quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

0,25 ou 0,50 p.p.? Mercado se divide sobre magnitude do corte nos juros após ‘novidade’ em comunicado do Copom

 

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central pela manutenção na taxa de juros em 15% ao ano já era esperada pelos agentes do mercado, sendo a maior expectativa pelo comunicado do Comitê. E foi justamente a indicação, no final do documento, que chamou a atenção dos analistas.

O Copom antecipou que, caso o cenário atual seja mantido, deve-se iniciar o ciclo de afrouxamento da taxa de juros na próxima reunião, em 17 e 18 de março, ainda que com “serenidade”. “Havia diversas opções possíveis na mesa, mas os membros do comitê escolheram a mais clara possível, voltando a usar o ‘forward guidance'”, diz Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. “O grande destaque vem no último parágrafo, no qual o Banco Central sinaliza de forma bastante explícita, e essa é a surpresa”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Com a decisão, diz Pedro Ros, CEO da Referência Capital, “o Copom transfere o centro da análise do nível da taxa para a expectativa sobre o próximo movimento”. Assim, agora agentes de mercado se dividem sobre a magnitude do possível corte, de 0,25 ponto percentual, como veem os que acham que o Copom manterá a “cautela”, ou de 0,50 ponto percentual, aposta entre os que avaliam que os indicadores darão espaço para um corte maior.

“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, diz o trecho do comunicado do Copom.

“No último parágrafo, o Banco Central dá pistas do que é o plano de voo. Fala abertamente que antevê que o ciclo de redução da taxa Selic deve ser iniciado na próxima reunião”, destaca Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval. O banco mantém sua projeção de um corte de 0,25 ponto percentual para a próxima reunião, na mesma magnitude na seguinte, para depois ampliar esse corte e cegar a 12% no final do ano. De acordo com o Boletim Focus, levantamento semanal feito pelo Banco Central com agentes do mercado, a projeção é de que a Selic chegue ao final de 2026 a 12,5%.

O economista Pablo Spyer, do conselho da Ancord, também aponta para a sinalização feito pelo Copom. “Promoveu uma mudança relevante na comunicação ao indicar, de forma explícita, a intenção de iniciar o ciclo de cortes de juros já na próxima reunião. Ao antecipar a flexibilização, o Banco Central oferece um forward guidance (orientação futura) claro, mas cuidadosamente condicionado, reforçando que o compromisso com a meta impõe cautela quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes”. Para Spyer, a mensagem é de que o ciclo de aperto terminou, mas o ciclo de afrouxamento será conduzido com serenidade.

Roberto Padovani, economista-chefe do BV, diz que o cenário projetado pelo banco se mantém, de um corte em ‘ritmo cauteloso’ de 0,25 ponto percentual, com a taxa encerrando em 12% este ano. Já Serrano, do Banco Bmg, projeta um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de março, “mesmo o Copom indicando uma maior cautela em relação ao possível ritmo de ajuste”.

Na Austing Rating a projeção também é de um corte de 0,50 p.p. em março, com projeção de uma Selic a 11,50% no fim de 2026. “Apesar do tom cauteloso, que para alguns pode sinalizar uma redução tímida de apenas 0,25 p.p., para a Austin Rating o Comitê terá condições mais seguras para um corte de 0,5 p.p, com ciclo contínuo desse ritmo até a última reunião de 2026. Ainda assim, o comunicado deixou claro que há riscos na conjuntura atual e que, desvios no cenário base, podem gerar mudanças no posicionamento do Comitê”, pontua a análise assinada pelos economistas Alex Agostini e Rodolpho Sartori.

Esta foi a primeira reunião do Copom em 2026 e a quinta consecutiva sem alteração – “o que reforma a estratégia de evitar uma flexibilização prematura que possa comprometer o processo de ancoragem das expectativas”, diz Lucca Macieira, analista de Mercado da Victrix Capital.

A reunião do Copom no Brasil coincidiu com a decisão de juros também nos Estados Unidos, a chamada Super Quarta. Por lá, a taxa também foi mantida, mas sem unanimidade entre os membros do comitê, o Fomc. Dos 12 membros do Fomc (equivalente ao Comitê de Política Monetária no Brasil), 10 votaram pela manutenção, incluindo o presidente Jerome Powell. Outros dois membros votaram pela redução de 0,25 ponto percentual na taxa.

A taxa de juros é o principal instrumento de política monetária para o direcionamento da inflação à meta. A meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5% ao ano. Na análise do Copom, os membros apontam para a expectativa da inflação ainda acima da meta, apesar do recuo nas últimas leituras.

Além do índice inflacionário, o Comitê também analisa outros indicadores, como taxa de emprego, cenário fiscal, atividade econômica e cenário externo. “Devemos continuar observando a Selic em patamar bastante contracionista apesar do início do ciclo de cortes. Pelo menos para esse ano e após isso, claro que existe um fator eleitoral e isso tende a afetar bastante próximas decisões”, observa Perri, da Forum Investimentos.

Leia a íntegra do comunicado do Copom

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

 

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Contrato para construção do túnel Santos-Guarujá prevê entrega em 2031

 

O governo paulista confirmou a assinatura, nesta quarta-feira (28), de um contrato de Parceria Público-Privada (PPP) com o grupo português Mota-Engil, para a construção do Túnel Santos-Guarujá.

Com valor estimado em R$ 7 bilhões, o contrato prevê a construção do túnel até 2031 e uma concessão de operações de 30 anos.

A ligação entre as cidades é feita hoje por balsas e por uma rodovia local, com trajeto de 40 quilômetros de distância.

Com a nova estrutura o tempo de trajeto cai dos atuais 30 minutos (balsa) a uma hora (rodovia) para cerca de 5 minutos.

 Segundo o governo a licença ambiental prévia já foi emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que atesta a viabilidade e autoriza o avanço das próximas etapas.

A análise considerou aspectos como impactos sobre manguezais, fauna, flora, ruído e desapropriações, e estabeleceu condicionantes. A região é crítica, com comunidades precárias em parte do estuário e morros do entorno.

Ações da LVMH despencam 8% e arrastam setor de luxo após resultados frustrantes

 

As ações da LVMH caíam até 8% nesta quarta-feira, uma vez que os resultados do quarto trimestre frustraram as esperanças dos investidores de uma recuperação na demanda por artigos de luxo, com o mercado instável devido às vendas lentas no importante mercado chinês e às perspectivas cautelosas do presidente-executivo Bernard Arnault.

O desempenho do maior conglomerado de luxo do mundo — proprietário de marcas que vão da Louis Vuitton à Tiffany e ao champanhe Moet & Chandon — é um termômetro para o setor, e também derrubou as ações da Kering , proprietária da Gucci, da Moncler e da Hermès entre 2% e 5%.

“Se o principal líder do mercado está um pouco mais cauteloso para o próximo ano, é claro que isso lança dúvidas sobre o espaço de luxo em geral”, disse Carole Madjo, analista do Barclays.

China e o mercado de luxo

O grupo francês disse que as vendas na China — um importante mercado para a LVMH e um dos principais impulsionadores do crescimento do setor de luxo em geral — aumentaram no trimestre. Mas os investidores esperavam mais após as declarações otimistas sobre a China feitas pela Richemont e pela Burberry no início deste mês.

Embora a LVMH não forneça dados sobre a China como um mercado individual, a Ásia, excluindo o Japão, foi responsável por 26% de suas receitas no ano passado. Mas as vendas na região aumentaram apenas 1% no quarto trimestre em termos ajustados pela moeda.

O crescimento de 2% na região no terceiro trimestre estimulou as esperanças de que uma longa recessão do luxo estivesse chegando ao fim, o que levou a uma forte alta das ações de luxo em outubro.

Decisões monetárias no Brasil e nos Estados Unidos são destaques na Super Quarta

 

Nesta quarta-feira, 28, o mercado deve acompanhar as decisões de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, na chamada Super Quarta. Por aqui, o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, decidirá se vai manter a taxa Selic no patamar de 15% ao ano. A expectativa dos investidores é pela manutenção, mas o mercado ficará atento se o colegiado dará sinais de início do ciclo de cortes em março.

Nos Estados Unidos, apesar da pressão do presidente Donald Trump pela queda da taxa de juros, 97% do mercado acredita na manutenção da faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. De todo modo, o comunicado e a entrevista do presidente do Fed, Jerome Powell, serão acompanhados de perto pelo investidores.

Ainda no exterior, Trump discursará nesta super quarta em evento do Departamento do Tesouro, e empresas de tecnologia como Meta, Tesla e Microsoft divulgarão seus balanços do quarto trimestre.

O Ibovespa B3 teve mais um dia histórico nesta terça-feira, 27, ao renovar sua máxima intradiária e de fechamento. O principal índice da bolsa de valores subiu 1,79%, aos 181.919,13 pontos, com alta generalizada e destaque para Vale, Petrobras e bancos. Este foi o sétimo recorde nominal em 2026, e a valorização no ano chegou a 13,3%.

 

 https://istoedinheiro.com.br/copom-fed-super-quarta-selic

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Presidente do Citi Brasil deixará cargo e será 1º brasileiro a ocupar posto global no banco

 

O presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon, está de malas prontas para Nova York. O banqueiro acaba de ser promovido para ocupar um cargo na área de corporate global do banco e, por isso, deixará a liderança da instituição no Brasil. Marangon será co-chefe da área de corporate banking, conforme comunicado circulado internamente nesta terça-feira, 27, e obtido pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Procurado, o Citi confirmou a promoção do executivo brasileiro.

Ele será o primeiro executivo brasileiro a alçar o posto global na área de grandes empresas e atuará ao lado de Kaleem Rizvi, respondendo a Vis Raghavan, chefe global de banking do Citi. O processo de sucessão de Marangon no comando do banco no Brasil está em andamento, de acordo com pessoas a par do assunto.

O Citi agora vai começar a procurar um nome para o cargo de Marangon no Brasil, informou o banco, no comunicado a funcionários. O gigante de Wall Street não deu mais detalhes se deve promover algum executivo interno ou trazer um profissional do mercado.

Com 27 anos de Citi, Marangon liderou a transformação do banco no Brasil após a venda da operação de varejo para o Itaú Unibanco, em 2017.

Sob seu comando, o Citi Brasil triplicou de tamanho e reforçou os investimentos no País com foco no universo corporativo. O banco avançou na operação de banco de investimento, e esteve por trás de fusões, aquisições (M&A, na sigla em inglês) e ofertas de ações.

Marangon fará a transição do comando do Citi no Brasil e se mudará para Nova York, onde será responsável pela supervisão diária da área de corporate banking nas Américas. Rizvi ficará com as operações do banco no Reino Unido, Europa, Oriente Médio, África e Ásia.

Vale: vendas de pelotas no 4tri25 foi de 9,056 MT, recuo de 10% ante 4tri24

 

As vendas de pelotas tiveram recuo de 10% na comparação anual e alta de 3,3% no intervalo trimestral, para 9,056 milhões de toneladas, enquanto a produção de pelotas foi de 8,3 milhões de toneladas, recuo anual de 9,2% e alta de 4,1% na comparação trimestral.

Anteriormente, a Vale reduziu sua orientação (guidance) de produção de pelotas para 2025 da faixa de 38 Mt a 42 Mt para 31 Mt a 35 Mt, indicando as condições atuais do mercado global – com excesso de oferta e redução da demanda, pressionando os preços. Também citou a paralisação da planta de pelotização de São Luís para manutenção preventiva, no terceiro trimestre de 2025.

Ibovespa fecha acima dos 182 mil pela 1ª vez; dólar cai a R$ 5,20, menor valor desde maio de 2024

 

O dólar fechou nesta terça-feira, 27, em forte baixa no Brasil, se reaproximando dos R$ 5,20, novamente sob influência da queda da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior e da busca de estrangeiros por ativos brasileiros, em especial ações da bolsa. Já o Ibovespa registrou novo recorte, tanto de fechamento como intradia.

O dólar à vista fechou o dia com recuo de 1,38%, aos R$ 5,2074, no menor valor de fechamento desde os R$ 5,1539 de 28 de maio de 2024. No ano, a divisa acumula baixa de 5,13%. Veja cotações.

Às 17h12, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 1,48% na B3, aos R$ 5,2100.

O Ibovespa encerrou a terça-feira em forte alta, atingindo novos recordes intradia e de fechamento, acima dos 182 mil pontos, em meio a continuidade de fluxos de investidores estrangeiros para a bolsa e após dados do IPCA-15 mostrarem uma desaceleração da alta de preços em janeiro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,02%, a 182.325,08 pontos.

O volume financeiro somava R$ 31,60 bilhões antes dos ajustes finais.

O dólar no dia

Já no início da sessão o dólar exibia perdas ante a maior parte das divisas globais, incluindo o iene, o euro e pares do real como o peso chileno e o peso mexicano.

O câmbio no Brasil pegou carona nesta tendência e o dólar engatou baixas ante o real, em movimento intensificado após a abertura da bolsa de ações, às 10h. Com o Ibovespa renovando máximas históricas, superando os 183 mil pontos, o dólar despencou ante o real, com profissionais citando a influência dos estrangeiros no movimento.

“A queda do dólar hoje é uma combinação de maior apetite a risco no exterior e uma rotação global (de investimentos), para fora dos EUA. O Ibovespa está subindo mais de 2%, o que aponta para muito capital entrando no país”, comentou à tarde João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos.

Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira tem sido apontado como um dos motivos para a baixa do dólar ante o real.

Neste cenário, após marcar a cotação máxima de R$5,2794 (-0,01%) às 9h11, pouco depois da abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1985 (-1,54%) às 16h16, já na reta final dos negócios.

No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,20% em janeiro, desacelerando ante a taxa de 0,25% de dezembro. No acumulado de 12 meses, no entanto, a taxa foi para 4,50% em janeiro, ante 4,41% em dezembro.

Os resultados ficaram em linha com as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam taxas de 0,21% em janeiro e 4,51% em 12 meses. Porém, a abertura do indicador não foi tão favorável, com a inflação de serviços ainda pressionada.

Ainda assim, o mercado seguiu projetando manutenção da taxa básica Selic em 15% na decisão da quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Em relação ao Federal Reserve, que também decide na quarta-feira sobre juros, a expectativa é de manutenção da taxa na faixa entre 3,50% e 3,75%.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos.

No exterior, às 17h31 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 1,00%, a 96,133.