
A refinaria El Palito, da estatal petrolífera venezuelana PDVSA, é vista em Puerto Cabello, Venezuela, em 10 de fevereiro de 2024. (Crédito: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)
Quais empresas podem ser favorecidas?
O índice de energia do S&P 500 subiu para seu nível mais alto desde março de 2025, com Exxon Mobil subindo 2,2% e Chevron saltando 5,1% após Trump afirmar que as grandes empresas petrolíferas americanas retornarão à Venezuela.
A ExxonMobil e a ConocoPhillips encerraram suas operações na Venezuela após o governo de Hugo Chávez exigir em 2007 que a empresa estatal PDVSA detivesse ao menos 60% de participação em todos os projetos petrolíferos nacionais.
A Chevron foi a única gigante americana a aceitar os termos e permanecer no país. Anos depois, em 2017, a companhia conseguiu manter sua presença novamente ao obter licenças especiais do governo dos EUA, contornando os embargos que proibiam a continuidade das operações de empresas americanas em solo venezuelano.
Tanto a Chevron como a ExxonMobil possuem ainda negócios relevantes na Guiana, país vizinho da Venezuela e também lar de reservas significativas de petróleo. Para Adriano Pires, são duas das empresas que podem mais rapidamente se beneficiar de uma mudança no paradigma comercial do petróleo venezuelano.
Professor da FIA Business School, Carlos Honorato destaca que empresas de tecnologia petroleira também podem tirar proveito de uma mudança de regime na Venezuela, já que o país conta com infraestrutura extremamente desatualizada. Alguns exemplos são Halliburton, SLB e Weatherford.

E qual o impacto para o Brasil?
No Brasil, as ações das empresas do setor de petróleo fecham em queda nesta segunda-feira, ainda que tímidas, incluindo os papéis da Petrobras (-1,43%) e da Prio (-1,51%).
O recuo nos preços dos ativos no Brasil decorre da constatação de que os preços do petróleo permanecerão baixos por um período mais prolongado. “Esse ano vai ser um ano difícil para os petroleiros se o preço petróleo realmente ficar onde a gente acha que vai, abaixo dos US$ 60”, analisa Pires.
Por ora, a avaliação é que o impacto para o Brasil tende a ser maior em termos geopolíticos e no preço do barril de petróleo, e não no volume de exportações, já que esta seguirá controlada pela Opep+.
Pires avalia que petroleiras brasileiras também podem se beneficiar no médio e longo prazo de uma eventual abertura do mercado de exploração na Venezuela, a depender do novo arranjo político e econômico que surgirá no país. “Um campo de 20 mil barris não é para Chevron. Um campo desses, por exemplo, pode atrair empresas de médio porte americanas, canadenses, ou até brasileiras, como PetroReconcavo ou Prio”, diz.
Futuro incerto para a Venezuela
Apesar de a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ter estendido a mão para o governo dos EUA para “trabalharem conjuntamente numa agenda de cooperação orientada ao desenvolvimento compartilhado”, não está claro se o novo governo venezuelano vai de fato cooperar com os EUA na questão petrolífera.
Honorato destaca que Trump deixou claro que seus planos dizem mais respeito ao petróleo venezuelano do que a situação política do país. “Ele não está preocupado em mudar o regime. Então, se tiver um arranjo de uma elite chavista — que é considerada corrupta — ao governo americano, muito provavelmente você vai ter menos impacto do que o imaginável”, analisa.
Outra avaliação é de que uma ocupação militar — como as realizadas pelos Estados Unidos em Iraque e Afeganistão nos anos 1990 e 2000 — é improvável. “Os Estados Unidos teve péssimas experiências com intervenções mais complexas. Acho que o Trump está longe de querer isso. Ele vai querer colocar alguém no poder lá que faça o que ele quer, e que a intervenção vai ser mais política do que militar”, diz Paz.





