quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Relembre trajetória da Reag e como investigações criminais derrubaram a empresa

 

Antes de ter sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, 15, a gestora de investimentos CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. já foi a Reag, que ingressou na bolsa de valores brasileira em 2021, com grande festa de seus fundadores.

A empresa iniciou sua operação há mais de uma década, em 2012. Apresentou então um crescimento vertiginoso, chegando a se apresentar como a maior gestora independente do país – ou seja, a maior que não está atrelada a nenhum banco ou instituição financeira – com uma cifra de R$ 299 bilhões sob gestão.

Em seu portfólio, a empresa anunciava diversos ativos financeiros, como fundos multimercado, de crédito estruturado, private equity e gestão de fortunas. Ao longo dos anos, buscou ainda crescer através de aquisições. Comprou diversas empresas, como as gestoras Quasar, Empírica, Hieron e Berkana.

Outra aquisição importante foi a Getninjas, através da qual a Reag fez um IPO reverso – sistema de entrada na bolsa de valores através da aquisição de outra empresa que já tem suas ações negociadas no mercado financeiro.

Investigações criminais levaram Reag à crise

A situação da financeira começou a se complicar em agosto de 2025, quando a empresa foi envolvida na megaoperação Carbono Oculto. Cerca de 1,4 mil agentes de vários órgãos públicos cumpriram diversos mandados de busca e apreensão, um deles, na sede da Reag, no bairro Jardim América, em São Paulo (SP).

A operação mirava um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Esse esquema, segundo as investigações, incluiria a participação de fundos de investimento e fintechs, que usariam suas operações para lavar o dinheiro do crime organizado. Os postos teriam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

No momento da operação, a Reag informava um total de 625 fundos administrados com R$ 238 bilhões de patrimônio líquido, sendo 579 fundos ativos com R$ 204 bilhões. A entrada na polícia em suas sedes, no entanto, fez suas ações derreteram 15,7% em um único dia e passou a dificultar seus negócios.

Crise de reputação

Com a imagem abalada, a Reag passou a se desfazer de ativos. No dia 10 de setembro, fechou acordo para vender a Empírica Holding para a Smart Hub Participações. O memorando previa que a empresa receberia R$ 25 milhões divididos em seis parcelas.

Simultaneamente, a B100, holding da Planner Corretora, anunciou um protocolo de intenções para comprar a Ciabrasf, naquele momento a maior provedora independente de serviços fiduciários do Brasil e pertencente à Reag.

A empresa vendeu ainda sua fatia na SteelCorp, empresa do ramo de construção civil – mais especificamente de Light Steel Frame (LSF), segmento da construção industrializada. O valor da operação não foi divulgado.

simultaneamente, está fechando a venda da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros S.A. (Ciabrasf) para a B100, holding da Planner Corretora.

Novas acusações e liquidação

Nova operação da Polícia Federal, a Compliance Zero, que busca investigar irregularidades relacionadas ao Banco Master, levou novamente as autoridades à porta da Reag. Desta vez, o sócio fundador do grupo, João Carlos Mansur, foi alvo de um dos 42 mandatos de busca e apreensão.

Nesta quinta-feira, 15, dia seguinte a operação, o Banco Central (BC) determinou a liquidação da a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, uma das empresas que surgiram após o desdobramento da antiga holding Reag.

Nenhum comentário:

Postar um comentário