sexta-feira, 6 de março de 2026

Oncoclínicas anuncia Carlos Ferreira como novo CEO para comandar reestruturação

 

Após o executivo Bruno Ferrari formalizar sua demissão do posto de CEO da Oncoclínicas na quinta-feira, 5, a empresa anunciou que o atual Chief Medical Officer, o oncologista Carlos Gil Moreira Ferreira, assumirá o posto de forma interina.

“Vamos avançar na simplificação da estrutura, no ganho de eficiência operacional e na preservação do padrão assistencial que define a Oncoclínicas”, declarou o novo CEO em nota enviada à imprensa.

O médico já passou pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), pela Comissão Científica da Anvisa, pela coordenação de projetos de rede do Ministério da Saúde e presidiu a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Ingressou na Oncoclínicas em 2018, no cargo de CMO e presidente do Instituto Oncoclínicas, associação sem fins lucrativos para pesquisa e educação na área de tratamento do câncer.

A crise da Oncoclínicas

A troca de comando da empresa acontece em um contexto de forte crise, após uma deterioração dos indicadores financeiros no ano passado. A Oncoclínicas reportou prejuízo de R$ 1,88 bilhão no terceiro trimestre de 2025, contra lucro de R$ 3,1 milhões no mesmo período do ano anterior. Em relatório, o Santander estima um prejuízo líquido R$ 2,163 bilhões no ano.

Publicado antes da demissão de Bruno Ferrari, o estudo do Santander aposta na atual vice-presidente executiva da empresa, Camille Faria, para o cargo de próxima CEO. A executiva foi eleita para sua atual posição no mês passado. Em nota, a empresa afirma que Faria “lidera iniciativas voltadas à otimização de processos, fortalecimento da governança e aprimoramento da estrutura operacional”.

Após o anúncio, as ações da empresa avançavam cerca de 1,40% por volta das 10h47 desta sexta-feira, 6. Todavia, os papéis acumulam baixa de cerca de 20% no ano e de 57,25% em 12 meses.

 

 https://istoedinheiro.com.br/oncoclinicas-carlos-gil-ceo-interino-632026

‘Quem apostar contra a Petrobras vai perder’, afirma CEO após lucro de R$ 110 bi

 

O lucro obtido pela Petrobras em 2025, 200% maior do que no ano anterior, mostra os esforços da companhia para aumentar sua produção e vendas e dá um sinal claro para que os investidores continuem confiando na empresa, disse à Reuters a presidente da estatal, Magda Chambriard.

A Petrobras divulgou na véspera um lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual, sustentado por aumentos de produção, vendas e exportações e maior eficiência operacional, e a despeito de uma queda dos preços do petróleo ante 2024, para uma média de US$ 70/barril, de acordo com o balanço.

“Quem apostar contra a Petrobras vai perder”, disse Chambriard à Reuters, ao comentar o resultado da companhia.

Cenário geopolítico no radar da Petrobras

A CEO afirmou que a Petrobras continua observando o comportamento do mercado de petróleo, que vive uma disparada de preços desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, antes de qualquer decisão sobre eventual repasse de preços.

“Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus acionistas e ao país no novo cenário de Brent que o contexto mundial está desenhando”, adicionou.

Algumas distribuidoras de combustíveis já estariam se antecipando e repassando aos postos uma alta de preços pelo impacto da disparada do petróleo no mercado internacional, disse a Fecombustíveis na véspera.

O reajuste relatado ocorre apesar de a Petrobras, que responde por cerca de 70% do abastecimento no Brasil, não ter alterado seus preços.

O preço do diesel vendido pela Petrobras a distribuidoras está cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022, apontou um relatório do Goldman Sachs enviado a clientes na quinta-feira.

quinta-feira, 5 de março de 2026

STF forma maioria para manter Bolsonaro preso na Papudinha

 

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para confirmar a decisão de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. Em plenário virtual, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam o relator, Alexandre de Moraes.

Na última segunda-feira, 2, Moraes negou um pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Bolsonaro pediu a prisão domiciliar alegando que a Papudinha não tem estrutura suficiente para os atendimentos médicos necessários.

Moraes sustentou que a prisão “atende integralmente, às necessidades do condenado” O ministro afirma que na prisão, Bolsonaro “tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, comprovando a intensa atividade política, o que corrobora os atestados médicos no sentido de sua boa condição de saúde física e mental”

O magistrado especificou ainda que a Papudinha possui a estrutura adequada para atender às necessidades do ex-presidente. “Com a possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, com múltiplos atendimentos diários, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, assistência religiosa, além de garantir ao réu, em absoluta garantia do princípio da dignidade da pessoa humana, o recebimento de numerosas visitas de familiares, amigos, parentes, amigos e aliados políticos.”

Em seu voto, Moraes reforçou o que havia exposto em sua decisão, afirmando que Bolsonaro só está detido na Papudinha porque tentou romper a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar.

“A conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva antes do trânsito em julgado da ação penal foi derivada única e exclusivamente pela conduta ilícita de Jair Messias Bolsonaro que, no intuito de fugir, violou seu equipamento de monitoramento eletrônico, às 0h08min do dia 22/11/2025”, escreveu Moraes.

O julgamento está aberto em sessão virtual extraordinária e a ministra Cármen Lúcia, que ainda não se manifestou, pode votar até as 23h59 desta quinta-feira. No entanto, a decisão já está confirmada pela maioria.

IA deve evitar reproduzir erros das redes sociais, avalia Character.AI

 

As empresas de inteligência artificial (IA) devem se inspirar na experiência das redes sociais para proteger seus usuários, disse à AFP o diretor-executivo da Character.AI, que proibiu o acesso de menores após ser associada a casos de suicídio de adolescentes.

“Eu me sinto muito melhor ao ver que todos na indústria – reguladores, técnicos, líderes políticos, o mundo acadêmico — estamos falando da segurança na IA muito antes do que fizemos com as redes sociais”, afirmou Karandeep Anand, diretor-executivo da Character.AI, no Congresso Mundial da Telefonia Móvel (MWC), realizado em Barcelona.

Lançada em maio de 2023, a jovem empresa californiana ficou conhecida por seus robôs de IA personalizados, que reproduzem a personalidade de uma celebridade ou de um personagem de ficção.

Nesta plataforma é possível estabelecer uma conversa com Bob Dylan ou com um personagem da série “Bridgerton”, assim como interpretar o papel de um membro da máfia.

Na direção da empresa desde o verão de 2025, Karandeep Anand assegurou que “a Character.AI ha avançou muito nos últimos nove meses”, após ter sido associada em alguns casos de suicídio de adolescentes.

“Reforçamos ainda mais nossos padrões de segurança”, afirmou, com medidas como a decisão de impedir o acesso de menores a suas ferramentas desde outubro.

“Temos o luxo de aprender com tudo de bom e de mau que aconteceu nas redes sociais e aplicá-lo à IA agora mesmo”, argumentou o diretor, cuja empresa diz contar com quase 20 milhões de usuários ativos a cada mês.

Embora ainda seja muito cedo para determinar quais usos são perigosos, “é mais simples e preferível que pequemos pelo excesso de prudência” para proteger os menores, opinou Anand.

– Um “entretenimento” caro –

Igualmente, seu grupo decidiu se distanciar da criação de modelos de inteligência artificial para se concentrar em seus robôs conversacionais de personagens.

“Meu objetivo foi construir uma empresa que se torne completamente uma companhia de entretenimento baseada em IA”, assegurou.

“Agora somos claramente uma companhia de aplicativos de consumo, centrada em levar ao limite o que poderia chegar a ser o entretenimento impulsionado pela IA”, acrescentou.

Também pretendem se diferenciar de outros integrantes do setor da IA, que oferecem aos usuários a possibilidade de estabelecer conversas similares às que poderiam ter com um ser humano.

“Os usuários chegam com necessidades distintas”, explicou, e menos de 10% deles consideram a plataforma um companheiro.

“A maioria vem pela ficção, a redação de histórias, a narração de contos, as tutorias e o coaching”, relatou.

Em um setor que precisa de máquinas potentes para fazer funcionar seus programas, a questão do custo dos serviços e sua rentabilidade também é muito importante.

Como já fez a gigante OpenAI – que no começo de 2026 começou a introduzir publicidade no ChatGPT -, a Character.AI também quer garantir mais receita.

Para isso, a empresa introduziu três fontes de financiamento, através da publicidade, de compras integradas na plataforma e das assinaturas.

“Antes da minha chegada, a monetização não era um objetivo”, lembrou Anand.

Mas o modelo econômico das empresas de tecnologia está evoluindo. Diferentemente da geração anterior, a das grandes plataformas que buscavam ter o maior número de usuários, com a IA “cada novo usuário que se incorpora é bastante caro para atender”, assinalou.

Apesar dos desafios, ele se mantém otimista. “Acredito que a tecnologia realmente pode fazer muito bem à sociedade”, insistiu.

Taxa de desemprego sobe para 5,4% em janeiro, mas renda média atinge recorde

 

A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, ante o patamar de 5,1% registrado no trimestre encerrado em dezembro, informou nesta quinta-feira, 5, o IBGE.

O resultado veio dentro do esperado pelo mercado e repetiu a mesma taxa registrada de agosto a outubro de 2025 (5,4%), o menor da série considerada comparável pelo IBGE, iniciada em 2012. Em relação ao trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 (6,5%), houve queda de 1,1 ponto percentual.

A população ocupada somou 102,7 milhões, ficando estável no trimestre, mas marcando uma alta de 1,7% (mais 1,7 milhões de pessoas) no ano. O número de desempregos somou 5,9 milhões, o que representa uma estabilidade na comparação com o trimestre de agosto a outubro de 2025. No confronto com igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões), houve queda de 17,1% (menos 1,2 milhão de pessoas). Veja aqui o detalhamento.

Evolução da taxa de desemprego no país
Evolução da taxa de desemprego no país (Crédito:Divulgação/IBGE)

Renda do trabalhador atinge recorde

Os dados são da PNAD Contínua Mensal mostram também que o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com aumento de 2,8% no trimestre e de 5,4% no ano. A massa de rendimento do trabalho alcançou o valor recorde de R$ 370,3 bilhões, com crescimento de 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) no ano.

A taxa de informalidade (proporção de trabalhadores informais na população ocupada) ficou em em 37,5%, a mais baixa da série histórica, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores.

De acordo com a coordenadora de pesquisa domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os resultados apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. “Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, afirmou.

Perspectivas para o ano

Na visão dos analistas, o resultado aponta para uma estabilização do desemprego em um mercado de trabalho ainda resiliente.

O dado divulgado nesta quinta-feira abrange dois meses do final de 2025, mas tradicionalmente a taxa de desemprego sobe no início do ano devido à dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano. Analistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar forte em 2026, mas que a taxa de desemprego pode apresentar leves altas ao longo do ano em movimentos de correção diante dos níveis baixos atuais.

“Não vemos espaço para uma melhora continuada do mercado de trabalho. Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

O desemprego baixo com renda elevada é um dos indicadores que são foco de atenção do Banco Central, já que dificulta o controle da inflação. O BC volta a se reunir neste mês para decidir sobre a taxa básica de juros, com expectativa de corte na Selic, embora tenha entrado no radar agora a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.


https://istoedinheiro.com.br/taxa-de-desemprego-sobe-para-54-em-janeiro-mas-rendimento-medio-atinge-recorde

quarta-feira, 4 de março de 2026

Dólar acompanha exterior e fecha em baixa de 0,86%, a R$ 5,21

 

Depois de subir quase 2% na véspera, o dólar fechou a quarta-feira em queda ante o real, em sintonia com o sinal negativo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior em dia de maior apetite global por ativos de risco, ainda que um desfecho para a guerra no Oriente Médio pareça distante.

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,86%, aos R$5,2184. No ano, a divisa acumula agora queda de 4,92%.

+Veja cotações na íntegra

Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,18% na B3, aos R$5,2560.

A quarta-feira foi marcada pela queda firme do dólar ante divisas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real.

O movimento ocorreu em paralelo ao avanço dos principais índices de ações na Europa e nos Estados Unidos, com os ativos de risco recuperando parte das perdas recentes. O petróleo, que disparou nas últimas sessões, oscilava perto da estabilidade no fim da tarde.

“A estabilização dos preços do petróleo, depois da forte alta provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, ajudou a aliviar parte da pressão sobre o dólar”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

“Com isso, investidores passaram a devolver prêmios incorporados na divisa americana em um dia típico (de) ajuste técnico.”

Nesta quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o país está vencendo a guerra e que pode lutar pelo tempo que for necessário.

Do lado iraniano, reportagem da Reuters informou que a Guarda Revolucionária reforçou seu controle sobre as decisões no cenário de guerra, impulsionando a estratégia linha-dura que está por trás da campanha de drones e mísseis de Teerã em toda a região.

Apesar de as operações militares de EUA e Israel contra o Irã seguirem em curso, os investidores também se apegaram à notícia de que agentes iranianos entraram em contato secretamente com os norte-americanos para buscar negociações para encerrar o conflito — mas as autoridades norte-americanas seguiram céticas quanto à possibilidade de o governo Trump ou o Irã estarem preparados para uma redução do conflito no curto prazo.

Às 17h12, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,32%, a 98,766.

No noticiário brasileiro, sem efeitos sobre o câmbio, o destaque foi a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e também teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira eletrônica.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril. À tarde, a instituição informou que o Brasil teve fluxo cambial total positivo de US$5,429 bilhões em fevereiro — antes do início da guerra no Oriente Médio.

Entidades de imprensa repudiam ameaças de Vorcaro contra Lauro Jardim

 

A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o grupo Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgaram nesta quarta-feira, 4, notas de repúdio contra as ameaças feitas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Em troca de mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF), Vorcaro teria solicitado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas, que o jornalista fosse agredido em um assalto forjado.

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse o banqueiro.

Em nota, a ANJ manifestou solidariedade ao veículo e ao jornalista e classificou o episódio como um ataque à liberdade de expressão. A entidade afirmou que a tentativa de intimidar um profissional da imprensa por meio de violência é incompatível com o estado de direito e comparou o método a práticas mafiosas.

A associação também elogiou a atuação da Polícia Federal pela descoberta das ameaças e destacou as providências adotadas pelo ministro André Mendonça para garantir o livre exercício da atividade jornalística.

A Fenaj, em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), afirmou que ameaças e tentativas de intimidação contra jornalistas fazem parte de um ambiente de hostilidade constante contra a imprensa no país.

A entidade classificou o caso como um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares da democracia.

A Fenaj também cobrou a apuração rigorosa das denúncias e a responsabilização dos envolvidos, além da adoção de medidas efetivas para proteger profissionais da comunicação. Segundo a entidade, atacar um jornalista significa atingir toda a sociedade, que depende de uma imprensa livre, crítica e independente.

Já o grupo Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que trata-se de tentativa de intimidar e calar o jornalismo. Para a entidade, o episódio é pedagógico sobre como comportamentos tipicamente mafiosos operam quando pessoas influentes e poderosas são confrontadas pelo jornalismo de interesse público.

O RSF pediu o esclarecimento completo do alcance desse planejamento e a responsabilização de todos os envolvidos e disse que jornalistas no Brasil convivem regularmente com tentativas de intimidação e silenciamento. (Leia todas as íntegras abaixo.)

Prisão de Vorcaro

A PF prendeu Vorcaro nesta quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master.

Ele foi preso em sua residência em São Paulo no início da manhã e encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista. Também foram cumpridos outros três mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão.

A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro colaborou “de forma transparente com as investigações desde o início e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

Mourão, destinatário das mensagens com as ameaças, também foi preso, além do policial aposentado Marilson Silva.

A Polícia Federal afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro faz parte de uma “organização criminosa” formada por ‘profissionais do crime”, chamada de “A Turma”, que utilizaria violência e coação como uma espécie de “milícia privada”.

Segundo as investigações, o esquema criminoso ligado ao Banco Master tinha quatro núcleos de atuação.

Havia um “núcleo financeiro”, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; um “núcleo de corrupção institucional’, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; um ‘núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro”, com utilização de empresas interpostas; e um ‘núcleo de intimidação e obstrução de Justiça’, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Esta foi a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, depois que assumiu a relatoria do caso.

O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações no dia 12 deste mês após uma reunião dos dez ministros da Corte.

O encontro ocorreu após a PF enviar ao tribunal um documento em que lista menções ao ministro no celular de Daniel Vorcaro e também conversas entre o banqueiro e o magistrado, que depois assumiu ter recebido dinheiro de fundo ligado ao Master, mas negou relações com Vorcaro.

Não houve declaração de impedimento ou suspeição do ministro. Como Mendonça integra a Segunda Turma do STF, assim como Toffoli, ele continua apto a votar no processo em caso de julgamento.

Leia as notas na íntegra

ANJ

“A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista.

A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.

A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística.”

Fenaj

“A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) manifestam seu mais veemente repúdio às gravíssimas denúncias reveladas pelas investigações da Polícia Federal, que apontam a existência de um plano criminoso para intimidar e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da Rádio CBN.

Segundo as apurações, o banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado ações de monitoramento, perseguição e violência física com o objetivo explícito de calar um jornalista em razão do exercício de sua atividade profissional. Trata-se de um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia.

A FENAJ e o Sindicato reafirmam que qualquer tentativa de intimidação, ameaça ou violência contra jornalistas não é um fato isolado, mas parte de um ambiente de constante hostilidade contra a imprensa no Brasil. Atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente.

Exigimos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização exemplar de todos os envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais da comunicação. A FENAJ e o SJPMRJ se solidarizam com Lauro Jardim e com todos os jornalistas que, diariamente, seguem exercendo seu trabalho sob risco e pressão.

Não aceitaremos o silenciamento da imprensa. Sem jornalismo livre, não há democracia.”

RSF

“As conversas reveladas hoje [quarta-feira, 4], no âmbito das investigações sobre o caso do Banco Master, evidenciam que o empresário Daniel Vorcaro planejou uma agressão contra o colunista do O Globo, Lauro Jardim, um dos jornalistas mais reconhecidos do país, por se sentir incomodado com a cobertura da imprensa.

É uma clara tentativa de intimidar e calar o jornalismo. Para a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o episódio é pedagógico sobre como comportamentos tipicamente mafiosos operam quando pessoas influentes e poderosas são confrontadas pelo jornalismo de interesse público.

Felizmente, o caso veio à tona. Pedimos que a resposta da Justiça seja exemplar, com o esclarecimento completo do alcance desse planejamento, em que medida ele chegou a ser colocado em prática, e com a responsabilização de todos os envolvidos. Infelizmente, apesar das características que tornam este caso singular, ele não é um episódio isolado. Jornalistas no Brasil convivem regularmente com tentativas de intimidação e silenciamento por parte daqueles que querem manter atividades espúrias longe do escrutínio público.”