sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Índice que reajusta teto do INSS e aposentadorias fecha 2025 em 3,90%

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos e é usado como referência para o reajuste dos benefícios e teto do INSS, acumulou alta de 3,90% em 2025, abaixo dos 4,77% registrados em 2024, informou nesta sexta-feira, 9, o IBGE.

Pela lei em vigor, as aposentadorias de quem recebe acima de um salário mínimo e o valor máximo pago pelo INSS são reajustados conforme a variação do INPC entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.

Ou seja, o índice de 4,77% será utilizado para atualizar os valores dos pagamentos em 2026 para os beneficiários do INSS que recebem acima do piso nacional, que foi elevado para R$ 1.621 em janeiro. Já o teto previdenciário subirá de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,54. O reajuste, porém, ainda precisa ser oficializado pelo governo.

Os segurados que se aposentaram ou começaram a receber pensão ou auxílio ao longo de 2025 terão uma correção que corresponderá à variação do INPC entre o mês da concessão do benefício até o fim do ano – proporcional ao número de meses em que o benefício foi concedido.

 Reajuste maior para quem recebe até um salário-mínimo

Para para quem recebe até um salário mínimo, o reajuste será de 6,79% em 2026.

Com o aumento do salário mínimo, o valor mínimo dos benefícios pagos pelo INSS passa a ser também de R$ 1.621 em 2026.

O reajuste do salário mínimo é calculado com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de 12 meses encerrados em novembro (que ficou em 4,18%) mais 2,5% de aumento real (PIB de 2024, limitado a 2,5%).

Atualmente, 21,9 milhões de benefícios têm o valor de até um salário-mínimo. Esse número corresponde a 62,5% do total de 35,15 milhões de benefícios pagos pelo INSS.

Calendário do INSS em 2026

Os primeiros pagamentos com o reajuste começam no dia 26 de janeiro para quem recebe até um salário mínimo. Já quem recebe valores acima do piso, os pagamentos se iniciam no dia 2 de fevereiro.

Para saber a data, basta ver o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço.

 

Inflação fecha 2025 em 4,26% e fica abaixo do teto da meta e das expectativas

 

O Índice de Preços ao Consumidor-Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, fechou o ano de 2025 a 4,26%, informou nesta sexta-feira, 9, o IBGE. Em dezembro, porém, a taxa acelerou para 0,33%, ante 0,18% em novembro.

Com o resultado, a inflação fechou o ano abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central. O centro da meta oficial para o IPCA é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Foi também a menor inflação anual desde 2018 (3,75%).

Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,35% em dezembro, acumulando em 12 meses alta de 4,30%.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, destaca que “esse é o quinto menor resultado da série desde o plano Real, ou seja, nos últimos 31 anos”. Os quatro melhores resultados foram: 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%).

Histórico da inflação

  • 2010: Dentro da meta (IPCA de 5,91%, teto da meta de 6,50%)
  • 2011: Dentro da meta (IPCA de 6,50%, teto da meta de 6,50%)
  • 2012: Dentro da meta (IPCA de 5,84%, teto da meta de 6,50%)
  • 2013: Dentro da meta (IPCA de 5,91%, teto da meta de 6,50%)
  • 2014: Dentro da meta (IPCA de 6,41%, teto da meta de 6,50%)
  • 2015: Acima do teto (IPCA de 10,67%, teto da meta de 6,50%)
  • 2016: Dentro da meta (IPCA de 6,29%, teto da meta de 6,50%)
  • 2017: Abaixo do piso (IPCA de 2,95%, teto da meta de 6,00%)
  • 2018: Dentro da meta (IPCA de 3,75%, teto da meta de 6,00%)
  • 2019: Dentro da meta (IPCA de 4,31%, teto da meta de 5,75%)
  • 2020: Dentro da meta (IPCA de 4,52%, teto da meta de 5,50%)
  • 2021: Acima do teto (IPCA de 10,06%, teto da meta de 5,25%)
  • 2022: Acima do teto (IPCA de 5,79%, teto da meta de 5,00%)
  • 2023: Dentro da meta (IPCA de 4,62%, teto da meta de 4,75%)
  • 2024: Acima do teto (IPCA de 4,83%, teto da meta de 4,50%)
  • 2025: Dentro da meta (IPCA de 4,26%, teto da meta de 4,50%)

O que mais pesou em 2025

A inflação de 2025 foi influenciada principalmente pelo grupo Habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79%, registrando o maior impacto no acumulado do ano. Na sequência, as maiores variações vieram de Educação (6,22%), Despesas pessoais (5,87%) e Saúde e cuidados pessoais (5,59%). Os quatro grupos juntos responderam por 64% do resultado do ano.

Entre os 377 subitens considerados no cálculo do IPCA, a energia elétrica residencial exerceu o maior impacto (0,48 ponto percentual) individual sobre a inflação de 2025, acumulando alta de 12,31% no ano. Em segundo lugar, vieram os cursos regulares, com 0,29 p.p. de impacto e 6,54% de variação; plano de saúde, com 0,26 p.p. e 6,42%; aluguel residencial, com 0,22 p.p. e 6,06%; e lanche, com 0,21 p.p. e 11,35%.

Entre as quedas, os principais destaques foram: o arroz (impacto de -0,20 p.p. e deflação de 26,56%), e o leite longa-vida (-0,10 p.p., e queda de 12,87%).

 

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

ANP autoriza início de operação da primeira usina de etanol de trigo do Brasil

 


A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a CB Bioenergia, localizada em Santiago (RS), a iniciar as operações para produção de etanol de trigo. A liberação foi publicada nesta quinta-feira, 8, no Diário Oficial da União.

A usina é a primeira do País autorizada a produzir o biocombustível a partir do trigo.

A expectativa da CB Bioenergia é produzir 100 toneladas do cereal por dia, e gerar até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano.

Na primeira fase do projeto, foram investidos cerca de R$ 100 milhões para a construção.

Até 2027, a empresa projeta gerar entre 45 e 50 milhões de litros de por ano, com a expansão da unidade de Santiago, o que exigiria aportes adicionais que somam R$ 500 milhões.

Em novembro do ano passado, a C.B Bioenergia recebeu a Licença de Operação (LO), do governo do Rio Grande do Sul, para início das atividades no município.

Empresas avaliam que fazer negócios ficou mais difícil em 2025, diz pesquisa

 

As empresas acharam mais difícil fazer negócios em 2025 devido a uma deterioração na cooperação global em questões como comércio, clima, tecnologia e segurança, segundo uma pesquisa publicada pelo Fórum Econômico Mundial nesta quinta-feira, 8.

Divulgada antes da próxima reunião anual do fórum em Davos, no final deste mês, a pesquisa online com 799 executivos de 81 economias, usando um painel de pesquisa global da McKinsey, mostrou que 43% consideraram que fazer negócios ficou mais difícil em comparação com 2024.

Apenas 7% tinham a opinião contrária, e os demais disseram que as coisas permaneceram iguais ou não opinaram.

Quase quatro em cada dez executivos indicaram que as crescentes barreiras ao comércio, aos talentos e aos fluxos de capital transfronteiriços dificultaram a realização de negócios, com apenas 10% defendendo ponto de vista oposto.

“Inegavelmente, uma série de anúncios de tarifas dos EUA em 2025 levantou questionamentos sobre o futuro do comércio”, disse o Fórum Econômico Mundial em seu relatório Barômetro de Cooperação Global 2026.

Em abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma série de tarifas contra os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Pouco a pouco, Trump reduziu muitas tarifas ao fechar acordos com vários países.

O fato de seis em cada dez executivos não terem destacado problemas comerciais indicou que muitos encontraram maneiras de reajustar as estratégias para enfrentar a turbulência, disse o Fórum Econômico Mundial.

Um total de 42% considerou que a cooperação em matéria de paz e segurança está em declínio, em comparação com 13% que a consideraram melhor. Além disso, 29% consideraram que a colaboração em relação ao clima e aos recursos naturais está se tornando mais difícil, enquanto 17% expressaram a opinião de que está melhorando.

Ainda assim, o relatório afirma que os novos investimentos globais em energia renovável aumentaram quase 10% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, e que a capacidade instalada de energia solar e eólica saltou 67% para 408 gigawatts no mesmo período.

Ações da Azul derretem mais de 90% em cinco dias; entenda o que está acontecendo

Em meio à sua reestruturação financeira, a companhia aérea Azul registra uma queda abrupta de suas ações. Na manhã desta quinta-feira, 8, os papéis da empresa derretiam 58% e eram cotados a R$ 100. O recuo acumulado em cinco dias chega a 94%.

A queda no preço da ação AZUL4 era esperada no mercado financeiro. Como parte de sua reestruturação, a empresa ofertou R$ 7,44 bilhões em ações.

Ao todo, são 723,9 bilhões de ações preferenciais (sem direito a voto, mas com prioridade no recebimento de dividendos) e 723,9 bilhões de ações ordinárias (com direito a voto).

Apesar da emissão dos papéis, o valor de mercado da companhia permanece o mesmo, já que há mais ações em circulação. Os donos dos papéis, portanto, os colocam à venda para que haja um reequilíbrio.

Segundo Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, a operação da empresa envolve uma forte diluição, com emissão massiva de ações a preços simbólicos. “A troca de dívida por equity sinaliza estresse financeiro, não crescimento”, disse nesta quarta-feira, 7.

“O aumento de capital melhora a estrutura de capital, mas beneficia credores, não acionistas.”

A companhia aérea está em recuperação judicial nos Estados Unidos (chapter 11) desde maio do ano passado. O plano de reestruturação, aprovado pela Justiça norte-americana em dezembro após o aval de mais de 90% de todas as classes de credores elegíveis, prevê essa diluição dos acionistas minoritários.

Com a reorganização acionária da companhia, aqueles que detinham ação viram seus papéis perderem valor. Os credores, por sua vez, receberam ações da empresa.

A Azul pretende encerrar o processo de recuperação judicial ainda no começo deste ano. Procurada, a empresa não comentou o assunto.


Empresas emergentes estreiam na bolsa em teste decisivo para a IA chinesa

 

A ação da empresa emergente chinesa de inteligência artificial Zhipu AI disparou em sua estreia na bolsa nesta quinta-feira (8) em Hong Kong, um dia antes de sua rival MiniMax estrear, em um teste decisivo para esse setor em rápida expansão no país.

As ações da Zhipu AI, criadora da ferramenta Z.ai, fecharam com alta de mais de 12% em seu primeiro dia de negociação, depois que sua oferta pública inicial (OPI) arrecadou 4,35 bilhões de dólares de Hong Kong (cerca de 3 bilhões de reais).

Os lançamentos desta semana na China antecedem qualquer possível anúncio de abertura de capital das americanas OpenAI, criadora do ChatGPT, ou da Anthropic, conhecida pelo chatbot Claude.

Mas analistas consideram pouco provável que uma ou outra gere lucros rapidamente.

“Para a Zhipu, é uma honra estar nesta conjuntura histórica como representante desse setor modelo da China”, afirmou o presidente da empresa, Liu Debing, nesta quinta-feira durante a cerimônia de lançamento.

A Zhipu AI foi fundada em 2019 e é fornecedora de serviços de grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) para clientes empresariais e governamentais na China, a segunda maior economia do mundo.

Os recursos arrecadados na OPI serão destinados ao desenvolvimento de grandes modelos de IA, incluindo algoritmos e infraestrutura de sistemas, informou a empresa.

A MiniMax, criada em 2022, mira no mercado consumidor, especialmente fora da China, com ferramentas de IA generativa para voz, música e vídeo, além de texto.

“Quando o mercado amadurecer por meio de uma concorrência plena, mais pessoas entenderão as capacidades, o desempenho e os preços desses modelos, alcançando um estado de equilíbrio”, disse Liu à Bloomberg Television nesta quinta-feira.

O analista de tecnologia chinês Poe Zhao, fundador da newsletter Hello China Tech, afirmou à AFP que as duas aberturas de capital “demonstram o potencial de receita e os desafios fundamentais que essa nova geração de empresas de LLM enfrenta”.

“A alta demanda reflete claramente um otimismo mais amplo em relação à IA chinesa”, acrescentou.

O avanço da IA ajudou a impulsionar as ações de tecnologia a níveis recordes nos últimos meses, mas esses papéis também são voláteis, já que investidores globais acompanham atentamente qualquer sinal de bolha.

“Acho que há uma bolha? Sim. Mas quero distinguir entre ‘bolha’ e ‘risco de bolha'”, disse Zhao, acrescentando que essas empresas precisam de capital.

O mercado de LLM na China pode crescer para 101,1 bilhões de yuans (14,5 bilhões de dólares, cerca de 78,1 bilhões de reais na cotação atual) até 2030, segundo a consultoria Frost & Sullivan.

Em janeiro de 2025, a chinesa DeepSeek sacudiu o setor tecnológico mundial com um modelo de raciocínio de baixo custo e alto desempenho que abalou a hegemonia americana nesse segmento.

– Lista de restrição –

Há um ano, os Estados Unidos incluíram a Zhipu, apoiada pelo conglomerado Tencent, em sua lista de restrição de controle de exportações, por temores de que represente um risco à segurança nacional.

A Disney e outras empresas de entretenimento americanas, como a Universal, processaram a MiniMax por violação de direitos autorais.

Zhao descarta que a Zhipu ou a MiniMax sejam lucrativas “no curto prazo”.

“Isso depende de duas mudanças em toda a indústria: custos de computação consideravelmente mais baixos e uma demanda muito maior por IA”, explicou.

Fontes apontam que China incentiva empresas de tecnologia a usar microchips de fabricação nacional devido às restrições intermitentes de Washington sobre chips avançados da Nvidia.

A confiança dos investidores no potencial da indústria chinesa de chips para desafiar a gigante americana Nvidia fez com que, no mês passado, as ações das empresas de semicondutores Moore Threads e MetaX disparassem em suas estreias no mercado.

Carne suína/ABPA: exportação em 2025 atinge recorde de 1,510 milhão de t (+11,6%)

 Exportações de carne suína têm segundo maior volume da ...

São Paulo, 8 – As exportações brasileiras de carne suína encerraram 2025 com volume recorde. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques somaram 1,510 milhão de toneladas no ano, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, quando foram exportadas 1,352 milhão de toneladas.

Com esse desempenho, o Brasil deve ultrapassar o Canadá e assumir a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais da proteína. Em termos de receita, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em 2025, alta de 19,3% na comparação com os US$ 3,033 bilhões obtidos no ano anterior.

As Filipinas consolidaram-se como o principal destino da carne suína brasileira em 2025, com importações de 392,9 mil toneladas, crescimento expressivo de 54,5% em relação a 2024. Na sequência aparecem China, com 159,2 mil toneladas (queda de 33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (alta de 4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (avanço de 22,4%) e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (crescimento de 3,7%).

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o ano foi marcado por uma mudança relevante no perfil dos destinos. “As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores”, afirmou. Para ele, o movimento reflete “a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional”.

O resultado anual foi impulsionado pelo desempenho de dezembro. No último mês de 2025, os embarques alcançaram 137,8 mil toneladas, crescimento de 25,8% em relação a dezembro de 2024, quando o volume foi de 109,5 mil toneladas. Apenas no último mês em dezembro, a receita cambial somou US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% frente aos US$ 258,4 milhões registrados no mesmo período de 2024.