Atuação:
Consultoria multidisciplinar, onde desenvolvemos trabalhos nas seguintes áreas: fusão e aquisição e internacionalização de empresas, tributária, linhas de crédito nacionais e internacionais, inclusive para as áreas culturais e políticas públicas.
A
companhia aérea está em recuperação judicial nos Estados Unidos
(chapter 11) desde maio do ano passado e, no momento, passa por uma
operação de oferta de ações que causou forte diluição
Estadão Conteúdoi
Em meio à sua reestruturação financeira, a companhia aérea Azul
registra uma queda abrupta de suas ações. Na manhã desta quinta-feira,
8, os papéis da empresa derretiam 58% e eram cotados a R$ 100. O recuo
acumulado em cinco dias chega a 94%.
A queda no preço da ação AZUL4 era esperada no mercado financeiro. Como parte de sua reestruturação, a empresa ofertou R$ 7,44 bilhões em ações.
Ao
todo, são 723,9 bilhões de ações preferenciais (sem direito a voto, mas
com prioridade no recebimento de dividendos) e 723,9 bilhões de ações
ordinárias (com direito a voto).
Apesar da emissão dos papéis, o
valor de mercado da companhia permanece o mesmo, já que há mais ações em
circulação. Os donos dos papéis, portanto, os colocam à venda para que
haja um reequilíbrio.
Segundo
Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, a operação da empresa
envolve uma forte diluição, com emissão massiva de ações a preços
simbólicos. “A troca de dívida por equity sinaliza estresse financeiro,
não crescimento”, disse nesta quarta-feira, 7.
“O aumento de capital melhora a estrutura de capital, mas beneficia credores, não acionistas.”
A
companhia aérea está em recuperação judicial nos Estados Unidos
(chapter 11) desde maio do ano passado. O plano de reestruturação,
aprovado pela Justiça norte-americana em dezembro após o aval de mais de
90% de todas as classes de credores elegíveis, prevê essa diluição dos
acionistas minoritários.
Com a reorganização acionária da
companhia, aqueles que detinham ação viram seus papéis perderem valor.
Os credores, por sua vez, receberam ações da empresa.
A Azul pretende encerrar o processo de recuperação judicial ainda no começo deste ano. Procurada, a empresa não comentou o assunto.
Mulheres olham um telefone celular em Pequim, China - AFP
AFPi
A
ação da empresa emergente chinesa de inteligência artificial Zhipu AI
disparou em sua estreia na bolsa nesta quinta-feira (8) em Hong Kong, um
dia antes de sua rival MiniMax estrear, em um teste decisivo para esse
setor em rápida expansão no país.
As ações da Zhipu AI, criadora
da ferramenta Z.ai, fecharam com alta de mais de 12% em seu primeiro dia
de negociação, depois que sua oferta pública inicial (OPI) arrecadou
4,35 bilhões de dólares de Hong Kong (cerca de 3 bilhões de reais).
Os
lançamentos desta semana na China antecedem qualquer possível anúncio
de abertura de capital das americanas OpenAI, criadora do ChatGPT, ou da
Anthropic, conhecida pelo chatbot Claude.
Mas analistas consideram pouco provável que uma ou outra gere lucros rapidamente.
“Para
a Zhipu, é uma honra estar nesta conjuntura histórica como
representante desse setor modelo da China”, afirmou o presidente da
empresa, Liu Debing, nesta quinta-feira durante a cerimônia de
lançamento.
A Zhipu AI foi fundada em 2019 e é fornecedora de
serviços de grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) para
clientes empresariais e governamentais na China, a segunda maior
economia do mundo.
Os
recursos arrecadados na OPI serão destinados ao desenvolvimento de
grandes modelos de IA, incluindo algoritmos e infraestrutura de
sistemas, informou a empresa.
A MiniMax, criada em 2022, mira no
mercado consumidor, especialmente fora da China, com ferramentas de IA
generativa para voz, música e vídeo, além de texto.
“Quando
o mercado amadurecer por meio de uma concorrência plena, mais pessoas
entenderão as capacidades, o desempenho e os preços desses modelos,
alcançando um estado de equilíbrio”, disse Liu à Bloomberg Television
nesta quinta-feira.
O analista de tecnologia chinês Poe Zhao,
fundador da newsletter Hello China Tech, afirmou à AFP que as duas
aberturas de capital “demonstram o potencial de receita e os desafios
fundamentais que essa nova geração de empresas de LLM enfrenta”.
“A alta demanda reflete claramente um otimismo mais amplo em relação à IA chinesa”, acrescentou.
O
avanço da IA ajudou a impulsionar as ações de tecnologia a níveis
recordes nos últimos meses, mas esses papéis também são voláteis, já que
investidores globais acompanham atentamente qualquer sinal de bolha.
“Acho
que há uma bolha? Sim. Mas quero distinguir entre ‘bolha’ e ‘risco de
bolha'”, disse Zhao, acrescentando que essas empresas precisam de
capital.
O mercado de LLM na China pode crescer para 101,1 bilhões
de yuans (14,5 bilhões de dólares, cerca de 78,1 bilhões de reais na
cotação atual) até 2030, segundo a consultoria Frost & Sullivan.
Em
janeiro de 2025, a chinesa DeepSeek sacudiu o setor tecnológico mundial
com um modelo de raciocínio de baixo custo e alto desempenho que abalou
a hegemonia americana nesse segmento.
– Lista de restrição –
Há
um ano, os Estados Unidos incluíram a Zhipu, apoiada pelo conglomerado
Tencent, em sua lista de restrição de controle de exportações, por
temores de que represente um risco à segurança nacional.
A Disney e
outras empresas de entretenimento americanas, como a Universal,
processaram a MiniMax por violação de direitos autorais.
Zhao descarta que a Zhipu ou a MiniMax sejam lucrativas “no curto prazo”.
“Isso
depende de duas mudanças em toda a indústria: custos de computação
consideravelmente mais baixos e uma demanda muito maior por IA”,
explicou.
Fontes apontam que China incentiva empresas de
tecnologia a usar microchips de fabricação nacional devido às restrições
intermitentes de Washington sobre chips avançados da Nvidia.
A
confiança dos investidores no potencial da indústria chinesa de chips
para desafiar a gigante americana Nvidia fez com que, no mês passado, as
ações das empresas de semicondutores Moore Threads e MetaX disparassem
em suas estreias no mercado.
São
Paulo, 8 – As exportações brasileiras de carne suína encerraram 2025
com volume recorde. De acordo com dados da Associação Brasileira de
Proteína Animal (ABPA), os embarques somaram 1,510 milhão de toneladas
no ano, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, quando foram
exportadas 1,352 milhão de toneladas.
Com esse desempenho, o
Brasil deve ultrapassar o Canadá e assumir a terceira posição entre os
maiores exportadores mundiais da proteína. Em termos de receita, as
exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em
2025, alta de 19,3% na comparação com os US$ 3,033 bilhões obtidos no
ano anterior.
As
Filipinas consolidaram-se como o principal destino da carne suína
brasileira em 2025, com importações de 392,9 mil toneladas, crescimento
expressivo de 54,5% em relação a 2024. Na sequência aparecem China, com
159,2 mil toneladas (queda de 33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (alta
de 4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (avanço de 22,4%) e Hong Kong,
com 110,9 mil toneladas (crescimento de 3,7%).
Segundo o
presidente da ABPA, Ricardo Santin, o ano foi marcado por uma mudança
relevante no perfil dos destinos. “As Filipinas se consolidaram como
maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como
Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores
importadores”, afirmou. Para ele, o movimento reflete “a efetividade do
processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que
reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no
mercado internacional”.
O
resultado anual foi impulsionado pelo desempenho de dezembro. No último
mês de 2025, os embarques alcançaram 137,8 mil toneladas, crescimento
de 25,8% em relação a dezembro de 2024, quando o volume foi de 109,5 mil
toneladas. Apenas no último mês em dezembro, a receita cambial somou
US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% frente aos US$ 258,4 milhões
registrados no mesmo período de 2024.
Martín Galdeano afirma que subsídios, dumping e regras desiguais favorecem montadoras chinesas e distorcem o mercado global
Martín Galdeano, CEO da Ford para a América do Sul, em participação no Dinheiro Entrevista (Crédito: Leo Monteiro)
Eduardo Vargasi
Na visão do CEO da Ford
para a América do Sul, Martín Galdeano, concorrer com a China é como
‘jogar futebol com um campo inclinado’ e, no panorama atual, as regras
não estão igualitárias para todos os players – uma tese endossada não somente por players da indústria automotiva, mas também de outros ramos.
“Eu acredito que ninguém entende totalmente como é a concorrência com a China.
Nós sabemos uma parte importante, mas tem uma parte que não conhecemos
com profundido, e o que vemos é que não são regras equivalentes”, diz o
CEO da Ford, em participação no Dinheiro Entrevista.
“O que nós enxergamos é: qual envolvimento dos governos em essa regra de jogo?”, questiona.
O
executivo levanta questões sobre eventuais imposições nas exportações,
subsídios governamentais e outras práticas que tornam players chineses
favorecidos em escala global.
“O que temos que tomar cuidado é com o modo que geramos a concorrência.
Quando falamos de concorrência chinesa, todos nós, montadoras
tradicionais, ou ocidentais, temos provavelmente os mesmos produtos
sendo fabricados em solo chinês”, diz.
“Nós
produzimos a Ranger na América do Sul, mas também produzimos na China.
Não é como se essa opção estivesse somente para o concorrente chinês,
ela está para todos nós. Por isso, digo que o grande tema aqui é
solucionar como nós seremos mais eficientes para concorrer do melhor
jeito”, completa.
Ou seja, segundo o CEO da Ford, a questão não se
limita à concorrência chinesa em si, mas à capacidade das montadoras
tradicionais de se organizarem e operarem com mais eficiência em um
ambiente global no qual produzir na China é uma alternativa disponível a
todos os grandes fabricantes, mas as regras praticadas em todos os
mercados são distorcidas por conta das práticas consideradas
assimétricas.
Dados de pesquisas recentes indicam que a China mantém níveis de subsídio
industrial significativamente superiores aos dos países da OCDE, com
suporte por meio de subsídios diretos, empréstimos abaixo do custo de
mercado e tratamento tributário preferencial – cenário que já fez
representantes de diversas indústrias ao redor do mundo pleitearem
medidas compensatórias.
Em meados de 2023 a Comissão Europeia
chegou a iniciar uma investigação dedicada exclusivamente aos subsídios
chineses aos fabricantes de automóveis elétricos. Mais tarde a comissão
concluiu que haviam apoios estatais significativos concedidos às
montadoras chinesas – o que resultou em tarifas compensatórias entre 17%
e 35%.
No Brasil, associações representativas da indústria
automotiva, como a Anfavea, abriram diálogo com o Governo por conta de
práticas consideradas de dumping e concorrência desleal envolvendo
fabricantes chineses de veículos, pedindo tarifas.
Isso ocorre em
um momento de intensificação das exportações de veículos chineses,
especialmente de carros elétricos. Entre janeiro e setembro de 2025, a
alta registrada das exportações de elétricos foi de 89% ante igual etapa
do ano anterior, totalizando cerca de 1,76 milhão de unidades.
Questões trabalhistas
Galdeano defende que o principal ponto seria um eventual ‘marco impositivo’, com regras mais apertadas de concorrência global.
“Eu
te diria que, para nós, o principal seria ter um marco impositivo, mas
certamente também um marco trabalhista – que tem um impacto menor, mas
também é gera alguma disparidade [de concorrência]”, diz, após ser
indagado sobre como as leis trabalhistas são nebulosas e pouco
conhecidas pelo restante do globo.
Frequentemente a China é
associada a mão de obra barata e condições de trabalho exaustivas pela
mídia internacional e por Organizações Não Governamentais (ONGs) como a
China Labor Watch (CLW), sediada em Nova York.
Como exemplo, um
relatório de julho de 2025 da CLW detalhou condições intensas de
trabalho nas oficinas que abastecem a Shein em Guangzhou, com jornadas
de mais de 10 horas diárias 7 dias na semana, salários pagos por peça
sem compensação por horas extras, e retenção de uma parcela do salário
pela gerência.
Para onde vai a Ford
O CEO da companhia
para a América do Sul frisa que a empresa deve manter um crescimento de
dois dígitos no acumulado de 2025 e nos anos subsequentes, apesar da
elevação sucessiva da base comparativo.
No Brasil, as vendas cresceram 68% e chegaram a 48.498 unidades no acumulado do ano de 2024.
De
janeiro a novembro de 2025, a companhia emplacou cerca de 49 mil
veículos, representando alta de 12,6% ante igual período do ano passado,
quase dez vezes acima da indústria, que avançou 1,3%.
Na América
do Sul, os números mostram 123.700 emplacamentos até novembro, com a
Ford cresceu 21%, mais que o dobro dos 9% da indústria no continente.
Há
anos a empresa deixou de fabricar carros de entrada e modelos mais
populares, como o Fiesta, que saiu de linha em 2019, e passou a focar em
picapes e SUVs – decisão que resulta de um redesenho na operação global
da empresa.
A tese é de que, focando somente neste nicho, a empresa terá um maior potencial de crescimento e uma maior fatia de market share.
O
mercado automotivo brasileiro chegou à metade do ano de 2025 com
recorde na venda de SUVs, em cerca de 469 mil, segundo dados da
Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Além
do crescimento absoluto, também aumentou a participação dos veículos
utilitários esportivos no mercado – nas vendas entre janeiro e junho de
2025, 53% dos carros 0km emplacados no Brasil eram SUVs.
Há cerca de quatro anos a empresa deixou de produzir em solo brasileiro e, no momento, se vê satisfeita com a decisão, todavia não descarta uma volta futuramente.
Isso,
a depender do posicionamento estratégico da empresa, dado que a decisão
de parar a produção no Brasil não teve a ver com condições econômicas.
O Brasil é o mercado mais relevante para a montadora na América do Sul,
representando mais de 50% do faturamento da companhia. Os carros são
importados de países vizinhos onde a companhia ainda mantém fábricas.
Sem produzir no Brasil, o foco da Ford
passou a ser estratégico e voltado à tecnologia, com 1,5 mil
engenheiros empregados no Centro de Desenvolvimento e Tecnologia e no
Campo de Provas, localizados em Camaçari (BA) e Tatuí (SP),
respectivamente.
O
senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta quarta-feira, 7,
representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede
investigação sobre o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas
da União (TCU), por suspeita de abuso de autoridade no caso do Banco
Master. Também solicita a suspensão imediata das determinações do órgão
de controle relacionadas ao caso.
Em
dezembro do ano passado, o ministro emitiu despacho no qual levanta
suspeitas em relação à decisão do Banco Central de liquidar a
instituição financeira, cujo dono, Daniel Vorcaro, é acusado de fraude. A
medida, segundo ele, poderia ter sido precipitada. Na decisão,
determinou inspeção in loco de auditores do TCU a pretexto de avaliar os
critérios do BC e apontou para a possibilidade de impor cautelares para
impedir a venda de ativos do Master.
Vieira
considera que a fiscalização do órgão de controle, neste caso, é
inconstitucional, já que o BC teria “competência técnica exclusiva” para
determinar a liquidação de entidades financeiras. No caso do Master, a
justificativa foram inviabilidade econômico-financeira, gestão temerária
e passivos a descoberto que comprometem a segurança dos depositantes e a
higidez do Sistema Financeiro Nacional.
“Contudo,
o ministro representado, à revelia das limitações constitucionais
impostas ao Tribunal de Contas da União, instaurou procedimento
fiscalizatório que, sob o pretexto de realizar inspeção, opera
verdadeira interferência indevida na atividade-fim da Autarquia
Monetária”, diz o parlamentar na representação apresentada à PGR.
O
senador destaca que o TCU tem competência para verificar a
economicidade e a legalidade dos atos do Banco Central, mas que não pode
revisar atos de regulação do sistema financeiro, como, na visão dele,
Jhonatan de Jesus tenta fazer. Em uma de suas medidas, o ministro exigiu
que a autarquia demonstrasse que não havia alternativas à liquidação do
Master.
Conforme revelou o Estadão,
a postura do ministro o gerou reações dentro do próprio tribunal e no
mercado financeiro, que vê tentativa de minar o trabalho do BC. A
autarquia apresentou um recurso questionando a decisão de estabelecer
fiscalização.
Banco Central decretou a liquidação em novembro, citando problemas de liquidez e violações regulatórias
Rêgo ressaltou que ainda não há elementos suficientes para afirmar se a
liquidação do Banco Master, decretada em novembro pelo Banco Central,
foi precipitada (Crédito: Divulgação)
Ana Carolinai
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou nesta quarta-feira, 7, que uma eventual reversão da liquidação do Banco Master não caberia à corte de contas, mas sim ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“O
processo de ‘desliquidação’ do Master não cabe ao TCU, cabe ao Supremo
Tribunal Federal, porque lá tem um processo aberto”, disse ele, em
entrevista exclusiva à Reuters. “Agora, o que o TCU pode oferecer, como
vem oferecendo ao Supremo, são elementos sobre a apuração da legalidade
da operação”.
Rêgo ressaltou que ainda não há elementos
suficientes para afirmar se a liquidação do Banco Master, decretada em
novembro pelo Banco Central, foi precipitada. Segundo ele, essa
conclusão dependerá da análise das informações coletadas por técnicos do
TCU em uma inspeção dos documentos do BC. A estimativa é que o trabalho
leve cerca de 30 dias, pontuou.
Na
segunda-feira, o ministro do TCU Jonathan de Jesus alertou que pode
considerar medidas para impedir a venda de ativos durante a liquidação
do Banco Master “para preservar o valor do patrimônio e a utilidade da
fiscalização externa”.
O ministro também determinou uma inspeção
dos documentos do BC que embasaram a decisão de liquidar o Master. Mais
tarde, naquele mesmo dia, o Banco Central contestou a decisão, afirmando
que medidas desse tipo deveriam ser tomadas pelos colegiados do
tribunal.
Qualquer
ação unilateral de um único ministro teria caráter temporário, pois
precisaria de confirmação pelos nove membros do TCU.
Na
entrevista, Vital do Rêgo fez questão de destacar que não está ao lado
do relator do processo, mas sim da atribuição da corte de contas. Também
não quis opinar sobre o vazamento para a imprensa de uma mensagem que
enviou a um grupo de ministros do TCU em que defendia a atuação da corte
no caso.
“A única coisa que estou fazendo agora é defender a prerrogativa do tribunal, nada mais”, disse.
O
Banco Central decretou a liquidação em novembro, citando problemas de
liquidez e violações regulatórias — na mesma data em que a Polícia
Federal informou a prisão do acionista controlador Daniel Vorcaro,
investigado por fraudes com títulos de crédito.
Vorcaro, banqueiro com fortes ligações políticas, foi posteriormente libertado com uso de tornozeleira eletrônica.
Embora
o Banco Master represente menos de 1% dos ativos bancários da maior
economia da América Latina, sua liquidação gerou atenção porque o banco
havia impulsionado seu crescimento acelerado emitindo dívidas de alto
rendimento, divulgadas como cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos
(FGC).
Investidores que financiaram essa expansão aguardam
possíveis ressarcimentos do FGC, mas a liberação de cerca de R$ 41
bilhões — aproximadamente um terço do caixa disponível do fundo — está
congelada enquanto o caso é analisado em processos sigilosos no TCU e no
Supremo.
Vital do Rêgo defendeu o papel do TCU, dizendo que o
tribunal “está cumprindo rigorosamente suas responsabilidades como
instância de controle de segunda linha” e que isso “deve ser tratado sem
alarme desnecessário”.
Ele também ressaltou que o TCU respeita a
autonomia do Banco Central e que, frequentemente, atua em conjunto com a
autoridade monetária.
“O TCU está cumprindo rigorosamente as suas
responsabilidades como fiscalizador de segunda ordem. E se manifestará
como se manifesta em relação a outros órgãos diariamente. Então essa é
mais uma. Tem que ser tratada sem o espanto desnecessário que está sendo
criado”, afirmou ele, em referência a preocupações do mercado.
O
presidente do TCU rebateu a alegação de que o tribunal, que é um órgão
de assessoramento do Congresso, poderia estar sendo usado ou
instrumentalizado, ainda que indiretamente, para atuar em favor dos
interesses da defesa do dono do Master ao fazer essa inspeção na
liquidação ordenada pelo BC.
“Não, a origem do processo está no
Ministério Público e o órgão é o guardião dos direitos sociais, do
direito da sociedade”, disse, referindo-se ao Ministério Público junto
ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU), um órgão independente que atua
dentro da própria corte de contas.
“Então, a provocação não veio
pelo Congresso Nacional, por exemplo, embora tenha outras
representações, mas essa representação, efetivamente, ela foi motivada
pelo Ministério Público”, disse.
Luiz Marinho estima aporte bilionário com novas medidas fiscais e projeta aprovação do fim da jornada 6x1 ainda em 2026
Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília
Da Reutersi
O
ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira que o
reajuste do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem
ganha até R$ 5 mil vão injetar R$ 110 bilhões na economia em 2026.
“A
soma dos dois, a isenção do Imposto de Renda mais a correção do salário
mínimo, injetará no ano R$110 bilhões na economia brasileira”, disse o
ministro.
O Congresso Nacional
aprovou e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no ano
passado a isenção, já a partir de janeiro, de imposto de renda para
pessoas que ganham até R$5 mil, e aqueles que recebem entre R$5 mil e
R$7.350 pagarão um imposto menor. O valor do salário mínimo, por sua
vez, foi reajustado em 6,79% e será neste ano de R$1.621.
Ministro recorda projeto pelo fim da escala 6×1
Em
entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele afirmou
ainda acreditar que seja possível aprovar o fim da escala de trabalho 6 x
1 em um ano eleitoral. O projeto se tornou uma das bandeiras do governo
Lula, em um ano de eleições em que o presidente buscará a reeleição,
assim como boa parte dos deputados e senadores.
“É
plenamente possível (aprovar fim da escala 6 x 1 em ano eleitoral).
Muita gente vê como uma contradição, eu vejo como uma possível
oportunidade”, disse. “Evidente que eu chamo atenção dos trabalhadores e
trabalhadoras da necessidade do processo de mobilização e participação
ativa neste processo”, afirmou.
Marinho
disse que, aliado ao fim da escala 6 x 1, na qual os trabalhadores
trabalham seis dias na semana e folgam um, o governo também defende a
redução da jornada máxima de trabalho das atuais 44 horas semanais para
40 horas semanais, afirmando que uma redução maior neste momento não
condiz com a realidade brasileira.
“O
que estamos falando é redução da jornada máxima. A jornada máxima hoje
são 44 horas semanais, eu enxergo que tem toda possibilidade de ir para
40 horas semanais, isso é o essencial com o fim da 6 x 1”, disse.
“Não
vejo que o Brasil pode caminhar rapidamente para 36 horas semanais.
Queria aqui também trazer uma tranquilidade ao mundo empresarial. Falar
de 44 para 36 horas numa tacada só, eu acho que não seria salutar, não
seria sustentável do ponto de vista imediato”, avaliou.
Na
entrevista, Marinho afirmou ainda que, a pedido de Lula, permanecerá no
governo e não disputará a reeleição para uma cadeira na Câmara dos
Deputados na eleição de outubro deste ano.