dados, para onde cada mercado vai e capacitamos cada uma das unidades da federação para ter o seu plano de marketing mais eficiente. Ou seja, isso nos trouxe esses números que realmente são incríveis. 

Recentemente, fizemos uma campanha na Europa, durante a WTM (a feira World Travel Market) em Londres, chamada “It’s a Vibe”. Nós depositamos sobre o brasileiro a principal propaganda do país, e não apenas sobre um destino. Isso pegou muito bem no mercado europeu, essa coisa da receptividade brasileira, da alegria brasileira. Tem uma coisa de uma cultura popular muito forte do Brasil e onde tem um impacto muito grande no mercado europeu. Então a gente trabalhou exatamente essa ideia de um Brasil acolhedor no momento onde o mundo tá precisando disso.

O Brasil é espetacular, mas o Brasil sempre foi espetacular, mas o mundo vinha para cá. Então, esse Brasil espetacular, ele agora é o Brasil espetacular e visitável.

Apesar do recorde de visitantes, o país ainda tem um grande potencial para ampliar ainda mais esse volume, principalmente quando vemos números de outros países com muito menos ofertas ‘turísticas’ que o nosso. Qual a estratégia para seguir crescendo?

O Brasil hoje é o país é, sim, da moda. Só que a moda é uma coisa que pode passar. A gente não quer que passe. Queremos que seja uma tendência e que o Brasil cresça, continue crescendo a cada ano. O importante é que isso é muita geração de emprego e renda. Então, o turismo não é sobre quem viaja, o turismo é sobre quem recebe. Essa é uma frase que eu uso todos os dias aqui dentro da Embratur. O turismo é geração de emprego e renda, é uma economia e um modelo de desenvolvimento sustentável.

Entre as ações, estamos lançando com o Ministério da Cultura uma comissão nacional para atrair filmagens internacionais. Hoje, 44% dos norte-americanos escolhem destinos a partir de filmes ou séries. 

Também criamos o Mercado Lab, onde trabalhamos muito com a ideia da inovação e turismo. E os dados, essa segmentação, apontam para uma diversidade de possibilidades e formas de divulgar o país, tanto quando o Brasil é diverso.

Quando a gente estuda o mercado, você vê que tem uma diferença muito grande, por exemplo, o que o chinês gosta de visitar, é diferente do português, diferente do italiano, do alemão… E o Brasil tem tudo. Qual é o país que tem todas as possibilidades? O Brasil tem Amazônia, Pantanal, sol e praia, praia na cidade, praia deserta, praia cheia, praia de água quente, praia de água vazia… é explorar essa diversidade de interesses com a nossa diversidade de oferta. Essa diversidade, ela ela nos favorece dialogar com o mundo inteiro.

É olhar para o produto que é adequado para aquele tipo de público e falar diretamente com aquela pessoa que a gente precisa falar. Vão ter vários exemplos como esses ao longo do ano, novos voos, novos destinos, novos produtos, que a gente vai trabalhando, conectando para ampliar esse mercado.

Poderia citar um exemplo dessa segmentação?

Marcelo Freixo: Gostaria de mencionar o Afroturismo, que é um carro-chefe. Conseguimos um novo voo ligando Salvador ao Panamá, pela Copa Airlines, começando em janeiro. Isso facilita a chegada de norte-americanos negros, que são o maior público de afroturismo no mundo, à Bahia.  Então, a gente vai fazer o trabalho agora junto com o governo da Bahia para falar: “Olha, agora tá mais fácil chegar na Bahia”.

Tivemos o Brasil ganhando Oscar neste ano, os shows históricos de Madonna e Lady Gaga em Copacabana e a Dua Lipa curtindo o Rio de Janeiro (e postando), para citar alguns casos. O senhor avalia que o Brasil se destacando na cena pop, especialmente na música e no cinema – e nas redes sociais, tem impacto nessa divulgação espontânea e positiva a ponto de atrair turistas para cá?

Marcelo Freixo: Ajuda demais. O mundo hoje é conectado. Quando uma artista de repercussão internacional vai a um botiquim no Rio — aqui botiquim não é pejorativo não, pelo contrário, é um dos sabores e saberes do Rio de Janeiro — isso chega ao mundo todo. Quando uma artista de repercussão internacional circula nesse Rio de Janeiro, isso chega no mundo. E mais eficiente do que muitas campanhas publicitárias. E esses grandes eventos em Copacabana só geraram notícias positivas. 

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Dua Lipa em visita ao Cristo Redentor durante sua passagem pelo país (Crédito:Reprodução/Instagram)

E os eventos políticos, como G20 (em novembro de 2024), a COP30 e até mesmo as agendas internacionais do presidente Lula?

Marcelo Freixo: Muito. Dou o exemplo da França: o último presidente francês a visitar o Brasil tinha sido o [Nicolas] Sarkozy (em 2029). O presidente Lula dedicou o primeiro ano a reconstruir essa imagem e a cultura da diplomacia. O fato de o presidente Lula ter dado muita importância, como sempre deu, à cultura da diplomacia, às relações entre os países e  imagem do Brasil`, nos favoreceu muito na hora de promover o Brasil como um destino.

O Macron vindo para cá em uma visita “instagramável” (quando esteve na Amazônia com o presidente Lula em março de 2024), e para o mundo inteiro, por exemplo, teve o seguinte resultado: o número de franceses visitando o Brasil aumentou 25% do ano passado para este.

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Presidente Lula e Presidente Emmanuel Macron visitam Sumaúma em Belém (PA), em março de 2024 (Foto: Ricardo Stuckert / PR) (Crédito:Ricardo Stuckert / PR)

Houve uma mudança na percepção do estrangeiro? Antigamente a promoção era muito focada no samba, praia e futebol. Hoje eles enxergam o Brasil de forma diferente?

Marcelo Freixo: Acho que sim. O turismo que nos interessa é o responsável. Nossas campanhas são pedagógicas: em nenhum momento vendemos o Brasil como “exótico”, mas como “espetacular”. Trabalhamos com sustentabilidade, inclusão e respeito ao meio ambiente. Temos um lema: um Brasil bom para o turista tem que ser, antes de tudo, um Brasil bom para o brasileiro morar.

Quais são os maiores desafios hoje na atração de estrangeiros ao país? Seria a violência, infraestrutura, a dimensão territorial…?

Marcelo Freixo: O maior desafio hoje é a malha aérea. Há uma crise aérea mundial, falta de aviões disponíveis e os preços precisam ser mais acessíveis. Apesar de a malha brasileira ter aumentado muito. Ano passado aumentou 16%, e a média mundial foi de 8%. Então a gente conseguiu ter uma um aumento de uma malha área internacional de o dobro da média mundial.

Sobre a segurança, o desafio é mundial, mas o turismo ajuda a trazer segurança. quanto mais turismo, uma atividade econômica, mais seguro o Brasil será. Porque o turismo traz mais mobilidade, maior visibilidade, maior número de eventos, traz emprego e renda. Então, o turismo, ele é também uma solução para os lugares se tornarem mais seguros.

O turismo de natureza e aventura no Brasil não tem problemas de segurança; os desafios nas grandes cidades são similares aos de outros grandes destinos mundiais, como o México, que é um dos mais visitados do mundo.

Os dados mostram que a maioria dos visitantes vem da América Latina (Argentina, Chile, etc.). Existe uma estratégia específica para atrair turistas de fora do continente?

Marcelo Freixo: Sim, embora a proximidade seja determinante — pesquisas mostram que a tendência são viagens internacionais de até 5 horas. Mas os EUA já são nosso terceiro maior mercado, e a França está entre os cinco. Estamos crescendo consistentemente na Europa e América do Norte.

O que está programado para o último ano da gestão atual, em 2026?

Marcelo Freixo: Vamos consolidar o Plano de Marketing Internacional (Plano Brasilis) em todos os estados. Também estamos criando uma plataforma de capacitação para que a “ponta” (quem recebe o turista). Queremos que o poder público entenda que o turismo é uma solução de desenvolvimento. Hoje, o turismo representa 8% do PIB, enquanto o petróleo representa 12%.