sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Países da UE concordam em aprovar acordo com o Mercosul, dizem fontes

 

Uma maioria qualificada de países da UE aprovou nesta sexta-feira, 9, o acordo de livre-comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos e criticado pelo setor agropecuário europeu e pela França, indicaram à AFP fontes diplomáticas.

Com esse sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar a Assunção para assinar na segunda-feira o acordo comercial que vinculará o bloco a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

O acordo de livre comércio seria o maior da União Europeia em termos de redução tarifária, eliminando 4 bilhões de euros em impostos sobre suas exportações. Os países do Mercosul têm tarifas altas, como 35% sobre peças automotivas, 28% sobre laticínios e 27% sobre vinhos.

Disputas dentro da União Europeia

A Comissão Europeia, que concluiu as negociações há um ano, e países como a Alemanha e a Espanha argumentam que o acordo é uma parte vital do esforço da UE para abrir novos mercados, a fim de compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos EUA e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais essenciais.

Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da União Europeia, afirmam que o acordo aumentará as importações de produtos alimentares baratos, incluindo carne bovina, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais. Os agricultores iniciaram protestos em toda a UE, bloqueando estradas francesas na quinta-feira.

Um trator com o slogan “Organismos geneticamente modificados e hormônios: você não os quer, mas os come. Mercosul” durante um protesto de agricultores contra o acordo comercial UE-Mercosul, em 19 de dezembro de 2025, em Alençon, norte da França – AFP/Arquivos

Embaixadores dos 27 estados-membros do bloco europeu devem indicar as posições de seus governos na sexta-feira, sendo que 15 países, que representam 65% da população total do bloco, são necessários para a aprovação. As capitais da UE confirmariam por escrito a decisão ainda na sexta-feira ou na segunda-feira.

Isso abrirá caminho para que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo antes que ele possa entrar em vigor.

França é maior opositora de acordo com o Mercosul

A UE e o Mercosul esperam expandir o comércio de mercadorias divididas igualmente no valor de 111 bilhões de euros em 2024. As exportações da UE são dominadas por maquinário, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto as do Mercosul se concentram em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.

Para convencer os céticos em relação ao acordo, a Comissão Europeia implementou instrumentos de salvaguardas que permitem suspender as importações de produtos agrícolas sensíveis. Reforçou os controles de importação, principalmente no que diz respeito aos resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou o apoio aos agricultores e comprometeu-se a reduzir os direitos de importação sobre os fertilizantes.

As concessões não foram suficientes para conquistar a Polônia ou a França, mas a Itália parece ter mudado de um “não” em dezembro para um “sim” na sexta-feira.

Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo enquanto agricultores franceses protestam em Paris, França, em 8 de janeiro de 2026.
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo enquanto agricultores franceses protestam em Paris, França, em 8 de janeiro de 2026. (Crédito:REUTERS/Sarah Meyssonnier)

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, disse que a batalha ainda não terminou e prometeu lutar pela rejeição na assembleia da UE, onde a votação poderá ser apertada. Grupos ambientalistas europeus também se opõem ao acordo.

O social-democrata alemão Bernd Lange, presidente do comitê de comércio do Parlamento, expressou confiança de que o acordo seria aprovado, com uma votação final provavelmente em abril ou maio.

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