segunda-feira, 16 de março de 2026

Trump pede que outros ajudem a proteger Estreito de Ormuz; petróleo segue acima de US$ 100

 

As demandas do presidente dos EUA, Donald Trump, por uma coalizão para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz pareceram não ter surtido efeito, nesta segunda-feira, 16, quando os aliados Japão e Austrália disseram que não estão planejando enviar embarcações da Marinha ao Oriente Médio para escoltar navios através da hidrovia vital.

Com a guerra dos EUA e Israel contra o Irã criando turbulência em todo o Oriente Médio e abalando os mercados globais de energia em sua terceira semana, Trump insistiu no domingo que as nações que dependem muito do petróleo do Golfo têm a responsabilidade de proteger o estreito por onde transitam 20% da energia mundial.

Os mercados na Ásia reagiram com cautela, com o petróleo Brent subindo mais de 1% acima de US$ 104,50 e os mercados de ações regionais, em sua maioria, mais fracos em meio a preocupações sobre o risco para as instalações de petróleo do Oriente Médio e após a solicitação de Trump para que os aliados se envolvam mais.

“Estou pedindo que esses países entrem e protejam seu próprio território, porque é o território deles”, declarou Trump aos repórteres a bordo do Air Force One, no caminho da Flórida para Washington. “É o lugar de onde eles obtêm sua energia.”

Trump disse que seu governo já entrou em contato com sete países, mas não identificou os países. Ele postou em rede social no fim de semana que esperava que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros participassem.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, uma firme apoiadora de Trump, disse na segunda-feira que seu país, limitado por sua constituição que renuncia à guerra, não tem planos de enviar embarcações navais para escoltar navios no Oriente Médio, de onde obtém 95% de seu petróleo.

“Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a examinar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro da estrutura legal”, afirmou Takaichi ao Parlamento.

A Austrália, outro importante aliado de segurança dos EUA no Indo-Pacífico, que também depende muito de combustíveis produzidos com petróleo do Oriente Médio, disse que também não enviará navios de guerra para ajudar na reabertura do estreito.

“Sabemos como isso é incrivelmente importante, mas não é algo que nos foi solicitado ou para o qual estamos contribuindo”, declarou Catherine King, membro do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese, em uma entrevista à emissora estatal ABC.

Bolsas em queda

As bolsas europeias operam em baixa na manhã desta segunda-feira, em meio às incertezas da guerra no Oriente Médio, que seguem impulsionando o petróleo, e à espera de decisões de juros de grandes bancos centrais.

Às 6h37 (de Brasília), a Bolsa de Londres oscilava perto da estabilidade, enquanto a de Paris recuava 0,56% e a de Frankfurt caía 0,32%. As de Milão, Madri e Lisboa, por sua vez, tinham respectivas perdas de 0,94%, 0,70% e 0,24%.

Na Ásia, o índice japonês Nikkei caiu 0,13% em Tóquio, a 53.751,15 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 1,14% em Seul, a 5.549,85 pontos, o Hang Seng subiu 1,45% em Hong Kong, a 25.834,02 pontos, e o Taiex recuou 0,17% em Taiwan, a 33.342,51 pontos.

 

 

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Mercado passa a projetar corte menor da Selic nesta semana e no ano; veja números do Focus

 

Em meio à disparada do dólar e as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, o mercado financeiro passou a projetar um corte menor na taxa básica de juros (Selic) neste mês de março e em 2026, mostra o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 16, pelo Banco Central.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas aponta que a expectativa agora é de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) e não mais de 0,50 ponto, como estava sendo projetado até a semana anterior. Com isso, a Selic cairia dos atuais 15% para 14,75%.

Já a previsão para a taxa básica ao fim de 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Veja aqui o detalhamento.

O Copom se reúne na terça e na quarta-feiras para deliberar sobre a política monetária. Na semana passada, a curva a termo brasileira apagou de sua precificação as apostas de corte da Selic em 0,50 ponto percentual e passou a refletir chance, ainda que minoritária, de manutenção em 15% nesta semana.

Projeções atualizadas do Boletim Focus
Projeções atualizadas do Boletim Focus (Crédito:Reprodução/Instagram)

Inflação mais alta

Para o IPCA, a projeção subiu para 4,10% ao final de 2026, ante estimativa anterior de 3,91%. Para 2027, segue em 3,80%.

O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O BC prevê que o IPCA vai encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027.

PIB e dólar

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa para a alta em 2026 subiu de 1,82% para 1,83%. Já para 2027 segue a previsão de avanço de 1,80%. Em 2025, a economia brasileira desacelerou e teve avanço de 2,3% como mostrou na semana passada o IBGE.

Para a cotação do dólar, a projeção do Focus foi revisada para R$ 5,40 ao fim de 2026, ante R$ 5,41 na semana anterior, e para R$ 5,47 para o fim de 2027, ante R$ 5,50 na semana anterior.

 

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quinta-feira, 12 de março de 2026

BNDES: recuperação extrajudicial da Raízen não afeta diretamente o banco

 

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas, não afeta diretamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou a instituição em nota.

“Os financiamentos do BNDES para a referida empresa contam com garantia real, que são as próprias usinas. Portanto, conforme informou a própria empresa, continuarão a ser pagos normalmente”, diz o comunicado.

No ano passado, o banco aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a empresa construir uma nova usina de etanol.

“O BNDES está empenhado e comprometido em encontrar a melhor solução para a crise financeira da empresa”, prossegue a nota.

A instituição ressalta que tem uma das menores inadimplências do sistema financeiro, de 0,008%, resultado de uma sólida governança.

O banco divulga na próxima terça-feira, 17, o resultado financeiro e o desempenho operacional do ano de 2025. Uma entrevista coletiva acontece às 11h, na sede da instituição, no Rio de Janeiro (RJ).

BNDES reduz taxa de juros em empréstimos para mulheres de cooperativas

 

 BNDES-logo - AmstedMaxion

 

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (12) que vai reduzir o custo de empréstimos para mulheres que fazem parte de cooperativas de crédito.

 A iniciativa começa a operar a partir de abril. O barateamento do crédito se dará por meio de redução do spread, a diferença entre o custo do dinheiro para o BNDES e quanto é cobrado de quem toma o financiamento

 Dessa forma, a remuneração do banco com os empréstimos passará de 0,85% para 0,50% ao ano para cooperadas das regiões Norte e Nordeste. Nas demais regiões, será reduzida de 1,25% para 0,85% ao ano.

 O anúncio foi na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, durante evento para marcar o Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8).

Prazos maiores

Além de pagar taxas mais baixas, as mulheres terão ampliação de prazo para quitar os financiamentos, que passará de 12 para até 15 anos, com dois anos de carência, isto é, prazo para começar a amortizar o empréstimo.

De acordo com o banco, a mudança permitirá reduzir o valor das parcelas e ampliar a capacidade de acesso ao crédito.

As cooperativas de crédito contam com cerca de 20 milhões de associados, e as mulheres representam cerca de 44,5%.

 Hoje, pouco mais de um quarto (27%) das operações do programa de financiamento do BNDES são contratadas por mulheres. 

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o cooperativismo é uma prioridade do banco.

“Se a gente não constrói esse acesso, não aumenta a participação das mulheres nas cooperativas. As cooperativas trazem resultado, ensinamento, segurança a famílias. Muitas mulheres são mães solo, responsáveis por pequena propriedade rural ou pequena empresa”, declarou.

 O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quase R$ 100 bi

Desde 2023, o banco de fomento do governo federal alterou medidas do programa de financiamento por cooperativas. Uma das alterações subiu o limite do financiamento de R$ 30 mil para até R$ 100 mil.

De 2023 a 2025, o volume de crédito com recursos do BNDES repassados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito alcançou R$ 99,5 bilhões.

A diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, apontou durante o evento que o cooperativismo de crédito é uma “ferramenta poderosa” de inclusão financeira e desenvolvimento regional. 

“Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda”, disse.

Cooperativismo

Com informações da Organização das Cooperativas Brasileiras, o BNDES afirma que o cooperativismo reúne mais de 25,8 milhões de cooperados em 4.384 cooperativas brasileiras. Mais de 578 mil empregos diretos são gerados por cooperativas, e o impacto na economia chega a R$ 757,9 bilhões.

Cooperativas funcionam como se fossem empresas em que os trabalhadores são sócios do negócio. Os associados, líderes e representantes têm total responsabilidade pela gestão e fiscalização da cooperativa.

Por não terem fins lucrativos, os resultados positivos da atividade econômica desempenhada são distribuídos entre os cooperados.

Mais iniciativas

No evento em reverência ao Dia Internacional da Mulher, o BNDES anunciou mais medidas direcionadas a impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de mulheres.

Uma delas é a liberação de até R$ 80 milhões para o programa BNDES Periferias, voltado para favelas e áreas periféricas.

O programa vai apoiar organizações da sociedade civil e instituições sem fins lucrativos que desenvolvam programas de capacitação de mulheres periféricas empreendedoras. As iniciativas podem incluir formação profissional, capacitação em gestão, mentorias, acesso a redes de mercado e capital.

Ainda dentro do BNDES Periferias, haverá incentivo a projetos direcionados ao “trabalho de cuidado”. Entre os serviços que poderão ser beneficiados estão cuidados domiciliares a crianças, idosos ou pessoas com deficiência; lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias, entre outros.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que as periferias são os territórios onde as mulheres são mais vulneráveis.

“Obviamente não é só para mulheres, mas são as mulheres as grandes cuidadoras”, afirmou.

 A diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Segurança

O banco público anunciou também uma linha de financiamento voltada para estados e municípios que tenham políticas públicas na área de segurança da mulher. São recursos, por exemplo, para a construção de delegacias da mulher, fortalecimento de patrulha Maria da Penha e até iluminação pública.

O financiamento poderá alcançar até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos.

A diretora Tereza Campello sustenta que as ações anunciadas contribuem para reduzir fatores de risco que “perpetuam a violência”.

“A violência contra as mulheres é um fenômeno complexo, que exige respostas integradas. Prevenção, proteção, investigação, responsabilização e autonomia econômica precisam caminhar juntas”.

Pacto

O presidente do BNDES assinou uma carta de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio. O termo reafirma o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e com o enfrentamento da violência contra as mulheres.

 

Marca de molhos homenageia Wagner Moura na região do teatro onde ocorrerá o Oscar

 

Às vésperas da premiação mais importante do cinema, a marca de molhos Heinz exibe um grande anúncio em homenagem ao baiano Wagner Moura a cerca de quatro quilômetros do Dolby Theatre, onde ocorrerá a entrega dos troféus. Sobre um fundo vermelho, o texto branco diz: “For your consideration: o baiano tem o molho”.

A frase em inglês pode ser traduzida como “para sua consideração”, e é um clichê utilizado por estúdios quando enviam suas produções para a avaliação dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A segunda metade do texto do anúncio é o nome de uma canção do cantor baiano O Kanalha, que, através das redes sociais, se tornou uma espécie de hino da campanha de Wagner Moura rumo ao Oscar.

O outdoor digital está localizado no número 8775 da Sunset Boulevard, a avenida mais icônica de Hollywood. Com cerca de 20 metros de altura, o equivalente a um prédio de seis andares, trata-se de um dos pontos de publicidade mais icônicos de Los Angeles.

Heinz surfa em ‘O Agente Secreto’ e de Wagner Moura

Há grande expectativa entre brasileiros de que o filme estrelado por Wagner Moura traga uma nova vitória no Oscar para o Brasil, após a conquista do troféu de Melhor Filme Internacional para “Ainda Estou Aqui” em 2025.

“Quando o público começou a dizer que ‘o baiano tem o molho’, vimos a oportunidade perfeita de unir o nosso DNA ao orgulho nacional”, afirma Thiago Lopes, CMO da Kraft Heinz Brasil. “Transformar essa expressão em uma homenagem próxima ao Dolby Theatre foi uma forma leve e brasileira de destacar o talento do país e reforçar o território mais icônico da marca.”

A Kraft Heinz é uma empresa estadunidense, que conta com forte conexão no Brasil, um de seus principais mercados. Apesar de manter sua sede em Chigado,  ela é controlada desde 2013 pela 3G Capital, empresa global de private equity administrada pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira.

 

https://istoedinheiro.com.br/molho-homenageia-wagner-moura-123226

Especialista afirma que 95% dos projetos de IA não geram valor a empresas

 


A constatação é de Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry 
 
 
Ao indicar caminhos para fazer com que a IA agregue mais valor às empresas industriais, Jung aponta para a integração com o conhecimento humano

 

 

 

Apesar de ser tratada com grande entusiasmo e muita expectativa, a inteligência artificial (IA) ainda não é uma forma importante de alavancar a produção e os resultados de empresas que a utilizam. A constatação é de Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry – braço de tecnologia da Bosch, multinacional alemã de engenharia e tecnologia. "Temos essa grande empolgação, essa grande esperança de que a IA possa ajudar a resolver muitas das nossas questões, mas ainda assim todo mundo está meio que na fase piloto. Noventa e cinco por cento dos projetos de IA não entregam valor econômico hoje", apontou. Para o diretor da Bosch, a questão passa por excesso de informação, o que classificou como cenário desafiador. "Temos cada vez mais dados, mas isso não parece produzir muito mais valor a partir desses dados", alertou.

Ao indicar caminhos para fazer com que a IA agregue mais valor às empresas industriais, Jung aponta para a integração com o conhecimento humano. "A resposta está em trazer IA, máquinas e humanos juntos em uma forma de cointeligência na manufatura", diz. "Nós industrializamos a IA generativa", completa. A constatação do especialista segue a conclusão do estudo O Estado da IA nos Negócios em 2025 publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês para Massachusetts Institute of Technology), uma das universidades mais prestigiadas do mundo. "Apesar de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões em investimentos empresariais em IA generativa, o relatório revela um resultado surpreendente: 95% das organizações estão obtendo retorno zero", destacou.

A declaração foi feita em um painel sobre IA, durante um evento que antecipou novidades da Hannover Messe, maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá de 20 a 24 de abril em Hannover, cidade de cerca de 550 mil habitantes no Norte da Alemanha. O chefe do departamento de pesquisa da empresa de robótica Agile Robots, Sven Parusel, considera que a IA começa a "ganhar vida" por meio de robôs. Estamos vendo a IA sair das telas e entrar nos espaços de manufatura [industriais], especialmente quando falamos de IA física, trazendo robôs e máquinas físicas junto com as capacidades de IA", aponta.

Ele conta que desde 2018 a empresa alemã desenvolve braços e mãos robóticas, sistemas móveis e robô humanoide. "Para nós é muito importante que todos esses componentes se juntem, trazendo IA para todos eles e também para a própria fábrica", disse. Parusel revelou que a Agile desenvolveu um sistema de montagem de caixa de câmbio com dois braços robóticos controlados por IA. "Usa a IA para controle e visão computacional para detectar objetos. Já vemos os benefícios: produção mais rápida, mais flexível e mais fácil de configurar", descreve.

Com ABR

 https://amanha.com.br/categoria/tecnologia/especialista-afirma-que-95-dos-projetos-de-ia-nao-geram-valor-a-empresas
 

Governo zera alíquota de PIS e Cofins do diesel importado


Brasília, 12 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou nesta quinta-feira, 12, um pacote de medidas para controlar o preço do óleo diesel no País. A principal delas é um decreto que zera as alíquotas de impostos federais na importação e comercialização do diesel. Haverá isenção no pagamento do Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Essa análise estava sendo feita desde a semana passada, com o acirramento do conflito no Oriente Médio.

Lula também assinou um decreto com “medidas de transparência e fiscalização para o combate à especulação e preços abusivos no Brasil”, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, e uma medida provisória que institui subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, a ser operada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) condicionada à comprovação de repasse ao consumidor.

 O presidente participou do anúncio junto dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Casa Civil, Rui Costa, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Lula foi o primeiro a falar e anunciou a redução dos impostos como um “sacrifício enorme”. Segundo ele, essa “medida que vai fazer com que nós cortemos impostos sob a importação para evitarmos o aumento de preços”.

“Estamos fazendo um sacrifício enorme, uma engenharia econômica, para evitar que o efeito da irresponsabilidade das guerras, chegue ao povo brasileiro”, afirmou o presidente da República.

Lula ainda pediu que governadores estudem a redução de ICMS sobre combustíveis para evitar o aumento do preço. “Vamos fazer tudo o que for possível e esperar da boa vontade dos governadores, que podem reduzir o ICMS, naquilo que for possível cada Estado fazer, para que isso não chegue no bolso do motorista e do caminhoneiro, e para que isso não chegue nos alimentos”, declarou.

‘Irresponsabilidade das guerras’

O presidente da República culpou a “irresponsabilidade das guerras que estamos vivendo” pelas medidas anunciadas nesta quinta-feira. Afirmou que “o preço do petróleo está fugindo do controle em quase todos os países do mundo”.

 “Isso significa aumento do combustível em todos os países do mundo. há informações de que nos EUA a gasolina já subiu 20%”, declarou Lula. “Esse gesto de achar que tudo se resolve com as guerras traz prejuízo a todo mundo, mas são as camadas mais pobres que sofrem as maiores consequências dessas guerras”, afirmou.

Participação dos tributos

 De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os tributos federais representam cerca de 10,5% do valor do diesel comercializado, enquanto os estaduais acrescentam, em média, 38,4% ao preço final do combustível.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), até o momento, é “limitada” a exposição direta do Brasil ao conflito no Oriente Médio.

Monitoramento

Nesta semana, a Pasta informou que houve “intensificação” das ações de monitoramento das cadeias de suprimentos globais de derivados de petróleo e da logística do abastecimento de combustíveis, além dos preços desses itens da pauta comercial.

O Brasil é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente, sobretudo o diesel.