terça-feira, 12 de maio de 2026

‘Ter fábrica no Brasil é obrigatório’, diz CEO da Omoda & Jaecoo

 

Shawn Xu foi presidente da Chery do Brasil por três anos e meio. Agora, ocupa a principal cadeira da Omoda & Jaecoo, como CEO global. Em uma entrevista para a Motor Show e IstoÉ Dinheiro, além de um restrito grupo de jornalistas brasileiros na chinesa Wuhu, onde fica a sede da Chery Automobile, dona da marca, o executivo falou sobre os planos para o Brasil.

Por ora, Xu ainda não confirmou se o local da operação da fábrica de sua parceira na China, a Jaguar Land Rover — de quem acaba de adquirir a marca Freelander –, será em Itatiaia, no Rio de Janeiro.

A unidade está subutilizada há anos e deve ser o destino da produção nacional da Omoda & Jaecoo. Poderia também abrigar a Lepas, outra marca confirmada para o mercado brasileiro (e, por que não?, talvez a própria Freelander).

Apesar de não confirmar a localização da fábrica brasileira, e nem a eventual presença de outras marcas do grupo na linha de produção, ele revelou que a produção no Brasil começa no início de 2027. O mercado brasileiro é “grande e difícil”, mas para a marca ter uma fábrica aqui é “obrigatório”. Ademais, a unidade também servirá de hub de exportação para o mercado argentino.

Em meio à conversa, o executivo indicou, ainda, que vai priorizar os modelos HEV e PHEV, ou seja, que têm motor a combustão e baterias (embora funcionem de forma distinta). Omoda 5 e Jaecoo 5 devem ser as prioridades de fabricação local.

Xu destacou que, como o Omoda 5 está indo muito bem, a produção deve se iniciar justamente com o modelo, somado ao Jaecoo 5. Este segundo une características de ter um estilo Land Rover e ser “pet-friendly” (Xu destaca que muitos brasileiros não querem filhos, e gostam de cachorros). Confira:

Sobre os rumores da Omoda & Jaecoo assumir a fábrica da Land Rover, no Rio de Janeiro, o sr. pode dizer se as conversas ocorrem e qual será o primeiro modelo?

Eu entendo bem as necessidades do mercado brasileiro, pois trabalhei nele por três anos e meio. É um mercado grande e difícil, por causa do trabalho de engenharia para adaptação dos carros serem flex e para fazer uma fábrica. E consideramos que ter uma unidade produtiva no Brasil é obrigatório. Quando pensamos na Omoda Jaecoo no Brasil, estudamos diferentes opções: construída por nós ou comprada. Consideramos todas as opções, incluindo a que você mencionou. Escolhemos uma, e não posso dizer exatamente agora por questões de confidencialidade, mas vai acontecer em breve. Quando finalizado o acordo, avisarei a vocês primeiro.

O Omoda 4 será o modelo de entrada da marca. Globalmente, ele terá versões elétricas, híbridas e a combustão, mas cada mercado tem especificidades. Como o senhor enxerga qual seria o produto correto para o Brasil?

O Omoda 5, já comercializado no Brasil, está vendendo bem, e pode chegar a duas mil unidades neste mês. Pode ser o modelo número um entre os HEV. Esse é um SUV compacto, como os brasileiros gostam. Ele tem uma personalidade única, ao vê-lo todos sabem que é da Omoda. Nós chamamos o HEV de super-híbrido porque, em muitos híbridos, o consumo é bom, mas falta potência em altas velocidades. Acima de 100 km/h, o motor fica barulhento. E os jovens querem potência. Eles querem chegar antes dos outros, querem baixo consumo e potência. Precisamos de ambos e queremos dar a melhor experiência para o público ao volante. Por isso as pessoas gostam dos HEVs. Mas nosso BEV [modelos a bateria] também é muito potente e está vendendo muito bem em mercados como Tailândia, Indonésia e na Europa, no Reino Unido. Então também podemos ter um elétrico para o Brasil, pois há uma grande demanda. [vale lembrar que o Omoda 4 foi lançado no Salão de Pequim há poucos dias]

O Jaecoo 5 tem gerado muito interesse no Brasil. Ele seria uma opção mais interessante para começar a produção local, já que o preço é mais alto e entrega maior margem de lucro?

Assim que a nossa fábrica estiver disponível, vamos considerar os produtos de alto volume, eles serão nossa primeira prioridade para fabricação nacional. Isso inclui o Omoda 5 e o Jaecoo 5. O Jaecoo 5 chamou muita atenção no Brasil, e em outros mercados, onde já é um grande sucesso, e acredito que também gostarão muito dele no mercado brasileiro. Ele é um carro com design estilo Range Rover, é compacto e tem boas características, como ser pet friendly. Eu morei no Brasil por mais de três anos e sei que muitas pessoas não precisam de filhos, só de pets. Por isso criamos um SUV que tem essa conexão melhor com os clientes.

O mercado brasileiro está acostumado a motores pequenos, 1.0 flex, tecnologias não tão avançadas quanto os HEV ou PHEV. A Omoda Jaecoo é uma empresa high-tech no Brasil. Podemos dizer que os produtos da Omoda Jaecoo sempre terão eletrificação no Brasil e veremos produtos 1.0 flex eletrificados?

Os híbridos e elétricos são o primeiro passo. O motor é importante, mas não é tudo. Vamos lançar motor a combustão no futuro próximo se os jovens gostarem, mas agora o híbrido, HEV e PHEV, é nosso foco. Temos motor especial, transmissão e bateria especiais para os híbridos. Não se trata de uma adaptação do motor tradicional para virar híbrido.

Mesmo que no futuro tenhamos motor a combustão, os híbridos serão essenciais em nosso portfólio. Sobre o motor 1.0 TGDI, nós temos esse motor na Chery, mas vamos comparar o que é mais econômico para o mercado brasileiro e ver a resposta local. Temos muitas opções, e veremos o que vamos escolher para os consumidores.

Quais características vocês consideram mais importantes para uma cidade sediar a fábrica e quando a decisão será tomada?

A Chery tem 24 fábricas no exterior. Temos fábricas em muitos mercados, incluindo o Brasil. Não é um problema fazê-las, é apenas um caminho; quando o mercado precisa, nós construímos. E rápido. Quando o mercado precisa, construímos uma fábrica em poucos meses. Somos rápidos. Não posso falar ainda, assinamos contrato de confidencialidade, mas ela estará pronta muito em breve.

Falaremos muito em breve sobre nossa decisão [relacionada ao Brasil]. Esperamos começar a produção no começo do ano que vem, então estamos nos apressando. É questão de sobrevivência. Normalmente leva-se dois anos para fazer uma unidade, mas queremos finalizar este ano e começar a produção no início do ano que vem. Estamos vendendo bem e queremos crescer.

Vocês pretendem entrar em outros segmentos no Brasil?

Já debatemos isso. Somos muito jovens. Três anos de China e um ano de Brasil. Para Omoda, teremos crossovers. Na Jaecoo, SUVs com pegada off-road. Hoje, é isso. Se no futuro o cliente precisar de algo diferente, podemos considerar, mas não agora. Provavelmente nos próximos dois anos não consideraremos outros segmentos até termos uma base sólida.

Quais são os planos para a América do Norte [Estados Unidos e Canadá]?

Eu acabo de vir da cerimônia de assinatura do acordo com o Canadá. Então, sim, teremos uma subsidiária naquele país ainda neste ano.

Em quantos países a Omoda Jaecoo quer estar presente até o fim de 2026?

Hoje temos 69 mercados em operação. Diferente da Chery, que usa muitos distribuidores, a Omoda & Jaecoo opera com subsidiárias próprias em grandes países, como Brasil, Austrália e Tailândia, Malásia… e também na Europa, na Espanha, na Itália, etc. Estamos crescendo rápido. Queremos chegar a cerca de cem mercados até o fim do ano que vem. Algumas subsidiárias chegarão em breve, como Alemanha e Argentina.

Sobre os modelos menores, como o Omoda 2 e o Jaecoo 3, quais são as possibilidades de chegarem ao Brasil, e com quais motores?

O Omoda 2 já estamos analisando com nossos parceiros [os concessionários viram estes dias]. A mídia ainda não verá porque está em um estágio inicial. Ele tem cerca de 4,2 metros. O Omoda 5 tem 4,5 metros e, o Omoda 4, tem 4,4 metros. Teremos versões elétricas (BEV), híbridas (HEV) e também a combustão. É um carro pequeno que cabe bem no mercado brasileiro. Teremos mais detalhes sobre ele em aproximadamente seis meses, e vocês poderão nos dizer se os brasileiros gostarão.

A fábrica brasileira será um hub de exportação para a Argentina?

Eu é que deveria dizer isso. Então a resposta é sim. Por isso preciso de uma fábrica nossa [localmente].

O Brasil é um país continental, mas tem poucos carregadores. Qual é o carro ideal para o Brasil, HEV ou PHEV? E vocês vão investir em estrutura de carregadores?

Vocês são quase tão grandes quanto a China, mas com menor população. E podem viver em grande parte dele. Eu morei perto de São Paulo. Em termos de infraestrutura, em cidades pequenas pode-se carregar o carro em casa. Não dá para comparar [os dois países nesse aspecto]: a China tem carregadores em qualquer lugar, mas no Brasil até dá para carregar bem [o veículo] em casa ou na rua.

Não planejamos investir em carregamento, não podemos comprar terras para fazer estações. Nosso negócio é automotivo. Mas as vendas de BEV vão bem, e o governo deve cuidar disso para as pessoas carregarem em casa. Além disso, os HEVs vão bem, e nossos PHEVs não precisam ser carregados. Eles estão uma geração à frente, e por isso não chamamos nossos carros de PHEV, mas de super-híbridos. Nos PHEVs convencionais a bateria ‘morre’ e o consumo [de combustível] fica pior do que em um carro a combustão, já que a bateria é pesada. Nos nossos super-híbridos, pode-se andar sem carregar o carro.

Telefônica tem grande foco em elevar indicador de receita por CPF, diz presidente da empresa

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A Telefônica Brasil, dona da Vivo, está focada em aumentar a receita média por cliente por meio da maximização das vendas combinadas de internet móvel, internet fixa, serviços digitais e aparelhos. “Temos como grande foco aumentar o indicador de receita por CPF”, ressaltou o presidente da companhia, Christian Gebara, durante entrevista coletiva à imprensa nesta segunda-feira, 11.

A operadora passou a divulgar a receita média por CPF em seus balanços. Até pouco tempo atrás, esse dado era segmentado, com dados abertos no segmento móvel e no fixo, mas sem um resultado consolidado.

O último balanço mostrou que a receita média por CPF subiu de R$ 62,9 por mês no início do ano passado para R$ 67,2 por mês no começo deste ano, crescimento de 6,8% no período, superando a inflação.

“O importante aqui é mostrar a efetividade de vendermos mais serviços e produtos para o mesmo cliente”, explicou Gebara. “Além de atrair mais clientes e garantir que haja retenção, nós temos que ser mais efetivos nas habilidade de vender mais serviços para os meses clientes”, ressaltou.

Exemplo disso é o pacote chamado internamente de Vivo Total, que combina internet móvel e fixa. Ele já representa 44,7% de todos os acessos de banda larga, uma alta de 7,1 pontos porcentuais (p.p.) na comparação anual. Segundo Gebara, há um potencial significativo para expansão futura. Isso ajuda a aumentar a ‘fidelidade’ dos clientes e reduzir os desligamentos (churn).

Outro foco é a expansão dos serviços digitais para os consumidores, com ofertas que vão de financiamento bancário a streaming de vídeo (OTTs, no jargão). Ao todo, esses serviços geraram faturamento de R$ 1,9 bilhão no acumulado dos últimos 12 meses até março, alta de 31,5% na comparação com os 12 meses anteriores.

O grosso desses serviços digitais está nos streaming de vídeo e música, gerando receita de R$ 834 milhões nesse período, alta de 25%. Entram aí serviços como Netflix e Globoplay, por exemplo.

Há um ano, a Vivo passou a oferecer a ferramenta de IA Perplexity em alguns planos pós-pagos. Agora, a empresa avalia outras opções, disse Gebara, citando a variedade e a popularização dessas ferramentas.

Outro pilar da estratégia de ampliação da receita média por CPF é a vertical de aparelhos, com vendas de celular e eletrônicos. Aqui, a receita da Telefônica cresceu 26,6% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano passado, chegando a R$ 1,152 bilhão.

“O cliente poderia ter só a internet móvel, mas estimulamos as vendas de internet fixa, OTTs, aparelhos e seguro. Queremos mostrar para o mercado a grande oportunidade que temos”, disse o CEO.

Governo de SP aplica multa recorde de R$ 1 bilhão contra Fast Shop

 

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A Fast Shop, rede varejista especializada em eletrônicos, foi multada pelo governo do estado de São Paulo em R$ 1.040.278.141  após a Controladoria Geral do Estado (CGE-SP) apurar que a empresa ofereceu vantagens indevidas a agente público, obteve benefícios tributários indevidos e interferiu em atividades de fiscalização e investigação da administração tributária estadual.

 A multa de mais de R$ 1,04 bilhões aplicada, que corresponde aos valores obtidos ilicitamente pela empresa, foi a maior registrada no país com base na Lei Anticorrupção.

 

Corrupção

Segundo as apurações da CGE-SP, a Fast Shop contratou a empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., operada pelo ex-auditor fiscal da Receita Estadual Artur Gomes da Silva Neto para prestação de serviços relacionados à recuperação de créditos tributários de ICMS decorrentes do regime de substituição tributária.

A empresa sabia que as informações privilegiadas estavam sendo utilizadas indevidamente e o esquema contava com uso do certificado digital da própria empresa processada.

“A atuação envolvia promessa de facilitação de processos tributários, blindagem contra fiscalizações e intermediação de operações de monetização de créditos tributários. Também ficou comprovado que a Fast Shop obteve créditos tributários indevidos de R$ 1,04 bilhão. O valor é decorrente da prática conhecida como mineração de dados fiscais, mediante prospecção e homologação irregular de créditos tributários com uso de informações às quais a empresa não teria acesso”, diz o governo estadual.

De acordo com a apuração, os créditos totais analisados alcançaram aproximadamente R$ 1,59 bilhão. A parcela superior a R$ 1,04 bilhão teria sido calculada e inserida por Silva Neto a partir de dados obtidos de forma ilícita, gerando vantagem indevida e prejuízo ao Tesouro do Estado. A multa foi equiparada ao valor total da fraude.


Com receita recorde, lucro do BTG Pactual salta 42% e soma R$ 4,8 bi no 1º trimestre

 

O BTG Pactual encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 4,808 bilhões, o que representa um crescimento de 42% ante o registrado no mesmo trimestre do ano passado.

As receitas totais do maior banco de investimento da América Latina avançaram 34% na mesma base de comparação, para R$ 9,968 bilhões, em mais um trimestre recorde.

Segundo o banco, os resultados recordes em Corporate Lending e Wealth Management, aliados à performance consistente das demais áreas de negócio, sustentaram o forte desempenho do período e impulsionaram a expansão das receitas.

O retorno ajustado sobre o patrimônio líquido (ROAE) subiu 3,4 pontos porcentuais, para 26,6%, entre janeiro e março. O índice de Basileia ficou em 15,9% nos primeiros três meses do ano, ante 15,4% de um ano antes.

Em 31 de março de 2026, os ativos totais do BTG Pactual somaram R$ 845,6 bilhões, um crescimento de 4,9% em comparação com o quarto trimestre.

A área de crédito corporativo e negócio bancário registrou um aumento de 21% nas receitas, para R$ 2,33 bilhões, enquanto a carteira de crédito do banco alcançou R$ 274,2 bilhões no final de março, de R$ 253,5 bilhões um ano antes.

“Mesmo em um trimestre tipicamente impactado pela sazonalidade e diante de um ambiente macroeconômico e geopolítico desafiador, seguimos nos beneficiando da escala e diversificação da nossa plataforma, sustentando elevados níveis de rentabilidade”, destaca o banco em seu release de resultados.

O BTG destaca que continuou ampliando a base de clientes, o que resultou em R$ 83 bilhões de captação líquida total e R$ 2,6 trilhões de ativos sob gestão e administração combinados entre Asset e Wealth Management.


Mercado eleva estimativa de inflação para 2026 pela 9ª semana seguida, mostra Focus

 

Os analistas do mercado financeiro aumentaram a projeção para a taxa básica de juros Selic em 2027 e elevaram pela nona semana consecutiva suas previsões para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país, mostra boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, 11.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, mostra que a expectativa para a inflação em 2026 passou para 4,91%, contra 4,89% na semana anterior. Há cinco semanas, a previsão era de 4,36%.

O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para 2027, foi mantida a expectativa de IPCA em 4%.

Selic

Segundo o Focus, o cenário para a Selic ao final de 2026 segue em 13%, mas subiu a 11,25% para 2027, depois de duas semanas seguidas em 11%.

Os economistas seguem vendo novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho do Banco Central, que reduziu a taxa de juros a 14,50% no final de abril, pregando cautela.

PIB e dólar

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano seguiu em 1,85%, e foi elevada em 0,01 ponto percentual para o próximo, a 1,76%.

Para a cotação do dólar, a expectativa do Focus para o câmbio caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20 ao fim de 2026, e foi mantida em R$ 5,30 para o fim de 2027.

Com informações da Reuters

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Autoridade portuária autoriza conta garantia para recursos federais do túnel Santos-Guarujá

 

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A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou nesta segunda-feira, 11, que autorizou o Banco do Brasil a criar uma conta escrow exclusiva para o projeto do túnel Santos-Guarujá, mecanismo que permitirá a segregação e proteção dos recursos federais destinados à obra.

A medida atende determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) de quarta-feira, 6, como condicionante para liberação do aporte federal de R$ 2,6 bilhões para obras do túnel submerso e visa garantir rastreabilidade, governança e uso exclusivo dos valores na futura parceria público-privada (PPP).

 Segundo a APS, os recursos permanecerão vinculados à autoridade portuária, mas ficarão indisponíveis para qualquer finalidade diferente da execução do empreendimento. A estrutura financeira foi desenhada para assegurar maior segurança jurídica ao projeto e cumprir exigências dos órgãos de controle.

“Os fundos permanecerão vinculados à APS, mas com indisponibilidade operacional para quaisquer finalidades diversas”, afirmou a APS por meio de nota.

 O presidente da APS, Anderson Pomini, disse que a conta segregada representa um “passo decisivo e seguro” para garantir o cronograma da obra e proteger o aporte público destinado à infraestrutura portuária.

Ele afirmou ainda que a autorização foi concedida de forma imediata para atender às determinações do TCU e assegurar disponibilidade financeira ao projeto.

A APS também solicitou que o Banco do Brasil comunique formalmente a Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) sobre a efetivação do bloqueio dos recursos, etapa considerada necessária para o fluxo de desembolsos previsto no contrato da concessão patrocinada.

O próximo passo será a formalização, entre União e governo de São Paulo, de um instrumento conjunto de prestação de contas e acompanhamento financeiro da PPP, conforme exigido pelo TCU.

 

Compass vem se preparando para IPO desde sua criação, em 2020, diz CEO em estreia na B3

 

O CEO da Compass, distribuidora de gás do grupo Cosan, Antonio Simões, disse que a empresa vem se preparando desde 2020, quando foi criada, para fazer sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) na B3, que teve sua estreia nesta segunda-feira, 11, no pregão. “Esse dia não acontece de uma hora para a outra. É fruto de um trabalho que já estamos desenvolvendo passo a passo, com muita consistência”, disse, pouco antes de tocar o sino que marcou o início das negociações da Compass no Novo Mercado da B3.

Na cerimônia, os executivos presentes destacaram que, desde que a Compass foi criada em 2020, já investiu R$ 15 bilhões, conquistando mais de 3 milhões de clientes. “De lá para cá, viemos construindo um portfólio de ativos superestratégicos”, disse o CEO.

“Com a oferta, a Compass inaugura novo capítulo em sua história”, disse a vice-presidente de Operações e Emissores da B3, Viviane Basso, durante a cerimônia. “O IPO é muito mais que uma operação financeira, é um divisor de águas para a trajetória de uma companhia”, completou.

Além do CEO, a cerimônia teve vários executivos da Compass, da B3, além de advogados, quase todos usando uma camiseta com a sigla PASS, o ticker que a Compass vai usar no Novo Mercado.

Em período de silêncio duplo, por causa da oferta de ações do IPO, que ainda não foi liquidada, e do balanço, que será divulgado na noite de quarta-feira, os executivos da Compass não puderam dar declarações à imprensa.

Executivos de bancos de investimento que ajudaram na coordenação da oferta não participaram do evento, muitos deles em viagem para Nova York para acompanhar os eventos da semana brasileira na cidade.

A oferta da Compass movimentou R$ 3,2 bilhões e foi totalmente secundária, com sócios vendendo papéis. O maior vendedor foi a Cosan, que vai usar recursos para pagar dívidas.

Foi a primeira operação na B3 do tipo desde agosto de 2021, quando a Raízen, também do grupo Cosan, e a Oncoclínicas fizeram suas aberturas de capital.